Que assim seja! (1951) – Anna Akhmátova

Que assim seja! Так будет!
Não precisamos da terra dos outros, 
Nós criamos a nossa, — 
E com um rio poderoso 
A ela levamos água. 
Nem a seca, nem a má colheita, 
Nem cinzas em brasas — 
Traz um doce aroma 
Aqui bate vento nas asas.
Não há mais negras tempestades, 
devastadoras como o simum,
Vê-se o fresco azul 
Do deserto Karakum.
E as crianças na noite clara
Pelas sombras levando as ovelhas,
Já não sabem sobre o que
Cantava o pai com tristeza…
Mas o que se deu agora
No meu país trabalhador,
Brilhará eternamente
E para a história entrou. 
Не надо нам земли чужой, 
Свою мы создаем, — 
И одарил ее водой 
Могучий водоем. 
Не засуху, не недород, 
Не раскаленный прах — 
Благоухание несет 
Здесь ветер на крылах. 
Не будет больше черных бурь, 
Губящих как самум, 
Увидит свежую лазурь 
Пустыня Кара-Кум. 
И дети, ясным вечерком 
В тени гоня овец, 
Уже не ведают, о чем 
Печально пел отец… 
Но что в моей стране труда 
Теперь произошло, 
То лучезарным навсегда
В историю вошло.

Luiza Góis A. Fonseca

Tradutora e escritora, formada em Letras: Português/Russo pela FFLCH-USP. Mestranda em Literatura Russa pelo PPG-LETRA, da USP. 

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