O seguinte texto foi apresentado por Julian Volz, no dia 23 de março de 2026, às 19h, na sala 115 do Prédio de Filosofia e Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). A coordenação foi feita pelo professor Jean Tible, do departamento de Ciência Política. A organização do evento foi feita André Silva (doutorando Unifesp/Zero), Ariane Velasco (mestranda USP/Zero), Felipe Catalani (pós-doc Unifesp) e Leonardo Silvério (mestrando USP/Zero). Após a leitura do texto, mediada por slides, fizemos uma conversa com Volz, a respeito de Krahl, movimentos estudantis e meios de organização da esquerda que está disponível em vídeo no YouTube.
— Comissão Editorial Zero à Esquerda.

Entre a Escola de Frankfurt e o Marxismo Antiautoritário: Hans-Jürgen Krahl e os movimentos de 1968 na Alemanha Ocidental
Boa noite a todos,
Estou muito feliz por estar aqui com vocês esta noite para discutir alguns aspectos da teoria e da práxis de Hans-Jürgen Krahl, que foi um dos mais importantes teóricos do movimento estudantil da Alemanha Ocidental de 1968. Junto com dois camaradas, Meike Gerber e Emanuel Kapfinger, organizei há alguns anos um livro sobre Krahl que, pela primeira vez, reuniu algumas reflexões sobre suas obras. Desde então, temos nos interessado muito por todas as discussões que surgem em torno de Krahl e ficamos muito felizes ao ver que alguns de seus textos foram recentemente traduzidos para o português brasileiro1. Por isso, estou realmente curioso para saber como suas obras ressoam entre vocês e se Krahl também pode ter algum significado no contexto brasileiro. Estou especialmente contente que Felipe Catalani, que traduziu um dos textos de Krahl, seja um dos coorganizadores desta noite e esteja aqui conosco.
O que meus dois coeditores e eu temos em comum é que todos estudamos na Universidade de Frankfurt e escolhemos essa universidade por causa da tradição da Teoria Crítica que ainda se pode encontrar ali, ainda que um pouco, ao menos nas margens, e também porque fomos e somos ativos em movimentos antifascistas e sociais da cidade. E acho que esse é um pano de fundo importante para entender o que nos atraiu na obra de Krahl: ele foi fortemente influenciado pela Teoria Crítica, pois estudou com Adorno e estava profundamente engajado nos debates da Escola de Frankfurt e, ao mesmo tempo, foi muito ativo nos movimentos políticos de 1968.
A tese inicial do nosso trabalho com Krahl foi, portanto, que, com essa combinação específica de teoria e práxis, Krahl desenvolveu uma linha de pensamento independente, prático-revolucionária, dentro da Teoria Crítica, que chamamos de marxismo anti-autoritário. Krahl poderia ter conseguido articular essas vertentes de forma mais sistemática, mas sua morte precoce, aos 27 anos, em um acidente de carro em fevereiro de 1970, impediu isso. Como resultado, sua obra possui um caráter fragmentário. Cabe a nós desenvolver mais profundamente as abordagens que ele elaborou, repensá-las e conectá-las com as lutas do nosso presente.
Se abordarmos Krahl hoje a partir de um ponto de vista não nostálgico, isso só pode fazer sentido como uma tradução no sentido proposto por Walter Benjamin, que escreveu: “(…) Uma tradução provém do original. Não (…) tanto de sua vida, quanto de sua ‘sobrevida’. (…) Ela marca o estágio de sua continuação.”2
Segundo Benjamin, portanto, o objetivo não pode ser alcançar a maior fidelidade possível ao original, mas sim que sua intenção encontre expressão na tradução, “da qual o eco do original é despertado”, como ele escreveu. Nesse sentido, eu também teria interesse em discutir com vocês mais tarde que tipo de eco Krahl poderia despertar no Brasil.
Na apresentação a seguir, primeiro farei um breve panorama do contexto do movimento de 1968 na Alemanha Ocidental, no qual Krahl foi ativo, e esboçarei alguns aspectos de sua biografia. Em uma segunda parte, voltarei à relação de Krahl com a Teoria Crítica, com foco em seu trabalho com os escritos de Herbert Marcuse, e mostrarei como isso moldou sua compreensão da emancipação e da questão da organização revolucionária. Também abordarei sua recepção de um movimento político específico daquela época, a saber, as revoluções no Terceiro Mundo.
Esse último aspecto já revela uma diferença importante em relação à Teoria Crítica de Max Horkheimer e Theodor W. Adorno. Pois eles, na melhor das hipóteses, em grande medida ignoraram essas lutas ou, no pior dos casos, chegaram até mesmo a apoiar a guerra dos Estados Unidos no Vietnã, como fez o Horkheimer tardio.
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Embora seja verdade, especialmente em uma perspectiva global, que o período de rebelião em torno de 1968 não pode ser reduzido a um levante estudantil, é preciso afirmar que a rebelião na Alemanha Ocidental e em Berlim Ocidental emergiu, em grande medida, de núcleos radicalizados dentro do corpo estudantil: tratava-se, em grande parte, de um movimento estudantil.
Ao buscar as razões pelas quais a rebelião na República Federal da Alemanha permaneceu, em sua maior parte, limitada aos campi universitários, devemos ter em mente que a tradição da classe trabalhadora revolucionária havia sido amplamente eliminada pelos nazifascistas nas décadas de 1930 e 1940. Restaram apenas poucos sobreviventes, muitas vezes retornando do exílio, aos quais os estudantes podiam recorrer como portadores dessa tradição revolucionária.
Para o movimento estudantil antiautoritário, foi sobretudo a tradição heterodoxa que despertou interesse, entre elas a dos intelectuais da Escola de Frankfurt. Max Horkheimer e Theodor W. Adorno, que retornaram para lecionar na Universidade de Frankfurt após o exílio nos Estados Unidos, desempenharam um papel crucial nesse processo. Como Krahl elabora em um texto escrito pouco depois da morte de Adorno:
“O pensamento de Adorno sobre a lógica essencial das categorias de reificação e fetichização, de mistificação e segunda natureza, deu continuidade à consciência emancipatória do Marxismo Ocidental das décadas de 1920 e 1930, de Korsch e Lukács, de Horkheimer e Marcuse, constituída em oposição ao marxismo soviético oficial.” (Krahl, 2008, p.293)3
A partir dessa breve citação, já podemos extrair três aspectos importantes: em primeiro lugar, ela explica por que a Escola de Frankfurt teve um papel tão relevante para o movimento estudantil na Alemanha Ocidental. Isso nos leva, em segundo lugar, ao fato de que Frankfurt, ao lado de Berlim Ocidental, foi um dos principais centros desse movimento, já que muitos se dirigiam à cidade para estudar com Adorno.
E, em terceiro lugar, evidencia-se que as referências teóricas importantes para Krahl, além da Escola de Frankfurt, eram os pensadores do marxismo ocidental. Krahl dedicou-se especialmente ao estudo da teoria da organização e da consciência de classe de Lukács e buscou articular essas ideias com os novos princípios de emancipação que emergiam do movimento estudantil.
O próprio Krahl veio para Frankfurt em 1965 para estudar com Adorno. No entanto, seu percurso esteve longe de ser linear. Antes disso, ele havia estudado em Göttingen, uma pequena cidade universitária bastante conservadora. Em sua juventude, esteve ativo em organizações de extrema-direita. Krahl descreveu de forma muito vívida sua trajetória – de ativista neofascista a estudante de Adorno e militante do movimento estudantil – em um texto intitulado “Angaben zur Person” (“Dados Pessoais”), do qual gostaria de citar um trecho mais longo em breve.
Antes disso, porém, gostaria de dizer duas ou três frases sobre o contexto em que esse texto foi escrito, pois ele já revela muito sobre as formas de ação desenvolvidas pelo movimento estudantil da Alemanha Ocidental.
Krahl proferiu esse discurso em tribunal, pois estava sendo julgado por protestos contra o presidente senegalês Léopold Senghor. Em setembro de 1968, Senghor havia sido agraciado com o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão (Friedenspreis des Deutschen Buchhandels), durante a Feira do Livro de Frankfurt. É importante observar que esse continua sendo, até hoje, um prêmio muito relevante na Alemanha. No ano anterior, por exemplo, ele havia sido concedido a Ernst Bloch.
Naquele momento, quando recebeu o prêmio, Senghor era ao mesmo tempo um intelectual e um dos principais pensadores do movimento da Négritude, além de presidente do Senegal. Por iniciativa de estudantes senegaleses em Frankfurt, o movimento estudantil da cidade organizou uma manifestação contra a cerimônia de premiação – e isso por duas razões.
Em primeiro lugar, a versão de Négritude de Senghor foi criticada como folclorizante. Esse aspecto foi certamente influenciado pela crítica de Frantz Fanon à Négritude, desenvolvida em Os Condenados da Terra. Fanon argumenta que é impossível simplesmente reconectar-se com a cultura pré-colonial com um propósito descolonizador. Essas culturas não apenas foram irreversivelmente destruídas pelo colonialismo, como qualquer tentativa de reavivá-las corre o risco de aprisionar permanentemente os anteriormente colonizados no passado. Em vez disso, ele insiste que uma nova cultura deve ser criada no interior da luta anticolonial.
Ainda mais grave, porém, era o segundo ponto: como presidente, Senghor havia reprimido violentamente protestos estudantis em Dakar apenas algumas semanas antes e mantinha uma cooperação estreita com a França, a antiga potência colonial.
O movimento estudantil de Frankfurt organizou, assim, os protestos na Feira do Livro de Frankfurt contra a cerimônia de premiação, e três representantes proeminentes do movimento foram posteriormente acusados de incitação e perturbação da ordem pública (Rädelsführerschaft und Landfriedensbruch).
Um deles foi K. D. Wolff, à época presidente da União Socialista Alemã de Estudantes (SDS), a organização mais importante do movimento estudantil.
Outro foi Günter Amendt, que mais tarde se tornaria um importante teórico da sexualidade e autor de livros populares de educação sexual. E o terceiro foi o próprio Krahl.
No início do julgamento, quando o juiz pediu aos acusados que fornecessem suas informações pessoais – algo que normalmente se limita a declarar nome, data de nascimento e estado civil –, os três declararam que, em vez disso, realizariam uma sessão de psicanálise coletiva, na qual apresentariam o contexto de sua socialização e politização.
O que se seguiu foram apresentações de várias horas por parte dos três réus sobre suas biografias, de modo que a leitura da acusação só pôde ocorrer à tarde. O texto que mais tarde foi publicado sob o título “Angaben zur Person” (“Dados Pessoais”) corresponde ao relato que Krahl fez de sua própria biografia diante do tribunal.
Vamos ouvir Krahl em sua própria voz:
“Fornecer informações pessoais não significa, mesmo diante de um tribunal como este, definir aquilo que ainda hoje é ironicamente chamado de ‘personalidade’. Trata-se, antes, de traçar os contornos de fundo das experiências que deram origem ao processo de politização e, assim, também à fase antiautoritária do movimento estudantil. E, no que diz respeito à minha pessoa, tratam-se de experiências muito diferentes das do meu camarada [Günter] Amendt.
Minhas origens me obrigaram a percorrer um caminho muito longo antes de ser capaz de trair a classe burguesa da qual eu provinha. Venho de uma terra subdesenvolvida, a Baixa Saxônia, e, de fato, de uma de suas regiões mais sombrias; por isso, não me foi permitido receber a ideologia esclarecida da burguesia, nem mesmo de dentro dessa classe. Pois as ideologias que conheci e com as quais tive de me identificar são semelhantes àquelas que constituem o tema deste julgamento, isto é, os temas de Senghor, e por isso será apropriado explicá-las brevemente.
Na Baixa Saxônia, ou pelo menos na região de onde venho, ainda impera o que poderíamos chamar de ideologia da terra; e assim, no decorrer da minha formação política, também me movi apenas dentro do espectro que vai da Deutsche Partei até a [neofascista] Welfenpartei. […] Nesse sentido, foi um enorme esclarecimento quando, em 1961, na minha cidade natal de Alfeld, fundei a Junge Union e me filiei à CDU (União Democrata Cristã).
Esse foi o primeiro passo para me libertar dessas ideologias de ‘sangue e terra’, para passar do estado natural feudal de uma economia agrária para a sociedade industrial capitalista moderna. E devo dizer que, a partir desse momento, começou, por assim dizer, uma odisseia através das formas organizacionais da classe dominante.
[…]
Devo dizer que, por fim, consegui me desvincular desse contexto ideológico e passar ao positivismo lógico avançado e, finalmente, à dialética marxista. Esse é um processo formativo comum a muitos que, por sua posição de classe, não têm necessidade de participar da prática do proletariado, mas sentem náusea ao conhecer sua própria classe e seus companheiros de classe, as mentiras e a corrupção com que oprimem a si mesmos e ao proletariado, até torná-los irreconhecíveis. […]
Quando a classe dominante me expulsou, decidi traí-la completamente e ingressar na SDS (Liga Socialista Alemã de Estudantes). Na SDS, aprendi pela primeira vez o que significa solidariedade: criar formas de relação que rompem com a opressão e a subjugação à classe dominante. Na SDS, aprendemos, pela primeira vez, que os Estados Unidos e o sistema que representam exercem uma opressão terrível no Terceiro Mundo; que, quando a classe dominante diz ‘liberdade’, ela entende a liberdade de tomar o poder e reprimir a liberdade; que, quando a classe dominante diz ‘tolerância’, ela entende tolerância dentro dos limites de seu domínio e intolerância diante daqueles que têm o direito de dizer tudo, mas não de mudar nada. Na SDS, aprendemos, pela primeira vez, o que significa que a exploração ainda existe.
[…]
Isso significa – e este é também o papel que devemos assumir na SDS, como intelectuais, na condução da luta de classes – que, na luta prática, devemos desenvolver uma teoria que torne claro ao proletariado, em sua consciência e em seu universo linguístico, o domínio do capitalismo tardio, encoberto por infinitas manipulações e complementos. Isso significa que a teoria deve desmascarar e revelar esse domínio, e que é nossa função, como intelectuais políticos, colocar nosso conhecimento a serviço da luta de classes.” (Krahl, 2008, pp.19-30)4
Podemos ver, portanto, que o percurso de Krahl foi bastante sinuoso, o que o levou, por fim, a iniciar seus estudos de doutorado sob orientação de Adorno, acompanhado de uma radicalização repentina que provavelmente só pode ser explicada pelo clima político daquela época.
Paralelamente ao seu trabalho acadêmico, Krahl rapidamente se tornou uma figura importante do movimento em Frankfurt e passou a atuar como uma espécie de principal teórico. Ele participou de inúmeras manifestações, campanhas e seminários. Particularmente importantes nesse contexto foram a ocupação do Instituto de Sociologia [Institut für Sozialforschung] da Universidade de Frankfurt no inverno de 1968 e a brevíssima ocupação do Instituto de Pesquisa Social em janeiro de 1969.
Durante esta última, Krahl foi preso após Adorno ter chamado a polícia para desocupar o local poucas horas depois do início da ocupação. Como Krahl não possuía residência fixa naquele momento, foi o único participante dessa ocupação a ser colocado em prisão preventiva. Ele permaneceu na prisão por dez dias.
A escrita de Krahl, especialmente sobre a questão das táticas políticas e da organização, só pode ser compreendida adequadamente no contexto da SDS, que constituía o quadro organizativo de sua atividade política. No final dos anos 1960, a SDS foi marcada por intensos conflitos internos entre diferentes facções – e eram muitas.
Por um lado, havia os tradicionalistas, que se orientavam por organizações partidárias clássicas de filiação política e podem ser associados à ala esquerda da social-democracia. No final da década de 1960, porém, os maoístas tornavam-se cada vez mais influentes. Eles se orientavam pela China e pela União Soviética anterior a 1956 – ou seja, antes da desestalinização – e, no início dos anos 1970, viriam a fundar diversos chamados “grupos K” (Kommunistische Gruppen), como o KPD, KPD-ML, KPD-RM (Roter Morgen), KPD-AO (Aufbauorganisation), AB-KPD (Arbeiterbund für den Wiederaufbau der KPD), MLPD (Marxistisch-Leninistische Partei Deutschlands) e o KB (Kommunistischer Bund), que não deve ser confundido com o KBW (Kommunistischer Bund Westdeutschlands).
Havia também uma corrente de antiautoritários imediatistas (unmittelbaristische Antiautoritäre) dentro da SDS, que rejeitava qualquer mediação da luta política por meio de estratégia, tática ou organização, e que buscava uma libertação imediata, sobretudo de seus desejos (sexuais). Posteriormente, eles fundariam projetos de comunas. Ao mesmo tempo, surgia o novo movimento feminista, que se definia em oposição a todas essas correntes, as quais, em sua visão, eram amplamente dominadas por perspectivas masculinas.
E havia os marxistas antiautoritários em torno de Krahl, em Frankfurt, e de Rudi Dutschke, em Berlim Ocidental. Eles eram influenciados por um marxismo heterodoxo e pela Teoria Crítica, e buscavam articular essas influências com novos princípios de emancipação.
Uma influência particularmente importante para o desenvolvimento dessa corrente, a meu ver, foi Herbert Marcuse, assim como as lutas que ocorriam no Terceiro Mundo naquele período. Passarei agora, portanto, à segunda parte, na qual abordarei como essa influência pode ser compreendida. Para isso, discutirei tanto o próprio Marcuse quanto sua recepção por Krahl.
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Diferentemente de Adorno e Horkheimer, Marcuse nunca retornou à Alemanha após ter sido forçado ao exílio nos Estados Unidos pelos nazifascistas. No entanto, na década de 1960, ele visitava a Alemanha Ocidental, onde dava palestras com bastante frequência. Um exemplo foi a primeira conferência do SDS sobre o Vietnã, realizada em Frankfurt am Main em 1966, intitulada “Vietnã – Análise de um Exemplo”5. Marcuse fez a conferência principal no ato final, na praça Römer, em Frankfurt.
Já nessa palestra, Marcuse apresentou ao movimento estudantil alemão sua chamada teoria dos grupos marginais (Randgruppentheorie), utilizando o exemplo do movimento contra a Guerra do Vietnã nos Estados Unidos. Essa teoria baseava-se na observação de que o proletariado nas metrópoles capitalistas havia se tornado cada vez mais integrado à sociedade, e que o movimento operário tradicional já não representava uma oposição radical. Devido ao enorme aumento das forças produtivas sob o capitalismo tardio, o proletariado passou, segundo Marcuse, a participar cada vez mais da riqueza socialmente produzida. Como resultado, a oposição radical só poderia vir das margens da sociedade, daqueles grupos menos integrados, como as minorias racialmente oprimidas (nas palavras de Marcuse, os “habitantes dos guetos”), os jovens intelectuais e, no caso da Guerra do Vietnã, também as minorias religiosas.
Já nessa palestra de 1966, Marcuse identificava um quarto grupo que considerava essencial para a oposição: o movimento feminista. Segundo ele, as mulheres haviam sido relativamente menos afetadas pelos ideais de agressividade característicos da sociedade patriarcal. É importante notar, contudo, que Marcuse atribuía a esses grupos principalmente o papel de catalisadores na formação da consciência política. Uma transformação efetiva da sociedade, argumentava ele em seu “Ensaio sobre a Libertação”6 (1969), ainda só poderia ser realizada, em última instância, pelo proletariado, devido à sua posição específica no processo produtivo e à sua maior quantidade.
Quando Marcuse proferiu essa palestra em Frankfurt, em 1966, Krahl já vivia na cidade havia mais de um ano e era um membro ativo do SDS. Ele participou tanto da conferência quanto da manifestação subsequente, estando, portanto, familiarizado com as teses de Marcuse. No mais conhecido e maior Congresso do Vietnã, realizado na Universidade Técnica de Berlim Ocidental em fevereiro de 1968, Krahl já apresentaria uma palestra própria.
Nessa intervenção no congresso de 1968, Krahl criticou Marcuse por oferecer apenas uma expressão abstrata de solidariedade – ou, nas palavras do próprio Krahl, uma “solidariedade da razão e do sentimento” – com o Vietcong, sem formular estratégias políticas concretas para pôr fim à guerra. O próprio Krahl propôs, no congresso, o lançamento de uma campanha sob o lema “Destruir a OTAN” (Smash NATO). A ideia era iniciar uma campanha voltada a enfraquecer o poder militar dos exércitos da OTAN na Europa Ocidental e, assim, possibilitar uma solidariedade concreta entre os movimentos estudantis nas metrópoles e as lutas de libertação no Terceiro Mundo.
Retrospectivamente, porém, a crítica de Krahl a Marcuse parece um tanto forçada. Afinal, o próprio Marcuse já havia se referido de maneira bastante concreta, em sua intervenção de 1966, às estratégias políticas do movimento anti-guerra nos Estados Unidos, e, em seu “Ensaio sobre a Libertação” (1969), escreveu quase literalmente que a luta de libertação do Terceiro Mundo só poderia ter êxito se o imperialismo também fosse combatido politicamente em seus centros.
Para ambos, Marcuse e Krahl, a importância dos movimentos de libertação anticolonial no mundo tricontinental não pode, portanto, ser subestimada. Segundo ambos, seu surgimento recolocava na agenda a possibilidade de uma revolução mundial.
Krahl descreveu o significado desses movimentos, durante seu discurso no Congresso do Vietnã em Berlim, em fevereiro de 1968, da seguinte maneira:
“A resistência bem-sucedida do povo vietnamita contra a gigantesca máquina de guerra tecnológica dos Estados Unidos, o modelo socialista de Cuba e as lutas revolucionárias das guerrilhas na América Latina criaram um novo fato: a atualidade histórico-mundial qualitativamente nova da revolução.” (Krahl, 2008, pp.148-151)7
Em seu texto “Dados Pessoais”, Krahl também descreveu como essa nova atualidade moldou sua compreensão da emancipação:
“A solidariedade com os movimentos de libertação social-revolucionários no Terceiro Mundo foi decisiva para a formação de nossa consciência antiautoritária. […] O Terceiro Mundo nos ensinou um conceito de política intransigente e radical, que se distinguia claramente da realpolitik superficial e sem princípios da sociedade burguesa. Che Guevara, Fidel Castro, Ho Chi Minh e Mao Zedong são revolucionários que nos transmitiram uma moral política de uma política sem concessões.” (Krahl, 2008, pp.19-30)
Marcuse, por sua vez, também acreditava que essas lutas no Terceiro Mundo haviam reatualizado a possibilidade da revolução. Em seu Ensaio sobre a Libertação, ele escreve:
“Agora, no entanto, essa homogeneidade ameaçadora vem sendo afrouxada, e uma alternativa começa a despontar no continuum repressivo. Essa alternativa não se mostra tanto como uma nova rota para o socialismo, mas como o surgimento de diferentes objetivos e valores, diferentes aspirações em homens e mulheres que resistem e renegam o massivo poder de exploração do capitalismo corporativo mesmo em suas realizações mais agradáveis e liberais. A Grande Recusa se manifesta de várias formas.
Uma revolução que luta para se afastar da administração burocrática do socialismo vem sendo defendida e levada adiante no Vietnã, em Cuba, na China. As forças de guerrilha na América Latina parecem animadas por esse mesmo impulso subversivo: libertação.”(Marcuse, 2024, p.5)
Por meio desses movimentos, ambos desenvolveram e refinaram suas próprias concepções de emancipação. No entanto, sua interpretação por vezes parece um tanto idealizada e tende a ignorar as contradições reais presentes nesses movimentos. A partir disso, pode-se especular se eles não utilizaram esses movimentos mais como uma superfície de projeção para formular suas próprias ideias políticas voltadas às lutas no Norte Global.
Mas, como mostram os protestos contra Senghor em Frankfurt, eles também estavam bem informados sobre os desenvolvimentos políticos em países não ocidentais. E é importante enfatizar o papel significativo que esses movimentos de libertação desempenharam no pensamento tanto de Krahl quanto de Marcuse, especialmente porque frequentemente se supõe que os representantes da Teoria Crítica não se envolvem com movimentos políticos concretos.
Essa questão – colocada na agenda, segundo Marcuse, pelas lutas no Terceiro Mundo –, a saber, como redefinir o socialismo após a experiência do socialismo estatal autoritário no bloco oriental, mas também sob as condições de um enorme desenvolvimento das forças produtivas no fordismo, foi muito importante para a obra de Marcuse nos anos 1960. Central para essa redefinição era a questão de uma emancipação fundamental do ser humano sob o socialismo.
Em duas conferências que Marcuse proferiu em julho de 1967 na Universidade Livre de Berlim – às quais Krahl também assistiu –, ele apresentou pela primeira vez sua concepção de emancipação diante de vários milhares de estudantes na Alemanha Ocidental. As conferências tinham os títulos “O Fim da Utopia” e “O Problema da Violência na Oposição”. As ideias de emancipação ali apresentadas tornar-se-iam decisivas para a compreensão do socialismo dentro da Nova Esquerda na Alemanha Ocidental e para o próprio pensamento de Krahl.
Krahl posteriormente resumiu a importância de Marcuse para seu próprio pensamento de forma condensada em seu ensaio “Cinco Teses sobre Herbert Marcuse como ‘Teórico Crítico’ da Emancipação”. Como ele argumenta nesse texto, concepções de socialismo que se concentram apenas na tomada dos meios de produção e em uma simples transformação das relações de propriedade tornaram-se obsoletas no atual nível das forças produtivas.
Com formulações como essa, ele está mirando o “velho” movimento operário, tanto em sua forma social-democrata quanto leninista. Em ambos os casos, argumenta Krahl, princípios fundamentais semelhantes foram realizados por meio de táticas políticas distintas. Na versão social-democrata, a exploração do proletariado deveria ser atenuada por meio da mediação do Estado democrático-burguês. Já na versão leninista, o Estado proletário, tomado por meio de uma ruptura conduzida pelo partido do proletariado, deveria desenvolver as forças produtivas e, assim, melhorar a condição do proletariado.
Mas Krahl se opôs a isso em consonância com Marcuse:
“A história colocou na ordem do dia o que Marcuse formulou de forma tão filosófica quanto ingênua: a redução do processo de liberação revolucionário à revolução industrial arrasta consigo a miséria da reificação e submete os indivíduos à servidão impessoal dos meios de produção materiais. Emancipação, pelo contrário, quer que os indivíduos organizem os meios de produção industrial para se associarem [verkehren] de modo feliz. O conceito truncado de emancipação visa somente uma relação de propriedade modificada dos homens com os meios de produção coisais, mas não uma mudança da relação de associação dos indivíduos históricos entre si.” (Krahl, 2008, p.306)8
Os meios de produção, portanto, não podem simplesmente ser apropriados, pois, sob o capitalismo tardio, já se tornaram instrumentos de dominação – por exemplo, quando a linha de montagem impõe o ritm”o de trabalho aos trabalhadores. Krahl adotou em grande parte essa análise – de que as máquinas não são neutras – do livro “O Homem Unidimensional”, de Marcuse, no qual ele examina a transformação da dominação no capitalismo tardio.
Se o socialismo pretende significar uma emancipação genuína dos seres humanos, então o próprio processo de trabalho deve ser completamente reorganizado no curso de uma revolução socialista. Em sua conferência de 1967, “O Fim da Utopia”, na Berlim Ocidental, Marcuse chegou até mesmo a defender a abolição imediata do trabalho alienado. Segundo ele, o desenvolvimento das forças produtivas já havia tornado possível que o “reino da liberdade” começasse a emergir dentro do próprio “reino da necessidade”.
Como lembrete: no terceiro volume de “O Capital”, Marx argumentava que o reino da liberdade só poderia ser realizado para além do reino da necessidade9. Marcuse, porém, insistia que a liberdade deveria já ser realizada no interior do próprio trabalho, permitindo que este se aproximasse cada vez mais do jogo.
Apoiado em outro importante representante do marxismo ocidental, Karl Korsch, Krahl concordou com essa proposta após a conferência de Marcuse em 1967. Durante essa discussão, Krahl afirmou:
“Eu ficaria do lado do Korsch tardio quando ele reprova o Marx tardio por, por assim dizer, ter abandonado o interesse emancipatório da razão, concentrando-se apenas na intensificação da produção e coisas do tipo, e, ao fazê-lo, de certo modo ter relegado aquele tempo livre que é interpretado como o reino da liberdade” (in Marcuse, 1980, p.9)10.
Com essa concepção de emancipação e de socialismo – que não se concentra apenas na tomada dos meios de produção –, outras esferas também passam a entrar em foco e seriam profundamente afetadas por uma revolução socialista, como as relações interpessoais, a vida cotidiana e as necessidades humanas.
No que diz respeito ao primeiro desses aspectos, Krahl escreve, novamente apoiando-se em Marcuse: “A emancipação não é, antes de tudo, uma organização transformada da propriedade industrial, mas uma organização transformada da interação social” (Krahl, 2008, p.304)11.
Krahl compreende tais relações transformadas, em seu texto “Para a crítica da ideologia da consciência antiautoritária” [“Zur Ideologiekritik des antiautoritären Bewusstseins”]12, como “formas socialistas de interação” (sozialistische Verkehrsformen). Ele desenvolve esse conceito em referência a Marx, que utilizava o termo “formas burguesas de interação” (bürgerliche Verkehrsformen) sobretudo para descrever a mediação das relações sociais pela forma-mercadoria na sociedade burguesa.
As formas socialistas de interação, ao contrário, são, segundo Krahl, produtoras de solidariedade, pois superam parcialmente as relações mediadas pela forma-mercadoria. Para ele, a organização política tem então a tarefa de antecipar essa superação já no interior da sociedade burguesa. Ele escreve que a organização deve se basear em uma “negação determinada” das formas de interação determinadas pelo valor de troca. Em outro momento, ele descreve isso como “organização como um processo emancipatório de contra-socialização”13. Por meio dessas práticas, novas necessidades humanas também poderiam emergir – por exemplo, necessidades de paz e solidariedade.
Nas disputas internas da SDS, Krahl defendeu repetidamente esses princípios de emancipação contra os representantes das correntes maoístas. A retomada, por parte destes, dos princípios organizacionais desenvolvidos por Lenin no início do século XX – baseados em disciplina rígida e autoridade – havia, segundo Krahl, se tornado anacrônica sob o capitalismo tardio. Afinal, os estudantes já não viviam sob um regime czarista autoritário, onde tal disciplina poderia ter sido necessária, mas sim na República Federal Alemã do final dos anos 1960, marcada pelo pós-fascismo e pelo capitalismo tardio14.
A disciplina rígida e a subordinação, argumentava Krahl, impediam o acesso às necessidades e desejos das massas e dificultavam o surgimento de novas necessidades. No entanto, tais novas necessidades eram essenciais para superar o vínculo libidinal das pessoas com a forma-mercadoria – uma ideia claramente inspirada em Marcuse.
Ainda assim, Krahl criticava Marcuse por manter suas ideias políticas excessivamente abstratas e por não mediá-las suficientemente com estratégias políticas concretas15. Marcuse frequentemente recorria a conceitos de tonalidade quase existencialista, como a “Grande Recusa”, que pareciam basear-se sobretudo em uma decisão subjetiva.
Krahl, por sua vez, buscou articular os princípios de emancipação de Marcuse com práticas e táticas políticas concretas por meio de uma teoria da organização, relacionando-os assim às lutas de classe contemporâneas. Ele ficou particularmente impactado pelas greves selvagens (wildcat strikes) que ocorreram na Alemanha Ocidental no outono de 1969 – muitas delas iniciadas por trabalhadores migrantes (ou seja, “grupos marginais”, na terminologia de Marcuse) –, bem como pelas greves selvagens ocorridas na Itália no mesmo período.
Essas greves romperam com o quadro tradicional dos sindicatos nas lutas trabalhistas e, assim, expressaram novas necessidades – por exemplo, o desejo de não se submeter à disciplina da fábrica ou simplesmente a recusa do trabalho.
Mas não foi apenas Krahl que viu nelas um impulso importante para a libertação; também Marcuse comentou a importância dessas greves na fábrica Fiat-Pirelli, em Turim, em uma entrevista para a revista alemã “Der Spiegel”: “Essa greve mostrou que toda a complicada hierarquia do sistema fabril moderno é fungível – isto é, pode, de fato, ser substituída em um curto espaço de tempo por uma auto-organização dos próprios produtores”16.
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Para concluir: acredito que as reflexões de Krahl sobre organização e emancipação, que se baseiam em Marcuse, mantêm uma relevância intacta até hoje. Há pelo menos dez anos, observa-se um renascimento neo-leninista dentro da esquerda radical na Alemanha, visível na fundação de numerosos chamados “grupos vermelhos”, muitos dos quais se orientam pelo maoísmo e afirmam constituir o núcleo de um novo partido comunista. Eu ficaria curioso em saber se há desenvolvimentos semelhantes no Brasil.
Nesse aspecto, eles se assemelham de maneira notável aos grupos “K” do final dos anos 1960 e 1970, contra os quais Krahl já havia lutado em seus estágios iniciais. Em projetos de construção partidária como esses, as novas possibilidades de emancipação abertas pelo desenvolvimento das forças produtivas sob o capitalismo tardio acabam sendo completamente perdidas de vista.
Ao tentar articular essas formas de emancipação com formas de organização política, Krahl deixou um legado importante no que diz respeito à questão da organização. Ele nos ensina que os objetivos e as possibilidades de uma nova sociedade comunista já devem estar refletidos nas próprias formas de organização política.
Ao mesmo tempo, isso também nos lembra que a questão da organização precisa ser respondida novamente em cada época histórica e deve ser mediada com as possibilidades específicas de cada período.
- Volz refere-se aos dois textos que publicamos na Revista Zero à Esquerda: “As contradições políticas na Teoria Crítica de Adorno” (2022), tradução de Talles Lopes, e “Cinco teses sobre Herbert Marcuse como teórico crítico da emancipação” (2024), tradução de Felipe Catalani [Nota do Editor]. ↩︎
- Walter Benjamin, „Die Aufgabe des Übersetzers“, in Kleine Prosa. Baudelaire-Übertragungen, Band IV.1, hg. von Rolf Tiedemann, Walter Benjamin: Gesammelte Schriften. (Suhrkamp, 1972), S. 9-21, here: 10f [Nota do Autor]. Em português, ver BENJAMIN, W. “A tarefa do tradutor”. In: Escritos sobre mito e linguagem (1915-1921). Org. trad. e notas de Jeanne Marie Gagnebin; trad. Susana Kampff Lages e Ernani Chaves. — São Paulo: Duas Cidades; Editora 34, 2013 [N.E.]. ↩︎
- Hans-Jürgen Krahl, “Der politische Widerspruch der kritischen Theorie Adornos”, in: Hans-Jürgen Krahl, Konstitution und Klassenkampf (Frankfurt a.M., 2008), p. 291-294, here: 293 [N.A.]. ↩︎
- Hans-Jürgen Krahl, “Angaben zur Person”, in: Hans-Jürgen Krahl, Konstitution und Klassenkampf (Frankfurt a.M., 2008), p. 19-30 [N.A.]. ↩︎
- Herbert Marcuse, „Vietnam – Analyse eines Exempels“, 1966, in: Wolfgang Kraushaar (Ed.), Frankfurter Schule und Studentenbewegung. Von der Flaschenpost zum Molotowcocktail 1946-1995 Bd. 2 (Hamburg 1998) p. 205-209 [N.A.]. ↩︎
- Em português: MARCUSE, Herbert. Um ensaio sobre a libertação. Traduzido por Humberto do Amaral. — São Paulo: Editora Filosófica Politeia, 2024 [N.E.]. ↩︎
- Hans-Jürgen Krahl, “Diskussionsbeitrag auf dem Berliner Vietnam-Kongress”, in: Hans-Jürgen Krahl, Konstitution und Klassenkampf (Frankfurt a.M., 2008), p. 148-151 [N.E.]. ↩︎
- Hans-Jürgen Krahl, “Fünf Thesen zu ‘Herbert Marcuse als kritischer Theoretiker der Emanzipation'”, in: Hans-Jürgen Krahl, Konstitution und Klassenkampf (Frankfurt a.M., 2008), p. 304-308. here: 306 [N.A.]. ↩︎
- Karl Marx, Das Kapital. Band 3, in: Marx-Engels Werke 25, p. 828 [N.A.]. Em português: MARX, Karl. O capital: crítica da economia política: Livro III: o processo global da produção capitalista. Tradução de Rubens Enderle. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2017 [N.E.]. ↩︎
- Herbert Marcuse, „Das Ende der Utopie“, 1967, in: Das Ende der Utopie. Vorträge und Diskussionen in Berlin 1967 (Frankfurt a. M. 1980), p. 3-20, here: p. 9 [N.A.]. ↩︎
- Hans-Jürgen Krahl, “Fünf Thesen zu ‘Herbert Marcuse als kritischer Theoretiker der Emanzipation'”, in: Hans-Jürgen Krahl, Konstitution und Klassenkampf (Frankfurt a.M., 2008), p. 304-308. here: 304 [N.A.]. ↩︎
- Hans-Jürgen Krahl, “Zur Ideologiekritik des antiautoritären Bewusstseins”, in: Hans-Jürgen Krahl, Konstitution und Klassenkampf (Frankfurt a.M., 2008), p. 284-290 [N.A.]. ↩︎
- Hans-Jürgen Krahl, “Zur Ideologiekritik des antiautoritären Bewusstseins”, in: Hans-Jürgen Krahl, Konstitution und Klassenkampf (Frankfurt a.M., 2008), p. 284-290, here: 290 [N.A.]. ↩︎
- Hans-Jürgen Krahl, “Zu Lenin: Staat und Revolution”, in: Hans-Jürgen Krahl, Konstitution und Klassenkampf (Frankfurt a.M., 2008), p. 186-194 [N.A.]. ↩︎
- Hans-Jürgen Krahl, “Diskussionsbeitrag auf dem Berliner Vietnam-Kongress”, in: Hans-Jürgen Krahl, Konstitution und Klassenkampf (Frankfurt a.M., 2008), p. 148-151 [N.A.]. ↩︎
- Herbert Marcuse, »REVOLUTION AUS EKEL« (Interview), in: DER SPIEGEL 31/1969 [N.A.]. ↩︎

Julian Volz
Julian Volz é bolsista de pós-doutorado no “Instituto Central de História da Arte” (Zentralinstitut für Kunstgeschichte) em Munique. Juntamente com Meike Gerber e Emanuel Kapfinger, ele editou, em 2022, a coletânea “Para Hans-Jürgen Krahl. Contribuições para o seu marxismo antiautoritário” (Für Hans-Jürgen Krahl. Beiträge zu seinem antiautoritärem Marxismus). O volume reuniu, pela primeira vez, ensaios sobre a obra de Krahl, tanto de antigos companheiros de Krahl quanto de jovens pesquisadores.

Ariane Velasco
Ariane Velasco é mestranda em Filosofia (USP), educadora, tradutora e integrante da Revista Zero à Esquerda.