{"id":891,"date":"2020-12-29T15:30:45","date_gmt":"2020-12-29T18:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/tradutoresproletarios.wordpress.com\/?p=891"},"modified":"2021-01-23T05:18:56","modified_gmt":"2021-01-23T05:18:56","slug":"slavoj-zizek-hegel-sobre-o-futuro-hegel-no-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2020\/12\/29\/slavoj-zizek-hegel-sobre-o-futuro-hegel-no-futuro\/","title":{"rendered":"Hegel sobre o futuro, Hegel no futuro \u2014 Slavoj \u017di\u017eek"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tradutoresproletarios.files.wordpress.com\/2020\/12\/zoaodohegel.png?w=1024\" alt=\"\" class=\"wp-image-897\"\/><figcaption>Arte de Felipe Aiello<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Por Slavoj \u017di\u017eek<br><br>O ponto que quero defender \u00e9 o de que Hegel \u00e9 o fil\u00f3sofo mais aberto ao futuro, precisamente&nbsp;porque ele pro\u00edbe explicitamente qualquer projeto&nbsp;que diga&nbsp;como&nbsp;o&nbsp;nosso futuro deve parecer. Como ele diz ao fim do pref\u00e1cio de sua Filosofia do Direito (1820), a filosofia s\u00f3 consegue pintar \u201ccinza no cinza\u201d, e&nbsp;\u201ca coruja de Minerva&nbsp;apenas&nbsp;al\u00e7a seu voo&nbsp;ao cair do crep\u00fasculo\u201d. Isto \u00e9, a filosofia s\u00f3 traduz&nbsp;<em>retrospectivamente<\/em>, num esquema conceitual \u201ccinza\u201d (sem vida), uma forma de vida que j\u00e1 atingiu seu pico e entrou em decl\u00ednio &#8211; que est\u00e1 se tornando &#8220;cinza&#8221; ela mesma. Para colocar de forma curta e grossa, este \u00e9 o porqu\u00ea devemos rejeitar todas essas leituras de Hegel que veem em seu pensamento um modelo impl\u00edcito de uma sociedade futura reconciliada consigo mesma, deixando para tr\u00e1s as aliena\u00e7\u00f5es da modernidade. Chamo os que fazem essa leitura de &#8216;ainda-n\u00e3o-hegelianos&#8217;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Com sua mais recente obra-prima,&nbsp;<em>The&nbsp;<\/em><em>Spirit<\/em><em>&nbsp;<\/em><em>of<\/em><em>&nbsp;<\/em><em>Trust<\/em>&nbsp;(2019), o fil\u00f3sofo estadunidense Robert Brandom se firmou como talvez o mais proeminente &#8220;ainda-n\u00e3o-hegeliano&#8221;. Para ele, Hegel tra\u00e7a um ideal que ainda n\u00e3o alcan\u00e7amos:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A principal e mais positiva li\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da an\u00e1lise de Hegel sobre a natureza da modernidade &#8211; fruto de sua compreens\u00e3o do \u00danico Grande Evento na hist\u00f3ria da humanidade &#8211; \u00e9 que, se digerirmos adequadamente as conquistas e fracassos da modernidade, podemos construir sobre eles novas e melhores institui\u00e7\u00f5es, pr\u00e1ticas e egos autoconscientes &#8211; os quais s\u00e3o normativamente superiores, pois incorporam uma maior autoconsci\u00eancia, uma compreens\u00e3o mais aprofundada do tipo de ser que somos. (BRANDOM, 2019,&nbsp;p.456)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Nessa linha, Brandom prop\u00f5e tr\u00eas est\u00e1gios de desenvolvimento \u00e9tico hist\u00f3rico. No Est\u00e1gio Um &#8211; das&nbsp;<em>sociedades tradicionais<\/em>&nbsp;&#8211; temos o&nbsp;<em>Sittlichkeit<\/em>&nbsp;(um termo hegeliano que significa uma ordem moral costumeira aceita como um fato da natureza), mas nenhuma subjetividade no sentido moderno (ou, como poder\u00edamos cham\u00e1-la, individualidade). No Est\u00e1gio Dois, temos a&nbsp;<em>aliena\u00e7\u00e3o<\/em>: a subjetividade moderna ganha sua liberdade, mas \u00e9 alienada dos fundamentos \u00e9ticos de sua sociedade. Finalmente, no Est\u00e1gio Tr\u00eas, que aparentemente est\u00e1 no horizonte, temos uma nova forma de&nbsp;<em>Sittlichkeit<\/em>, compat\u00edvel com a subjetividade livre:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Enquanto escrevia a&nbsp;<em>Fenomenologia<\/em>, Hegel v\u00ea o&nbsp;<em>Geist<\/em>&nbsp;[o Esp\u00edrito do Mundo] come\u00e7ando a se consolidar no Est\u00e1gio Dois. O objetivo da obra \u00e9 possibilitar aos leitores a forma p\u00f3s-moderna de autoconsci\u00eancia que Hegel chama de &#8220;Conhecimento Absoluto&#8221; e, assim, come\u00e7ar a inaugurar o Est\u00e1gio Tr\u00eas. A nova forma de autoconsci\u00eancia explicitamente filos\u00f3fica \u00e9 apenas o come\u00e7o do processo, porque novas pr\u00e1ticas e institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m ser\u00e3o necess\u00e1rias para superar a aliena\u00e7\u00e3o estrutural da vida moderna (BRANDOM, 2019,&nbsp;p.458).&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">S\u00e9rio? Ent\u00e3o, o que dizer da insist\u00eancia de Hegel de que a filosofia s\u00f3 pode pintar \u201ccinza sobre cinza\u201d, dado que, como a coruja de Minerva, s\u00f3&nbsp;al\u00e7a seu&nbsp;voo ao&nbsp;cair do crep\u00fasculo&nbsp;\u2013 significando que a filosofia s\u00f3 pode entender a hist\u00f3ria&nbsp;<em>depois&nbsp;<\/em>dela ter acontecido? Aqui, Brandom fala, n\u00e3o como Hegel, mas como Marx: Saber Absoluto \u00e9 para ele como o canto de um galo gaul\u00eas no novo amanhecer (como disse Marx sobre o pensamento revolucion\u00e1rio). Ele inaugura uma nova era social, quando \u201cnovas pr\u00e1ticas e institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m ser\u00e3o necess\u00e1rias para superar a aliena\u00e7\u00e3o estrutural da vida moderna\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Os tr\u00eas est\u00e1gios de Brandom s\u00e3o gerados ao longo de dois eixos:&nbsp;<em>Sittlichkeit<\/em>&nbsp;ou n\u00e3o-<em>Sittlichkeit<\/em>&nbsp;e livre subjetividade moderna ou n\u00e3o-subjetividade. Isso d\u00e1 a sociedade tradicional (<em>Sittlichkeit<\/em>&nbsp;sem subjetividade livre), a sociedade moderna (subjetividade livre sem&nbsp;<em>Sittlichkeit<\/em>)&nbsp;e a sociedade p\u00f3s-moderna vindoura (<em>Sittlichkeit<\/em>&nbsp;com subjetividade livre). Brandom imediatamente levanta a quest\u00e3o do status da quarta possibilidade, que n\u00e3o se encaixa em nenhum desses tr\u00eas est\u00e1gios: a situa\u00e7\u00e3o sem Sittlichkeit e sem subjetividade livre. Ele pergunta: \u201cO que h\u00e1 de errado com a ideia de aliena\u00e7\u00e3o pr\u00e9-moderna?\u201d (BRANDOM, 2019,&nbsp;p.458).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mas por que ele l\u00ea automaticamente a aus\u00eancia de subjetividade livre como &#8220;pr\u00e9-moderna&#8221;? E quanto a uma op\u00e7\u00e3o propriamente&nbsp;<em>p\u00f3s-moderna<\/em>&nbsp;de perder a subjetividade livre e, ainda assim, permanecer alienado pela moralidade da sociedade? N\u00e3o \u00e9 disso que se trata o&nbsp;<em>totalitarismo<\/em>? E n\u00e3o \u00e9 este tamb\u00e9m o estado de que nos aproximamos com nosso&nbsp;<em>autoritarismo digital<\/em>? N\u00e3o seria este um verdadeiro insight hegeliano sobre uma dial\u00e9tica da modernidade? Queremos superar a lacuna entre a moralidade de uma sociedade e uma subjetividade livre que n\u00e3o reconhece mais tal moralidade como sua; mas em vez de reuni-las em uma esp\u00e9cie de unidade sint\u00e9tica superior,&nbsp;<em>perdemos ambas<\/em>. Por exemplo, Stalin n\u00e3o prometeu implementar uma s\u00edntese entre um forte esp\u00edrito comunit\u00e1rio e individualidade livre, prometendo liberdade real? E n\u00e3o foi o resultado a pr\u00f3pria perda da liberdade, numa condi\u00e7\u00e3o de total aliena\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>OFENSA E PERD\u00c3O<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Brandom v\u00ea a chave para o Terceiro Est\u00e1gio da sociedade \u2013 livre subjetividade integrada com a moralidade &#8211; na no\u00e7\u00e3o de &#8220;recorda\u00e7\u00e3o que perdoa&#8221; implantada por Hegel no final do cap\u00edtulo sobre o Esp\u00edrito em sua&nbsp;<em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>&nbsp;(1807). A lacuna que aliena o sujeito atuante de seu \u201cjuiz severo\u201d \u00e9 superada atrav\u00e9s&nbsp;da&nbsp;reconcilia\u00e7\u00e3o,&nbsp;alcan\u00e7ada n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s do agente que confessa seu pecado como tamb\u00e9m atrav\u00e9s do juiz que confessa sua participa\u00e7\u00e3o naquilo que condena, pois, como diz Hegel, \u201cO mal tamb\u00e9m \u00e9 o olhar que v\u00ea o mal em toda parte\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A no\u00e7\u00e3o de Brandom de \u201crecorda\u00e7\u00e3o que perdoa\u201d \u00e9 especialmente \u00fatil hoje. Permite-nos ver o que \u00e9 falso em alguns dos que defendem a &#8220;toler\u00e2ncia&#8221; e rejeitam o&nbsp;\u201cdiscurso de \u00f3dio\u201d. Uma pessoa politicamente correta que condena severamente aqueles que s\u00e3o acusados \u200b\u200bde praticar&nbsp;\u201cdiscurso de \u00f3dio\u201d&nbsp;n\u00e3o \u00e9 um caso contempor\u00e2neo exemplar de um julgamento moral r\u00edgido? Todos n\u00f3s sabemos como esses julgamentos podem ser repentinos e cru\u00e9is &#8211; uma palavra errada, uma piada considerada inapropriada, e sua carreira pode ficar em ru\u00ednas. Lembre-se do que aconteceu recentemente com o cr\u00edtico de cinema David&nbsp;Edelstein. A prop\u00f3sito da morte do diretor Bernardo Bertolucci, que gravou&nbsp;<em>O \u00daltimo Tango em Paris<\/em>,&nbsp;Edelstein&nbsp;fez uma piada de mau-gosto em sua p\u00e1gina privada no Facebook, acompanhada por uma imagem da cena mais not\u00f3ria do filme com Maria Schneider e Marlon Brando. Ele&nbsp;rapidamente apagou a postagem &#8211; antes mesmo do clamor p\u00fablico explodir, e n\u00e3o como uma rea\u00e7\u00e3o a ele! Mas a atriz Martha&nbsp;Plimpton&nbsp;imediatamente tuitou para seus seguidores: \u201cDemitam-no. Imediatamente.\u201d&nbsp;\u2013 e foi o que aconteceu no dia seguinte:&nbsp;Fresh&nbsp;Air e NPR anunciaram que estavam cortando la\u00e7os com&nbsp;Edelstein&nbsp;porque sua postagem tinha sido \u201cofensiva e inaceit\u00e1vel, especialmente dada a experi\u00eancia de Maria Schneider durante as filmagens de&nbsp;<em>O \u00daltimo Tango em Paris<\/em>.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ent\u00e3o, quais s\u00e3o as consequ\u00eancias (ou melhor, quais as regras n\u00e3o escritas a serem compreendidas a partir) desse incidente? Laura&nbsp;Kipnis&nbsp;observa que, primeiro, \u201cn\u00e3o h\u00e1 imprud\u00eancia no que diz respeito a uma ofensa imprudente\u201d (<em>The Guardian<\/em>&nbsp;22\/12\/18). Noutras palavras, esses atos n\u00e3o podem ser perdoados como sendo fruto de erros moment\u00e2neos; em vez disso, devem ser tratados como reveladores da verdadeira&nbsp;face do ofensor. E \u00e9 por causa disso que, ao fazer uma ofensa dessas, voc\u00ea fica permanente marcado, por mais que pe\u00e7a perd\u00e3o: \u201cUm fracasso e voc\u00ea est\u00e1 fora. Uma postagem impensada nas redes sociais ir\u00e1 prevalecer sobre um hist\u00f3rico de 16 anos.\u201d A \u00fanica coisa que pode ajudar \u00e9 um longo processo de autoavalia\u00e7\u00e3o e autocr\u00edtica: \u201cFracassar em&nbsp;re-provar\u202ftais atitudes te implica em crimes contra as mulheres\u201d. Voc\u00ea tem que provar isso repetidas vezes, j\u00e1 que, como homem, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9&nbsp;<em>a priori<\/em>&nbsp;confi\u00e1vel (\u201chomens dir\u00e3o qualquer coisa\u201d).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O que a \u201crecorda\u00e7\u00e3o&nbsp;que perdoa\u201d significaria aqui? Os acusadores n\u00e3o teriam apenas que perdoar o agressor pelo ato de &#8220;discurso de \u00f3dio&#8221; pelo qual foi respons\u00e1vel;&nbsp;<em>eles<\/em>&nbsp;tamb\u00e9m devem confessar e renunciar ao seu pr\u00f3prio \u00f3dio. E \u00e9 f\u00e1cil de enxergar este grande \u00f3dio nas tais exig\u00eancias, inexoravelmente politicamente corretas, de puni\u00e7\u00e3o r\u00e1pida &#8211; neste caso, h\u00e1 definitivamente mais \u00f3dio do que no pr\u00f3prio ato condenado. Uma par\u00e1frase da frase de Hegel sobre o Mal se encaixa perfeitamente aqui: \u201cO \u00f3dio reside no olhar que reconhece o \u00f3dio em todos os lugares\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Definitivamente, muito do discurso de \u00f3dio s\u00e3o exibi\u00e7\u00f5es de arrog\u00e2ncia condescendente, de ironia brutal e assim por diante, mas apenas muito raramente se trata s\u00f3 de&nbsp;<em>puro \u00f3dio<\/em>. E \u00e9 sob esse pano de fundo que as duras condena\u00e7\u00f5es politicamente corretas acabam por interpretar mal suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es, pensando-as como um exerc\u00edcio bem fundamentado de justi\u00e7a. Tais condena\u00e7\u00f5es n\u00e3o se preocupam em reconstruir o racioc\u00ednio que norteou a a\u00e7\u00e3o do agressor.&nbsp;Edelstein, por exemplo, talvez enxergasse sua postagem no Facebook como uma piada de mau gosto, mas n\u00e3o ofensiva. Isso significa que temos uma dualidade: de como as coisas eram para a consci\u00eancia do ofensor e como eram \u201cem si mesmas\u201d &#8211; ou seja, aos olhos do juiz ou da pessoa ofendida. A mesma lacuna tamb\u00e9m est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria condena\u00e7\u00e3o da ju\u00edza politicamente correta, embora aqui seja uma lacuna entre como as coisas s\u00e3o representadas para&nbsp;a consci\u00eancia&nbsp;<em>dela<\/em>&nbsp;(\u201cEstou apenas fazendo um julgamento justo\u201d) e como eles s\u00e3o \u201cem si\u201d (uma manifesta\u00e7\u00e3o de \u00f3dio que visa a destruir a vida ou carreira do agressor).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Peguemos outro exemplo. Em dezembro de 2016, ao saber da morte repentina de Carrie Fisher, Steve Martin tuitou: \u201cQuando eu era jovem, Carrie Fisher era a criatura mais linda que eu j\u00e1 tinha visto. E ela se demostrou espirituosa e brilhante tamb\u00e9m.\u201d Houve uma rea\u00e7\u00e3o imediata. Martin foi acusado de \u201cobjetificar\u201d Fisher, de focar em seus aspectos f\u00edsicos em vez de em seus talentos ou impacto &#8211; um usu\u00e1rio no Twitter respondeu: \u201cAcho que ela gostaria de ser lembrada por algo al\u00e9m da beleza. Como voc\u00ea quer ser lembrado?&#8221; Ent\u00e3o Martin excluiu seu tweet&#8230;&nbsp;Mas \u00e9 f\u00e1cil reconstruir o racioc\u00ednio de Martin aqui: ele queria mostrar seu respeito por Fisher al\u00e9m de sua beleza: ele situa seu fasc\u00ednio pela beleza de Fisher em seus primeiros encontros, depois dos quais ela imediatamente se torna \u201cespirituosa e brilhante\u201d &#8211; o ponto central de seu&nbsp;<em>tweet<\/em>&nbsp;\u00e9 de que ela era mais do que apenas bonita. Uma postura \u201cque recorda com perd\u00e3o\u201d iria repreend\u00ea-lo por n\u00e3o ter levado em conta o efeito de seu&nbsp;<em>tweet<\/em>, mas ainda assim o perdoaria, exigindo-lhe apenas que &#8220;suprassumisse&#8221; (um termo hegeliano) sua homenagem a Fisher formulando-a de uma forma mais apropriada. Nada disso acontece na r\u00e1pida condena\u00e7\u00e3o que v\u00ea no&nbsp;<em>tweet<\/em>&nbsp;em quest\u00e3o apenas uma objetifica\u00e7\u00e3o machista-chauvinista das mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>OS LIMITES DO PERD\u00c3O<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Entretanto, existem limites claros para a no\u00e7\u00e3o de recorda\u00e7\u00e3o&nbsp;que perdoa. Sendo mais uma vez curto e grosso: podemos \u201cperdoar recordativamente\u201d Hitler? E se a resposta for n\u00e3o, \u00e9 porque Hitler n\u00e3o pode ser perdoado, ou porque n\u00f3s ainda n\u00e3o estamos num n\u00edvel t\u00e3o elevado de reflex\u00e3o \u00e9tica para faz\u00ea-lo? A\u202f\u00fanica maneira de fazer isso sem regressar \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de uma \u201cbela alma\u201d que julga de uma posi\u00e7\u00e3o apartada e desinteressada \u00e9 endossar a segunda op\u00e7\u00e3o &#8211; que o&nbsp;nosso&nbsp;castigo dado a Hitler, que&nbsp;o coloca como uma pessoa m\u00e1, deve ser uma determina\u00e7\u00e3o reflexiva do mal que persiste em n\u00f3s mesmos &#8211; isto \u00e9, mostra o estado n\u00e3o-reflexivo da posi\u00e7\u00e3o a partir da qual fazemos julgamentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Notemos que muitos revisionistas de extrema-direita hoje tentam decretar um perd\u00e3o recordativo de Hitler. Sim, dizem eles, Hitler incorreu em diversos erros terr\u00edveis; cometeu crimes horr\u00edveis; mas, ao fazer isso, ele s\u00f3 estava, no final das contas, lutando por uma boa causa (contra a corrup\u00e7\u00e3o capitalista encarnada nos judeus), embora de forma errada. Revisionistas tamb\u00e9m tentam balancear a&nbsp;<em>responsabilidade<\/em>&nbsp;de um jeito pseudo-hegeliano: n\u00e3o teriam os crimes de Hitler sido refletidos na unilateralidade da posi\u00e7\u00e3o judaica &#8211; sua postura antissocial, sua falta de vontade em integrar-se \u00e0 na\u00e7\u00e3o alem\u00e3? No entanto, \u00e9 f\u00e1cil construir uma&nbsp;vers\u00e3o mais racional, n\u00e3o-direitista-revisionista de como n\u00f3s, que condenamos o nazismo, tamb\u00e9m devemos pedir perd\u00e3o pelo mal em nossa pr\u00f3pria perspectiva. Por exemplo, \u201cO antissemitismo n\u00e3o era limitado apenas \u00e0 Alemanha, mas era bem presente nas na\u00e7\u00f5es que estavam em guerra com a Alemanha, inclusive nas nossas\u201d; ou, \u201ca \u00f3bvia injusti\u00e7a do tratado de Versalhes &#8211; um ato de vingan\u00e7a contra os alem\u00e3es derrotados na primeira guerra mundial &#8211; contribuiu para a ascens\u00e3o dos nazistas ao poder\u201d; ou, num n\u00edvel mais geral, \u201co fascismo surgiu das din\u00e2micas e antagonismos do capitalismo ocidental\u201d. Embora devamos rejeitar totalmente essa linha de racioc\u00ednio, a solu\u00e7\u00e3o definitivamente n\u00e3o \u00e9 tra\u00e7ar uma linha entre os pecados que podem ser recordativamente perdoados e os pecados que s\u00e3o grandes demais para serem perdoados. Tal procedimento introduz uma dualidade totalmente em desacordo com a abordagem de Hegel. O que devemos fazer, em vez disso, \u00e9 mudar a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de perd\u00e3o recordativo: privar tal no\u00e7\u00e3o de quaisquer ecos provocados pelo \u201cvoc\u00ea est\u00e1 perdoado, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais realmente mau\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Brandom, \u00e9 claro, levanta esse problema:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Algumas coisas feitas pelas pessoas nos atingem e, mesmo ap\u00f3s a devida reflex\u00e3o, s\u00e3o simplesmente imperdo\u00e1veis. Nesses casos, embora possamos tentar mitigar as consequ\u00eancias das m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, n\u00e3o temos a menor ideia de como discernir o surgimento de uma norma governante que poder\u00edamos endossar. (BRANDOM, 2019,&nbsp;p. 716)&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>E sua resposta imediata \u00e9:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Mas, agora, devemos perguntar: de quem \u00e9 essa culpa que faz do feito, ou algum aspecto dele, ser imperdo\u00e1vel &#8211; do que fez ou do que perdoou? A falha \u00e9 do mau agente ou do mau recordador? A culpa de algu\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o que concerne ao modo como as coisas simplesmente s\u00e3o? Ou&nbsp;\u00e9, pelo menos em parte, reflexo do fracasso do recordador em apresentar uma narrativa mais sens\u00edvel \u00e0s normas?&nbsp;(BRANDOM, 2019, p.716)&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mas, mais uma vez, no caso do Holocausto, n\u00f3s devemos \u201creconhecer pelo menos igual responsabilidade da parte do fracasso daquele que perdoa\u201d (BRANDOM, 2019,&nbsp;p. 717)? E dever\u00edamos tamb\u00e9m afirmar com Brandom que \u201c\u00e9 preciso confiar que essa falha recordativo-recognitiva &#8211; como a falha que envolve o&nbsp;agente&nbsp;original, perdoado de forma inadequada &#8211; tamb\u00e9m ser\u00e1 perdoada com mais sucesso por futuros avaliadores (que saber\u00e3o mais e ser\u00e3o melhores nisso)\u201d&nbsp;(BRANDOM, 2019,&nbsp;p.718)? Al\u00e9m disso, o que dizer de casos como o de mutila\u00e7\u00e3o genital feminina, tortura, ou escravid\u00e3o, que hoje experimentamos com horror, mas para os quais \u00e9 f\u00e1cil reconstruir o pensamento que torna essas coisas aceit\u00e1veis \u200b\u200bn\u00e3o apenas para&nbsp;aqueles que as praticam, mas \u00e0s vezes at\u00e9 para suas v\u00edtimas? E o que dizer dos casos em que a vis\u00e3o retroativa torna as a\u00e7\u00f5es&nbsp;<em>mais<\/em>&nbsp;inaceit\u00e1veis \u200b\u200bdo que eram em seu contexto original? Se julgarmos severamente esses casos, n\u00e3o apenas criamos novas normas e as impomos aos atos passados, e, em certo sentido, tamb\u00e9m descobrimos que tais atos foram&nbsp;<em>sempre<\/em>&nbsp;inaceit\u00e1veis, mesmo que parecessem aceit\u00e1veis \u200b\u200bpara aqueles que os praticaram. A escravid\u00e3o \u00e9 um \u00f3bvio exemplo onde isso se aplica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Vamos pegar mais uma vez o exemplo de Hitler e o Holocausto. A forma de se lidar com isso talvez esteja indicada na hist\u00f3ria b\u00edblica do profeta Habacuque, a express\u00e3o mais pungente do que se poderia chamar de&nbsp;\u201co sil\u00eancio dos deuses\u201d&nbsp;-\u202fda grande quest\u00e3o dirigida a Deus a partir de J\u00f3:&nbsp;\u201cOnde voc\u00ea estava quando aquele horror aconteceu? Por que voc\u00ea ficou em sil\u00eancio, por que n\u00e3o interveio?\u201d&nbsp;Aqui est\u00e3o as palavras da reclama\u00e7\u00e3o de Habacuque:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>At\u00e9 quando, Senhor, implorarei sem que escuteis? At\u00e9 quando vos clamarei:&nbsp;\u201cViol\u00eancia!\u201d&nbsp;sem que venhais em socorro? Por que me mostrais a injusti\u00e7a? Por que tolerais o malfazer? S\u00f3 vejo diante de mim opress\u00e3o e viol\u00eancia, nada mais que disc\u00f3rdias e contendas, porque a Lei se acha desacreditada, e&nbsp;a justi\u00e7a nunca prevalece; porque o \u00edmpio cerca aquele que \u00e9 correto, e a justi\u00e7a encontra-se falseada.&nbsp;(Habacuque,&nbsp;1)&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Como Deus responde? Deve-se ler a resposta com muito cuidado: \u201cOlhe para as na\u00e7\u00f5es e observe &#8211; e fique totalmente maravilhado. Pois vou fazer algo em seu tempo que voc\u00ea n\u00e3o acreditaria, mesmo que lhe dissessem.\u201d Isso n\u00e3o \u00e9 uma simples justificativa \u201cteleol\u00f3gica\u201d no estilo de &#8220;Seja paciente; estranhos s\u00e3o os caminhos do Senhor; seu sofrimento serve a um prop\u00f3sito no plano divino mais amplo que voc\u00ea n\u00e3o pode compreender do seu ponto de vista estreito e finito.\u201d Na verdade, de uma perspectiva&nbsp;<em>crist\u00e3<\/em>, dizer que o Holocausto (ou sofrimento semelhante) serve a algum prop\u00f3sito superior desconhecido para n\u00f3s, \u00e9 uma obscenidade anticrist\u00e3, uma vez que o ponto da compaix\u00e3o de Cristo \u00e9 a solidariedade incondicional com aqueles que sofrem. Em vez disso, para usar a express\u00e3o de Giorgio Agamben, deve-se reunir aqui uma total \u201ccoragem da desesperan\u00e7a\u201d. Ent\u00e3o, qual o significado de n\u00f3s termos de ficar &#8220;totalmente maravilhados&#8221; e que acontecer\u00e1 algo em que n\u00f3s n\u00e3o iremos acreditar, mesmo que nos dissessem? O inacredit\u00e1vel \u00e9 plausivelmente o retorno dos judeus \u00e0 Terra Prometida, o que, poder\u00edamos supor, n\u00e3o teria acontecido sem o Holocausto. Talvez, ent\u00e3o, Hitler s\u00f3 pudesse ser retroativamente perdoado a partir da refer\u00eancia \u00e0 exist\u00eancia de Israel, cuja cria\u00e7\u00e3o&nbsp;s\u00f3 se deu&nbsp;pelos crimes que ele cometeu. Mas, mais uma vez, \u00e9 preciso ser muito preciso aqui: isso de forma alguma justifica o Holocausto como \u201co sacrif\u00edcio que o povo judeu precisava para pagar pelo retorno \u00e0 sua terra\u201d (a tese de alguns antissemitas); nem \u00e9 a alega\u00e7\u00e3o de que o Holocausto&nbsp;era parte de um plano divino secreto para tornar poss\u00edvel o retorno dos judeus \u00e0 sua terra natal (a tese de alguns outros antissemitas). Isso s\u00f3 significa que a funda\u00e7\u00e3o de Israel foi uma consequ\u00eancia inesperada do Holocausto e, al\u00e9m disso, n\u00e3o diz nada diz sobre outras injusti\u00e7as que resultaram desse conjunto de atos. Por exemplo, a terra para a qual os judeus retornaram h\u00e1 muito tempo \u00e9 habitada por outras pessoas e n\u00e3o pode ser simplesmente designada como \u201cdeles\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A principal armadilha a ser evitada aqui \u00e9 a de uma teleologia hol\u00edstica. Essa \u00e9 a ideia de que algo que nos surge como um horror pode, de uma perspectiva mais ampla, ser um elemento que contribui para a harmonia global, da mesma forma que uma mancha em uma grande pintura contribui para sua beleza se olharmos para a pintura de uma dist\u00e2ncia adequada. O legado de J\u00f3, que n\u00e3o recebeu de Deus uma explica\u00e7\u00e3o para seu sofrimento, nos pro\u00edbe de nos refugiarmos no senso comum de um Deus transcendente como um Mestre secreto que conhece o significado daquilo que nos parece ser uma cat\u00e1strofe sem sentido &#8211; o Deus que v\u00ea a imagem inteira, na qual o que percebemos como uma mancha contribui para a harmonia global. Quando confrontado com um evento como o Holocausto, ou a morte mais recente de milh\u00f5es no Congo, n\u00e3o \u00e9 obsceno afirmar que essas manchas contribuem para a harmonia do Todo?&nbsp;<em>Pode<\/em>&nbsp;haver um Todo que possa justificar e, assim, redimir um evento como o Holocausto? A morte de Cristo na cruz significa, em vez disso, que se deve abandonar sem restri\u00e7\u00f5es a no\u00e7\u00e3o de Deus como um zelador transcendente que garante o feliz resultado de nossos atos &#8211; a garantia da teleologia hol\u00edstica. A morte de Cristo na cruz \u00e9 a&nbsp;<em>morte<\/em>&nbsp;desse Deus. Na verdade, o que se repete \u00e9 a conclus\u00e3o de J\u00f3, recusando qualquer&nbsp;\u201csignificado mais profundo\u201d&nbsp;que ofusque a realidade brutal das cat\u00e1strofes. Mesmo uma vers\u00e3o mais forte dessa l\u00f3gica &#8211; a ideia de que perdoar n\u00e3o significa o apagamento do conte\u00fado particular, mas o reconhecimento de que aquele conte\u00fado particular \u00e9 necess\u00e1rio para a atualiza\u00e7\u00e3o do bem universal &#8211; n\u00e3o \u00e9 forte o suficiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ANALISANDO O PASSADO<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O perd\u00e3o recordativo continua sendo uma no\u00e7\u00e3o amb\u00edgua. Na esfera \u00e9tica, pode ser lido como&nbsp;\u201ctentativa de entender o que nos aparece como o mal\u201d&nbsp;&#8211; isto \u00e9, reconstruir uma motiva\u00e7\u00e3o positiva oculta que foi expressada de forma pervertida. No entanto, a retroatividade implica uma dimens\u00e3o muito mais radical de conting\u00eancia: que as coisas n\u00e3o s\u00e3o o que&nbsp;<em>s\u00e3o<\/em>, s\u00e3o o que&nbsp;\u201cter\u00e3o sido\u201d. Sua verdade \u00e9 decidida depois de acontecer:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O perd\u00e3o concreto e pr\u00e1tico envolve fazer coisas para mudar quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias do ato. Por exemplo, pode-se confiar que seus sucessores far\u00e3o com que a revela\u00e7\u00e3o inadvertida, o sacrif\u00edcio de algu\u00e9m ou a decis\u00e3o de ir para a guerra valham a pena, por causa daquilo a que acabaram levando &#8211; por causa do que fizemos disso fazendo, depois, as coisas de forma diferente. Algo que fiz n\u00e3o deve ser tratado como um erro ou um crime, como faz o juiz de cora\u00e7\u00e3o duro, porque o que fiz ainda n\u00e3o est\u00e1 decidido. As a\u00e7\u00f5es subsequentes dos outros podem afetar as consequ\u00eancias e, portanto, o conte\u00fado do que fiz. O julgamento de cora\u00e7\u00e3o duro pressup\u00f5e de forma err\u00f4nea que a a\u00e7\u00e3o \u00e9 uma coisa acabada, situada no tempo completamente formada, como um poss\u00edvel objeto de avalia\u00e7\u00e3o independente do que \u00e9 feito mais tarde &#8230; o papel de um determinado evento no plano em evolu\u00e7\u00e3o depende do que mais acontece. (<em>The&nbsp;Spirit&nbsp;of&nbsp;Trust<\/em>, p.602)&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">No n\u00edvel dos fatos imediatos, as coisas s\u00e3o o que s\u00e3o. No Holocausto, milh\u00f5es morreram. Nada pode mudar isso retroativamente. O passado s\u00f3 pode ser mudado no n\u00edvel de sua&nbsp;<em>media\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica<\/em>&nbsp;&#8211; o que significa para as pessoas que pensam sobre ele. Mas&nbsp;<em>aqui&nbsp;<\/em>as coisas ficam complicadas. O que falar do caso evocado pelo pr\u00f3prio Hegel, em que um agente atua com as melhores inten\u00e7\u00f5es, mas as consequ\u00eancias imprevis\u00edveis s\u00e3o catastr\u00f3ficas? Como o perd\u00e3o recordativo funciona aqui? O juiz pode forjar um perd\u00e3o&nbsp;<em>parcial<\/em>&nbsp;provando que a consequ\u00eancia mais&nbsp;<em>prov\u00e1vel<\/em>&nbsp;teria sido benevolente, e que a cat\u00e1strofe se deu devido aos acidentes imprevis\u00edveis? E se introduzirmos um&nbsp;<em>terceiro<\/em>&nbsp;n\u00edvel no topo da dualidade de minha&nbsp;<em>inten\u00e7\u00e3o subjetiva<\/em>&nbsp;ao realizar um ato e o&nbsp;<em>resultado real<\/em>&nbsp;de meu ato &#8211; as&nbsp;<em>motiva\u00e7\u00f5es inconscientes<\/em>? Este terceiro n\u00edvel n\u00e3o deve, de forma alguma, ser limitado a considerar motivos de base como a verdade oculta dos motivos nobres professados publicamente &#8211; por exemplo, quando uma pessoa que afirma realizar um ato por senso de dever enquanto que, na verdade, a motiva\u00e7\u00e3o fora a vingan\u00e7a &#8211; ela tamb\u00e9m deveria incluir o caso oposto &#8211; por exemplo, embora eu achasse que agia por alguma inclina\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica particular, um senso mais profundo de justi\u00e7a realmente me motivou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Se admitirmos que o significado real de um ato \u00e9 o que \u201cter\u00e1 sido\u201d, tocamos aqui um nervo paradoxal da moralidade, que foi batizado por Bernard Williams de \u201csorte moral\u201d (WILLIAMS, 1981). Williams evoca o caso do pintor&nbsp;Gauguin, que deixou esposa e filhos e mudou-se para o Taiti para desenvolver seu g\u00eanio art\u00edstico. Ele tinha justificativa moral para fazer isso, ou n\u00e3o? A resposta de Williams \u00e9 que s\u00f3 podemos responder a essa pergunta&nbsp;<em>retrospectivamente<\/em>, depois de sabermos o resultado de sua decis\u00e3o arriscada: ele se tornou um artista genial, ou n\u00e3o?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O mesmo vale para Immanuel Kant e o status legal da rebeli\u00e3o: a proposi\u00e7\u00e3o, \u201co que os rebeldes est\u00e3o fazendo \u00e9 um crime que merece ser punido\u201d \u00e9 verdadeira se pronunciada enquanto a rebeli\u00e3o ainda acontece; mas uma vez que a rebeli\u00e3o vence e estabelece uma nova&nbsp;ordem legal, esta afirma\u00e7\u00e3o sobre o estatuto jur\u00eddico do mesmo ato, que agora pertence ao passado, j\u00e1 n\u00e3o vale mais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Aqui est\u00e1 a resposta de Kant \u00e0 pergunta: \u201cA rebeli\u00e3o \u00e9 um meio leg\u00edtimo para um povo se livrar do jugo de um suposto tirano?\u201d:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Nenhuma injusti\u00e7a recai sobre o tirano quando ele \u00e9 deposto. Disso, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida. Contudo, \u00e9 ileg\u00edtimo no mais alto grau que os s\u00faditos busquem seu direito dessa forma. Se eles forem subjugados nesse conflito e tiverem depois disso de sofrer a mais dura pena, n\u00e3o poder\u00e3o reclamar mais de injusti\u00e7a que o tirano poderia se tivessem sido bem-sucedidos. (KANT, 1795, p.4).&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Kant n\u00e3o oferece aqui sua pr\u00f3pria vers\u00e3o de \u201csorte moral\u201d, ou, melhor, \u201csorte legal\u201d? O status legal de uma rebeli\u00e3o \u00e9 decidido retroativamente: se uma rebeli\u00e3o tem sucesso e estabelece uma nova ordem jur\u00eddica, ent\u00e3o ela cria seu pr\u00f3prio c\u00edrculo vicioso: apaga no vazio suas pr\u00f3prias origens ilegais ao decretar o paradoxo de fundar-se retroativamente. Kant afirma esse paradoxo ainda mais claramente algumas p\u00e1ginas antes, onde escreve: \u201cSe uma revolu\u00e7\u00e3o violenta, produzida por uma constitui\u00e7\u00e3o ruim, introduzisse por meios ileg\u00edtimos uma constitui\u00e7\u00e3o mais conforme \u00e0 lei, levar o povo de volta \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o anterior n\u00e3o seria permitido; mas, enquanto durou a revolu\u00e7\u00e3o, cada pessoa que a apoiou abertamente ou secretamente teria incorrido com justi\u00e7a na puni\u00e7\u00e3o devida \u00e0queles que se rebelaram.\u201d N\u00e3o poderia ser mais claro: o estatuto jur\u00eddico de um mesmo ato muda com o tempo, e o que \u00e9, enquanto prossegue a rebeli\u00e3o, crime pun\u00edvel, torna-se, depois de institu\u00edda uma nova ordem jur\u00eddica, o seu oposto. Mais precisamente, o crime simplesmente desaparece, como um mediador evanescente que em seu resultado se apaga retroativamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Tais interpreta\u00e7\u00f5es retroativas acontecem consistentemente na esfera da ordem simb\u00f3lica. Quando digo ou fa\u00e7o algo, minhas palavras ou atos nunca expressam apenas minha inten\u00e7\u00e3o interior. Em vez disso, seu significado \u00e9 decidido retroativamente, por meio de sua incorpora\u00e7\u00e3o no&nbsp;grande Outro. A hist\u00f3ria de&nbsp;Italo&nbsp;Calvino, \u201c<em>Una&nbsp;<\/em><em>Bella<\/em><em>&nbsp;<\/em><em>Giornata<\/em><em>&nbsp;<\/em><em>di<\/em><em>&nbsp;<\/em><em>Marzo<\/em>\u201d (1993) se concentra nas consequ\u00eancias n\u00e3o intencionais do ato de matar J\u00falio C\u00e9sar. Embora os conspiradores quisessem matar um tirano e, assim, restaurar Roma \u00e0 sua gl\u00f3ria republicana, seu ato abole as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es que sustentavam o significado do que pretendiam. Como Molly Rothenberg escreve:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&nbsp;O pr\u00f3prio mundo em que fazia sentido se livrar de C\u00e9sar tamb\u00e9m desaparece com aqueles golpes de adaga &#8211; n\u00e3o porque C\u00e9sar mantinha esse mundo unido, mas porque os assassinos n\u00e3o podiam prever que seu ato tamb\u00e9m transformaria a maneira como o ato seria julgado. Eles n\u00e3o podiam levar em&nbsp;considera\u00e7\u00e3o a historicidade de sua a\u00e7\u00e3o: nem eles nem ningu\u00e9m poderia prever ou decidir como o futuro interpretaria o assassinato. Dito de outra forma, poder\u00edamos dizer que simplesmente n\u00e3o havia como eles levarem em considera\u00e7\u00e3o o&nbsp;\u201cefeito retroverso\u201d&nbsp;de interpreta\u00e7\u00f5es futuras (ROTHENBERG, 2010, p.7).&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Tomemos um caso extremo de&nbsp;\u201crecorda\u00e7\u00e3o que perdoa\u201d&nbsp;(sem muito perd\u00e3o &#8211; e com uma maior atribui\u00e7\u00e3o retroativa de responsabilidade e culpa). Algu\u00e9m faz a observa\u00e7\u00e3o perspicaz de que a maior parte do sexo, at\u00e9 por volta do in\u00edcio ou mesmo meados do s\u00e9culo XX, seria considerada&nbsp;estupro pelos padr\u00f5es de hoje &#8211; e diz que este \u00e9 um sinal definitivo de algum tipo de progresso &#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O que encontramos aqui \u00e9 o ponto-chave do Simb\u00f3lico: ele exp\u00f5e a &#8220;abertura&#8221; fundamental que o Simb\u00f3lico introduz na realidade. Em outras palavras, uma vez que entramos no Simb\u00f3lico, as coisas nunca simplesmente s\u00e3o, todas elas &#8220;ter\u00e3o sido&#8221;: elas, por assim dizer, emprestam parte de seu ser do futuro. Essa descentraliza\u00e7\u00e3o introduz uma conting\u00eancia irredut\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma teleologia mais profunda em a\u00e7\u00e3o aqui, nenhum poder secreto que garanta um resultado feliz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Devido ao seu conhecimento de Hegel, Brandom tem que admitir este aspecto retrospectivo da natureza do progresso hist\u00f3rico: \u201cA progress\u00e3o \u00e9 retrospectivamente necess\u00e1ria. N\u00e3o \u00e9 o caso de que um determinado est\u00e1gio n\u00e3o pudesse ter evolu\u00eddo de outra maneira sen\u00e3o para produzir o que aparece como seu sucessor. Em vez disso, esse sucessor (e, em \u00faltima an\u00e1lise, a concep\u00e7\u00e3o final &#8211; at\u00e9 agora &#8211; triunfante e culminante) n\u00e3o poderia ter surgido, exceto como um desenvolvimento das anteriores. A necessidade \u00e9 sempre retrospectiva em Hegel:&nbsp;a Coruja de Minerva apenas al\u00e7a seu voo ao cair do crep\u00fasculo\u201d (BRANDOM, 2019,&nbsp;p.608). At\u00e9 aqui, tudo bem. Mas Brandom continua: \u201cA passagem termina com a manifesta\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a de Hegel: ele convoca a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o a fazer por seu tempo o que ele fez pelo seu: assumir o encargo, que perdoa \u00e0 medida que recorda, de formular uma explica\u00e7\u00e3o que produza uma hist\u00f3ria racional.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Acho este salto para o futuro, esta f\u00e9 no progresso, algo totalmente injustificado e em desacordo com a postura metaf\u00edsica b\u00e1sica de Hegel. Por qu\u00ea? Porque implica uma lacuna entre dois n\u00edveis: entre o pensamento real de Hegel (restrito ao conhecimento de seu tempo; pintar cinza sobre cinza), e uma vis\u00e3o que localiza o pensamento de Hegel em uma s\u00e9rie progressiva &#8211; que Brandom denomina um \u201cciclo&nbsp;cognitivo&nbsp;de confiss\u00e3o, confian\u00e7a e perd\u00e3o recordativo, seguido da confiss\u00e3o da inadequa\u00e7\u00e3o desse perd\u00e3o e confian\u00e7a no perd\u00e3o subsequente dessa falha\u201d (BRANDOM, 2019,&nbsp;p.610). E o que Hegel fez por todo o passado at\u00e9 seu tempo (\u201crecordando-o\u201d em uma totalidade racional), o pr\u00f3prio Brandom tenta fazer com Hegel&nbsp;(parafraseando seu pensamento em termos contempor\u00e2neos, etc.); e ele convida seus futuros leitores a fazerem o mesmo com seu trabalho. Estamos de volta ao que Hegel chamou de &#8220;infinidade esp\u00faria&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">H\u00e1 ainda outra inconsist\u00eancia. Se a necessidade hist\u00f3rica \u00e9 sempre retrospectiva, o que legitima Brandom a ler a ideia de Hegel de Saber Absoluto como indo muito al\u00e9m de \u201cpintar cinza sobre cinza\u201d e apontando para um futuro social emancipado al\u00e9m dos antagonismos da modernidade alienada &#8211; para o que Brandom chama de \u201cTerceira Fase\u201d? Ele diz: \u201cA surpreendente aspira\u00e7\u00e3o de Hegel \u00e9&#8230; guiar-nos para uma nova era do&nbsp;<em>Geist<\/em>, cuja estrutura normativa \u00e9 tanto uma melhoria sobre o moderno quanto o moderno foi sobre o tradicional\u201d (BRANDOM, 2019,&nbsp;p.614). Mas n\u00e3o seria um movimento hegeliano adequado, ao inv\u00e9s disso, precisamente deixar o espa\u00e7o aberto para uma compreens\u00e3o&nbsp;<em>retroativa<\/em>&nbsp;de que este futuro&nbsp;(mais)&nbsp;brilhante, esta Terceira Fase, traz novos antagonismos e formas de viol\u00eancia imprevis\u00edveis? Al\u00e9m disso, e se dev\u00eassemos ser perdoados exatamente por&nbsp;<em>isso<\/em>&nbsp;&#8211; pela esperan\u00e7a ilus\u00f3ria de que podemos fazer mais do que apenas \u201cpintar cinza sobre cinza\u201d e, em vez disso, delinear os contornos b\u00e1sicos de uma nova \u00e9poca futura de plena emancipa\u00e7\u00e3o, onde o progresso continuar\u00e1? N\u00e3o estaria muito mais no esp\u00edrito de Hegel pressupor que essa fase tamb\u00e9m ir\u00e1 de alguma forma dar terrivelmente errado, como&nbsp;<em>aconteceu<\/em>&nbsp;com o fascismo, o stalinismo e assim por diante? Por exemplo, n\u00e3o \u00e9 suficiente jogar o jogo usual de como a nobre vis\u00e3o de Marx foi mal utilizada e de como ele n\u00e3o deve ser responsabilizado por esse uso indevido. Em vez disso, aquilo que precisa ser&nbsp;\u201cperdoado\u201d&nbsp;em Marx \u00e9 que ele permaneceu cego para como sua vis\u00e3o do comunismo poderia inspirar novas formas de opress\u00e3o e terror.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ent\u00e3o, para concluir: n\u00e3o dever\u00edamos virar de cabe\u00e7a para baixo a ideia principal de Brandom do \u201cesp\u00edrito da confian\u00e7a\u201d? A caracter\u00edstica mais profunda de uma verdadeira abordagem hegeliana n\u00e3o \u00e9 um esp\u00edrito da&nbsp;<em>desconfian\u00e7a<\/em>? Ou seja, o axioma b\u00e1sico de Hegel n\u00e3o parte da premissa teleol\u00f3gica hol\u00edstica de que, n\u00e3o importando o qu\u00e3o terr\u00edvel seja um evento, no final ele acabar\u00e1 por contribuir para a harmonia geral do mundo e da hist\u00f3ria. Em vez disso, seu axioma \u00e9 que n\u00e3o importa o qu\u00e3o bem planejado e bem intencionado seja uma ideia ou projeto, ele de alguma forma&nbsp;<em>dar\u00e1 errado<\/em>: a comunidade org\u00e2nica grega da&nbsp;<em>polis<\/em>&nbsp;se transforma em guerra fraterna; a fidelidade medieval baseada na honra se transforma em bajula\u00e7\u00e3o vazia; a luta revolucion\u00e1ria pela liberdade universal se transforma em terror. O que Hegel quer dizer n\u00e3o \u00e9 que essa virada ruim poderia ter sido evitada &#8211; digamos, se apenas os&nbsp;revolucion\u00e1rios franceses tivessem se limitado a realizar a liberdade concreta para v\u00e1rios estados em vez de tentar realizar a liberdade abstrata e a igualdade para todos, o derramamento de sangue poderia ter sido evitado. Em vez disso, temos que aceitar que n\u00e3o h\u00e1 um caminho direto para a liberdade concreta; que nossa \u201creconcilia\u00e7\u00e3o\u201d reside, em vez disso, no fato de que nos resignamos \u00e0 amea\u00e7a permanente de destrui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de nossa liberdade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A vis\u00e3o de Hegel sobre o Estado \u00e9 a de uma ordem hier\u00e1rquica de Estados mantidos juntas pela amea\u00e7a permanente de guerra. E se ent\u00e3o considerarmos um progresso que vai al\u00e9m disso &#8211; em dire\u00e7\u00e3o a uma democracia liberal&nbsp;<em>p\u00f3s-hegeliana<\/em>? \u00c9 f\u00e1cil imaginar a alegria com a qual Hegel teria analisado como uma sociedade liberal leva ao fascismo, ou como um projeto emancipat\u00f3rio radical termina no stalinismo. Tamb\u00e9m teria sido f\u00e1cil para Hegel apontar como a carnificina in\u00e9dita da Grande Guerra emergiu como a verdade do progresso pac\u00edfico e gradual do s\u00e9culo XIX. ESTA, de fato, \u00e9 nossa tarefa como hegelianos hoje.<em>&nbsp;<\/em>&nbsp;<br><br><em>Este artigo foi publicado pela primeira vez na edi\u00e7\u00e3o 140 da Philosophy Now (dispon\u00edvel agora).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>This article was first published in&nbsp;Philosophy&nbsp;Now&nbsp;issue 140 (out&nbsp;now)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br><br>Esta Tradu\u00e7\u00e3o comp\u00f5e o V. 5 n. 9 de 2020 da revista&nbsp;Eleuther\u00eda. Link para acesso da revista&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/periodicos.ufms.br\/index.php\/reveleu\/issue\/view\/587\" target=\"_blank\">https:\/\/periodicos.ufms.br\/index.php\/reveleu\/issue\/view\/587<\/a>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Marcus Vinicius Quessada Apolin\u00e1rio Filho<br><strong>Revis\u00e3o:<\/strong> Pedro&nbsp;Naccarato&nbsp;e G\u00e9rson Pereira Filho<br><strong>Arte:<\/strong> Felipe Aiello<br><strong><a href=\"https:\/\/philosophynow.org\/issues\/140\/Hegel_On_The_Future_Hegel_In_The_Future\">Original<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Slavoj \u017di\u017eek O ponto que quero defender \u00e9 o de que Hegel \u00e9 o fil\u00f3sofo mais aberto ao futuro, precisamente&nbsp;porque ele pro\u00edbe explicitamente qualquer projeto&nbsp;que diga&nbsp;como&nbsp;o&nbsp;nosso futuro deve parecer. 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