{"id":872,"date":"2020-12-21T17:23:42","date_gmt":"2020-12-21T20:23:42","guid":{"rendered":"https:\/\/tradutoresproletarios.wordpress.com\/?p=872"},"modified":"2021-04-07T02:55:47","modified_gmt":"2021-04-07T02:55:47","slug":"the-r-files-1-0-sobre-o-eclipse-da-razao-e-principios-da-filosofia-do-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2020\/12\/21\/the-r-files-1-0-sobre-o-eclipse-da-razao-e-principios-da-filosofia-do-direito\/","title":{"rendered":"The R-Files 1.0: Sobre o Eclipse da Raz\u00e3o e Princ\u00edpios da Filosofia do Direito \u2014 Agon Hamza, Frank Ruda"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tradutoresproletarios.files.wordpress.com\/2020\/12\/artejayu.jpg?w=1024\" alt=\"\" class=\"wp-image-879\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br><strong>Texto por Agon Hamza e Frank Ruda<\/strong><br><br><br><em>\u201cThe R-Files\u201d (abrevia\u00e7\u00e3o para \u201cOs Arquivos da Revis\u00e3o\u201d) \u00e9 uma nova publica\u00e7\u00e3o mensal do The Philosophical Salon. Neste artigo, os fil\u00f3sofos Frank Ruda e Agon Hamza d\u00e3o uma olhada no que est\u00e1 acontecendo no mundo sob a perspectiva de um texto filos\u00f3fico espec\u00edfico que os \u00e9 relevante, os preocupa, os irrita ou f\u00e1-los despertar entusiasmo \u2013 e, com sorte, far\u00e1 o mesmo com nossos leitores<\/em>.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parte I. Sobre o <em>Eclipse da Raz\u00e3o<\/em> (Frank Ruda)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Recentemente, reli um livro que n\u00e3o abria a anos. Ap\u00f3s acompanhar &#8211; quase que incessantemente &#8211; as not\u00edcias mundiais nos \u00faltimos meses, meu olhar se desviou por um instante e pousou sob sua capa. Ele imediatamente me pareceu atual e oportuno. O livro era <em>Eclipse da Raz\u00e3o<\/em>, de Max Horkheimer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A obra \u00e9 raramente mencionada na maioria das discuss\u00f5es filos\u00f3ficas ou cr\u00edticas de hoje, mas seu t\u00edtulo j\u00e1 fala de um sentimento que \u00e9 amplamente compartilhado no dia a dia. Atualmente, n\u00e3o estamos testemunhando um preocupante obscurecimento da raz\u00e3o por todos os tipos de outros motivos que nem mais permanecem obscuros ou ocultos? A defesa da raz\u00e3o parece ter perdido a maior parte do seu poder e muitas vezes parece estar desamparada, pelo menos nas esferas onde ainda \u00e9 feita: na pol\u00edtica, ecologia, economia e, ultimamente, at\u00e9 em quest\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica. Claro, isso n\u00e3o significa simplesmente que estamos vivendo num tempo de irracionalidade, apesar de ser um refr\u00e3o que se ouve aqui e ali. Em vez disso, algo aconteceu com a efetividade pr\u00e1tica da racionalidade, com seu pr\u00f3prio modo de funcionamento. Ela parece ter sido obscurecida e, portanto, ver o relato de Horkheimer a respeito do \u00faltimo eclipse da raz\u00e3o pode ser nos instrutivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O livro \u00e9 composto por uma s\u00e9rie de palestras dadas por Horkheimer em 1947 na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde estava exilado. Para a edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3, Horkheimer adicionou outros &nbsp;textos (que envolviam problemas filos\u00f3ficos e sociol\u00f3gicos, lidando, por exemplo, com Kant, Arist\u00f3teles e Schopenhauer, bem como o casamento, autoridade e a fam\u00edlia) e republicou como <em>Sobre a Cr\u00edtica da Pr\u00e1tica. <\/em>Ambos os t\u00edtulos sugerem que a raz\u00e3o fica eclipsada quando se torna instrumental(izada). O que isso significa, se n\u00e3o uma suspens\u00e3o da raz\u00e3o atrav\u00e9s de uma forma espec\u00edfica de seu (sobre-)uso? Deixe-me elucidar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A experi\u00eancia do fascismo alem\u00e3o e da Segunda Guerra Mundial est\u00e1 no pano de fundo da reflex\u00e3o de Horkheimer sobre o que ele chama de \u201ca presente crise da raz\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn1\">[i]<\/a>, uma crise decorrente do fato de que \u201co pensamento serve a qualquer prop\u00f3sito particular\u201d<a href=\"#_edn2\">[ii]<\/a>. Quando o uso da raz\u00e3o n\u00e3o leva mais a uma tentativa de realiza\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o, isto se d\u00e1 porque a raz\u00e3o n\u00e3o nos leva mais a raciocinar e a pensar ou agir de forma razo\u00e1vel \u2013 isto \u00e9, quando a usamos como se fosse uma ferramenta neutra e como se n\u00e3o nos afetasse em seu uso. Quando a raz\u00e3o \u00e9 usada como um martelo que pode bater na cabe\u00e7a do prego ou simplesmente bater em uma cabe\u00e7a, algo acontece com a pr\u00e1tica e o <em>status <\/em>da racionalidade. Quando a raz\u00e3o come\u00e7a a servir a qualquer prop\u00f3sito e fim, a raz\u00e3o \u201cse l\u00edquida como uma ag\u00eancia de <em>insight<\/em> \u00e9tico, moral e religioso\u201d<a href=\"#_edn3\">[iii]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A \u201credu\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o a um mero instrumento\u201d<a href=\"#_edn4\">[iv]<\/a> \u00e9 o resultado da tend\u00eancia interna do liberalismo. O liberalismo liberou a raz\u00e3o de todos os seus prop\u00f3sitos prefigurados, at\u00e9 da raz\u00e3o em si. Isso significa que a raz\u00e3o \u00e9 libertada de qualquer prop\u00f3sito mais profundo e que, a raz\u00e3o pode se tornar serva de qualquer um e, como Horkheimer coloca, esse \u00e9 o porqu\u00ea \u201cuma atividade s\u00f3 \u00e9 razo\u00e1vel se servir outro prop\u00f3sito\u201d<a href=\"#_edn5\">[v]<\/a>. Em todo lugar a raz\u00e3o \u00e9 usada para fins os quais dificilmente poderiam ser usados como justificativa e, dessa forma, n\u00e3o s\u00e3o. A raz\u00e3o \u00e9 usada em todo lugar, mas raramente alguma coisa \u00e9 razo\u00e1vel. Tal \u00e9 o eclipse da raz\u00e3o atrav\u00e9s de sua sobrecarga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O dilema, que resumi brevemente com a ajuda de Horkheimer, produz confus\u00f5es. Por exemplo, \u201ctrabalho produtivo, manual ou intelectual, se ternou respeit\u00e1vel\u201d, mas \u201ca busca de qualquer fim que eventualmente produza uma renda \u00e9 chamada produtiva\u201d<a href=\"#_edn6\">[vi]<\/a>. Se o eclipse da raz\u00e3o se manifesta apenas no uso da raz\u00e3o para prop\u00f3sito extraracionais, um novo padr\u00e3o de qu\u00e3o produtivo \u00e9 este ou aquele uso da raz\u00e3o emerge. Esse padr\u00e3o, ent\u00e3o, n\u00e3o pode mais ser questionado pela raz\u00e3o. Para Horkheimer, usar a raz\u00e3o pode, assim, se tornar totalmente compat\u00edvel com a sua \u201ctransforma\u00e7\u00e3o em estupidez\u201d<a href=\"#_edn7\">[vii]<\/a>. Ele chega ao ponto de afirmar que isso levaria necessariamente a uma \u201cestupidez subjetiva\u201d, uma estupidez que surpreendentemente \u00e9 parte constitutiva do modo como usamos a raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O eclipse da racionalidade em e por meio de seu sobre-uso instrumental leva os sujeitos a reviver \u201cteorias passadas da raz\u00e3o objetiva\u201d<a href=\"#_edn8\">[viii]<\/a>. Quando a raz\u00e3o se torna um instrumento que consegue unir bem uma diminui\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o e do pensamento, s\u00e3o realizadas, num n\u00edvel individual, tentativas desesperadas de compensar tal eclipse da raz\u00e3o por meio de retornos a \u201cCuras mentais pseudocient\u00edficas ou semicient\u00edficas, espiritualismo, astrologia &#8230;, Yoga, Budismo ou misticismo\u201d<a href=\"#_edn9\">[ix]<\/a> e afins. Na era do eclipse da raz\u00e3o, sempre h\u00e1 um motivo pelo qual as pessoas optam por algo diferente da raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Estamos sendo capazes de testemunhar uma dissemina\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas compensat\u00f3rias e de sistemas de cren\u00e7as em todos os cantos do cotidiano da vida ocidental produtiva. Por mais honestas, apesar de instrumentais<a href=\"#_edn10\">[x]<\/a> \u2013 ou talvez: instrumental precisamente quando honestas -, essas cren\u00e7as parecem ser nada mais que o reverso contempor\u00e2neo de outra transforma\u00e7\u00e3o que Horkheimer notou vis-\u00e0-vis ao funcionamento da hipocrisia: \u201cA hipocrisia se tornou c\u00ednica; nem mais espera que acreditem nela\u201d<a href=\"#_edn11\">[xi]<\/a>. De um lado, temos as t\u00e9cnicas honestas de medita\u00e7\u00e3o que definitivamente ir\u00e3o te fazer mais produtivo (e s\u00e3o, como tais, instrumentais); d\u2019outro lado, temos sistemas pol\u00edticos que aparentemente n\u00e3o est\u00e3o agindo de acordo com suas autodescri\u00e7\u00f5es mais honradas, e \u00e9 dif\u00edcil de manter a cren\u00e7a de que eles esperam que algu\u00e9m ainda acredite neles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Como Alain Badiou apontou recentemente, capitalismo \u201c\u00e9 a primeira organiza\u00e7\u00e3o social na qual \u00e9 poss\u00edvel dizer que essa organiza\u00e7\u00e3o p\u00e9ssima\u201d<a href=\"#_edn12\">[xii]<\/a> e tal afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o produz nenhuma consequ\u00eancia pr\u00e1tica imediata. O eclipse da raz\u00e3o se manifesta ressuscitando as pr\u00e1ticas supramencionadas que, em \u00faltima an\u00e1lise, endossam ou instilam uma cren\u00e7a descreditada, isto \u00e9, tais pr\u00e1ticas s\u00e3o instrumentos eficazes para aumentar o pr\u00f3prio trabalho produtivo. Mas o eclipse da raz\u00e3o tamb\u00e9m se manifesta no \u201ccinismo bem informado\u201d<a href=\"#_edn13\">[xiii]<\/a>, que corresponde a novas formas de poder e domina\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o disfar\u00e7am mais suas pr\u00f3prias agendas e sequer tentam mentir honestamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aqui que o diagn\u00f3stico de Horkheimer mostra sua real import\u00e2ncia contempor\u00e2nea. Ele reflete sobre certos tipos de demagogos modernos. Eles s\u00e3o frequentemente descritos como atores amadores&#8230; [eles] agem como meninos malcriados, que normalmente s\u00e3o repreendidos&#8230; por&#8230; uma&#8230; ag\u00eancia civilizadora. Seus efeitos sobre o p\u00fablico parecem vir do fato de que, ao representar seus impulsos reprimidos, eles parecem estar voando na cara da civiliza\u00e7\u00e3o e patrocinando a revolta da natureza. Mas seu protesto n\u00e3o \u00e9 de forma alguma genu\u00edno ou ing\u00eanuo. Eles nunca esquecem o prop\u00f3sito de sua palha\u00e7ada. Seu objetivo constante \u00e9 instigar a natureza a juntar-se \u00e0s for\u00e7as de repress\u00e3o pelas quais ela mesma ser\u00e1 esmagada.<a href=\"#_edn14\">[xiv]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Os demagogos modernos agem como se fossem meninos malcriados que se rebelam contra as for\u00e7as disciplinadoras do mundo pol\u00edtico e econ\u00f4mico moderno, contra o sistema e afins. E nisso eles s\u00e3o como n\u00f3s, como todos. Eles fingem causar estragos para a classe dominante existente que constantemente tenta, mas sempre falha, em civiliz\u00e1-los. Simplesmente porque, como pol\u00edticos, s\u00e3o t\u00e3o maus atores que ningu\u00e9m parece ser capaz de lev\u00e1-los a s\u00e9rio (como pol\u00edticos) de qualquer forma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Para Horkheimer, isso \u00e9 parte constitutiva de seu apelo: eles podem agir t\u00e3o mal quanto n\u00f3s ou a maioria de n\u00f3s; eles s\u00e3o grosseiros e malcomportados como n\u00f3s somos as vezes; eles entendem sobre t\u00e9cnicas pol\u00edticas tanto quanto a maioria de n\u00f3s. Mas, mesmo assim, eles governam. \u00c9 por isso que, para nos governar, eles n\u00e3o nos enganam: eles n\u00e3o s\u00e3o g\u00eanios disfar\u00e7ados de idiotas; s\u00e3o apenas idiotas. Eles, assim, governam tendo sucesso em causas t\u00e3o \u00f3bvias e transparentes que, frente a elas, ningu\u00e9m pode se dizer cego.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Os demagogos transparentes [see-trough], cujos motivos parecem autoevidentes e cujo apelo reside em parecerem incapazes de disfar\u00e7a-los adequadamente, usam transpar\u00eancia como seu disfarce definitivo. Eles possuem uma queda por aqueles que ir\u00e3o esmagar sob seu governo. S\u00e3o como o imperador nu que admite que est\u00e1 nu<a href=\"#_edn15\">[xv]<\/a> \u2013 e que, por conseguinte, se torna tanto um \u00edm\u00e3 de aten\u00e7\u00e3o que nos impede de olhar para o que realmente importa, ou seja, para a verdadeira crise da qual eles est\u00e3o desviando nossa aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u00c0s vezes, o eclipse da raz\u00e3o vem com o que parece ser um eclipse do poder e da soberania, pois se torna quase vulgarmente transparente e transparentemente vulgar. Mas podemos aprender com Horkheimer que isso pode muito facilmente significar que o poder e a soberania est\u00e3o apenas sendo usados para outros prop\u00f3sitos. \u00c9 nisso que devemos nos focar, n\u00e3o na suposta indisciplina de demagogos populistas. Ent\u00e3o, qual \u00e9 a verdadeira crise da qual eles est\u00e3o nos afastando?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parte II: Sobre os <em>Princ\u00edpios da Filosofia do Direito<\/em> (Agon Hamza)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Recentemente, reli o <em>Princ\u00edpios da Filosofia do Direito<\/em> de Hegel. A obra fora criticada como um dos tratados respons\u00e1veis por desenvolver, encorajar e propagar o pior na altamente reacion\u00e1ria Pr\u00fassia. Em verdade, tudo j\u00e1 foi dito a respeito dessa obra; j\u00e1 fora objeto de todo tipo de exames e interroga\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas e pol\u00edticas. Tudo j\u00e1 foi dito e escrito sobre Hegel. Toda orienta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica e pol\u00edtica parece ter reivindica\u00e7\u00f5es sobre ele e conceb\u00ea-lo como um predecessor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O que se segue n\u00e3o se trata de uma mera defensa de Hegel \u2013 afinal de contas, o trabalho de Hegel j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o melhor defensor de si mesmo? \u2013 mas ele deve ser lido, numa refer\u00eancia a Freud, como na forma de \u201cassocia\u00e7\u00f5es livres\u201d no que se refere a alguns dos t\u00f3picos do livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">De antem\u00e3o, h\u00e1 um obst\u00e1culo que n\u00e3o posso deixar de mencionar. Como se pode ser hegeliano (n\u00e3o s\u00f3) hoje, que \u00e9 suposto ser, em si, uma posi\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel de seguir o fil\u00f3sofo do fim (da hist\u00f3ria, da arte, da religi\u00e3o&#8230; at\u00e9 do fim da filosofia)? Slavoj \u017di\u017eek foi quem elaborou essa dificuldade inicial, numa ruptura p\u00f3s-hegeliana com a metaf\u00edsica tradicional, com a quest\u00e3o de como ser poss\u00edvel algu\u00e9m declarar fidelidade a Hegel ap\u00f3s Marx, Schopenhauer, Kierkegaard e outros. Outra dificuldade ligada a isso \u00e9 que, enquanto a caricatura de Hegel como idealista absoluto que possui o Conhecimento Absoluto persiste, marxistas, nietzschianos e aristot\u00e9licos continuam a existir (sim, especialmente eles) &#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Declarar-se hegeliano hoje simplesmente n\u00e3o \u00e9 suficiente, especialmente hoje com o renascimento do interesse pela obra de Hegel (embora, lendo diferentes livros sobre Hegel em diferentes per\u00edodos de tempo, n\u00e3o se pode deixar de notar como tantos deles nada mais s\u00e3o do que uma \u201cinterven\u00e7\u00e3o\u201d no per\u00edodo de &#8211; ainda outro \u2013 renascimento do interesse por Hegel &#8230;) na moda, a qual \u017di\u017eek chamou de \u201co Hegel murcho\u201d. Ent\u00e3o, ser hegeliano hoje nos coloca a seguinte quest\u00e3o: qual Hegel? A forma de abordar um verdadeiro fil\u00f3sofo \u00e9 localizar um determinado conceito e ler a integridade de seu sistema partindo deste conceito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O pref\u00e1cio da <em>Filosofia do Direito<\/em> \u00e9 famoso(\/infame) por sua imagem de fil\u00f3sofo que defende o presente. A esse respeito, h\u00e1 pelo menos dois momentos-chave que devem ser reconsiderados, come\u00e7ando pela densa frase seguinte:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">reconhecer a raz\u00e3o como rosa na cruz do presente e, assim, deleitar-se no presente \u2013 esta vis\u00e3o racional \u00e9 a reconcilia\u00e7\u00e3o com a realidade que a filosofia concede \u00e0queles que receberam o chamado interior para compreender, para preservar sua liberdade subjetiva no reino do substancial e, ao mesmo tempo, estar com sua liberdade subjetiva n\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o particular e contingente, mas no que tem ser em-si e para-si.<a href=\"#_edn16\">[xvi]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A \u201crosa na cruz do presente\u201d \u00e9 uma refer\u00eancia de Hegel a Lutero, atrav\u00e9s de quem ele n\u00e3o s\u00f3 critica a posi\u00e7\u00e3o de uma alma bela como uma inst\u00e2ncia de inatividade, mas tamb\u00e9m, reconhece o presente apenas como a esfera onde a liberdade pode ser realizada. Est\u00e1 \u00e9 a dimens\u00e3o crist\u00e3, ou, mais precisamente, protestante do pensamento Hegel. Para Hegel, como ele mesmo coloca, filosofia moderna \u00e9 Lutero em forma de pensamento<a href=\"#_edn17\">[xvii]<\/a>. Tal como ele escreve no mesmo pref\u00e1cio, \u201co que Lutero inaugurou como f\u00e9 no sentimento e no testemunho do esp\u00edrito \u00e9 a mesma coisa que o esp\u00edrito, num est\u00e1gio mais maduro de seu desenvolvimento, se esfor\u00e7ou para conceber na forma de <em>conceito<\/em> para assim no presente se libertar e a\u00ed reencontrar-se\u201d<a href=\"#_edn18\">[xviii]<\/a>. Lutero e o protestantismo, com a no\u00e7\u00e3o de predestina\u00e7\u00e3o, abre a \u00fanica forma poss\u00edvel de liberdade. Liberdade protestante s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel da perspectiva da predetermina\u00e7\u00e3o: sei que sou predeterminado, mas n\u00e3o sei que sou predestinado e, por conta disso, n\u00e3o fa\u00e7o boas a\u00e7\u00f5es para ganhar a salva\u00e7\u00e3o, mas porque este \u00e9 o meu dever. Lutero se recusa a barganhar com a \u00e9tica. Como ele disse noutro lugar, \u201ca liberdade existe apenas onde n\u00e3o h\u00e1 outro para mim que n\u00e3o seja eu mesmo\u201d<a href=\"#_edn19\">[xix]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Para Hegel, \u201cfilosofia \u00e9 uma <em>explora\u00e7\u00e3o do racional<\/em>; e \u00e9, por esta mesma raz\u00e3o, a <em>compreens\u00e3o do presente e do atual\u201d.<\/em> A partir disso, Hegel formula sua infame f\u00f3rmula: \u201cO que \u00e9 racional \u00e9 real; e o que \u00e9 real \u00e9 racional\u201d. Esta frase j\u00e1 escandalosa se torna ainda mais monstruosa em sua tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas<a href=\"#_edn20\">[xx]<\/a>. A palavra alem\u00e3 para \u201catual\u201d \u00e9 <em>wirklich<\/em>, cuja \u201cconota\u00e7\u00e3o espec\u00edfica deriva de sua raiz no verbo \u2018agir\u2019 (<em>wirken<\/em>), o que deixa claro que \u2018atualidade\u2019 (<em>Wirklichkeit<\/em>) n\u00e3o \u00e9 um dado meramente passivo e natural\u201d<a href=\"#_edn21\">[xxi]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Aqui, deve-se notar outro ponto importante: Hegel come\u00e7a seu argumento dizendo que o que \u00e9 racional \u00e9 real, n\u00e3o o contr\u00e1rio, como \u00e9 predominantemente entendido. A diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 sem\u00e2ntica. Ele apresenta a atualidade do racional, o que significa que o que \u00e9 racional tem, em-si, o poder de se atualizar. Tem o potencial de passar da potencialidade \u00e0 atualidade. Hegel n\u00e3o advoga pelo primado da racionalidade na atualidade, o que tamb\u00e9m pode significar que o <em>Wirklichkeit<\/em> determina, na verdade, a racionalidade, ou seja, n\u00f3s n\u00e3o temos, como em Kant, uma forma de racionalidade pr\u00e9-dada (digo, com suas leis e conceitos). A atualidade \u00e9 aquilo em que a ess\u00eancia e a exist\u00eancia concorrem, ou como ele coloca na <em>Ci\u00eancia da L\u00f3gica<\/em>: \u201cAtualidade \u00e9 a unidade da ess\u00eancia e exist\u00eancia concreta; nisso, ess\u00eancia \u00ad<em>sem-corpo<\/em> e apar\u00eancia <em>inst\u00e1vel <\/em>\u2013 ou subsist\u00eancia sem determina\u00e7\u00e3o e multiplicidade sem perman\u00eancia \u2013 possuem sua verdade\u201d<a href=\"#_edn22\">[xxii]<\/a>. Por essa raz\u00e3o, a atualidade \u00e9 racional. O processo dial\u00e9tico de Hegel n\u00e3o \u00e9 um processo fechado; ele n\u00e3o termina numa reconcilia\u00e7\u00e3o de todos os antagonismos. Na contram\u00e3o disso, a reconcilia\u00e7\u00e3o propriamente hegeliana \u201cn\u00e3o \u00e9 um estado pac\u00edfico em que todas as tens\u00f5es s\u00e3o suprassumidas ou mediadas, mas uma reconcilia\u00e7\u00e3o com excesso irredut\u00edvel da negatividade em si\u201d<a href=\"#_edn23\">[xxiii]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mas como abordar o conceito hegeliano de Estado? \u201cO Estado consiste na marcha de Deus sobre o mundo, e sua base \u00e9 o poder da raz\u00e3o realizado em-si como vontade\u201d<a href=\"#_edn24\">[xxiv]<\/a>. Isso n\u00e3o ecoa os pensamentos de Hegel expressos numa carta para seu amigo Niethammer?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Eu aderi \u00e0 vis\u00e3o de que o esp\u00edrito do mundo deu ordens de marcha \u00e0 era. Essas ordens est\u00e3o sendo obedecidas. O esp\u00edrito do mundo, este essente, procede irresistivelmente como uma falange blindada cautelosamente desenhada avan\u00e7ando com movimentos impercept\u00edveis, tanto quanto o sol atrav\u00e9s do grosso e do fino. Inumer\u00e1veis tropas leves o flanqueiam por todos os lados, jogando-as num equil\u00edbrio a favor ou contra seu progresso, embora a maioria deles desconhe\u00e7a totalmente o que est\u00e1 em jogo e apenas recebam golpes de cabe\u00e7a como de uma m\u00e3o invis\u00edvel.<a href=\"#_edn25\">[xxv]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Seus oponentes, tanto de esquerda quanto de direita, n\u00e3o poderiam ter ficado mais felizes em \u201cprovar\u201d seu ponto de vista por meio dessa articula\u00e7\u00e3o e concep\u00e7\u00e3o do Estado. E isso piora. \u201cO Estado \u00e9\u201d, Hegel argumenta, \u201ca atualidade da Ideia \u00e9tica \u2013 o esp\u00edrito \u00e9tico como vontade substancial\u201d (<em>PR <\/em>275, \u00a7257). Nada pode alienar, ou talvez agravar, os marxistas do que essa posi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o objetivo final deles \u00e9 se livrar do Estado. O \u00faltimo prop\u00f3sito do Estado \u00e9 definhar, como sustentou Marx. Talvez dev\u00eassemos retornar \u00e0 d\u00e9cima primeira tese de Marx sobre Feuerbach para dar sentido \u00e0 posi\u00e7\u00e3o da esquerda em se distanciar e odiar o Estado e seu poder. \u00c9 interessante notar o paradoxo, embora Marx visasse reformular e redefinir o materialismo depois de Hegel (e Feuerbach), a tese onze \u00e9 talvez a posi\u00e7\u00e3o mais n\u00e3o-materialista de Marx.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Hegel define o Estado como um esp\u00edrito objetivo (em suas aulas em Jena, a saber). A defini\u00e7\u00e3o mais elementar de <em>esp\u00edrito objetivo<\/em> que pode ser formulada como o campo no qual a consci\u00eancia se imp\u00f5e. Ou, como Hegel escreveu em <em>Princ\u00edpios da Filosofia do Direito<\/em>, \u201ca vida \u00e9tica \u00e9 a unidade da vontade em seu conceito com a vontade do indiv\u00edduo [des Einzelnen], isto \u00e9, do sujeito\u201d (adi\u00e7\u00e3o ao \u00a733). Colocado de forma diversa, o esp\u00edrito objetivo \u00e9 o esp\u00edrito objetificado na natureza ou nas institui\u00e7\u00f5es humanas. Entretanto, \u00e9 importante n\u00e3o entender o esp\u00edrito objetivo como uma forma de vida, ou seja, uma forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica concreta ou mundo, como \u201cesp\u00edrito objetivado\u201d. Enquanto n\u00e3o \u00e9 o grande Outro lacaniano, o esp\u00edrito objetivo existe independentemente da vontade dos indiv\u00edduos porque ele os precede [pre-exists]; \u00e9 algo que eles encontram em sua atividade e, como tal, n\u00e3o possui \u201cautoria\u201d. Hegel n\u00e3o pensa o sujeito coletivo, mas o esp\u00edrito objetivo n\u00e3o pode existir fora, al\u00e9m ou acima de uma coletividade humana. Aqui reside o paradoxo do esp\u00edrito objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Aqui, nos deparamos com dois aspectos, ou melhor, elementos constitutivos do sistema de Hegel, a saber, o Cristianismo e o Estado, dos quais a apropria\u00e7\u00e3o esquerdista de Hegel, a come\u00e7ar pelos Jovens Hegelianos, tenta se dissociar. Subtraindo-os de seu sistema filos\u00f3fico, como Marx tentou fazer, necessariamente acaba-se criando uma nova figura da subst\u00e2ncia. Para aqueles que amam a liberdade, o estado e o cristianismo s\u00e3o, de fato, a personifica\u00e7\u00e3o de sua nega\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 assim mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Estou convencido de que, para que o marxismo permane\u00e7a pertinente e n\u00e3o se transforme em um barril vazio, \u00e9 preciso integrar esses dois elementos em seu sistema. Embora as inclina\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas de Hegel n\u00e3o fossem exatamente comunistas, para qualquer hegeliano-marxista (e eu certamente sou um), \u00e9 essencial pensar em Hegel como um leitor\/cr\u00edtico de Marx.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Alguns na esquerda, principalmente alguns socialistas, est\u00e3o mais inclinados a entender a teoria de Hegel sobre o Estado como uma forma de automedia\u00e7\u00e3o de um povo. Ao fazer isso, eles parecem pensar que a ideia de Hegel da forma Estado fornece o caminho para a autoemancipa\u00e7\u00e3o da humanidade. A intera\u00e7\u00e3o com a lei desempenha um papel determinante. Mas, h\u00e1 tamb\u00e9m a abordagem liberal &#8211; que \u00e9, para ser claro, a leitura mais fraca de Hegel &#8211; que se concentra nas esferas da sociedade civil e da comunidade. Os adeptos dessa vis\u00e3o minimizam o Estado como uma conting\u00eancia e entendem a emancipa\u00e7\u00e3o em termos do livre exerc\u00edcio da vontade, enquanto o papel do estado \u00e9 lidar com o funcionamento cont\u00ednuo desse exerc\u00edcio por uma multiplicidade de sujeitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Na verdade, a realidade do Estado \u00e9 alcan\u00e7ada apenas quando as esferas do p\u00fablico e do privado n\u00e3o s\u00e3o um e o mesmo. Isto \u00e9, ao contr\u00e1rio da sociedade civil, onde o indiv\u00edduo pode buscar seus interesses sem levar em conta os outros e seus respectivos interesses\/objetivos, \u00e9 no Estado que o dever e o direito se fundem. Isso coloca a Hegel contraposi\u00e7\u00f5es liberais e conservadoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">As ideias de ambas as orienta\u00e7\u00f5es encontram sua base na teologia de Hegel. Podemos esclarecer esse ponto da seguinte maneira: enquanto os esquerdistas tomam sua teoria da comunidade de crentes como uma forma do que vem depois do estado (i. e., um proto-comunismo), os liberais a consideram a verdade da pr\u00f3pria sociedade civil, e por essa raz\u00e3o, eles acham que, em certo sentido, ela \u00e9 j\u00e1 existente. De certa forma, o esp\u00edrito objetivo \u00e9 ou pode ser (tamb\u00e9m) outras coisas que n\u00e3o o estado (i.e.<em>, <\/em>o mercado, linguagem, etc.). Deste modo, tanto a esquerda quanto os liberais exploram uma ambiguidade na forma com que Hegel trata o cristianismo, o que permite a espiritualiza\u00e7\u00e3o da comunidade e a espiritualiza\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Toda forma de Estado moderno tem um pouquinho &#8211; se \u00e9 que possuem mesmo alguma coisa &#8211; em comum com as formas de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social que Hegel chama de \u201cEstado\u201d. Essa n\u00e3o-identifica\u00e7\u00e3o, ou nega\u00e7\u00e3o determinada, da ideia de Estado com Estados individuais desafia a compreens\u00e3o conservadora de Estado. Tal posi\u00e7\u00e3o torna a compreens\u00e3o da ideia de Estado de Hegel bastante dif\u00edcil, pois n\u00e3o se compara a nenhuma forma particular de Estado, seja ela hist\u00f3rica ou real. Na \u201cfilosofia pol\u00edtica\u201d de Hegel, h\u00e1 pouco espa\u00e7o para uma determina\u00e7\u00e3o positiva da \u201cideia de Estado\u201d, cujo movimento \u00e9 tanto a exist\u00eancia material quanto hist\u00f3rica de Deus, ou seja, da marcha de Deus sobre o Mundo. Assim, pode-se apresentar a seguinte hip\u00f3tese: o que Hegel chama de \u201cEstado\u201d \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia hist\u00f3rica.<br><br><br><br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\">[i]<\/a> Max Horkheimer,&nbsp;The Eclipse of Reason&nbsp;(London \/ New York: Bloomsbury 1974), 4.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\">[ii]<\/a> Ibid., 5.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref3\">[iii]<\/a> Ibid., 11.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref4\">[iv]<\/a> Ibid., 37.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref5\">[v]<\/a> Ibid., 24.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref6\">[vi]<\/a> Ibid., 27.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref7\">[vii]<\/a> Ibid., 38.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref8\">[viii]<\/a> Ibid., 43.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref9\">[ix]<\/a> Ibid., 43f.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref10\">[x]<\/a> Slavoj \u017di\u017eek observou diversas vezes que algumas dessas doutrinas n\u00e3o s\u00e3o, em \u00faltima inst\u00e2ncia, utilizadas para aliviar a mente, mas s\u00e3o, na verdade, utilizadas de forma similarmente instrumental: fa\u00e7a medita\u00e7\u00e3o transcendental todos os dias e ser\u00e1 ainda mais competitivo e bem-sucedido no mercado. Cf. Slavoj \u017di\u017eek, On Belief (Londres \/ Nova York: Routledge 2001), 11ff.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref11\">[xi]<\/a> Horkheimer,&nbsp;The Eclipse of Reason, 71.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref12\">[xii]<\/a> Alain Badiou,&nbsp;Trump&nbsp;(London \/ New York: Polity 2019), 32.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref13\">[xiii]<\/a> Horkheimer,&nbsp;The Eclipse of Reason, 79.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref14\">[xiv]<\/a> <a>Ibid., 83.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref15\">[xv]<\/a> Ver, por exemplo, a an\u00e1lise em: Alenka Zupan\u010di\u010d, \u201cPower in the Closet (and its Coming Out)\u201d, in:&nbsp;Lacan, Psychoanalysis, and Comedy, ed. by Patricia Gherovici and Manya Steinkoler (New York. Cambridge University Press 2016), 227f.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref16\">[xvi]<\/a> Hegel,&nbsp;Elements of the Philosophy of Right, p.22<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref17\">[xvii]<\/a> \u201cEu sou um luterano, e atrav\u00e9s da filosofia fui imediatamente confirmado no luteranismo\u201d,&nbsp;Hegel: The Letters&nbsp;(Bloomington: Indiana University Press, 1984), p.520<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref18\">[xviii]<\/a><a> <\/a>Hegel,&nbsp;Elements of the Philosophy of Right, p.22<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref19\">[xix]<\/a><a> <\/a>G.W.F. Hegel,&nbsp;Encyclopedia of the Philosophical Sciences in Basic Outline&nbsp;(Cambridge: Cambridge University Press, 2010) p.60<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref20\">[xx]<\/a> Hegel,&nbsp;Elements of the Philosophy of Right, p.20<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref21\">[xxi]<\/a> Shlomo Avineri,&nbsp;Hegel\u2019s Theory of the Modern State&nbsp;(Cambridge: Cambridge University Press, 1974), p.126<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref22\">[xxii]<\/a> G. W. F. Hegel,&nbsp;The Science of Logic&nbsp;(Cambridge: Cambridge University Press, 2010), p. 465<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref23\">[xxiii]<\/a> Slavoj \u017di\u017eek,&nbsp;Sex and the Failed Absolute&nbsp;(London: Bloomsbury, 2019) p.351<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref24\">[xxiv]<\/a> Hegel,&nbsp;Elements of the Philosophy of Right, 279, \u00a7258<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref25\">[xxv]<\/a> Hegel, The Letters, p.325<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<br><br><br><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Marcus Apolin\u00e1rio<\/strong><br><strong>Revis\u00e3o: Felipe Aiello<\/strong><br><a href=\"https:\/\/thephilosophicalsalon.com\/the-r-files-1-0-on-eclipse-of-reason-elements-of-the-philosophy-of-right\/#_edn22\"><strong>Original<\/strong><br><\/a><strong>Arte: Jayu U<\/strong><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto por Agon Hamza e Frank Ruda \u201cThe R-Files\u201d (abrevia\u00e7\u00e3o para \u201cOs Arquivos da Revis\u00e3o\u201d) \u00e9 uma nova publica\u00e7\u00e3o mensal do The Philosophical Salon. 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