{"id":816,"date":"2020-12-04T16:03:17","date_gmt":"2020-12-04T19:03:17","guid":{"rendered":"https:\/\/tradutoresproletarios.wordpress.com\/?p=816"},"modified":"2021-08-02T23:11:36","modified_gmt":"2021-08-02T23:11:36","slug":"a-dialetica-emergentista-de-engels","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2020\/12\/04\/a-dialetica-emergentista-de-engels\/","title":{"rendered":"A dial\u00e9tica emergentista de Engels \u2014 Kaan Kangal"},"content":{"rendered":"\n<p><br><br><em>Por Kaan Kangal<\/em><br><br><em>Kaan Kangal \u00e9 professor associado do departamento de filosofia da Universidade de Nanijing, e \u00e9 especializado em dial\u00e9tica, hermen\u00eautica, metaf\u00edsica, al\u00e9m de pesquisa em Marx-Engels. Seu trabalho acerca dos Manuscritos de Bonn, de Marx, ganharam o Pr\u00eamio David Riazanov em 2019. Sua publica\u00e7\u00e3o mais recente \u00e9 <\/em>Friedrich Engels and the Dialectics of Nature<em> [Friedrich Engels e a Dial\u00e9tica da Natureza] (Palgrave Macmillan, 2020).<\/em><br><br><br>Por motivos variados e em situa\u00e7\u00f5es diversas, os cientistas e fil\u00f3sofos da natureza contempor\u00e2neos &#8211; tanto os marxistas como os n\u00e3o-marxistas &#8211; expressaram sua admira\u00e7\u00e3o por Friedrich Engels, o cofundador do materialismo dial\u00e9tico e do socialismo cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/em>Ilya Prigogine, ganhador do Pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica em 1977, escreveu que a &#8220;ideia de uma hist\u00f3ria da natureza como parte integral do materialismo foi defendida por Marx e, com muito mais detalhe, por Engels.&#8221; Os desenvolvimentos modernos das ci\u00eancias naturais levantaram quest\u00f5es filos\u00f3ficas que os materialistas dial\u00e9ticos j\u00e1 investigam h\u00e1 muito tempo. Quando Engels estava escrevendo a sua <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em> nas d\u00e9cadas de 70 e 80 do s\u00e9culo XIX, era vis\u00edvel o surgimento de uma tend\u00eancia nas ci\u00eancias da natureza que, &#8220;rejeitando a vis\u00e3o de mundo mecanicista&#8221;, se aproximou &#8220;mais da ideia de um desenvolvimento hist\u00f3rico da natureza&#8221;. Engels contribuiu para explicitar aquilo que j\u00e1 estava impl\u00edcito nas ci\u00eancias da natureza de seu tempo. Hoje, como em sua \u00e9poca, as ci\u00eancias da natureza est\u00e3o ocupadas com a quest\u00e3o de &#8220;como o mundo dos processos e o mundo das trajet\u00f3rias podem de alguma forma serem conectados um com o outro&#8221;. Engels pode n\u00e3o ter terminado seu livro, mas aquilo que ele deixou escrito continua a ajudar no enriquecimento de nosso entendimento filos\u00f3fico da natureza e no aprimoramento de nossa posi\u00e7\u00e3o frente \u00e0s ci\u00eancias naturais de nosso tempo<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em seu pref\u00e1cio de 1939 para a primeira edi\u00e7\u00e3o inglesa da <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em>, o bi\u00f3logo J. B. S. Haldane escreveu que as contribui\u00e7\u00f5es de Engels para a filosofia da natureza e para as ci\u00eancias naturais j\u00e1 eram vastamente conhecidas por meio de seu <em>Anti-D\u00fchring<\/em>. Todavia, a <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em>, mais compreens\u00edvel, havia sido s\u00f3 recentemente &#8211; na d\u00e9cada de 20 &#8211; descoberta e publicada. &#8220;Tivesse o m\u00e9todo de pensamento de Engels sido mais conhecido, as transforma\u00e7\u00f5es de nossas ideias sobre a f\u00edsica ocorridas nos \u00faltimos trinta anos teriam sido mais tranquilas. Houvessem seus apontamentos acerca do darwinismo sido amplamente conhecidos, eu mesmo teria poupado meus pensamentos de uma grande parcela de confus\u00e3o&#8221;<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Comentando o ensaio &#8220;O Papel do Trabalho na Transforma\u00e7\u00e3o do Macaco em Homem&#8221;, escrito por Engels em 1876 e pertencente \u00e0 <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em>, o paleont\u00f3logo Stephen Jay Gould escreve que Engels nos fornece uma &#8220;exposi\u00e7\u00e3o brilhante&#8221; de uma teoria avan\u00e7ada da evolu\u00e7\u00e3o humana em que o trabalho tem papel central. Gould estava impressionado particularmente pela posi\u00e7\u00e3o assumida por Engels de que a &#8220;m\u00e3o humana n\u00e3o \u00e9 apenas o \u00f3rg\u00e3o do trabalho, \u00e9 tamb\u00e9m produto dele. [&#8230;] \u00c0 medida que os humanos aprenderam a dominar seus arredores materiais, Engels argumenta, outras habilidades foram adicionadas \u00e0 ca\u00e7a primitiva &#8211; agricultura, tecelagem, olaria, navega\u00e7\u00e3o, artes e ci\u00eancias, direito e pol\u00edtica&#8221;<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>. Em outro lugar, Gould afirma que toda a teoria da evolu\u00e7\u00e3o humana ascende e entra em decl\u00ednio com a coevolu\u00e7\u00e3o gene-cultura e que &#8220;a melhor defesa da coevolu\u00e7\u00e3o gene-cultura no s\u00e9culo XIX foi feita por Friedrich Engels em seu ensaio memor\u00e1vel de 1876.&#8221;<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar de n\u00e3o ser ele mesmo um marxista, o bi\u00f3logo evolutivo Ernst Mayr descobriu que sua pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica da biologia tinha surpreendentemente muito em comum com os princ\u00edpios do materialismo dial\u00e9tico. Seu texto curto intitulado &#8220;Ra\u00edzes do Materialismo Dial\u00e9tico&#8221; abre com uma pequena anedota de Mark Adams, um historiador estadunidense da biologia que foi \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica para conduzir entrevistas com v\u00e1rios cientistas, incluindo Kirill M. Zavadsky. Durante a entrevista, Zavadsky perguntou: &#8220;&#8216;Voc\u00ea conhece o Ernst Mayr?&#8217; \/ Adams: &#8216;Sim, muito bem.&#8217; \/ Z: &#8216;Ele \u00e9 marxista?&#8217; \/ A: &#8216;N\u00e3o, at\u00e9 onde eu sei.&#8217; \/ Z: &#8216;Isso \u00e9 muito curioso, porque seus escritos s\u00e3o puro materialismo dial\u00e9tico.'&#8221;. Intrigado de in\u00edcio pelo coment\u00e1rio de Zavadsky, Mayr mais tarde chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que ele era de fato partid\u00e1rio de princ\u00edpios materialista-dial\u00e9ticos tais como processualidade, interconex\u00e3o universal e mudan\u00e7a perp\u00e9tua na natureza. &#8220;N\u00e3o \u00e9 sabido quantos, talvez a maioria, desses princ\u00edpios foram formulados independentemente pela hist\u00f3ria natural e pelo materialismo dial\u00e9tico. [&#8230;] O materialismo dial\u00e9tico era, para Engels e Marx, uma filosofia geral da natureza. Ele foi primeiramente alcan\u00e7ado atrav\u00e9s de uma elimina\u00e7\u00e3o do fisicalismo e do cartesianismo. [&#8230;] \u00c9 necess\u00e1rio desenvolver as caracter\u00edsticas e princ\u00edpios dos v\u00e1rios sistemas &#8216;provinciais&#8217;, tais como a f\u00edsica e a biologia, de modo a construir eventualmente uma Filosofia da Natureza compreens\u00edvel, que fa\u00e7a igual justi\u00e7a a todas as ci\u00eancias.&#8221;<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Motivado por um esp\u00edrito parecido, o bioqu\u00edmico e sin\u00f3logo brit\u00e2nico Joseph Needham chamou aten\u00e7\u00e3o para a convic\u00e7\u00e3o de Engels de que &#8220;a natureza \u00e9 integralmente dial\u00e9tica&#8221;, assim como para o fato de que Engels orienta, de forma correta, a sua dial\u00e9tica contra<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">as concep\u00e7\u00f5es est\u00e1ticas dos cientistas de sua \u00e9poca, que estavam despreparados para a massa de contradi\u00e7\u00f5es com que a ci\u00eancia estava prestes a ter de lidar e que n\u00e3o eram capazes de enxergar que a Natureza est\u00e1 cheia de antagonismos e distin\u00e7\u00f5es aparentemente inconcili\u00e1veis, e que s\u00e3o reconciliadas em n\u00edveis mais altos de organiza\u00e7\u00e3o. As regras bem conhecidas da transforma\u00e7\u00e3o da quantidade em qualidade, da unidade dos contradit\u00f3rios e da nega\u00e7\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o todas se tornaram lugares comuns do pensamento cient\u00edfico.<a href=\"#_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mario Bunge, um fil\u00f3sofo da ci\u00eancia argentino, \u00e9 bem conhecido pela sua hostilidade frente \u00e0 dial\u00e9tica de Engels e ao materialismo dial\u00e9tico. Tanto publicamente quanto na vida privada, Bunge n\u00e3o esconde a sua posi\u00e7\u00e3o. Em um encontro com o fil\u00f3sofo marxista sovi\u00e9tico Bonifaty M. Kedrov, o velho assunto da dial\u00e9tica surgiu. &#8220;O matem\u00e1tico aplicado Mircea Malitza [&#8230;] nos convidou para uma festa em seu apartamento junto com Tarski, Kedrov e outros. Quando eu disse a Kedrov que uma das minhas diverg\u00eancias do marxismo era que eu rejeitava a dial\u00e9tica&#8221;, ele respondeu ironicamente: &#8220;N\u00e3o se preocupe, <em>tovarich<\/em> Bunge, porque Marx menciona a dial\u00e9tica somente seis vezes em seu <em>Kapital<\/em>.&#8221;<a href=\"#_ftn7\">[7]<\/a> Ainda assim, em alguns aspectos, Bunge concedia credibilidade \u00e0 filosofia marxista, visto que ele admitia que &#8220;a dial\u00e9tica nos ensinou a desconfiar da quietude &#8211; que pode ocultar o conflito -, e do equil\u00edbrio &#8211; que pode ser inst\u00e1vel. Ela tamb\u00e9m nos ensinou que nem toda luta \u00e9 ruim: algumas podem resultar em coisas novas e melhores.&#8221;<a href=\"#_ftn8\">[8]<\/a> &#8220;O n\u00facleo plaus\u00edvel da dial\u00e9tica \u00e9 constitu\u00eddo pelas hip\u00f3teses (i) de que todas as coisas est\u00e3o em processo de mudan\u00e7a ou de outro tipo, e (ii) de que em determinados pontos de qualquer processo novas qualidades emergem.&#8221;<a href=\"#_ftn9\">[9]<\/a> Em outro lugar, ele elogia a insist\u00eancia de Engels em incorporar o m\u00e9todo de G. W. F. Hegel, ao inv\u00e9s de seu sistema, ao materialismo dial\u00e9tico.<a href=\"#_ftn10\">[10]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que Engels, o pol\u00edmata autodidata, continue a inspirar de uma forma ou de outra gera\u00e7\u00f5es posteriores de fil\u00f3sofos e cientistas naturais \u00e9 evidentemente impulsionado pelo fato de que o material de pesquisa que ele usou era muito incompleto e datado. Quando estava preparando os escritos de Marx e Engels para publica\u00e7\u00e3o no in\u00edcio da d\u00e9cada de 20, Eduard Bernstein se deparou com o problema de se a <em>Dial\u00e9tica da Natureza <\/em>de Engels deveria ser publicada. Ele pediu a Albert Einstein a sua opini\u00e3o. Einstein disse que os manuscritos n\u00e3o tinham m\u00e9rito nenhum a partir da perspectiva da f\u00edsica contempor\u00e2nea, mas que eles certamente providenciam <em>insights <\/em>interessantes da biografia intelectual de Engels.<a href=\"#_ftn11\">[11]<\/a> Para dar outro exemplo, <em>O Bi\u00f3logo Dial\u00e9tico<\/em>,de Richard Lewontin e Richard Levin, foi publicado com esta dedicat\u00f3ria: &#8220;Para Friedrich Engels, que errou muitas vezes mas acertou onde era importante.&#8221;<a href=\"#_ftn12\">[12]<\/a> Finalmente, a fil\u00f3sofa anal\u00edtica Hilary Putnam ressaltou algo parecido: &#8220;Acredito que Engels foi um dos homens com mais conhecimento cient\u00edfico de seu tempo. Ele entendeu muitas coisas de forma equivocada, mas tinha um conhecimento cient\u00edfico geral imenso, e o<em> Anti-D\u00fchring<\/em>, seu grande livro sobre filosofia da ci\u00eancia [&#8230;] \u00e9, de muitas formas, um livro sens\u00edvel de filosofia da ci\u00eancia, entre outras coisas.&#8221;<a href=\"#_ftn13\">[13]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 de fato uma ironia que Engels tenha previsto muitas das futuras consequ\u00eancias daquelas se\u00e7\u00f5es de seu trabalho que precisavam de maior elabora\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, ele escreveu no segundo pref\u00e1cio do <em>Anti-D\u00fchring <\/em>que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">h\u00e1 muito em minha exposi\u00e7\u00e3o que \u00e9 desajeitado, e muito que poderia ser expresso, hoje, de uma maneira mais clara e definitiva. [&#8230;] \u00c9 poss\u00edvel que o avan\u00e7o da ci\u00eancia natural te\u00f3rica transforme a maioria ou at\u00e9 mesmo a totalidade de meu trabalho em algo sup\u00e9rfluo. Pois que a revolu\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo for\u00e7ada na ci\u00eancia natural te\u00f3rica pela simples necessidade de se colocar em ordem as descobertas puramente emp\u00edricas &#8211; grande parte das quais foram acumuladas &#8211; \u00e9 de tal tipo que tem de trazer o car\u00e1ter dial\u00e9tico dos processos naturais cada vez mais \u00e0 consci\u00eancia at\u00e9 mesmo daqueles empiristas que mais se op\u00f5em a ele.<a href=\"#_ftn14\">[14]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Remetendo-nos, do ponto de vista do presente, \u00e0s realiza\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas desse gigante intelectual, a quest\u00e3o principal que deve nos preocupar \u00e9: O que \u00e9 indispens\u00e1vel, ao inv\u00e9s de sup\u00e9rfluo, no trabalho de Engels sobre ci\u00eancia e filosofia da natureza? Acad\u00eamicos de diversas \u00e1reas concordam invariavelmente que o car\u00e1ter emergentista da dial\u00e9tica de Engels se destaca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por exemplo, o historiador polon\u00eas Zbigniew A. Jordan argumenta vigorosamente que &#8220;a ideia central da evolu\u00e7\u00e3o emergentista pode ser encontrada no <em>Anti-D\u00fchring <\/em>e na <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em>.&#8221; De acordo com a dial\u00e9tica emergentista de Engels, &#8220;a realidade material tem uma estrutura de m\u00faltiplos n\u00edveis; cada um desses n\u00edveis \u00e9 caracterizado por um conjunto de propriedades distintivas e leis irredut\u00edveis; e cada n\u00edvel emergiu de um n\u00edvel temporalmente anterior, de acordo com leis que s\u00e3o absolutamente impredic\u00e1veis da perspectiva daquelas que operam nos n\u00edveis mais baixos.&#8221; A ideia de emerg\u00eancia est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 concep\u00e7\u00e3o que tem Engels da dial\u00e9tica como sendo a ci\u00eancia das interconex\u00f5es entre sistemas coexistentes e interdependentes de corpos f\u00edsicos. O dito famoso de Engels de que o movimento \u00e9 o modo de exist\u00eancia da mat\u00e9ria sugere que a mat\u00e9ria tem o poder de gerar novidade e diversidade na natureza. O princ\u00edpio de que &#8220;a mat\u00e9ria \u00e9 capaz de criar novidade e de produzir formas de organiza\u00e7\u00e3o cada vez mais altas \u00e9 parte do materialismo dial\u00e9tico desde que ele foi formulado pela primeira vez por Engels.&#8221;<a href=\"#_ftn15\">[15]<\/a> Como apropriadamente formulou o matem\u00e1tico e fil\u00f3sofo escoc\u00eas Hyman Levy, a ideia dial\u00e9tica de evolu\u00e7\u00e3o sugere que &#8220;formas de vida complexa de mat\u00e9ria animal ou vegetal emergiram de formas mais simples que se ligam por um n\u00famero incont\u00e1vel de eras at\u00e9 formas cada vez mais elementares.&#8221;<a href=\"#_ftn16\">[16]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; At\u00e9 mesmo Bunge compartilha a cren\u00e7a de que &#8220;o materialismo dial\u00e9tico tem o m\u00e9rito de enfatizar a novidade qualitativa, ou a emerg\u00eancia&#8221;, ou o que Mayr chamou de &#8220;uma hierarquia de n\u00edveis de organiza\u00e7\u00e3o, onde em cada n\u00edvel h\u00e1 um conjunto diferente de processos dial\u00e9ticos que podem estar se desenrolando.&#8221;<a href=\"#_ftn17\">[17]<\/a> Visto que n\u00edveis diferentes de complexidade de movimento constituem uma hierarquia de n\u00edveis de organiza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, como Ted Benson observa, a natureza deve ser considerada como uma unidade hierarquicamente ordenada e internamente diferenciada. \u00c9 essa unidade que figura como a condi\u00e7\u00e3o para a converg\u00eancia de ci\u00eancias particulares. O conhecimento unificado pressup\u00f5e uma unidade interconectada dos desenvolvimentos hist\u00f3ricos diferentes e desiguais das ci\u00eancias particulares. &#8220;O dom\u00ednio da natureza em que aquilo com que cada ci\u00eancia lida representa n\u00e3o somente um n\u00edvel distinto de complexidade de movimento, mas tamb\u00e9m um est\u00e1gio definido da hist\u00f3ria evolutiva do universo.&#8221;<a href=\"#_ftn18\">[18]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Posto de outra forma, \u00e9 a historicidade da natureza e tamb\u00e9m os processos que se desenrolam nas ci\u00eancias particulares que demandam uma revis\u00e3o cr\u00edtica da estrutura de nossa ci\u00eancia. Sempre existe uma necessidade interna \u00e0 teoria de examinar rigorosamente o aparato conceitual que utiliza. Isso implica tamb\u00e9m em uma cont\u00ednua integra\u00e7\u00e3o de novidades rec\u00e9m emergidas e descobertas no nosso presente corpo de pensamento. Portanto, n\u00e3o \u00e9 uma surpresa que a dial\u00e9tica de Engels seja muito preocupada com interconex\u00f5es evolutivas e novidades emergentes na natureza. Em rela\u00e7\u00e3o a isso, Engels define dial\u00e9tica como a investiga\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das interconex\u00f5es universais na natureza: &#8220;\u00c9 precisamente a dial\u00e9tica que constitui a forma de pensamento mais importante da ci\u00eancia natural contempor\u00e2nea, pois que somente ela fornece a analogia, e portanto o m\u00e9todo de explica\u00e7\u00e3o, para os processos evolutivos que ocorrem na natureza, as interconex\u00f5es em geral, e as transi\u00e7\u00f5es de um campo de investiga\u00e7\u00e3o para o outro.&#8221;<a href=\"#_ftn19\">[19]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao apreender as qualidades e leis emergentes dos v\u00e1rios n\u00edveis de organiza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, a teoria dial\u00e9tica emprega sua pr\u00f3pria estrutura conceitual, linguagem cient\u00edfica e m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o, e assume uma forma categorialmente aberta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em uma passagem em que Engels discute alguns crit\u00e9rios para a distin\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias disciplinas cient\u00edficas, ele sublinha que cada ci\u00eancia se ocupa com uma forma espec\u00edfica de movimento peculiar ao dom\u00ednio correspondente de investiga\u00e7\u00e3o. O objeto da an\u00e1lise pode ser &#8220;uma forma singular de movimento ou uma s\u00e9rie de formas de movimento que pertencem ao mesmo dom\u00ednio e passam uma para a outra.&#8221;<a href=\"#_ftn20\">[20]<\/a> O ponto \u00e9 que uma tal classifica\u00e7\u00e3o tem de seguir o arranjo objetivo e a sequ\u00eancia de desenvolvimento inerente \u00e0s formas de movimento em quest\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que a reconstru\u00e7\u00e3o l\u00f3gico-ontol\u00f3gica da sequ\u00eancia dos eventos naturais tem, consequentemente, de assumir uma forma sistem\u00e1tica. &#8220;Se eu chamo, <em>antes de tudo<\/em>, a mec\u00e2nica das mol\u00e9culas de f\u00edsica, a f\u00edsica dos \u00e1tomos de qu\u00edmica, e, ainda mais, a qu\u00edmica&nbsp; das prote\u00ednas de biologia, eu desejo assim expressar a passagem de cada uma dessas ci\u00eancias para as outras, simultaneamente a conex\u00e3o, a continuidade e a distin\u00e7\u00e3o, a separa\u00e7\u00e3o discreta.&#8221;<a href=\"#_ftn21\">[21]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando o mundo org\u00e2nico cresce do inorg\u00e2nico, ele desenvolve formas espec\u00edficas de movimento e suas pr\u00f3prias leis espec\u00edficas. Aquilo que historicamente precede o desenvolvimento do mundo org\u00e2nico, ou seja, o inorg\u00e2nico, persiste numa forma &#8220;suprassumida&#8221;<a href=\"#_ftn22\">[22]<\/a>. Ainda assim, o mundo org\u00e2nico \u00e9 evidentemente diferente do inorg\u00e2nico. Seu sistema possui muitas propriedades emergentes que n\u00e3o podem ser encontradas no mundo inorg\u00e2nico. Mais crucial ainda \u00e9 que os padr\u00f5es comportamentais de sistemas org\u00e2nicos s\u00e3o governados por programas gen\u00e9ticos que cont\u00e9m informa\u00e7\u00e3o adquirida historicamente.<a href=\"#_ftn23\">[23]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, Engels fornece uma ilustra\u00e7\u00e3o not\u00e1vel que n\u00e3o somente argumenta em favor da interconex\u00e3o e interpenetra\u00e7\u00e3o de diferentes esferas como a qu\u00edmica e a biologia, mas tamb\u00e9m se aproxima de uma propriedade emergente que hoje \u00e9 chamada de<em> autopoiesis<\/em>, uma caracter\u00edstica generativa de sistemas auto-organizados:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">No mundo org\u00e2nico [&#8230;] todas as investiga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas remontam em \u00faltima inst\u00e2ncia a um corpo &#8211; a prote\u00edna &#8211; que, ao mesmo tempo em que \u00e9 resultado de processos qu\u00edmicos ordin\u00e1rios, \u00e9 <em>distinto de todos os outros <\/em>por ser um processo qu\u00edmico permanente e <em>auto-atuante<\/em>. Se a qu\u00edmica tiver sucesso em preparar essa prote\u00edna, na forma espec\u00edfica em que ela obviamente <em>surgiu <\/em>&#8211; aquela do assim chamado protoplasma &#8211; uma especificidade, ou melhor, falta de especificidade, tal que ela contenha potencialmente dentro de si todas as outras formas de prote\u00edna [&#8230;], ent\u00e3o a transi\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica ter\u00e1 sido provada na realidade, e portanto completamente provada.<a href=\"#_ftn24\">[24]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A dial\u00e9tica emergentista defende o ponto de vista do &#8220;aumento cont\u00ednuo dos n\u00edveis de organiza\u00e7\u00e3o&#8221; e complexidade dos mecanismos sist\u00eamicos na natureza. A sucess\u00e3o de todo e cada n\u00edvel depende das circunst\u00e2ncias materiais para a flora\u00e7\u00e3o de suas propriedades emergentes que s\u00e3o necessariamente \u00fanicas relativamente aos n\u00edveis precedentes de complexidade. Provisoriamente, n\u00edveis diferentes podem ser distinguidos uns dos outros atrav\u00e9s de seus componentes respectivos.<a href=\"#_ftn25\">[25]<\/a> Mas eles s\u00e3o diferenciados propriamente se a interrela\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o interna de suas partes for levada em conta. Quarks se combinam para formar h\u00e1drons tais como pr\u00f3tons e n\u00eautrons, que por sua vez formam \u00e1tomos, que constituem mol\u00e9culas, que constroem componentes celulares e part\u00edculas coloidais, agregados coloidais d\u00e3o origem a tecidos e c\u00e9lulas vivas, e c\u00e9lulas a \u00f3rg\u00e3os e sistemas de \u00f3rg\u00e3os e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A fric\u00e7\u00e3o produz calor, luz e eletricidade; o impacto produz calor e luz, sen\u00e3o tamb\u00e9m eletricidade &#8211; assim, convers\u00e3o do movimento de massas em movimento molecular. Entramos no reino do movimento molecular, a f\u00edsica, e investigamos com mais profundidade. Mas aqui tamb\u00e9m descobrimos que o movimento molecular n\u00e3o representa a conclus\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o. A eletricidade passa para e surge da transforma\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. O calor e a luz tamb\u00e9m. O movimento molecular se transforma em movimento de \u00e1tomos &#8211; qu\u00edmica. A investiga\u00e7\u00e3o dos processos qu\u00edmicos \u00e9 confrontada pelo mundo org\u00e2nico como um campo de pesquisa, isso quer dizer, um mundo em que processos qu\u00edmicos acontecem, mas, no entanto, sob condi\u00e7\u00f5es distintas.<a href=\"#_ftn26\">[26]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O alto n\u00edvel de complexidade cont\u00e9m tamb\u00e9m aqueles componentes do n\u00edvel mais baixo. Todavia, o importante para o emergentismo n\u00e3o \u00e9 simplesmente determinar quais componentes est\u00e3o contidos em quais n\u00edveis, mas sim determinar como essas partes est\u00e3o interrelacionadas umas com as outras em n\u00edveis espec\u00edficos de complexidade. Ulteriormente, ao avaliar os v\u00e1rios n\u00edveis interagentes de complexidade, o emergentista dial\u00e9tico pena para integrar, ao inv\u00e9s de justapor, as partes de um todo em graus diferenciados de organiza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria.<a href=\"#_ftn27\">[27]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">[O] organismo \u00e9 certamente <em>a mais alta unidade, que dentro de si mesma une mec\u00e2nica, f\u00edsica e qu\u00edmica em um todo<\/em> onde a trindade n\u00e3o pode mais ser separada. No organismo, o movimento mec\u00e2nico \u00e9 efetuado diretamente pela transforma\u00e7\u00e3o f\u00edsica e qu\u00edmica, sob a forma da nutri\u00e7\u00e3o, da respira\u00e7\u00e3o, da secre\u00e7\u00e3o etc., assim como o movimento muscular puro. [&#8230;] Depois que a transi\u00e7\u00e3o da qu\u00edmica para a vida \u00e9 feita, ent\u00e3o \u00e9 primeiramente necess\u00e1rio analisar as condi\u00e7\u00f5es em que a vida foi produzida e continua a existir, isto \u00e9, primeiramente a geologia, a meteorologia e o resto. Ent\u00e3o, as v\u00e1rias formas de vida elas mesmas, que de fato sem isso s\u00e3o incompreens\u00edveis.<a href=\"#_ftn28\">[28]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As partes constitutivas de um todo abrangente adquirem seu estatutointegral no fato de que suas propriedades vem a ser por meio de sua intera\u00e7\u00e3o e interpenetra\u00e7\u00e3o, que eventualmente acarretam um modo espec\u00edfico de organiza\u00e7\u00e3o peculiar ao todo em quest\u00e3o.<a href=\"#_ftn29\">[29]<\/a> Note aqui que as partes n\u00e3o se juntam <em>de modo a <\/em>fazer um todo ao qual elas pertencem. Ao inv\u00e9s disso, \u00e9 a pr\u00f3pria intera\u00e7\u00e3o que estrutura a forma em que elas est\u00e3o interrelacionadas e interpenetradas, resultando nisso que se chama todo.<a href=\"#_ftn30\">[30]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto o rival filos\u00f3fico do emergentismo &#8211; ou seja, o reducionismo &#8211; assevera que os mecanismos de alto n\u00edvel de complexidade s\u00e3o <em>diretamente causados <\/em>pela din\u00e2mica dos n\u00edveis inferiores, o emergentismo resiste efetivamente \u00e0 ideia de que o todo &#8220;n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m&#8221; dos componentes contidos dentro desse todo. O todo \u00e9 maior que a soma total de suas partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lewontin e Levins apontam cuidadosamente que h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre redu\u00e7\u00e3o e reducion<em>ismo<\/em>. Apesar de ser verdade que a composi\u00e7\u00e3o e a estrutura de um n\u00edvel mais baixo podem figurar como um &#8220;sintoma das for\u00e7as agindo em n\u00edveis mais altos&#8221;, isso n\u00e3o quer dizer que a situa\u00e7\u00e3o de n\u00edvel mais baixo \u00e9 tamb\u00e9m a <em>causa imediata <\/em>da intera\u00e7\u00e3o no n\u00edvel mais alto. &#8220;A <em>redu\u00e7\u00e3o<\/em> olha para n\u00edveis de an\u00e1lise mais baixos para diferenciar sintomas de for\u00e7as em n\u00edveis mais altos, enquanto o <em>reducionismo<\/em> afirma que as for\u00e7as em n\u00edveis mais baixos s\u00e3o as causas verdadeiras dos fen\u00f4menos superiores.&#8221;<a href=\"#_ftn31\">[31]<\/a> Isso quer dizer que, porque a composi\u00e7\u00e3o do n\u00edvel mais baixo pode codeterminar a <em>forma <\/em>dentro da qual a intera\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o do n\u00edvel mais alto pode acontecer, o que co-contribui para a forma\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos de n\u00edvel mais alto pode encontrar suas ra\u00edzes nos n\u00edveis mais baixos que o precederam. De qualquer forma, fen\u00f4menos de n\u00edveis inferiores e superiores n\u00e3o s\u00e3o de forma alguma ligados por uma causalidade imediata. Ao inv\u00e9s disso, eles s\u00e3o intermediados por &#8220;pontos nodais&#8221; hegelianos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em um determinado ponto, Engels contrasta as formas superiores e mais complexas de movimento com as formas subsidi\u00e1rias. Ele observa que alguns cientistas de sua \u00e9poca d\u00e3o um peso exaustivo para o movimento, o que \u00e9 acompanhado por uma &#8220;mania de reduzir tudo ao movimento mec\u00e2nico.&#8221; Tal tratamento do movimento &#8220;apaga o car\u00e1ter espec\u00edfico de outras formas de movimento&#8221;. Relativamente a isso, o foco patente no movimento mec\u00e2nico n\u00e3o pode compreender que &#8220;formas mais altas de movimento&#8221; est\u00e3o &#8220;conectadas com um movimento mec\u00e2nico (externo ou molecular) real&#8221; e que &#8220;as formas superiores de movimento simultaneamente tamb\u00e9m produzem outras formas&#8221;. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, isso leva \u00e0 ignor\u00e2ncia quanto \u00e0 variedade das esp\u00e9cies de movimento e interconex\u00e3o na natureza. No entanto, &#8220;a a\u00e7\u00e3o qu\u00edmica n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem mudan\u00e7a de temperatura e mudan\u00e7as el\u00e9tricas; a vida org\u00e2nica sem mudan\u00e7as mec\u00e2nicas, moleculares, qu\u00edmicas, t\u00e9rmicas, el\u00e9tricas etc.&#8221;. Uma forma de movimento se manifesta dentro de outra, visto que ambas se interpenetram. Do ponto de vista do centro organizativo de uma esfera material particular de movimento, uma distin\u00e7\u00e3o tem de ser feita entre as formas principais e subsidi\u00e1rias. &#8220;Mas a presen\u00e7a dessas formas subsidi\u00e1rias n\u00e3o esgota a ess\u00eancia das formas principais de cada caso. Algum dia n\u00f3s certamente &#8216;reduziremos&#8217; experimentalmente o pensamento a movimentos mec\u00e2nicos e qu\u00edmicos no c\u00e9rebro; mas isso esgota a ess\u00eancia do pensamento?&#8221;<a href=\"#_ftn32\">[32]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa passagem deixa claro que Engels concebia os elementos de n\u00edvel inferior como os constituintes hist\u00f3ricos da nova organiza\u00e7\u00e3o emergente de n\u00edvel superior de mat\u00e9ria. Engels concordava que as formas presentes de movimento podem ser remontadas ao registro de seu desenvolvimento passado (redu\u00e7\u00e3o), mas negava que as propriedades emergentes de n\u00edvel mais alto podem ser explicadas atrav\u00e9s das propriedades de n\u00edvel mais baixo das quais elas emergiriam tomadas sozinhas (reducionismo).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tamb\u00e9m \u00e9 importante ter em mente que foi uma tend\u00eancia reducionista na filosofia e nas ci\u00eancias te\u00f3ricas da natureza durante a segunda metade do s\u00e9culo XIX que primeiramente motivou Engels a oferecer uma abordagem alternativa. No come\u00e7o dos anos 1870, Engels planejou escrever uma resposta concisa a vis\u00f5es materialistas reducionistas contempor\u00e2neas, como a ontologia dual\u00edstica de mat\u00e9ria e for\u00e7a formulada por Ludwig B\u00fcchner, ou a redu\u00e7\u00e3o crua do pensamento humano \u00e0 subst\u00e2ncia cerebral e \u00e0 gordura fosforizada levada a cabo por Carl Vogt e Jacob Moleschott. Mas os ataques planejados por Engels nessa \u00e9poca se transformaram mais tarde em uma abordagem mais ou menos sistem\u00e1tica (<em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em>) quando a teoria da evolu\u00e7\u00e3o de Darwin foi rapidamente politizada, tanto na literatura socialista quanto na reacion\u00e1ria liberal. Alertados primeiramente pela Comuna de Paris em 1871, ent\u00e3o pela crise econ\u00f4mica de 1873 e, finalmente, pelo sucesso parlamentar do Partido Social Democrata em 1877, bi\u00f3logos reacion\u00e1rios &#8211; tais como Rudolf Virchow, Oscar Schmdit e Ernst Haeckel &#8211; tentaram enfraquecer a recep\u00e7\u00e3o socialista do darwinismo. Mais for\u00e7osamente ainda, Haeckel tentou manter a ideia social darwinista intacta, argumentando que as regras do reino animal se aplicam integralmente \u00e0 humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto que todas as figuras citadas estavam na &#8220;lista de alvos&#8221; da <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em>, Engels tamb\u00e9m tinha consci\u00eancia de, e se preparou para responder a, outros debates que se somavam \u00e0s controv\u00e9rsias reducionistas. Uma dessas quest\u00f5es era a v\u00edvida tend\u00eancia positivista defendida por figuras como o bi\u00f3logo neokantiano Matthias Schleiden, que atacava abertamente a filosofia hegeliana e a vis\u00e3o de mundo materialista das quais Rudolf Virchow e Haeckel n\u00e3o podiam se defender. Outra quest\u00e3o crucial que acompanhava as disputas em curso dizia respeito \u00e0 posi\u00e7\u00e3o que professava a impossibilidade do saber universal [<em>Ignorabimus <\/em>account]<a href=\"#_ftn33\">[33]<\/a>, advogada principalmente pelo bot\u00e2nico neokantiano Carl N\u00e4geli. Recorrendo \u00e0 coisa-em-si kantiana, N\u00e4geli afirmava que a infinitude e a universalidade das leis da natureza permanecem um mist\u00e9rio, pois que somente os dom\u00ednios finitos da natureza s\u00e3o acess\u00edveis para o conhecimento humano. Esta t\u00e3o celebrada proposi\u00e7\u00e3o expressava bem a tend\u00eancia neokantiana da crescente fragmenta\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias particulares e a hostilidade positivista frente \u00e0s filosofias dial\u00e9ticas da natureza. Al\u00e9m das teorias biol\u00f3gicas da c\u00e9lula e da evolu\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m as leis termodin\u00e2micas estavam na agenda de Engels. Como documentam os fragmentos manuscritos da <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em>, datados do come\u00e7o da d\u00e9cada de 1880, Engels voltou a sua aten\u00e7\u00e3o para e se ocupou principalmente das inova\u00e7\u00f5es recentes na f\u00edsica at\u00e9 a morte de Marx em 1883. Tendo descoberto os manuscritos econ\u00f4micos de Marx, ele teve de interromper suas pesquisas em ci\u00eancias da natureza novamente e devotar-se a preparar, ao inv\u00e9s disso, os escritos de Marx para publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Engels pode n\u00e3o nos ter deixado uma filosofia da natureza completamente acabada, mas ele nos deixou as diretrizes gerais para um programa de pesquisa que \u00e9 inevitavelmente aberto e necessariamente incompleto. Na verdade, ele deixou muito claro que a incompletude e o car\u00e1ter abertoest\u00e3o fundados em aspectos de seu programa. Um dos grandes m\u00e9ritos do trabalho incompleto de Engels \u00e9 que ele demonstra com sucesso como a heran\u00e7a dial\u00e9tico-materialista do legado hegeliano pode nos ajudar a endere\u00e7ar quest\u00f5es que ainda temos a fazer, problemas que ainda temos de formular e terrenos que ainda temos de explorar. At\u00e9 onde posso ver, o materialismo dial\u00e9tico s\u00f3 reivindicou o seu lugar de forma parcial nas discuss\u00f5es mais recentes acerca da emerg\u00eancia e do reducionismo na filosofia da ci\u00eancia.<a href=\"#_ftn34\">[34]<\/a> Devido \u00e0s limita\u00e7\u00f5es do presente trabalho, eu n\u00e3o serei capaz de desenvolver uma argumenta\u00e7\u00e3o completa e, ao inv\u00e9s disso, irei mencionar uma ou duas ideias que sustentam a minha intui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Incorporando muitos aspectos valiosos da heran\u00e7a hegeliana \u00e0 filosofia marxista, Engels abriu caminho para o estabelecimento de uma ontologia dial\u00e9tico-materialista da emerg\u00eancia. Ele sustentava o ponto de vista de que as entidades singulares finitas que comp\u00f5e a realidade \u00e0 qual pertencemos n\u00e3o tem uma ess\u00eancia verdadeira sem a depend\u00eancia coletiva e a intera\u00e7\u00e3o m\u00fatua de umas com as outras. Resultando de sua evolu\u00e7\u00e3o transformativa, as partes finitas se combinam para formar uma totalidade infinitamente capaz de autodesenvolvimento. Tais partes finitas contam como componentes do todo \u00e0 medida que codeterminam e cocriam as rela\u00e7\u00f5es internas que as mant\u00eam juntas. De acordo com isso, uma pesquisa dial\u00e9tica rigorosa acerca das estruturas fundamentais da realidade deve desenvolver uma consci\u00eancia autocr\u00edtica de seu suporte categorial, que est\u00e1 aberto \u00e0 perp\u00e9tua reformula\u00e7\u00e3o. A emerg\u00eancia de novidades objetivas e sua integra\u00e7\u00e3o subjetiva ao presente corpo do pensamento n\u00e3o s\u00e3o, portanto, de import\u00e2ncia secund\u00e1ria, mas central.<a href=\"#_ftn35\">[35]<\/a> No &#8220;Plano 1878&#8221; da <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em>, Engels formulou seu ponto de vista muito explicitamente como a quarta lei dial\u00e9tica: &#8220;forma espiral de desenvolvimento&#8221;<a href=\"#_ftn36\">[36]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A ideia mais b\u00e1sica e simples que subjaz essa lei diz respeito \u00e0s formas estruturais de como uma coisa emerge da outra. Posto de forma aproximada, quando um conjunto de entidades resulta em um outro conjunto de coisas, o n\u00edvel anterior cont\u00e9m o potencial daquilo que ele faz surgir. O que \u00e9 observado \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o posterior daquilo que o precede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma se\u00e7\u00e3o na <em>Doutrina da Ess\u00eancia <\/em>da <em>L\u00f3gica <\/em>de Hegel que geralmente passa despercebida &#8211; &#8220;Movimento da Reflex\u00e3o&#8221; &#8211; proporciona <em>insights <\/em>interessantes da l\u00f3gica dial\u00e9tica da emerg\u00eancia. Esse cap\u00edtulo cont\u00e9m passagens que ressaltam aquilo que Hegel chama de reflex\u00e3o ponente, reflex\u00e3o exterior e reflex\u00e3o determinante [<em>positing, external and determining reflection<\/em>]. A mesma estrutura tripla diz respeito \u00e0quilo que ele denomina alternativamente reflex\u00e3o dentro de si e reflex\u00e3o dentro de outro [<em>reflection-into-itself and reflection-into-other<\/em>]. Apesar de Hegel buscar uma investiga\u00e7\u00e3o puramente l\u00f3gica e empregar uma terminologia um pouco desajeitada, sua orienta\u00e7\u00e3o promete um solo f\u00e9rtil para uma elabora\u00e7\u00e3o mais profunda da dial\u00e9tica emergentista de Engels: quando uma coisa faz surgir uma outra coisa (reflex\u00e3o dentro de outro), ela \u00e9 afetada por aquilo que emergiu dela (reflex\u00e3o dentro de si). Isso quer dizer que uma coisa (reflex\u00e3o ponente) se torna sujeita \u00e0 mudan\u00e7a (reflex\u00e3o determinante) quando causa a mudan\u00e7a em outra coisa (reflex\u00e3o exterior). Assim, a primeira coisa se torna um coproduto de sua pr\u00f3pria atividade. Esse aspecto de autorrefer\u00eancia e auto-organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1, acredito, no cora\u00e7\u00e3o da dial\u00e9tica emergentista de Engels. E as estruturas emergentes e sistemas autopoi\u00e9ticos s\u00e3o a prova disso.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ilya Prigogine and Isabelle Stengers, Order out of Chaos: Man\u2019s New Dialogue with Nature (Toronto: Bantam, 1984), 252\u201353.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; B. S. Haldane, preface to Dialectics of Nature, by Frederick Engels (New York: International Publishers, 1940), xiv.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Stephen Jay Gould, Ever Since Darwin: Reflections in Natural History (New York: Norton, 1977), 210, 212.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Stephen Jay Gould, An Urchin in the Storm: Essays About Books and Ideas (New York: Norton, 1987), 111.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ernst Mayr, \u201cRoots of Dialectical Materialism,\u201d in Na Perelome: Sovetskaia biologia v 20-30kh godakh, ed. E. I. Kolchinskii (St. Petersburg: SPBF IIET RAN, 1997), 12\u201314, 17.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Joseph Needham, Time, the Refreshing River (London: George Allen, and Unwin, 1943), 190.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mario Bunge, Between Two Worlds Memoirs of a Philosopher-Scientist (Switzerland: Springer, 2016), 231.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mario Bunge, Philosophy in Crisis: The Need for Reconstruction (New York: Prometheus, 2001), 40.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mario Bunge, Scientific Materialism (Dordrecht: D. Reidel, 1981), 41.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a>&nbsp;&nbsp; Mario Bunge, Evaluating Philosophies (Dordrecht: Springer, 2012), 4.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref11\">[11]<\/a>&nbsp;&nbsp; Albert Einstein, \u201cOpinion on Engels\u2019 \u2018Dialectics of Nature,\u2019\u201d in The Collected Papers of Albert Einstein, vol. 14 (Princeton: Princeton University Press, 2015), 414.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\">[12]<\/a>&nbsp;&nbsp; Richard Levins and Richard Lewontin, The Dialectical Biologist (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1985), v.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref13\">[13]<\/a>&nbsp;&nbsp; Bryan Magee, \u201cThe Philosophy of Science: Dialogue with Hilary Putnam,\u201d in Men of Ideas: Some Creators of Contemporary Philosophy (London: British Broadcasting Corporation, 1978), 237.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref14\">[14]<\/a>&nbsp;&nbsp; Frederick Engels, Anti-D\u00fchring, in Collected Works, vol. 25, by Karl Marx and Frederick Engels (Moscow: Progress, 1987), 11, 13.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\">[15]<\/a>&nbsp;&nbsp; Zbigniew A. Jordan, The Evolution of Dialectical Materialism: A Philosophical and Sociological Analysis (London: Macmillan, 1967), 166, 167, 239.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\">[16]<\/a>&nbsp;&nbsp; Hyman Levy, A Philosophy for a Modern Man (London: Victor Gollancz LTD, 1938), 28.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref17\">[17]<\/a>&nbsp;&nbsp; Mario Bunge, Emergence and Convergence: Qualitative Novelty and the Unity of Knowledge (Toronto: University of Toronto Press, 2003), 147; Mayr, \u201cRoots of Dialectical Materialism,\u201d 14.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref18\">[18]<\/a>&nbsp;&nbsp; Ted Benton, \u201cEngels and the Politics of Nature,\u201d in Engels Today: A Centenary Appreciation, ed. Christopher J. Arthur (Hampshire: Macmillan, 1996), 87; Ted Benton, \u201cNatural Science and Cultural Struggle: Engels on Philosophy and the Natural Sciences,\u201d in Issues in Marxist Philosophy, vol. 2, Materialism, ed. John Mepham and David-Hillel Ruben (New Jersey: Humanities Press, 1979), 124, 125.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\">[19]<\/a>&nbsp;&nbsp; Frederick Engels, Dialectics of Nature, in Collected Works, vol. 25, by Karl Marx and Frederick Engels (Moscow: Progress Publishers, 1987), 339.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\">[20]<\/a>&nbsp;&nbsp; Engels, Dialectics of Nature, 528.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\">[21]<\/a>&nbsp;&nbsp; Engels, Dialectics of Nature, 531.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref22\">[22]<\/a>&nbsp;&nbsp; Nikolai I. Bukharin, \u201cMarx\u2019s Teaching and Its Historical Importance,\u201d in Marxism and Modern Thought, by Nikolai I. Bukharin et al. (New York: Harcourt, 1935), 31.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\">[23]<\/a>&nbsp;&nbsp; Ernst Mayr, This Is Biology: The Science of the Living World (Cambridge: Belknap, 1998), 20\u201321.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\">[24]<\/a>&nbsp;&nbsp; Engels, Dialectics of Nature, 534\u201335, grifo nosso.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\">[25]<\/a>&nbsp;&nbsp; Needham, Time, the Refreshing River, 15, 184\u201385.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\">[26]<\/a>&nbsp;&nbsp; Engels, Dialectics of Nature, 534.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\">[27]<\/a>&nbsp;&nbsp; Mayr, This Is Biology, 16, 18\u201320.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\">[28]<\/a>&nbsp;&nbsp; Engels, Dialectics of Nature, 529\u201330.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\">[29]<\/a>&nbsp;&nbsp; Levins and Lewontin, The Dialectical Biologist, 273.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref30\">[30]<\/a>&nbsp;&nbsp; Richard Lewontin and Richard Levins, <a href=\"blank\"><em>Biology Under the Influence: Dialectical Essays on Ecology, Agriculture, and Health<\/em><\/a> (New York: Monthly Review Press, 2007), 132.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\">[31]<\/a>&nbsp;&nbsp; Lewontin and Levins, Biology Under the Influence, 136.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\">[32]<\/a>&nbsp;&nbsp; Engels, Dialectics of Nature, 527.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref33\">[33]<\/a>&nbsp;&nbsp; Da express\u00e3o latina &#8216;Ignoramus et ignorabimus&#8217;, que quer dizer: &#8216;N\u00e3o sabemos e n\u00e3o saberemos.&#8221; Em sua palestra intitulada <em>Ueber die Grenzen des Naturerkennens <\/em>(1872), onde defende que os limites do nosso conhecimento s\u00e3o definidos pelo escopo de aplica\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios puramente mec\u00e2nicos &#8211; os \u00fanicos que seriam realmente cient\u00edficos -, \u00c9mil du Bois-Reymond conclui usando a m\u00e1xima como lema: &#8220;<em>Ignorabimus<\/em>!&#8221; (N.T.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref34\">[34]<\/a>&nbsp;&nbsp; Para uma abordagem perspicaz da conex\u00e3o emerg\u00eancia-dial\u00e9tica, ver Poe Yu-ze Wan, \u201cDialectics, Complexity, and the Systemic Approach: Toward a Critical Reconciliation,\u201d Philosophy of the Social Sciences 43, no. 4 (2012): 411\u201352.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref35\">[35]<\/a>&nbsp;&nbsp; Kaan Kangal, Friedrich Engels and the Dialectics of Nature (Cham: Palgrave Macmillan, 2020), 157\u201365.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref36\">[36]<\/a>&nbsp;&nbsp; Engels, Dialectics of Nature, 313.<br><br><br><br><br><br><strong>Tradu\u00e7\u00e3o por Pedro Rodrigues Naccarato<\/strong><br><strong>1 de novembro de 2020<\/strong><br><strong>Revis\u00e3o por Marcus Apolin\u00e1rio<\/strong> <br><strong><a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/2020\/11\/01\/engelss-emergentist-dialectics\/?fbclid=IwAR0QtBYn6WdmndMioBNJl4frvuFPUSk1STxsW0bsMAMaUn34J_oEpmBicE\">Link original<\/a><\/strong> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Kaan Kangal Kaan Kangal \u00e9 professor associado do departamento de filosofia da Universidade de Nanijing, e \u00e9 especializado em dial\u00e9tica, hermen\u00eautica, metaf\u00edsica, al\u00e9m de pesquisa em Marx-Engels. 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