{"id":675,"date":"2020-09-26T15:16:24","date_gmt":"2020-09-26T18:16:24","guid":{"rendered":"https:\/\/tradutoresproletarios.wordpress.com\/?p=675"},"modified":"2023-06-29T02:00:30","modified_gmt":"2023-06-29T02:00:30","slug":"judith-butler-fala-sobre-guerras-culturais-jk-rowling-e-sobre-viver-em-tempos-anti-intelectuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2020\/09\/26\/judith-butler-fala-sobre-guerras-culturais-jk-rowling-e-sobre-viver-em-tempos-anti-intelectuais\/","title":{"rendered":"Guerras culturais, J. K. Rowling e viver em &#8220;tempos anti-intelectuais&#8221; \u2014 Judith Butler"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-justify\">Trinta anos atr\u00e1s, a filosofa estadunidense Judith Butler, que agora possui 64 anos, publicou um livro que revolucionou a postura popular frente ao g\u00eanero. <em>Problemas de g\u00eanero<\/em>, possivelmente o trabalho pelo qual ela \u00e9 mais conhecida, introduziu ideias que colocam o g\u00eanero como uma performance. A obra levanta a pergunta de como definimos \u201ca categoria de mulher\u201d e, por consequ\u00eancia, por quem o feminismo pretende lutar. Hoje, a obra \u00e9 fundamental para qualquer lista de leitura de estudos de g\u00eanero e seus argumentos j\u00e1 atravessaram a fronteira da academia para a cultura popular a tempos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Nessas tr\u00eas d\u00e9cadas desde que <em>Problemas de G\u00eanero<\/em> foi publicado, o mundo mudou para al\u00e9m do esperado. Em 2014, a revista <em>TIME<\/em> declarou o \u201cPonto de Virada Transg\u00eanero\u201d, no entanto, a pr\u00f3pria Butler se distanciou desse trabalho inicial, escrevendo muito mais sobre cultura e pol\u00edtica. Mas discord\u00e2ncias no que diz respeito a essencialismo biol\u00f3gico continuam, como fica evidenciado pelas tens\u00f5es envolvendo direitos trans dentro do movimento feminista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Como Butler, que \u00e9 <em>Maxine Elliot Professor<\/em> de Literatura Comparada em Berkeley, v\u00ea esse debate hoje? Ela enxerga alguma maneira de romper com esse impasse? Butler trocou e-mails recentemente com a revista <em>New Statesman<\/em> sobre esse assunto. A troca foi editada.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-coblocks-dynamic-separator\" style=\"height:50px\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>Alona Ferber<\/strong>: Em <em>Problemas de G\u00eanero<\/em>, voc\u00ea escreveu que \u201cOs debates feministas contempor\u00e2neos sobre os significados do conceito de g\u00eanero levam repetidamente a uma certa sensa\u00e7\u00e3o de problema, como se sua indetermina\u00e7\u00e3o pudesse culminar finalmente num fracasso do feminismo\u201d. At\u00e9 que ponto as ideias que voc\u00ea explorou no livro 30 anos atr\u00e1s ajudam a explicar como o debate envolvendo os direitos da popula\u00e7\u00e3o trans chegou na cultura <em>mainstream<\/em> e na pol\u00edtica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>Judith Butler<\/strong>: Primeiro, quero questionar se as feministas trans-excludentes s\u00e3o realmente as feministas <em>mainstream<\/em>. Se voc\u00ea estiver certa ao identific\u00e1-las como tais, ent\u00e3o o feminismo que se op\u00f5e a transfobia \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o marginal. Acho que isso talvez esteja errado. Minha aposta \u00e9 que a maioria das feministas apoia os direitos trans e se op\u00f5e a todas as formas de transfobia. Portanto, acho preocupante que de repente a posi\u00e7\u00e3o feminista radical trans-excludente [TERF] seja vista como normalmente aceita ou mesmo como no <em>mainstream<\/em>. Eu acho que \u00e9, na verdade, um movimento marginal que est\u00e1 procurando falar em nome das feministas no <em>mainstream<\/em>, e que nossa responsabilidade \u00e9 fazer com que isso n\u00e3o aconte\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>AF<\/strong>: Um exemplo do discurso p\u00fablico <em>mainstream<\/em> sobre essa quest\u00e3o no Reino Unido \u00e9 a discuss\u00e3o sobre permitir que as pessoas se identifiquem em termos de seu g\u00eanero. Numa carta aberta publicada em junho, JK Rowling expressou uma preocupa\u00e7\u00e3o de que, com isso, &#8220;as portas de banheiros e vesti\u00e1rios ficaria aberta para qualquer homem que acredita ser ou sente que \u00e9 mulher&#8221;, potencialmente colocando as mulheres em risco de serem violentadas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>JB<\/strong>: Se olharmos de perto o exemplo que voc\u00ea coloca como \u201c<em>mainstream<\/em>\u201d, podemos ver que um dom\u00ednio da fantasia est\u00e1 trabalhando, um dom\u00ednio que diz mais sobre a feminista que tem esse medo do que qualquer situa\u00e7\u00e3o realmente existente na vida da popula\u00e7\u00e3o trans. A feminista que possui tal vis\u00e3o presume que o p\u00eanis define a pessoa, e que todos que possuem p\u00eanis se identificariam como uma mulher com o prop\u00f3sito de entrar em vesti\u00e1rios e causar uma amea\u00e7a \u00e0s mulheres que estiverem l\u00e1 dentro. Isso leva a assumir que o p\u00eanis \u00e9 uma amea\u00e7a, ou que qualquer pessoa que tenha p\u00eanis e se identifique como uma mulher est\u00e1 envolvido em uma esp\u00e9cie de disfarce vil e perigoso. Essa \u00e9 uma fantasia rica, e \u00e9 carregada de medos poderosos, no entanto, n\u00e3o descreve a realidade social. Mulheres trans s\u00e3o comumente discriminadas em banheiros masculinos, e suas formas de autoidentifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o formas de descrever uma realidade vivida, n\u00e3o s\u00e3o reguladas ou capturadas pelas fantasias trazidas frente a elas. O fato que tais fantasias passam como uma discuss\u00e3o p\u00fablica j\u00e1 \u00e9 em si causa de preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>AF<\/strong>: Quero indag\u00e1-la sobre o termo \u201cTERF\u201d, ou feminista radical trans-excludente, que algumas pessoas veem como uma forma de difama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>JB<\/strong>: Eu n\u00e3o sabia que era usada como uma forma de difama\u00e7\u00e3o. Eu me pergunto como seriam chamadas as autodeclaradas feministas que desejam excluir as mulheres trans dos espa\u00e7os femininos? Se elas s\u00e3o a favor da exclus\u00e3o, por que n\u00e3o as chamar de excludentes? Se elas se entendem como pertencentes a essa linha de feminismo radical que se op\u00f5e \u00e0 redesigna\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, por que n\u00e3o as chamar de feministas radicais? Meu \u00fanico pesar \u00e9 saber que houve um movimento de liberdade sexual radical que antes se propagava sob o nome de feminismo radical, mas infelizmente se transformou em uma campanha para patologizar a popula\u00e7\u00e3o trans e os n\u00e3o-conformados com o g\u00eanero. Minha vis\u00e3o \u00e9 que temos que renovar o compromisso feminista com a igualdade de g\u00eanero e a liberdade de g\u00eanero, a fim de sermos afirmativas frente \u00e0s complexas viv\u00eancias de g\u00eanero, dado as maneiras com que est\u00e3o sendo vividas atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>AF<\/strong>: O consenso entre os progressistas parece ser que feministas que est\u00e3o do lado da JK Rowling na discuss\u00e3o est\u00e3o do lado errado da hist\u00f3ria. Isso \u00e9 justo, ou h\u00e1 algum m\u00e9rito em seus argumentos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>JB<\/strong>: Que fique claro que o debate n\u00e3o \u00e9 entre feministas e ativistas trans. H\u00e1 feministas trans-afirmativas e v\u00e1rias pessoas trans s\u00e3o feministas comprometidas. Desta forma, um problema claro \u00e9 o do enquadramento que age sobre o debate, como se ele fosse entre feministas e pessoas trans. N\u00e3o \u00e9. Uma raz\u00e3o para militar contra esse enquadramento \u00e9 que o ativismo trans \u00e9 ligado ao ativismo queer e a legados feministas que persistem ainda hoje. O feminismo sempre foi comprometido com a proposi\u00e7\u00e3o de que os significados sociais que remetem ao que \u00e9 ser um homem ou uma mulher ainda n\u00e3o foram estabelecidos. Contamos hist\u00f3rias sobre o que significava ser mulher em um determinado tempo e lugar e acompanhamos a transforma\u00e7\u00e3o dessas categorias ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Dependemos do g\u00eanero como uma categoria hist\u00f3rica, e isso significa que ainda n\u00e3o conhecemos todos os significados que ele possa vir a ter, e estamos abertos a novos entendimentos de seus significados sociais. Seria um desastre para o feminismo retornar a uma compreens\u00e3o estritamente biol\u00f3gica de g\u00eanero ou reduzir a conduta social a uma parte do corpo ou impor fantasias de medo, suas pr\u00f3prias ansiedades, \u00e0s mulheres trans &#8230; Seu entendimento sobre seu g\u00eanero deve ser reconhecido social e publicamente como uma quest\u00e3o relativamente simples de conceder dignidade a outro humano. A posi\u00e7\u00e3o feminista radical trans-excludente ataca a dignidade das pessoas trans.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>AF<\/strong>: Em <em>Problemas de G\u00eanero<\/em> voc\u00ea perguntou se, ao buscar representar uma ideia particular do que \u00e9 a mulher, feministas participam na mesma din\u00e2mica de opress\u00e3o e heteronormatividade que elas est\u00e3o tentando mudar. \u00c0 luz dos amargos argumentos em jogo dentro do feminismo agora, o mesmo ainda se aplica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>JB<\/strong>: No que me lembro do argumento contido em <em>Problemas de G\u00eanero <\/em>(escrito a mais de trinta anos atr\u00e1s) o ponto era bem diferente. Primeiro, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser mulher para ser feminista, e n\u00e3o devemos confundir tais categorias. Homens que s\u00e3o feministas, n\u00e3o-bin\u00e1rios e pessoas trans que s\u00e3o feministas, s\u00e3o parte do movimento se eles defendem as proposi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de liberdade e igualdade que s\u00e3o parte de qualquer luta pol\u00edtica feminista. Quando leis e pol\u00edticas sociais representam a mulher, eles tomam decis\u00f5es t\u00e1citas sobre quem \u00e9 mulher, e muito comumente fazem pressuposi\u00e7\u00f5es a respeito do que uma \u00e9 uma mulher. N\u00f3s estamos vendo isso na esfera dos direitos reprodutivos. Ent\u00e3o, a quest\u00e3o que estou levantando \u00e9: n\u00f3s precisamos ter uma ideia estabelecida de mulher, ou de qualquer g\u00eanero, em prol do avan\u00e7o dos objetivos feministas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Coloco a quest\u00e3o dessa maneira&#8230; para nos lembrar que as feministas est\u00e3o comprometidas no pensar sobre os significados de g\u00eanero e de liberdade de g\u00eanero, que s\u00e3o diversos e historicamente mut\u00e1veis. Por liberdade de g\u00eanero, n\u00e3o quero dizer que todos n\u00f3s podemos escolher nosso g\u00eanero. Em vez disso, podemos fazer uma reivindica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de viver livremente e sem medo de discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia contra os g\u00eaneros que somos. Muitas pessoas que s\u00e3o definidas como \u201cf\u00eamea\u201d no nascimento nunca se sentiram confort\u00e1veis com essa designa\u00e7\u00e3o, e essas pessoas (incluindo eu) nos dizem algo importante sobre as restri\u00e7\u00f5es impostas pelas normas tradicionais de g\u00eanero para muitos daqueles que est\u00e3o fora de seus termos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Feministas sabem que mulheres ambiciosas s\u00e3o chamadas de \u201cmonstruosas\u201d ou aquelas que n\u00e3o heterossexuais s\u00e3o patologizadas. Combatemos essas representa\u00e7\u00f5es err\u00f4neas porque s\u00e3o mentirosas e porque refletem mais sobre a misoginia daqueles que fazem caricaturas degradantes do que sobre a complexa diversidade social da mulher. As mulheres n\u00e3o devem se envolver nas formas de caricatura f\u00f3bica pelas quais foram tradicionalmente rebaixadas. E por \u201cmulheres\u201d quero dizer todas aquelas que se identificam como tal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>AF<\/strong>: At\u00e9 que ponto a toxicidade nesta quest\u00e3o \u00e9 parte do funcionamento das guerras culturais que est\u00e3o acontecendo online?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>JB<\/strong>: Acho que estamos vivendo em tempos anti-intelectuais e que isso \u00e9 evidente em todo o espectro pol\u00edtico. A rapidez da m\u00eddia social permite formas de sarcasmo que n\u00e3o apoiam um debate cuidadoso. Precisamos valorizar as formas mais longas de debate.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>AF<\/strong>: Amea\u00e7as de viol\u00eancia e abuso parecem levar esses \u201ctempos anti-intelectuais\u201d ao extremo. O que voc\u00ea tem a dizer a respeito da linguagem violenta e abusiva usada online contra pessoas como JK Rowling?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>JB<\/strong>: Sou contra todo o tipo de abuso online. Confesso estar perplexa pelo fato de que voc\u00ea apontou o abuso cometido contra JK Rowling, e n\u00e3o citar o abuso contra pessoas trans e seus aliados que acontecem online e pessoalmente. Eu discordo da vis\u00e3o da JK Rowling sobre pessoas trans, mas n\u00e3o acho que ela deveria sofrer ass\u00e9dio e amea\u00e7as. No entanto, vamos lembrar tamb\u00e9m das amea\u00e7as contra pessoas trans em lugares como o Brasil, o ass\u00e9dio de pessoas trans nas ruas e no trabalho em lugares como a Pol\u00f4nia e Rom\u00eania &#8211; ou mesmo aqui nos Estados Unidos. Ent\u00e3o, se vamos nos objetar contra o ass\u00e9dio e as amea\u00e7as, como certamente dever\u00edamos, n\u00f3s devemos ter certeza de que temos um grande quadro do que est\u00e1 acontecendo, quem est\u00e1 sendo mais profundamente afetado e se h\u00e1 toler\u00e2ncia por estes que deveriam se opor. N\u00e3o adianta dizer que amea\u00e7as contra algumas pessoas s\u00e3o toler\u00e1veis, mas contra outras s\u00e3o intoler\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>AF<\/strong>: Voc\u00ea n\u00e3o foi signat\u00e1ria da carta aberta sobre a &#8220;cultura do cancelamento&#8221; na revista <em>Harper<\/em> neste ver\u00e3o, mas os argumentos dela ressoaram em voc\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>JB<\/strong>: Tenho sentimentos amb\u00edguos a respeito dessa carta. De um lado, sou uma educadora e escritora que acredita num debate lento e profundo. Eu aprendo sendo confrontada e desafiada, e eu aceito que eu tenha feito alguns erros significativos na minha vida p\u00fablica. Se algu\u00e9m dissesse que eu n\u00e3o deveria ser lida ou ouvida por conta de meus erros, bem, internamente eu contestaria, pois n\u00e3o acho que qualquer erro de uma pessoa pode ou deve resumi-la. Vivemos no tempo; erramos, \u00e0s vezes seriamente; e, se tivermos sorte, mudamos precisamente por causa de intera\u00e7\u00f5es que nos permitem ver as coisas de maneira diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Por outro lado, alguns desses signat\u00e1rios estavam visando atingir o movimento Black Lives Matter como se uma oposi\u00e7\u00e3o barulhenta e p\u00fablica ao racismo fosse em si um comportamento incivilizado. Alguns deles se op\u00f5em a direitos legais para a Palestina. Outros [supostamente] cometeram ass\u00e9dio sexual. E ainda outros n\u00e3o desejam ser questionados sobre seu racismo. A democracia requer um bom desafio, e nem sempre vir\u00e1 de tom tranquilo e suave. Ent\u00e3o, n\u00e3o sou favor\u00e1vel \u00e0 neutraliza\u00e7\u00e3o de fortes demandas pol\u00edticas por justi\u00e7a por parte do povo subjugado. Quando algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 ouvido h\u00e1 d\u00e9cadas, o clamor por justi\u00e7a deve ser fortemente sonoro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AF<\/strong>: Neste ano, voc\u00ea publicou <em>A For\u00e7a da N\u00e3o Viol\u00eancia<\/em>. A ideia de \u201cigualdade radical\u201d, em que voc\u00ea discute no livro, tem alguma relev\u00e2ncia no movimento feminista?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>JB<\/strong>: Meu ponto neste \u00faltimo livro \u00e9 sugerir que devemos repensar a igualdade em termos de interdepend\u00eancia. Costumamos dizer que uma pessoa deve ser tratada da mesma forma que outra e medimos se a igualdade foi alcan\u00e7ada ou n\u00e3o comparando casos individuais. Mas e se o individual \u2013 e o individualismo \u2013 s\u00e3o parte do problema? Faz diferen\u00e7a nos entendermos como vivendo em um mundo no qual somos fundamentalmente dependentes dos outros, das institui\u00e7\u00f5es, da Terra, e ver que esta vida depende de uma organiza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel para v\u00e1rias outras formas de vida. Se ningu\u00e9m escapar dessa interdepend\u00eancia, ent\u00e3o somos iguais num sentido diferente. Somos igualmente dependentes, isto \u00e9, igualmente social e ecol\u00f3gico, e isso significa que deixamos de nos entender apenas como indiv\u00edduos demarcados. Se feministas radicais trans-excludentes se entendem como dividindo o mundo com pessoas trans, numa luta comum por igualdade, contra a viol\u00eancia e por reconhecimento social, n\u00e3o haveria mais feministas radicais trans-excludentes. Mas o feminismo certamente sobreviveria como pr\u00e1tica de coaliz\u00e3o e uma vis\u00e3o de solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>AF<\/strong>: Voc\u00ea falou sobre a rea\u00e7\u00e3o contra a \u201cideologia de g\u00eanero\u201d e escreveu um ensaio sobre isso em 2019 para a revista New Statesman. Voc\u00ea v\u00ea alguma conex\u00e3o entre isso e os debates contempor\u00e2neos sobre direitos trans?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>JB<\/strong>: \u00c9 doloroso ver que o posicionamento de Trump que coloca que g\u00eanero deveria ser definido pelo sexo biol\u00f3gico e os esfor\u00e7os dos evang\u00e9licos e dos cat\u00f3licos para expurgar \u201cg\u00eanero\u201d da educa\u00e7\u00e3o e dos acordos de pol\u00edticas p\u00fablicas com o retorno das feministas radicais trans-excludentes ao essencialismo biol\u00f3gico. \u00c9 um dia triste quando algumas feministas promovem a posi\u00e7\u00e3o da ideologia anti-g\u00eanero das for\u00e7as mais reacion\u00e1rias de nossa sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>AF<\/strong>: O que voc\u00ea acha que quebraria esse impasse no feminismo a respeito dos direitos trans? O que levaria para um debate mais construtivo? <br><br><strong>JB<\/strong>: Suponho que um debate, onde for poss\u00edvel, teria que reconsiderar as maneiras pelas quais a determina\u00e7\u00e3o m\u00e9dica do sexo funciona em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade hist\u00f3rica vivida do g\u00eanero.<br><br><br><br><br><strong>Tradu\u00e7\u00e3o por <u>Marcus Apolin\u00e1rio<\/u> <\/strong><br><strong>Revis\u00e3o por <u>Sofia Russi<\/u><\/strong><br><strong><a href=\"https:\/\/www.newstatesman.com\/international\/2020\/09\/judith-butler-culture-wars-jk-rowling-and-living-anti-intellectual-times\">Link do Texto original<\/a><\/strong><br><strong>Publicado em 22\/09\/2020<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trinta anos atr\u00e1s, a filosofa estadunidense Judith Butler, que agora possui 64 anos, publicou um livro que revolucionou a postura popular frente ao g\u00eanero. 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