{"id":574,"date":"2020-08-10T14:20:06","date_gmt":"2020-08-10T17:20:06","guid":{"rendered":"https:\/\/tradutoresproletarios.wordpress.com\/?p=574"},"modified":"2023-01-21T15:19:22","modified_gmt":"2023-01-21T15:19:22","slug":"roland-boer-de-berna-a-yanan-os-avancos-teoricos-de-lenin-e-mao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2020\/08\/10\/roland-boer-de-berna-a-yanan-os-avancos-teoricos-de-lenin-e-mao\/","title":{"rendered":"De Berna a Yan&#8217;an: os avan\u00e7os te\u00f3ricos de L\u00eanin e Mao \u2014 Roland Boer"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-justify\">Resumo: Este artigo defende que h\u00e1 uma linha distinta da epistemologia revolucion\u00e1ria que pode remontar desde o envolvimento de Lenin com Hegel entre 1914 e 1916 at\u00e9 os argumentos de Mao em \u201cSobre a Contradi\u00e7\u00e3o\u201d, de 1937. A redescoberta, por Lenin, inspirado em Marx, da dial\u00e9tica da ruptura de Hegel, forneceu uma percep\u00e7\u00e3odistinta sobre a interven\u00e7\u00e3o subjetiva, numa situa\u00e7\u00e3o objetiva na qual o sujeito est\u00e1 indissociavelmente conectado, para recriar o mundo. Se Lenin fez isso por meio de Hegel, a descoberta de Mao ocorreu atrav\u00e9s de Lenin em Hegel. De todos os textos marxistas ortodoxos dispon\u00edveis, Mao foi atra\u00eddo pelas anota\u00e7\u00f5es de Lenin sobre Hegel. Est\u00e1 claro que Mao captou a percep\u00e7\u00e3o central, mas tamb\u00e9m levou o argumento muito mais adiante. Isto foi a respeito da distin\u00e7\u00e3o herdada entre metaf\u00edsica e dial\u00e9tica materialista, o que se torna, nas m\u00e3os de Mao, n\u00e3o apenas uma justificativa te\u00f3rica para a sinifica\u00e7\u00e3o do marxismo, mas tamb\u00e9m um argumento contra a dogm\u00e1tica da metaf\u00edsica, que se contentava em deixar a situa\u00e7\u00e3o objetiva determinar suas a\u00e7\u00f5es. Mais significativamente, Mao desenvolveu uma nova distin\u00e7\u00e3o entre a identidade relativa das contradi\u00e7\u00f5es e sua luta absoluta, concluindo que a mudan\u00e7a absoluta \u00e9 final, pois recria o mundo e implica que as antigas condi\u00e7\u00f5es para a contradi\u00e7\u00e3o j\u00e1 haviam passado. Obviamente, isso tamb\u00e9m implicava que todo um novo lote de contradi\u00e7\u00f5es surgiria sob o socialismo no poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Palavras-chave: Lenin; Hegel; epistemologia revolucion\u00e1ria. Mao Zedong; contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u201cSem teoria revolucion\u00e1ria n\u00e3o h\u00e1 movimento revolucion\u00e1rio\u201d.<a href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Assim Lenin observou em 1902, apenas para ser citado por Mao em 1937.<a href=\"#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Se Lenin chegou a esta conclus\u00e3o atrav\u00e9s de uma redescoberta, \u00e0 luz de Marx, da dial\u00e9tica da ruptura de Hegel, Mao o fez atrav\u00e9s do envolvimento de Lenin com Hegel. Ao mesmo tempo, enquanto Mao captou em grande parte a percep\u00e7\u00e3o de Lenin, ele tamb\u00e9m deu um passo al\u00e9m ao desenvolver suas pr\u00f3prias formula\u00e7\u00f5es. Outras influ\u00eancias tiveram, \u00e9 claro, um papel importante em cada caso, mas meu estudo foca nestes aspectos espec\u00edficos, uma vez que eles tiveram ramifica\u00e7\u00f5es profundas para a teoria e pr\u00e1tica revolucion\u00e1rias. Nas linhas a seguir, trato de maneira relativamente resumida do que pode ser chamado de epistemologia revolucion\u00e1ria de Lenin, a qual foi aperfei\u00e7oada por seu estudo de Hegel em 1914-1915. Isso implicou uma recalibra\u00e7\u00e3o da abstra\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria como caminho para um maior envolvimento concreto e, portanto, a imers\u00e3o inevit\u00e1vel do sujeito no mundo objetivo. O resultado dial\u00e9tico foi a interven\u00e7\u00e3o subjetiva para mudar as rela\u00e7\u00f5es objetivas das quais o sujeito \u00e9 parte. A sess\u00e3o mais longa do meu estudo aborda a imers\u00e3o de Mao na filosofia em Yan\u2019an (1935-1937), com um foco em sua interpreta\u00e7\u00e3o de Lenin. Portanto, Mao compreendeu o ponto de Lenin em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 abstra\u00e7\u00e3o, teoria, interven\u00e7\u00e3o subjetiva e em mudar o mundo, mas ao mesmo tempo tamb\u00e9m se moveu para al\u00e9m de Lenin \u2013 ou atrav\u00e9s de Lenin, para ser mais preciso &#8211; em ao menos duas quest\u00f5es. A primeira diz respeito \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre metaf\u00edsica e materialismo dial\u00e9tico, que forneceu a Mao um enquadramento filos\u00f3fico para a sinifica\u00e7\u00e3o do Marxismo e o capacitou a contrastar sua posi\u00e7\u00e3o com o \u201cdogmatismo\u201d, o que para ele significa subservi\u00eancia \u00e0s condi\u00e7\u00f5es objetivas. A segunda diz respeito \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre a identidade relativa das contradi\u00e7\u00f5es e sua luta absoluta. No processo, ele redefine &#8220;absoluto&#8221; para significar &#8211; no caso de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista &#8211; uma mudan\u00e7a final e irrevers\u00edvel.<a href=\"#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Esta abordagem tornou-se parte do \u201cPensamento de Mao Zedong\u201d e o guia te\u00f3rico \u00e0 vit\u00f3ria revolucion\u00e1ria em 1949.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lenin em Berna<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u00c9 completamente imposs\u00edvel entender <em>O Capital<\/em> de Marx, e especificamente seu primeiro cap\u00edtulo, sem ter estudado extensivamente e compreendido <em>o todo <\/em>da <em>L\u00f3gica<\/em> de Hegel. Consequentemente, meio s\u00e9culo mais tarde nenhum dos marxistas entendeu Marx!<a href=\"#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Eu come\u00e7o com Lenin em Berna, Sui\u00e7a, onde ele e Krupskaya estiveram exilados anteriormente em 1914.<a href=\"#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Os eventos de agosto daquele ano mudaram seu padr\u00e3o de atividades de maneira dr\u00e1stica: os parlamentares eleitos do consider\u00e1vel e influente Partido Social Democrata Alem\u00e3o votaram a favor de cr\u00e9ditos de guerra no Reichstag alem\u00e3o. T\u00e3o inesperada foi a decis\u00e3o &#8211; para Lenin -, que, a princ\u00edpio, ele acreditava que era o que agora seria chamado de \u201c<em>fake news<\/em>\u201d. Por qu\u00ea? Ele pensava que a organiza\u00e7\u00e3o internacional tinha concordado que os partidos socialistas iriam opor a guerra imperialista, recusando-se a lutar, e, quando a oportunidade se apresentasse, virando suas armas contra os capitalistas.<a href=\"#_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Neste sentido, a decis\u00e3o do partido alem\u00e3o &#8211; e depois dos outros partidos social-democratas nacionais que seguiram o exemplo &#8211; foi nada menos que \u201ctrai\u00e7\u00e3o\u201d, trazendo uma \u201cvergonha flamejante\u201d para o movimento internacional.<a href=\"#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Nessa conjuntura, podia-se esperar que Lenin e aqueles que concordaram com ele empreenderiam uma campanha furiosa, por meio impresso e mesmo pessoalmente, contra a decis\u00e3o. Mas a crise tornou-se muito mais profunda, alcan\u00e7ando at\u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do movimento internacional e sua abordagem da revolu\u00e7\u00e3o. Dever\u00edamos nos limitar ao quadro da democracia burguesa e buscar a vit\u00f3ria eleitoral ou dever\u00edamos desafiar este quadro fundamentalmente anti-socialista, sen\u00e3o voltado para negar a pr\u00f3pria possibilidade de revolu\u00e7\u00e3o? Havia muito em jogo, ent\u00e3o Lenin se retirou para a biblioteca em Berna, entre o final de 1914 e 1915. Neste per\u00edodo de relativa solid\u00e3o, reivindicado pela atividade furiosa da vida de um revolucion\u00e1rio, ele decidiu entender o que havia acontecido e o que o futuro poderia guardar. Como veremos com Mao, a oportunidade de estudar, refletir e escrever se apresenta inesperadamente. Eventos podem empilhar-se uns sobre os outros de tal forma que mal se pode administra-los, mas uma crise repentina, uma calmaria inesperada, uma demanda por maior entendimento e rigor te\u00f3rico \u2013 estes e outros fatores criam tempo e espa\u00e7o para uma reflex\u00e3o minuciosa sobre a atividade revolucion\u00e1ria e sua inescap\u00e1vel teoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A quem Lenin recorreu? Ele estudou obras sobre a hist\u00f3ria da filosofia e das ci\u00eancias naturais, Arist\u00f3teles, Feuerbach, Lassalle, e at\u00e9 Napole\u00e3o. Mas ele foi tomado sobretudo por Hegel, especialmente pelo formid\u00e1vel <em>A Ci\u00eancia da L\u00f3gica<\/em>. Hegel foi uma estranha escolha, de fato. Apesar dos primeiros protestos de Lenin a favor de Hegel e de uma abordagem da dial\u00e9tica da ruptura,<a href=\"#_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Hegel tinha sido amplamente ignorado pelo marxismo na Segunda Internacional. Em resposta aos cr\u00edticos que tentaram pintar Marx com a natureza idealista, sen\u00e3o quasi-teol\u00f3gica, do m\u00e9todo de Hegel e de suas &#8220;tr\u00edades&#8221; (tese, nega\u00e7\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o), os marxistas haviam trabalhado duro para distanciar Marx da perniciosa influ\u00eancia de Hegel. Seguindo Plekhanov, eles se concentraram na dial\u00e9tica &#8220;materialista&#8221;, com \u00eanfases distintamente evolucion\u00e1rias e mecanicistas. Como Bloch observa, &#8220;Hegel nunca foi t\u00e3o deixado de lado como na Alemanha depois de 1850&#8221;.<a href=\"#_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> As perspectivas de Hegel n\u00e3o eram brilhantes, mas foi precisamente para Hegel que Lenin se voltou &#8211; tanto que ele pode ser creditado por estimular um renascimento do pensamento de Hegel em rela\u00e7\u00e3o a Marx.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Sujeito e Objeto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A redescoberta foi profunda e cativante.<a href=\"#_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Lenin se viu repensando a tens\u00e3o do subjetivo e do objetivo, no que pode ser chamado de epistemologia revolucion\u00e1ria. Ele descobre que \u201creflex\u00e3o [<em>Reflexion<\/em>]\u201d no conhecimento cient\u00edfico n\u00e3o \u00e9 um processo de aproximar-se cada vez mais de um mundo externo \u00e0 medida que a compreens\u00e3o cient\u00edfica aumenta gradualmente. A linguagem cient\u00edfica n\u00e3o tenta espelhar um mundo \u201cl\u00e1 fora\u201d, contando com o \u201cprogresso\u201d do conhecimento.<a href=\"#_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Em vez disso, a pr\u00f3pria reflex\u00e3o envolve um entrela\u00e7amento inevit\u00e1vel do externo e do interno, de tal modo que o externo se torna uma caracter\u00edstica da delibera\u00e7\u00e3o subjetiva interna.<a href=\"#_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> Por &#8220;subjetivo&#8221;, Lenin se refere n\u00e3o ao capricho do pensamento individual, divorciado da realidade, mas ao envolvimento necess\u00e1rio com esta realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Agora, uma outra caracter\u00edstica entra na equa\u00e7\u00e3o: a abstra\u00e7\u00e3o. O pensamento subjetivo, tendo absorvido o externo, implica um processo de abstra\u00e7\u00e3o aumentada que \u00e9 a base de pr\u00e1ticas e verdades mais profundas: \u201cA abstra\u00e7\u00e3o da <em>mat\u00e9ria<\/em>, de uma <em>lei<\/em> da natureza, a abstra\u00e7\u00e3o de <em>valor<\/em> etc., enfim, <em>todas<\/em> as abstra\u00e7\u00f5es cient\u00edficas (corretas, s\u00e9rias, n\u00e3o absurdas) refletem a natureza de modo mais profundo, verdadeiro e <em>completo<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> A abstra\u00e7\u00e3o pode parecer implicar um processo de afastamento da realidade externa, mas \u00e9 justamente quando isto ocorre que o pensamento consciente percebe que \u00e9 imposs\u00edvel sair do mundo \u201cl\u00e1 fora\u201d. A abstra\u00e7\u00e3o &#8211; dialeticamente &#8211; \u00e9, na verdade, o momento em que a consci\u00eancia subjetiva chega \u00e0 plena compreens\u00e3o de que \u00e9 inevitavelmente imanente ao mundo externo. Ou, para colocar em sequ\u00eancia narrativa, quanto mais algu\u00e9m se afasta do mundo, mais este algu\u00e9m faz parte do mundo. Por outro lado, o processo de tornar-se concreto e integrado ao mundo exige essa forma de abstra\u00e7\u00e3o. Como colocado por Lenin, &#8220;a primeira e mais simples forma\u00e7\u00e3o de no\u00e7\u00f5es (julgamentos, silogismos etc.) j\u00e1 denota a cogni\u00e7\u00e3o cada vez mais profunda do homem sobre a conex\u00e3o objetiva do mundo&#8221;. Assim, a \u201cforma\u00e7\u00e3o de no\u00e7\u00f5es (abstratas) e opera\u00e7\u00f5es com elas j\u00e1 inclui a id\u00e9ia, convic\u00e7\u00e3o, consci\u00eancia do fato de que o mundo \u00e9 governado por leis\u201d.<a href=\"#_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>Pr\u00e1tica Revolucion\u00e1ria<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Todo esse engajamento te\u00f3rico \u00e9 uma prepara\u00e7\u00e3o para o ponto-chave: a transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do mundo atrav\u00e9s da pr\u00e1tica materialista. Lenin n\u00e3o quer dizer, por pr\u00e1tica, um processo simples de atividade no mundo, mas sim o ponto dial\u00e9tico de que a pr\u00e1tica surge da abstra\u00e7\u00e3o descrita acima. Essa pr\u00e1tica nada mais \u00e9 do que o momento em que \u201ca no\u00e7\u00e3o se torna \u2018ser-para-si\u2019. Mais ainda, \u00e9 o teste decisivo da verdade objetiva: \u2018a pr\u00e1tica do homem e da humanidade \u00e9 o teste, o crit\u00e9rio da objetividade da cogni\u00e7\u00e3o\u2019\u201d.<a href=\"#_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> Assim, a pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 meramente o fundamento da reflex\u00e3o te\u00f3rica, que, por sua vez, informa a pr\u00e1tica. Ou melhor, essa dial\u00e9tica se aplica, mas de uma maneira mais complexa. A pr\u00e1tica emerge do necess\u00e1rio processo de abstra\u00e7\u00e3o, ou de um aparente retirar-se do mundo, que revela como a interioridade e a exterioridade se entrecortam. Para Lenin, a caracter\u00edstica central da pr\u00e1tica \u00e9 nada menos que a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, uma recria\u00e7\u00e3o do mundo. Como ele escreve, a &#8220;consci\u00eancia [humana] n\u00e3o apenas reflete o mundo objetivo, mas o cria&#8221;. Por qu\u00ea? O &#8220;mundo n\u00e3o satisfaz o homem e o homem decide mud\u00e1-lo pela sua atividade&#8221;.<a href=\"#_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> A pr\u00e1tica revolucion\u00e1ria, portanto, n\u00e3o se restringe \u00e0 tomada do poder, mas diz respeito \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio mundo objetivo. Se a atividade humana criou para si uma imagem objetiva do mundo, agora segue-se que a atividade humana \u201c<em>muda<\/em> a realidade externa, abole sua determinabilidade\u201d. Como isso \u00e9 alcan\u00e7ado? Pelo ato consciente do agente revolucion\u00e1rio, que pode abolir os fundamentos socioecon\u00f4micos do mundo como \u00e9 conhecido e recri\u00e1-lo de uma nova maneira. Ou, em termos hegelianos, um mundo socialista pode ser feito &#8220;como sendo em si e para si&#8221;, como &#8220;objetivamente verdadeiro&#8221;.<a href=\"#_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Eu mencionei anteriormente que este tempo em Berna, estudando Hegel, foi basicamente uma redescoberta das dimens\u00f5es rupturais da dial\u00e9tica. Foi uma resposta gerada por uma profunda crise no movimento socialista internacional (num momento anterior em 1905, em resposta \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o daquele ano). Em outras palavras, Lenin estava se esfor\u00e7ando para entender a crise, para compreender o que havia levado v\u00e1rios partidos social-democratas \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o perante os esfor\u00e7os imperialistas de guerra em 1914. Seu reengajamento com Hegel permitiu que ele entendesse que esses partidos, sen\u00e3o partes substanciais da Segunda Internacional, ca\u00edram na armadilha de supor que a situa\u00e7\u00e3o atual era um dado, e de que precisavam buscar mudan\u00e7as dentro dessa estrutura em vez de tentar mudar a estrutura em si. Esta percep\u00e7\u00e3o pode ser considerada como uma percep\u00e7\u00e3o em retrospectiva de L\u00eanin, um olhar para o passado com o objetivo de obter uma percep\u00e7\u00e3o sobre o presente. No entanto, essa retrospec\u00e7\u00e3o \u00e9 relativamente limitada nas obras de Lenin, que contrastam com o esfor\u00e7o mais amplo de Mao para entender a natureza dos cerca de quinze anos de idas e vindas do caminho revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin est\u00e1 muito mais interessado no que o futuro reserva, especialmente em termos de revolu\u00e7\u00e3o e suas conseq\u00fc\u00eancias: o &#8220;atraso&#8221; da R\u00fassia que permite um salto revolucion\u00e1rio adiante, al\u00e9m dos pa\u00edses capitalistas &#8220;avan\u00e7ados&#8221;;<a href=\"#_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> a necessidade de &#8220;usar o capitalismo para construir o socialismo&#8221; por meio da Nova Pol\u00edtica Econ\u00f4mica; o Comintern como um meio de promover a revolu\u00e7\u00e3o global e proteger o incipiente Estado sovi\u00e9tico dentro das limita\u00e7\u00f5es da velha R\u00fassia; o papel do Estado unipartid\u00e1rio na prote\u00e7\u00e3o das necessidades e direitos dos trabalhadores;<a href=\"#_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a> a redefini\u00e7\u00e3o da liberdade e da democracia como uma abordagem abertamente partid\u00e1ria como o caminho para um novo universal, no qual o indiv\u00edduo floresce precisamente atrav\u00e9s do coletivo.<a href=\"#_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> No entanto, a percep\u00e7\u00e3o prospectiva mais significativa diz respeito \u00e0 pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o socialista. Em textos cruciais, Lenin argumenta veementemente que a revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro de 1917 &#8211; uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa &#8211; deveria ser tomada e liderada pelo proletariado em prol de uma revolu\u00e7\u00e3o comunista.<a href=\"#_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> Em vez de seguir o caminho &#8220;objetivo&#8221; da revolu\u00e7\u00e3o, no qual a revolu\u00e7\u00e3o burguesa deveria amadurecer antes que surgissem as condi\u00e7\u00f5es corretas para uma revolu\u00e7\u00e3o socialista (de tal forma que o poder deveria ser entregue a uma burguesia relutante<a href=\"#_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>), Lenin insistia que a \u201cconsci\u00eancia subjetiva\u201d do agente revolucion\u00e1rio poderia agir para mudar essas condi\u00e7\u00f5es \u201cobjetivas\u201d. Como Harding coloca,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o era como uma ameixa caindo na m\u00e3o quando totalmente madura sem a \u00e1rvore ser sequer sacudida. Para caracterizar a considera\u00e7\u00e3o de Lenin, era mais como um nabo. Ele incharia e amadureceria no ch\u00e3o, mas seria necess\u00e1rio um esfor\u00e7o forte para colh\u00ea-lo \u2013 caso contr\u00e1rio, a a\u00e7\u00e3o dos elementos e dos parasitas se combinaria para apodrece-lo.<a href=\"#_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ou, nos termos filos\u00f3ficos dos cadernos, o comunismo n\u00e3o \u00e9 um est\u00e1gio \u201cexterno\u201d ao agente revolucion\u00e1rio subjetivo, porque o comunismo \u00e9 criado por esse agente. Assim, a realidade &#8220;externa&#8221; do comunismo est\u00e1 entrela\u00e7ada com a consci\u00eancia subjetiva do revolucion\u00e1rio e lhe \u00e9 imanente. A revolu\u00e7\u00e3o pode, assim, recriar o mundo. Por outro lado, o agente em quest\u00e3o n\u00e3o percebe um comunismo &#8220;externo&#8221; objetivamente, agindo para provoc\u00e1-lo, mas \u00e9 parte da realidade que foi criada atrav\u00e9s do ato revolucion\u00e1rio.<a href=\"#_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Deixe-me resumir o argumento at\u00e9 agora, com seu foco em Lenin. Enfatizei que a redescoberta de Lenin da dial\u00e9tica da ruptura de Hegel surgiu de um recuo vitalmente necess\u00e1rio diante de uma profunda crise. Para entender a crise, ele se voltou para uma fonte improv\u00e1vel, <em>A Ci\u00eancia da L\u00f3gica<\/em>, de Hegel. Como se refletisse sua pr\u00f3pria pr\u00e1tica, ele descobriu que a cogni\u00e7\u00e3o cient\u00edfica surge de uma abstra\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria do mundo, momento em que se descobre a verdade de que fatores subjetivos e objetivos est\u00e3o intimamente entrela\u00e7ados. Uma pessoa \u00e9 inevitavelmente parte do mundo, assim como o mundo faz parte da sua consci\u00eancia. Isso implica que ningu\u00e9m \u00e9 apenas determinado por condi\u00e7\u00f5es objetivas, de modo que sempre se pode agir para mudar a base dessas condi\u00e7\u00f5es &#8211; da\u00ed a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Isso \u00e9 nada menos que uma epistemologia revolucion\u00e1ria, redescobrir Marx atrav\u00e9s de Hegel. Mao tamb\u00e9m desenvolver\u00e1 essa epistemologia, n\u00e3o obstante com sua pr\u00f3pria e distinta abordagem que se move atrav\u00e9s de Lenin.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mao em Yan\u2019an<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As coisas est\u00e3o constantemente se transformando do primeiro para o segundo estado de movimento; a luta dos opostos continua nos dois estados, mas a contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 resolvida no segundo. \u00c9 por isso que dizemos que a unidade dos opostos \u00e9 condicional, tempor\u00e1ria e relativa, enquanto a luta dos opostos mutuamente exclusivos \u00e9 absoluta.<a href=\"#_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Se Lenin desenvolveu uma epistemologia revolucion\u00e1ria atrav\u00e9s de Hegel (e, portanto, de Marx), Mao o fez atrav\u00e9s da abordagem de Lenin sobre Hegel. Mas esta \u00e9 uma leitura um tanto distinta que segue um caminho diferente do de Lenin. Deixe-me definir o contexto.<a href=\"#_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> Os fundamentos do que se tornou o \u201cPensamento de Mao Zedong [<em>sixiang<\/em>]\u201d foram lan\u00e7ados em 1936-37 e foram refor\u00e7ados em 1938 pela Nova Associa\u00e7\u00e3o de Filosofia de Yan&#8217;an.<a href=\"#_ftn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> Isto ocorreu n\u00e3o tanto em resposta a uma crise (como aconteceu com Lenin), mas ap\u00f3s a dolorosa experi\u00eancia da Longa Marcha, sofrendo nas m\u00e3os do Guomindang e depois da aparente reviravolta com o apelo a uma frente unida contra os japoneses. For\u00e7ado pelo Guomindang a sair do Soviete Jiangxi-Fujian em outubro de 1934, o corpo principal do Ex\u00e9rcito Vermelho atravessou 25.000 milhas chinesas em algumas das paisagens mais acidentadas do mundo, perdeu 90% de suas for\u00e7as e finalmente chegou tarde em 1935 para o remoto Yan&#8217;an (prov\u00edncia de Shaanxi). Enquanto a Longa Marcha se tornaria a hist\u00f3ria fundadora da China moderna \u2013 expressa nas primeiras linhas de um poema de Mao em 1935, \u201co Ex\u00e9rcito Vermelho n\u00e3o teme uma expedi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e n\u00e3o pensa nada de dez mil rios e mil montanhas <em>[Hongjun bupa yuanzheng nan tiaopi, wanshui qianshan zhi dengxian fendou<\/em>]<a href=\"#_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>\u201d \u2013 outro problema logo surgiria: a necessidade de uma frente \u00fanica com o Guomindang contra os japoneses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O pr\u00f3prio fato de Mao ter tido tempo de escrever um poema indica uma oportunidade profunda em Yan&#8217;an. Atrav\u00e9s das experi\u00eancias da marcha, ele se tornou o l\u00edder indiscut\u00edvel do movimento. Ele pode ter sido um estrategista capaz e astuto, e at\u00e9 mesmo um l\u00edder pol\u00edtico, mas foi ferroado pelas cr\u00edticas (de seu oponente nomeado por Moscou, Wang Ming) de que ele conhecia relativamente pouco da teoria marxista. Os pr\u00f3ximos dois anos seriam cruciais. Junto a muitos outros, Mao mergulhou nos estudos, o que resultou numa s\u00e9rie de escritos importantes e ideias originais. Mas o que eles estudaram? Dado que eram os anos 30 e que a URSS de Stalin era o centro da teoria marxista mais desenvolvida, foi, \u00e9 claro, para fontes sovi\u00e9ticas que Mao e seus camaradas se voltaram.<a href=\"#_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a> Al\u00e9m das obras originais de Marx, Engels, Lenin e Stalin \u2013 que j\u00e1 vinham sendo firmemente traduzidas desde a d\u00e9cada de 1920<a href=\"#_ftn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> -, eles estudaram as obras filos\u00f3ficas marxistas ortodoxas e maduras de Shirikov, Aizenberg, Mitin e outros. Tamb\u00e9m nesta \u00e9poca, os primeiros trabalhos chineses substanciais de Li Da e Ai Siqi haviam sido ou estavam sendo publicados, elaborando &#8211; frequentemente de forma significativa &#8211; sobre o enquadramento das fontes sovi\u00e9ticas.<a href=\"#_ftn31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> Sem entrar em detalhes acerca do extenso debate sobre o quanto Mao foi influenciado pelo pensamento marxista sovi\u00e9tico e pelas tradi\u00e7\u00f5es chinesas, \u00e9 bastante claro que a rela\u00e7\u00e3o era complexa e criativa, embora com uma direta e concreta lucidez de estilo que podem ser enganosas.<a href=\"#_ftn32\"><sup>[32]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Acima de tudo, foi a partir de seu engajamento com Lenin que Mao desenvolveu suas ideias mais afiadas.<a href=\"#_ftn33\"><sup>[33]<\/sup><\/a> Como comentado por ele em 1965, &#8220;estudei Lenin primeiro, depois os escritos de Marx e Engels&#8221;.<a href=\"#_ftn34\"><sup>[34]<\/sup><\/a> Estou particularmente interessado no trabalho principal &#8220;Sobre a Contradi\u00e7\u00e3o&#8221;, embora tenha alguns coment\u00e1rios a fazer em rela\u00e7\u00e3o ao &#8220;Sobre a Pr\u00e1tica&#8221;. Ambos faziam parte originalmente das palestras de 1937 &#8220;Sobre o materialismo dial\u00e9tico&#8221;, embora tenham sido revisados para publica\u00e7\u00e3o posterior nos <em>Trabalhos Selecionados<\/em>.<a href=\"#_ftn35\"><sup>[35]<\/sup><\/a> No primeiro texto, Mao cita Lenin 11 vezes na palestra original e 13 vezes na vers\u00e3o final do ensaio (\u201cSobre a Pr\u00e1tica\u201d&#8217; cita Lenin 6 vezes). Ainda mais, as refer\u00eancias a Lenin e ao Leninismo &#8211; al\u00e9m das cita\u00e7\u00f5es &#8211; totalizam 15 (20); \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, 16 (16); e a Stalin, 1 (9). Em compara\u00e7\u00e3o, ele cita Marx e Engels escassamente (embora ele frequentemente se refira a eles). Claramente, Lenin era importante. Mas o que funciona? O grande n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es &#8211; 7 de 11 na palestra original e 9 de 13 no ensaio final &#8211; vem dos Cadernos Filos\u00f3ficos.<a href=\"#_ftn36\"><sup>[36]<\/sup><\/a> Estas estat\u00edsticas sugerem uma particular import\u00e2ncia desse trabalho para Mao, mas o teste reside em quais textos e como Mao os interpreta. A seguir, concentro-me em tr\u00eas t\u00f3picos relativos \u00e0 epistemologia revolucion\u00e1ria: abstra\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica revolucion\u00e1ria; dial\u00e9tica materialista; e identidade e luta. Se o primeiro se remete aos avan\u00e7os te\u00f3ricos de Lenin, os dois restantes v\u00e3o al\u00e9m de Lenin.<a href=\"#_ftn37\"><sup>[37]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>Abstra\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1tica Revolucion\u00e1ria<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Trato brevemente do primeiro ponto, focando na maneira como Mao adotou amplamente as percep\u00e7\u00f5es de Lenin (j\u00e1 descritas anteriormente). Deixe-me colocar deste modo: uma cr\u00edtica comum \u00e9 que Mao era um objetivista empirista, pragmatista ou n\u00e3o-cr\u00edtico &#8211; n\u00e3o reconstru\u00eddo -, como uma leitura unilateral de &#8216;Na Pr\u00e1tica&#8217; poderia sugerir, com \u00eanfase no papel crucial da investiga\u00e7\u00e3o experiencial, na etapa da percep\u00e7\u00e3o fenomenal, ao salto qualitativo da cogni\u00e7\u00e3o e do conhecimento l\u00f3gico.<a href=\"#_ftn38\"><sup>[38]<\/sup><\/a> Declara\u00e7\u00f5es como as seguintes podem melhorar essa percep\u00e7\u00e3o: toda diferen\u00e7a na conceitua\u00e7\u00e3o humana \u2018reflete [<em>fanying<\/em>]\u2019 uma contradi\u00e7\u00e3o objetiva<a href=\"#_ftn39\"><sup>[39]<\/sup><\/a>, ou mesmo as ideias devem \u2018corresponder \u00e0s leis do mundo externo&#8217;.<a href=\"#_ftn40\"><sup>[40]<\/sup><\/a> Uma considera\u00e7\u00e3o mais cuidadosa &#8211; focando no texto de \u2018Sobre a Pr\u00e1tica\u2019 por um momento<a href=\"#_ftn41\"><sup>[41]<\/sup><\/a> &#8211; revela uma situa\u00e7\u00e3o diferente. Em um ponto crucial de seu argumento, Mao cita os <em>Cadernos Filos\u00f3ficos<\/em> de Lenin: \u201cA abstra\u00e7\u00e3o da <em>mat\u00e9ria<\/em>, de uma <em>lei <\/em>da natureza, a abstra\u00e7\u00e3o de <em>valor <\/em>etc., enfim, <em>todas <\/em>as abstra\u00e7\u00f5es cient\u00edficas (corretas, s\u00e9rias, n\u00e3o absurda) refletem a natureza mais profundamente, verdadeira e <em>completamente<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn42\"><sup>[42]<\/sup><\/a> Como j\u00e1 vimos em Lenin, a abstra\u00e7\u00e3o ou o processo de teoriza\u00e7\u00e3o implica uma conex\u00e3o integral com a realidade na qual faz-se parte, atrav\u00e9s do pr\u00f3prio processo de \u201cafastar-se\u201d de tal realidade. Eu sugiro que Mao tenha entendido esse ponto, redefinindo o pr\u00f3prio sentido de \u201creflex\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn43\"><sup>[43]<\/sup><\/a> O fato dele ter feito isso vem \u00e0 tona na \u00eanfase resoluta do \u2018salto\u2019 (novamente, na terminologia de Lenin) da cogni\u00e7\u00e3o te\u00f3rica \u00e0 pr\u00e1tica revolucion\u00e1ria, que nada mais \u00e9 do que \u2018mudar o mundo\u2019.<a href=\"#_ftn44\"><sup>[44]<\/sup><\/a> Ou, como ele coloca em \u2018Sobre a Contradi\u00e7\u00e3o\u2019, a teoria permite desenvolver \u201cm\u00e9todos para resolver [<em>jiejue<\/em>] contradi\u00e7\u00f5es\u201d, para analisar a situa\u00e7\u00e3o atual com fins de \u201cinferir [<em>tuiduan<\/em>] seu futuro\u201d e, assim, \u201crealizar [<em>wancheng<\/em>] as tarefas da revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn45\"><sup>[45]<\/sup><\/a> No mesmo ensaio, a declara\u00e7\u00e3o mais substancial observa que, em condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas (a qualifica\u00e7\u00e3o \u00e9 cuidadosa e significativa<a href=\"#_ftn46\"><sup>[46]<\/sup><\/a>), as \u201crela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, teoria e superestrutura\u201d podem assumir o \u201cpapel principal e decisivo&#8221;. Esse \u00e9 particularmente o caso com o desenvolvimento e defesa da teoria revolucion\u00e1ria, pois ela fornece a \u201clinha guia, m\u00e9todo, plano ou pol\u00edtica\u201d.<a href=\"#_ftn47\"><sup>[47]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>Dial\u00e9tica Materialista<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">At\u00e9 agora, Mao segue os passos de Lenin, mas o pr\u00f3ximo t\u00f3pico &#8211; sobre dial\u00e9tica materialista &#8211; se baseia diretamente em Lenin e o leva adiante. Em seu esfor\u00e7o para enquadrar a an\u00e1lise da contradi\u00e7\u00e3o, Mao distingue entre duas perspectivas do mundo. Seriam eles idealismo e materialismo? Podemos esperar que sim, j\u00e1 que essa distin\u00e7\u00e3o se tornou uma abordagem padr\u00e3o desde o estudo de Engels sobre Feuerbach e foi posteriormente implantada nos <em>Problemas Fundamentais do Marxismo<\/em> de Plekhanov e no Materialismo e Emp\u00edrico-Criticismo de Lenin.<a href=\"#_ftn48\"><sup>[48]<\/sup><\/a> De fato Mao usa precisamente essa estrutura nas partes anteriores das notas de aula sobre materialismo dial\u00e9tico.<a href=\"#_ftn49\"><sup>[49]<\/sup><\/a> Mas esse material espec\u00edfico das palestras n\u00e3o foi abordado no ensaio &#8216;Sobre a Contradi\u00e7\u00e3o&#8217;. Ao inv\u00e9s disso, Mao faz uma distin\u00e7\u00e3o um tanto diferente entre metaf\u00edsica (xingershangxue) e dial\u00e9tica (bianzhengfa). Essa distin\u00e7\u00e3o logo ser\u00e1 profundamente produtiva nas m\u00e3os de Mao, mas primeiro permita-me tra\u00e7ar suas origens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A distin\u00e7\u00e3o foi inicialmente formulada no \u2018<em>Anti-D\u00fchring<\/em>\u2019 de Engels e depois assumida ao longo deste trabalho, e da \u2018<em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em>\u2019. Em algumas p\u00e1ginas do primeiro,<a href=\"#_ftn50\"><sup>[50]<\/sup><\/a> Engels redefine a categoria filos\u00f3fica tradicional da metaf\u00edsica em oposi\u00e7\u00e3o ao materialismo dial\u00e9tico.<a href=\"#_ftn51\"><sup>[51]<\/sup><\/a> Tendo surgido com as ci\u00eancias naturais, especialmente nos s\u00e9culos XVII e XVIII, para Engels esse tipo de metaf\u00edsica tem tr\u00eas caracter\u00edsticas principais: o isolamento das entidades observadas; a ant\u00edtese entre exist\u00eancia e n\u00e3o-exist\u00eancia (como tamb\u00e9m de causa e efeito); e sua natureza est\u00e1tica.<a href=\"#_ftn52\"><sup>[52]<\/sup><\/a> Em contraste, a dial\u00e9tica foca nas rela\u00e7\u00f5es entre coisas, no come\u00e7o e fim da exist\u00eancia e do movimento: \u201cNa contempla\u00e7\u00e3o de coisas individuais, [a metaf\u00edsica] esquece a conex\u00e3o entre elas; na contempla\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia, esquece o come\u00e7o e o fim dessa exist\u00eancia; do seu repouso, esquece seu movimento\u201d.<a href=\"#_ftn53\"><sup>[53]<\/sup><\/a> Engels segue falando da \u00eanfase dial\u00e9tica na &#8220;essencial conex\u00e3o, concatena\u00e7\u00e3o, movimento, origem e fim&#8221;, moldando sua an\u00e1lise da natureza e da ci\u00eancia sob essa luz.<a href=\"#_ftn54\"><sup>[54]<\/sup><\/a> Portanto, temos a interconex\u00e3o dos fen\u00f4menos, sua hist\u00f3ria e a necessidade de focar na an\u00e1lise do movimento, e n\u00e3o no im\u00f3vel. Al\u00e9m disso, em <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em>, Engels formulou o m\u00e9todo dial\u00e9tico de Hegel em termos de tr\u00eas proposi\u00e7\u00f5es: a transforma\u00e7\u00e3o da quantidade em qualidade e vice-versa; a interpenetra\u00e7\u00e3o de opostos; nega\u00e7\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn55\"><sup>[55]<\/sup><\/a> A influ\u00eancia de ambas as obras foi afetada. Desde que o <em>Anti-D\u00fchring<\/em> apareceu em 1878, tornou-se um trabalho estudado por todos os marxistas da pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o. Portanto, n\u00e3o deveria surpreender que a distin\u00e7\u00e3o de Engels entre metaf\u00edsica e dial\u00e9tica se tornasse parte do vocabul\u00e1rio padr\u00e3o do pensamento marxista, aparecendo no livro <em>O Desenvolvimento da Vis\u00e3o Monista da Hist\u00f3ria<\/em>, de Plekhanov<a href=\"#_ftn56\"><sup>[56]<\/sup><\/a> e em <em>Materialismo e Empiro-Criticismo<\/em> de Lenin (apesar dele lembrar constantemente aos leitores que significa uma abordagem antidial\u00e9tica, tal qual estipulada por Engels), e na se\u00e7\u00e3o sobre materialismo hist\u00f3rico e dial\u00e9tico, no <em>Pequeno Curso<\/em> [<em>Short Couse<\/em>] de Stalin.<a href=\"#_ftn57\"><sup>[57]<\/sup><\/a> Na \u00e9poca do texto de Stalin, <em>Dial\u00e9tica da natureza<\/em> tamb\u00e9m havia sido publicado (1925), ent\u00e3o a proposi\u00e7\u00e3o chave do materialismo dial\u00e9tico, em contraste com a metaf\u00edsica, se tornou: a interconectividade dos fen\u00f4menos; o movimento constante da mudan\u00e7a dial\u00e9tica; e a dial\u00e9tica da mudan\u00e7a quantitativa e qualitativa.<a href=\"#_ftn58\"><sup>[58]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Quando Mao foi para seu per\u00edodo de estudo cuidadoso em Yan\u2019an, essas posi\u00e7\u00f5es eram, em muito, parte da tradi\u00e7\u00e3o Marxista ortodoxa e dominante.<a href=\"#_ftn59\"><sup>[59]<\/sup><\/a> Os trabalhos chave de Engels, Lenin e Stalin tamb\u00e9m estavam dispon\u00edveis em tradu\u00e7\u00e3o chinesa (apesar do <em>Pequeno Curso<\/em> ter sido publicado apenas em 1938). No entanto &#8211; e isso \u00e9 crucial -, Mao n\u00e3o os cita em seu argumento. Ao inv\u00e9s disso, ele cita os <em>Cadernos Filos\u00f3ficos <\/em>de Lenin. Por qu\u00ea?&nbsp; Uma raz\u00e3o mais geral \u00e9 que o material dispon\u00edvel da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica focava fortemente em Lenin e na interpreta\u00e7\u00e3o de suas obras (especialmente em debates). Mas isso n\u00e3o explica o uso desse trabalho espec\u00edfico de Lenin. Ent\u00e3o, vamos considerar a interpreta\u00e7\u00e3o de Mao. No ensaio final, ele cita Lenin da seguinte forma: \u201cAs duas concep\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas (ou duas poss\u00edveis? Ou duas historicamente observ\u00e1veis?) de desenvolvimento (evolu\u00e7\u00e3o) s\u00e3o: desenvolvimento como diminui\u00e7\u00e3o e aumento, como repeti\u00e7\u00e3o, e desenvolvimento como uma unidade de opostos (a divis\u00e3o de uma unidade em opostos mutuamente exclusivos e sua rela\u00e7\u00e3o rec\u00edproca)\u201d.<a href=\"#_ftn60\"><sup>[60]<\/sup><\/a> Aqui, Lenin n\u00e3o evoca explicitamente a distin\u00e7\u00e3o entre dial\u00e9tica e metaf\u00edsica, apesar de Mao interpretar Lenin nessa luz. A raz\u00e3o \u00e9 que Mao tem um interesse espec\u00edfico em como a distin\u00e7\u00e3o pode ser interpretada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">&nbsp;Para Mao &#8211; seguindo este texto de Lenin &#8211; metaf\u00edsica significa que as coisas s\u00e3o isoladas (<em>guli<\/em>) e est\u00e1ticas (<em>jingzhi<\/em>) ou imut\u00e1veis \u200b\u200b(<em>bubianhuade<\/em>). Assim, os metaf\u00edsicos &#8220;sustentam que uma coisa s\u00f3 pode continuar se repetindo como o mesmo tipo de coisa e n\u00e3o pode mudar para algo diferente&#8221; &#8211; sejam formas de explora\u00e7\u00e3o capitalista ou a sociedade tradicional chinesa.<a href=\"#_ftn61\"><sup>[61]<\/sup><\/a> At\u00e9 agora n\u00f3s estamos em terreno familiar, tendo visto tais pontos em Engels. Mas agora Mao leva o argumento um passo adiante, recorrendo ao reengajamento de Lenin com Hegel. Para os metaf\u00edsicos, o motivo (<em>tuidong<\/em>) e a causa fundamental (<em>genben yuanyin<\/em>) s\u00e3o externos, seja clima, geografia, invas\u00e3o, colonialismo e assim por diante.<a href=\"#_ftn62\"><sup>[62]<\/sup><\/a> Tal abordagem gera aumento [<em>increase<\/em>] e diminui\u00e7\u00e3o [<em>decrease<\/em>], em escala e quantidade. Em contraste, uma abordagem dial\u00e9tica v\u00ea a causa da mudan\u00e7a como interna (<em>neibu<\/em>), como automovimento (<em>zijideyundong<\/em>). Nesse caso, a raz\u00e3o da mudan\u00e7a diz respeito ao processo da contradi\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, as rela\u00e7\u00f5es entre externo e interno s\u00e3o dial\u00e9ticas, pois Mao tem plena consci\u00eancia da posi\u00e7\u00e3o padr\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as quantitativas e qualitativas. Assim, for\u00e7as externas de mudan\u00e7a surgem originalmente da din\u00e2mica interna, podendo fornecer o contexto para a mudan\u00e7a interna e at\u00e9 se tornam operacionais por causas internas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mas, porque Mao est\u00e1 interessado em desenvolver o argumento dessa forma particular? Eu proponho dois motivos. Primeiro, ele est\u00e1 buscando um ponto filos\u00f3fico s\u00f3lido no marxismo, o que seria conhecido como a \u201csinifica\u00e7\u00e3o do marxismo\u201d. Nesse momento, ele escreve:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A Revolu\u00e7\u00e3o Socialista de outubro deu in\u00edcio a uma nova \u00e9poca na hist\u00f3ria do mundo e tamb\u00e9m na hist\u00f3ria da R\u00fassia. Ela exerceu influ\u00eancia sobre mudan\u00e7as internas nos outros pa\u00edses do mundo e, de maneira semelhante e particularmente profunda, sobre mudan\u00e7as internas na China. Essas mudan\u00e7as, no entanto, foram efetuadas por meio das leis internas de desenvolvimento desses pa\u00edses, inclusive a China.<a href=\"#_ftn63\"><sup>[63]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mesmo com uma revolu\u00e7\u00e3o socialista, pode haver todos os tipos de influ\u00eancias externas e assist\u00eancia em muitos n\u00edveis, mas uma revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceria sem o primado da din\u00e2mica interna e as contradi\u00e7\u00f5es de um determinado local. Apesar desta se\u00e7\u00e3o espec\u00edfica n\u00e3o aparecer nas palestras originais, Mao estava desenvolvendo essa posi\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, como indicado pela declara\u00e7\u00e3o do ano seguinte sobre a \u2018sinifica\u00e7\u00e3o\u2019 ou \u2018transforma\u00e7\u00e3o\u2019, em chin\u00eas <em>zhongguohua<\/em>, do marxismo e a necessidade de prestar cuidadosa aten\u00e7\u00e3o \u00e0s caracter\u00edsticas e especificidades chinesas (<em>zhongguo tedian e zhongguo texing<\/em>).<a href=\"#_ftn64\"><sup>[64]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Eu sugiro que esta leitura oferece uma distinta virada da vis\u00e3o de Lenin<strong>[,]<\/strong> considerando o entrela\u00e7amento subjetivo e a transforma\u00e7\u00e3o do mundo (que discuti anteriormente). Em &#8220;Sobre a quest\u00e3o da dial\u00e9tica&#8221;, esse argumento se torna a import\u00e2ncia do &#8220;movimento pr\u00f3prio&#8221;. Se a fonte do movimento \u00e9 vista como externa, \u00e9 &#8220;sem vida, p\u00e1lida e seca&#8221;. Mas um foco no \u2018automovimento\u2019, na causa\u00e7\u00e3o interna, \u00e9 vivo, pois \u201cele fornece a chave para os \u2018saltos\u2019\u201d, para a \u201cquebra na continuidade\u201d, para a \u201ctransforma\u00e7\u00e3o para o oposto\u201d, para a destrui\u00e7\u00e3o do antigo e o surgimento do novo\u201d.<a href=\"#_ftn65\"><sup>[65]<\/sup><\/a> Obviamente, esta \u00e9 uma leitura revolucion\u00e1ria de Hegel, na qual Mao segue em sua pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o para entender a situa\u00e7\u00e3o chinesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A segunda raz\u00e3o para a \u00eanfase de Mao diz respeito \u00e0 quest\u00e3o do dogmatismo. Sobre esse assunto, h\u00e1 uma mudan\u00e7a entre as notas da aula e a vers\u00e3o final do ensaio. No original, o foco \u00e9 muito mais sobre os debates na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, com a escola Deborin (e, de fato, Bukharin e Trotsky) recebendo duras cr\u00edticas.<a href=\"#_ftn66\"><sup>[66]<\/sup><\/a> Neste \u00faltimo, Deborin ainda aparece, mas como um sinal de \u201cdogmatismo\u201d dentro do Partido Comunista Chin\u00eas, que agora chama mais aten\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, a mudan\u00e7a \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s lutas internas na China &#8211; como seria de esperar \u00e0 luz do argumento da for\u00e7a motriz interna. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de entrar nos detalhes dos debates sovi\u00e9ticos, pois estou interessado na maneira como Mao caracteriza Deborin: como as contradi\u00e7\u00f5es aparecem apenas mais tarde em um processo, as causas da mudan\u00e7a devem ser externas e n\u00e3o internas, produzindo assim teorias \u201cmetaf\u00edsicas de causalidade externa e de mecanismo&#8221;.<a href=\"#_ftn67\"><sup>[67]<\/sup><\/a> Em suas revis\u00f5es para a publica\u00e7\u00e3o posterior, Mao acrescenta essa conex\u00e3o crucial: como a escola de Deborin influenciou o Partido Comunista da China, \u201cn\u00e3o se pode dizer que o pensamento dogm\u00e1tico de nosso Partido n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com a abordagem dessa escola\u201d.<a href=\"#_ftn68\"><sup>[68]<\/sup><\/a> Como resultado, ele deixa expl\u00edcito que um dos seus principais alvos no ensaio era a erradica\u00e7\u00e3o do pensamento dogmatista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Portanto, temos uma linha de Deborin, do metaf\u00edsico ao dogmatismo. Mas <strong>[,]<\/strong> o que Mao quer dizer com dogmatismo (<em>jiaotiaozhuyi<\/em>)? Ele usa \u201cf\u00f3rmulas incompreens\u00edveis puramente abstratas [<em>chuncui chouxiang de gongshi<\/em>]\u201d, sempre usando \u201cestere\u00f3tipos sem conte\u00fado [<em>kongdong wuwu de bagu<\/em><a href=\"#_ftn69\"><sup>[69]<\/sup><\/a><em> diao<\/em>]\u201d. Por completo, os dogm\u00e1ticos n\u00e3o entendem que as condi\u00e7\u00f5es mudam e que diferentes m\u00e9todos s\u00e3o necess\u00e1rios para resolver as contradi\u00e7\u00f5es; \u201cpelo contr\u00e1rio, eles sempre adotam o que imaginam ser uma f\u00f3rmula inalter\u00e1vel e a aplicam arbitrariamente em todo lugar [<em>qianpianyil\u00fc di shiyong yi zhong zi yiwei buay gaibian de gongshi daochu ying tao<\/em>], o que apenas causa reveses \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o ou uma confus\u00e3o lament\u00e1vel do que foi originalmente bem feito\u201d.<a href=\"#_ftn70\"><sup>[70]<\/sup><\/a> \u00c0 sua maneira distinta, Mao chegou a uma conclus\u00e3o compar\u00e1vel \u00e0 cr\u00edtica de Lenin \u00e0 aparente aceita\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es objetivas. Para Lenin, a suposi\u00e7\u00e3o de que \u00e9 preciso permitir que uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa amadure\u00e7a antes de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista<strong>[,]<\/strong> era um an\u00e1tema para uma abordagem adequadamente dial\u00e9tica e revolucion\u00e1ria. Em vez disso, deve-se agir para mudar as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es sob as quais esses est\u00e1gios operam. Nos termos de Mao, os dogm\u00e1ticos operam de maneira semelhante. Como metaf\u00edsicos, com sua f\u00f3rmula imut\u00e1vel e pensamento estereotipado, tornam-se advogados da eternidade das condi\u00e7\u00f5es atuais, oferecendo talvez mudan\u00e7as incrementais e quantitativas, mas nada revolucion\u00e1rias. Falhar em entender a complexidade das condi\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a, se n\u00e3o as constantes mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es entre e dentro das contradi\u00e7\u00f5es, significa ficar preso na rotina atual e fazer uma bagun\u00e7a na revolu\u00e7\u00e3o. O avan\u00e7o te\u00f3rico pode ter seguido o modo de pensar caracter\u00edstico de Mao, mas o resultado \u00e9 an\u00e1logo \u00e0 redescoberta por Lenin de uma dial\u00e9tica da ruptura em 1914. Como mencionei anteriormente, para Mao, uma abordagem dial\u00e9tica das contradi\u00e7\u00f5es permite \u201cinferir o futuro\u201d, \u201cresolver a contradi\u00e7\u00e3o\u201d, e \u201crealizar a tarefa da revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Identidade, Luta e Transforma\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O avan\u00e7o final implica um passo muito al\u00e9m de Lenin, que ocorre precisamente atrav\u00e9s de uma exegese cuidadosa dos textos de Lenin, dos <em>Cadernos Filos\u00f3ficos<\/em>. Aparece na se\u00e7\u00e3o cinco do estudo da contradi\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m neste caso, encontramos algumas diverg\u00eancias intrigantes entre as palestras originais e a vers\u00e3o final (al\u00e9m de pequenos toques estil\u00edsticos, esclarecimentos e refer\u00eancias a desenvolvimentos pol\u00edticos espec\u00edficos). Em ambos os textos, o argumento come\u00e7a citando L\u00eanin sobre a necess\u00e1ria interconex\u00e3o e interpermea\u00e7\u00e3o de contradi\u00e7\u00f5es, com o correlato de que, em certas condi\u00e7\u00f5es, um aspecto de uma contradi\u00e7\u00e3o se transformar\u00e1 em seu oposto.<a href=\"#_ftn71\"><sup>[71]<\/sup><\/a> Neste ponto, os dois textos oferecem uma s\u00e9rie de exemplos para ilustrar essa transforma\u00e7\u00e3o, embora eles realmente se enquadrem em dois tipos. O primeiro diz respeito \u00e0s mudan\u00e7as perp\u00e9tuas de uma para a outra: morte e vida, acima e abaixo, fortuna e infort\u00fanio, guerra e paz, adquirir e perder. O segundo tipo parece inicialmente semelhante: proletariado e burguesia (do governado ao governante e vice-versa), campon\u00eas [<em>peasant<\/em>] e senhorio, colonizado e colonizador, propriedade privada e propriedade p\u00fablica.<a href=\"#_ftn72\"><sup>[72]<\/sup><\/a> Aqui surge um problema, pois Mao n\u00e3o defenderia constantes mudan\u00e7as entre proletariado e burguesia, ou mesmo entre camponeses e propriet\u00e1rios. Como ele tenta resolver esse problema? Para come\u00e7ar, ele \u00e9 cuidadoso ao especificar \u2013 repetidamente \u2013 que essas mudan\u00e7as ocorrem apenas \u201csob certas condi\u00e7\u00f5es\u201d. Inicialmente, ele quer dizer que deve existir alguma base comum para que a mudan\u00e7a ocorra,<a href=\"#_ftn73\"><sup>[73]<\/sup><\/a> mas sugiro outra dimens\u00e3o, que surge em seu tratamento subsequente da identidade relativa condicional e da mudan\u00e7a absoluta incondicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Sobre esse assunto, Mao cita Lenin mais uma vez e depois exegeta a passagem de uma maneira bastante singular. No texto de Lenin se l\u00ea: \u201cA unidade (coincid\u00eancia, identidade, a\u00e7\u00e3o igual) dos opostos \u00e9 condicional, tempor\u00e1ria, transit\u00f3ria, relativa. A luta de opostos mutuamente exclusivos \u00e9 absoluta, assim como desenvolvimento e movimento s\u00e3o absolutos\u201d.<a href=\"#_ftn74\"><sup>[74]<\/sup><\/a> No entanto, as exegeses contidas nas duas vers\u00f5es textuais de alguma forma divergem. Deixe-me colocar desta maneira: nas palestras, Mao \u00e9 dividido entre dois significados de \u201cabsoluto [<em>juedui<\/em>]\u201d. Ele tende a l\u00ea-lo em termos do que \u00e9 incessante (<em>wuxiuzhi<\/em>) e eterno (<em>yongheng<\/em>). Esse entendimento aparece particularmente em seu uso \u2013 mais uma vez \u2013 do exemplo da vida ou morte. Assim, a condi\u00e7\u00e3o de vida e morte em um organismo \u00e9 tempor\u00e1ria e condicional, enquanto a incompatibilidade entre vida e morte \u00e9 incondicional e eterna.<a href=\"#_ftn75\"><sup>[75]<\/sup><\/a> Mas ele luta, de certa forma, com seu pr\u00f3ximo exemplo, o do proletariado e da burguesia. Sob as condi\u00e7\u00f5es do capitalismo, as duas classes dependem uma da outra. No entanto, uma vez excedidos os limites do capitalismo, surgem brechas ou rupturas, que podem levar \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o. Nesse ponto, as senten\u00e7as de Mao traem uma tens\u00e3o, pela qual os termos come\u00e7am a migrar. Dado que a depend\u00eancia das duas classes, uma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 outra, depende das condi\u00e7\u00f5es do capitalismo, seria de se esperar que essa situa\u00e7\u00e3o seja contingente e relativa, com foco na identidade e coexist\u00eancia. Por\u00e9m n\u00e3o, pois a \u201cluta de ambos os lados \u00e9 cont\u00ednua\u201d, no que se \u201cestabelece o terreno para uma mudan\u00e7a repentina\u201d. Agora encaramos um problema, pois foi a luta eterna e incessante que caracterizou o estado absoluto (e n\u00e3o relativo) da contradi\u00e7\u00e3o em seu exemplo da vida e da morte. No caso da luta de classes, o absoluto \u00e9 um pouco diferente: \u201cSob determinadas condi\u00e7\u00f5es, as duas classes tamb\u00e9m mudam de uma para a outra, de modo que os exploradores mudam para os explorados e os explorados mudam para os exploradores, e a sociedade capitalista \u00e9 transformada numa sociedade socialista\u201d. Mas que tipo de mudan\u00e7a \u00e9 esta? Seria eterna e incessante? Se assim for, ent\u00e3o Mao enfrenta a conclus\u00e3o de que uma revolu\u00e7\u00e3o socialista poderia ser desfeita em um processo constante de transforma\u00e7\u00e3o de opostos, inclusive de que a luta entre a burguesia e o proletariado continuaria sob o socialismo. Mas ele n\u00e3o usa a terminologia de \u201cconstante\u201d, \u201cincessante\u201d e \u201ceterno\u201d quando discute a revolu\u00e7\u00e3o socialista. Em vez disso, ele fala do que \u00e9 &#8220;incondicional, absoluto e inevit\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Eu proponho que essas tens\u00f5es lingu\u00edsticas traem uma luta pelo entendimento de &#8220;absoluto [<em>juedui<\/em>]&#8221;. No momento da revis\u00e3o para publica\u00e7\u00e3o, ele acabou esclarecendo o significado, retirando os exemplos de vida e morte e luta de classes. Em seu lugar, ele oferece uma defini\u00e7\u00e3o sucinta de &#8220;relativo [<em>xiangdui<\/em>]&#8221; e &#8220;absoluto [<em>juedui<\/em>]&#8221;, conectando-os a uma s\u00e9rie de termos adicionais, agora entendidos como tipos de movimento. Assim, o que \u00e9 relativo est\u00e1 em repouso (<em>jingzhi<\/em>), enquanto o absoluto \u00e9 sinalizado por mudan\u00e7as consp\u00edcuas, not\u00e1veis \u200b\u200bou significantes (<em>xianzhu<\/em>). Al\u00e9m disso, o descanso relativo envolve mudan\u00e7a quantitativa (<em>shuliang<\/em>), enquanto o absoluto diz respeito \u00e0 mudan\u00e7a qualitativa (<em>xingzhi<\/em>). Finalmente, a mudan\u00e7a quantitativa do descanso relativo envolve unidade ou integra\u00e7\u00e3o (<em>tongyi<\/em>), enquanto a mudan\u00e7a vis\u00edvel e qualitativa implica a divis\u00e3o (<em>fenjie<\/em>) ou a destrui\u00e7\u00e3o (<em>pohuai<\/em>) da unidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Vale a pena notar v\u00e1rios pontos nesses movimentos. Primeiro, a perspectiva metaf\u00edsica agora foi retomada no argumento, em termos de mudan\u00e7as quantitativas e incrementais. Mas os metaf\u00edsicos (ou os mencheviques de Lenin e os bolcheviques rebeldes) est\u00e3o agora envolvidos na dial\u00e9tica da revolu\u00e7\u00e3o, pois sua abordagem \u00e9 caracter\u00edstica do <em>status quo<\/em>, que est\u00e1 em relativo repouso. Isso leva ao segundo ponto, que diz respeito \u00e0s conex\u00f5es dial\u00e9ticas entre os dois tipos de movimento. Ao fazer isso, Mao oferece sua pr\u00f3pria abordagem ao argumento marxista padr\u00e3o (e at\u00e9 hegeliano) sobre as rela\u00e7\u00f5es dial\u00e9ticas entre quantidade e qualidade: \u201cQuando a coisa est\u00e1 no segundo estado de movimento, a mudan\u00e7a quantitativa do primeiro estado j\u00e1 alcan\u00e7ou um ponto culminante [<em>zuigaodian<\/em>] e d\u00e1 origem \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o da coisa como entidade e, a partir da\u00ed, ocorre uma mudan\u00e7a qualitativa, da\u00ed o aparecimento de uma mudan\u00e7a consp\u00edcua\u201d.<a href=\"#_ftn76\"><sup>[76]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Terceiro, o que ele quer dizer agora por mudan\u00e7a absoluta? At\u00e9 ent\u00e3o, n\u00f3s vimos que \u00e9 consp\u00edcua e quantitativa, mas tamb\u00e9m destr\u00f3i a unidade. Que unidade? A unidade da situa\u00e7\u00e3o corrente, as coordenadas dadas de um estado de coisas, precisamente aquelas que propiciam as condi\u00e7\u00f5es \u2013 em repouso \u2013 para mudan\u00e7as relativas e quantitativas. Em outras palavras, a mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria \u00e9 final e completa.<a href=\"#_ftn77\"><sup>[77]<\/sup><\/a> Como escreve Mao: \u201cAs coisas est\u00e3o constantemente transformando a si mesmas, do primeiro para o segundo estado de movimento; a luta dos opostos continua nos dois estados, mas a contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 resolvida atrav\u00e9s do segundo estado\u201d.<a href=\"#_ftn78\"><sup>[78]<\/sup><\/a> Ap\u00f3s uma revolu\u00e7\u00e3o socialista, n\u00e3o h\u00e1 retorno, pois as condi\u00e7\u00f5es anteriores de unidade e repouso foram permanentemente rompidas. De fato, as contradi\u00e7\u00f5es em tal situa\u00e7\u00e3o foram realmente \u201cresolvidas\u201d ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o. A &#8220;resolu\u00e7\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o [<em>maodun de jiejue<\/em>]&#8221; significa resolver, descartar e terminar. Isso n\u00e3o \u00e9 dizer que contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam encontradas no socialismo; de fato, deve-se esperar que sim, at\u00e9 mesmo que estejam exacerbadas. Mas ser\u00e3o contradi\u00e7\u00f5es novas e, at\u00e9 agora, n\u00e3o experimentadas, como descobriram Mao e os outros comunistas.<a href=\"#_ftn79\"><sup>[79]<\/sup><\/a> Mas isso n\u00e3o implica uma transforma\u00e7\u00e3o no termo oposto de uma contradi\u00e7\u00e3o anterior, pois as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a unidade dessa contradi\u00e7\u00e3o desapareceram. Agora, o significado de &#8220;absoluto&#8221; deve estar claro, pois indica o que \u00e9 incondicional, final e completo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Eu argumentei que Mao se concentrou nos <em>Cadernos Filos\u00f3ficos<\/em> de Lenin devido \u00e0 epistemologia revolucion\u00e1ria encontrada neles. A redescoberta de Hegel, por Lenin, envolveu o papel crucial da abstra\u00e7\u00e3o como o caminho para uma concretude mais profunda e o papel da interven\u00e7\u00e3o subjetiva para mudar um mundo no qual o sujeito est\u00e1 inescap\u00e1vel e criativamente engajado. Mao adotou esse <em>insight<\/em>, mas o desenvolveu muito al\u00e9m. Primeiramente envolveu sua releitura da distin\u00e7\u00e3o entre metaf\u00edsica e dial\u00e9tica materialista, que n\u00e3o apenas lhe forneceu a estrutura filos\u00f3fica marxista para a significa\u00e7\u00e3o do Marxismo, mas tamb\u00e9m indicou como tornam-se dogm\u00e1ticos aqueles que n\u00e3o conseguem ver o papel da interven\u00e7\u00e3o criativa em determinadas condi\u00e7\u00f5es. Em segundo, foi ainda mais substancial, precisamente atrav\u00e9s de uma exegese de Lenin, sobre a identidade relativa das contradi\u00e7\u00f5es e da luta absoluta. A identidade relativa torna-se uma mudan\u00e7a quantitativa focada na unidade, enquanto a mudan\u00e7a absoluta se torna consp\u00edcua, qualitativa, perturbadora e final. Crucialmente, atrav\u00e9s de suas inter-rela\u00e7\u00f5es dial\u00e9ticas, a mudan\u00e7a absoluta muda de eterna para final e completa. O significado imediato para Mao foi a capacidade de entender as voltas e reviravoltas perp\u00e9tuas do caminho revolucion\u00e1rio at\u00e9 1937, como as muitas an\u00e1lises hist\u00f3ricas espec\u00edficas em \u201cSobre a Contradi\u00e7\u00e3o\u201d tornam-se muito claras. Em particular, havia uma necessidade premente de entender a nova frente unida com o Guomindang contra os japoneses &#8211; n\u00e3o muito ap\u00f3s os dois terem sido os inimigos mais amargos.<a href=\"#_ftn80\"><sup>[80]<\/sup><\/a> Em uma vis\u00e3o mais longa, os <em>insights<\/em> desenvolvidos em Yan&#8217;an se tornariam a estrutura dos movimentos h\u00e1beis \u2013 militares e pol\u00edticos \u2013 que abriram o caminho para 1949, contra os &#8216;dogm\u00e1ticos&#8217;, cuja vis\u00e3o era menor. Quando 1949 se aproximou, e a vit\u00f3ria sobre o Guomindang tornou-se certeza, Mao recusou firmemente sugest\u00f5es de Stalin para negociar um acordo com seus oponentes. Essa mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria seria de fato irrevers\u00edvel. Al\u00e9m disso, ao contr\u00e1rio de Lenin, Mao viveu para liderar os esfor\u00e7os em construir o socialismo ap\u00f3s 1949, mas tamb\u00e9m continuou estudando filosofia de tempos em tempos e implantando as ideias que havia desenvolvido em Yan&#8217;an. Isso se aplicava tanto \u00e0s rela\u00e7\u00f5es internacionais, seja com os Estados Unidos ou com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, quanto aos assuntos internos. Pode ser que uma solu\u00e7\u00e3o absoluta para uma contradi\u00e7\u00e3o fosse poss\u00edvel atrav\u00e9s de um momento revolucion\u00e1rio, mas isso n\u00e3o significava que as contradi\u00e7\u00f5es desaparecessem sob o socialismo no poder. Um lote novo e inesperado surgiria, alguns antag\u00f4nicos e outros n\u00e3o \u2013 o que j\u00e1 \u00e9 prenunciado no final de &#8216;Sobre a Contradi\u00e7\u00e3o&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOTAS:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Lenin 1902, p. 369.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Mao 1937a, p. 336, ver tamb\u00e9m Mao 1937b, p. 304, 1937c, pp. 610, 650.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Os pensamento iniciais para esse artigo surgiram durante um semin\u00e1rio na Renmin University of China, em 2017, onde l\u00edamos muito cuidadosamente \u201cDa Contradi\u00e7\u00e3o\u201d, tanto em tradu\u00e7\u00e3o ao chin\u00eas quanto ingl\u00eas. Eu estou em d\u00edvida com os estudantes que me ensinaram muito sobre o papel crucial desse ensaio e sua aproxima\u00e7\u00e3o com a China hoje, assim como em suas pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Lenin 1914-1916a, p. 180.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Essa sess\u00e3o sobre Lenin \u00e9 relativamente breve, j\u00e1 que umarisa meu argumento de <em>Lenin,Religi\u00e3o e Teologia<\/em> (Boer 2013, pp. 104-27).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Lenin 1914c, p. 18, 1914d, p. 34, 1915b.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Lenin 1914b, p. 20, 1914d, p. 31, ver tamb\u00e9m Lenin 1914a, 1915a.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Lenin 1894, pp. 163-74, 183, 379-94, 1905a, 1910, pp. 348-49.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Bloch 1951, p. 382.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Escrevo &#8216;redescoberta&#8217; deliberadamente, pois alguns sugeriram erroneamente que essa foi a primeira vez que Lenin compreendeu a dial\u00e9tica de Hegel &#8211; e, portanto, de Marx &#8211; (Liebman 1973, pp. 442-48, L\u00f6wy 1973, Anderson 1995, 2007, Molyneux 2003, pp. 72-73, Kouvelakis 2007). Um estudo cuidadoso de todos os compromissos de Lenin com Hegel revela uma tens\u00e3o constante (se n\u00e3o dial\u00e9tica) entre uma abordagem da ruptura e uma mecanicista da dial\u00e9tica, que ele herdou de Marx e Engels (Boer 2015). N\u00e3o enfatizo aqui a abordagem mecanicista ou &#8220;vulgar&#8221; de Lenin, como \u00e9 encontrado em <em>Materialismo e Emp\u00edrico-Criticismo<\/em> (1908).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Como ele tendia a argumentar n\u00e3o poucos anos depois em <em>Materialismo e Empiro-Criticismo<\/em> e a qual \u00e9 a assun\u00e7\u00e3o padr\u00e3o da ci\u00eancia moderna<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> Lenin 1914-1916a, p. 231.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> Lenin 1914-1916a, p. 171. Esse \u00e9 o texto que Mao citaria posteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> Le-se no todo do texto: \u201cA forma\u00e7\u00e3o de no\u00e7\u00f5es e opera\u00e7\u00f5es (abstratas) com elas <em>j\u00e1<\/em> inclui a id\u00e9ia, convic\u00e7\u00e3o, <em>consci\u00eancia <\/em>do car\u00e1ter de governado-por-lei do mundo&#8230; Consequentemente, Hegel \u00e9 muito mais profundo do que Kant e outros, ao tra\u00e7ar a reflex\u00e3o do movimento do mundo objetivo no movimento das no\u00e7\u00f5es. Assim como a forma simples do valor, o ato individual de troca de uma mercadoria por outra j\u00e1 inclui, de forma subdesenvolvida, todas as principais contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo \u2013 tamb\u00e9m, a generaliza\u00e7\u00e3o mais simples, a primeira e a mais simples forma\u00e7\u00e3o de no\u00e7\u00f5es (julgamentos, silogismos, etc.) j\u00e1 denotam a cogni\u00e7\u00e3o cada vez mais profunda do homem da conex\u00e3o <em>objetiva<\/em> do mundo. Aqui \u00e9 onde se deve procurar o verdadeiro sentido, significado e papel da <em>L\u00f3gica <\/em>de Hegel.\u201d (Lenin 1914-1916a, pp. 178-79).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> Lenin 1914-1916a, p. 211.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> Lenin 1914-1916a, pp. 212-13. Como Kouvelakis coloca (2007, p. 183), a genu\u00edna \u201crevers\u00e3o materialista\u201d de Hegel reside \u201cno entendimento da atividade subjetiva exibida na \u201cl\u00f3gica da no\u00e7\u00e3o\u201d como a \u201creflex\u00e3o\u201d, idealista e, portanto, invertida, da pr\u00e1tica revolucion\u00e1ria, que transforma a realidade revelando nela o resultado da interven\u00e7\u00e3o do sujeito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> Lenin 1914-1916a, pp. 217-18.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> Lenin 1919, pp. 307-11, 1920, p. 90. Como ele famosamente exclamou em resposta a Hegel, \u2018Salta! Quebras em gradualidade. Saltos! Saltos\u201d (Lenin 1914-1916a, p. 123), ou em \u201cSobre a Quest\u00e3o da Dial\u00e9tica\u201d&#8217;, salte para a \u201cquebra da continuidade\u201d, para a \u201ctransforma\u00e7\u00e3o no oposto\u201d, para a destrui\u00e7\u00e3o dos velhos e a emerg\u00eancia do novo\u201d (Lenin 1914-1916b, p. 358).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a> Liebman 1973, pp. 445-46.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> Lenin 1905b, p. 48, 1906, p. 264, 1918, pp. 152-57. Alguns desses textos v\u00eam do per\u00edodo ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 1905, quando Lenin havia se engajado anteriormente com a forma da ruptura da dial\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> Lenin 1917a, 1917b. Foi necess\u00e1rio um esfor\u00e7o consider\u00e1vel da parte de Lenin para persuadir os bolcheviques a essa nova abordagem, embora ele tamb\u00e9m tivesse de fundamentar a quest\u00e3o de transferir o poder para os soviets (Anweiler 1974, pp. 185-89, Cliff 2004, pp. 122- 40, 361-64).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> Cliff 2004, p. 93, Harding 2009, pp. 144-49.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a> Harding 2009, p. 73. Ou nos termos de \u017di\u017eek, \u201cessa mesma interven\u00e7\u00e3o &#8220;prematura&#8221; mudaria radicalmente a rela\u00e7\u00e3o &#8220;objetiva&#8221; das for\u00e7as em si, dentro das quais a situa\u00e7\u00e3o inicial parecia &#8220;prematura.&#8221;\u201d (2001, p. 114).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a> Lenin 1923,<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> Mao 1937a, p. 342.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> O que se segue arranja o contexto imediato. Para um maior contexto da hist\u00f3ria da China, ver a pesquisa de Lyu 1971, pp. 72-75.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> Knight 2005, pp. 197-214.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> Pode-se encontrar uma c\u00f3pia do poema aqui: http:\/\/afe.easia.columbia.edu\/special\/china_1900_mao_ march.htm.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a> Knight 1990a, pp. 7-8. Para a profunda influ\u00eancia um pouco mais tardia (1940 e 1950) do <em>Short Course<\/em>, expressando a quintess\u00eancia do marxismo-leninismo atrav\u00e9s de Stalin, veja o intrigante estudo de Hua-yu Li 2010. Os esfor\u00e7os sensacionalistas para demonizar Mao pela conex\u00e3o com Stalin ocasionalmente aparecem (Lee 2002, Pantsov e Levine 2013).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> Os trabalhos dispon\u00edveis na tradu\u00e7\u00e3o inclu\u00edram &#8211; para listar alguns &#8211; A Pobreza da Filosofia de Marx e o primeiro volume do Capital, a Dial\u00e9tica da Natureza de Engels, Anti-D\u00fchring e Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Cl\u00e1ssica Alem\u00e3, o Materialismo de Lenin e o Emp\u00edrico-Cr\u00edtico e Filos\u00f3fico Cadernos e as quest\u00f5es concernentes ao leninismo de Stalin. Para uma lista abrangente das obras filos\u00f3ficas &#8211; especialmente marxistas &#8211; dispon\u00edveis na China na d\u00e9cada de 1930 e os textos que Mao havia lido, ver Li Ji 1987 e Knight 1990b, pp. 150-52; ver tamb\u00e9m Tian 2005, pp. 144-45. Veja tamb\u00e9m o estudo perspicaz de Li Yongtai 1985.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> Para um estudo mais aprofundado do background sovi\u00e9tico aos estudos e desenvolvimentos do pensamento de Mao, consulte Knight 2005. N\u00e3o \u00e9 minha tarefa aqui examinar os detalhes da extensa leitura realizada por Mao e outros (Gong, Pang e Shi 2014, Wang 1998), ou mesmo a natureza de suas anota\u00e7\u00f5es e compromissos (Tian 2014). Em todo o estudo, os principais textos traduzidos foram <em>Materialismo Dial\u00e9tico<\/em> de Aizenberg, Tymianskii e Shirikov (1931, 1937, 1932); <em>Materialismo dial\u00e9tico e hist\u00f3rico<\/em> de Mark Mitin 1931a, 1936a; a longa entrada na Grande Enciclop\u00e9dia Sovi\u00e9tica de Mitin, chamada &#8216;Materialismo Dial\u00e9tico&#8217; (1931b), que foi traduzida como um livro distinto, \u2018<em>Outline of New Philosophy<\/em>\u2019, de Ai Siqi e Zheng Yili, 1936b. Tr\u00eas obras de fil\u00f3sofos chineses tamb\u00e9m foram cruciais, Li Da, 1980-1981 e Ai Siqi 1936a, 1936b. Em particular, o massivo \u2018<em>Elements of Sociology<\/em>\u2019 de Li Da (Shehuixue dagang), publicado pela primeira vez em 1935 e reeditado v\u00e1rias vezes depois, foi o &#8220;texto mais importante sobre filosofia marxista escrito por um chin\u00eas na d\u00e9cada de 1930&#8221; (Knight 2005, p. 130). .<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref32\"><sup>[32]<\/sup><\/a> A an\u00e1lise mais s\u00f3bria continua sendo a de Shi Zhongquan, 1987, que identifica as id\u00e9ias principais que Mao extraiu das obras sovi\u00e9ticas, suas transforma\u00e7\u00f5es \u00e0 luz da situa\u00e7\u00e3o chinesa, e as novas id\u00e9ias desenvolvidas. Estou interessado nos novos desenvolvimentos: a rela\u00e7\u00e3o de generalidade (<em>gongxing<\/em>) e individualidade (<em>gexing<\/em>); o argumento de que a rela\u00e7\u00e3o entre absoluto e relativo \u00e9 central para a quest\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o nas coisas; dois significados importantes do conceito de identidade (<em>tongyixing<\/em>); a diferen\u00e7a entre identidade concreta e imagin\u00e1ria; e a rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre identidade relativa condicional e luta absoluta incondicional. Mais tarde, concentro-me no item final desta lista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref33\"><sup>[33]<\/sup><\/a> Na pesquisa de fundo deste artigo, fiquei impressionado com a relativa escassez de trabalhos recentes n\u00e3o chineses que levam Mao a s\u00e9rio como pensador. Para uma pesquisa \u00fatil do trabalho n\u00e3o chin\u00eas um pouco mais completo, mas ainda bastante inadequado, feito at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 80, veja Knight 1986. De fato, o trabalho de Knight permanece muito superior a qualquer outro estudo realizado, como deve ficar claro nas minhas refer\u00eancias: (Knight 1983, 1990a, 1990b, 2005). O estudo de Holubnychy (1964) tamb\u00e9m \u00e9 perspicaz, apesar de uma leitura unilateral de Lenin. Uma s\u00e9rie de obras s\u00e3o menos que \u00fateis: Glaberman 1968, Gray 1973, pp. 32-69, Wakeman 1973, Meissner 1990, \u017di\u017eek 2007.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref34\"><sup>[34]<\/sup><\/a> Tian 2005, p. 145.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref35\"><sup>[35]<\/sup><\/a> Mao parece ter sentido que \u201cSobre a Contradi\u00e7\u00e3o\u201d era de maior import\u00e2ncia. Por tanto tempo ele se demorou nas revis\u00f5es no in\u00edcio dos anos 1050, que tiveram que ser mantidas no segundo volume (na primeira edi\u00e7\u00e3o) das Obras Selecionadas. Em contraste com outras revis\u00f5es, onde refer\u00eancias hist\u00f3ricas desatualizadas ocasionais foram omitidas e novos problemas de p\u00f3s-liberta\u00e7\u00e3o foram inclu\u00eddos, &#8216;On Contradiction&#8217; passou por uma revis\u00e3o mais fundamental. Para a complexa hist\u00f3ria da publica\u00e7\u00e3o das palestras, veja Knight, 1990a, p. 6, que fornece a primeira tradu\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref36\"><sup>[36]<\/sup><\/a> Especificamente, o \u201cConspecto sobre a <em>Ci\u00eancia da L\u00f3gica <\/em>de Hegel\u201d e \u201cSobre a Quest\u00e3o da Dial\u00e9tica\u201d (Lenin 1914-1916a, 1914-1916b). &#8220;Na pr\u00e1tica&#8221; cont\u00e9m tr\u00eas cita\u00e7\u00f5es do &#8220;Conspectus&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref37\"><sup>[37]<\/sup><\/a> Deixo deliberadamente de lado as se\u00e7\u00f5es muito comentadas dedicadas diretamente \u00e0 &#8216;an\u00e1lise da contradi\u00e7\u00e3o&#8217;, com a intera\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica de universal e particular, principal e n\u00e3o-principal (das contradi\u00e7\u00f5es e seus aspectos), antagonismo e n\u00e3o-antagonismo. Dada a \u00eanfase na constante mudan\u00e7a da situa\u00e7\u00e3o que requer novas an\u00e1lises e recalibra\u00e7\u00e3o, essa abordagem \u00e9 amplamente reconhecida e praticada na China hoje, desde a pol\u00edtica e o planejamento econ\u00f4mico at\u00e9 as experi\u00eancias da vida cotidiana. Como lidei com esse material em outro lugar (Boer In press), enfatizo outros elementos comparativamente negligenciados em meu argumento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref38\"><sup>[38]<\/sup><\/a> Mao 1937c, pp. 603-10, 1937b, pp. 297-304, Gray &amp; Cavendish 1968, p. 48, Bulkeley 1977, Womack 1982, pp. 32, 77, 1986, p. 35.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref39\"><sup>[39]<\/sup><\/a> Mao 1937c, p. 629, 1937a, p. 317. Observe tamb\u00e9m: impress\u00f5es e conceitos s\u00e3o \u201creflexos de coisas objetivas, uma imagem fotogr\u00e1fica e uma c\u00f3pia de amostra delas\u201d (Mao 1937c, p. 596).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref40\"><sup>[40]<\/sup><\/a> Mao 1937c, p. 603, 1937b, p. 297<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref41\"><sup>[41]<\/sup><\/a> Como deveria estar claro, minha preocupa\u00e7\u00e3o principal n\u00e3o \u00e9 o \u201cSobre a Pr\u00e1tica\u201d, apesar de ser relevante aqui.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref42\"><sup>[42]<\/sup><\/a> Lenin 1914-1916a, p. 171, Mao 1937c, p. 605, 1937b, p. 299.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref43\"><sup>[43]<\/sup><\/a> De fato, no in\u00edcio das palestras, Mao cita Lenin duas vezes da mesma fonte, redefinindo de maneira semelhante a terminologia da &#8216;reflex\u00e3o&#8217;: \u201cO reflexo da natureza no pensamento do homem deve ser entendido n\u00e3o &#8220;sem vida&#8221;, &#8220;abstratamente&#8221;, sem movimento; n\u00e3o sem contradi\u00e7\u00f5es; mas no processo eterno do movimento, no surgimento das contradi\u00e7\u00f5es e sua solu\u00e7\u00f5es\u201d&#8217;; \u201cConhecimento \u00e9 a reflex\u00e3o da natureza. Mas isso n\u00e3o \u00e9 uma reflex\u00e3o simples, nem imediata, nem completa, mas o processo de uma s\u00e9rie de abstra\u00e7\u00f5es, a forma\u00e7\u00e3o de conceitos, leis etc. \u201d(Lenin 1914-1916a, p. 195, p. 182, Mao 1937c, pp. 597, 598). Observe tamb\u00e9m o coment\u00e1rio de margem ao trabalho (traduzido) de Aizenberg, Tymianskii e Shirikov: \u201cReflex\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tirar fotos passivamente, mas um processo ativo. Na produ\u00e7\u00e3o, tal qual na luta de classes, o conhecimento \u00e9 um elemento ativo, desempenhando um papel na transforma\u00e7\u00e3o do mundo\u201d (Tian 2005, p. 154).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref44\"><sup>[44]<\/sup><\/a> Mao 1937c, p. 610, 1937b, p. 304. De fato, Mao se esfor\u00e7a para indicar que nem a abordagem racionalista nem a empirista est\u00e3o corretas, mas sim uma abordagem dial\u00e9tica &#8211; um ponto que Knight curiosamente sente falta de sua sugest\u00e3o de que Mao evidencia uma tens\u00e3o n\u00e3o resolvida entre essas duas abordagens (Knight 1990a, 24-30).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref45\"><sup>[45]<\/sup><\/a> Todas essas tr\u00eas refer\u00eancias s\u00e3o encontradas na vers\u00e3o revisada mais tarde (Mao 1937a, pp. 315, 319, 323), mas apenas a \u00faltima no texto original (Mao 1937c, p. 635).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref46\"><sup>[46]<\/sup><\/a> Knight 2005, pp. 180-81. Como aponta Knight, as qualifica\u00e7\u00f5es negam a afirma\u00e7\u00e3o ocasional de que Mao era um &#8220;voluntarista&#8221; (Wakeman 1973, p. 163, Schram 1989, p. 67).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref47\"><sup>[47]<\/sup><\/a> Mao 1937c, pp. 649-50, 1937a, pp. 335-36). Stalin faz, em suma, o mesmo ponto (1938, pp. 116-17). O tratamento cuidadoso de Knight\u2019 desse t\u00f3pico \u00e9, de longe, o melhor (2005, pp. 174-83).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref48\"><sup>[48]<\/sup><\/a> Engels 1886, Plekhanov 1907, Lenin 1908.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref49\"><sup>[49]<\/sup><\/a> Mao 1937c, pp. 573-79.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref50\"><sup>[50]<\/sup><\/a> Engels 1877-78, pp. 21-25.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref51\"><sup>[51]<\/sup><\/a> Embora a terminologia da \u201cmetaf\u00edsica\u201d apare\u00e7a na <em>Sagrada Fam\u00edlia<\/em> (Marx e Engels 1845), como uma maneira de descrever a \u201cdial\u00e9tica especulativa\u201d dos jovens hegelianos, seu uso pressup\u00f5e um sentido filos\u00f3fico tradicional, intimamente ligado \u00e0 teologia. Engels tamb\u00e9m menciona brevemente a distin\u00e7\u00e3o em seu estudo de Feuerbach, mas ela desempenha um papel menor (1886, pp. 370, 384-86).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref52\"><sup>[52]<\/sup><\/a> Engels, por sua vez, derivou essa abordagem da metaf\u00edsica de Hegel (a quem Engels menciona com frequ\u00eancia) e seu esfor\u00e7o para redefinir o termo como uma abordagem caracterizada por um ou outro (Houlgate 1986, pp. 100-1).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref53\"><sup>[53]<\/sup><\/a> Engels 1877-78, p. 23.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref54\"><sup>[54]<\/sup><\/a> Engels 1877-78, pp. 53, 111-13, 131-32, 134, 1873-82, pp. 313, 321-27, 340-42, 354, 365, 434, 449-50, 485- 86, 491-98, 501, 513, 532-33, 543-45, 551, 557, 593, 633-34.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref55\"><sup>[55]<\/sup><\/a> Engels 1873-82, p. 356.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref56\"><sup>[56]<\/sup><\/a> Plekhanov 1895, pp. 539-43.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref57\"><sup>[57]<\/sup><\/a> Stalin 1938, pp. 106-9. Stalin cita explicitamente a <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em> e o <em>Anti-D\u00fcring<\/em>, especialmente onde Engels desenvolve \u00e0 partir de Hegel (Engels 1873-82, pp. 327, 358-59, 1877-78, pp. 23-24).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref58\"><sup>[58]<\/sup><\/a> Significativamente, Stalin adiciona um quarto elemento: a import\u00e2ncia da contradi\u00e7\u00e3o interna inerente \u00e0 todas as coisas. Essa caracter\u00edstica \u00e9 desenvolvida n\u00e3o de Engels, mas do argumento nos <em>Cadernos Filos\u00f3ficos <\/em>&nbsp;de Lenin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref59\"><sup>[59]<\/sup><\/a> Para uma an\u00e1lise cuidadosa sobre como essa ortodoxia veio a ser, precisamente pelo debate e exerc\u00edcio do poder pol\u00edtico na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, ver Knight 2055, pp.25-28.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref60\"><sup>[60]<\/sup><\/a> Mao 1937a, p. 312, Lenin 1914-1916b, p. 358.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref61\"><sup>[61]<\/sup><\/a> Mao 1937a, p. 312.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref62\"><sup>[62]<\/sup><\/a> Nesse ponto, Mao est\u00e1 exegetando os sucintos dois par\u00e1grafos de Lenin sobre for\u00e7a motriz e auto-movimento (Lenin 1914-1916b, p. 358). Embora as duas cita\u00e7\u00f5es espec\u00edficas n\u00e3o apare\u00e7am nas palestras originais, \u00e9 claro que Mao estava trabalhando com o mesmo texto; portanto, a adi\u00e7\u00e3o posterior das cita\u00e7\u00f5es apenas torna essa realidade expl\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref63\"><sup>[63]<\/sup><\/a> Mao 1937a, p. 314.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref64\"><sup>[64]<\/sup><\/a> Mao 1938, p. 539. As avalia\u00e7\u00f5es mais s\u00f3brias da &#8220;sinifica\u00e7\u00e3o&#8221; ou &#8220;transforma\u00e7\u00e3o chinesa&#8221; do marxismo continuam sendo as de Knight 1983, 1990b, 2005, pp. 165-69, 205-9. Veja tamb\u00e9m os tratamentos \u00fateis em Zhang 2016. Por outro lado, a abordagem de Schram, 1989, pp. 69-84, minimiza o marxismo e transforma Mao em qualquer pensador pol\u00edtico chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref65\"><sup>[65]<\/sup><\/a> Lenin 1914-1916b, p. 358.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref66\"><sup>[66]<\/sup><\/a> Para um esbo\u00e7o \u00fatil da posi\u00e7\u00e3o de Deborin, em oposi\u00e7\u00e3o aos &#8216;mecanicistas&#8217;, ver Weston 2008, pp. 435-36.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref67\"><sup>[67]<\/sup><\/a> Mao 1937c, p. 630, 1937a, p. 318.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref68\"><sup>[68]<\/sup><\/a> Mao 1937a, p. 311<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref69\"><sup>[69]<\/sup><\/a> O <em>bagu<\/em> era o ensaio \u201cde oito pernas\u201d, t\u00edpico dos antigos exames de servi\u00e7o civil (ou fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica). Tornou-se a frase proverbial para a escrita estereotipada e r\u00edgida, dizendo pouco. Em outros lugares, Mao investe contra tais escritos e pensamentos como caracter\u00edsticas do dogmatismo: Mao 1942a, 1942b, 1942c, 1942d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref70\"><sup>[70]<\/sup><\/a> Mao 1937a, pp. 321, 323, 322. Observe tamb\u00e9m: \u201cS\u00e3o apenas as classes dominantes reacion\u00e1rias do passado e do presente e os metaf\u00edsicos em seu servi\u00e7o que consideram os opostos n\u00e3o como vivos, condicionais, m\u00f3veis e se transformando uns nos outros, mas como mortos e r\u00edgidos, e eles propagam essa fal\u00e1cia em todos os lugares para iludir as massas do povo, procurando assim perpetuar seu governo. A tarefa dos comunistas \u00e9 expor as fal\u00e1cias dos reacion\u00e1rios e metaf\u00edsicos, propagar a dial\u00e9tica inerente \u00e0s coisas e, assim, acelerar a transforma\u00e7\u00e3o das coisas e alcan\u00e7ar o objetivo da revolu\u00e7\u00e3o\u201d (Mao 1937a, p. 340).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref71\"><sup>[71]<\/sup><\/a> No texto de Lenin se l\u00ea: \u201c<em>Dial\u00e9tica<\/em> \u00e9 o ensino que mostra como os <em>Opostos<\/em> podem ser e como ocorrem de ser (como se tornam) <em>id\u00eanticos<\/em> \u2013 sob que condi\u00e7\u00f5es eles s\u00e3o id\u00eanticos, se transformando um no outro, \u2013 por que a mente humana deveria compreender esses opostos n\u00e3o como mortos, r\u00edgidos, mas como vivos, condicionais, m\u00f3veis, transformando-se um no outro\u201d (Lenin 1914-1916a, p. 109, Mao 1937c, p. 651, 1937a, p. 337). Uma diferen\u00e7a entre as palestras e o texto final \u00e9 a mudan\u00e7a entre <em>yuanjia<\/em> (inimigo, antagonista, advers\u00e1rio) e <em>maodun <\/em>(contradi\u00e7\u00e3o). H\u00e1 uma maior preponder\u00e2ncia do primeiro termo nas palestras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup><a href=\"#_ftnref72\">[72]<\/a><\/sup> O conjunto de oposi\u00e7\u00f5es mencionadas nas leituras originais possuem uma certa especificidade, pois elas referem-se a necessidade de perceber uma atrav\u00e9s da outra. Incluem: a dimens\u00e3o nacional e internacional do movimento comunista; liberdade e a n\u00e3o-liberdade; centralismo democr\u00e1tico; recuo e avan\u00e7o; defesa e ataque; ordens e liberdade de a\u00e7\u00e3o; interesse individual e decis\u00e3o conjunta, etc. Dada a diferente natureza dessas contradi\u00e7\u00f5es, Mao decidiu deixar essa sess\u00e3o fora da vers\u00e3o final<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref73\"><sup>[73]<\/sup><\/a> Assim, pedra e galinha ou mesmo a revolu\u00e7\u00e3o burguesa francesa e o fracasso de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista (Paris Commune) indicam a aus\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias: Mao 1937c, p. 658, 1937a, p. 341.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref74\"><sup>[74]<\/sup><\/a> Lenin 1914-1916b, p. 358. A an\u00e1lise a seguir se concentra nos dois textos de Mao: 1937c, pp. 559-63, 1937a, pp. 342-43.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref75\"><sup>[75]<\/sup><\/a> Mao 1937c, pp. 661-62.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref76\"><sup>[76]<\/sup><\/a> Mao 1937a, p. 342.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><a href=\"#_ftnref77\"><sup>[77]<\/sup><\/a> Como Holubnychy (1964, 34-35) j\u00e1 havia notado em um artigo perspicaz, h\u00e1 algum tempo atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref78\"><sup>[78]<\/sup><\/a> Mao 1937a, p. 342<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref79\"><sup>[79]<\/sup><\/a> Mao 1957a, 1957b.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref80\"><sup>[80]<\/sup><\/a> Liu 1971.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ai Siqi. 1936a. Dazhong zhexue. Shanghai: Dushu chubanshe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ai Siqi. 1936b [1939]. Sixiang fangfalun. 4 ed. 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Beijing Administrative College Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Bulkeley, Rip. 1977. \u2018On \u201cOn Practice\u201d\u2019. Radical Philsophy no. 18:3-9. Cliff, Tony. 2004. All Power to the Soviets: Lenin 1914-1917. Chicago: Haymarket.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Engels, Friedrich. 1873-82 [1987]. Dialectics of Nature. In Marx and Engels Collected Works, Vol. 25, 313-588. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Engels, Friedrich. 1877-78 [1987]. Anti-D\u00fchring: Herr Eugen D\u00fchring&#8217;s Revolution in Science. In Marx and Engels Collected Works, Vol. 25, 3-309. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Engels, Friedrich. 1886 [1990]. \u2018Ludwig Feuerbach and the End of German Classical Philosophy\u2019. In Marx and Engels Collected Works, Vol. 26, 353-98. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Glaberman, Martin. 1968. \u2018Mao as a Dialecticia\u2019. International Philosophical Quarterly no. 8:94- 112.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Gong Yuzhi, Pang Xianzhi, and Shi Zhongquan, eds. 2014 [1986]. Mao Zedong de dushu shenghuo. 2 ed. Beijing: Sanlian shudian.<\/p>\n\n\n\n<p>Gray, Jack. 1973. Mao Tse-tung. Guildford: Lutterworth.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Gray, Jack, and Patrick Cavendish. 1968. Communism in Crisis: Maoism and the Cultural Revolution. New York: Frederick A. Praeger.<\/p>\n\n\n\n<p>Harding, Neil. 2009. Lenin&#8217;s Political Thought. Chicago: Haymarket.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Holubnychy, Vsevolod. 1964. \u2018Mao Tse-tung&#8217;s Materialistic Dialectics\u2019. The China Quarterly no. 19:3-37.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Houlgate, Peter. 1986. Hegel, Nietzsche And The Criticism Of Metaphysics. Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Knight, Nick. 1983. \u2018The Form of Mao Zedong&#8217;s \u201cSinification of Marxism\u201d\u2019. The Australian Journal of Chinese Affairs no. 9:17-33.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Knight, Nick. 1986. \u2018The Marxism of Mao Zedong: Empiricism and Discourse in the Field of Mao Studies\u2019. The Australian Journal of Chinese Affairs no. 16:7-22.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Knight, Nick. 1990a. Mao Zedong on Dialectical Materialism: Writings on Philosophy, 1937. Armonk: M.E. Sharpe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Knight, Nick. 1990b. \u2018Soviet Philosophy and Mao Zedong\u2019s \u201cSinification of Marxism\u201d\u2019. Journal of Contemporary Asia no. 20 (1):89-109.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Knight, Nick. 2005. Marxist Philosophy in China: From Qu Qiubai to Mao Zedonf, 1923-1945. Dordrecht: Springer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Kouvelakis, Stathis. 2007. \u2018Lenin as Reader of Hegel: Hypothesis for a Reading of Lenin&#8217;s Notebooks on Hegel&#8217;s The Science of Logic\u2019. In Lenin Reloaded: Towards a Politics of Truth, edited by Sebastian Budgen, Stathis Kouvelakis and Slavoj \u017di\u017eek, 164-204. Durham: Duke University Press.<\/p>\n\n\n\n<p>Lee, Feigon. 2002. Mao: A Reinterpretation. Chicago: Ivan R. Dee.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1894 [1960]. \u2018What the \u201cFriends of the People\u201d Are and How They Fight the Social-Democrats (A Reply to Articles in Russkoye Bogatstvo Opposing the Marxists)\u2019. In Collected Works, Vol. 1, 129-332. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1902 [1961]. What Is To Be Done? Burning Questions of Our Movement. In Collected Works, Vol. 5, 347-529. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1905a [1964]. \u2018Two Tactics of Social-Democracy in the Democratic Revolution\u2019. In Collected Works, Vol. 9, 15-140. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1905b [1966]. \u2018Party Organisation and Party Literature\u2019. In Collected Works, Vol. 10, 44-9. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1906 [1962]. \u2018The Victory of the Cadets and the Tasks of the Workers&#8217; Party\u2019. In Collected Works, Vol. 10, 199-276. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1908 [1962]. Materialism and Empirio-Criticism: Critical Comments on a Reactionary Philosophy. In Collected Works, Vol. 14, 17-361. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1910 [1963]. \u2018Differences in the European Labour Movement\u2019. In Collected Works, Vol. 16, 347-52. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1914a [1965]. \u2018Dead Chauvinism and Living Socialism: How the International Can Be Restored\u2019. In Collected Works, Vol. 21, 94-101. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1914b [1965]. \u2018The European War and International Socialism\u2019. In Collected Works, Vol. 21, 20-3. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1914c [1965]. \u2018The Tasks of Revolutionary Social-Democracy in the European War\u2019. In Collected Works, Vol. 21, 15-19. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1914d [1965]. \u2018The War and Russian Social-Democracy\u2019. In Collected Works, Vol. 21, 25-34. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p>Lenin, V.I. 1914-1916a [1968]. \u2018Conspectus of Hegel&#8217;s Book The Science of Logic\u2019. In Collected Works, Vol. 38, 85-237. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1914-1916b [1968]. \u2018On the Question of Dialectics\u2019. In Collected Works, Vol. 38, 357- 61. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1915a [1964]. \u2018The Collapse of the Second International\u2019. In Collected Works, Vol. 21, 205-59. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1915b [1964]. \u2018The Conference of the R.S.D.L.P. Groups Abroad\u2019. In Collected Works, Vol. 21, 158-64. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1917a [1964]. \u2018Letters from Afar\u2019. In Collected Works, Vol. 23, 295-342. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1917b [1964]. \u2018The Tasks of the Proletariat in the Present Revolution: The April Theses\u2019. In Collected Works, Vol. 24, 19-26. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1918 [1965]. \u2018Extraordinary Seventh Congress of the R.C.P.(B.), March 6-8, 1918\u2019. In Collected Works, Vol. 27, 85-158. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1919 [1965]. \u2018The Third International and Its Place in History\u2019. In Collected Works, Vol. 29, 305-13. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1920 [1966]. \u2018&#8221;Left-Wing&#8221; Communism \u2013 An Infantile Disorder\u2019. In Collected Works, Vol. 31, 17-118. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Lenin, V.I. 1923 [1966]. \u2018Our Revolution (Apropos of N. Sukhanov&#8217;s Notes)\u2019. In Collected Works, Vol. 33, 476-80. Moscow: Progress Publishers. Li Da. 1980-1981.<\/p>\n\n\n\n<p>Lida wenji. Vol. 2. Beijing: Renmin chubanshe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Li Hua-yu. 2010. \u2018Instilling Stalinism in Chinese Party Members: Absorbing Stalin\u2019s Short Course in the 1950s\u2019. In China Learns from the Soviet Union, 1949\u2013Present, edited by Thomas Bernstein and Hua-yu Li, 107-30. Lanham: Lexington.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Li Ji. 1987. \u2018Mao Zedong you gemingjia zhuanbian wei gemingjia jian zhexuejia de biaozhi\u2019. Mao Zedong zhexue sixiang yanjui dongtai zhe&#8217;xue (4):37-43.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Li Yongtai. 1985. \u2018Mao Zedong tongzhi dui zhexue de xuexi he changdao\u2019. Xinan daxue xueboa (shehui kexue ban) (2):9-16.<\/p>\n\n\n\n<p>Liebman, Marcel. 1973. Leninism Under Lenin. London: Merlin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Liu, Joseph. 1971. \u2018Mao&#8217;s \u201cOn Contradiction\u201d\u2019. Studies in Soviet Thought no. 11 (2):71-89.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">L\u00f6wy, Michael. 1973. Dialectique et r\u00e9volution. Paris: Anthropos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mao Zedong. 1937a [1965]. \u2018On Contradiction\u2019. In Selected Works of Mao Tse-Tung, Vol. 1, 311- 47. Beijing: Foreign Languages Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mao Zedong. 1937b [1965]. \u2018On Practice\u2019. In Selected Works of Mao Tse-Tung, Vol. 1, 295-309. Beijing: Foreign Languages Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mao Zedong. 1937c. \u2018On Dialectical Materialism\u2019. In Mao&#8217;s Road to Power: Revolutionary Writings 1912-1949, Vol. 6, 573-667. Armonk: M. E. Sharpe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mao Zedong. 1938 [2004]. \u2018On the New Stage\u2019. In Mao&#8217;s Road to Power: Revolutionary Writings. 1912-1949, Vol. 6, 458-541, Armonk: M. E. Sharpe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mao Zedong. 1942a [2015]. \u2018Oppose Party Formalism\u2019. In Mao&#8217;s Road to Power: Revolutionary Writings 1912-1949, Vol. 8, 34-47. Armonk: M. E. Sharpe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mao Zedong. 1942b [1965]. \u2018Oppose Stereotyped Party Writing\u2019. In Selected Works of Mao Tse-Tung, Vol. 3, 53-68. Beijing: Foreign Languages Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mao Zedong. 1942c [2015]. \u2018Rectify Our Study Style, Party Style, and Writing Style\u2019. In Mao&#8217;s Road to Power: Revolutionary Writings 1912-1949, Vol. 8, 17-33. Armonk: M. E. Sharpe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mao Zedong. 1942d [1965]. \u2018Rectify the Party&#8217;s Style of Work\u2019. In Selected Works of Mao TseTung, Vol. 3, 35-51. Beijing: Foreign Languages Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mao Zedong. 1957a [1992]. \u2018Conversations with Scientists and Writers on Contradictions Among the People\u2019. In The Writings of Mao Zedong 1949-1976, Vol. 2, edited by John Leung and Michael Kau, 301-8. Armonk: M. E. Sharpe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mao Zedong. 1957b [1992]. \u2018On Correctly Handling Contradictions Among the People\u2019. In The Writings of Mao Zedong 1949-1976, Vol. 2, edited by John Leung and Michael Kau, 308-51. Armonk: M. E. Sharpe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Marx, Karl, and Friedrich Engels. 1845 [1975]. The Holy Family, or Critique of Critical Criticism. In Marx and Engels Collected Works, Vol. 4, 5-211. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Meissner, Werner. 1990. Philosophy and Politics in China: The Debate Over Historical Materialism in the 1930s. Translated by Richard Mann. Stanford: Stanford University Press. Mitin, Mark Borisovich. 1931a. Dialekticheskii i istoricheskii materializm. Moscow: Izdatel&#8217;stvo TsK VKP(B).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mitin, Mark Borisovich. 1931b. \u2018Dialekticheskii materializm\u2019. In Bolshaia sovietskaia entsiklopediia, Vol. 21, edited by Otto Schmidt. Moscow.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mitin, Mark Borisovich. 1936a. Bianzhengweiwulun yu lishiweiwulun. Translated by Siqi Ai and Yili Zheng. n. p.: Shangwu yinshuguan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mitin, Mark Borisovich. 1936b. Xin zhexue dagang. Translated by Siqi Ai and Yili Zheng. n. p.: Dushu Shenghuo chubanshe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Molyneux, John. 2003 [1978]. Marxism and the Party. Chicago: Haymarket.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Pantsov, Alexander, and Steven Levine. 2013. Mao: The Real Story. New York: Simon &amp; Schuster.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Plekhanov, Georgi. 1895 [1974]. \u2018The Development of the Monist View of History\u2019. In Selected Philosophical Works, Vol. 1, 480-697. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Plekhanov, Georgi. 1907 [1976]. Fundamental Problems of Marxism. In Selected Philosophical Works, Vol. 3, 117-83. Moscow: Progress Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Schram, Stuart. 1989. The Thought of Mao Tse-tung. Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Shi Zhongquan. 1987. \u2018Yanjiu Mao Zedong zhexue sixiang de xin wenxian\u2019. Hongqi no. 17:3-9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Stalin, I.V. 1938 [1939]. History of the Communist Party of the Soviet Union (Bolsheviks): Short Course. New York: International Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p>Tian Chenshan. 2005. Chinese Dialectics: From Yijing to Marxism. Lanham: Lexington.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Tian Songnian. 2014 [1986]. \u2018Dui ji ben zhexue shuji de pizhu\u2019. In Mao Zedong de dushu shenghuo, edited by Gong Yuzhi, Pang Xianzhi and Shi Zhongquan, 55-64. Beijing: Sanlian shudian.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Wakeman, Frederic. 1973. History and Will: Philosophical Perspectives of Mao Tse-tung&#8217;s Thought. Berkeley: University of California Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Wang Jionghua. 1998. Mao Zedong dushu shenghuo. Wuhan: Changjiang chubanshe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Weston, Thomas. 2008. \u2018The Concept of Non-Antagonistic Contradiction in Soviet Philosophy\u2019. Science and Society no. 72 (4):427-54.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Womack, Brantly. 1982. The Foundations of Mao Zedong&#8217;s Political Thought. Honolulu: University of Hawaii.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Womack, Brantly. 1986. \u2018Where Mao Went Wrong: Epistemology and Ideology in Mao&#8217;s Leftist Politics\u2019. The Australian Journal of Chinese Affairs no. 16:23-40.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Zhang Guoyong. 2016. \u2018\u201cZhongguohua makesizhuyi\u201d yu \u201cmakesizhuyi zhongguohua\u201d zhi bijiao.&#8221; Tansuo, 3 February, 2016. http:\/\/www.qstheory.cn\/politics\/2016-02\/03\/c_1117956362.htm.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u017di\u017eek, Slavoj. 2001. Did Somebody Say Totalitarianism? Five Interventions in the (Mis)use of a Notion. London: Verso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u017di\u017eek, Slavoj. 2007. \u2018Introduction: Mao Tse-tung, the Marxist Lord of Misrule\u2019. In On Practice and Contradiction, edited by Slavoj \u017di\u017eek, 74-98. London: Verso.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Autor: Rolando Bauer<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Publicado:&nbsp; 2017<\/strong><br><strong><br>Original:<\/strong> <a href=\"https:\/\/stalinsmoustache.files.wordpress.com\/2020\/01\/2017-from-berne-to-yanan-crisis-and-critique-4.2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Link aqui<\/a><br><strong><br>Tradu\u00e7\u00e3o: Cian Barbosa<\/strong><br><strong><br>Revis\u00e3o: Caracol de Maria e Wesley Costa<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: Este artigo defende que h\u00e1 uma linha distinta da epistemologia revolucion\u00e1ria que pode remontar desde o envolvimento de Lenin com Hegel entre 1914 e 1916 at\u00e9 os argumentos de Mao em \u201cSobre a Contradi\u00e7\u00e3o\u201d, de 1937. 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