{"id":56,"date":"2019-02-03T21:00:16","date_gmt":"2019-02-03T23:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/02\/03\/economia-moral-poder-e-os-coletes-amarelos\/"},"modified":"2021-11-22T22:21:49","modified_gmt":"2021-11-22T22:21:49","slug":"economia-moral-poder-e-os-coletes-amarelos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/02\/03\/economia-moral-poder-e-os-coletes-amarelos\/","title":{"rendered":"Economia moral, poder e os Coletes Amarelos \u2014 Samuel Hayat"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Samuel Hayat, 5 de dezembro de&nbsp;2018<\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o se contagiar por esse movimento em curso. As revoltas dos Coletes Amarelos s\u00e3o, por inteiro, desconcertantes, mesmo para aqueles que vivem de pesquisar e ensinar a ci\u00eancia da pol\u00edtica: os atores envolvidos, seus modos de a\u00e7\u00e3o, suas demandas, etc. Algumas das nossas cren\u00e7as mais firmes est\u00e3o sendo postas em quest\u00e3o, notavelmente aquelas relacionadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es e ao \u00eaxtase dos movimentos sociais. \u00c9 por esses motivos que sinto a necessidade, ou pelo menos o desejo, de escancarar algumas reflex\u00f5es que tenho feito, partindo de uma compara\u00e7\u00e3o aberta entre aquilo que se pode ver no movimento e todo o arcabou\u00e7o de conhecimento que temos quanto a outro temas. Al\u00e9m da pesquisa quanto ao pr\u00f3prio movimento que est\u00e1 acontecendo, vamos torcer para que a luz indireta nascida desta compara\u00e7\u00e3o com outros campos do saber possa nos oferecer algo diferente quanto ao que ocorreu na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A situa\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>As imagens divulgadas pela m\u00eddia durante os eventos de 1\u00ba de dezembro pareciam ter sa\u00eddo de alguma viagem de f\u00e9rias: elas mostravam uma Paris nunca antes vista, nem mesmo em 1995, 2006 ou 2016, tr\u00eas momentos nos quais o espa\u00e7o-tempo usual das mobiliza\u00e7\u00f5es parisienses foi profundamente deformado. Alguns creem que podem chamar esses eventos de manifesta\u00e7\u00f5es, ou que estes configuram uma situa\u00e7\u00e3o insurrecional. Talvez estejam certos; ao mesmo tempo, o que ocorreu n\u00e3o se parece nem um pouco com as insurrei\u00e7\u00f5es que se sucederam em 1830, 1832, 1848 ou 1871. Todas essas insurrei\u00e7\u00f5es se deram <em>dentro de uma vizinhan\u00e7a<\/em>, pondo em jogo sensibilidades locais, e se utilizaram de um emaranhado de rela\u00e7\u00f5es sociais j\u00e1 estabelecidas para permitir que a solidariedade popular fosse empregada na execu\u00e7\u00e3o dessas a\u00e7\u00f5es.\u00b9 Mas em 1\u00ba de dezembro, as chamas brotaram de dentro da Paris burguesa, na regi\u00e3o nordeste da cidade, que nunca tivera sido verdadeiramente um ambiente para tais opera\u00e7\u00f5es. Longe de terem sido lideradas por for\u00e7as locais, erguendo barricadas e demarcando um espa\u00e7o de autonomia, essas a\u00e7\u00f5es foram de autoria de pequenos grupos m\u00f3veis, muitas vezes residentes de outras localidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro, \u00e9 evidente que sensibilidades locais possuem um papel na forma\u00e7\u00e3o desses grupos: basta olharmos para al\u00e9m de Paris que veremos a reapropria\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, a forma\u00e7\u00e3o de elos duradouros\u2026 Mas naquele 1\u00ba de dezembro, essas solidariedades foram deslocadas para um espa\u00e7o de demonstra\u00e7\u00e3o em si bem usual: os locais nos quais reside o poder nacional. Aqui j\u00e1 nos encontramos em um registro totalmente moderno (me desculpem aqueles que falam em <em>Jacqueries<\/em>\u00b2): este \u00e9 de fato um movimento <em>nacional<\/em> e <em>aut\u00f4nomo<\/em>, para nos voltarmos \u00e0s categorias-chave com as quais Charles Tilly qualifica o repert\u00f3rio de a\u00e7\u00f5es t\u00edpicas da modernidade. Mas as regras de como manifestar, h\u00e1 muito tempo estabelecidas (geralmente situamos sua formaliza\u00e7\u00e3o em 1909\u00b3), foram ignoradas: n\u00e3o houve marcha, nem representantes legais, nenhuma rota negociada, muito menos um <em>service d\u2019ordre\u2074, <\/em>tampouco panfletos, posters ou adesivos; no lugar destes \u00faltimos, havia uma mir\u00edade de slogans pessoais escritos nas costas dos coletes amarelos.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 mesmo os profissionais respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o da ordem, numerosos em quantidade e dotados de grande poder de fogo, foram incapazes de garantirem sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a\u200a\u2014\u200ao que dizer ent\u00e3o quanto aos bens e pessoas que estes tem o dever de proteger?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de se esperar que estas mesmas for\u00e7as que mant\u00eam a ordem n\u00e3o ir\u00e3o aceitar gratuitamente serem maltratadas; h\u00e1 portanto o risco da viol\u00eancia policial, j\u00e1 bem comum, intensificar-se ainda mais, seja por meio da amplia\u00e7\u00e3o do uso da for\u00e7a, ou mesmo por meio da declara\u00e7\u00e3o de um estado de emerg\u00eancia. A falha na manuten\u00e7\u00e3o da ordem f\u00edsica caminha lado a lado com um fracasso ainda maior na manuten\u00e7\u00e3o da ordem simb\u00f3lica: um presidente viajando para uma c\u00fapula internacional; o governo, enquanto isso, se mantendo silencioso, inaud\u00edvel (o pre\u00e7o que algu\u00e9m paga pela manuten\u00e7\u00e3o do poder pessoal, enquanto se cerca de cortes\u00e3os med\u00edocres\u2075 para que assim nenhuma sombra enfraque\u00e7a o seu brilho); e o pseudo-partido atualmente no poder (LREM) ocupando-se, no mesmo dia, de eleger um delegado geral, como se nada estivesse acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p>A ordem vacilava, e a cidade foi praticamente dada de m\u00e3os beijadas aos manifestantes; tudo se tornou ent\u00e3o permitido, e neste espa\u00e7o que encarna em si o pr\u00f3prio privil\u00e9gio, liberdades foram tomadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s normas habituais do uso do espa\u00e7o p\u00fablico. Como diz o ditado, n\u00e3o choraremos pelas \u201cfam\u00edlias de janelas [quebradas]\u201d; entretanto, \u00e9 necess\u00e1rio levarmos em considera\u00e7\u00e3o o quanto amea\u00e7adora essa destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 ao poder: no primeiro s\u00e1bado de dezembro, bairros nobres, repletos de lojas e hot\u00e9is de luxo, se tornaram o alvo de tantos arrombamentos que os estabelecimentos da Avenida Haussman foram for\u00e7ados a se fechar\u200a\u2014\u200aconstituindo assim um grande risco econ\u00f4mico. Se mudarmos nosso foco da capital para o pa\u00eds como um todo, veremos que a mobiliza\u00e7\u00e3o foi massiva por toda a Fran\u00e7a, tornando a manuten\u00e7\u00e3o da ordem muito mais custosa, \u00e0s vezes at\u00e9 imposs\u00edvel. A tenta\u00e7\u00e3o tida pelas autoridades, antes de primeiro de dezembro, de esperar a poeira baixar agora parece uma impossibilidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Trabalho de mobiliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A sociologia dos movimentos vem, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, abrindo os olhos daqueles que ainda acreditam na espontaneidade das massas. Por tr\u00e1s de qualquer movimento aparentemente espont\u00e2neo, h\u00e1 verdadeiras <em>empreitadas<\/em> de mobiliza\u00e7\u00e3o: pessoas capazes de p\u00f4r capital militante, recursos materiais e simb\u00f3licos como tamb\u00e9m habilidades adquiridas em lutas anteriores a servi\u00e7o de sua causa\u2026 N\u00e3o haveria Revolu\u00e7\u00e3o de Jasmim sem Gafsa, Movimento 15-M sem o <em>Parem com as Expuls\u00f5es<\/em> e o <em>Juventud Sin Futuro<\/em>, <em>Nuit Debout<\/em> sem a mobiliza\u00e7\u00e3o contra o <em>Loi travail<\/em>, etc. Podemos ent\u00e3o acrescentar os <em>gilets jaunes<\/em> a esse conjunto de genealogias? Talvez. Mas fazer isso nos conceder\u00e1 apenas um pequenino poder explanat\u00f3rio: a mobiliza\u00e7\u00e3o se alastrou r\u00e1pido demais, e alcan\u00e7ou o n\u00edvel nacional r\u00e1pido demais, o que nos impede de interpretar o movimento como um fruto do trabalho paciente de mobiliza\u00e7\u00f5es feitas por organiza\u00e7\u00f5es de movimenta\u00e7\u00e3o social, ou mesmo por organiza\u00e7\u00f5es informais.<\/p>\n\n\n\n<p>Se h\u00e1 um trabalho de mobiliza\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter representativo, trazendo \u00e0 exist\u00eancia este movimento dos Coletes Amarelos, esta a\u00e7\u00e3o tem sido ent\u00e3o notavelmente descentralizada, empreendida por m\u00faltiplos grupos locais se organizando por meio de redes sociais, pela agrega\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o de termos e s\u00edmbolos do movimento feita pela m\u00eddia, e pelo trabalho de interpreta\u00e7\u00e3o realizado por jornalistas, pol\u00edticos e soci\u00f3logos\u2076. O desejo de dar ao movimento porta-vozes \u00e1geis, capazes de negociar com as autores, tem falhado (at\u00e9 agora). Muitos comentaristas bateram na tecla da suposta inconsist\u00eancia, dentro do movimento, das suas causas e atores. Eu diria, entretanto, o contr\u00e1rio disso: dada a fragmenta\u00e7\u00e3o de sua representa\u00e7\u00e3o, a unidade dentro do movimento \u00e9 surpreendente. H\u00e1 uma unidade nas a\u00e7\u00f5es, uma solidariedade e um aparente consenso quanto \u00e0 lista de demandas; h\u00e1 at\u00e9 mesmo uma unidade no ritmo. Foi particularmente feliz a escolha do colete amarelo como s\u00edmbolo, vestimenta tornada obrigat\u00f3ria a todos os motoristas, e cuja fun\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e9 tornar algu\u00e9m vis\u00edvel; essa decis\u00e3o certamente foi uma condi\u00e7\u00e3o material para o r\u00e1pido alastramento deste peculiar s\u00edmbolo. Mas a escolha de agir, e de agir com a coer\u00eancia e o rigor que temos visto, n\u00e3o pode ser simplesmente o resultado de um emblema cativante, de um bom uso das redes sociais, nem de um descontentamento geral, independentemente de seu tamanho e de sua natureza coletiva. As palavras de descontentamento, raiva e murm\u00fario s\u00e3o v\u00e9us que nos impedem de perceber as raz\u00f5es para a mobiliza\u00e7\u00e3o, nos dois sentidos de raz\u00e3o: os fatos causadores do movimento, e a justificativa para este. O desafio posto \u00e9, ent\u00e3o, encontrar uma explica\u00e7\u00e3o para este movimento que d\u00ea conta tanto de sua forma (descentraliza\u00e7\u00e3o, radicalidade) como de ua subst\u00e2ncia (demandas).<\/p>\n\n\n\n<p>Estas \u00faltimas em particular s\u00e3o merecedoras de uma aten\u00e7\u00e3o a mais. N\u00e3o sabemos bem como ela foi feita, mas uma lista de 42 demandas vem sendo amplamente disseminada tanto por grupos como pela m\u00eddia\u2077. Essas reivindica\u00e7\u00f5es possuem tra\u00e7os excepcionais, os quais j\u00e1 foram notados: elas se referem majoritariamente a condi\u00e7\u00f5es de vida, muito al\u00e9m da mera quest\u00e3o quanto ao pre\u00e7o da gasolina; elas cont\u00eam posi\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias ao livre fluxo de imigrantes; elas prop\u00f5em mudan\u00e7as institucionais que fortalecem o controle, por parte dos cidad\u00e3os, de seus representantes eleitos, cuja remunera\u00e7\u00e3o seria reduzida para um sal\u00e1rio m\u00e9dio. Esta lista vem sendo descrita como uma \u201ccolcha de retalhos.\u201d\u2078 J\u00e1 eu percebo o total contr\u00e1rio disso: essa lista \u00e9 profundamente coerente; o mesmo fator que explica essa coer\u00eancia tamb\u00e9m foi aquilo que permitiu a ocorr\u00eancia da mobiliza\u00e7\u00e3o dos Coletes Amarelos; e por fim, ela est\u00e1 ancorada em algo que podemos chamar de economia moral da classe trabalhadora [<em>classes populaires<\/em>].<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A economia moral dos Gilets&nbsp;Jaunes<\/h4>\n\n\n\n<p>O conceito de economia moral \u00e9 bem conhecido por pesquisadores das ci\u00eancias sociais.\u2079 Ele foi desenvolvido pelo historiador E. P. Thompson como uma maneira de nomear um fen\u00f4meno fundamental dentro dos movimentos populares do s\u00e9culo 18: ele se refere \u00e0s concep\u00e7\u00f5es amplamente comuns quanto a qual deve ser o funcionamento correto da economia, moralmente falando.\u00b9\u2070 Era como se fosse auto-evidente que certas regras precisavam ser respeitadas: o pre\u00e7o dos bens de consumo n\u00e3o pode ser excessivo demais em compara\u00e7\u00e3o ao seu custo de produ\u00e7\u00e3o; crit\u00e9rios de reciprocidade, no lugar da \u201cm\u00e3o invis\u00edvel do mercado\u201d, devem regular as trocas comerciais, etc.; e na mesma hora em que se soubesse que essas regras n\u00e3o-ditas foram desrespeitadas, ou amea\u00e7as pelas regras do mercado, o povo sentiria que era um direito seu a revolta, e esta era frequentemente iniciada por mulheres. Suas motiva\u00e7\u00f5es eram bem econ\u00f4micas, mas n\u00e3o no sentido usual: elas n\u00e3o eram instigadas por interesses estritamente materiais, mas por alega\u00e7\u00f5es morais quanto ao funcionamento da economia. Ocorreram, simultaneamente e at\u00e9 mesmo posteriormente, revoltas na Fran\u00e7a similares entre si: por exemplo, os mineradores da <em>Compagnie d\u2019Anzin,<\/em> que foi a maior empresa francesa durante boa parte do s\u00e9culo XIX, regularmente entravam em greve para fazer seus chefes relembrarem das normas pelas quais, de acordo com os mineradores, devem organizar o trabalho e a sua remunera\u00e7\u00e3o; esta demanda muitas vezes era feita com base em uma refer\u00eancia a uma \u201cantiga ordem das coisas\u201d\u200a\u2014\u200aem outras palavras, ao costume.\u00b9\u00b9<\/p>\n\n\n\n<p>A semelhan\u00e7a com o movimento dos Coletes Amarelos \u00e9 impressionante. Sua lista de reivindica\u00e7\u00f5es sociais \u00e9 uma formula\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios econ\u00f4micos essencialmente morais: \u00e9 necess\u00e1rio que os mais vulner\u00e1veis (os sem-teto, os deficientes) sejam protegidos, que a solidariedade funcione corretamente,\u00b9\u00b2 que sejam garantidos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o os servi\u00e7os p\u00fablicos, que sonegadores sejam punidos e que todos contribuam [para os impostos] de forma proporcional aos seus recursos, algo perfeitamente resumido na f\u00f3rmula \u201cque os grandes paguem uma grande quantia, e os pequenos uma pequena quantia.\u201d Estas exig\u00eancias podem parecer serem apenas um bom senso comum\u200a\u2014\u200amas na verdade elas n\u00e3o s\u00e3o auto-evidentes: elas dependem que algu\u00e9m se ponha contra a glorifica\u00e7\u00e3o utilit\u00e1ria da pol\u00edtica de economia pelo lado da oferta e da teoria do gotejamento, \u201ccrescer o bolo para depois reparti-lo\u201d, t\u00e3o amada pelas elites (esta se resume a dar mais para aqueles que tem mais, <em>os primeiros na corda de rapel<\/em>, para assim atrair mais capital), e passe a afirmar que a verdadeira economia precisa ser pautada em princ\u00edpios morais. \u00c9 com toda certeza isto o que d\u00e1 ao movimento dos Coletes Amarelos sua for\u00e7a e seu massivo apoio pela popula\u00e7\u00e3o francesa: ele articula, sob a forma de reivindica\u00e7\u00f5es sociais, princ\u00edpios econ\u00f4micos morais os quais o poder reinante tem atacado sem cessar, \u00e0s vezes at\u00e9 se orgulhando disso. Por isso, a coer\u00eancia do movimento pode ser melhor entendida, assim como o fato de que ele p\u00f4de ocorrer sem organiza\u00e7\u00f5es centralizadas, se levarmos em considera\u00e7\u00e3o aquilo que James Scott demonstrou: o emprego da economia moral d\u00e1 origem a uma capacidade coletiva de agir, uma ag\u00eancia, e acaba incluindo atores sociais normalmente desprovidos do capital necess\u00e1rio para se mobilizarem.\u00b9\u00b3<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, a economia moral n\u00e3o \u00e9 apenas uma jun\u00e7\u00e3o de normas passivamente compartilhadas pela classe trabalhadora. Ela tamb\u00e9m \u00e9 o resultado de um pacto impl\u00edcito entre aqueles que exercem dom\u00ednio, e por isso sempre se insere dentro de rela\u00e7\u00f5es de poder. A classe trabalhadora estudada por E. P. Thompson j\u00e1 tinha, em pleno s\u00e9culo XVIII, uma economia moral com tra\u00e7os profundamente paternalistas: esperava-se que aqueles dotados de poder respeitassem este pato, em troca da ordem social, em geral aceita pela sociedade, agrad\u00e1vel \u00e0s classes dominantes. Mas se os poderosos viessem a quebrar esse pacto, as massas poderiam ent\u00e3o, por meio da revolta, faz\u00ea-los voltarem a obedecer a ordem estabelecida. Foi isso que ocorreu na Revolta dos <em>Four Sous<\/em>, em Anzin, 1833: os mineradores protestaram contra uma redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, mas para alcan\u00e7ar seus objetivos, puseram-se sob a guarda de seus antigos patr\u00f5es, os quais tinham sido depostos pelos capitalistas que agora controlavam a empresa, cantando: \u201cAbaixo aos parisianos, longa vida aos Mathieus de Anzin!\u201d. N\u00e3o h\u00e1 nada de exagerado em dizer que as autoridades atuais tamb\u00e9m quebraram este pacto impl\u00edcito, tanto por suas medidas antissociais como por demonstrarem repetidamente desd\u00e9m contra a classe trabalhadora. A revolta n\u00e3o brotou do nada, por um simples descontentamento ou por uma ag\u00eancia indeterminada popular posta espontaneamente em movimento: ele \u00e9 o resultado de uma agress\u00e3o de poder, e uma ainda mais simbolicamente violenta que o normal, pois os agressores nem mesmo reconhecem suas a\u00e7\u00f5es como agress\u00f5es. E o presidente da Rep\u00fablica Francesa, o qual deveria representar o povo franc\u00eas, se tornou a pr\u00f3pria encarna\u00e7\u00e3o dessa trai\u00e7\u00e3o, com suas falas soltas sobre \u201cpessoas que n\u00e3o s\u00e3o nada\u201d, seu conselho sobre como conseguir uma camisa maneira ou de como \u00e9 poss\u00edvel achar um emprego simplesmente atravessando a rua.\u00b9\u2074 No lugar de ser um protetor da economia moral, Emmanuel Macron constantemente maltrata esta, com uma naturalidade desarmante, ao ponto de tornar-se o representante por excel\u00eancia das for\u00e7as que se op\u00f5em a essa economia moral. Tal como ele disse durante sua campanha eleitoral no ISF\u00b9\u2075, \u201cuma coisa n\u00e3o \u00e9 injusta apenas porque ser mais eficiente\u201d\u00b9\u2076: \u00e9 dif\u00edcil pensar em um exemplo melhor do que este para mostrar seu desconhecimento, ou desprezo, de outras normas que n\u00e3o sejam financeiras. Foi ele que quebrou o pacto: a <em>charivari <\/em>nacional sendo tocada agora \u00e9 direcionada contra ele; portanto, s\u00f3 nos \u00e9 poss\u00edvel esperar duas coisas: essa <em>charivari<\/em> vai terminar ou com uma repress\u00e3o sangrenta, ou com a ren\u00fancia de Macron.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Economia moral e emancipa\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>Se podemos apenas torcer para que a ren\u00fancia ocorra, ainda assim n\u00e3o devemos superestimar as consequ\u00eancias pol\u00edticas deste movimento. Revoltas fundamentadas na economia moral n\u00e3o se transformam necessariamente em movimentos revolucion\u00e1rios, pois o que \u00e9 necess\u00e1rio para acabar com as manifesta\u00e7\u00f5es resume-se \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o do pacto [impl\u00edcito]. Apesar da economia moral revelar a capacidade coletiva do povo e a exist\u00eancia de uma real (apesar de marginal) autonomia face aos governantes, ela ainda \u00e9 conservadora. Ao ser ativado, esse tipo de revolta suspende o funcionamento regular das institui\u00e7\u00f5es, mas seu alvo \u00e9, acima de tudo, um retorno \u00e0 ordem, e n\u00e3o uma transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. H\u00e1 algo aqui um tanto quanto dif\u00edcil de entender e formular: o fato de um movimento ser autenticamente popular, e estar ancorado nas cren\u00e7as mais comunalmente compartilhadas da grande maioria, n\u00e3o lhe torna emancipat\u00f3rio. Retomando as categorias de Claude Grigon e Jean-Claude Passeron, quem acredita que o povo n\u00e3o possa agir por si mesmo, e que ele ser\u00e1 sempre submisso ao poder simb\u00f3lico, demonstra seu pr\u00f3prio <em>l\u00e9gitimisme<\/em>\u00b9\u2077 e <em>mis\u00e9rabilisme<\/em>\u00b9\u2078. A for\u00e7a, espontaneidade, coer\u00eancia e inventividade do movimento dos Coletes Amarelos oferecem uma sonora e bem-vinda rejei\u00e7\u00e3o aos ataques feitos por essa ordem. Contudo, n\u00e3o devemos pender para o outro extremo, descrito por esses mesmos autores como populismo, de imaginar que porque um movimento \u00e9 popular isso implica que ele alcan\u00e7ou a verdade pol\u00edtica, \u00e9 aut\u00eantico e correto. Este movimento n\u00e3o \u00e9 bem um sinal de revolu\u00e7\u00e3o, mas sim de um come\u00e7o, frente ao real decl\u00ednio das institui\u00e7\u00f5es governamentais representativas.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim das contas, algo que tamb\u00e9m revela o uso, por parte dos Coletes Amarelos, da economia moral \u00e9 a extens\u00e3o do deserto pol\u00edtico que se instalou nas \u00faltimas d\u00e9cadas. O fato de que foi necess\u00e1rio aguardar at\u00e9 a ruptura do pacto impl\u00edcito fundamental entre governantes e governados para que um movimento como o dos Coletes ocorresse, enquanto o governo h\u00e1 d\u00e9cadas nos esmurra com medidas de seguran\u00e7a e anti-sociais, nos mostra que o poder de mobiliza\u00e7\u00e3o dos sindicatos e for\u00e7as pol\u00edticas foi reduzido a p\u00f3, ou ent\u00e3o que as formas de mobiliza\u00e7\u00e3o que estes grupos tomaram emprestadas para si os colocaram em um estado de total impot\u00eancia. Todavia, que fique bem claro: n\u00e3o h\u00e1 nada a se comemorar por termos chegado a esse ponto, um de ruptura, como se agora algo pudesse finalmente acontecer\u200a\u2014\u200aeste algo sendo o retorno de formas pr\u00e9-modernas de a\u00e7\u00e3o coletiva, sob modos com toda certeza renovados. Eis aqui o limite, e tamb\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o importante, da relev\u00e2ncia da compara\u00e7\u00e3o entre os Coletes Amarelos e as revoltas do passado que demonstravam uma economia moral: este paralelo n\u00e3o deveria ser poss\u00edvel, dada a dist\u00e2ncia supostamente imensa que separa as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dessas duas situa\u00e7\u00f5es, mas mesmo assim a compara\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e com muita for\u00e7a. A economia moral pertence a per\u00edodos e espa\u00e7os nos quais as formas nacionais e ideologizadas de politiza\u00e7\u00e3o da modernidade democr\u00e1tica, baseada no confronto entre projetos pol\u00edticos e at\u00e9 mesmo vis\u00f5es de mundo opostas, ainda n\u00e3o exercia um papel na pol\u00edtica. Isto nos mostra que o movimento dos Coletes Amarelo talvez \u00e9 de um outro tempo\u200a\u2014\u200amas ele exp\u00f5e muitas coisas relativas ao nosso momento atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto tudo implica em um pre\u00e7o que precisamos medir: movimentos baseados na economia moral s\u00e3o parte de um chamado aos velhos costumes, de submiss\u00e3o \u00e0 ordem, mas tamb\u00e9m existem dentro do contexto de uma <em>comunidade<\/em>. A economia moral n\u00e3o \u00e9 conservadora apenas por retornar a normas atemporais, mas tamb\u00e9m porque ela exerce o ato de unir utilizando como base um pertencimento coletivo. \u00c9 isso que explica porque o potencial excludente dos Coletes Amarelos n\u00e3o \u00e9 apenas uma esc\u00f3ria facilmente elimin\u00e1vel: ela \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do movimento. Um exemplo flagrante s\u00e3o as demandas contra o livre fluxo de imigrantes, pela expuls\u00e3o de estrangeiros e a integra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de n\u00e3o nacionais (\u201cViver na Fran\u00e7a implica em se tornar franc\u00eas [curso de franc\u00eas, cadeiras de hist\u00f3ria francesa e educa\u00e7\u00e3o civil com um certificado ap\u00f3s conclus\u00e3o]\u201d): tudo isto \u00e9 insepar\u00e1vel do movimento porque essas coisas s\u00e3o a pr\u00f3pria consequ\u00eancia l\u00f3gica da implementa\u00e7\u00e3o da economia moral da comunidade original, mesmo que essa economia possa ser manipulada pelo movimento em diferentes dire\u00e7\u00f5es. A economia moral \u00e9 a proclama\u00e7\u00e3o das normas de uma comunidade, e ela n\u00e3o inclui a l\u00f3gica da igualdade para estrangeiros, muitos menos reconhece conflitos internos, em particular ideol\u00f3gicos. Este \u00faltimo ponto explica bem o porqu\u00ea da recusa de um poder representativo para a reapropria\u00e7\u00e3o popular da pol\u00edtica. Mas ela tamb\u00e9m \u00e9 a recusa do partidarismo da democracia, da oposi\u00e7\u00e3o entre projetos pol\u00edticos, em favor de uma unidade a qual sabemos muito bem que pode facilmente se tornar em uma \u201ccongrega\u00e7\u00e3o de \u00f3dio constru\u00edda em torno da paix\u00e3o pelo Um que exclui.\u201d\u00b9\u2079<\/p>\n\n\n\n<p>O desvio por meio deste paralelo hist\u00f3rico com o passado talvez n\u00e3o pare\u00e7a muito capaz de compreender a situa\u00e7\u00e3o em sua excepcionalidade. Talvez isto seja apenas um jogo mental. Mas talvez, pelo contr\u00e1rio, ele revele algumas das caracter\u00edsticas fundamentais do movimento atual: sua improv\u00e1vel unidade, seu apoio pela popula\u00e7\u00e3o, seu aspecto de revolta, mas ao mesmo tempo seus aspectos verdadeiramente conservadores, anti-pluralistas e excludentes. Em Anzin, os mineradores n\u00e3o ficaram para sempre promovendo greves pautadas na economia moral. Ao entrarem em contato com as primeiras for\u00e7as socialistas e sindicais da regi\u00e3o, eles adotaram suas ideias e sua forma, e acabaram se tornando um dos primeiros centros dos quais o anarco-sindicalismo nasceu. Alguns comit\u00eas locais dos Coletes Amarelos, longe de se apegarem a um modo de protestar fundamentado na economia moral, clamam pela forma\u00e7\u00e3o de comit\u00eas populares e de democracia radical, ou seja, pela emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica radical.\u00b2\u2070 Nada est\u00e1 garantido, tudo \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Laurent Clavier, Louis Hincker et Jacques Rougerie, \u201cJuin 1848. L\u2019insurrection\u201d, in 1848: actes du colloque international du cent cinquantenaire, tenu \u00e0 l\u2019Assembl\u00e9e nationale \u00e0 Paris, les 23\u201325 f\u00e9vrier 1998, Jean-Luc Mayaud (dir), Paris, Creaphis, 2002, p. 123\u2011140; Maurizio Gribaudi, Paris ville ouvri\u00e8re: une histoire occult\u00e9e (1789\u20131848), Paris, La D\u00e9couverte, 2014; Mich\u00e8le Riot-Sarcey, Le proc\u00e8s de la libert\u00e9: une histoire souterraine du XIXe si\u00e8cle en France, Paris, La D\u00e9couverte, 2016. Merci \u00e0 C\u00e9lia Keren pour sa relecture.<\/p>\n\n\n\n<p>[2] G\u00e9rard Noiriel mostra bem os problemas de qualificar dessa maneira o movimento: <a href=\"https:\/\/noiriel.wordpress.com\/2018\/11\/21\/les-gilets-jaunes-et-les-lecons-de-lhistoire\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>https:\/\/noiriel.wordpress.com\/2018\/11\/21\/les-gilets-jaunes-et-les-lecons-de-lhistoire<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[3] Samuel Hayat, \u201cLa R\u00e9publique, la rue et l\u2019urne\u201d, Pouvoirs, vol. 116, 2006, p. 31\u201144<\/p>\n\n\n\n<p>[4] Nota da tradu\u00e7\u00e3o inglesa: For\u00e7as de seguran\u00e7a empregadas por sindicatos oficiais na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Ecoutons Agn\u00e8s Buzyn assurer le 1er d\u00e9cembre que \u201cTous les jours nous agissons pour faire dispara\u00eetre la col\u00e8re et la peur\u201d ou Benjamin Griveaux le lendemain que \u201cnous ne changerons pas de cap car le cap est le bon\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Aqui, vejam: <a href=\"https:\/\/noiriel.wordpress.com\/2018\/11\/21\/les-gilets-jaunes-et-les-lecons-de-lhistoire\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>https:\/\/noiriel.wordpress.com\/2018\/11\/21\/les-gilets-jaunes-et-les-lecons-de-lhistoire\/<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[7] Por exemplo: <a href=\"https:\/\/www.francebleu.fr\/infos\/societe\/document-la-liste-des-revendications-des-gilets-jaunes-1543486527\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>https:\/\/www.francebleu.fr\/infos\/societe\/document-la-liste-des-revendications-des-gilets-jaunes-1543486527<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[8]<strong> <\/strong><a href=\"https:\/\/www.liberation.fr\/france\/2018\/12\/04\/les-gilets-jaunes-un-magma-de-revendications-heteroclite_1695802\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>https:\/\/www.liberation.fr\/france\/2018\/12\/04\/les-gilets-jaunes-un-magma-de-revendications-heteroclite_1695802<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[9]<strong> <\/strong>Le th\u00e8me a d\u00e9j\u00e0 \u00e9t\u00e9 mentionn\u00e9 par plusieurs commentateurs du mouvement, notamment l\u2019\u00e9tudiant L\u00e9o Labarre (<a href=\"https:\/\/lvsl.fr\/le-17-novembre-au-dela-des-gilets-jaunes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>https:\/\/lvsl.fr\/le-17-novembre-au-dela-des-gilets-jaunes<\/strong><\/a>) et l\u2019historien Xavier Vigna (<a href=\"http:\/\/www.leparisien.fr\/economie\/gilets-jaunes-ils-inventent-leurs-propres-codes-estime-un-historien-26-11-2018-7954086.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>http:\/\/www.leparisien.fr\/economie\/gilets-jaunes-ils-inventent-leurs-propres-codes-estime-un-historien-26-11-2018-7954086.php<\/strong><\/a>)&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<p>[10] Edward Palmer Thompson, \u201cThe Moral Economy of the English Crowd in the Eighteenth Century\u201d, Past &amp; Present, n\u00b050, 1971, p. 76\u2011136<\/p>\n\n\n\n<p>[11]<strong> <\/strong>Samuel Hayat, \u201cUne politique en mode mineur. Ordre patronal et ordre communautaire dans les mines du Nord au XIXe si\u00e8cle\u201d, Politix, n\u00b0120, 2017<\/p>\n\n\n\n<p>[12] tr. Uma terminologia especificamente francesa: servi\u00e7os de assist\u00eancia social p\u00fablica s\u00e3o conhecidos como <em>solidarit\u00e9s<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>[13]<strong> <\/strong>James C. Scott, <em>The Moral Economy of the Peasant Rebellion &amp; Subsistence in Southeast Asia<\/em>, New Haven, Yale University Press, 1977<\/p>\n\n\n\n<p>[14] Nota da tradu\u00e7\u00e3o inglesa: Macron se envolveu numa controv\u00e9rsia, em 2016, quando afirmou a um trabalhador anti-<em>Loi travail: \u201c<\/em>voc\u00ea n\u00e3o vai me assustar com essa sua camiseta a\u00ed. A melhor maneira de desfrutar de um terno \u00e9 trabalhando para poder compr\u00e1-lo.\u201d Em setembro de 2018, ele se envolveu em outra controv\u00e9rsia: um jovem lhe disse que estava tendo dificuldades em encontrar um emprego\u200a\u2014\u200aa resposta dada por Macron foi: \u201cMas h\u00e1 tantas vagas! Voc\u00ea precisa ir procurar por elas. Neste momento\u2026 Hot\u00e9is, <em>caf\u00e9s<\/em>, restaurantes\u2026 Se eu cruzar a rua, consigo achar um emprego pra voc\u00ea!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>[15] NT: ISF = <em>Imp\u00f4t de solidarit\u00e9 sur la fortune<\/em>. tr. Imposto solid\u00e1rio sobre riquezas.<\/p>\n\n\n\n<p>[16] NT: Esta \u00e9 uma refer\u00eancia \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o, por Macron, do ISF, e ao fato deste simplesmente achar \u201cmais eficiente\u201d taxar menos os ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>[17] NT: Um termo utilizado para descrever um movimento pol\u00edtico franc\u00eas em favor do restabelecimento da monarquia pelo mais velho dos Cap\u00e9tiens, l\u00edder da casa de Bourbon (fonte: <a href=\"https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/L%C3%A9gitimisme\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Wikipedia<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>[18] NT: Um termo utilizado em oposi\u00e7\u00e3o ao populismo; desenvolvido por Jean-Claude Passeron. Ele descreve uma atitude que consiste em \u201cenxergar na cultura dos pobres apenas uma cultura empobrecida.\u201d (source: <a href=\"https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Mis%C3%A9rabilisme\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Wikipedia<\/strong><\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>[19] Jacques Ranci\u00e8re, Aux bords du politique, Paris, Folio, 2004<\/p>\n\n\n\n<p>[20]<strong> <\/strong><a href=\"https:\/\/manif-est.info\/L-appel-des-gilets-jaunes-de-Commercy-853.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>https:\/\/manif-est.info\/L-appel-des-gilets-jaunes-de-Commercy-853.html<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tradutoresproletarios.files.wordpress.com\/2019\/02\/dbdc3-1adh5f3wbis-dnacyluotjw.png\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Autor:<\/strong> Samuel Hayat (Soci\u00f3logo franc\u00eas)<br><strong>Publicado em:<\/strong> 5 de dezembro, 2018<br><strong>Original: <\/strong><a href=\"https:\/\/samuelhayat.wordpress.com\/2018\/12\/05\/les-gilets-jaunes-leconomie-morale-et-le-pouvoir\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/samuelhayat.wordpress.com\/2018\/12\/05\/les-gilets-jaunes-leconomie-morale-et-le-pouvoir\/<\/a><br><strong>Tradu\u00e7\u00e3o original para o ingl\u00eas: <\/strong>Ediciones in\u00e9ditos (<a href=\"https:\/\/ediciones-ineditos.com\/2018\/12\/11\/moral-economy-power-and-the-yellow-vests\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/ediciones-ineditos.com\/2018\/12\/11\/moral-economy-power-and-the-yellow-vests\/<\/a>)<br><strong>Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas e revis\u00e3o: <\/strong>Eliel Micm\u00e1s [Comunidade dos Tradutores Prolet\u00e1rios]<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tradutoresproletarios.files.wordpress.com\/2019\/02\/efea9-18xeg-9h1wmdyzuigyjgj5g.png\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Arte de capa: <\/strong>Eliel Micm\u00e1s [Comunidade dos Tradutores Prolet\u00e1rios]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algo que vem causando muita, muita dor de cabe\u00e7a em quem se presta a analisar o movimento dos Coletes Amarelos \u00e9 a estranha unidade e coes\u00e3o que este possui, mesmo n\u00e3o tendo sido fruto de grandes organiza\u00e7\u00f5es e sim da reuni\u00e3o de diversas iniciativas locais. Neste texto que traduzimos, o soci\u00f3logo franc\u00eas Samuel Hayat oferece uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para isso: a defesa, pela ampla maioria dos membros do movimento, de pautas que nascem de uma &#8220;economia moral&#8221;, termo criado por E. P. Thompson para descrever uma maneira (conservadora) de abordar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas muito comum nos movimentos e revoltas do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2012,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_kadence_starter_templates_imported_post":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":""},"categories":[349,345,348,346],"tags":[83,96,104,106,107,64,143,171,180,238,253,265,290,291,299],"class_list":["post-56","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arquivo-series-tradutores-proletarios","category-arquivo-tradutores-proletarios","category-series","category-traducoes","tag-coletes-amarelos","tag-descentralizacao","tag-e-p-thompson","tag-economia","tag-economia-moral","tag-etica","tag-franca","tag-historia","tag-identitarismo","tag-movimentos-sociais","tag-paternalismo","tag-politica","tag-samuel-hayat","tag-seculo-xix","tag-sociologia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Economia moral, poder e os Coletes Amarelos \u2014 Samuel Hayat - Zero \u00e0 Esquerda<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/02\/03\/economia-moral-poder-e-os-coletes-amarelos\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Economia moral, poder e os Coletes Amarelos \u2014 Samuel Hayat - Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Algo que vem causando muita, muita dor de cabe\u00e7a em quem se presta a analisar o movimento dos Coletes Amarelos \u00e9 a estranha unidade e coes\u00e3o que este possui, mesmo n\u00e3o tendo sido fruto de grandes organiza\u00e7\u00f5es e sim da reuni\u00e3o de diversas iniciativas locais. 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