{"id":4964,"date":"2026-08-27T00:32:48","date_gmt":"2026-08-27T00:32:48","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=4964"},"modified":"2026-08-27T00:38:05","modified_gmt":"2026-08-27T00:38:05","slug":"elementos-do-antissemitismo-limites-da-economia-politica-manuel-disegni","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/08\/27\/elementos-do-antissemitismo-limites-da-economia-politica-manuel-disegni\/","title":{"rendered":"Elementos do Antissemitismo: limites da economia pol\u00edtica &#8211; Manuel Disegni"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading has-theme-palette-13-color has-text-color has-link-color wp-elements-fd043c70523cfdaeab7d88c66a9fba86\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o: judeus n\u00e3o circuncidam seus cora\u00e7\u00f5es<\/strong><br><\/h3>\n\n\n\n<p>N\u2019<em>O capital <\/em>de Marx est\u00e1 escrito em algum lugar \u201cque toda mercadoria, por mais miser\u00e1vel que seja sua apar\u00eancia ou por pior que seja seu cheiro, \u00e9 dinheiro, n\u00e3o s\u00f3 em sua f\u00e9, mas tamb\u00e9m na realidade; que ela \u00e9, internamente, um judeu circuncidado\u201d.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_1');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_1');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_1\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[1]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_1\" class=\"footnote_tooltip\">Marx. <em>O capital, livro I<\/em>, Boitempo, 2013, p. 298<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_1').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_1', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>Essa passagem \u00e9 geralmente citada para corroborar a acusa\u00e7\u00e3o de antissemitismo. Entretanto, bastaria um conhecimento rudimentar do Novo Testamento e senso de humor para reconhecer que essa n\u00e3o \u00e9 uma frase antissemita. \u201cInternamente circuncidados\u201d s\u00e3o de fato aqueles que o ap\u00f3stolo Paulo indica como os \u201cverdadeiros judeus\u201d, isto \u00e9, os crist\u00e3os.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_2');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_2');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_2\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[2]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_2\" class=\"footnote_tooltip\">Paulo. Carta aos Romanos 2, 25-29. \u201cPois a circuncis\u00e3o \u00e9 proveitosa se praticares a lei. Se fores transgressor da lei, a tua circuncis\u00e3o tornou-se incircuncis\u00e3o. Se a incircuncis\u00e3o observar os&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_2');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_2').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_2', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> A pol\u00eamica religiosa de Paulo contra a circuncis\u00e3o \u00e9 um tema recorrente tradicional do antijuda\u00edsmo crist\u00e3o. Segundo o te\u00f3logo, a revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 implica a suspens\u00e3o da Lei de Israel. A superioridade do cristianismo sobre a religi\u00e3o da qual ele descende reside no fato de que os crist\u00e3os internalizaram o esp\u00edrito da Lei, enquanto os judeus continuam presos a um respeito puramente externo por sua letra. A circuncis\u00e3o \u00e9 o emblema da religiosidade judaica como sinal externo da alian\u00e7a com Deus. Os crist\u00e3os n\u00e3o mais precisam dessa pr\u00e1tica, pois a sua alian\u00e7a com Deus \u00e9 baseada na f\u00e9 e no amor que habitam seus cora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o no texto literal da Lei. Paulo fala, nesse sentido, de uma \u201ccircuncis\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u201d.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_3');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_3');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_3\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[3]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_3\" class=\"footnote_tooltip\">&nbsp;Idem.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_3').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_3', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><br>Os judeus, como se sabe, n\u00e3o circuncidam seus cora\u00e7\u00f5es. A evoca\u00e7\u00e3o da doutrina de Paulo no contexto d\u2019<em>O<\/em> <em>Capital <\/em>claramente n\u00e3o tem um sentido antijudaico: quando muito, ela pode ser julgada como pol\u00eamica com rela\u00e7\u00e3o ao cristianismo, mas em qual sentido? O que mercadorias e dinheiro t\u00eam a ver com o cristianismo e o juda\u00edsmo? Para entender esse jogo de palavras, pode ser \u00fatil voltarmos vinte e cinco anos e examinarmos o artigo <em>Sobre a quest\u00e3o judaica<\/em> escrito pelo mesmo autor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-theme-palette-13-color has-text-color has-link-color wp-elements-a58b042e83e5837662020557daf0a008\"><strong>Sobre a quest\u00e3o judaica<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A \u201cquest\u00e3o judaica\u201d \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o central do anti-semitismo moderno. A idade m\u00e9dia n\u00e3o tinha uma quest\u00e3o como essa, embora n\u00e3o tenha carecido de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o contra judeus. Mesmo assim, foi somente ap\u00f3s as revolu\u00e7\u00f5es burguesas e a emancipa\u00e7\u00e3o judaica que uma \u201cquest\u00e3o\u201d foi constitu\u00edda. A quest\u00e3o judaica \u2013 como algo que imediatamente afeta toda a comunidade e requer uma solu\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica ou definitiva \u2013 \u00e9 uma quest\u00e3o exclusiva da sociedade burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o judaica enquanto tal \u2013 ou seja, n\u00e3o somente certos problemas ligados \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o dos judeus europeus, mas ao seu conjunto enquanto problema judaico da sociedade burguesa e as perspectivas para a sua solu\u00e7\u00e3o radical \u2013 come\u00e7ou a ser comentada extensivamente a partir dos anos 1840, notavelmente a partir da publica\u00e7\u00e3o de um ensaio de mesmo nome, por Bruno Bauer, em 1843. Naquele ensaio, o principal expoente da corrente intelectual de esquerda, que Marx e Engels chamaram de \u201cideologia alem\u00e3\u201d, tomou posi\u00e7\u00e3o contra a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos judeus da Pr\u00fassia. Ele n\u00e3o \u00e9 um panfleto conservador, ou baseado em alguma antiga supersti\u00e7\u00e3o religiosa. Ao contr\u00e1rio, ele \u00e9 a obra de um fil\u00f3sofo ateu radical, um \u201crevolucion\u00e1rio\u201d jovem hegeliano, e procede conforme argumentos \u201ccr\u00edticos\u201d, \u201cracionais\u201d e modernos.<br>No geral, a tese de Bauer \u00e9 que emancipar os judeus enquanto tais contradiria o princ\u00edpio universalista da pr\u00f3pria emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Os judeus n\u00e3o poderiam se tornar cidad\u00e3os enquanto continuassem judeus. Sua liga\u00e7\u00e3o a uma religi\u00e3o particular n\u00e3o era compat\u00edvel com o esp\u00edrito de cidadania moderno \u2013 este humanista, racionalista e universalista. Direitos humanos seriam, assim, para humanos no geral, n\u00e3o para judeus. Se eles quisessem se tornar parte da comunidade pol\u00edtica moderna, deveriam, ent\u00e3o, \u201crenunciar \u00e0 sua prerrogativa\u201d. Eles deveriam, primeiro, tornar-se \u201c<em>Menschen<\/em>\u201d, \u201chomens\u201d. \u201cA emancipa\u00e7\u00e3o dos judeus s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se eles n\u00e3o se emanciparem como judeus mas se eles converterem-se em seres humanos\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_4');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_4');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_4\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[4]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_4\" class=\"footnote_tooltip\">&nbsp;Bruno Bauer. <em>Die Judenfrage<\/em>: Braunschweig, Friedrich Otto, 1843.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_4').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_4', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><br>A resposta de Marx n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um argumento em defesa dos judeus. Ela fornece ao mesmo tempo uma \u201ccr\u00edtica da quest\u00e3o judaica\u201d<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_5');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_5');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_5\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[5]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_5\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, <em>Sobre a quest\u00e3o judaica<\/em>. Trad. N\u00e9lio Schneider S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2010, p. 34.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_5').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_5', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>Ele n\u00e3o formula nenhuma quest\u00e3o judaica. Em suas reflex\u00f5es sobre a quest\u00e3o, o que \u00e9 questionado \u00e9 a quest\u00e3o por si mesma. Talvez algu\u00e9m possa remeter \u00e0 sabedoria talm\u00fadica de Marx \u2013 que descendia de rabis tanto por parte de pai quanto de m\u00e3e <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_6');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_6');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_6\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[6]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_6\" class=\"footnote_tooltip\">Avineri, Shlomo. <em>Karl Marx: Philosophy and revolution<\/em>. Connecticut: Yale University Press, 2019, pp. 1\u201317.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_6').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_6', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> &nbsp;\u2013 essa pr\u00e1tica de responder uma quest\u00e3o com outra.<br>Ele n\u00e3o responde a quest\u00e3o de Bauer sobre se os judeus s\u00e3o compat\u00edveis com a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou n\u00e3o. Em vez disso, questiona porque a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 t\u00e3o incompat\u00edvel consigo pr\u00f3pria que acaba por gerar, a partir de si mesma, o que \u00e9 chamado de quest\u00e3o judaica. O n\u00facleo te\u00f3rico do ensaio <em>Sobre a quest\u00e3o judaica, <\/em>de Marx, diz respeito aos limites da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. N\u00e3o s\u00e3o os judeus, com suas quest\u00f5es civis, que est\u00e3o no banco dos r\u00e9us, mas sim a sociedade moderna, chamada a avali\u00e1-los. O problema \u00e9: por que o Esclarecimento, as revolu\u00e7\u00f5es modernas e a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o aboliram o antissemitismo? Por que este, em vez disso, aparece sob uma nova e moderna forma?<\/p>\n\n\n\n<p>A liberdade do indiv\u00edduo privado para professar a f\u00e9 que lhe for mais agrad\u00e1vel, longe de ser incompat\u00edvel com a aquisi\u00e7\u00e3o de direitos civis, constitui um princ\u00edpio fundamental deles. Por conseguinte, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para demandar que os judeus abdiquem de sua religi\u00e3o como uma condi\u00e7\u00e3o para que obtenham direitos civis. Por que Bruno Bauer o faz ent\u00e3o?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A compreens\u00e3o paradoxal de Marx \u00e9 que a posi\u00e7\u00e3o de Bauer, de fato, representa uma nega\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas \u00e9, ao mesmo tempo, a consequ\u00eancia de sua ader\u00eancia dogm\u00e1tica \u00e0 pr\u00f3pria emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Para Bauer, a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica j\u00e1 \u00e9 uma emancipa\u00e7\u00e3o completa e universal dos homens \u2013 desde que, no entanto, n\u00e3o seja estendida aos judeus. \u201cMas n\u00e3o deveria haver ilus\u00e3o sobre os limites da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, Marx adverte. Bauer est\u00e1 preso a esses limites, o que significa que ele \u00e9 incapaz de criticar a sociedade burguesa \u2013 ou n\u00e3o o quer. E \u00e9 precisamente essa a raz\u00e3o pela qual ele critica, em vez disso, o juda\u00edsmo.<br>A cr\u00edtica de Marx da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tem seu piv\u00f4 conceitual na an\u00e1lise dos \u201cfamigerados\u201d direitos humanos e seu car\u00e1ter duplo e confuso. Eles s\u00e3o chamados de \u201cDireitos do homem e do cidad\u00e3o\u201d. Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o desse pleonasmo aparente? O que quer dizer a distin\u00e7\u00e3o sof\u00edstica entre homem e cidad\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>A sociedade burguesa se orgulha de um suposto individualismo. Sua constitui\u00e7\u00e3o eleva o indiv\u00edduo e sua liberdade \u00e0 inst\u00e2ncia mais alta da vida pol\u00edtica. Mas esse sujeito dos direitos universais \u00e9 um indiv\u00edduo bem estranho: ele \u00e9 cindido em dois, \u00e9 um indiv\u00edduo interiormente duplicado. Na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, uma esp\u00e9cie de constitui\u00e7\u00e3o da sociedade burguesa, Marx encontra o paradoxo de um indiv\u00edduo cindido, portador de um car\u00e1ter duplo: <em>citoyen <\/em>e <em>bourgeois<\/em> ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>O <em>citoyen<\/em> \u00e9 o indiv\u00edduo moderno, considerado a partir do ponto de vista de sua vida p\u00fablica, suas rela\u00e7\u00f5es sociais e sua participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O <em>bourgeois<\/em> \u00e9 o mesmo indiv\u00edduo, mas considerado em sua esfera privada, como abstra\u00eddo de suas rela\u00e7\u00f5es com outros humanos. Eles se comportam de maneira bastante distinta. O primeiro \u00e9 o membro fundador da nova comunidade pol\u00edtica. Ele se emancipou do passado, de todas as tradi\u00e7\u00f5es contingentes e particulares, barreiras, restri\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00f5es. Ele \u00e9 um her\u00f3i republicano, o protagonista do Esclarecimento e da revolu\u00e7\u00e3o burguesa, uma incarna\u00e7\u00e3o da <em>volont\u00e9 g\u00e9n\u00e9rale<\/em>.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_7');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_7');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_7\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[7]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_7\" class=\"footnote_tooltip\">\u201cVontade geral\u201d, em franc\u00eas no original (N.T.)<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_7').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_7', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> A ele pertence a voz que declara os direitos humanos. Mas quem \u00e9 o segundo? A Declara\u00e7\u00e3o o chama de \u201c<em>l\u2019homme<\/em>\u201d, homem, homem em geral, homem sem nenhuma outra especifica\u00e7\u00e3o, e o eleva ao m\u00e1ximo \u201cobjetivo de toda associa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_8');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_8');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_8\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[8]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_8\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, 2010, p. 50.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_8').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_8', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>Mas \u201cquem \u00e9 esse homem distinto do cidad\u00e3o?\u201d<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_9');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_9');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_9\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[9]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_9\" class=\"footnote_tooltip\">Idem, p. 48. (N. A.) A figura enigm\u00e1tica deste Homem, que est\u00e1 completamente isolado de seus pares e, ao mesmo tempo, \u00e9 o protagonista absoluto da vida social moderna, foi uma grande preocupa\u00e7\u00e3o&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_9');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_9').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_9', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>O <em>bourgeois<\/em>, que \u00e9 uma figura mais obscura do que o <em>citoyen<\/em>. Ele n\u00e3o <em>declara<\/em> os direitos universais. Ele os recebe. Durante uma revolu\u00e7\u00e3o h\u00e1 v\u00e1rias coisas a serem feitas \u2013 o burgu\u00eas n\u00e3o faz absolutamente nada. Ele n\u00e3o participa do progresso hist\u00f3rico, mas se beneficia de seus frutos. Surge a quest\u00e3o: quem \u00e9 esse \u201chomem\u201d que existe e demanda direitos sem ser cidad\u00e3o, de fato, sendo justamente diferente do cidad\u00e3o? E por que ele n\u00e3o \u00e9 um cidad\u00e3o? Ele \u00e9, talvez, um estrangeiro, embora viva entre n\u00f3s? Quem \u00e9 esse homem imprudente, que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 um membro da comunidade pol\u00edtica, mas \u00e9 essencialmente definido por sua n\u00e3o filia\u00e7\u00e3o, pela exist\u00eancia separada que leva? Quem \u00e9 esse indiv\u00edduo isolado, que n\u00e3o partilha do destino da comunidade pol\u00edtica e \u00e9 indiferente ao seu progresso hist\u00f3rico? Quem \u00e9 esse ego\u00edsta, portador de interesses exclusivos e antissociais? Quem \u00e9 e, acima de tudo: quem pensa que \u00e9, esse \u201chomem\u201d incapaz de sociabilidade, que afirma desfrutar de direitos universais, sem abandonar os privil\u00e9gios particulares que o separam da comunidade pol\u00edtica? Quase se poderia pensar que ele \u00e9 judeu.<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento de Marx remonta \u00e0 g\u00eanese da quest\u00e3o judaica \u00e0 cis\u00e3o interna da subjetividade burguesa. Quando Bruno Bauer acusa os judeus de privilegiarem sua ess\u00eancia particular enquanto judeus a despeito de sua ess\u00eancia universal enquanto seres humanos, ele est\u00e1 aplicando um princ\u00edpio fundamental da pol\u00edtica moderna apenas a essa minoria religiosa em particular. A contradi\u00e7\u00e3o percebida por ele entre a Lei religiosa de Israel e a lei civil universal \u00e9, de acordo com Marx, uma contradi\u00e7\u00e3o geral da sociedade burguesa. Uma contradi\u00e7\u00e3o que diz respeito a cada um de seus membros, sejam eles judeus, cat\u00f3licos, protestantes ou ateus, uma vez que a individualidade de cada um deles est\u00e1 internamente cindida. A caracter\u00edstica dupla do sujeito jur\u00eddico moderno \u00e9 projetada por Bauer sobre a minoria judaica e interpretada como a sua pr\u00f3pria duplicidade mefistof\u00e9lica, como um produto da sof\u00edstica enganosa dos rabinos, como uma fraude judaica contra toda a comunidade. Quando ele diz que os judeus n\u00e3o s\u00e3o \u201ccapazes de se tornarem livres\u201d, que o seu ego\u00edsmo \u00e9 incompat\u00edvel com os princ\u00edpios universais da cidadania, Bauer est\u00e1 fazendo com que eles incorporem a condi\u00e7\u00e3o coletiva, inconsciente e paradoxal de indiv\u00edduos cindidos, que s\u00e3o, ao mesmo tempo, <em>bourgeois<\/em> e <em>citoyen<\/em>. \u00c9 nesse sentido que Marx fala de um \u201cjuda\u00edsmo da sociedade burguesa\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_10');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_10');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_10\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[10]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_10\" class=\"footnote_tooltip\">&nbsp;Marx, 2010, p. 23, p. 57.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_10').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_10', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>Sua cr\u00edtica sarc\u00e1stica desvela o que, algumas d\u00e9cadas mais tarde, a psican\u00e1lise descreveria como um mecanismo subconsciente de proje\u00e7\u00e3o. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_11');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_11');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_11\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[11]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_11\" class=\"footnote_tooltip\">Cf. Adorno, Theodor W.; Horkheimer, Max. Dial\u00e9tica do Esclarecimento: fragmentos filos\u00f3ficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985; Freud, Sigmund. Obras completas, vol. 10. S\u00e3o Paulo: Companhia das&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_11');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_11').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_11', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>&nbsp;\u201cO judeu, que \u00e9 um membro particular da sociedade burguesa, \u00e9 a \u00fanica manifesta\u00e7\u00e3o particular do juda\u00edsmo da sociedade burguesa\u201d.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_12');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_12');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_12\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[12]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_12\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, 2010, p. 57.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_12').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_12', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>Em uma tentativa de entender as origens do antissemitismo de Bauer, o jovem Marx delineou o problema ao qual ele dedicaria a pesquisa de sua vida inteira. A saber: por que uma sociedade que nasceu de revolu\u00e7\u00f5es modernas falha em realizar os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade universal prometida pelo Esclarecimento e, em vez disso, os oprime? Suas reflex\u00f5es sobre a quest\u00e3o judaica n\u00e3o lidam principalmente com os judeus ou com o preconceito contra eles, mas sim com os limites da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, da seculariza\u00e7\u00e3o, do Estado moderno e da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Nesse sentido, essa revis\u00e3o cr\u00edtica pode ser considerada o primeiro documento da teoria cr\u00edtica da sociedade burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ele publicou seu artigo <em>Sobre a quest\u00e3o judaica<\/em>, em 1844, a hist\u00f3ria do antissemitismo moderno tinha apenas come\u00e7ado. Cem anos depois, enquanto a \u201csolu\u00e7\u00e3o final\u201d \u00e0 quest\u00e3o judaica estava ocorrendo em Auschwitz, a <em>Dial\u00e9tica do<\/em> <em>Esclarecimento<\/em>, de Adorno e Horkheimer, era publicada em Nova Iorque. Seu \u00faltimo cap\u00edtulo, \u201cElementos do antissemitismo\u201d, representa a principal tentativa do pensamento social e filos\u00f3fico do s\u00e9culo XX de abordar o antissemitismo moderno e refletir sobre seu resultado catastr\u00f3fico. O subt\u00edtulo \u201climites do Esclarecimento\u201d \u00e9 \u2013 como defendo \u2013 uma varia\u00e7\u00e3o do aviso do jovem Marx sobre os \u201climites da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua investiga\u00e7\u00e3o sobre os motivos que teriam levado \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o de Bauer \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o judaica, Marx passou a identificar os elementos do que poderia ser chamado de \u201cantissemitismo burgu\u00eas\u201d. Resumindo, o antissemitismo bugu\u00eas consiste no fato de que a <em>contradi\u00e7\u00e3o interna do sujeito entre o bourgeois e o citoyen se manifesta em sua consci\u00eancia na forma de uma oposi\u00e7\u00e3o externa entre ele e o judeu<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-theme-palette-13-color has-text-color has-link-color wp-elements-5ab27ed5ee5a3ac8ed8ef72a196fc8d2\"><br><strong>Mercadorias e dinheiro<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><br>Se n\u00f3s avan\u00e7armos vinte e cinco anos e abrirmos o primeiro volume d\u2019<em>O<\/em> <em>capital<\/em>, descobriremos que a primeira se\u00e7\u00e3o consiste basicamente em um longo argumento dial\u00e9tico, cujo objetivo \u00e9 mostrar que <em>a contradi\u00e7\u00e3o interna da mercadoria entre valor de uso e valor de troca deve necessariamente se manifestar para a consci\u00eancia de seu produtor como uma oposi\u00e7\u00e3o externa entre a mercadoria e o dinheiro<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A cr\u00edtica da economia pol\u00edtica de Marx n\u00e3o lida apenas com \u2018economia\u2019 no sentido estrito (se \u00e9 que h\u00e1 algo do tipo). Seu objeto \u00e9 mais amplo, e coincide com o conjunto geral das rela\u00e7\u00f5es sociais na idade moderna \u2013 tanto como elas s\u00e3o quanto como elas aparecem para a consci\u00eancia dos sujeitos envolvidos. Para al\u00e9m dos conflitos econ\u00f4micos, a investiga\u00e7\u00e3o de Marx tem como objetivo oferecer as ferramentas te\u00f3ricas para entender, tamb\u00e9m, \u201cas formas jur\u00eddicas, pol\u00edticas, religiosas, art\u00edsticas ou filos\u00f3ficas \u2013 em resumo, as formas ideol\u00f3gicas pelas quais os homens tomam consci\u00eancia desse conflito e o conduzem at\u00e9 o fim\u201d <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_13');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_13');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_13\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[13]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_13\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, Karl. <em>Para a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1982, p. 25.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_13').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_13', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>Assim como a economia, conforme explicitado por Marx, oferece a \u201canatomia da sociedade burguesa\u201d, \u00e9 igualmente verdadeiro que a an\u00e1lise de sua c\u00e9lula elementar, a mercadoria, revela a anatomia do sujeito burgu\u00eas. De fato, \u00e9 poss\u00edvel dizer que o conceito de mercadoria remete, retoma e formaliza a conforma\u00e7\u00e3o fragmentada do sujeito burgu\u00eas analisada em seu ensaio inicial <em>Sobre a quest\u00e3o judaica<\/em>. Assim como o portador dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o, a mercadoria tamb\u00e9m apresenta um car\u00e1ter duplo enquanto sua determina\u00e7\u00e3o essencial, e tamb\u00e9m encobre um car\u00e1ter misterioso e \u201cenigm\u00e1tico\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_14');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_14');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_14\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[14]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_14\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, 2013, p. 186; p. 205.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_14').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_14', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><br>Marx chama os dois lados da mercadoria de \u2018valor de uso\u2019 e \u2018valor de troca\u2019. Uma mercadoria \u00e9 valor de uso desde que tenha uma estrutura individual, bem como propriedades particulares e concretas adequadas \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades particulares e concretas. O valor de troca \u00e9 a mesma mercadoria considerada sob o aspecto de uma propriedade \u00fanica e imaterial: o valor, ou a propriedade universal e social que a permite ser trocada por outras mercadorias. Cada mercadoria individual \u00e9, portanto, um ser individual internamente duplicado. Ela \u00e9, ao mesmo tempo: uma coisa privada, destinada \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades individuais concretas, com base em suas propriedades individuais concretas; e uma coisa p\u00fablica \u2013 por assim dizer, um <em>citoyen<\/em> da rep\u00fablica das mercadorias (o mercado); um ser social que se relaciona com seus pares enquanto portador da mesma natureza universal da mercadoria (sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, religi\u00e3o, g\u00eanero, entre outras).<br>Um membro da sociedade burguesa \u00e9 um indiv\u00edduo privado, para quem \u00e9 garantida a liberdade de ser crist\u00e3o, judeu, ateu, rico, pobre, etc \u2013 \u201ca seu bel prazer (<em>\u00e0 son gr\u00e9<\/em>)\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_15');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_15');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_15\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[15]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_15\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, 2010, p. 49.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_15').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_15', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>Assim como a economia, conforme explicitado por Marx, oferece a \u201canatomia da sociedade burguesa\u201d, \u00e9 igualmente verdadeiro que a an\u00e1lise de sua c\u00e9lula elementar, a mercadoria, revela a anatomia do sujeito burgu\u00eas. De fato, \u00e9 poss\u00edvel dizer que o conceito de mercadoria remete, retoma e formaliza a conforma\u00e7\u00e3o fragmentada do sujeito burgu\u00eas analisada em seu ensaio inicial <em>Sobre a quest\u00e3o judaica<\/em>. Assim como o portador dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o, a mercadoria tamb\u00e9m apresenta um car\u00e1ter duplo enquanto sua determina\u00e7\u00e3o essencial, e tamb\u00e9m encobre um car\u00e1ter misterioso e \u201cenigm\u00e1tico\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_16');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_16');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_16\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[16]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_16\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, 2013, p. 186; p. 205.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_16').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_16', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><br>Marx chama os dois lados da mercadoria de \u2018valor de uso\u2019 e \u2018valor de troca\u2019. Uma mercadoria \u00e9 valor de uso desde que tenha uma estrutura individual, bem como propriedades particulares e concretas adequadas \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades particulares e concretas. O valor de troca \u00e9 a mesma mercadoria considerada sob o aspecto de uma propriedade \u00fanica e imaterial: o valor, ou a propriedade universal e social que a permite ser trocada por outras mercadorias. Cada mercadoria individual \u00e9, portanto, um ser individual internamente duplicado. Ela \u00e9, ao mesmo tempo: uma coisa privada, destinada \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades individuais concretas, com base em suas propriedades individuais concretas; e uma coisa p\u00fablica \u2013 por assim dizer, um <em>citoyen<\/em> da rep\u00fablica das mercadorias (o mercado); um ser social que se relaciona com seus pares enquanto portador da mesma natureza universal da mercadoria (sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, religi\u00e3o, g\u00eanero, entre outras).<br>Um membro da sociedade burguesa \u00e9 um indiv\u00edduo privado, para quem \u00e9 garantida a liberdade de ser crist\u00e3o, judeu, ateu, rico, pobre, etc \u2013 \u201ca seu bel prazer (<em>\u00e0 son gr\u00e9<\/em>)\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_17');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_17');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_17\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[17]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_17\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, 2010, p. 49.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_17').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_17', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>Ele n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o direta com outros membros da sociedade; somente atrav\u00e9s da esfera separada do Estado pol\u00edtico. Mesmo assim, ele n\u00e3o adentra essa esfera como crist\u00e3o, judeu, ateu, rico, pobre, etc.; n\u00e3o como o indiv\u00edduo \u00fanico que \u00e9, mas como um cidad\u00e3o igual aos demais.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo similar, o produto do trabalho de um produtor de mercadorias \u00e9 um objeto individual que pode ser um vaso, um livro de romance, uma garrafa, uma pintura, etc. \u2013 a crit\u00e9rio de seu produtor. Ele n\u00e3o \u00e9 trocado imediatamente com o produto do trabalho de outros produtores, mas somente na esfera do mercado, que \u00e9 separada da esfera na qual os valores de uso s\u00e3o produzidos e consumidos. Mesmo assim, ele n\u00e3o entra nessa esfera como um vaso, um livro de romance, uma garrafa ou uma pintura, mas sim como uma mercadoria igual a todas as demais. A rela\u00e7\u00e3o social entre os produtores de mercadoria \u00e9, portanto, baseada na redu\u00e7\u00e3o de todas as suas atividades ao \u201cTrabalho\u201d: trabalho em geral, sem qualquer outra especifica\u00e7\u00e3o, trabalho humano em um sentido universal e abrangente (em grego: <em>katholik\u00f3s<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>O paralelismo que estamos observando entre a an\u00e1lise dos direitos humanos e o da mercadoria tamb\u00e9m inclui o fato de que, em ambos casos, o car\u00e1ter interno, duplo e contradit\u00f3rio do sujeito\/mercadoria \u00e9 objetificado na figura de um corpo alheio \u2013 no primeiro caso, o judeu; no segundo, o dinheiro. A equa\u00e7\u00e3o simples de duas mercadorias (A=B) \u00e9, para Marx, uma manifesta\u00e7\u00e3o externa da dualidade interna da mercadoria individual. A partir dessa equa\u00e7\u00e3o, que ele chama de \u201cforma simples do valor\u201d, o primeiro cap\u00edtulo d\u2019<em>O capital <\/em>desenvolve, dedutivamente, uma \u201cforma total do valor\u201d e uma forma \u201cgeral\u201d ou \u201cuniversal do valor\u201d. Nesta \u00faltima, todas as mercadorias expressam seu valor (enquanto distinto do valor de uso) em uma mercadoria \u00fanica, que se torna o \u201cequivalente universal\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_18');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_18');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_18\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[18]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_18\" class=\"footnote_tooltip\">&nbsp;Marx, 2013, pp. 199-200.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_18').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_18', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> A partir do momento na hist\u00f3ria da troca em que isso passou a ocorrer em larga escala, surgiu o dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma c\u00e9dula em m\u00e3os podemos, a despeito de quem somos ou do que fazemos enquanto profiss\u00e3o, entrar em uma pizzaria e pedir uma pizza de marguerita, convencer um taxista a me levar a uma esta\u00e7\u00e3o de trem, etc.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_19');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_19');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_19\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[19]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_19\" class=\"footnote_tooltip\">Cf. Marx, Karl. Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos. Trad. Jesus Ranieri. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2004, p. 160. &#8220;Se eu desejo uma refei\u00e7\u00e3o ou se quero me utilizar da mala-posta, porque n\u00e3o sou&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_19');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_19').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_19', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> O dinheiro aparece como uma mercadoria especial, que \u00e9 como qualquer outra mas, ao mesmo tempo,&nbsp; separada das outras; uma mercadoria particular, privilegiada ou <em>escolhida<\/em> dentre as demais, que, a despeito de sua particularidade, reivindica dom\u00ednio universal e exclusivo sobre todas as mercadorias do mundo e sobre todo o mundo mercantilizado. Ao analisar sua apar\u00eancia, Marx mostra que a aura m\u00e1gica, quase religiosa do dinheiro \u00e9, de fato, nada mais do que um reflexo de sua forma social do trabalho moderno e de seus produtos. \u201c(&#8230;) o enigma do fetiche do dinheiro n\u00e3o \u00e9 mais do que o enigma do fetiche da mercadoria, que agora se torna vis\u00edvel e ofusca a vis\u00e3o\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_20');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_20');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_20\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[20]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_20\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, 2013, p. 228.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_20').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_20', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>O dinheiro n\u00e3o se torna o fetiche da sociedade burguesa por sua pr\u00f3pria virtude. N\u00e3o \u00e9 nada mais do que o car\u00e1ter fetichista das mercadorias, ou seja, sua propriedade de refletir as qualidades sociais do trabalho que as produz como se fossem qualidades pr\u00f3prias das coisas, que se transmutam em um corpo pr\u00f3prio, distinto do da mercadoria. O trabalho humano abstrato torna-se vis\u00edvel no brilho dos metais nobres. Mas \u00e9 vis\u00edvel demais: ele ofusca os olhos. Em vez de desvendar o enigma, aprofunda-o.<br>A fun\u00e7\u00e3o do dinheiro dentro de um sistema de produ\u00e7\u00e3o de mercadorias \u00e9 t\u00e3o obscura e enigm\u00e1tica quanto \u00e9 essencial e indispens\u00e1vel, a ponto de poder ser deduzido puramente de forma l\u00f3gica a partir do pr\u00f3prio conceito de mercadoria.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_21');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_21');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_21\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[21]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_21\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, 2011, p. 140. \u201cA determina\u00e7\u00e3o do produto em valor de troca implica necessariamente, portanto, que o valor de troca adquire uma exist\u00eancia separada e desprendida do produto. O valor de&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_21');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_21').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_21', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>. Por muitos anos, Marx se op\u00f4s ao pensamento econ\u00f4mico que situa o dinheiro como a fonte \u00faltima de toda a instabilidade, as disfun\u00e7\u00f5es e as crises da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, advogando em prol da reforma das \u00faltimas por meio da aboli\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios do primeiro. O protagonista dessas pol\u00eamicas \u00e9 o te\u00f3rico social e reformador franc\u00eas Pierre-Joseph Proudhon, que \u00e9 tamb\u00e9m conhecido, a prop\u00f3sito, por sua feroz animosidade em rela\u00e7\u00e3o aos judeus. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_22');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_22');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_22\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[22]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_22\" class=\"footnote_tooltip\">Cf. Marx. A ideologia alem\u00e3, 2007; A mis\u00e9ria da filosofia, 2017; Grundrisse, 2011. Sobre o antissemitismo de Proudhon e sua influ\u00eancia na teoria econ\u00f4mica do fascismo cf. Fr\u00e9d\u00e9ric Krier.&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_22');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_22').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_22', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00facleo da teoria do dinheiro de Marx \u00e9 expresso de forma concisa na seguinte afirma\u00e7\u00e3o: \u201cEm resumo, todas as propriedades enumeradas como propriedades particulares do dinheiro s\u00e3o propriedades da mercadoria (&#8230;).\u201d<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_23');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_23');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_23\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[23]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_23\" class=\"footnote_tooltip\">&nbsp;Marx, Karl. <em>Grundrisse<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo,&nbsp; 2011, p. 136.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_23').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_23', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> A tese de que todas as propriedades aparentemente pertencentes ao dinheiro s\u00e3o, de fato, propriedades da mercadoria esclarece o significado da afirma\u00e7\u00e3o citada no in\u00edcio desta fala: \u2018que todas as mercadorias \u2026 s\u00e3o \u2026 dinheiro\u2019. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_24');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_24');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_24\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[24]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_24\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, 2013, p. 230; p. 294.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_24').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_24', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Mas o que f\u00e9 e verdade tem a ver com isso? E por que Marx relembra, nesse contexto, a defini\u00e7\u00e3o de Paulo de crist\u00e3os como &#8220;judeus internamente circuncidados&#8221;? Como essa transposi\u00e7\u00e3o repentina de um problema da teoria econ\u00f4mica para o terreno teol\u00f3gico-pol\u00edtico da quest\u00e3o judaica deve ser entendida?<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre o ensaio <em>Sobre a quest\u00e3o judaica<\/em> e os primeiros cap\u00edtulos do<em> Capital<\/em> oferece mais do que uma pista para entender essa quest\u00e3o. Assim como &#8220;O judeu, que figura como membro particular na sociedade burguesa, constitui t\u00e3o somente uma manifesta\u00e7\u00e3o particular do juda\u00edsmo da sociedade burguesa&#8221;, <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_25');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_25');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_25\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[25]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_25\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, 2010, p. 57.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_25').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_25', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> o dinheiro \u00e9 &#8220;na realidade nada al\u00e9m de uma express\u00e3o particular do car\u00e1ter social do trabalho, que, no entanto, por ser antit\u00e9tico \u00e0 base da produ\u00e7\u00e3o privada, deve sempre aparecer, na \u00faltima an\u00e1lise, como uma coisa, uma mercadoria especial, ao lado de outras mercadorias&#8221;.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_26');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_26');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_26\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[26]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_26\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, Karl. <em>O Capital III<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017, p. 665.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_26').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_26', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Tanto o judeu quanto o dinheiro s\u00e3o descritos como dois espelhos que refletem, em particular, as caracter\u00edsticas gerais da sociedade burguesa e do seu modo de produ\u00e7\u00e3o. A liga\u00e7\u00e3o formal entre essas duas teorias n\u00e3o poderia ser mais evidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando confrontado com a<em> Quest\u00e3o judaica<\/em> de Bruno Bauer, o jovem Marx apreendeu a tend\u00eancia de Bauer de projetar seus pr\u00f3prios conflitos internos na figura de um inimigo estrangeiro e intruso. Na \u00e9poca em que Marx primeiro identificou esse mecanismo psicol\u00f3gico fundamental do antissemitismo moderno, ele n\u00e3o p\u00f4de oferecer uma explica\u00e7\u00e3o para esse fen\u00f4meno, mas somente vislumbrar que a contradi\u00e7\u00e3o interna da sociedade burguesa se manifesta na consci\u00eancia de seus membros na forma de uma oposi\u00e7\u00e3o externa entre sua maioria crist\u00e3 e sua minoria judia, sem explicar o motivo para tal. Sua obra econ\u00f4mica principal, publicada quase um quarto de s\u00e9culo depois, parece sugerir que essa distor\u00e7\u00e3o antissemita da consci\u00eancia burguesa n\u00e3o \u00e9 puramente subjetiva e psicol\u00f3gica, mas \u00e9, ao contr\u00e1rio, um <em>fundamentum in re<\/em> <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_27');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_27');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_27\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[27]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_27\" class=\"footnote_tooltip\">\u201cFundamento na coisa\u201d, em latim no original (N.T.)<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_27').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_27', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>O leitor d\u2019<em>O capital<\/em> aprende n\u00e3o apenas que o dinheiro \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o da natureza dupla da riqueza burguesa (mercadoria) e do trabalho que a produz. Ele tamb\u00e9m \u00e9 levado a compreender por qu\u00ea a contradi\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 mercadoria deve necessariamente se manifestar \u00e0 consci\u00eancia de seus produtores de modo diferente do que \u00e9, a saber, na forma de uma oposi\u00e7\u00e3o externa entre a mercadoria em si e o dinheiro. A representa\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es internas como oposi\u00e7\u00e3o externa resulta em uma consci\u00eancia socialmente necess\u00e1ria, compreendida como uma &#8220;forma de apar\u00eancia&#8221; do mundo objetivo sens\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-theme-palette-13-color has-text-color has-link-color wp-elements-4b23c4ace9f960e3e289320bdfe201e1\"><br><strong>A forma mais adequada de religi\u00e3o para tal sociedade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><br>At\u00e9 o momento, consideramos o paralelismo entre <em>Sobre a quest\u00e3o judaica <\/em>e o <em>Capital<\/em> apenas em termos formais ou abstratos. Entretanto, o nexo entre o sujeito burgu\u00eas e a mercadoria, e especialmente entre o judeu e o dinheiro, n\u00e3o \u00e9 somente categorial, mas hist\u00f3rico. Como \u00e9 bem conhecido, a associa\u00e7\u00e3o entre os judeus e o poder do dinheiro \u00e9 um estere\u00f3tipo tradicional, quase arquet\u00edpico, na cultura econ\u00f4mica europeia. Sua ampla difus\u00e3o pode ser remontada desde o Antigo ao Novo Testamento <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_28');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_28');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_28\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[28]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_28\" class=\"footnote_tooltip\">Evangelho segundo Marcos, 11, 15-19. \u201cE [Jesus e os ap\u00f3stolos] chegam a Jerusal\u00e9m. Entrando no templo, Jesus come\u00e7ou a expulsar os que vendiam e compravam no templo e revirou as mesas dos&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_28');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_28').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_28', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Ele \u00e9 recorrente na Idade M\u00e9dia, chegando at\u00e9 a \u00e9poca burguesa e aparentemente sobrevivendo a ela <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_29');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_29');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_29\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[29]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_29\" class=\"footnote_tooltip\"> Cf. Rachmann. <em>Der Fetischcharakter der Ware und seine Auswirkungen auf das Subjekt: Eine Untersuchung im Anschluss an Marx und die Kritische Theorie<\/em>, 2017.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_29').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_29', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>A aten\u00e7\u00e3o de Marx aos problemas da conex\u00e3o arquet\u00edpica entre judeus e dinheiro \u00e9 evidenciada por outra observa\u00e7\u00e3o alusiva no primeiro volume d\u2019<em>O capital<\/em>: no cap\u00edtulo sobre o fetichismo, e mais notavelmente no contexto de uma reflex\u00e3o breve sobre o cristianismo como forma de religi\u00e3o mais adequada \u00e0 sociedade produtora de mercadorias. Vale a pena citar um trecho na \u00edntegra.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><br><em>Para uma sociedade de produtores de mercadorias, cuja rela\u00e7\u00e3o social geral de produ\u00e7\u00e3o consiste em se relacionar com seus produtos como mercadorias, ou seja, como valores, e, nessa forma reificada [sachlich], confrontar mutuamente seus trabalhos privados como trabalho humano igual, o cristianismo, com seu culto do homem abstrato, \u00e9 a forma de religi\u00e3o mais apropriada, especialmente em seu desenvolvimento burgu\u00eas, como protestantismo, de\u00edsmo etc. Nos modos de produ\u00e7\u00e3o asi\u00e1ticos, antigos etc. a transforma\u00e7\u00e3o do produto em mercadoria e, com isso, a exist\u00eancia dos homens como produtores de mercadorias, desempenha um papel subordinado, que, no entanto, torna-se progressivamente mais significativo \u00e0 medida que as comunidades avan\u00e7am em seu processo de decl\u00ednio. Povos propriamente comerciantes existem apenas nos interm\u00fandios do mundo antigo, como os deuses de Epicuro, ou nos poros da sociedade polonesa (&#8230;).<\/em><span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_30');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_30');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_30\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[30]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_30\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, 2013, p. 215.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_30').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_30', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><br><br><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A \u00faltima frase desta cita\u00e7\u00e3o, caracterizando os judeus como uma \u201cna\u00e7\u00e3o comercial\u201d, est\u00e1 presente em diversos outros lugares dos escritos de Marx, de forma quase id\u00eantica, e com repeti\u00e7\u00e3o insistente, quase como uma f\u00f3rmula fixa.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_31');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_31');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_31\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[31]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_31\" class=\"footnote_tooltip\">Cf. Marx, 2017, p. 151; Marx, 2011, p. 247; p. 310; p. 646.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_31').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_31', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Essa passagem t\u00eam sido frequentemente lida como uma evid\u00eancia do \u201cantissemitismo\u201d de Marx, ou pelo menos do fato de que ele costumava reproduzir estere\u00f3tipos sobre os judeus e sua paix\u00e3o inata pelo com\u00e9rcio e pelo dinheiro. At\u00e9 onde sei, nenhum comentador at\u00e9 agora percebeu que essa frase \u2013 que \u00e9 obviamente de muita import\u00e2ncia para o autor \u2013 \u00e9, na verdade, uma cita\u00e7\u00e3o escondida. A fonte n\u00e3o citada n\u00e3o \u00e9 ningu\u00e9m menos que Bruno Bauer, em <em>A quest\u00e3o judaica<\/em> (1843), onde lemos, no primeiro cap\u00edtulo:\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>Assim como os deuses de Epicuro habitam os interst\u00edcios do mundo, onde se elevam acima de todo o trabalho determinado, assim tamb\u00e9m os judeus estabeleceram-se fora dos interesses determinados de classe e corpora\u00e7\u00e3o, aninhando-se nas fendas e frestas da sociedade burguesa e apropriando-se dos sacrif\u00edcios exigidos pelo elemento incerto da sociedade burguesa<\/em>. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_32');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_32');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_32\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[32]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_32\" class=\"footnote_tooltip\">Bruno Bauer. Die Judenfrage: Braunschweig, Friedrich Otto, 1843, p. 9.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_32').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_32', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os deuses de Epicuro habitam lugares vazios entre os mundos reais, e separados deles. Al\u00e9m disso, como \u00e9 conhecido, eles s\u00e3o completamente indiferentes \u00e0s quest\u00f5es humanas. Ao comparar a na\u00e7\u00e3o \u2018comercial\u2019 judaica aos deuses de Epicuro, Bruno Bauer pretende denunciar sua exterioridade com rela\u00e7\u00e3o ao mundo social da produ\u00e7\u00e3o e sua forma parasit\u00e1ria de apropria\u00e7\u00e3o do fruto do trabalho alheio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0A cita\u00e7\u00e3o escondida do velho folhetim antissemita de seu antigo amigo, professor e oponente \u00e9 claramente cr\u00edtica. A obje\u00e7\u00e3o de Marx \u00e9 que essa caracteriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos judeus pode encontrar lugar objetivo no mundo antigo ou medieval, ou at\u00e9 na Pol\u00f4nia atrasada, mas n\u00e3o \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 situa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea de pa\u00edses desenvolvidos, ou sequer adequada para apreender as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas espec\u00edficas da sociedade moderna. A separa\u00e7\u00e3o indicada por Bauer entre uma massa de produtores e uma minoria de comerciantes identificada com uma nacionalidade espec\u00edfica, os judeus, n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m da express\u00e3o das duas caracter\u00edsticas da mercadoria enquanto separadas e independentes uma da outra \u2013 ampliada para o todo social. A ideia econ\u00f4mica subjacente a esse argumento \u00e9 a de uma sociedade dividida: diante de sua parte majorit\u00e1ria dedicada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de bens para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades, encontra-se uma parte minorit\u00e1ria inteiramente voltada ao valor de troca.<\/p>\n\n\n\n<p>A cr\u00edtica de Marx n\u00e3o se dirige tanto ao conte\u00fado estereot\u00edpico da sociologia econ\u00f4mica de Bauer, segundo a qual os judeus, desvinculados da esfera da produ\u00e7\u00e3o, s\u00e3o um povo de comerciantes que circulam o dinheiro, mas sim ao seu uso como categoria para interpretar a sociedade moderna. O fen\u00f4meno de uma liga\u00e7\u00e3o especial entre o valor de troca e a atividade econ\u00f4mica de uma na\u00e7\u00e3o ou grupo social espec\u00edfico s\u00f3 pode ocorrer em contextos sociais nos quais a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias \u00e9 um aspecto marginal da vida econ\u00f4mica. Na sociedade moderna, que contrasta com esses contextos, a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias \u00e9 predominante, o que significa que toda a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre produ\u00e7\u00e3o de valor de troca (assim como de valor de uso). \u201cTodas as mercadorias, por mais mesquinhas que pare\u00e7am ou por mais malcheirosas que sejam, s\u00e3o pela f\u00e9 e na verdade dinheiro\u201d.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_33');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_33');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_33\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[33]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_33\" class=\"footnote_tooltip\">\u00a0Marx, 2013, p. 298.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_33').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_33', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>As fun\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas relacionadas ao valor de troca, que parecem subjugar o trabalho concreto dos produtores, n\u00e3o est\u00e3o mais relacionadas especificamente \u00e0 casta dos mercadores ou \u00e0 na\u00e7\u00e3o judaica. Ao contr\u00e1rio, elas se tornam fun\u00e7\u00f5es universais, pertencentes a todos os produtos do trabalho e a todo o trabalho.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Se algu\u00e9m quiser caracterizar a economia capitalista sob o aspecto religioso \u2013 diz Marx na primeira parte da cita\u00e7\u00e3o acima \u2013 ela deveria ser chamada crist\u00e3, ao inv\u00e9s de judaica. Em sua vis\u00e3o, \u00e9 o \u201ccristianismo com seu <em>cultus<\/em> do homem abstrato\u201d, a \u201cforma mais adequada de religi\u00e3o\u201d para uma sociedade cuja reprodu\u00e7\u00e3o material \u00e9 fundada no princ\u00edpio do trabalho humano abstrato. Com essa, para assim dizer, observa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gico-econ\u00f4mica, Marx est\u00e1 confirmando uma tese que ele j\u00e1 tinha esbo\u00e7ado h\u00e1 mais de vinte anos. No ensaio <em>Sobre a quest\u00e3o judaica<\/em>, ele escreveu:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><br><br><em>O juda\u00edsmo atinge o seu ponto alto com a realiza\u00e7\u00e3o plena da sociedade burguesa; mas a sociedade burguesa s\u00f3 se realiza plenamente no mundo crist\u00e3o. Somente sob a domina\u00e7\u00e3o do cristianismo, que torna todas as rela\u00e7\u00f5es nacionais, naturais, morais e te\u00f3ricas exteriores ao homem, a sociedade burguesa foi capaz de separar\u2011se completamente da vida do Estado, romper todos os la\u00e7os que prendiam o homem ao seu g\u00eanero, substituir esses la\u00e7os de g\u00eanero pelo ego\u00edsmo, pela necessidade egoc\u00eantrica e dissolver o mundo humano em um mundo de indiv\u00edduos atomizados, que se hostilizam mutuamente.<\/em> <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_34');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_34');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_34\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[34]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_34\" class=\"footnote_tooltip\">Marx, <em>Sobre a quest\u00e3o judaica<\/em>. Trad. N\u00e9lio Schneider S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2010, p. 59.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_34').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_34', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><br><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A separa\u00e7\u00e3o do Estado pol\u00edtico da sociedade burguesa, do <em>citoyen <\/em>do <em>bourgeois<\/em>, lembrava ao jovem Marx o dualismo crist\u00e3o entre corpo e alma, carne e esp\u00edrito. Em sua pol\u00eamica com Bruno Bauer, ele argumentava que a base da vida atomizada, antipol\u00edtica, assimocial ou \u2018judaica\u2019 da sociedade burguesa deve ser buscada no \u2018dom\u00ednio do Cristianismo\u2019. N\u00e3o nos judeus, ou em outra amea\u00e7a externa \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3. De maneira semelhante, a ideia de um valor metaf\u00edsico das mercadorias enquanto distintas de seu corpo profano sugere uma heran\u00e7a crist\u00e3, em vez de judaica. O trabalho \u2018humano\u2019 abstrato e universal que forma o valor enquanto subst\u00e2ncia das mercadorias aparece para ele como uma express\u00e3o do \u201c<em>cultus<\/em> do homem abstrato\u201d que, aos seus olhos, \u00e9 distinto da religi\u00e3o do Esp\u00edrito Santo e do amor universal. Esse pensamento \u00e9 transmitido repetidamente, muitas vezes de forma alusiva e semi-s\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>[O valor]\u00a0 Como valor original, ele se diferencia de si mesmo como mais-valor, tal como Deus Pai se diferencia de si mesmo como Deus Filho, sendo ambos da mesma idade e constituindo, na verdade, uma \u00fanica pessoa, pois \u00e9 apenas por meio do mais-valor de \u00a310 que as \u00a3100 adiantadas se tornam capital, e, assim que isso ocorre, assim que \u00e9 gerado o filho e, por meio do filho, o pai, desaparece sua diferen\u00e7a e eles s\u00e3o apenas um, \u00a3110. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_35');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4964_1('footnote_plugin_reference_4964_1_35');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4964_1_35\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[35]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_35\" class=\"footnote_tooltip\">\u00a0Marx, 2013, p. 298.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4964_1_35').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4964_1_35', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><br><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-theme-palette-13-color has-text-color has-link-color wp-elements-9037bb8e7163d60cd4a3df16a4222257\"><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o sobre o car\u00e1ter judeu ou, melhor, crist\u00e3o do capital n\u00e3o \u00e9 exclusivamente teol\u00f3gica. Em jogo est\u00e3o dois modelos de cr\u00edtica social teoricamente e politicamente opostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as teorias sobre o poder internacional dos judeus e a judaiza\u00e7\u00e3o da sociedade moderna baseiam-se numa concep\u00e7\u00e3o do capitalismo como um sistema de apropria\u00e7\u00e3o parasit\u00e1ria dos frutos do trabalho pelo dinheiro. Elas n\u00e3o abarcam as contradi\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias como algo inerente a ela. Estas s\u00e3o, antes, representadas como for\u00e7as ocultas que a amea\u00e7am de fora para provocar o seu colapso. O fator disruptivo na harmonia da troca honesta de mercadorias, fundada na igualdade universal de todo o trabalho, \u00e9 identificado com o dinheiro e, para al\u00e9m dele, com a casta fechada e inacess\u00edvel dos seus possuidores e manipuladores.<\/p>\n\n\n\n<p>O espectro judeu que assombra a Europa desempenha uma fun\u00e7\u00e3o crucial na vida ps\u00edquica do sujeito burgu\u00eas: ele d\u00e1 um contorno definido \u00e0 sua inquieta\u00e7\u00e3o, uma resposta \u00e0s suas preocupa\u00e7\u00f5es mais profundas. Apresenta-se como um atalho cognitivo capaz de fornecer orienta\u00e7\u00e3o num mundo em r\u00e1pida e insond\u00e1vel transforma\u00e7\u00e3o. Oferece \u00e0queles que o acolhem na sua consci\u00eancia a ilus\u00e3o de \u201ccompreens\u00e3o\u201d. O capitalismo \u00e9 \u201centendido\u201d como um facto malicioso, como uma grande fraude universal. O significado social do antissemitismo moderno reside no projeto de punir essa fraude e abolir todas as formas de rendimento parasit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, ao enfatizar o car\u00e1ter \u201ccrist\u00e3o\u201d do capitalismo, Marx sinaliza que o objeto principal da sua cr\u00edtica n\u00e3o \u00e9 tanto um sistema de apropria\u00e7\u00e3o de riqueza, mas um de produ\u00e7\u00e3o de riqueza. Segundo a sua teoria, aquilo contra o qual os trabalhadores devem lutar n\u00e3o \u00e9 tanto um inimigo do trabalho humano, mas a forma abstratamente &#8216;humana&#8217; do pr\u00f3prio trabalho. O poder que os oprime n\u00e3o \u00e9 o do dinheiro, o Deus \u00fanico e ciumento de Israel, mas o do capital, o Deus tri\u00fano e amoroso da humanidade universal.<\/p>\n\n\n\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de Marx para a reformula\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o social consiste principalmente em colocar a quest\u00e3o da forma social da produ\u00e7\u00e3o, e, portanto, da sua transformabilidade. A sua investiga\u00e7\u00e3o visa mostrar como a transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da sociedade passa necessariamente pela transforma\u00e7\u00e3o do seu modo de trabalhar. Ao faz\u00ea-lo, ele nunca se cansa de alertar contra teorias e programas ut\u00f3picos de todas as matizes pol\u00edticas que se vangloriam de outros tipos de \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d para a quest\u00e3o social, como deixar o trabalho inalterado.<\/p>\n\n\n\n<p>O antissemitismo moderno associa o capitalismo ao juda\u00edsmo atrav\u00e9s do dinheiro como termo intermedi\u00e1rio. Marx n\u00e3o ensina apenas que o capital \u00e9 um sistema de produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, em vez de um de poder do dinheiro. Ele n\u00e3o acrescenta apenas que, para tal sistema, \u201co cristianismo, [e n\u00e3o, por exemplo, o juda\u00edsmo], \u00e9 a forma de religi\u00e3o mais adequada\u201d. Ele tamb\u00e9m explica por que raz\u00e3o o capital deve necessariamente aparecer como poder do dinheiro, e, portanto, como judeu. A sua an\u00e1lise da atitude religiosa, que ele aponta como caracter\u00edstica da sociedade crist\u00e3 moderna e secularizada, e que chama de \u201cfetichismo\u201d, fornece uma explica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica para esta deforma\u00e7\u00e3o social da consci\u00eancia. O conceito marxista de dinheiro como uma forma de apar\u00eancia do capital e a compreens\u00e3o econ\u00f4mica antissemita da sociedade moderna esclarecem a g\u00eanese um do outro. Assim como \u00e9 verdade que a cr\u00edtica de Marx \u00e0 economia pol\u00edtica contribui significativamente para a investiga\u00e7\u00e3o do antissemitismo moderno, \u00e9 igualmente verdade que uma investiga\u00e7\u00e3o cr\u00edtica sobre a quest\u00e3o judaica da sociedade burguesa \u00e9 necess\u00e1ria para determinar com precis\u00e3o o que \u00e9 cr\u00edtica da economia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file\"><a id=\"wp-block-file--media-ba9c12aa-ebc7-4116-9c12-121ef4429daf\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Elementos-do-Antissemitismo_-limites-da-economia-politica-Manuel-Disegni.pdf\">Elementos do Antissemitismo_ limites da economia pol\u00edtica &#8211; Manuel Disegni<\/a><a href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Elementos-do-Antissemitismo_-limites-da-economia-politica-Manuel-Disegni.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-ba9c12aa-ebc7-4116-9c12-121ef4429daf\">Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-theme-palette-1-color has-alpha-channel-opacity has-theme-palette-1-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-2-color has-text-color has-link-color wp-elements-af3682ac69d252ecbf5593d2939d46cd\"><\/p>\n\n\n<style>.wp-block-kadence-column.kb-section-dir-horizontal > .kt-inside-inner-col > .kt-info-box4964_0ea0d1-0d{max-width:1298px;}.wp-block-kadence-column.kb-section-dir-horizontal > .kt-inside-inner-col > .kt-info-box4964_0ea0d1-0d .kt-blocks-info-box-link-wrap{max-width:unset;}.kt-info-box4964_0ea0d1-0d .kt-blocks-info-box-link-wrap{border-color:#d70141;border-top-width:23px;border-right-width:23px;border-bottom-width:23px;border-left-width:23px;background:#d70141;max-width:1298px;padding-top:var(--global-kb-spacing-sm, 1.5rem);padding-right:var(--global-kb-spacing-sm, 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.kt-blocks-info-box-link-wrap:hover .kt-blocks-info-box-text{color:#f4dcc3;}.kt-info-box4964_0ea0d1-0d .kt-blocks-info-box-learnmore{background:transparent;border-width:0px 0px 0px 0px;padding-top:4px;padding-right:8px;padding-bottom:4px;padding-left:8px;margin-top:10px;margin-right:0px;margin-bottom:10px;margin-left:0px;}<\/style>\n<div class=\"wp-block-kadence-infobox kt-info-box4964_0ea0d1-0d\"><span class=\"kt-blocks-info-box-link-wrap info-box-link kt-blocks-info-box-media-align-top kt-info-halign-left\"><div class=\"kt-blocks-info-box-media-container\"><div class=\"kt-blocks-info-box-media kt-info-media-animate-none\"><div class=\"kadence-info-box-image-inner-intrisic-container\"><div class=\"kadence-info-box-image-intrisic kt-info-animate-none\"><div class=\"kadence-info-box-image-inner-intrisic\"><img data-dominant-color=\"897f7d\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #897f7d;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" 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<em>Critica della questione ebraica: Karl Marx e l&#8217;antisemitismo<\/em>, 2024.<\/p><\/div><\/span><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<style>.kb-image4964_c29221-41.kb-image-is-ratio-size, .kb-image4964_c29221-41 .kb-image-is-ratio-size{max-width:139px;width:100%;}.wp-block-kadence-column > .kt-inside-inner-col > .kb-image4964_c29221-41.kb-image-is-ratio-size, .wp-block-kadence-column > .kt-inside-inner-col > .kb-image4964_c29221-41 .kb-image-is-ratio-size{align-self:unset;}.kb-image4964_c29221-41 figure{max-width:139px;}.kb-image4964_c29221-41 .image-is-svg, .kb-image4964_c29221-41 .image-is-svg img{width:100%;}.kb-image4964_c29221-41 .kb-image-has-overlay:after{opacity:0.3;}<\/style>\n<div class=\"wp-block-kadence-image kb-image4964_c29221-41\"><figure class=\"alignleft\"><img data-dominant-color=\"5f5146\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #5f5146;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"899\" height=\"1599\" 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Esquerda<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Tradutora<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-theme-palette-1-color has-alpha-channel-opacity has-theme-palette-1-background-color has-background\"\/>\n\n\n<style>.kb-image4964_96ae5a-12.kb-image-is-ratio-size, .kb-image4964_96ae5a-12 .kb-image-is-ratio-size{max-width:149px;width:100%;}.wp-block-kadence-column > .kt-inside-inner-col > .kb-image4964_96ae5a-12.kb-image-is-ratio-size, .wp-block-kadence-column > .kt-inside-inner-col > .kb-image4964_96ae5a-12 .kb-image-is-ratio-size{align-self:unset;}.kb-image4964_96ae5a-12 figure{max-width:149px;}.kb-image4964_96ae5a-12 .image-is-svg, .kb-image4964_96ae5a-12 .image-is-svg img{width:100%;}.kb-image4964_96ae5a-12 .kb-image-has-overlay:after{opacity:0.3;}<\/style>\n<div class=\"wp-block-kadence-image kb-image4964_96ae5a-12\"><figure class=\"alignright size-large\"><img data-dominant-color=\"a08d73\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #a08d73;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"718\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-25-at-06.40.04-718x1024.avif\" alt=\"\" class=\"kb-img wp-image-5024 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-25-at-06.40.04-718x1024.avif 718w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-25-at-06.40.04-210x300.avif 210w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-25-at-06.40.04-768x1095.avif 768w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-25-at-06.40.04.avif 818w\" sizes=\"auto, (max-width: 718px) 100vw, 718px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-right\">Giovanni Sgai<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">corinthiano e doutorando em Filosofia<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-right is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-765c4724 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-text-align-right wp-element-button\">Tradutor<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"speaker-mute footnotes_reference_container\"> <div class=\"footnote_container_prepare\"><p><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_label pointer\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_4964_1();\">&#x202F;<\/span><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_collapse_button\" style=\"display: none;\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_4964_1();\">[<a id=\"footnote_reference_container_collapse_button_4964_1\">+<\/a>]<\/span><\/p><\/div> <div id=\"footnote_references_container_4964_1\" style=\"\"><table class=\"footnotes_table footnote-reference-container\"><caption class=\"accessibility\">References<\/caption> <tbody> \r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_1\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_1');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>1<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx. <em>O capital, livro I<\/em>, Boitempo, 2013, p. 298<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_2\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_2');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>2<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Paulo. <em>Carta aos Romanos<\/em> 2, 25-29. \u201cPois a circuncis\u00e3o \u00e9 proveitosa se praticares a lei. Se fores transgressor da lei, a tua circuncis\u00e3o tornou-se incircuncis\u00e3o. Se a incircuncis\u00e3o observar os preceitos da lei, n\u00e3o se considerar\u00e1 o prep\u00facio dele como circuncis\u00e3o? E a incircuncis\u00e3o f\u00edsica que observa a lei julgar-te-\u00e1, que pela letra [da lei] e pela circuncis\u00e3o \u00e9s transgressor da lei. Pois<em> n\u00e3o \u00e9 judeu<\/em> quem o \u00e9 na apar\u00eancia, nem \u00e9 circuncis\u00e3o a que se v\u00ea na carne, mas <em>judeu \u00e9<\/em> quem o \u00e9 no [seu] \u00edntimo e a circuncis\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o [acontece] em esp\u00edrito&nbsp; e na letra [da lei]; a esse [circunciso \u00e9 que pertence] o louvor, n\u00e3o dos homens mais sim de Deus\u201d. (B\u00edblia, vol. II, trad. Frederico Louren\u00e7o, Cia. das Letras, 2018, p. 170, it\u00e1lico do autor).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_3\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_3');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>3<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">&nbsp;Idem.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_4\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_4');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>4<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">&nbsp;Bruno Bauer. <em>Die Judenfrage<\/em>: Braunschweig, Friedrich Otto, 1843.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_5\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_5');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>5<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, <em>Sobre a quest\u00e3o judaica<\/em>. Trad. N\u00e9lio Schneider S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2010, p. 34.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_6\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_6');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>6<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Avineri, Shlomo. <em>Karl Marx: Philosophy and revolution<\/em>. Connecticut: Yale University Press, 2019, pp. 1\u201317.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_7\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_7');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>7<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">\u201cVontade geral\u201d, em franc\u00eas no original (N.T.)<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_8\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_8');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>8<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, 2010, p. 50.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_9\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_9');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>9<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Idem, p. 48. (N. A.) A figura enigm\u00e1tica deste Homem, que est\u00e1 completamente isolado de seus pares e, ao mesmo tempo, \u00e9 o protagonista absoluto da vida social moderna, foi uma grande preocupa\u00e7\u00e3o para Marx. Ele reaparecer\u00e1 no in\u00edcio de O Capital na forma de Robinson Cruso\u00e9. Ent\u00e3o, quem \u00e9 esse homem, distinto do cidad\u00e3o?<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_10\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_10');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>10<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">&nbsp;Marx, 2010, p. 23, p. 57.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_11\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_11');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>11<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Cf. Adorno, Theodor W.; Horkheimer, Max. <em>Dial\u00e9tica do Esclarecimento: fragmentos filos\u00f3ficos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985; Freud, Sigmund. <em>Obras completas, vol. 10<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011. Sartre, Jean-Paul. <em>Reflex\u00f5es sobre a quest\u00e3o judaica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Difus\u00e3o Europeia do Livro, 1965.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_12\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_12');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>12<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, 2010, p. 57.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_13\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_13');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>13<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, Karl. <em>Para a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1982, p. 25.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_14\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_14');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>14<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, 2013, p. 186; p. 205.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_15\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_15');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>15<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, 2010, p. 49.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_16\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_16');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>16<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, 2013, p. 186; p. 205.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_17\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_17');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>17<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, 2010, p. 49.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_18\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_18');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>18<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">&nbsp;Marx, 2013, pp. 199-200.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_19\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_19');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>19<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Cf. Marx, Karl. <em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>. Trad. Jesus Ranieri. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2004, p. 160. &#8220;Se eu desejo uma refei\u00e7\u00e3o ou se quero me utilizar da mala-posta, porque n\u00e3o sou suficientemente forte para fazer o caminho a p\u00e9, o dinheiro me proporciona a refei\u00e7\u00e3o e a mala-posta.&#8221;<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_20\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_20');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>20<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, 2013, p. 228.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_21\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_21');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>21<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, 2011, p. 140. \u201cA determina\u00e7\u00e3o do produto em valor de troca implica necessariamente, portanto, que o valor de troca adquire uma exist\u00eancia separada e desprendida do produto. O valor de troca desprendido das pr\u00f3prias mercadorias e ele pr\u00f3prio existente junto delas como mercadoria \u00e9 <em>dinheiro<\/em>.\u201d<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_22\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_22');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>22<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Cf. Marx. <em>A ideologia alem\u00e3<\/em>, 2007; <em>A mis\u00e9ria da filosofia<\/em>, 2017; <em>Grundrisse<\/em>, 2011. Sobre o antissemitismo de Proudhon e sua influ\u00eancia na teoria econ\u00f4mica do fascismo cf. Fr\u00e9d\u00e9ric Krier. <em>Sozialismus f\u00fcr Kleinb\u00fcrger. Pierre Joseph Proudhon &#8211; Wegbereiter des Dritten Reiches<\/em>, 2009.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_23\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_23');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>23<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">&nbsp;Marx, Karl. <em>Grundrisse<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo,&nbsp; 2011, p. 136.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_24\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_24');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>24<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, 2013, p. 230; p. 294.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_25\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_25');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>25<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, 2010, p. 57.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_26\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_26');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>26<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, Karl. <em>O Capital III<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017, p. 665.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_27\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_27');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>27<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">\u201cFundamento na coisa\u201d, em latim no original (N.T.)<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_28\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_28');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>28<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Evangelho segundo Marcos, 11, 15-19. \u201cE [Jesus e os ap\u00f3stolos] chegam a Jerusal\u00e9m. Entrando no templo, Jesus come\u00e7ou a expulsar os que vendiam e compravam no templo e revirou as mesas dos cambistas e os bancos dos que vendiam as pombas, e n\u00e3o permitia que se transportasse qualquer objeto atrav\u00e9s do templo. E ensinava e dizia-lhes: \u2018N\u00e3o ficou escrito que <em>a minha casa ser\u00e1 chamada casa de ora\u00e7\u00e3o para todos os povos? <\/em>Mas v\u00f3s fizestes dela <em>um antro de ladr\u00f5es<\/em>\u2019. E os sacerdotes e os escribas ouviram isso e procuravam como poderiam mat\u00e1-lo. \u00c9 que tinham medo dele, pois toda multid\u00e3o estava maravilhada com seu ensinamento. E quando se fez tarde, sa\u00edram para fora da cidade\u201d. (B\u00edblia, vol. I, trad. Frederico Louren\u00e7o, Cia. das Letras, 2017, p. 196, it\u00e1lico do autor).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_29\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_29');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>29<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Cf. Rachmann. <em>Der Fetischcharakter der Ware und seine Auswirkungen auf das Subjekt: Eine Untersuchung im Anschluss an Marx und die Kritische Theorie<\/em>, 2017.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_30\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_30');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>30<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, 2013, p. 215.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_31\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_31');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>31<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Cf. Marx, 2017, p. 151; Marx, 2011, p. 247; p. 310; p. 646.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_32\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_32');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>32<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Bruno Bauer. Die Judenfrage: Braunschweig, Friedrich Otto, 1843, p. 9.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_33\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_33');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>33<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">\u00a0Marx, 2013, p. 298.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_34\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_34');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>34<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Marx, <em>Sobre a quest\u00e3o judaica<\/em>. Trad. N\u00e9lio Schneider S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2010, p. 59.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4964_1_35\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4964_1('footnote_plugin_tooltip_4964_1_35');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>35<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">\u00a0Marx, 2013, p. 298.<\/td><\/tr>\r\n\r\n <\/tbody> <\/table> <\/div><\/div><script type=\"text\/javascript\"> function footnote_expand_reference_container_4964_1() { jQuery('#footnote_references_container_4964_1').show(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_4964_1').text('\u2212'); } function footnote_collapse_reference_container_4964_1() { jQuery('#footnote_references_container_4964_1').hide(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_4964_1').text('+'); } function footnote_expand_collapse_reference_container_4964_1() { if (jQuery('#footnote_references_container_4964_1').is(':hidden')) { footnote_expand_reference_container_4964_1(); } else { footnote_collapse_reference_container_4964_1(); } } function footnote_moveToReference_4964_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_4964_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } } function footnote_moveToAnchor_4964_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_4964_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } }<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o: judeus n\u00e3o circuncidam seus cora\u00e7\u00f5es N\u2019O capital de Marx est\u00e1 escrito em algum lugar \u201cque toda mercadoria, por mais miser\u00e1vel que seja sua apar\u00eancia ou por pior que seja seu cheiro, \u00e9 dinheiro, n\u00e3o s\u00f3 em sua f\u00e9, mas tamb\u00e9m na realidade; que ela \u00e9, internamente, um judeu circuncidado\u201d.[1]Marx. 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