{"id":4905,"date":"2026-08-11T14:45:28","date_gmt":"2026-08-11T14:45:28","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=4905"},"modified":"2026-08-11T14:45:32","modified_gmt":"2026-08-11T14:45:32","slug":"distopia-como-design-cyberpunk-e-a-arquitetura-do-colapso-matheus-pereira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/08\/11\/distopia-como-design-cyberpunk-e-a-arquitetura-do-colapso-matheus-pereira\/","title":{"rendered":"Distopia como Design: Cyberpunk e a arquitetura do Colapso \u2014 Matheus Pereira"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-small-font-size\"><blockquote><p>\u201cS\u2060e tiver que matar\u2026 Mate. Se tiver que queimar tudo at\u00e9 virar p\u00f3\u2026 Ent\u00e3o queime.\u201d<br><\/p><cite><em>\u2014 Cyberpunk 2077<\/em><\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Mark Fisher abre Realismo Capitalista (2009) com uma constata\u00e7\u00e3o que talvez seja uma das mais precisas para compreender o imagin\u00e1rio contempor\u00e2neo: tornou-se mais f\u00e1cil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo. A frase costuma ser lida como uma observa\u00e7\u00e3o sobre a abund\u00e2ncia de narrativas dist\u00f3picas, mas ela aponta para algo mais profundo. O problema n\u00e3o \u00e9 que imaginamos demais a cat\u00e1strofe; \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o conseguimos imagin\u00e1-la como ruptura. O apocalipse deixa de interromper a hist\u00f3ria para tornar-se sua atmosfera permanente. O futuro j\u00e1 n\u00e3o aparece como novidade, mas como repeti\u00e7\u00e3o degradada do presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um texto recente publicado pela Boitempo, Bruna Della Torre (2025)<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_1');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_1');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_1\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[1]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_1\" class=\"footnote_tooltip\"> DELLA TORRE, Bruna. A imagina\u00e7\u00e3o apocal\u00edptica. Blog da Boitempo, 22 jul. 2025. Dispon\u00edvel em: <span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2025\/07\/22\/a-imaginacao-apocaliptica\/.<\/span> Acesso em: 3 dez. 2025. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_1').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_1', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> retoma essa quest\u00e3o ao refletir sobre a imagina\u00e7\u00e3o apocal\u00edptica como um dos afetos dominantes do nosso tempo. A prolifera\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios de colapso revela um paradoxo: quanto mais imaginamos o fim, menos parecemos capazes de conceber alternativas ao mundo existente. A distopia permanece cr\u00edtica em seu conte\u00fado, mas estabiliza essa cr\u00edtica no horizonte da cat\u00e1strofe. Reconhecemos o desastre, consumimos suas imagens, discutimos seus sintomas; ainda assim, continuamos habitando o mesmo presente como se ele fosse inevit\u00e1vel.<br>\u00c9 precisamente nesse ponto que proponho deslocar a discuss\u00e3o. Minha hip\u00f3tese \u00e9 que o problema contempor\u00e2neo j\u00e1 n\u00e3o reside apenas no conte\u00fado das distopias, mas na forma que elas assumiram. A distopia deixou de ser somente um g\u00eanero narrativo para converter-se em linguagem, sensibilidade e design. Sua est\u00e9tica foi absorvida pela l\u00f3gica do capitalismo tardio e passou a organizar n\u00e3o apenas aquilo que consumimos, mas a maneira como percebemos tecnologia, cidades, empresas, pol\u00edtica e o pr\u00f3prio futuro. A cat\u00e1strofe tornou-se uma experi\u00eancia visual, afetiva e mercadol\u00f3gica; o colapso deixou de ser apenas representado para transformar-se em estilo.<br><br>\u00c9 por isso que certas obras exercem hoje uma fun\u00e7\u00e3o cr\u00edtica singular. Ao exagerarem tend\u00eancias j\u00e1 presentes, elas produzem um efeito de desfamiliariza\u00e7\u00e3o capaz de revelar aquilo que a rotina torna invis\u00edvel. Algumas cidades, alguns espa\u00e7os e algumas fic\u00e7\u00f5es condensam de maneira particularmente intensa as contradi\u00e7\u00f5es de uma \u00e9poca, funcionando como sintomas hist\u00f3ricos de um mundo que naturalizou suas pr\u00f3prias ru\u00ednas. Contudo, h\u00e1 um paradoxo: justamente porque essas obras alcan\u00e7am grande pot\u00eancia cr\u00edtica, elas tamb\u00e9m s\u00e3o rapidamente metabolizadas pela ind\u00fastria cultural. A cr\u00edtica retorna como mercadoria; o estranhamento converte-se em identidade visual; a den\u00fancia transforma-se em entretenimento. A flecha lan\u00e7ada contra o muro volta como ornamento.<br>\u00c9 nesse contexto que o universo cyberpunk <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_2');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_2');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_2\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[2]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_2\" class=\"footnote_tooltip\">CYBERPUNK WIKI. S\u00e9rie Cyberpunk. Fandom, [s.d.]. Dispon\u00edvel em: <span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/cyberpunk.fandom.com\/wiki\/Cyberpunk_series.<\/span> Acesso em: 5 jul. 2026.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_2').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_2', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> criado por Mike Pondsmith para o RPG de mesa hom\u00f4nimo e posteriormente desenvolvido no jogo Cyberpunk 2077 e no anime Cyberpunk: Edgerunners, se torna um objeto privilegiado. Mais do que seu alicerce em um espec\u00edfico g\u00eanero de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, ele constitui uma gram\u00e1tica est\u00e9tica do capitalismo contempor\u00e2neo. Seu interesse n\u00e3o reside apenas nas hist\u00f3rias que conta, mas na forma como organiza a percep\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-theme-palette-13-color has-text-color has-link-color wp-elements-cec560e2fc4fb6d63d280cf094edd8b4\">*<\/h2>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ado em 2020 pela CD Projekt Red, Cyberpunk 2077 <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_3');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_3');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_3\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[3]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_3\" class=\"footnote_tooltip\">CD PROJEKT RED. Cyberpunk 2077. Vars\u00f3via: CD Projekt, 2020.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_3').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_3', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> \u00e9 um jogo eletr\u00f4nico de RPG em mundo aberto que transporta o jogador para um mundo saturado de tecnologia, flamboyant em sua est\u00e9tica futurista, mas cujo brilho \u00e9 apenas o verniz que cobre uma decomposi\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel. Night City, a principal metr\u00f3pole e cora\u00e7\u00e3o do enredo, \u00e9 a imagem desse paradoxo: concebida como um projeto monumental de corpora\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que vendiam desenvolvimento, moderniza\u00e7\u00e3o, liberta\u00e7\u00e3o e riqueza, acaba se tornando o t\u00famulo de suas pr\u00f3prias promessas. Aquilo que deveria ser o \u00e1pice do progresso revela-se o laborat\u00f3rio onde se testam as formas mais eficientes de decad\u00eancia. A cidade \u00e9 um erro que se repete, uma aberra\u00e7\u00e3o que se perpetua, pois n\u00e3o h\u00e1 surpresa no que n\u00e3o surpreende. Nisso, h\u00e1 a monopoliza\u00e7\u00e3o absoluta das megacorpora\u00e7\u00f5es opera como uma antimat\u00e9ria social, sugando toda forma de vida que n\u00e3o lhes interessa. Night City \u00e9 decadente, suja, violenta, entorpecida, sem esperan\u00e7a \u2014 afogada num niilismo c\u00ednico, quase zombeteiro, como se soubesse que nada h\u00e1 para al\u00e9m da cat\u00e1strofe que j\u00e1 ocorreu. A trag\u00e9dia ali n\u00e3o \u00e9 uma ruptura repentina, mas o exerc\u00edcio meticuloso de um mal infinito, dessensibilizado, normalizado. \u00c9 o triunfo de uma tecnologia que desdenha do olhar \u2014 Aquilo que um dia foi, para Benjamin (1994) <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_4');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_4');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_4\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[4]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_4\" class=\"footnote_tooltip\">5 BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade t\u00e9cnica. In: BENJAMIN, Walter. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica: ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura. Tradu\u00e7\u00e3o de&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_4');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_4').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_4', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> , a promessa do cine-olho \u2014 uma t\u00e9cnica capaz de educar a percep\u00e7\u00e3o e arrancar o olhar da contempla\u00e7\u00e3o passiva \u2014 retorna como sua pr\u00f3pria invers\u00e3o. Em vez de reorganizar a experi\u00eancia, a t\u00e9cnica passa a administr\u00e1-la. O que antes carregava a possibilidade de um choque perceptivo reduz-se agora \u00e0 superf\u00edcie luminosa das telas, ao reflexo incessante da mercadoria, \u00e0 publicidade como forma dominante da sensibilidade.<br><br>Por sua vez, o anime Cyberpunk: Edgerunners <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_5');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_5');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_5\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[5]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_5\" class=\"footnote_tooltip\"> CYBERPUNK: EDGERUNNERS. Dire\u00e7\u00e3o: Hiroyuki Imaishi; Masahiko Otsuka. Jap\u00e3o: Trigger; CD Projekt, 2022. Anime (Netflix).<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_5').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_5', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> , lan\u00e7ado pela Netflix em 2022 e ambientado no mesmo universo ficcional de Cyberpunk 2077, corporifica essa l\u00f3gica por meio da trajet\u00f3ria de David Martinez. Filho de uma trabalhadora exausta que contrabandeia implantes para pagar uma escola elitista, ele \u00e9 humilhado pelos filhos dos executivos que habitam o topo da pir\u00e2mide social. A morte lenta de sua m\u00e3e \u2014 resultado banal das guerras de gangues e do abandono hospitalar por falta de pagamento \u2014 \u00e9 a imagem perfeita do destino reservado aos que n\u00e3o conseguem acompanhar o ritmo assassino do progresso. A pol\u00edcia degenerada, os pol\u00edticos coniventes, a burocracia impessoal: tudo converge para a mesma alternativa brutal \u2014 ser um ningu\u00e9m, um sem-teto, ou arriscar-se como mercen\u00e1rio. A famosa \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d aqui n\u00e3o regula nada: ela aperta, estrangula, coloniza a Lua, armazena consci\u00eancias e silencia v\u00edtimas. \u00c9 onipresente e onipotente como um deus indiferente.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f3dio aos &#8220;Corps&#8221;, como s\u00e3o conhecidos os membros da elite corporativa que ocupa os altos escal\u00f5es das megacorpora\u00e7\u00f5es, serpenteia pelas ruas, revelando uma divis\u00e3o de classes t\u00e3o r\u00edgida que j\u00e1 ultrapassou o est\u00e1gio de hierarquia: tornou-se geologia, um relevo social petrificado. H\u00e1 os vencedores \u2014 raros \u2014 e aqueles condenados a navegar pela devasta\u00e7\u00e3o. Sua desigualdade \u00e9 o efeito colateral que reduz o ambiente a uma selva animalesca em busca de sobreviv\u00eancia. Sem plano de sa\u00fade, em moradias degradadas, o que sobra \u00e9 o entretenimento incessante. Do elevador ao banheiro, do banheiro ao quarto, do quarto \u00e0 sala \u2014 o que n\u00e3o se pode nunca perder de vista s\u00e3o os novos ingressos para viagens espaciais, o mais recente chip de armazenamento de mem\u00f3ria, os rem\u00e9dios para maior pot\u00eancia sexual, as \u00faltimas not\u00edcias de uma estetizada briga pol\u00edtica. Tudo colorido, enf\u00e1tico, sedutor \u2014 tudo isso serve para esconder uma escurid\u00e3o estrutural que remete a outra cidade ficcional: Gotham City. A diferen\u00e7a \u00e9 que, em Night City, n\u00e3o h\u00e1 her\u00f3is improv\u00e1veis para interromper a l\u00f3gica da ru\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo de cyberpunk, mesmo sozinho, voc\u00ea est\u00e1 cercado. Para maximizar a experi\u00eancia, as neurodan\u00e7as (braindances) permitem reviver integralmente as percep\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es de outras pessoas, transformando a pr\u00f3pria consci\u00eancia em objeto de consumo. Fantasias e mem\u00f3rias deixam de ser imaginadas para serem experimentadas como mercadoria. A efemeridade se torna infinita, uma sucess\u00e3o de instantes que jamais se sedimentam. Para al\u00e9m da completa fus\u00e3o entre humano e m\u00e1quina, a atmosfera escancara o desaparecimento de qualquer fronteira entre tecnologia e interioridade: o sujeito j\u00e1 nasce dentro de um mundo pr\u00e9-formatado, uma linguagem t\u00e9cnica que organiza n\u00e3o apenas o comportamento, mas a pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o com o mundo passa a ser mediada por um conjunto de artefatos e dispositivos que orientam previamente a experi\u00eancia, delimitando as formas poss\u00edveis de agir, desejar e perceber. \u00c9 precisamente esse movimento que Herbert Marcuse identifica em Algumas implica\u00e7\u00f5es sociais da tecnologia moderna <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_6');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_6');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_6\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[6]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_6\" class=\"footnote_tooltip\">MARCUSE, Herbert. Algumas implica\u00e7\u00f5es sociais da tecnologia moderna. In: MARCUSE, Herbert; KELLNER, Douglas (org.). Tecnologia, guerra e fascismo. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Editora da UNESP, 1999. p.&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_6');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_6').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_6', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> (1941): a tecnologia deixa de ser mero instrumento para converter-se em um modo hist\u00f3rico de organiza\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, cuja racionalidade se incorpora aos pr\u00f3prios indiv\u00edduos e passa a orientar sua rela\u00e7\u00e3o com a realidade. A Arasaka \u2014 uma das maiores megacorpora\u00e7\u00f5es de Night City, dotada de poder econ\u00f4mico, militar e pol\u00edtico capaz de rivalizar e substituir o pr\u00f3prio Estado \u2014 ecoa a aristocracia do Vale do Sil\u00edcio: uma nobreza algor\u00edtmica que administra comunica\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e desejos.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir daqui, a quest\u00e3o deixa de ser o universo representado e passa a ser a opera\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que ele realiza. A distopia de cyberpunk se revela n\u00e3o como antecipa\u00e7\u00e3o de um porvir distante, mas como a face intensificada de uma experi\u00eancia j\u00e1 em curso. O que se apresenta como \u201cfuturo\u201d nada mais \u00e9 do que a recombina\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias presentes, uma montagem de imagens extra\u00eddas do agora. Night City, nesse sentido, n\u00e3o inaugura nada: prolonga, sob outra chave est\u00e9tica, aquilo que j\u00e1 existe.<\/p>\n\n\n\n<p>O fracasso do capitalismo n\u00e3o \u00e9 uma hip\u00f3tese \u2014 \u00e9 um fato reiterado, cuja marcha avan\u00e7a acumulando sangue, ru\u00ednas e legi\u00f5es de esquecidos. Aqui, a imagem de Walter Benjamin (1994) <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_7');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_7');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_7\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[7]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_7\" class=\"footnote_tooltip\">BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade t\u00e9cnica. In: BENJAMIN, Walter. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica: ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura. Tradu\u00e7\u00e3o de&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_7');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_7').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_7', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> torna-se inevit\u00e1vel: em suas Teses sobre o conceito de hist\u00f3ria (1940), o progresso aparece como uma tempestade que impele o anjo para o futuro enquanto os escombros do passado se amontoam diante dele. O que chamamos de desenvolvimento j\u00e1 n\u00e3o se apresenta como promessa de emancipa\u00e7\u00e3o, mas como um cortejo triunfal que segue adiante pisando os vencidos. Night City parece constru\u00edda exatamente sobre esse amontoado de destro\u00e7os: cada inova\u00e7\u00e3o cintila sobre uma camada anterior de vidas descartadas, trabalhos exauridos e mem\u00f3rias soterradas. O futuro continua chegando, mas chega sempre carregando consigo uma montanha crescente de ru\u00ednas.<br>Concomitantemente, a desigualdade n\u00e3o opera no registro do segredo, mas da naturaliza\u00e7\u00e3o; torna-se ainda mais alarmante quando associada a uma precondi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que dilacera aqueles incapazes de sustentar o custo infinito de um progresso reservado a poucos \u2014 os mesmos que jamais cessam de colher os frutos de uma tecnologia predat\u00f3ria, desumanizada e, ainda assim, lucrativa. O que se evidencia, ent\u00e3o, \u00e9 a perda irrevers\u00edvel do freio. Os acontecimentos j\u00e1 n\u00e3o anunciam a for\u00e7a de uma ruptura poss\u00edvel, mas o triunfo da repeti\u00e7\u00e3o: a aptid\u00e3o do sistema tecnol\u00f3gico-capitalista de absorver, reordenar e submeter tudo o que existe \u00e0 l\u00f3gica de sua pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O sofrimento e a revolta persistem em Night City, mas sem o lampejo de imaginar outra coisa que n\u00e3o o que j\u00e1 \u00e9. A capacidade da cidade de se manter igual, de normalizar suas crises como um inimigo infind\u00e1vel a ser superado, evidencia o cansa\u00e7o do que j\u00e1 n\u00e3o se coloca em quest\u00e3o: A subjetividade exausta j\u00e1 n\u00e3o se ergue contra nada; apenas suporta. O ru\u00eddo constante, os cyberpsicopatas \u2014 sujeitos que levam \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias a l\u00f3gica da instrumentaliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do corpo, sucumbindo a um colapso do sujeito cuja express\u00e3o final \u00e9 a viol\u00eancia extrema \u2014, as televis\u00f5es berrando not\u00edcias irrelevantes e o vazio denso da cat\u00e1strofe comp\u00f5em a o cen\u00e1rio de uma cidade que desistiu de mudar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-theme-palette-13-color has-text-color has-link-color wp-elements-ae06a8ce41633e1059c268da75e2b27d\">**<\/h2>\n\n\n\n<p>Como n\u00e3o poderia deixar de ser, a pr\u00f3pria distopia \u00e9 capturada pela l\u00f3gica que pretendia denunciar. O capitalismo tardio n\u00e3o apenas comercializa suas imagens, mas metaboliza sua for\u00e7a negativa, convertendo-a em mais um circuito de valoriza\u00e7\u00e3o. A cr\u00edtica deixa de ocupar uma posi\u00e7\u00e3o exterior ao sistema e passa a integrar sua pr\u00f3pria din\u00e2mica de reprodu\u00e7\u00e3o. \u00c9 precisamente esse o diagn\u00f3stico de Mark Fisher (2020): j\u00e1 n\u00e3o se trata de incorporar, a posteriori, aquilo que amea\u00e7a a ordem estabelecida, mas de preincorporar os pr\u00f3prios gestos de contesta\u00e7\u00e3o, formatando antecipadamente desejos, sensibilidades e linguagens de resist\u00eancia. O &#8220;alternativo&#8221; torna-se estilo; a rebeldia, identidade de consumo; a negatividade, mat\u00e9ria-prima para novos mercados. Nesse horizonte, a ret\u00f3rica do &#8220;fim da hist\u00f3ria&#8221;, formulada por Francis Fukuyama (1992) <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_8');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_8');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_8\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[8]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_8\" class=\"footnote_tooltip\"> FUKUYAMA, Francis. The End of History and the Last Man. New York: Free Press, 1992. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_8').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_8', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>  \u2014 segundo a qual a democracia liberal e o capitalismo teriam se consolidado como horizonte definitivo da experi\u00eancia pol\u00edtica \u2014 deixa de ser apenas uma tese hist\u00f3rica e converte-se em atmosfera cultural. Se n\u00e3o h\u00e1 alternativa, resta apenas consumir as imagens da pr\u00f3pria cat\u00e1strofe. A distopia j\u00e1 n\u00e3o interrompe o presente: ela o ornamenta. Cyberpunk \u2014 o jogo, a anima\u00e7\u00e3o, sua iconografia e sua est\u00e9tica \u2014 circula, assim, como um produto exemplar dessa l\u00f3gica paradoxal: denuncia o colapso ao mesmo tempo em que o transforma em experi\u00eancia desej\u00e1vel de consumo.<br><br>Sendo assim, a cr\u00edtica vira commodity. Consumir a cr\u00edtica passa a integrar a din\u00e2mica de reprodu\u00e7\u00e3o daquilo que ela pretendia negar. Em analogia, ser f\u00e3 do universo cyberpunk \u00e9 a prova de que a \u201csingularidade\u201d anti-sist\u00eamica j\u00e1 \u00e9 totalmente absorvida, somada a totaliza\u00e7\u00f5es de enquadramento \u00e0 um mundo que n\u00e3o pode ser outro (Fisher, 2020). A forma do cinismo contamina o conte\u00fado; a fervura vira fetiche: quer-se visitar Night City, viver nela, ser ela. O pr\u00f3prio apocalipse virou turismo.<br><br>Na ind\u00fastria cultural contempor\u00e2nea, a distopia deixou de ser alerta para tornar-se textura est\u00e9tica, mat\u00e9ria-prima visual tratada com o mesmo requinte reservado \u00e0 publicidade de luxo: metr\u00f3poles destru\u00eddas em 4K, desertos p\u00f3s-industriais filtrados por fotografia  legante, ru\u00ednas que brilham como vitrines conceituais, sobreviventes belos e melanc\u00f3licos que posam dentro da cat\u00e1strofe como quem modela para uma campanha de perfume. Produ\u00e7\u00f5es como The Last of Us <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_9');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_9');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_9\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[9]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_9\" class=\"footnote_tooltip\"> THE LAST OF US. Dire\u00e7\u00e3o: Craig Mazin; Neil Druckmann. Produ\u00e7\u00e3o: HBO. Los Angeles: HBO Max, 2023. S\u00e9rie televisiva.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_9').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_9', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> , que transforma viol\u00eancia em melodrama premium; Dune <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_10');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_10');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_10\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[10]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_10\" class=\"footnote_tooltip\">DUNE: Parte Um. Dire\u00e7\u00e3o: Denis Villeneuve. Estados Unidos: Warner Bros.; Legendary Pictures, 2021. Filme (155 min). <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_10').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_10', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> que reencena o extrativismo colonial como \u00e9pico espiritual higienizado; Blade Runner 2049 <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_11');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_11');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_11\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[11]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_11\" class=\"footnote_tooltip\">BLADE RUNNER 2049. Dire\u00e7\u00e3o: Denis Villeneuve. Estados Unidos: Warner Bros.; Sony Pictures, 2017. Filme (164 min).<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_11').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_11', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> onde a solid\u00e3o pulsante \u00e9 estilizada em poeira dourada; ou Mad Max: Fury Road <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_12');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_12');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_12\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[12]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_12\" class=\"footnote_tooltip\"> MAD MAX: Fury Road. Dire\u00e7\u00e3o: George Miller. Austr\u00e1lia; Estados Unidos: Warner Bros.; Village Roadshow Pictures, 2015. Filme (120 min).<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_12').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_12', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>, que reveste o deserto neoliberal de fantasia libert\u00e1ria, participam desse mesmo regime visual. E, num plano mais vulgar, o TikTok multiplica nichos como o cozy apocalypse, enquanto marcas patrocinam filmes de desastre e comerciais vendem SUV, 5G ou seguros usando o imagin\u00e1rio p\u00f3s-apocal\u00edptico como coolness cenogr\u00e1fico. A consequ\u00eancia \u00e9 um deslocamento profundo: a cat\u00e1strofe vira espet\u00e1culo,o colapso deixa de ser algo a evitar \u2014 torna-se design. A distopia, que antes pretendia perturbar, agora seduz: ela se oferece como experi\u00eancia sensorial, como forma de entretenimento. \u00c9 o fim do mundo, mas impecavelmente iluminado.<br>Atrelado a isso, o Vale do Sil\u00edcio tornou-se o principal laborat\u00f3rio dessa nova racionalidade: um espa\u00e7o em que a promessa de inova\u00e7\u00e3o convive com a naturaliza\u00e7\u00e3o permanente da crise. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que empresas como a Palantir Technologies \u2014 fundada por Peter Thiel e especializada em plataformas de intelig\u00eancia artificial (IA), integra\u00e7\u00e3o de grandes volumes de dados e sistemas de an\u00e1lise preditiva utilizados por governos, ag\u00eancias de intelig\u00eancia, for\u00e7as armadas e grandes corpora\u00e7\u00f5es \u2014 construam sua legitimidade justamente sobre a ideia de que o mundo vive sob amea\u00e7a permanente e de que apenas tecnologias cada vez mais sofisticadas de vigil\u00e2ncia e antecipa\u00e7\u00e3o comportamentais. O futuro j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 concebido como horizonte de emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas como um problema de gest\u00e3o algor\u00edtmica. O chamado New Manhattan Project, <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_13');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_13');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_13\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[13]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_13\" class=\"footnote_tooltip\">THE FP. New Manhattan Project \u2014 proposta tecnocient\u00edfica para restaurar a supremacia militar via IA generativa. The FP, 2025. Dispon\u00edvel em:&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_13');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_13').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_13', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> defendido por Alexander Karp, CEO da Palantir, prop\u00f5e precisamente isso: uma nova alian\u00e7a entre Estado, ind\u00fastria tecnol\u00f3gica e complexo militar para assegurar a supremacia da intelig\u00eancia artificial norte-americana. Essa iniciativa mistura discursos militaristas, tecnocr\u00e1ticos e messi\u00e2nicos, confirmando esse desejo de transformar o futuro em campo de batalha administr\u00e1vel, sem pol\u00edtica, sem democracia \u2014 apenas com sistemas de dados e disciplinamento. \u00c9 o mesmo horizonte que Peter Thiel ajuda a formular h\u00e1 d\u00e9cadas. Cofundador da PayPal, primeiro grande investidor externo do Facebook \u2014 onde permaneceu por anos como membro do conselho \u2014, Thiel sustenta a ideia de que a civiliza\u00e7\u00e3o caminha para a decad\u00eancia e que<br>apenas uma elite tecnol\u00f3gica seria capaz de administrar o caos vindouro. N\u00e3o deixa de ser<br>sintom\u00e1tico que esse diagn\u00f3stico caminhe lado a lado com seu apoio a projetos pol\u00edticos<br>nacionalistas, reacion\u00e1rios e autorit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Os super-ricos de hoje n\u00e3o apenas consomem a distopia: eles a produzem, planejam, estocam, simulam. E fazem tudo isso com a naturalidade de quem est\u00e1 preparando um novo aplicativo. H\u00e1 anos, figuras como Elon Musk, Jeff Bezos e Sam Altman v\u00eam construindo um imagin\u00e1rio no qual o fim do mundo n\u00e3o \u00e9 trag\u00e9dia, mas cen\u00e1rio estrat\u00e9gico <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_14');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_14');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_14\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[14]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_14\" class=\"footnote_tooltip\">BILION\u00c1RIOS e apocal\u00edpticos: como os mais ricos est\u00e3o se preparando para o fim do mundo. Exame, 2025. Dispon\u00edvel&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_14');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_14').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_14', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Os bunkers bilion\u00e1rios s\u00e3o vistos no canal do Youtube do \u201cMrBeast\u201d na maior naturalidade poss\u00edvel. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_15');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_15');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_15\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[15]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_15\" class=\"footnote_tooltip\"> MRBEAST. Bunker nuclear de US$ 1 vs de US$ 1 bilh\u00e3o. YouTube, 30 ago. 2025. Dispon\u00edvel em: <span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_AbFXuGDRT.<\/span> Acesso em: 07 dez. 2025.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_15').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_15', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Um evento esperado, quase desejado. Para Thiel, o apocalipse \u00e9 ocasi\u00e3o de purifica\u00e7\u00e3o civilizacional; para Musk, um pretexto para abandonar o planeta e transformar Marte em condom\u00ednio fechado tal qual um Alphaville; para Bezos, uma vitrine para o imperialismo orbital; para Altman, a oportunidade de consolidar elites tecno-sacerdotais respons\u00e1veis por \u201cgerenciar\u201d o colapso global. Enquanto a maioria da popula\u00e7\u00e3o tenta sobreviver ao agora, eles compram bunkers na Nova Zel\u00e2ndia com portas anti-explos\u00e3o importadas da Su\u00ed\u00e7a; contratam arquitetos para projetar cidades aut\u00e1rquicas preparadas para guerra civil; montam estoques privados de energia e sistemas de IA capazes de prever agita\u00e7\u00f5es sociais. N\u00e3o \u00e0 toa, Mark O\u2019Connell (2020) <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_16');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_16');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_16\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[16]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_16\" class=\"footnote_tooltip\"> O\u2019CONNELL, Mark. Notes from an Apocalypse: A Personal Journey to the End of the World and Back. Londres: Granta Books, 2020.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_16').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_16', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> chamou isso de \u201ca classe apocal\u00edptica\u201d: os que veem no colapso a chance de se tornarem deuses de um novo mundo \u2013 um pante\u00e3o. Essas pessoas n\u00e3o s\u00f3 fazem parte da grande burguesia global, mas de atuais governos como no caso dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como se a est\u00e9tica de Fallout <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_17');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_17');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_17\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[17]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_17\" class=\"footnote_tooltip\"> INTERPLAY PRODUCTIONS. Fallout. Irvine: Interplay Productions, 1997. Jogo eletr\u00f4nico <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_17').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_17', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> \u2014 originalmente uma s\u00e9rie de jogos eletr\u00f4nicos de RPG p\u00f3s-apocal\u00edpticos, posteriormente adaptada para a televis\u00e3o pela Amazon, <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_18');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_18');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_18\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[18]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_18\" class=\"footnote_tooltip\">FALLOUT. S\u00e9rie de televis\u00e3o. Cria\u00e7\u00e3o: Graham Wagner; Geneva Robertson-Dworet. Estados Unidos: Kilter Films \/ Amazon MGM Studios (Prime Video), 2024. Dispon\u00edvel em: Prime Video. Acesso em: 07&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_18');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_18').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_18', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> marcada pela conviv\u00eancia entre o luxo tecnol\u00f3gico, o retrofuturismo e as ru\u00ednas de uma civiliza\u00e7\u00e3o devastada pela guerra nuclear \u2014 fosse portada para o mundo real, mas apenas como luxo. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 entre bilion\u00e1rios. A direita global \u2014 dos pr\u00e9ppers armamentistas nos EUA aos extremistas crist\u00e3os que enxergam a IA como Anticristo \u2014 encontra no imagin\u00e1rio do fim um motor afetivo poderoso. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_19');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_19');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_19\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[19]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_19\" class=\"footnote_tooltip\">JACOBIN. Peter Thiel, Palantir e o Apocalipse Anticristo. Jacobin, 2025. Dispon\u00edvel em: <span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/jacobin.com\/2025\/11\/peter-thiel-palantir-apocalypse-antichrist.<\/span> Acesso em: 07 dez. 2025.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_19').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_19', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> A ideia religiosa de \u201cfim dos tempos\u201d d\u00e1 legitimidade emocional para pol\u00edticas autorit\u00e1rias, para fantasias de purifica\u00e7\u00e3o social, para projetos de governo que n\u00e3o prometem futuro, apenas sobreviv\u00eancia. A direita tecnocr\u00e1tica opera sob um mantra simples: \u201cse tudo est\u00e1 falido, vamos acelerar at\u00e9 quebrar de vez.\u201d E, quando quebrar, eles estar\u00e3o prontos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse aceleracionismo encontra em Nick Land sua formula\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica mais radical. Se, para o marxismo, as contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo apontam para sua supera\u00e7\u00e3o, Land prop\u00f5e precisamente o inverso: acelerar o pr\u00f3prio capital. Como observa Mark Fisher (2026) <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_20');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_20');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_20\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[20]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_20\" class=\"footnote_tooltip\">FISHER, Mark. O dia que Mark Fisher destruiu seu mentor. Jacobin Brasil, 13 jan. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/jacobin.com.br\/2026\/01\/o-dia-que-mark-fisher-destruiu-seu-mentor\/. Acesso em: 5 jul.&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_20');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_20').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_20', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> , trata-se de uma invers\u00e3o do materialismo hist\u00f3rico, na qual o capitalismo deixa de aparecer como produto da a\u00e7\u00e3o humana e passa a assumir o lugar de verdadeiro sujeito da hist\u00f3ria. Os indiv\u00edduos tornam-se apenas suportes tempor\u00e1rios de um processo tecnoecon\u00f4mico aut\u00f4nomo, orientado por uma intelig\u00eancia impessoal que atravessa a t\u00e9cnica, o mercado e a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. O futuro deixa de ser um projeto pol\u00edtico; converte-se na expans\u00e3o ininterrupta do capital: \u00e9 a cren\u00e7a de que a democracia, os direitos, os corpos, o planeta \u2014 tudo isso atrapalha a plena realiza\u00e7\u00e3o da tecnologia como poder absoluto. Por isso Musk compra o Twitter (X) para transform\u00e1-lo em um laborat\u00f3rio de guerra cultural e influ\u00eancia pol\u00edtica. Palantir se vende como \u201cor\u00e1culo do caos\u201d, oferecendo softwares que prometem prever revoltas, colapsos, terrorismo \u2014 enquanto s\u00e3o alimentados pela mesma l\u00f3gica paranoica que ajuda a produzir aquilo que dizem combater. \u00c9 a est\u00e9tica dos centros de comando de 2001: Uma Odisseia no Espa\u00e7o <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_21');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_21');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_21\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[21]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_21\" class=\"footnote_tooltip\"> 2001: UMA ODISSEIA NO ESPA\u00c7O. Dire\u00e7\u00e3o: Stanley Kubrick. Produ\u00e7\u00e3o: Stanley Kubrick. Estados Unidos; Reino Unido: Metro-Goldwyn-Mayer, 1968. Filme (149 min.) <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_21').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_21', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> : salas ass\u00e9pticas, superf\u00edcies negras, monitores incessantemente atualizados, gr\u00e1ficos pulsando em tempo real; uma vibe Matrix <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_22');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_22');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_22\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[22]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_22\" class=\"footnote_tooltip\"> MATRIX. Dire\u00e7\u00e3o: Lana Wachowski; Lilly Wachowski. Estados Unidos: Warner Bros., 1999. Filme (136 min.).<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_22').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_22', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> meets Departamento de Estado. Essas pessoas vivem num tecnognosticismo delirante, onde a IA \u00e9 ao mesmo tempo o Apocalipse e o Messias.<br><br>No fim, \u00e9 cyberpunk, mas sem o neon \u2013 com um tom corporativo, clerical e sacerdotal. Eles se imaginam como sumos sacerdotes do fim. Night City \u00e9 estudo de caso, prot\u00f3tipo, press release.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-theme-palette-13-color has-text-color has-link-color wp-elements-ecbda2ec72df2b103330e7ed40d3315f\">***<\/h2>\n\n\n\n<p>A entropia hedonista que paira sobre a cat\u00e1strofe \u2014 essa mistura de gozo, cinismo, exaust\u00e3o e brilho hist\u00e9rico \u2014 \u00e9 o verdadeiro esp\u00edrito da \u00e9poca p\u00f3s-moderno (Jameson, 1996). Nesse momento, a regra do jogo se desenha para tudo aquilo que aponta para o consumo do nosso fim como quem pede mais um drink antes da queda j\u00e1 anunciada. O Elon Musk lan\u00e7a foguetes enquanto Gaza \u00e9 devastada; a Apple celebra o novo dispositivo enquanto metade do planeta queima; empresas de IA defendem \u201ccontrole global militarizado\u201d enquanto falam em \u201cproteger a humanidade\u201d \u2014 Sob o signo do data\u00edsmo (Han, 2022) <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_23');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_23');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_23\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[23]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_23\" class=\"footnote_tooltip\">HAN, Byung-Chul. Infocracia: digitaliza\u00e7\u00e3o e a crise da democracia. Tradu\u00e7\u00e3o de Gabriel Salvi Philipson. Petr\u00f3polis: Vozes, 2022.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_23').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_23', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> , a cren\u00e7a na efic\u00e1cia de cidades inteligentes, completamente automatizadas e governadas por dados, j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 distante de sua concretiza\u00e7\u00e3o. A cat\u00e1strofe virou branding; colapso virou lifestyle; o apocalipse virou pitch de investimento. Os super-ricos surfam o fim do mundo porque o fim do mundo \u00e9, para eles, uma oportunidade de consolidar poderes, e finalmente realizar aquilo que o capitalismo sempre apontou: a elimina\u00e7\u00e3o de qualquer alternativa. E n\u00f3s, espectadores capturados, consumimos a est\u00e9tica desse fim como quem compra uma camisa com o pr\u00f3prio epit\u00e1fio estampado.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fasc\u00ednio doentio soa como um masoquismo alegre, uma dan\u00e7a precipitada na beira do abismo. Antes que o S\u00e9timo Selo se feche, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 moralidade, import\u00e2ncia, estima. A degenera\u00e7\u00e3o \u00e9 espont\u00e2nea porque \u00e9 \u00f3bvia. Consumimos nosso pr\u00f3prio futuro como quem devora um doce amargo e viciante. Sente-se o desprezo, o desencanto feroz com o mundo. O que resta disso se n\u00e3o a embriaguez de tal design? N\u00e3o seria esse o \u00e1pice do esc\u00e1rnio? O desprezo desinibido? A amargura tornada estilo? O desespero desimportado transformado em est\u00e9tica? O consumo de Night City, sua distopia, revela sua verdade mais profunda: a forma est\u00e1, ao menos agora, dizendo mais do que o j\u00e1 visitado e criticado conte\u00fado. Dan\u00e7a-se no caos n\u00e3o por afirma\u00e7\u00e3o, mas por exaust\u00e3o, por fal\u00eancia da vontade, por indiferen\u00e7a performada. Existe a\u00ed um apego \u00e0 uma in\u00e9rcia terminal sobre a corros\u00e3o das coisas. Glorifica-se o pr\u00f3prio fim, o armagedom onde j\u00e1 tem vencedor, pois j\u00e1 vence e continuar\u00e1 a vencer \u2014 e ele faz ser belo, romantizado, fetichizado. O que h\u00e1 de bom nisso? Nada al\u00e9m da dissolu\u00e7\u00e3o, da insignific\u00e2ncia, da perda total de finalidade. A raz\u00e3o cumpriu seu percurso; a natureza foi destru\u00edda; o humano perdeu a si mesmo. O que resta \u00e9 a ontologiza\u00e7\u00e3o da inquestionabilidade \u2014 o capitalismo tornado ess\u00eancia, condi\u00e7\u00e3o, destino.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 est\u00e1 claro que n\u00e3o se trata apenas do contato com a distopia; \u00e9 uma nova forma de rela\u00e7\u00e3o com o mundo. Trata-se de uma postura j\u00e1 entregue, quase jubilosa em sua autodestrui\u00e7\u00e3o, que converte a repress\u00e3o hist\u00f3rica da civiliza\u00e7\u00e3o em uma esp\u00e9cie de catarse perversa: depois de tanto controle, tanto c\u00e1lculo, tanta conten\u00e7\u00e3o, instala-se um apatia consciente de forma generalizada. Nada mais do que um gozo triste, orgulhoso da pr\u00f3pria derrota, como se a \u00fanica liberdade que restasse fosse a de abra\u00e7ar o abismo, banhar-se na decad\u00eancia, rir da queda enquanto se cai. Aqui, a degenera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 acidente, mas estilo; o sofrimento n\u00e3o \u00e9 resist\u00eancia, mas um masoquismo l\u00facido, uma forma de experimentar um resto de ren\u00fancia num mundo que j\u00e1 n\u00e3o promete nada. Como previu Fisher (2020) ao falar das distopias, tudo isso \u00e9 capturado, embalado e vendido. Na forma se encontra a est\u00e9tica do colapso, o desejo da destrui\u00e7\u00e3o: a cat\u00e1strofe vira design. Night City, como objeto de an\u00e1lise, \u00e9 a epifania disso: n\u00e3o apenas representa a destrui\u00e7\u00e3o; ela a vende como souvenir. Tudo isso parecia, por d\u00e9cadas, apenas imagina\u00e7\u00e3o est\u00e9tica \u2014 salto cr\u00edtico. Mas o presente se encarregou de eliminar a fronteira entre fabula\u00e7\u00e3o e blueprint. Eis o apocalipse como argumento administrativo, o medo convertido em PowerPoint, a cat\u00e1strofe transformada em KPI. Nada mais cyberpunk do que um mundo onde a distopia vira norma t\u00e9cnica \u2014 onde o fim do mundo \u00e9 apenas mais uma etapa do planejamento estrat\u00e9gico.<br><br>Na mesma sintonia, grandes empresas de tecnologia e \u201cdefesa\u201d imaginam a integra\u00e7\u00e3o total da IA como aparato b\u00e9lico. Mapas escuros, drones onipresentes, alvos vermelhos piscando, a promessa de uma vigil\u00e2ncia ub\u00edqua que n\u00e3o dorme. A tecnologia civil \u2014 antes vendida como libertadora \u2014 desliza suavemente para o aparato de guerra, justificando-se sob o eufemismo de \u201cseguran\u00e7a\u201d. \u00c9 a Arasaka que deixa de ser met\u00e1fora para se tornar modelo de neg\u00f3cio. E, se no universo cyberpunk a medicina \u00e9 mercadoria de luxo, na vida concreta floresce a fantasia de \u201cilhas hospitalares\u201d: enclaves sanit\u00e1rios hiper-vigiados, projetados como pequenos para\u00edsos biom\u00e9dicos onde a sa\u00fade se torna produto de alt\u00edssima exclusividade. O que para uns \u00e9 utopia cl\u00ednica, para outros se torna laborat\u00f3rio dist\u00f3pico \u2014 uma vers\u00e3o higienizada do apartheid sanit\u00e1rio. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_24');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_24');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4905_1_24\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[24]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_24\" class=\"footnote_tooltip\">Business Insider. Larry Ellison e o resort de bem-estar em L\u0101na\u02bbi (Hawaii). Business Insider, 2021. Dispon\u00edvel em:&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4905_1('footnote_plugin_reference_4905_1_24');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4905_1_24').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4905_1_24', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Ao mesmo tempo, ergue-se o imagin\u00e1rio das smart cities privadas: NEOM na Ar\u00e1bia Saudita, com suas paredes de espelho que escondem vigil\u00e2ncia total; Dubai e seus enclaves climatizados no deserto; as cidades-empresa no Texas, voltadas para trabalhadores que j\u00e1 nem distinguem casa e corpora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o territ\u00f3rios onde a cidadania deixa de ser direito e passa a ser concess\u00e3o por efici\u00eancia \u2014 cart\u00f5es de acesso, produtividade medida em tempo real, mobilidade controlada pelo algoritmo. O que \u00e9 expl\u00edcito \u00e9 a convers\u00e3o da realidade f\u00edsica em detrimento da digitaliza\u00e7\u00e3o do mundo, pois n\u00e3o s\u00e3o cidades: s\u00e3o sistemas operacionais.<br><br>Na periferia desse mundo, floresce a mitologia libert\u00e1ria das criptomoedas, com suas cidades flutuantes, seus microestados mar\u00edtimos, seus ref\u00fagios fiscais vendidos como para\u00edsos p\u00f3s-estatais. A narrativa \u00e9 sedutora: o colapso do Estado como liberta\u00e7\u00e3o, o retorno a uma ordem \u201cnatural\u201d administrada n\u00e3o por institui\u00e7\u00f5es, mas por c\u00f3digos e contratos digitais. \u00c9 o sonho de quem imagina o apocalipse como uma chance de recome\u00e7ar do zero \u2014 mas apenas para aqueles que j\u00e1 possu\u00edam tudo antes do fim. E n\u00e3o \u00e9 preciso viajar a Dubai ou a \u00e1guas internacionais para encontrar a distopia materializada: basta olhar para os complexos log\u00edsticos da Amazon onde o tempo humano \u00e9 cronometrado ao mil\u00e9simo de segundo e cada gesto \u00e9 monitorado por c\u00e2meras, sensores e supervisores algor\u00edtmicos. Aqui, o trabalhador j\u00e1 vive dentro de um prot\u00f3tipo de Night City: corredores intermin\u00e1veis, ritmo desumanizante, vigil\u00e2ncia permanente, precariedade adornada com slogans motivacionais.<br><br>No campo digital, a Meta tenta construir metaversos corporativos que morrem antes mesmo de nascer. Todo ano nasce um &#8220;novo futuro da internet&#8221;; todo ano morre igual pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o de shopping em ter\u00e7a-feira \u00e0s tr\u00eas da tardes: uns desertos virtuais com NPC corporativo dando bom-dia, avatar que faria at\u00e9 o Second Life pedir demiss\u00e3o. O mais curioso nem \u00e9 o fracasso. \u00c9 a ambi\u00e7\u00e3o. Porque o projeto nunca foi s\u00f3 vender um \u00f3culos caro; mas sim administrar o devaneio. Fazer outsourcing da vida interior. Sonhar, mas dentro dos termos de uso. Fantasiar, mas em ambiente patrocinado: a imagina\u00e7\u00e3o ganha season pass.<br><br>Como todo ecossistema digital precisa de conte\u00fado, aparecem tamb\u00e9m os influenciadores do fim do mundo. O apocalipse vira nicho, est\u00e9tica, algoritmo. &#8220;Doomposting&#8221;, &#8220;decadence-core&#8221;, &#8220;ruin porn&#8221;, &#8220;late capitalism aesthetic&#8221;, v\u00eddeo de pr\u00e9dio sovi\u00e9tico abandonado com synth melanc\u00f3lico e legenda dizendo &#8220;ningu\u00e9m entende essa sensa\u00e7\u00e3o&#8221;. O colapso j\u00e1 chega editado em CapCut, com color grading cinematogr\u00e1fico e uma m\u00fasica que parece feita para romantizar boleto vencido. Existe uma aud\u00e1cia quase sobrenatural nisso tudo. O mundo acaba, mas com branding consistente. A timeline recicla o Armagedom como quem recicla trend: tr\u00eas takes, uma fonte minimalista e um filtro granulado. A not\u00edcia \u201cruim\u201d \u00e9 que o fim da civiliza\u00e7\u00e3o deixa de ser acontecimento; a \u201cboa\u201d \u00e9 que vira identidade visual. A ru\u00edna n\u00e3o precisa mais ser evitada \u2014 basta perform\u00e1-la com presen\u00e7a de c\u00e2mera suficiente para monetizar o desastre. Nada mais contempor\u00e2neo do que assistir ao mundo pegar fogo enquanto algu\u00e9m comenta &#8220;absolute cinema\u201d. O colapso j\u00e1 n\u00e3o pede resist\u00eancia; pede enquadramento. E n\u00f3s seguimos no humor p\u00f3s-ir\u00f4nico \u201cfarmando aura\u201d sobre as ru\u00ednas, num eterno six-seven.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-theme-palette-13-color has-text-color has-link-color wp-elements-a8a2025795c869e249993ff1f7191c05\">****<\/h2>\n\n\n\n<p><br>No fundo, o que tudo isso revela \u00e9 que o cyberpunk deixou de ser um universo e at\u00e9 mesmo de pertencer a um g\u00eanero pr\u00f3prio. Tornou-se o design do mundo, sua gram\u00e1tica afetiva, seu horizonte ps\u00edquico e pol\u00edtico. Nesse processo, silencioso e espetacular, o planeta inteiro converte-se na vers\u00e3o beta de uma distopia que j\u00e1 n\u00e3o provoca espanto porque deixou de anunciar o futuro: ela apenas descreve o presente. Perguntaria Mark Fisher (2020): o que resta ap\u00f3s o fim da hist\u00f3ria sen\u00e3o a consci\u00eancia do colapso? O problema n\u00e3o \u00e9 simplesmente a incapacidade de imaginar o que vir\u00e1, mas a incapacidade de imaginar um futuro que n\u00e3o seja a continua\u00e7\u00e3o degradada do agora. \u00c9 o cancelamento do futuro (Fisher, 2020): uma temporalidade que j\u00e1 n\u00e3o abre possibilidades hist\u00f3ricas, mas apenas prolonga indefinidamente o presente sob novas formas de colapso, apropriando-se n\u00e3o apenas de seu conte\u00fado, mas da pr\u00f3pria forma est\u00e9tica pela qual ele \u00e9 experimentado.<br><br>\u00c9 por isso que o cyberpunk j\u00e1 n\u00e3o projeta outro mundo; ele intensifica este. Sua for\u00e7a cr\u00edtica n\u00e3o reside em antecipar o amanh\u00e3, mas em revelar que at\u00e9 mesmo as formas pelas quais imaginamos o amanh\u00e3 j\u00e1 foram capturadas pela l\u00f3gica do presente. O que resta \u00e9 a est\u00e9tica oficial do cansa\u00e7o, o c\u00f3digo-fonte do fim, o modo de opera\u00e7\u00e3o de um capitalismo que conseguiu transformar at\u00e9 o colapso em mercadoria e at\u00e9 a ru\u00edna em objeto de desejo. Night City n\u00e3o \u00e9 futuro. \u00c9 diagn\u00f3stico. E n\u00f3s \u2014 tragicamente, esteticamente, fatalisticamente \u2014 j\u00e1 moramos nela.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file aligncenter\"><a id=\"wp-block-file--media-224b1abf-7a4b-4942-8d15-1b2aa872d459\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DISTOPIA-COMO-DESIGN_-CYBERPUNK-E-A-ARQUITETURA-DO-COLAPSO-Matheus-Pereira-1.pdf\">DISTOPIA COMO DESIGN_ CYBERPUNK E A ARQUITETURA DO COLAPSO &#8211; Matheus Pereira<\/a><a href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DISTOPIA-COMO-DESIGN_-CYBERPUNK-E-A-ARQUITETURA-DO-COLAPSO-Matheus-Pereira-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-224b1abf-7a4b-4942-8d15-1b2aa872d459\">Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-theme-palette-1-color has-alpha-channel-opacity has-theme-palette-1-background-color has-background\"\/>\n\n\n<style>.kb-image4905_7493c1-32.kb-image-is-ratio-size, .kb-image4905_7493c1-32 .kb-image-is-ratio-size{max-width:190px;width:100%;}.wp-block-kadence-column > .kt-inside-inner-col > .kb-image4905_7493c1-32.kb-image-is-ratio-size, .wp-block-kadence-column > .kt-inside-inner-col > .kb-image4905_7493c1-32 .kb-image-is-ratio-size{align-self:unset;}.kb-image4905_7493c1-32 figure{max-width:190px;}.kb-image4905_7493c1-32 .image-is-svg, .kb-image4905_7493c1-32 .image-is-svg img{width:100%;}.kb-image4905_7493c1-32 .kb-image-has-overlay:after{opacity:0.3;}<\/style>\n<div class=\"wp-block-kadence-image kb-image4905_7493c1-32\"><figure class=\"alignleft size-large\"><img data-dominant-color=\"836b5e\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #836b5e;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"769\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/foto-769x1024.avif\" alt=\"\" class=\"kb-img wp-image-4906 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/foto-769x1024.avif 769w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/foto-225x300.avif 225w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/foto-768x1023.avif 768w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/foto.avif 961w\" sizes=\"auto, (max-width: 769px) 100vw, 769px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Matheus Pereira <\/h2>\n\n\n\n<p>Graduado em Filosofia pela UFPE. Pesquisa teoria cr\u00edtica, est\u00e9tica, psican\u00e1lise e, n\u00e3o menos importante, cinema. Entre Herbert Marcuse, Mark Fisher e outras inquieta\u00e7\u00f5es, escreve sobre pol\u00edtica, cultura, sociedade e os impasses do presente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Autor<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-theme-palette-1-color has-alpha-channel-opacity has-theme-palette-1-background-color has-background is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Imagem digital:<\/em> Personagem conectado a um terminal cibern\u00e9tico por cabos na nuca, sentado diante de monitores e equipamentos eletr\u00f4nicos em ambiente escuro e iluminado por luzes neon, evocando imers\u00e3o digital no universo futurista de Cyberpunk. 2077. <br><em>Fonte:<\/em> CD Projekt Red, 2020. Dispon\u00edvel em : https:\/\/cdn-l-cyberpunk.cdprojektred.com\/gallery\/1080p\/Cyberpunk2077_Jacked_in-RGB-en.jpg. Acesso em: 03 dez. 2025.<\/p>\n<div class=\"speaker-mute footnotes_reference_container\"> <div class=\"footnote_container_prepare\"><p><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_label pointer\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_4905_1();\">&#x202F;<\/span><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_collapse_button\" style=\"display: none;\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_4905_1();\">[<a id=\"footnote_reference_container_collapse_button_4905_1\">+<\/a>]<\/span><\/p><\/div> <div id=\"footnote_references_container_4905_1\" style=\"\"><table class=\"footnotes_table footnote-reference-container\"><caption class=\"accessibility\">References<\/caption> <tbody> \r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_1\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_1');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>1<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> DELLA TORRE, Bruna. A imagina\u00e7\u00e3o apocal\u00edptica. Blog da Boitempo, 22 jul. 2025. Dispon\u00edvel em: <span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2025\/07\/22\/a-imaginacao-apocaliptica\/.<\/span> Acesso em: 3 dez. 2025. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_2\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_2');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>2<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">CYBERPUNK WIKI. S\u00e9rie Cyberpunk. Fandom, [s.d.]. Dispon\u00edvel em: <span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/cyberpunk.fandom.com\/wiki\/Cyberpunk_series.<\/span> Acesso em: 5 jul. 2026.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_3\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_3');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>3<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">CD PROJEKT RED. Cyberpunk 2077. Vars\u00f3via: CD Projekt, 2020.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_4\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_4');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>4<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> 5 BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade t\u00e9cnica. In: BENJAMIN, Walter. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica: ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura. Tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Paulo Rouanet. 7. ed. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1994. p. 165-196.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_5\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_5');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>5<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> CYBERPUNK: EDGERUNNERS. Dire\u00e7\u00e3o: Hiroyuki Imaishi; Masahiko Otsuka. Jap\u00e3o: Trigger; CD Projekt, 2022. Anime (Netflix).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_6\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_6');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>6<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> MARCUSE, Herbert. Algumas implica\u00e7\u00f5es sociais da tecnologia moderna. In: MARCUSE, Herbert; KELLNER, Douglas (org.). Tecnologia, guerra e fascismo. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Editora da UNESP, 1999. p. 71-104. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_7\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_7');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>7<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade t\u00e9cnica. In: BENJAMIN, Walter. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica: ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura. Tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Paulo Rouanet. 7. ed. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1994. p. 165-196. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_8\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_8');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>8<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> FUKUYAMA, Francis. The End of History and the Last Man. New York: Free Press, 1992. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_9\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_9');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>9<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> THE LAST OF US. Dire\u00e7\u00e3o: Craig Mazin; Neil Druckmann. Produ\u00e7\u00e3o: HBO. Los Angeles: HBO Max, 2023. S\u00e9rie televisiva.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_10\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_10');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>10<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">DUNE: Parte Um. Dire\u00e7\u00e3o: Denis Villeneuve. Estados Unidos: Warner Bros.; Legendary Pictures, 2021. Filme (155 min). <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_11\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_11');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>11<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">BLADE RUNNER 2049. Dire\u00e7\u00e3o: Denis Villeneuve. Estados Unidos: Warner Bros.; Sony Pictures, 2017. Filme (164 min).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_12\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_12');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>12<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> MAD MAX: Fury Road. Dire\u00e7\u00e3o: George Miller. Austr\u00e1lia; Estados Unidos: Warner Bros.; Village Roadshow Pictures, 2015. Filme (120 min).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_13\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_13');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>13<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> THE FP. New Manhattan Project \u2014 proposta tecnocient\u00edfica para restaurar a supremacia militar via IA generativa. The FP, 2025. Dispon\u00edvel em: <span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/archive.is\/2025.07.17-103329\/https:\/\/www.thefp.com\/p\/new-manhattan-project.<\/span> Acesso em: 07 dez. 2025. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_14\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_14');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>14<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> BILION\u00c1RIOS e apocal\u00edpticos: como os mais ricos est\u00e3o se preparando para o fim do mundo. Exame, 2025. Dispon\u00edvel em:<br><span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/exame.com\/ciencia\/bilionarios-e-apocalipticos-como-os-mais-ricos-estao-se-preparando-para-o-fim-do-m<\/span> undo\/. Acesso em: 07 dez. 2025. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_15\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_15');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>15<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> MRBEAST. Bunker nuclear de US$ 1 vs de US$ 1 bilh\u00e3o. YouTube, 30 ago. 2025. Dispon\u00edvel em: <span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_AbFXuGDRT.<\/span> Acesso em: 07 dez. 2025.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_16\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_16');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>16<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> O\u2019CONNELL, Mark. Notes from an Apocalypse: A Personal Journey to the End of the World and Back. Londres: Granta Books, 2020.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_17\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_17');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>17<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> INTERPLAY PRODUCTIONS. Fallout. Irvine: Interplay Productions, 1997. Jogo eletr\u00f4nico <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_18\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_18');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>18<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">FALLOUT. S\u00e9rie de televis\u00e3o. Cria\u00e7\u00e3o: Graham Wagner; Geneva Robertson-Dworet. Estados Unidos: Kilter Films \/ Amazon MGM Studios (Prime Video), 2024. Dispon\u00edvel em: Prime Video. Acesso em: 07 dez. 2025. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_19\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_19');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>19<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">JACOBIN. Peter Thiel, Palantir e o Apocalipse Anticristo. Jacobin, 2025. Dispon\u00edvel em: <span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/jacobin.com\/2025\/11\/peter-thiel-palantir-apocalypse-antichrist.<\/span> Acesso em: 07 dez. 2025.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_20\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_20');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>20<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">FISHER, Mark. O dia que Mark Fisher destruiu seu mentor. Jacobin Brasil, 13 jan. 2026. Dispon\u00edvel em: <span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/jacobin.com.br\/2026\/01\/o-dia-que-mark-fisher-destruiu-seu-mentor\/.<\/span> Acesso em: 5 jul. 2026. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_21\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_21');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>21<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> 2001: UMA ODISSEIA NO ESPA\u00c7O. Dire\u00e7\u00e3o: Stanley Kubrick. Produ\u00e7\u00e3o: Stanley Kubrick. Estados Unidos; Reino Unido: Metro-Goldwyn-Mayer, 1968. Filme (149 min.) <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_22\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_22');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>22<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> MATRIX. Dire\u00e7\u00e3o: Lana Wachowski; Lilly Wachowski. Estados Unidos: Warner Bros., 1999. Filme (136 min.).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_23\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_23');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>23<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">HAN, Byung-Chul. Infocracia: digitaliza\u00e7\u00e3o e a crise da democracia. Tradu\u00e7\u00e3o de Gabriel Salvi Philipson. Petr\u00f3polis: Vozes, 2022.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4905_1_24\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4905_1('footnote_plugin_tooltip_4905_1_24');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>24<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Business Insider. Larry Ellison e o resort de bem-estar em L\u0101na\u02bbi (Hawaii). Business Insider, 2021. Dispon\u00edvel em: <span class=\"footnote_url_wrap\">https:\/\/www.businessinsider.com\/larry-ellison-hawaii-wellness-spa-sensei-lanai-photos-2021-2.<\/span> Acesso em: 07 dez. 2025.<\/td><\/tr>\r\n\r\n <\/tbody> <\/table> <\/div><\/div><script type=\"text\/javascript\"> function footnote_expand_reference_container_4905_1() { jQuery('#footnote_references_container_4905_1').show(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_4905_1').text('\u2212'); } function footnote_collapse_reference_container_4905_1() { jQuery('#footnote_references_container_4905_1').hide(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_4905_1').text('+'); } function footnote_expand_collapse_reference_container_4905_1() { if (jQuery('#footnote_references_container_4905_1').is(':hidden')) { footnote_expand_reference_container_4905_1(); } else { footnote_collapse_reference_container_4905_1(); } } function footnote_moveToReference_4905_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_4905_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } } function footnote_moveToAnchor_4905_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_4905_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } }<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cS\u2060e tiver que matar\u2026 Mate. 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