{"id":4863,"date":"2026-06-26T17:17:09","date_gmt":"2026-06-26T17:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=4863"},"modified":"2026-06-26T17:17:12","modified_gmt":"2026-06-26T17:17:12","slug":"a-dialetica-do-senhor-escravo-de-hegel-e-um-mito-da-marxologia-christopher-j-arthur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/26\/a-dialetica-do-senhor-escravo-de-hegel-e-um-mito-da-marxologia-christopher-j-arthur\/","title":{"rendered":"A dial\u00e9tica do Senhor-Escravo de Hegel e um Mito da Marxologia \u2014 \u00a0Christopher J. Arthur"},"content":{"rendered":"\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/A-dialetica-do-Senhor-Escravo-de-Hegel-e-um-Mito-da-Marxologia-Chris-Arthur.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:200px\" aria-label=\"Incorporado de A dial\u00e9tica do Senhor-Escravo de Hegel e um Mito da Marxologia - Chris Arthur.\"><\/object><a id=\"wp-block-file--media-33de9cda-abba-46af-acad-d5918a6b8ae2\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?attachment_id=4876\">A dial\u00e9tica do Senhor-Escravo de Hegel e um Mito da Marxologia &#8211; Chris Arthur<\/a><a href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/A-dialetica-do-Senhor-Escravo-de-Hegel-e-um-Mito-da-Marxologia-Chris-Arthur.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-33de9cda-abba-46af-acad-d5918a6b8ae2\">Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo: <\/strong>Trata-se de uma tradu\u00e7\u00e3o de um seminal artigo da Marxologia, escrito por Chris Arthur. O artigo mostra que o jovem Marx nunca mencionou a famosa dial\u00e9tica hegeliana mestre-escravo. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o a tinha em mente em seus Manuscritos de 1844. Os argumentos de Arthur s\u00e3o compostos de v\u00e1rios n\u00edveis, incluindo o filol\u00f3gico. Sua tese \u00e9 que aquilo que Marx tem em vista quando menciona a Fenomenologia do Esp\u00edrito \u00e9 todo o movimento do esp\u00edrito: sua dial\u00e9tica da negatividade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: Reconhecimento. Dial\u00e9tica senhor-servo. Marx. Hegel. Negatividade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hegel&#8217;s Master Slave Dialectic and a Myth of Marxology<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Abstract<\/strong>: This is a translation of the seminal &#8216;Marxology&#8217; paper by Chris Arthur. The paper shows that the young Marx never mentions the famous Hegelian master-slave dialectic. Neither did he have it in mind in his Manuscripts of 1844. The arguments of Arthur are composed of several levels, including the philological one. His thesis is that what Marx has in mind when he mentions the Phenomenology of Spirit is the entire movement of spirit: its dialectic of negativity.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Keywords<\/strong>: Recognition. Master-Slave Dialectic. Marx. Hegel. Negativity.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A dial\u00e9tica do Senhor-Escravo de Hegel e um Mito da Marxologia<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma vis\u00e3o amplamente difundida segundo a qual Marx teria sido profundamente influenciado pela dial\u00e9tica do Senhor-Servo (\u2018<em>Herrschaft und Knechtschaft<\/em>\u2019) presente na <em>Fenomenologia do Esp\u00ed<\/em><em>rito<\/em> (1807) de Hegel. Tal vis\u00e3o foi popularizada primeiramente por Jean-Paul Sartre, em <em>O ser e o nada<\/em> (1943) ele se refere \u00e0 \u201cfamosa rela\u00e7\u00e3o \u2018Senhor-Escravo\u2019, que t\u00e3o profundamente influenciou Marx\u201d<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Sartre n\u00e3o explica como o sabe.<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Provavelmente essa observa\u00e7\u00e3o reflete a influ\u00eancia das aulas sobre Hegel lecionadas por Alexandre Koj\u00e8ve na d\u00e9cada de 30. Koj\u00e8ve apresenta uma leitura da <em>Fenomenologia<\/em>,em uma interpreta\u00e7\u00e3o quase-marxista, que centraliza o lugar da dial\u00e9tica do Senhor-Servo<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. (Talvez Koj\u00e8ve tenha presumido que o pr\u00f3prio Marx a tenha lido da mesma forma. Por\u00e9m, uma coisa \u00e9 ler o marxismo voltado a Hegel, outra \u00e9 ger\u00e1-lo <em>a partir<\/em> de Hegel.) Tr\u00eas anos depois de Sartre, encontramos Jean Hyppolite afirmando que a dial\u00e9tica da domina\u00e7\u00e3o e da servid\u00e3o \u00e9 a se\u00e7\u00e3o mais conhecida da <em>Fenomenologia<\/em> por causa da \u201cinflu\u00eancia que esta teve na filosofia social e pol\u00edtica dos sucessores de Hegel, especialmente Marx\u201d<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Na verdade, apesar das afirma\u00e7\u00f5es de numerosos comentadores dizerem o contr\u00e1rio, Sartre e Hippolyte <em>n\u00e3o<\/em> compareceram \u00e0s aulas de Koj\u00e8ve. O mito de que eles estavam sentados aos p\u00e9s de um \u201csuperior desconhecido\u201d \u00e9 hoje em dia amplamente difundido, no entanto, a literatura de apoio n\u00e3o fornece nenhuma evid\u00eancia para isso.<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Voltemos nossa aten\u00e7\u00e3o \u00e0s explica\u00e7\u00f5es de primeira-m\u00e3o. Raymond Queneau, o disc\u00edpulo de Koj\u00e8ve encarregado de coletar e publicar as aulas de 1947, apresentou uma lista dos participantes em que n\u00e3o constam Sartre ou Hyppolite<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. No que concerne aHyppolite<strong>,<\/strong> temos o testemunho adicional da Sra. Hyppolite<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> confirmando que ele n\u00e3o compareceu \u201cpor medo de ser influenciado\u201d<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja como for, um documento crucial produzido por Koj\u00e8ve j\u00e1 estava em dom\u00ednio p\u00fablico enquanto Sartre e Hyppolite elaboravam suas equa\u00e7\u00f5es de Hegel com Marx. Na edi\u00e7\u00e3o da <em>Mesures<\/em> de 14 de janeiro de 1939, Koj\u00e8ve publicou uma tradu\u00e7\u00e3o, intercalada de suas glosas, da se\u00e7\u00e3o da <em>Fenomenologia<\/em> intitulada \u201cAutonomia e depend\u00eancia da Autoconsci\u00eancia: senhorio e servid\u00e3o\u201d. Para nossos prop\u00f3sitos \u00e9 ainda mais interessante o fato de que Koj\u00e8ve adicionou uma ep\u00edgrafe com as seguintes palavras de Marx: \u201c<em>Hegel&#8230; erfast die Arbeit als das Wesen, als das sich bew<\/em><em>\u00e4<\/em><em>hrende Wesen des Menschen<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>. (Hegel&#8230; toma o <em>trabalho<\/em> como a <em>ess\u00ea<\/em><em>ncia<\/em>, como a ess\u00eancia auto-certificada do ser humano). Nenhuma refer\u00eancia foi apresentada, mas, de fato, esta \u00e9 uma cita\u00e7\u00e3o dos <em>Manuscritos de Paris <\/em>de 1844 de Marx, os quais n\u00e3o foram publicados at\u00e9 a d\u00e9cada de trinta. Portanto, Koj\u00e8ve foi a primeira pessoa a tra\u00e7ar uma conex\u00e3o direta entre o famoso ju\u00edzo de Marx sobre Hegel e a dial\u00e9tica do Senhor-Servo na <em>Fenomenologia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias atuais \u00e9 dogmaticamente afirmado, em numerosos livros, que Marx seinspirou na an\u00e1lise de Hegel acerca do trabalho da servid\u00e3o<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>. Esta vis\u00e3o \u00e9 completamente falsa. A presente nota busca demonstrar que esse \u00e9 o caso e explicar o significado real da apropria\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de Marx da <em>Fenomenologia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Se for quest\u00e3o de considerar a influ\u00eancia da <em>Fenomenologia<\/em> de Hegel em Marx, os textos cruciais a serem analisados devem ser os seus manuscritos de 1844, nos quais ele introduz sua teoria da aliena\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, dedica um espa\u00e7o consider\u00e1vel auma profunda cr\u00edtica da <em>Fenomenologia<\/em>. Na \u00faltima se\u00e7\u00e3o dos manuscritos, Marx elogia Hegel por ter compreendido o ser humano como resultado de seu pr\u00f3prio trabalho. Quase todos os comentadores, assumindo ingenuamente que o trabalho material \u00e9 o que est\u00e1 em quest\u00e3o aqui, recorrem \u00e0 Fenomenologia e descobrem, de fato, uma discuss\u00e3o fascinante na se\u00e7\u00e3o &#8220;Senhor-Servo&#8221; sobre o significado do trabalho material; nele e por meio dele o servo &#8220;encontra a si mesmo&#8221;. Mais do que isso, o fato de Hegel enxergar a realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho no contexto da servid\u00e3o leva alguns desses comentadores a fazer a afirma\u00e7\u00e3o mais extravagante segundo a qual Marx, em sua teoria da aliena\u00e7\u00e3o, se baseia na mesma se\u00e7\u00e3o. Provavelmente Herbert Marcuse foi o primeiro a assumir tal posi\u00e7\u00e3o; em <em>Raz\u00e3o e Revolu\u00e7\u00e3o<\/em> (1941) Marcuse comenta que \u201cEm 1844, Marx aprofundou os conceitos b\u00e1sicos de sua pr\u00f3pria teoria atrav\u00e9s de uma an\u00e1lise cr\u00edtica da <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em> de Hegel. Ele descreveu a \u201caliena\u00e7\u00e3o\u201d do trabalho nos termos da discuss\u00e3o hegeliana sobre a condi\u00e7\u00e3o do senhor e do servo [&#8230;]\u201d.<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica dificuldade para este tipo de pressuposi\u00e7\u00e3o que faz a literatura de apoio \u00e9 que, em seus manuscritos de 1844, quando Marx desenvolve uma \u2018cr\u00edtica da dial\u00e9tica de Hegel\u2019, ele <em>nunca se refere<\/em> a essa se\u00e7\u00e3o da <em>Fenomenologia<\/em> \u2013 nem mesmo dando-lhe qualquer import\u00e2ncia!Marx discute a <em>Fenomenologia<\/em> como um <em>todo<\/em> e chama aten\u00e7\u00e3o especialmente para o \u00faltimo cap\u00edtulo; ele destaca o m\u00e9rito de outras tr\u00eas se\u00e7\u00f5es, mas nenhuma delas diz respeito \u00e0 dial\u00e9tica do senhor-servo<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>. Isso deve nos tornar suspeitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s afirma\u00e7\u00f5es feitas sobre o &#8220;senhor-escravo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de examinar o modo como Marx lida com a <em>Fenomenologia<\/em>, relembremos a dial\u00e9tica entre <em>Herrschaft und Knechtschaft<\/em>. (A prop\u00f3sito, apesar de ser popularmente chamada de \u201cSenhor-Escravo\u201d, a tradu\u00e7\u00e3o correta para <em>Knecht<\/em> \u00e9 \u201cServo\u201d<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>). Trata-se de uma se\u00e7\u00e3o presente no in\u00edcio da <em>Fenomenologia<\/em>, na passagem da consci\u00eancia para a autoconsci\u00eancia. Hegel acredita que o <em>self<\/em> somente pode se tornar consciente de si mesmo atrav\u00e9s da e na media\u00e7\u00e3o com outra autoconsci\u00eancia. Para Hegel, a primeira rela\u00e7\u00e3o fixa que emerge do desenvolvimento dial\u00e9tico deste t\u00f3pico \u00e9 a do Senhorio e da Servid\u00e3o. O senhor \u00e9 reconhecido como tal por seu servo e, assim, satisfaz imediatamente seus desejos por meio dos bens e servi\u00e7os que o trabalho do servo lhe fornece. Todavia, \u00e9 precisamente atrav\u00e9s do servo que a dial\u00e9tica progride porque \u201cpor meio do trabalho&#8230; o servo torna-se consciente do que realmente \u00e9\u201d. O trabalho forma e molda as coisas e \u00e9 atrav\u00e9s deste agir formativo que, agora, a consci\u00eancia do servo, no trabalho externalizado, torna-se \u201calgo permanente\u201d; pois o servo passa a perceber neste ser independente do objeto \u201ca sua <em>pr\u00f3pria<\/em> independ\u00eancia\u201d. Mais adiante, Hegel diz que<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A forma n\u00e3o se torna um outro que a consci\u00eancia pelo fato de se ter <em>exteriorizado<\/em>, pois justamente essa forma \u00e9 seu puro ser-para-si.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sendo assim, conclui:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Mediante o reencontro de si por si mesmo, o servo percebe que \u00e9 precisamente em seu trabalho, no qual aparentemente ele apenas vive a vida de um estranho <em>[fremder Sinn]<\/em>, que ele encontra sentido pr\u00f3prio <em>[eigner Sinn]<\/em><a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>De uma forma superficial estes termos comparam-se aos de Marx, j\u00e1 que tanto Hegel quanto Marx consideram o trabalho, para al\u00e9m de seu aspecto meramente utilitarista, como um ve\u00edculo de autorrealiza\u00e7\u00e3o; tanto \u00e9 assim que n\u00e3o concebem o senhor, mas o servo como o <em>locus<\/em> de uma exist\u00eancia humana mais desenvolvida. No entanto, quando notamos que, por um lado, Marx sustenta que somente uma transforma\u00e7\u00e3o no modo de produ\u00e7\u00e3o reestabelecer\u00e1 o sentido pr\u00f3prio e a realiza\u00e7\u00e3o para o trabalhador e, por outro, Hegel pensa que, mesmo dentro de uma rela\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o espoliadora, os efeitos educativos do trabalho s\u00e3o <em>suficientes<\/em> para o trabalhador representar para si mesmo o \u201csentido pr\u00f3prio\u201d em seu produto, ficam n\u00edtidas as diferen\u00e7as fundamentais entre Marx e Hegel. Al\u00e9m disso, neste est\u00e1gio da dial\u00e9tica fenomenol\u00f3gica, a condi\u00e7\u00e3o \u201cdo temor e do servi\u00e7o\u201d \u00e9 estipulada como <em>necess\u00e1ria<\/em> para tal finalidade: a saber, a do servo tornar-se objetivo para si mesmo<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Hegel define o trabalho como um \u201cdesejo refreado\u201d: a defini\u00e7\u00e3o requer que seja tra\u00e7ada uma dist\u00e2ncia entre os impulsos imediatos da vontade pr\u00f3pria e o agir formativo fundado em <em>princ<\/em><em>\u00edpios objetivos<\/em>. Se quisermos, \u00e9 o senhor quem \u00e9 um escravo porque o <em>seu <\/em>objeto \u00e9 o \u201csentimento absoluto de autossatisfa\u00e7\u00e3o\u201d: o que significa dizer que ele \u00e9 escravo de seus desejos (<em>appetites<\/em>), mas as suas satisfa\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201capenas evanescentes\u201d, carecendo da perman\u00eancia de objetividade<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>. Por outro lado, o servo alcan\u00e7a o senhorio de suas habilidades no trabalho por ele criado; \u00e9 ele quem ascende ao n\u00edvel da raz\u00e3o humana universal. Contudo, Hegel introduz a no\u00e7\u00e3o de que \u201co temor e o servi\u00e7o\u201d s\u00e3o <em>necess\u00e1rios<\/em> para induzir ao refreamento do desejo e, tamb\u00e9m, para garantir que a consci\u00eancia supere seus prop\u00f3sitos autorreferidos e ascenda \u00e0 liberdade originada na consci\u00eancia do \u201cpoder universal\u201d da atividade humana criadora<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>. Aparentemente, de uma forma bastante arbitr\u00e1ria, Hegel assume que todos devemos experienciar uma transgress\u00e3o da vontade pr\u00f3pria, mediante a sujei\u00e7\u00e3o a um poder alheio, antes de nos tornarmos capazes da liberdade racional<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Examinemos agora a passagem crucial na complexa discuss\u00e3o de Marx sobre a <em>Fenomenologia<\/em>, na qual Marx elogia Hegel por compreender a import\u00e2ncia do trabalho<strong>:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A grandeza da \u201c<em>Fenomenologia<\/em>\u201d hegeliana e de seu resultado final \u2013 da dial\u00e9tica, da negatividade como princ\u00edpio motor e gerador \u2013 consiste em que Hegel, por um lado, concebe a autogera\u00e7\u00e3o do ser humano como um processo, a objetiva\u00e7\u00e3o (<em>Vergegenst<\/em><em>\u00e4<\/em><em>ndlichung)<\/em> como desobjetiva\u00e7\u00e3o (<em>Entgegenst<\/em><em>\u00e4<\/em><em>ndlichung<\/em>), como aliena\u00e7\u00e3o (<em>Ent<\/em><em>\u00e4<\/em><em>usserung<\/em>) e como supera\u00e7\u00e3o (<em>Aufhebung<\/em>) dessa aliena\u00e7\u00e3o; que apreende ess\u00eancia do <em>trabalho<\/em> e concebe o ser humano objetivado [&#8230;] como o resultado de seu <em>pr\u00f3prio trabalho<\/em>. A realiza\u00e7\u00e3o de si mesmo [&#8230;] somente \u00e9 poss\u00edvel se o humano [&#8230;] exteriorizar todas as suas<em> for<\/em><em>\u00e7<\/em><em>as gen<\/em><em>\u00e9ricas<\/em> [&#8230;] comportando-se perante elas como diante de objetos, o que, por sua vez, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel inicialmente sob a forma do estranhamento (<em>Entfremdung<\/em>)<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que este ju\u00edzo \u2013 tal como Koj\u00e8ve insinua e tantos outros comentadores posteriores afirmam com ousadia \u2013 tem em vista a discuss\u00e3o hegeliana acerca do trabalho da servid\u00e3o? A primeira coisa em que devemos nos deter \u00e9 que, logo ap\u00f3s este elogio, Marx o qualifica, lamentando o fato de que \u201co \u00fanico trabalho que Hegel conhece e reconhece \u00e9 o <em>trabalho abstrato do esp\u00edrito<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>. O trabalho do servo \u00e9 claramente <em>material <\/em>e, por conseguinte, observar isto implica mostrar n\u00e3o apenas que Marx n\u00e3o tinha em vista tal an\u00e1lise, mas que ele realmente <em>esqueceu<\/em> tudo a respeito dela e fez uma pequena injusti\u00e7a a Hegel!<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Aquilo a que Marx <em>de fato<\/em> nos remete \u00e9 ao \u201ccap\u00edtulo final da \u2018<em>Fenomenologia<\/em>\u2019 \u2013 \u2018O saber absoluto\u2019 [&#8230;]\u201d que, por sua vez, \u201ccont\u00e9m o esp\u00edrito resumido da <em>Fenomenologia<\/em>\u201d e a sua dial\u00e9tica.<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> Reside a\u00ed o resultado completo de seu movimento. O \u201ctrabalho abstrato do esp\u00edrito\u201d mencionado por Marx \u00e9 o <em>trabalho do esp\u00ed<\/em><em>rito<\/em>. A <em>Fenomenologia<\/em> \u00e9 uma odisseia do esp\u00edrito ou, talvez, uma <em>Bildungsroman<\/em> do esp\u00edrito em que o esp\u00edrito descobre que as formas objetivas dadas a ele na consci\u00eancia e na autoconci\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o nada al\u00e9m de sua pr\u00f3pria autodetermina\u00e7\u00e3o. O esp\u00edrito vem a se conhecer mediante a <em>produ\u00e7\u00e3o<\/em> de si mesmo, na primeira inst\u00e2ncia na qualidade de algo que se coloca em oposi\u00e7\u00e3o a si mesmo. Marx observa que, no cap\u00edtulo final, o mundo do estranhamento, assim trazido \u00e0 vida, \u00e9 superado, ou negado, de uma maneira peculiar, na medida em que \u2014como Hegel coloca \u2013 a \u201cautoconsci\u00eancia [&#8230;] superou e recuperou dentro de si essa aliena\u00e7\u00e3o (<em>Ent<\/em><em>\u00e4<\/em><em>usserung<\/em>) e a objetividade, e assim est\u00e1 junto de si no <em>seu<\/em> ser-outro como tal\u201d<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>. Dentro deste quadro de refer\u00eancia, as esferas do estranhamento tais como religi\u00e3o, estado, sociedade civil etc. s\u00e3o consideradas trabalho do pr\u00f3prio esp\u00edrito. Hegel enfatiza que o esp\u00edrito pode chegar a si mesmo <em>apenas mediante<\/em> o estabelecimento de uma oposi\u00e7\u00e3o e, ap\u00f3s isso, negando-a. Isto \u00e9 o que ele chama de \u201ctrabalho do negativo\u201d<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No trecho em que Marx afirma que o \u201cresultado final\u201d da <em>Fenomenologia<\/em> \u00e9 \u201ca dial\u00e9tica da negatividade como princ\u00edpio motor e gerador\u201d, \u00e9 a <em>todo este trabalho do esp\u00edrito<\/em>, presente na <em>Fenomenologia<\/em>, a que ele se refere. Naturalmente, na concep\u00e7\u00e3o de Marx, o ser humano produz a si mesmo atrav\u00e9s do trabalho material. Por\u00e9m, seria um erro derivar da\u00ed que seu elogio a Hegel se deve ao fato deste falar a respeito do trabalho material, tal como o trabalho do servo. Assim como, quando Marx declara que Hegel apreende o trabalho como sendo a ess\u00eancia, ele n\u00e3o est\u00e1 falando do que Hegel <em>realmente diz sobre o trabalho material<\/em> (da\u00ed a aus\u00eancia de refer\u00eancia a \u201cSenhorio e a Servid\u00e3o\u201d), mas est\u00e1 se referindo ao significado esot\u00e9rico da dial\u00e9tica da negatividade na totalidade do movimento de autoposi\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito (da\u00ed a afirma\u00e7\u00e3o de Marx segundo a qual o \u00fanico trabalho que Hegel reconhece \u00e9 o trabalho abstrato do esp\u00edrito). Marx identifica na dial\u00e9tica da negatividade de Hegel a hip\u00f3stase da <em>reflex<\/em><em>\u00e3o abstrata<\/em> na filosofia do <em>processo material <\/em>atrav\u00e9s do qual o ser humano produz a si mesmo por meio de seu pr\u00f3prio trabalho, um processo que (e aqui Marx est\u00e1 de acordo com Hegel) deve passar por um est\u00e1gio de estranhamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso situar a rela\u00e7\u00e3o \u201cSenhor-Escravo\u201d dentro dessa perspectiva do desenvolvimento da autoconsci\u00eancia do esp\u00edrito. Como j\u00e1 observamos e agora enfatizamos, trata-se de um momento <em>inicial<\/em> na hist\u00f3ria da recupera\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito. \u00c9 muito menos \u2018concreto\u2019 (no jarg\u00e3o de Hegel) do que as conquistas culturais, como o direito, a arte, a religi\u00e3o e a filosofia.<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> Apesar disso, est\u00e1 situada em um ponto de inflex\u00e3o de not\u00e1vel import\u00e2ncia, uma vez que o problema ali enfrentado por Hegel \u00e9 o de como desenvolver dialeticamente a autoconsci\u00eancia a partir da mera consci\u00eancia dos objetos externos. A consci\u00eancia n\u00e3o apreende a si mesma nas coisas. Ela deve se distinguir absolutamente delas por meio de sua nega\u00e7\u00e3o radical. O consumo dos objetos de desejo efetiva isso de maneira fugaz. Arriscar a vida para for\u00e7ar outra consci\u00eancia a admitir o seu reconhecimento representa uma media\u00e7\u00e3o mais promissora. Ocorre que o senhor se percebe frustrado ao se dar por vencido ao servo, \u00e0 sua coisa. A autoconsci\u00eancia somente consegue adquirir o reconhecimento apropriado mediante o respeito m\u00fatuo, tal como aquele que \u00e9 proporcionado aos indiv\u00edduos e constitu\u00eddo nas rela\u00e7\u00f5es \u00e9ticas e jur\u00eddicas, cujo desenvolvimento \u00e9 tardiamente desenvolvido por Hegel no texto.<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> Nesse est\u00e1gio, a dial\u00e9tica progride por meio do servo menosprezado. Como vimos, ele \u201cencontra a si mesmo\u201d mediante a a\u00e7\u00e3o negadora do trabalho sobre as coisas. N\u00e3o obstante, devemos enfatizar que o ponto em quest\u00e3o \u00e9 que isto promove um avan\u00e7o na autoconsci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso n\u00e3o tem muito a ver com o interesse de Marx na realiza\u00e7\u00e3o de um ser objetivo na forma\u00e7\u00e3o do mundo material. Trata-se antes de uma parte do projeto da <em>Fenomenologia<\/em> como um todo. Vale a pena lembrar que, na \u201cFenomenologia\u201d da <em>Enciclop<\/em><em>\u00e9dia<\/em>, Hegel n\u00e3o faz men\u00e7\u00e3o alguma ao trabalhador que encontra a si mesmo em seu produto; l\u00e1 a \u00eanfase no desenredo da rela\u00e7\u00e3o \u201cSenhor-Escravo\u201d est\u00e1 na \u201ccomunidade das car\u00eancias\u201d e no fato de que o \u201ctemor do senhor \u00e9 o in\u00edcio da sabedoria\u201d.<a href=\"#_ftn27\" id=\"_ftnref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> No tocante \u00e0 <em>Fenomenologia do Esp\u00ed<\/em><em>rito<\/em>, em virtude de se tratar de uma odisseia do <em>esp\u00ed<\/em><em>rito<\/em>, nada poderia ser mais errado do que despender uma \u00eanfase especial no momento do trabalho material (como \u00e9 o caso das leituras \u2018marxistas\u2019 de Marcuse e de Koj\u00e8ve), uma vez que sua import\u00e2ncia n\u00e3o se deve ao resultado material, mas ao espiritual. A pr\u00f3xima etapa na dial\u00e9tica \u00e9 que, uma vez que a autoconsci\u00eancia carece de unidade ao estar dividida entre diferentes \u2018eus\u2019 (<em>selves<\/em>), ela tenta encontrar sua \u201cliberdade\u201d no \u201cpensamento\u201d; a objetividade \u00e9 \u2018negada\u2019 na pura universalidade do pensamento nas atitudes que Hegel identifica com o Estoicismo e o Ceticismo.<a href=\"#_ftn28\" id=\"_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> Para Hegel, a \u2018liberdade\u2019 da vida interior \u00e9 compat\u00edvel com qualquer posi\u00e7\u00e3o social.<a href=\"#_ftn29\" id=\"_ftnref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, ser\u00e1 que Marx, tal como Marcuse afirma (acima), seguiu os termos hegelianos da rela\u00e7\u00e3o entre senhor e servo em sua teoria da aliena\u00e7\u00e3o? J\u00e1 dissemos o suficiente para que isso seja colocado em d\u00favida. Al\u00e9m disso, n\u00e3o bastando o pr\u00f3prio Marx n\u00e3o citar tal se\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria discuss\u00e3o hegeliana acerca disso n\u00e3o menciona a aliena\u00e7\u00e3o. Evidentemente, como se poderia supor, o trabalho material imediato n\u00e3o \u00e9 um problema para Hegel t\u00e3o s\u00f3 pelo fato de ser material.<a href=\"#_ftn30\" id=\"_ftnref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> Contrariamente, Hegel confere ao trabalho material um sentido positivo no desenvolvimento do esp\u00edrito. Entretanto, \u00e9 perfeitamente verdadeiro que Marx descobre em Hegel o tema da aliena\u00e7\u00e3o (<em>Ent<\/em><em>\u00e4<\/em><em>usserung<\/em>) e do estranhamento (<em>Entfremdung<\/em>) \u2013 mas ele n\u00e3o deriva isto do trabalho da servid\u00e3o. Mesmo aqueles comentadores que se concentram no cap\u00edtulo \u201cO esp\u00edrito alienado de si mesmo\u201d (\u2018<em>Der sich entfremdete Geist\u2019<\/em>) est\u00e3o apenas parcialmente corretos. \u00c9 verdade que Marx faz algumas refer\u00eancias favor\u00e1veis a partes desse material; ele diz: \u201cestas se\u00e7\u00f5es isoladas encerram os elementos <em>cr\u00edticos<\/em> \u2013 embora ainda numa forma estranhada \u2013 de esferas tais, como a religi\u00e3o, o Estado, a vida civil etc.\u201d<a href=\"#_ftn31\" id=\"_ftnref31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> No entanto, nas se\u00e7\u00f5es citadas Hegel est\u00e1 lidando com o reino do <em>esp\u00ed<\/em><em>rito finito<\/em>, historicamente correspondente ao per\u00edodo que se desenha a partir do Feudalismo e que atravessa o Iluminismo at\u00e9 \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Marx n\u00e3o se preocupa tanto com isso, mas principalmente com o movimento de \u2018<em>negatividade absoluta<\/em>\u2019 do esp\u00edrito, e especialmente com o cap\u00edtulo final \u201cSaber Absoluto\u201d (e quando menciona a <em>Enciclop\u00e9dia<\/em>, \u00e9 a Ideia Absoluta e sua aliena\u00e7\u00e3o de si na natureza que ele discute).<\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto complicado no debate de tais quest\u00f5es \u00e9 que a tradu\u00e7\u00e3o dos textos, tanto os de Hegel quanto de Marx, pode induzir \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o de ambos \u201c<em>Ent<\/em><em>\u00e4<\/em><em>usserung<\/em>\u201d e \u201c<em>Entfremdung<\/em>\u201d por \u201caliena\u00e7\u00e3o\u201d. Todavia, em Hegel, os termos s\u00e3o muito bem separados no texto e possuem <em>fun\u00e7\u00f5es diferentes<\/em>. Rec\u00e9m mencionamos o cap\u00edtulo sobre <em>Entfremdung<\/em>. Como bem nota Luk\u00e1cs,<a href=\"#_ftn32\" id=\"_ftnref32\"><sup>[32]<\/sup><\/a> \u201c<em>Ent<\/em><em>\u00e4<\/em><em>usserung<\/em>\u201d \u00e9 o conceito-chave no desfecho da <em>Fenomenologia<\/em>: o esp\u00edrito concebe a esfera do estranhamento como produto de sua pr\u00f3pria autoaliena\u00e7\u00e3o. <em>Entfremdung<\/em> \u00e9 a forma da <em>Ent<\/em><em>\u00e4<\/em><em>usserung<\/em> como o <em>resultado<\/em> fenomenol\u00f3gico do processo ativo no qual o esp\u00edrito p\u00f5e a si mesmo em seu ser-outro.<a href=\"#_ftn33\" id=\"_ftnref33\"><sup>[33]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que Marx tenha se impressionado com a descri\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica do estranhamento feita por Hegel, o que realmente o entusiasmou foi o aspecto \u2018metaf\u00edsico\u2019 da <em>Fenomenologia <\/em>\u2013 o esp\u00edrito se mediando com ele mesmo na aliena\u00e7\u00e3o (<em>Ent\u00e4usserung<\/em>). Esse n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o processo da \u201c<em>negatividade absoluta<\/em>\u201d e \u00e9 a isso a que Marx se refere quando ele diz que, ainda que de forma mistificada, Hegel apreende o ser humano como o produto do seu pr\u00f3prio trabalho, atrav\u00e9s da aliena\u00e7\u00e3o e da supera\u00e7\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, Marx sustenta que a discuss\u00e3o dos problemas da aliena\u00e7\u00e3o, por parte de Hegel, est\u00e1 inserida em ilus\u00f5es especulativas e, por essa raz\u00e3o, \u00e9 uma \u201ccr\u00edtica meramente aparente\u201d, mistificando um \u201cpositivismo acr\u00edtico\u201d. Por esse \u00e2ngulo, devemos chamar aten\u00e7\u00e3o para o uso sofisticado da cita\u00e7\u00e3o feita por Koj\u00e8ve na ep\u00edgrafe acima mencionada segundo a qual Hegel apreende o trabalho como ess\u00eancia. O trecho citado por Koj\u00e8ve \u00e9 o seguinte (enfatizo aqui as partes citadas por Koj\u00e8ve):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>Hegel<\/em> se coloca do ponto de vista da economia pol\u00edtica moderna. Ele <em>apreende o trabalho como a ess\u00eancia, como a ess\u00eancia do ser humano que se confirma<\/em>; ele v\u00ea somente o lado positivo do trabalho, n\u00e3o seu lado negativo. O trabalho \u00e9 o vir-a-ser para si do ser humano no interior da aliena\u00e7\u00e3o [<em>Ent<\/em><em>\u00e4<\/em><em>usserung<\/em>] ou como humano alienado.<a href=\"#_ftn34\" id=\"_ftnref34\"><sup>[34]<\/sup><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por que Marx qualifica o seu elogio de Hegel dessa maneira?<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, apesar do rico conte\u00fado da <em>Fenomenologia<\/em>, l\u00e1 tudo \u00e9 tratado sob a forma da consci\u00eancia ou da autoconsci\u00eancia. O que significa que mudan\u00e7as na consci\u00eancia abolem o estranhamento porque o pr\u00f3prio estranhamento \u00e9 entendido somente como uma atitude adotada pela consci\u00eancia. Tal \u201caboli\u00e7\u00e3o\u201d deixa a <em>realidade<\/em> como ela \u00e9. Por isso, o aparato cr\u00edtico redunda em \u201cpositivismo acr\u00edtico\u201d<a href=\"#_ftn35\" id=\"_ftnref35\"><sup>[35]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, uma vez que o \u201csujeito\u201d do movimento \u00e9 o \u201cesp\u00edrito\u201d, Hegel n\u00e3o pode conceber a <em>objetifica\u00e7\u00e3o<\/em> a n\u00e3o ser como resultando em estranhamento \u2013 portanto, ele substitui a categoria da objetifica\u00e7\u00e3o (<em>Vergegenst<\/em><em>\u00e4<\/em><em>ndlichung<\/em>) por aquela da aliena\u00e7\u00e3o (<em>Ent<\/em><em>\u00e4<\/em><em>usserung<\/em> \u2013 que, tal como a <em>Vergegenst<\/em><em>\u00e4<\/em><em>ndlichung<\/em>, possui a conota\u00e7\u00e3o de posicionar algo como objetivo, mas que tamb\u00e9m implica a ren\u00fancia daquilo que \u00e9 manifestado, constituindo assim uma aliena\u00e7\u00e3o).<a href=\"#_ftn36\" id=\"_ftnref36\"><sup>[36]<\/sup><\/a> N\u00e3o obstante, Hegel enxerga algo positivo neste processo<a href=\"#_ftn37\" id=\"_ftnref37\"><sup>[37]<\/sup><\/a> porque nessa aliena\u00e7\u00e3o o esp\u00edrito torna-se objetivo para si mesmo. Trata-se de um <em>momento essencial<\/em> na autoconscientiza\u00e7\u00e3o e autorrealiza\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito. Logo, Hegel n\u00e3o se <em>op\u00f5e<\/em> \u00e0 objetifica\u00e7\u00e3o sob o argumento de que esta leva ao estranhamento. Certamente ele pensa que isto <em>leva<\/em> ao estranhamento, mas isso n\u00e3o significa que ele pense que o esp\u00edrito deva permanecer em si mesmo e evitar a desventura da aliena\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio. Por\u00e9m, ao inv\u00e9s de uma solu\u00e7\u00e3o real <em>hist\u00f3rica<\/em>, Hegel nos fornece uma mudan\u00e7a de eixo em rela\u00e7\u00e3o ao problema, dirigindo-o \u00e0 reflex\u00e3o filos\u00f3fica geral e se permite colocar uma solu\u00e7\u00e3o exclusivamente <em>dentro do terreno da filosofia<\/em>, o que mant\u00e9m o estranhamento (\u201co ser-outro como tal\u201d) como um momento do absoluto. Para Marx, isto \u00e9 um \u201ccriticismo apenas aparente\u201d.<a href=\"#_ftn38\" id=\"_ftnref38\"><sup>[38]<\/sup><\/a> Na verdade, a iguala\u00e7\u00e3o, por parte de Hegel, entre objetifica\u00e7\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o o torna <em>acr\u00ed<\/em><em>tico<\/em> do estranhamento que ganha vida na autorrealiza\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito. \u00c9 dizer, do mesmo modo que os economistas pol\u00edticos modernos, Hegel compreende o trabalho como a ess\u00eancia do desenvolvimento humano, mas n\u00e3o como alienado de si na sociedade capitalista, pois, caso n\u00e3o sejamos capazes de posicionar uma genu\u00edna nega\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da nega\u00e7\u00e3o, as condi\u00e7\u00f5es existentes tornam-se o horizonte que bloqueia a possibilidade de um ponto de vista cr\u00edtico. De fato, tais condi\u00e7\u00f5es que distorcem e esclerosam a objetifica\u00e7\u00e3o do homem no e atrav\u00e9s do trabalho passam a ser endossadas como o fundamento necess\u00e1rio dentro do qual o vir-a-ser do homem deve ocorrer para si mesmo. O mundo do estranhamento aparece como sendo a express\u00e3o-de-si absoluta do trabalho<a href=\"#_ftn39\" id=\"_ftnref39\"><sup>[39]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 guisa de conclus\u00e3o podemos dizer que o foco na dial\u00e9tica do senhor-escravo reflete dois vieses. O primeiro: devemos observar que em Koj\u00e8ve e Hyppolite est\u00e3o as origens de uma leitura \u201cexistencialista\u201d da <em>Fenomenologia<\/em> que apresenta uma absurda hiper\u00eanfase na \u201cluta entre vida e morte\u201d e o seu corol\u00e1rio na \u201cDomina\u00e7\u00e3o e Servid\u00e3o\u201d \u2013 tudo se passando como se as outras seiscentas p\u00e1ginas da <em>Fenomenologia<\/em> fossem meramente assuntos secund\u00e1rios! O segundo: enquanto o debate marxista se dedicou aos problemas imediatamente <em>pol\u00edticos <\/em>como aqueles da domina\u00e7\u00e3o e das lutas de classes, a difus\u00e3o de textos como os <em>Manuscritos de 1844<\/em>, a <em>Ideologia Alem\u00e3<\/em> e, mais recentemente, os <em>Grundrisse<\/em>, fizeram com que fosse poss\u00edvel uma s\u00e9rie de importantes debates acerca de quest\u00f5es <em>ontol<\/em><em>\u00f3gicas<\/em>; por isso a influ\u00eancia de Hegel e da <em>Fenomenologia<\/em> em Marx deve ser diferentemente interpretada.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-61ecc280 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"padding-top:2.5rem;padding-right:2.5rem;padding-bottom:2.5rem;padding-left:2.5rem\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn0.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcT3BnIiTXpCYkA5SRD_MU_F2EHr5H_d-Qvl3x7vIrGzYg&amp;s=10\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:75%\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Christopher J. Arthur<\/h2>\n\n\n\n<p>Fil\u00f3sofo brit\u00e2nico, ex-professor da University of Sussex. Associado \u00e0 chamada \u201cNova Dial\u00e9tica\u201d, sua obra investiga as rela\u00e7\u00f5es entre a l\u00f3gica hegeliana e a exposi\u00e7\u00e3o categorial de O capital. Entre seus livros destacam-se Dialectics of Labour: Marx and his Relation to Hegel (1986), The New Dialectic and Marx\u2019s Capital (2002) e The Spectre of Capital: Idea and Reality (2022).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Autor<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-61ecc280 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"padding-top:2.5rem;padding-right:2.5rem;padding-bottom:2.5rem;padding-left:2.5rem\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-dominant-color=\"9f755a\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #9f755a;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"640\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-23-at-12.54.17.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-4867 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-23-at-12.54.17.avif 640w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-23-at-12.54.17-300x300.avif 300w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-23-at-12.54.17-150x150.avif 150w\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:75%\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Felipe Taufer<\/h2>\n\n\n\n<p>Professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Autor de Marx\u2019s Anti-Practical Philosophy: The Roots and the Aftermath of the First Critique of Political Economy (2026).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Tradutor<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ARTHUR, Christopher (1982). Objetification and Alienation in Hegel and Marx. <em>Radical Philosophy<\/em>, v. 30., spring-1982.<\/p>\n\n\n\n<p>ARHTUR, Christopher J (1980). Personality and the Dialectic of Labour and Property: Locke, Hegel, Marx. <em>Radical Philosophy<\/em>, v. 26, autumn-1980. p. 3-15.<\/p>\n\n\n\n<p>ARTHUR, Christopher. Objetiva\u00e7\u00e3o e Aliena\u00e7\u00e3o em Hegel e Marx. Trad. Felipe Taufer. <em>Disson\u00e2ncia \u2013 Revista de Teoria Cr\u00edtica<\/em>, v. 5, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>DESAN, Wilfred (1966). <em>The marxism of Jean-Paul Sartre<\/em>. New York: Anchor Books Edition, 1966.<\/p>\n\n\n\n<p>DESCOMBES, Vincent (1988). <em>Modern French Philosophy<\/em>. Trans. L. Scott-Fox e J. M. Harding. Cambridge UK: Cambridge University Press, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>FEUERBACH, Ludwig (2012). <em>The Fiery Brook<\/em>: Selected Writings. Trans. Zawar Hanfi. New York: Verso, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>HEGEL, George W. F (1978). <em>Hegel\u2019s Philosophy of Subjective Spirit<\/em>. v. 3. Trans. Michael John Petry. Dordrecht: D. Reidel Publishing Company, 1978.<\/p>\n\n\n\n<p>HEGEL, George W. F (1981). <em>The Berlin Phenomenology<\/em>. Trans. Michael John Petry. Dordrecht: D. Reidel Publishing Company, 1981.<\/p>\n\n\n\n<p>HEGEL, George W. F (2010). <em>Linhas fundamentais da Filosofia do Direito, ou, Direito natural e ci\u00eancia do estado em comp\u00eandio<\/em>. Trad. Paulo Meneses et al. S\u00e3o Leopoldo: Ed. UNISINOS, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>HEGEL, George W. F (2011). <em>Enciclop<\/em><em>\u00e9dia das Ci\u00eancias Filos\u00f3ficas em Comp\u00eandio<\/em>: a Filosofia do Esp\u00edrito. v. 3. 2. ed. Trad. Paulo Meneses e Jos\u00e9 Machado. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>HEGEL, George W. F (2014). <em>Fenomenologia do Esp\u00ed<\/em><em>rito<\/em>. 9. ed. Trad. Paulo Meneses, Karl-Heinz Efken e Jos\u00e9 Nogueira Machado. Petr\u00f3polis: Vozes, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>HYPPOLITE, Jean (1973). <em>Studies on Marx and Hegel<\/em>. Trans. John O\u2019Neill. New York: Harper &amp; Row, 1973.<\/p>\n\n\n\n<p>HYPPOLITE, Jean (2000). <em>Genesis and the structure of Hegel\u2019s Phenomenology of Spirit<\/em>. Trans. Samuel Cherniak e John Heckman. Illinois: Northwestern University Press, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>ISRAEL, Joachim (1979). <em>The Language of Dialectic and the Dialectics of Language<\/em>. Brighton: Humanities Press, 1979.<\/p>\n\n\n\n<p>KELLY, Georg Armstrong (1978). <em>Hegel\u2019s Retreat from Eleusis<\/em>: Studies in Political Thought. Princeton: Princeton University Press, 1978.<\/p>\n\n\n\n<p>KLINE, Georg L (1967). The Existentialist Rediscovery of Hegel and Marx in: LEE, E. N; MANDELBAUM, M (Eds.). <em>Phenomenology and Existentialism<\/em>. Baltimore: John Hopkins University Press, 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>KOJ\u00c8VE, Alexandre (2002). <em>Introdu<\/em><em>\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura de Hegel<\/em>. Trad. Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto; EDUERJ, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>LUK\u00c1CS, Gy\u00f6rgy (2018). <em>O jovem Hegel<\/em>: e os problemas da sociedade capitalista. Trad. N\u00e9lio Schneider. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>MANDEL, Ernest (1968). <em>A Forma\u00e7\u00e3o do Pensamento Econ\u00f4mico de Karl Marx<\/em>: de 1843 at\u00e9 O Capital. Trad. Carlos Henrique de Escobar. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1968.<\/p>\n\n\n\n<p>MARCUSE, Herbert (1948). Existentialism: Remarks on Jean-Paul Sartre\u2019s L\u2019Etre et le Neant. <em>Philosophy and Phenomenological Research<\/em>, v. 8., n. 3., mar. 1948.<\/p>\n\n\n\n<p>MARCUSE, Herbert (1988). <em>Raz\u00e3<\/em><em>o e revolu<\/em><em>\u00e7\u00e3o<\/em>: Hegel e o advento da teoria social. 4. ed. Trad. Mar\u00edlia Barroso. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>MARX, Karl (1964). <em>Economic and philosophic Manuscripts of 1844<\/em>. New York: International Publishers Co., 1964.<\/p>\n\n\n\n<p>MARX, Karl (2017). <em>Manuscritos Econ\u00f4mico-Filos\u00f3ficos<\/em>. Trad. Luciano Martorano. S\u00e3o Paulo: Martin Claret, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>McLELLAN, David (1970). <em>Marx before marxism<\/em>. London: Macmillan, 1970.<\/p>\n\n\n\n<p>NORMAN, Richard J (1976). <em>Hegel\u2019s Phenomenology<\/em>: a philosophical introduction. New York: Sussex University Press, 1976.<\/p>\n\n\n\n<p>PETRY, Michael John (1981). Introduction. In: HEGEL, George W. F. <em>The Berlin Phenomenology<\/em>. Trans. Michael John Petry. Dordrecht: D. Reidel Publishing Company, 1981. P. p. xii-cx.<\/p>\n\n\n\n<p>POSTER, Mark (1975). <em>Existential Marxism in postwar France<\/em>: From Sartre to Althusser. Princeton \/ New Jersey: Princeton University Press, 1975.<\/p>\n\n\n\n<p>QUINEAU, Raymond (1963). Premi\u00e8res Confrontations Avec Hegel. <em>Critique, revue g\u00e9n\u00e9rale des publications fran\u00e7aises et \u00e9trang\u00e8res<\/em>., v. 19., n. 195-6., ao\u00fct-septembre. 1963.<\/p>\n\n\n\n<p>SARTRE, Jean-Paul (2011). <em>O Ser e o Nada<\/em>: ensaio de ontologia fenomenol\u00f3gica. 20. ed. Trad. Paulo Perdig\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>STRUIK, Dirk J (1964).&nbsp; Introduction. In: MARX, Karl. <em>Economic and philosophic Manuscripts of 1844<\/em>. New York: International Publishers Co., 1964.<\/p>\n\n\n\n<p>TUCKER, Robert C (1972). <em>Philosophy and Mytht in Karl Marx<\/em>. 2. ed. New York: Cambridge University Press, 1972.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> SARTRE, Jean-Paul. <em>O Ser e o Nada<\/em>, p. 308.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Em um coment\u00e1rio acerca de <em>O Ser e O Nada<\/em>, Marcuse diz o seguinte: \u201cSartre faz refer\u00eancia aos escritos juvenis de Marx&#8230;\u201d In: MARCUSE, Herbert. <em>Existentialism<\/em>, p. 334. No entanto, n\u00e3o existe no texto original esta refer\u00eancia. Provavelmente Marcuse estava pensando sobre a influ\u00eancia da dial\u00e9tica \u201cSenhor-Escravo\u201d em Marx \u2013 uma vis\u00e3o sustentada independentemente por ele mesmo, cuja rela\u00e7\u00e3o <em>ele<\/em> j\u00e1 tinha atribu\u00eddo aos escritos juvenis de Marx (veja abaixo).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> KOJ\u00c8VE, Alexandre. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura de Hegel<\/em>. A data original do livro \u00e9 de 1947.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> HYPPOLITE, Jean. <em>Genesis and the structure of Hegel\u2019s Phenomenology of Spirit<\/em>, p. 172<strong>;<\/strong> Tamb\u00e9m ver: \u201ca famosa dial\u00e9tica do <em>senhor e do escravo<\/em> que se tornou inspira\u00e7\u00e3o para a filosofia marxiana\u201d <strong>in:<\/strong> HYPPOLITE, Jean. <em>Studies on Marx and Hegel<\/em>, p. 29.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Um t\u00edpico exemplo \u00e9 Georg L. Kline que diz que Sartre, Merleau-Ponty e Hyppolite \u201ccompareceram a algumas das aulas de Koj\u00e8ve e, quando n\u00e3o compareceram, sem d\u00favida leram as vers\u00f5es mimeografadas\u201d. Ver KLINE, Georg L. <em>The Existentialist Rediscovery of Hegel and Marx<\/em>, p. 120. Kline fornece como autoridade de sua afirma\u00e7\u00e3o o livro de Wilfred Dean, no qual se l\u00ea o seguinte \u201c[&#8230;] suas primeiras aulas inclu\u00edram intelectuais de elite como Sartre, Merleau-Ponty, Hippolyte [&#8230;]\u201d e, posteriormente, em uma nota de rodap\u00e9 \u201cSartre aprendeu a estudar Hegel nas aulas de Koj\u00e8ve logo antes da Segunda Guerra Mundial\u201d in: DESAN, Wilfred. <em>The marxism of Jean-Paul Sartre<\/em>, p. 24 e p. 50. N\u00e3o obstante, Desan n\u00e3o apresenta evid\u00eancias. Mark Poster, por sua vez, \u00e9 mais cuidadoso: \u201cat\u00e9 mesmo se diz que o pr\u00f3prio Jean-Paul Sartre estava envolvido, muito embora sua participa\u00e7\u00e3o nas aulas nunca tenha sido lembrada\u201d in: POSTER, Mark. <em>Existential Marxism in postwar France<\/em>, p. 8-9.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> QUINEAU, Raymond. <em>Premi\u00e8res Confrontations Avec Hegel<\/em>, 694-700. A lista \u00e9 citada por Vincent Descombes em DESCOMBES, Vincent. <em>Modern French Philosophy<\/em>, p. 10n.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Trata-se de uma entrevista da esposa de Jean Hyppolite como consta em HECKMAN, John. Introduction in: HYPPOLITE, Jean. <em>Genesis and the structure of Hegel\u2019s Phenomenology of Spirit<\/em>, p. xxiii.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Isto curiosamente joga uma luz sobre o ju\u00edzo de Kline: \u201cDurante o final da d\u00e9cada de trinta, Jean Hyppolite, influenciado por Koj\u00e8ve, come\u00e7ou a publicar artigos sobre Hegel e a <em>Fenomenologia<\/em>; seu coment\u00e1rio \u2018fundamenta-se livremente tanto em Wahl quanto em Koj\u00e8ve\u2019 [&#8230;]\u201d. In: KLINE, Georg L. <em>The Existentialist Rediscovery of Hegel and Marx<\/em>, p. 120.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> As glosas foram republicadas por Quineau como primeiro cap\u00edtulo da sua cole\u00e7\u00e3o dos escritos de Koj\u00e8ve com o t\u00edtulo \u201c\u00c0 guisa de introdu\u00e7\u00e3o\u201d. Ela est\u00e1 inclu\u00edda na tradu\u00e7\u00e3o (parcial) inglesa (ver nota 3 acima), tamb\u00e9m como primeiro cap\u00edtulo. (O leitor deve notar que os termos alem\u00e3es Mensch ou Mesnch n\u00e3o possuem g\u00eanero espec\u00edfico, muito embora seja encontrar um outro equivalente no ingl\u00eas que n\u00e3o seja <em>man<\/em> ou <em>men<\/em>). \/\/ <strong>Nota do tradutor<\/strong>: est\u00e1 presente tamb\u00e9m na edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas. KOJ\u00c8VE, Alexandre. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Leitura de Hegel<\/em>, pp. 11-34. \/\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> \/\/ <strong>Nota modificada pelo tradutor (fiz quest\u00e3o de buscar as vers\u00f5es traduzidas do texto e colocar os trechos que Arthur tem em mente)<\/strong>: Por exemplo, \u201cEm 1844, Marx aprofundou os conceitos b\u00e1sicos de sua pr\u00f3pria teoria atrav\u00e9s de uma an\u00e1lise cr\u00edtica da Fenomenologia do Esp\u00edrito de Hegel. Ele descreveu a \u201caliena\u00e7\u00e3o\u201d do trabalho nos termos da discuss\u00e3o hegeliana sobre a condi\u00e7\u00e3o do senhor e do escravo\u201d <strong>in<\/strong>: MARCUSE, Herbert. <em>Raz\u00e3o e revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, p. 115-116.<strong>;<\/strong> STRUIK, Dirk J. Introduction. In: MARX, Karl. <em>Economic and philosophic Manuscripts of 1844<\/em>, p. 34<strong>;<\/strong> \u201cMarx sentiu que possu\u00eda autoridades de peso cient\u00edfico como pano de fundo em sua elabora\u00e7\u00e3o. O hegelianismo era o guia principal e parece que, neste momento, ele tinha em mente a se\u00e7\u00e3o da <em>Fenomenologia<\/em> na qual Hegel trata da dualiza\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito em \u2018Senhor e Escravo\u2019 [&#8230;]\u201d <strong>in<\/strong>: TUCKER, Robert C. <em>Philosophy and Mytht in Karl Marx<\/em>, p. 147<strong>;<\/strong> \u201cMuito inteligentemente, em seus <em>Manuscritos<\/em>, Marx explorou a dial\u00e9tica hegeliana do Senhor e do Escravo [&#8230;.] <strong>in<\/strong>: DESAN, Wilfred. <em>The marxism of Jean-Paul Sartre, <\/em>p. 34<strong>;<\/strong> \u201cA ironia presente na dial\u00e9tica do senhor-escravo de Hegel reside na sua ideia de que \u00e9 o escravo quem guia a humanidade a um n\u00edvel maior de autorrealiza\u00e7\u00e3o, no\u00e7\u00e3o da qual Marx \u00e9 profundamente tribut\u00e1rio no desenvolvimento do seu conceito de prolet\u00e1rio como emancipador da humanidade [&#8230;]\u201d <strong>in<\/strong>: POSTER, Mark. <em>Existential Marxism in postwar France, <\/em>p. 13-16. Depois dessa passagem, que ocorre na p\u00e1gina 13, Poster desenvolve at\u00e9 a p\u00e1gina 16 a mesma interpreta\u00e7\u00e3o<strong>;<\/strong> \u201cUma apropria\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da dial\u00e9tica hegeliana do Senhor e do Escravo levou Marx \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de um conceito de homem que [&#8230;] transcende o escopo da antropologia contemplativamente limitada de Feuerbach.\u201d <strong>in:<\/strong> HANFI, Zawar. Introduction. In: FEUERBACH, Ludwig. <em>The Fiery Brook<\/em>, p. 42<strong>; <\/strong>\u201cDe longe este \u00e9 o ponto mais importante que emerge na se\u00e7\u00e3o \u201cSenhor e Escravo\u201d, pois de fato \u00e9 um ponto de virada nesta se\u00e7\u00e3o e na Fenomenologia como um todo [&#8230;] Isto exerceu uma grande influ\u00eancia sobre Marx [&#8230;]\u201d e \u201cClaramente esta vis\u00e3o acerca do trabalho n\u00e3o-alienado e do reconhecimento universal deve ter exercido uma grande influ\u00eancia nos escritos juvenis de Marx, n\u00e3o menos do que a famosa se\u00e7\u00e3o do \u201cSenhor e Escravo\u201d [&#8230;]\u201d<strong> in: <\/strong>NORMAN, Richard J. <em>Hegel\u2019s Phenomenology<\/em>, p. 53 e p. 73;\u201cUm ponto importante a se notar seria a caracter\u00edstica do tratamento moderno fornecido por Hegel ao famoso cen\u00e1rio da \u2018Escravid\u00e3o e da Servitude\u2019, a abordagem da liberta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do trabalho influenciou t\u00e3o profundamente o jovem Marx em seus Manuscritos de 1844\u201d <strong>in:<\/strong> KELLY, Georg Armstrong. <em>Hegel\u2019s Retreat from Eleusis<\/em>, p. 30<strong>;<\/strong> ISRAEL, Joachim. <em>The Language of Dialectic and the Dialectics of Language<\/em>, p. 122; \u201cComo \u00e9 amplamente reconhecido, Marx seguiu como linha de interpreta\u00e7\u00e3o com refer\u00eancia em particular \u00e0 rela\u00e7\u00e3o senhor-escravo [&#8230;]\u201d <strong>in:<\/strong> PETRY, Michael John. Introduction. In: HEGEL, George W. F. <em>The Berlin Phenomenology<\/em>, p. lxxxix.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Ver a nota acima. \/\/ <strong>Nota do tradutor<\/strong>: na tradu\u00e7\u00e3o brasileira do texto de Marcuse, o termo utilizado \u00e9 \u201cescravo\u201d, mas na cita\u00e7\u00e3o de Arthur aparece \u201cservo\u201d \/\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> MARX, Karl. <em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>, p. 263 \/\/ <strong>Nota do tradutor<\/strong>: Provavelmente Arthur tem em mente o fato de que aqui Marx menciona as se\u00e7\u00f5es \u201cconsci\u00eancia infeliz\u201d, \u201cconsci\u00eancia honrada\u201d e \u201cconsci\u00eancia nobre e vil\u201d \/\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> A pondera\u00e7\u00e3o sobre o uso desta terminologia \u00e9 justificada na medida em que tomamos consci\u00eancia da distin\u00e7\u00e3o tra\u00e7ada por Hegel entre <em>der Sklave<\/em> e <em>der Knecht<\/em> em suas aulas em Berlim sobre <em>Herrschaft und Knechtschaft<\/em>. Ver, por exemplo: HEGEL, George W. F. <em>Hegel\u2019s Philosophy of Subjective Spirit<\/em>, \u00a7 357, p. 342-43 e HEGEL, George W. F. <em>The Berlin Phenomenology,<\/em> \u00a7 435, p. 86-89.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> Respectivamente na tradu\u00e7\u00e3o brasileira: <strong>1<\/strong>. \u00a7 195: \u201ca consci\u00eancia a\u00ed \u00e9 <em>para ela mesma<\/em>, mas n\u00e3o \u00e9 o <em>ser-para-si<\/em>; por\u00e9m, encontra-se a si mesma por meio do trabalho\u201d<strong>;<\/strong> <strong>2<\/strong>. \u00a7 195: \u201cA rela\u00e7\u00e3o negativa para com o objeto torna-se a <em>forma<\/em> do mesmo e <em>algo permanente<\/em> [&#8230;]\u201d; <strong>3<\/strong>. \u00a7 195: \u201c[&#8230;] chega assim \u00e0 intui\u00e7\u00e3o do ser independente, como [intui\u00e7\u00e3o] de si mesma [&#8230;]\u201d<strong>;<\/strong> <strong>4<\/strong>. Esta passagem do \u00a7 196 \u00e9 reproduzida fielmente tal como est\u00e1 na tradu\u00e7\u00e3o brasileira<strong>;<\/strong> <strong>5<\/strong>. \u00a7 196 \u201c[&#8230;] Assim, precisamente no trabalho, onde parecia ser apenas um <em>sentido alheio<\/em>, a consci\u00eancia, mediante esse reencontrar-se de si por si mesma, vem-a-ser <em>sentido pr\u00f3prio<\/em> [&#8230;]\u201d <strong>in:<\/strong> HEGEL, George W. F. <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>, p. 149-150.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> HEGEL, George W. F. <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>, \u00a7 195, p. 149.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> HEGEL, George W. F. <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>, \u00a7 195, p. 149.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> HEGEL, George W. F. <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>, \u00a7 196, p. 150-151.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> Isto est\u00e1 exposto de maneira mais clara em HEGEL, George W. F. <em>Enciclop\u00e9dia das Ci\u00eancias Filos\u00f3ficas em Comp\u00eandio<\/em>, \u00a7 434 e \u00a7 435, p. 205-6.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a> MARX, Karl. <em>Manuscritos Econ\u00f4mico-Filos\u00f3ficos<\/em>, pp. 263-264.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> MARX, Karl. <em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>, p. 264.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> Talvez David McLellan tenha sido o \u00fanico a notar isso; ele tamb\u00e9m lembra que Marx n\u00e3o faz nenhuma alus\u00e3o \u00e0 se\u00e7\u00e3o \u201cSenhor-Escravo\u201d. Ver McLELLAN, David. <em>Marx before marxism<\/em>, p. 197.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> MARX, Karl. <em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>, p. 264. trad. modif.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a> HEGEL, George W. F. <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>, \u00a7 788, p. 517. \/\/ <strong>Nota do tradutor<\/strong>: algumas modifica\u00e7\u00f5es foram feitas: (a) o tempo verbal de \u201csuperou\u201d e \u201crecuperou\u201d; (b) substitui \u201cextrus\u00e3o\u201d por \u201caliena\u00e7\u00e3o\u201d; (c) substitui \u201csuprassumir\u201d por \u201csuperar\u201d \/\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a> HEGEL, George W. F. <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>, \u00a7 19, p. 33.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> Este ponto \u00e9 sublinhado por Phil Slater em um breve artigo n\u00e3o-publicado apresentado no contexto das pol\u00eamicas contra a confus\u00e3o feita por Marcuse, em sua obra juvenil, sobre a \u201cobjetifica\u00e7\u00e3o\u201d em Hegel e Marx, a saber, \u201c<em>Objetification, alienation and labour: Notes on Hegel, Marx and Marcuse<\/em>\u201d (1980).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> Jonathan R\u00e9e chamou minha aten\u00e7\u00e3o para o fato de que Hegel realmente n\u00e3o est\u00e1 discutindo a individualidade aqui e <em>a fortiori<\/em> nem mesmo rela\u00e7\u00f5es sociais. Por isso que n\u00e3o h\u00e1 discuss\u00e3o acerca das rela\u00e7\u00f5es de senhores com senhores e das dos servos com servos. Aqui a preocupa\u00e7\u00e3o diz respeito apenas \u00e0 consci\u00eancia <em>em geral<\/em> diante dos objetos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\" id=\"_ftn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> HEGEL, George W. F. <em>Enciclop\u00e9dia das Ci\u00eancias Filos\u00f3ficas em Comp\u00eandio<\/em>, \u00a7 434 e \u00a7 435, p. 205. Diferentemente, na <em>Fenomenologia<\/em> Hegel diz o seguinte: \u201c[&#8230;] embora o temor do senhor seja, sem d\u00favida, o in\u00edcio da sabedoria, a consci\u00eancia a\u00ed \u00e9 <em>para ela mesma<\/em>, mas n\u00e3o \u00e9 <em>o ser-para-si<\/em>; por\u00e9m encontra-se a si mesma por meio do trabalho\u201d e, na p\u00e1gina seguinte, continua: \u201cPara que haja tal reflex\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios os dois momentos; o momento do medo e do servi\u00e7o em geral, e tamb\u00e9m o momento do formar [&#8230;]\u201d in: HEGEL, George W. F. <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>, \u00a7 195 e \u00a7 196, p. 149 e p. 150. \/\/ <strong>Nota do tradutor<\/strong>: optei por traduzir \u201cneeds\u201d por \u201ccar\u00eancias\u201d, o que resulta diferente da tradu\u00e7\u00e3o de Paulo Meneses da <em>Enciclop\u00e9dia<\/em> \/\/.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\" id=\"_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> Norman \u00e9 perpiscaz em notar a aus\u00eancia do \u201cfinal feliz\u201d para o servo e o progresso da dial\u00e9tica. Ver NORMAN, Richard J. <em>Hegel\u2019s Phenomenology<\/em>, p. 46-66. Ver tamb\u00e9m KOJ\u00c8VE, Alexandre. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura de Hegel<\/em>, p. 157-252.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\" id=\"_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a> \u201c[&#8230;] seu agir \u00e9 livre, no trono como nas cadeiras\u201d in: HEGEL, George W. F. <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>, \u00a7 199, p. 153.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref30\" id=\"_ftn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> Ernest Mandel sugere que, para Hegel, o trabalho material \u00e9 alienante \u201cporque o trabalho \u00e9, <em>por sua natureza<\/em>, exterioriza\u00e7\u00e3o (<em>Ver\u00e4usserung<\/em>) de uma capacidade humana, que faz com que o homem perca alguma coisa que lhe pertencia antes\u201d in: MANDEL, Ernest. <em>A Forma\u00e7\u00e3o do Pensamento Econ\u00f4mico de Karl Marx<\/em>, p. 160. Mandel parece ter em mente o \u00a7 67 das <em>Linhas fundamentais da Filosofia do Direito<\/em> de Hegel no qual a <em>Ver\u00e4usserung<\/em> (= aliena\u00e7\u00e3o no sentido de venda) das for\u00e7as humanas \u00e9 abordada. Se assim for, ent\u00e3o trata-se de um completo mal-entendido acerca do texto hegeliano. A l\u00e9guas da posi\u00e7\u00e3o que postula que o trabalho \u201c<em>por sua natureza<\/em>\u201d diz respeito \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o, Hegel, nas <em>Linhas fundamentais da Filosofia do Direito <\/em>\u00a7 56, atribui ao \u201cdar forma \u00e0s coisas\u201d um papel na efetiva\u00e7\u00e3o da liberdade. Seja como for, para Hegel, a liberdade humana torna-se mais efetiva no processo de <em>aliena\u00e7\u00e3o<\/em> das coisas por meio dos contratos. No momento em que ele encara o problema de que a liberdade da aliena\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizada para vender capacidades humanas \u2013 habilidades f\u00edsicas e mentais inerentes \u00e0 pessoa \u2013 \u201csomente pela media\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito, que rebaixa o que h\u00e1 de interior [&#8230;] \u00e0 exterioridade\u201d in: HEGEL, George W. F. <em>Linhas fundamentais da Filosofia do Direito, <\/em>Adendo ao \u00a7 43, p. 84. Em virtude da restri\u00e7\u00e3o temporal \u00e0 esta aliena\u00e7\u00e3o no trabalho assalario, a for\u00e7a de trabalho vendida adiciona uma \u201crela\u00e7\u00e3o exterior\u201d \u00e0 subst\u00e2ncia da personalidade do trabalhador que, apesar disso, permanece um sujeito livre (\u00a7 67). Com isso, fica claro que Hegel <em>n\u00e3o<\/em> postula que o trabalho \u201c<em>por sua natureza<\/em>\u201d de \u201cexterioriza\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 alienante; ao contr\u00e1rio, Hegel diz que s\u00e3o as media\u00e7\u00f5es sociais complexas que alienam, colocando o trabalho em uma rela\u00e7\u00e3o externa (artificial) com a pessoa. (Para um tratamento completo deste tema ver o meu ARHTUR, Christopher J. Personality and the Dialectic of Labour and Property: Locke, Hegel, Marx. <em>Radical Philosophy<\/em>, v. 26, autumn-1980. p. 3-15).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\" id=\"_ftn31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> MARX, Karl. <em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>, p. 263.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\" id=\"_ftn32\"><sup>[32]<\/sup><\/a> Ver a se\u00e7\u00e3o \u201cA \u201caliena\u00e7\u00e3o\u201d como conceito filos\u00f3fico central de Fenomenologia do esp\u00edrito\u201d In: LUK\u00c1CS, Gy\u00f6rgy. <em>O jovem Hegel<\/em>, p. 687-724. A prop\u00f3sito, Luk\u00e1cs n\u00e3o relaciona os <em>Manuscritos de 1844<\/em> de Marx com a rela\u00e7\u00e3o \u201cSenhor-Escravo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref33\" id=\"_ftn33\"><sup>[33]<\/sup><\/a> Da mesma maneira diz Marx: \u201cO <em>estranhamento <\/em>(<em>Entfremdung<\/em>), que forma, portanto, o interesse pr\u00f3prio dessa <em>aliena\u00e7\u00e3o<\/em> (<em>Ent\u00e4usserung<\/em>) [&#8230;]\u201d <strong>in:<\/strong> MARX, Karl. <em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>, p. 261.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref34\" id=\"_ftn34\"><sup>[34]<\/sup><\/a> MARX, Karl. <em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>, p. 264.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref35\" id=\"_ftn35\"><sup>[35]<\/sup><\/a> MARX, Karl. <em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>, p. 262.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref36\" id=\"_ftn36\"><sup>[36]<\/sup><\/a> Luk\u00e1cs foi o primeiro a interpretar dessa maneira em seu <em>O Jovem Hegel<\/em>, p. 705.&nbsp; Para uma defesa de Hegel, neste ponto, ver se\u00e7\u00e3o \u201cAliena\u00e7\u00e3o e o fim da hist\u00f3ria\u201d de <em>Alienation and Objetification: Commentary on G. Luk\u00e1cs\u2019 The Young Hegel<\/em> presente em HYPPOLITE, Jean. <em>Studies on Marx and Hegel<\/em>, p. 86-90.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref37\" id=\"_ftn37\"><sup>[37]<\/sup><\/a> HEGEL, Georg W. F. <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>, \u00a7 788, p. 517 e MARX, Karl. <em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>, p. 278-279.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref38\" id=\"_ftn38\"><sup>[38]<\/sup><\/a> MARX, Karl. <em>Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em>, p. 275.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref39\" id=\"_ftn39\"><sup>[39]<\/sup><\/a> Este par\u00e1grafo \u00e9 uma vers\u00e3o sumarizada de um argumento desenvolvido ao longo do meu texto ARTHUR, Christopher. Objectification and Alienation in Hegel and Marx. <em>Radical Philosophy<\/em>, v. 30., spring-1982 \/\/ ARTHUR, Christopher. Objetiva\u00e7\u00e3o e Aliena\u00e7\u00e3o em Hegel e Marx. Trad. Felipe Taufer. Disson\u00e2ncia \u2013 Revista de Teoria Cr\u00edtica, v. 5, 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: Trata-se de uma tradu\u00e7\u00e3o de um seminal artigo da Marxologia, escrito por Chris Arthur. O artigo mostra que o jovem Marx nunca mencionou a famosa dial\u00e9tica hegeliana mestre-escravo. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o a tinha em mente em seus Manuscritos de 1844. Os argumentos de Arthur s\u00e3o compostos de v\u00e1rios n\u00edveis, incluindo o filol\u00f3gico. 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Arthur - Zero \u00e0 Esquerda<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Trata-se de uma tradu\u00e7\u00e3o de um seminal artigo da Marxologia, escrito por Chris Arthur. O artigo mostra que o jovem Marx nunca mencionou a famosa dial\u00e9tica hegeliana mestre-escravo. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o a tinha em mente em seus Manuscritos de 1844. Os argumentos de Arthur s\u00e3o compostos de v\u00e1rios n\u00edveis, incluindo o filol\u00f3gico. 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