{"id":4764,"date":"2026-06-15T06:22:00","date_gmt":"2026-06-15T06:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=4764"},"modified":"2026-06-15T15:45:49","modified_gmt":"2026-06-15T15:45:49","slug":"desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/","title":{"rendered":"Desconcerto do mundo?: enxergando o Brasil ao som da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 S\u00edlvio Rosa Filho"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>I<\/strong> <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_1');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_1');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_1\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[1]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_1\" class=\"footnote_tooltip\">Texto redigido para servir de base \u00e0 minha participa\u00e7\u00e3o no debate de lan\u00e7amento de Eis a\u00ed, o povo brasileiro (SP: Gal\u00e1xia, 2026), de Andr\u00e9 Castro, realizado em 30 de maio de 2026, em mesa com&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_1');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_1').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_1', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>No ensaio ainda in\u00e9dito de Paulo Arantes, intitulado \u201cA cara feia da pr\u00f3xima na\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, h\u00e1 um momento revelador que d\u00e1 o tom ao acontecimento em que foi gestada parte significativa do livro de Andr\u00e9 Castro. Paulo, ao descrever o \u201cmau encontro\u201d entre a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e a nova cena religiosa brasileira, anota certa dualidade, na qual \u201cjovens te\u00f3logos militantes\u201d souberam aprender com as vicissitudes daquela tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, \u201cestudando sua crise por conta pr\u00f3pria\u201d \u2014 ao passo que os veteranos, herdeiros do pensamento da \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d, nada sabem, pior: nada querem saber, do que verdadeiramente se passa na \u201cnova paisagem espiritual do pa\u00eds\u201d. O acerto da formula\u00e7\u00e3o aparece na sua dupla face: a defer\u00eancia com que sa\u00fada a prontid\u00e3o investigativa dos jovens \u00e9 a mesma que sela a abdica\u00e7\u00e3o anal\u00edtica dos veteranos. E n\u00e3o \u00e9 apenas que a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica tivesse perdido de vista o fen\u00f4meno evang\u00e9lico; os militantes que o estudam t\u00eam sido mais consequentes do que aqueles que haviam tomado assento na \u201cplataforma de observa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica\u201d. Os jovens s\u00e3o, por conseguinte, \u201ccr\u00edticos\u201d e \u201cmilitantes\u201d numa acep\u00e7\u00e3o bastante peculiar.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Eis a\u00ed, o povo brasileiro<\/em> \u00e9 o livro que emerge desse encontro. E pode-se dizer que ele leva a s\u00e9rio a sua ambiguidade de origem. Andr\u00e9 n\u00e3o \u00e9 nem cr\u00edtico liter\u00e1rio nem cientista social da religi\u00e3o: filho de pastor evang\u00e9lico, formou-se em teologia com profiss\u00e3o de f\u00e9 na tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica brasileira da USP; ap\u00f3s uma temporada no M\u00e9xico, onde tamb\u00e9m reside, volta com um projeto de estudos que n\u00e3o se acomoda em nenhuma das duas tradi\u00e7\u00f5es que o educaram. Esses elementos biogr\u00e1ficos e transitivos n\u00e3o s\u00e3o acidentais: sem o primeiro (educa\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica familiar), o livro de Andr\u00e9 poderia passar por um ensaio de sociologia da religi\u00e3o com boas inten\u00e7\u00f5es; sem o segundo (forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica precoce), o livro estaria condenado a passar por milit\u00e2ncia teol\u00f3gica com boa consci\u00eancia. O que produz a diferen\u00e7a espec\u00edfica parece residir na combinat\u00f3ria. Pois \u00e9 nessa posi\u00e7\u00e3o, de algum desconforto sen\u00e3o de alguma instabilidade, que o livro vai ganhando seu valor e tangenciando seus limites. A come\u00e7ar pelo mais saliente deles: a apropria\u00e7\u00e3o vocabular, bastante aderente \u00e0 letra dos achados lexicais oriundos da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica brasileira, quando n\u00e3o ao esp\u00edrito mais remoto de uma parte do pa\u00eds, frequentadora ass\u00eddua da b\u00edblia traduzida, revisada e corrigida, a de Jo\u00e3o Ferreira de Almeida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos convencionais, a tese que orienta o livro de Andr\u00e9 pode ser enunciada de dois modos, um descritivo e outro normativo. O descritivo: a imagina\u00e7\u00e3o religiosa evang\u00e9lica \u00e9 hoje a cifra privilegiada da experi\u00eancia popular brasileira \u2014 ela organiza a \u201ctotalidade\u201d da exist\u00eancia de dezenas de milh\u00f5es de pessoas com uma efic\u00e1cia que a cultura letrada de esquerda nunca alcan\u00e7ou e provavelmente nunca alcan\u00e7ar\u00e1. O modo normativo: o assunto merece ser lido, cifrado e decifrado com o mesmo gosto pelo rigor e precis\u00e3o com que a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica leu a literatura \u2014 ler o fen\u00f4meno, n\u00e3o por dentro da f\u00e9, mas por dentro do desejo dos brasileiros por uma Mudan\u00e7a de tamanha envergadura, que a imagina\u00e7\u00e3o religiosa com matriz cultural evang\u00e9lica estaria armada at\u00e9 os dentes para organizar. A passagem do modo descritivo ao normativo \u00e9 o movimento que o livro prop\u00f5e, ao mesmo tempo que n\u00e3o se autoriza a indicar, \u201cna pr\u00e1tica\u201d, quais passos dar adiante \u2014 ou antes, desconversa na hora de apontar quais caminhos seguir, como se v\u00ea no cap\u00edtulo-entrevista, \u201cNegociando com o Apocalipse\u201d. E \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o acrescenta-se um fantasma, entidade veross\u00edmil cujo espectro comparece na ronda deste livro e dos pr\u00f3ximos que decerto vir\u00e3o: o fantasma da mexicaniza\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O meu coment\u00e1rio, por\u00e9m, n\u00e3o se quer um exame das idas e vindas do descritivo ao normativo, de suas dificuldades etc. e tal. O que quero propor \u00e9 um segundo eixo tem\u00e1tico, cuja antevis\u00e3o, suponho, o livro de Andr\u00e9 proporciona: pensar passagens da \u201ccara feia\u201d para o novo tempo feio do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>II<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Olhando para a plateia, dou com Andr\u00e9 Barbosa \u2014 xar\u00e1 do autor e meu parceiro num projeto de releitura t\u00f3pica de dois Hobbes: no Hobbes I, o autor do <em>Leviat\u00e3<\/em> e do <em>Behemoth<\/em>; no Hobbes II, o tipo de v\u00ednculo entre aquelas obras e o novo Leviat\u00e3 de Franz Neumann. E o que agora me ocorre dizer \u00e9 que, no primeiro Hobbes, a guerra de todos contra todos \u00e9 um estado de coisas de tal ordem a ser pensado como <em>tempo<\/em>: mais precisamente, <em>a tract of time<\/em>, um \u201clapso de tempo\u201d: cap. 13, parte I, par\u00e1grafo oitavo<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_2');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_2');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_2\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[2]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_2\" class=\"footnote_tooltip\">\u201cA guerra n\u00e3o consiste apenas na batalha ou no ato de lutar, mas num lapso de tempo, no qual a vontade para a contenda em batalha \u00e9 suficientemente conhecida\u201d. The Will to contend by Battell,&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_2');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_2').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_2', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>Literal e conceitualmente, <em>tempo feio<\/em>: tempo de chuva, tempo de garoa ou de tempestade, <em>a tract of time<\/em> no qual voc\u00ea \u2014 Castro, Barbosa ou quem agora l\u00ea \u2013, marinheiro ou capit\u00e3o, numa embarca\u00e7\u00e3o que ostenta 30 ou 60 canh\u00f5es, da Companhia das \u00cdndias, brit\u00e2nica ou holandesa, entra em regime de fala interrogativa e se pergunta simplesmente: chove ou n\u00e3o chove? Se chove, quando \u00e9 que chove afinal? Tempo feio: ser\u00e1 garoa, chuva leve ou temporal?<\/p>\n\n\n\n<p><em>Do eixo da guerra ao tempo feio<\/em>. Minha proposta se traduz, assim, num deslocamento do eixo da guerra e de toda a gesticula\u00e7\u00e3o \u2014 faca nos dentes, sangue nos olhos \u2014 para essa conversa aparentemente amena, essa <em>small talk<\/em> na qual <em>a tract of time<\/em> se re\u00fane a um \u201ctempo feio\u201d \u2014 devidamente escoltado por aspas e por um ponto de interroga\u00e7\u00e3o \u2014 que remonta \u00e0 viol\u00eancia alongada desde os primeiros s\u00e9culos da assim chamada \u201cacumula\u00e7\u00e3o primitiva\u201d e se distende at\u00e9 a sensibilidade amena da viol\u00eancia num concerto de m\u00fasica popular brasileira. \u00c9 com esta \u00faltima que tem cabimento perguntar: tempo feio, ent\u00e3o, para os povos brasileiros?<\/p>\n\n\n\n<p><em>Desmantelar a for\u00e7a bruta? <\/em>Acompanhando a tese de Vin\u00edcius Gueraldo <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_3');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_3');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_3\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[3]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_3\" class=\"footnote_tooltip\">Vin\u00edcius Jos\u00e9 Fechio Gueraldo. <em>Comunidade desenformada: o estranhamento do mundo em Chico Buarque<\/em>. SP: tese de doutorado defendida na Universidade de S\u00e3o Paulo em 2025.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_3').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_3', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>,segundo a qual a can\u00e7\u00e3o popular vinha documentando um progressivo esvaziamento do sonho, o samba, no livro de Andr\u00e9, passa de manifesta\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria real (\u201cTem mais samba\u201d, 1966) a ref\u00fagio metaf\u00edsico de esperan\u00e7as nacionais (\u201cDe volta ao samba\u201d, 1993) e, enfim, \u00e0 proposta hesitante de frente \u00fanica no \u201ctempo feio\u201d (2022). Ainda se faz proposta \u2014 <em>que tal um samba? \u2013<\/em>, mas j\u00e1 n\u00e3o se consegue dar f\u00e9 \u00e0 convoca\u00e7\u00e3o. Assim, a se levar em conta a dimens\u00e3o est\u00e9tico-pol\u00edtica da feiura, o \u201cfeio\u201d do tempo vir\u00e1 circunscrito, na can\u00e7\u00e3o,<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_4');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_4');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_4\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[4]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_4\" class=\"footnote_tooltip\">Chico Buarque, \u201cQue tal um samba?\u201d (Biscoito Fino, 2022).<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_4').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_4', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> em substantivos tais como estrago, mutreta, cascata, derrota, dem\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Um samba<\/em><br><em>Que tal um samba?<\/em><br><em>Puxar um samba que tal?<\/em><br><em>Para espantar o tempo feio<\/em><br><em>Para remediar o estrago<\/em><br><em>Que tal um trago?<\/em> <br><em>Um desafogo, um devaneio<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>III<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading has-text-align-left has-medium-font-size\"><a><\/a><strong>Derrotas assim\u00e9tricas<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 situa seu projeto numa esp\u00e9cie de intersec\u00e7\u00e3o entre a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 de Antonio Candido a Roberto Schwarz, passando, indo e vindo por Paulo Eduardo Arantes \u2014 e a tradi\u00e7\u00e3o militante da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o relida desde a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, mais como um m\u00e9todo de interven\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, menos como doutrina deduzida. Sucede que as duas tradi\u00e7\u00f5es t\u00eam, ao que parece, hist\u00f3rias de derrota muito diferentes: a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica sobreviveu como forma de an\u00e1lise, mesmo quando o projeto de forma\u00e7\u00e3o nacional fracassou; a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o foi derrotada no pr\u00f3prio terreno da imagina\u00e7\u00e3o popular, substitu\u00edda pela apocal\u00edptica evang\u00e9lica que o livro introduz em pauta. Seria poss\u00edvel perguntar: por que esse \u00e2ngulo de vis\u00e3o n\u00e3o evitou que a massa \u2014 que os te\u00f3logos queriam libertar e aprenderam a vislumbrar \u2014 se tornasse o principal contingente recrutado pelo advers\u00e1rio? Pergunta que, se respondida nesses termos, poderia desfocar as ideias de \u201cm\u00e9todo\u201d, \u201cinterven\u00e7\u00e3o\u201d e \u201ccr\u00edtica\u201d. O que explicaria essa diferen\u00e7a de destino? E resta saber o que ela implicaria para a credibilidade \u2014 ou melhor, se se trata mesmo de dar f\u00e9, sem mais nem menos, ao tipo de interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o apolog\u00e9tica que o livro sugere, insinua ou prop\u00f5e. Como o livro de Andr\u00e9 opera com outro diapas\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 o da distribui\u00e7\u00e3o pura e simples de culpabilidades, tentemos igualmente mudar a clave da f\u00e9 inespec\u00edfica a fim de nos aproximarmos do outro lado: se for verdade que o passado da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica brasileira n\u00e3o passa, n\u00e3o ser\u00e1 porque, nessa experi\u00eancia intelectual, \u00e9 a <em>Cr\u00edtica que sobrevive, afinal, \u00e0 Forma\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Testemunhas de um caso arquivado<\/em>. O debate de abertura convoca Roberto Schwarz e Alfredo Bosi para um processo que nenhum dos dois havia imaginado: Schwarz, como o cr\u00edtico que atinou com o movimento e, ao que parece, n\u00e3o soube o que fazer com o pr\u00f3prio acerto; Bosi, como o cr\u00edtico que intuiu a resist\u00eancia popular e n\u00e3o enxergou que o povo resistia por estradas largas, que o conceito de resist\u00eancia n\u00e3o alcan\u00e7a. Andr\u00e9 Castro os convoca como testemunhas de um caso que n\u00e3o puderam instruir at\u00e9 o fim \u2014 o que \u00e9 uma forma educada de dizer que o caso n\u00e3o estava nos autos que eles conheciam, e que os autos faltantes j\u00e1 foram arquivados em outra inst\u00e2ncia, com outro nome e outra teologia. Ambos comparecem, assim, deslocados como testemunhas num processo de cr\u00edtica \u00e0 raz\u00e3o teol\u00f3gica \u2014 o processo que, entre outros tempos do fim, o tempo feio veio instaurar. &nbsp;Ver \u201cde dentro da imagina\u00e7\u00e3o religiosa\u201d sem defender os dogmas \u00e9 a promessa de uma acrobacia consider\u00e1vel, que na maior parte do tempo o livro tenta sustentar com eleg\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Mat\u00e9ria evang\u00e9lica brasileira: a antec\u00e2mara e a pergunta<\/em>. A cr\u00edtica liter\u00e1ria imanente levou d\u00e9cadas para saber o que estava fazendo enquanto o fazia; \u00e9 razo\u00e1vel supor que a cr\u00edtica teol\u00f3gica imanente requeira o mesmo tempo \u2014 o que significa que o livro \u00e9, no m\u00e1ximo, a primeira tentativa s\u00e9ria de apontar o erro de seus predecessores. Que o livro se abra com uma interroga\u00e7\u00e3o \u2014 \u201cAinda se trata de mat\u00e9ria brasileira?\u201d \u2014 e n\u00e3o com uma afirmativa \u00e9 o \u00edndice exato do lugar de enuncia\u00e7\u00e3o: um lugar que poderia ser nomeado, mais tarde, como antec\u00e2mara de uma teologia mundial, <em>Welttheologie<\/em> em estado de esbo\u00e7o: oposta \u00e0s antiquadas \u201cci\u00eancias sociais da religi\u00e3o\u201d, ao passo que as velhas <em>Weltphilosophie<\/em> e <em>Weltliteratur<\/em> sequer comparecem j\u00e1 como advers\u00e1rias. Em tempo feio, a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica descobriu que a pergunta, ou seja: o cultivo de estilos de interroga\u00e7\u00e3o, \u00e9 o m\u00e1ximo que lhe resta; mas a pergunta, nesta antec\u00e2mara do sentimento evang\u00e9lico do mundo, ressoa diferente: n\u00e3o \u00e9 mais \u201cque horas s\u00e3o?\u201d A pergunta se torna: \u201cque f\u00e9 \u00e9 essa que organiza este tempo?\u201d Jo\u00e3o Marcos Duarte ou Jayder Roger, um dos irm\u00e3os na f\u00e9, respondeu: f\u00e9 na mat\u00e9ria evang\u00e9lica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Consequ\u00eancias brasileiras<\/em>. O sonho formativo era elitista na origem e pseudo-popular na auto-imagem; o sonho apocal\u00edptico \u00e9 popular na origem e autorit\u00e1rio no destino \u2014 o que sugere que o problema n\u00e3o estava no sonho, mas se formulava na periferia do capitalismo tardio, onde essa auto-imagem se espelhava; o livro reconhece isso sem tirar todas as consequ\u00eancias que exigiria a interven\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e met\u00f3dica e militante. O que significa, em certo sentido, abertura para outros livros de Andr\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia mais vis\u00edvel \u00e9 de ordem \u201cmetodol\u00f3gica\u201d. A tradi\u00e7\u00e3o militante n\u00e3o separava o ato de conhecer do ato de transformar: claro, a op\u00e7\u00e3o pelos pobres n\u00e3o era um postulado neutro, era uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que determinava n\u00e3o apenas o que se via, mas o que se faria com o que se dava a ver. A tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, ao contr\u00e1rio, cultivou uma esp\u00e9cie de separa\u00e7\u00e3o entre o momento do conhecimento e o momento de interven\u00e7\u00e3o \u2014 separa\u00e7\u00e3o que tem suas pr\u00f3prias virtudes, entre elas a de n\u00e3o dissolver o pensamento num ativismo que prescinde de pensar. Andr\u00e9 Castro herda da tradi\u00e7\u00e3o militante a urg\u00eancia e o comprometimento com o objeto (sujeito crente); da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, herda o distanciamento anal\u00edtico e a exig\u00eancia formal (o sujeito-objeto \u00e9 parte do problema, mas n\u00e3o s\u00f3).<\/p>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia menos vis\u00edvel, de longe a mais importante, \u00e9 de ordem hist\u00f3rica. A tradi\u00e7\u00e3o militante \u2014 em particular, a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o estudada por Andr\u00e9 no mestrado \u2014 foi derrotada. N\u00e3o apenas no plano pol\u00edtico, com o refluxo das CEBs e a crise do catolicismo progressista nos anos 1980 e 1990; foi derrotada no pr\u00f3prio terreno da imagina\u00e7\u00e3o popular: o povo que ela buscava organizar preferiu, em escala crescente, outra imagina\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica \u2014 a apocal\u00edptica evang\u00e9lica, que n\u00e3o prometia liberta\u00e7\u00e3o coletiva, mas vit\u00f3ria individual; n\u00e3o organizava comunidades de resist\u00eancia, mas congrega\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia. Andr\u00e9 Castro tem o sentimento \u00edntimo desse lado do pa\u00eds. A \u201ccr\u00edtica teol\u00f3gica imanente\u201d que ele preconiza assume a forma intelectual de uma derrota que parece ter chegado ao estado de formula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ainda, contudo, de elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>Sobre um sentimento transitivo<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p><em>O identitarismo nos limites da raz\u00e3o teol\u00f3gica<\/em>. A tese de Douglas Barros \u2014 que o identitarismo progressista-laico e o identitarismo reacion\u00e1rio-sagrado s\u00e3o as duas faces da mesma moeda de gest\u00e3o do capitalismo tardio \u2014 ganha, no cap\u00edtulo de Andr\u00e9, uma tor\u00e7\u00e3o que Douglas n\u00e3o fez: se os dois s\u00e3o espelhos do mesmo impasse, a \u201cgram\u00e1tica evang\u00e9lica\u201d que transborda fronteiras denominacionais e organiza a imagina\u00e7\u00e3o religiosa de cat\u00f3licos e protestantes \u00e9 precisamente o que a an\u00e1lise identit\u00e1ria n\u00e3o consegue capturar \u2014 porque, para captur\u00e1-la, precisaria de uma cr\u00edtica teol\u00f3gica imanente que j\u00e1 opera na antec\u00e2mara de uma <em>Welttheologie:<\/em> n\u00e3o uma ci\u00eancia social da religi\u00e3o, mas uma teologia do que a f\u00e9 faz ao mundo quando o mundo chegou ao fim do que prometia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Esperan\u00e7a escondida nos textos<\/em>. A entrevista \u00e9 o instant\u00e2neo do livro em que o m\u00e9todo de interven\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ousa responder pelo nome. Andr\u00e9 Castro explicou com discri\u00e7\u00e3o not\u00e1vel que n\u00e3o tem cargo, que publicou por necessidade de curr\u00edculo, e que mant\u00e9m \u201cuma esperan\u00e7a, mesmo que amorfa e despossu\u00edda\u201d escondida nos textos. A esperan\u00e7a escondida n\u00e3o \u00e9 o artigo renov\u00e1vel: artigo renov\u00e1vel \u00e9 a f\u00e9 a que o livro concede um cr\u00e9dito de sentido; a esperan\u00e7a escondida \u00e9 o que o cr\u00edtico ret\u00e9m para si a fim de n\u00e3o virar mais um item na <em>Welttheologie<\/em> que est\u00e1 ajudando a construir. Em tempo feio, quem esconde a esperan\u00e7a nos textos sabe ao menos onde procur\u00e1-la, ao contr\u00e1rio de quem a proclama na fachada e a perde nos fundamentos de seu arsenal.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>&nbsp;Sobre a forma do louvor, fios do sadismo e \u201cn\u00f3 objetivo\u201d<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>\u201cEsbo\u00e7os de cr\u00edtica\u201d \u00e9 menos uma designa\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria do que uma tese sobre o est\u00e1gio hist\u00f3rico em que a cr\u00edtica se encontra: n\u00e3o \u00e9 apenas que se esbo\u00e7a o que ainda n\u00e3o se sabe fazer; esbo\u00e7a-se o que ainda n\u00e3o tem forma acabada porque tampouco a tem o pr\u00f3prio objeto. E o objeto, visto da antec\u00e2mara de uma <em>Welttheologie<\/em>, n\u00e3o \u00e9 o evangelicalismo enquanto denomina\u00e7\u00e3o, nem a extrema direita enquanto movimento. \u00c9 uma quest\u00e3o de <em>f\u00e9<\/em>. Em outra dic\u00e7\u00e3o: artigo renov\u00e1vel no mercado de ideias mais ou menos intang\u00edveis, oferta de consola\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica dispon\u00edvel para entrega imediata a sujeitos monet\u00e1rios sem dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Andamento digressivo progressivo<\/em>. \u00c9 nessa segunda parte do livro que a interven\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 encontra seu objeto em compasso demonstrativo: as an\u00e1lises do mundo concertado na m\u00fasica gospel, nos testemunhos e nas prega\u00e7\u00f5es. No brev\u00edssimo ensaio \u201cDan\u00e7a dos par\u00e2metros\u201d, sobre <em>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/em>, Roberto Schwarz <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_5');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_5');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_5\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[5]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_5\" class=\"footnote_tooltip\">Roberto Schwarz, <em>Seja como for: entrevistas, retratos e documentos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2019.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_5').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_5', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>chamou de \u201csadismo alegre\u201d o gozo ou o usufruto estruturante do narrador machadiano, que mant\u00e9m o sofrimento alheio suspenso em andamento digressivo, por obra e gra\u00e7a de uma desenvoltura formal aprumada; por seu turno, Ant\u00f4nio Candido <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_6');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_6');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_6\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[6]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_6\" class=\"footnote_tooltip\">Em especial, na resenha de 16 de janeiro de 1947. Cf. Daniel Essenine Takamatsu Arantes, Caminho cr\u00edtico: um roteiro de leitura dos artigos de Antonio Candido em Clima, Folha da Manh\u00e3 e Di\u00e1rio de&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_6');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_6').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_6', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> preferia falar em \u201csadismos de desforra\u201d para a crueldade expressiva do personagem que, situado na posi\u00e7\u00e3o do narrador que tem a pachorra de humilhar ou na do destitu\u00eddo que nada tem a perder, diz, finalmente, a verdade. Com os dois fios dessa meada sadista \u2014 o da desforra e o da alegria, de resto n\u00e3o excludentes \u2014, o \u201cn\u00f3 objetivo\u201d come\u00e7a a se tornar vis\u00edvel. Se, \u00e0 primeira vista, o que mat\u00e9ria evang\u00e9lica brasileira produz n\u00e3o parece encaixar-se em nenhuma das duas categorias, pergunta-se: na cantiga machadiana, ao se pressupor um destitu\u00eddo que se vinga, n\u00e3o se requer desde o in\u00edcio um sujeito em condi\u00e7\u00f5es de se transportar ao usufruto da forma can\u00e7\u00e3o? Como se, j\u00e1 no transe da musicalidade gospel, a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica brasileira estivesse a ponto de enxergar um fen\u00f4meno como o \u201cretet\u00e9\u201d, sem as lentes vencidas da estereotipia esclarecida.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Nos subsolos da capital<\/em>. O livro d\u00e1 testemunho de uma cena acontecida nos subterr\u00e2neos da capital paulista. Mais precisamente: em vag\u00e3o de metr\u00f4, entre uma e outra esta\u00e7\u00e3o da zona leste paulistana, canta um int\u00e9rprete ambulante e a testemunha constata que Chico Buarque n\u00e3o rende trocado; o que rende \u00e9, na real, \u201cOceans\u201d. A demonstra\u00e7\u00e3o \u00e9 irrefut\u00e1vel como registro e insuficiente como explica\u00e7\u00e3o: irrefut\u00e1vel porque a comunidade imaginada mudou; insuficiente porque o mesmo povo que n\u00e3o pagou pelo samba tampouco recebeu o futuro embutido na promessa. O que o metr\u00f4 mostra n\u00e3o \u00e9 que o louvor evang\u00e9lico venceu a MPB: \u00e9 que a f\u00e9, em tempo feio, \u00e9 o \u00fanico artigo em circula\u00e7\u00e3o a oferecer al\u00edvio imediato para sujeitos monet\u00e1rios sem dinheiro, sem exigir que o passageiro da zona leste espere mais uma esta\u00e7\u00e3o pelo pa\u00eds que n\u00e3o chega. Haveria dois tipos de sujeito monet\u00e1rio sem dinheiro, assim como dois tipos de aposta: um aposta no samba (aposta pascaliana \u2014 se o futuro vier, ganho tudo; se n\u00e3o vier, perco apenas a esperan\u00e7a que por sinal j\u00e1 estava vencida); o outro clica &#8220;Oceans&#8221; num autom\u00e1tico d\u00e9bito da f\u00e9 (mais adiante, esp\u00e9cie de cr\u00e9dito consignado; o al\u00edvio ser\u00e1 descontado na fonte; sem espera; de parte a parte, sem risco de inadimpl\u00eancia).<\/p>\n\n\n\n<p><em>Com a permiss\u00e3o de Deus, todos prontos para matar<\/em>. O louvor n\u00e3o guarda nada: cada \u201cgl\u00f3ria\u201d \u00e9 um recome\u00e7o que apaga o anterior: o samba guarda a m\u00e1goa, civiliza ou permite que se sublime o revide; o louvor a exorciza, at\u00e9 a pr\u00f3xima rodada ou refr\u00e3o. A ser assim, a mat\u00e9ria evang\u00e9lica que exorciza coloca uma dificuldade que n\u00e3o \u00e9 de postulado cr\u00edtico, mas de objeto: como analisar criticamente uma forma que desfaz, a cada repeti\u00e7\u00e3o, as condi\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria an\u00e1lise? O louvor opera numa economia espiritual competitiva: a recompensa divina conta sempre contra um fundo de sofrimento que pertence ao outro; no fundo da concorr\u00eancia entre pastores mirins e pastores anci\u00e3os, esse \u201ccada um por si e um deus contra todos\u201d, o que sobressai \u00e9 o perseguido monop\u00f3lio da significa\u00e7\u00e3o \u201cmorte\u201d. Voltando ao foco contido no livro de Andr\u00e9: \u201cTodos prontos para matar, \u00e9\u00a0 claro que com a permiss\u00e3o de Deus. Buscar os nexos entre a imagina\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e o mundo sobre o\u00a0 qual ela aponta esperan\u00e7a, mesmo que seja desconcertante\u201d <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_7');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_7');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_7\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[7]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_7\" class=\"footnote_tooltip\"> <em>Eis a\u00ed, o povo brasileiro<\/em>, ed. cit., p. 38 (p. 19 do manuscrito).<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_7').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_7', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Eis um desafio que a \u00a0interven\u00e7\u00e3o cr\u00edtica teol\u00f3gica enfrenta: estaremos bem servidos se nomear o sadismo como \u201csadismo objetivo\u201d da forma corresponder a desentranhar as consequ\u00eancias que a pr\u00f3pria mat\u00e9ria n\u00e3o poderia formular sem negar-se a si mesma.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Dito e feito?<\/em> A analogia entre a comunidade imaginada dos modernistas e a comunidade imaginada dos crentes \u00e9 exata e enganosa ao mesmo tempo: exata porque a estrutura do desejo \u00e9 a mesma; enganosa porque o conte\u00fado do sonho determina quem ele exclui e quem ele extermina \u2014 e nem toda exclus\u00e3o parece equivalente. \u201cQue tal um samba?\u201d n\u00e3o corresponde a \u201cQue tal um samba para Jesus?\u201d. Vale salientar: se as an\u00e1lises da m\u00fasica gospel, dos testemunhos e das prega\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mais instigantes do volume, s\u00e3o tamb\u00e9m as menos conclusivas. H\u00e1 nelas uma tens\u00e3o n\u00e3o resolvida entre o que a imagina\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica diz e faz e o que esse dito e feito implica pol\u00edtica e criticamente, se o povo real n\u00e3o for o que o povo deveria ser: a tradi\u00e7\u00e3o militante deu a tens\u00e3o por resolvida mediante a op\u00e7\u00e3o preferencial, escolheu o povo e sua imagina\u00e7\u00e3o como crit\u00e9rio de avalia\u00e7\u00e3o; a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica a resolveu mediante a an\u00e1lise da forma, deixando que a contradi\u00e7\u00e3o interna ao objeto falasse. O livro de Andr\u00e9 parece querer as duas solu\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo, e o resultado \u00e9 que as an\u00e1lises esbo\u00e7adas se det\u00eam exatamente onde deveriam come\u00e7ar: assim, sem padecer das inibi\u00e7\u00f5es de escola, o livro se atreve a oferecer o estado mesmo da quest\u00e3o. O leitor poder\u00e1 conferir isso num dos exemplos mais reveladores do livro, quando ele apresenta a rela\u00e7\u00e3o entre evangelicalismo e \u201cextrema direita\u201d, descrevendo como a imagina\u00e7\u00e3o apocal\u00edptica foi mobilizada e como o \u201csentimento evang\u00e9lico do Brasil\u201d j\u00e1 pulsava nas igrejas quando 2016 assume o prosc\u00eanio. A montagem da identifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi o \u201cproblema\u201d. Por que n\u00e3o foi? O que ter\u00e1 havido e continua a haver na estrutura interna \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o apocal\u00edptica \u2014 n\u00e3o apenas em suas \u201cdistor\u00e7\u00f5es\u201d, mas em \u201csua l\u00f3gica pr\u00f3pria\u201d, que tornou poss\u00edvel e quase natural essa identifica\u00e7\u00e3o? E se o sentimento \u00edntimo do evangelicalismo brasileiro continuar estruturalmente dispon\u00edvel para as marchas aceleradas da direita, o que resta do potencial emancipat\u00f3rio que, nela, o livro de Andr\u00e9 palpita haver?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estou sugerindo que a resposta \u00e9 \u201cnada\u201d \u2014 essa seria a posi\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica <em>stricto sensu<\/em>. Limito-me a dizer que a pergunta n\u00e3o pode ser esquivada precisamente no ponto de crise em que o livro de Andr\u00e9 d\u00e1 a ver, ouvir e pensar o que o esp\u00edrito diz nas igrejas.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><a><\/a><strong>Sobre os cr\u00e9ditos de sentido e uma cl\u00e1usula de inadimpl\u00eancia<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Na pen\u00faltima p\u00e1gina do livro, ali onde Andr\u00e9 aponta as vias tomadas pela imagina\u00e7\u00e3o radical de um pastor mirim <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_8');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_8');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_8\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[8]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_8\" class=\"footnote_tooltip\">Diz Andr\u00e9: \u201cNessa tortuosa via v\u00e3o se formando os sujeitos que creem, entre a for\u00e7a bruta da vida, que imp\u00f5e uma racionalidade instrumental do pr\u00f3ximo passo, e a imagina\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica que se&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_8');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_8').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_8', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> anotei na margin\u00e1lia o seguinte: \u201cConcess\u00e3o de cr\u00e9dito: Andr\u00e9 d\u00e1 cr\u00e9dito de coer\u00eancia e sentido \u00e0 f\u00e9 \u2014 talvez aqui esteja o cerne do livro de Andr\u00e9\u201d. O cr\u00e9dito pressup\u00f5e um emissor, um devedor e uma cl\u00e1usula de inadimpl\u00eancia. <em>De que posi\u00e7\u00e3o se concede esse cr\u00e9dito de sentido?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Aposta pascaliana ou cr\u00e9dito consignado?<\/em> A f\u00e9 tradicional operava na linha pascaliana (ganhava-se tudo ou perdia-se apenas a esperan\u00e7a previamente descontada quando as fichas se empilhavam na f\u00e9 como for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-social). A interven\u00e7\u00e3o apolog\u00e9tica atual funciona como al\u00edvio estrutural com d\u00e9bito autom\u00e1tico \u2014 d\u00edzimo, miss\u00e3o e voto, sem risco de inadimpl\u00eancia para o credor, sem possibilidade de resgate antecipado para o devedor. Essa assimetria ret\u00e9m o cr\u00e9dito quando a f\u00e9 na interven\u00e7\u00e3o cr\u00edtica aparece como c\u00famplice de quem produz e reproduz a mil\u00edcia, e a\u00ed est\u00e1 uma pergunta que o livro deixa vislumbrar muito embora n\u00e3o cuide de desenvolver. A disjuntiva de resto, aposta ou consignado, n\u00e3o precisa ser excludente. Sobretudo quando, na generaliza\u00e7\u00e3o da forma cr\u00e9dito, a rela\u00e7\u00e3o devedor-credor operar como rela\u00e7\u00e3o elementar da condi\u00e7\u00e3o neoliberal, <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_9');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_9');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_9\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[9]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_9\" class=\"footnote_tooltip\">Cf, sobre o torque moeda\/d\u00e9bito e a \u201ctecnologia de governo dos comportamentos\u201d, ver, em especial, Maurizio Lazzarato (La fabrique de l&#8217;homme endett\u00e9: essai sur la condition n\u00e9olib\u00e9rale.&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_9');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_9').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_9', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> transversal a empregado e desempregado, ativo e inativo, todos devedores diante do Credor universal. A d\u00edvida, porque se desdobra no campo da produ\u00e7\u00e3o de subjetividades conflagradas, faz com que ao labor cl\u00e1ssico se some uma esp\u00e9cie de auto elabora\u00e7\u00e3o do devedor, de sorte que alega\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e postulados morais funcionem juntos. N\u00e3o ser\u00e1 precisamente essa a juntura que aproxima as congrega\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia da d\u00edvida como apropria\u00e7\u00e3o antecipada do futuro? Visto que o que h\u00e1 por vir j\u00e1 est\u00e1 fatiado \u2014 no tempo estendido e reduzido ao prazo em parcelas \u2014, fica simultaneamente alardeado e neutralizado o tempo como cria\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis. A captura agarra o capturado numa reiterada travessia de metamorfoses, ao longo das quais o velho Proteu parece rejuvenescer, sem luta com os ex combatentes e sem necessidade de aval pela assembleia dos deuses, a cada desconto autom\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Necess\u00e1rio e perigoso.<\/em> Apresentar todo o povo brasileiro sob o gabarito de vestes teol\u00f3gico-apocal\u00edpticas, como soldados revestidos de f\u00e9 e prontos para matar, eis a\u00ed um gesto pelo qual o livro de Andr\u00e9 se torna ao mesmo tempo necess\u00e1rio e perigoso: o povo brasileiro tratado, enfim, como sujeito; o gabarito, contudo, \u00e9 tamb\u00e9m o de quem o desenhou. Dar cr\u00e9dito ao artigo \u201cf\u00e9\u201d \u00e9, confessando ou n\u00e3o, escolher o tecido. Por conseguinte o livro de Andr\u00e9 n\u00e3o chega a dizer: <em>Viva o povo brasileiro !<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Eis a\u00ed, o povo brasileiro: um livro necess\u00e1rio<\/em>. Necess\u00e1rio, ent\u00e3o, em v\u00e1rios sentidos. N\u00e3o porque resolva os m\u00faltiplos problemas que coloca \u2014 n\u00e3o os resolve; sabe que n\u00e3o os resolve. Mas porque j\u00e1 come\u00e7a a enunciar esses problemas de uma maneira que, por um lado, a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es de formular sozinha e que, por outro, a tradi\u00e7\u00e3o militante n\u00e3o tinha interesse em formular, ambas ocupadas em defender o terreno que estavam perdendo sob os pr\u00f3prios p\u00e9s. O que significa que o povo brasileiro tenha feito suas escolhas? A pergunta n\u00e3o \u00e9: \u201cpor que o povo se enganou?\u201d N\u00e3o: \u201ccomo a esquerda poderia ter evitado isso?\u201d Mas: <em>o que diz sobre todos n\u00f3s, o fato de que o desejo de milh\u00f5es de pessoas tenha encontrado no evangelicalismo apocal\u00edptico o artigo no qual depositaram sua viv\u00eancia de destitui\u00e7\u00e3o, sua esperan\u00e7a de reden\u00e7\u00e3o e sua imagem de na\u00e7\u00e3o?<\/em> Estas perguntas dif\u00edceis est\u00e3o entre as mais valiosas, e, at\u00e9 prova em contr\u00e1rio, mais valiosas do que quaisquer respostas dispon\u00edveis. Pois o livro de Andr\u00e9 come\u00e7a a p\u00f4r em causa as condi\u00e7\u00f5es de inteligibilidade de um Brasil cuja realidade se interroga sobre a defasagem brutal entre um arsenal de conceitos oriundos da melhor tradi\u00e7\u00e3o brasileira e a nova imagina\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-religiosa, ali onde a f\u00e9 apocal\u00edptica disputa supremacia na organiza\u00e7\u00e3o da sobreviv\u00eancia, do desejo de mudan\u00e7a, alegria e desforra de sujeitos monet\u00e1rios sem dinheiro. A leitura do livro de Andr\u00e9 persuade o leitor de que \u00e9 bom t\u00ea-las deixado em aberto \u2014 desde que se entenda que o aberto aqui n\u00e3o \u00e9 convite aos al\u00edvios racionados do reconforto, mas a um sentido t\u00e3o novo quanto urgente para os trabalhos da cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>Orfanato Br\u00e1s Cubas, coda de algoritmo e teodiceia invertida<\/strong> <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_10');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_10');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_10\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[10]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_10\" class=\"footnote_tooltip\">O texto que segue nasceu de parceria com um prestativo assistente de revis\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o &nbsp;\u2014 artificial, diga-se. Ele obedeceu ao comando para&nbsp; fazer a leitura das p\u00e1ginas anteriores e&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_10');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_10').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_10', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/h6>\n\n\n\n<p>Que o leitor n\u00e3o se assuste com o nome da casa, <em>Orfanato Br\u00e1s Cubas<\/em>, nem busque atr\u00e1s da placa os rigores de uma palmat\u00f3ria ou a monotonia de um semin\u00e1rio. Trata-se, bem vistas as coisas, de uma institui\u00e7\u00e3o singular, que o capricho dos tempos fez nascer do bom encontro \u2014 se \u00e9 que h\u00e1 bons encontros neste mundo \u2014 entre a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica brasileira e a teoria cr\u00edtica. Desse cons\u00f3rcio tardio nasceram, cresceram e j\u00e1 se multiplicam filhos tempor\u00f5es, netos e bisnetos de uma mesma utopia intelectual, uma utopia dotada daquela curiosa faculdade de ver tudo em tudo, o universo num gr\u00e3o de areia, o destino nacional num folhetim. V\u00e3o todos habitar o pequeno orfanato. N\u00e3o lhe chamem hotel, que seria com\u00e9rcio; nem hosp\u00edcio, que seria exagero; digamos antes que combina as duas fun\u00e7\u00f5es com aquela eleg\u00e2ncia algo sombria que a provid\u00eancia costuma reservar aos paradoxos da nossa forma\u00e7\u00e3o. Ora, dir\u00e1 o Conselheiro Aires, que por ali passeia com o seu andar macio, que importa a rigidez das paredes se a mente humana \u00e9 vol\u00favel? Por esse nosso tempo feio, vai-se dar, afinal, naquele desfecho que Paulo Eduardo Arantes reservou para os descendentes de Br\u00e1s nas linhas finais do seu <em>Sentimento da Dial\u00e9tica<\/em>. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_11');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_11');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_11\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[11]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_11\" class=\"footnote_tooltip\">\u201cE por a\u00ed firma carreira a dial\u00e9tica negativa em quest\u00e3o, na qual se poder\u00e1 enfim entrever a par\u00f3dia involunt\u00e1ria de um certo ensa\u00edsmo que v\u00ea tudo em tudo. Utopia intelectual dos&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_11');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_11').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_11', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> De agora em diante, al\u00e9m dos paradoxos e das par\u00f3dias involunt\u00e1rias de uma forma\u00e7\u00e3o que entre um bocejo e uma crise parece n\u00e3o ter mais havido, o que parece renascer das p\u00e1ginas do livro de Andr\u00e9 \u2014 livro que se l\u00ea com o prazer de quem acompanha um jovem e talentoso te\u00f3logo \u2014 \u00e9 uma teodiceia de representa\u00e7\u00f5es m\u00f3veis, uma teodiceia invertida. N\u00e3o \u00e9 j\u00e1 aquela velha e piedosa f\u00f3rmula que justificava o sofrimento humano pela perfei\u00e7\u00e3o do Todo; n\u00e3o, o s\u00e9culo exige outra sutileza. \u00c9 a teodiceia que justifica a inc\u00f4moda presen\u00e7a dos zeros \u00e0 esquerda no resultado cr\u00edtico pela simples justeza de uma dial\u00e9tica em estado suspensivo, que n\u00e3o cai para um lado nem para o outro, equilibrando-se no ar como o chap\u00e9u passado de um cantor int\u00e9rprete, porta-voz dos subterr\u00e2neos do sistema metropolitano de transporte. Estranha teodiceia, pois estando Deus t\u00e3o pr\u00f3ximo e t\u00e3o dif\u00edcil de cingir, ausente ou apenas inexistente, todas e todos e todes habitam os infinitos mundos poss\u00edveis na mente do Capeta. Habitam, ali\u00e1s \u2014 e com que requinte de ironia! \u2014 o pior desses mundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse estranho recolhimento os internos, herdeiros sem heran\u00e7a, bolsistas sem bolsa, \u00f3rf\u00e3os da grande hist\u00f3ria, vivem sem diagn\u00f3stico definitivo. O que, convenhamos, n\u00e3o impede a prognose, nem atrapalha os servi\u00e7os. A institui\u00e7\u00e3o funciona com uma regularidade que \u00e9 de fazer inveja a minist\u00e9rios de educa\u00e7\u00e3o e cultura: distribuem-se os leitos com crit\u00e9rio, emitem-se laudos com verniz cient\u00edfico e comemoram-se os anivers\u00e1rios da funda\u00e7\u00e3o com discursos aparados na varanda. O segredo da paz que ali reina \u00e9 simples: os zeros \u00e0 esquerda do resultado cr\u00edtico acham-se perfeitamente absolvidos pela beleza do encontro. \u00c9 o dispositivo supremo pelo qual, em outros aposentos, herdeiros da tradi\u00e7\u00e3o se perdoam com um sorriso discreto por n\u00e3o verem o povo que juram estudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em busca de palavras amenas, dir-se-ia que o livro de Andr\u00e9 nos convida a entrar nesse mesmo orfanato, mas em dia de visita. Ah, os dias de visita! Tudo parece subitamente vivo, tudo ordenado, programado pela volubilidade atenuada e ben\u00e9vola do pr\u00f3prio Aires. Mas o objeto da visita \u2014 o esquivo povo brasileiro \u2014 teima em n\u00e3o comparecer ao evento, preferindo o que talvez apenas advenha nas esquinas, nas casas de ora\u00e7\u00e3o ou nos cultos da periferia. Contudo, pondera o autor com a sua profiss\u00e3o de f\u00e9, se o artigo de f\u00e9 fizer sentido e se for l\u00edcito esperar que esse povo esteja de fato a caminho, ele j\u00e1 n\u00e3o surgir\u00e1 como aquele antigo personagem de m\u00e1-f\u00e9 num cen\u00e1rio profano. Lembra-se o leitor daquele outro personagem que, ap\u00f3s imaginar tenta\u00e7\u00f5es vertiginosas e sacr\u00edlegas, confessava a si mesmo, num mon\u00f3logo tardio, ter mentido na idade de sua segunda denti\u00e7\u00e3o. Fingia estar em grande perigo apenas para aumentar a sua pr\u00f3pria gl\u00f3ria perante o espelho, <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_12');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_12');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_12\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[12]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_12\" class=\"footnote_tooltip\">\u201cMais je me mens ; je feins d\u2019\u00eatre en p\u00e9ril pour accro\u00eetre ma gloire: pas un instant les tentations ne furent vertigineuses; je crains bien trop le scandale; si je veux \u00e9tonner, c\u2019est par&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_12');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_12').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_12', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> confiado em que a efic\u00e1cia ret\u00f3rica do exagero nunca haveria de perder o seu prazo de validade. Andr\u00e9 pertence a outro proceder; n\u00e3o sendo exatamente macuna\u00edmico, sabe \u201cdiscipular\u201d, arte que exige a rara solidariedade de paci\u00eancia e ousadia.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo feio que o livro anuncia n\u00e3o \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o do ano que se resolva com um guarda-chuva; \u00e9 o modo de exist\u00eancia, tantas vezes reiterado, de sujeitos para quem o passado teima em n\u00e3o passar e o futuro, para chegar, se faz de rogado. No entrela\u00e7amento de ambos, no seu pr\u00f3prio compasso de espera, eles v\u00e3o passando recibo para o que estiver dispon\u00edvel em entrega imediata, seja uma cesta b\u00e1sica, seja uma promessa de salva\u00e7\u00e3o. Cada um com o seu tempo. O de Hobbes, que \u00e9 puro lapso, incerteza de garoa ou temporal, uma continuada e atenta interroga\u00e7\u00e3o sobre quando cair\u00e1 a primeira gota; o de Ernst Bloch, que n\u00e3o sendo o mesmo para todos, faz com que cada alma carregue o seu pr\u00f3prio <em>Agora<\/em> \u2014 e que a plataforma do metr\u00f4 paulistano insiste em n\u00e3o sincronizar; finalmente, o tempo do sujeito monet\u00e1rio sem dinheiro. Este \u00faltimo j\u00e1 n\u00e3o pergunta \u201cque horas s\u00e3o?\u201d, pois adquiriu a suprema sabedoria de que o rel\u00f3gio n\u00e3o lhe pertence; pertence \u00e0quilo que gira, indiferente e exato, no pulso de um cad\u00e1ver.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_13');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_13');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_4764_1_13\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[13]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_13\" class=\"footnote_tooltip\">A express\u00e3o exata est\u00e1 no t\u00edtulo do livro de Marildo Menegat, A cr\u00edtica do capitalismo em tempos de cat\u00e1strofe: o giro dos ponteiros do rel\u00f3gio no pulso de um morto (e outros ensaios), e,&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_4764_1('footnote_plugin_reference_4764_1_13');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_4764_1_13').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_4764_1_13', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> O crist\u00e3o-novo, em suma, descobre que pode respirar com algum al\u00edvio, o al\u00edvio poss\u00edvel das criaturas sem pressa, no novo tempo feio do mundo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file aligncenter\"><a id=\"wp-block-file--media-ef9e45ef-f047-4a49-96ce-9d70fe785552\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Um-desconcerto-do-mundo-Silvio-Rosa-Filho-sobre-Eis-ai-o-povo-brasileiro.pdf\">Um desconcerto do mundo? &#8211; S\u00edlvio Rosa Filho <\/a><a href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Um-desconcerto-do-mundo-Silvio-Rosa-Filho-sobre-Eis-ai-o-povo-brasileiro.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-ef9e45ef-f047-4a49-96ce-9d70fe785552\">Baixar PDF<\/a><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-theme-palette-6-color has-alpha-channel-opacity has-theme-palette-6-background-color has-background\"\/>\n\n\n<style>.kb-image4764_090ffd-cd.kb-image-is-ratio-size, .kb-image4764_090ffd-cd .kb-image-is-ratio-size{max-width:136px;width:100%;}.wp-block-kadence-column > .kt-inside-inner-col > .kb-image4764_090ffd-cd.kb-image-is-ratio-size, .wp-block-kadence-column > .kt-inside-inner-col > .kb-image4764_090ffd-cd .kb-image-is-ratio-size{align-self:unset;}.kb-image4764_090ffd-cd figure{max-width:136px;}.kb-image4764_090ffd-cd .image-is-svg, .kb-image4764_090ffd-cd .image-is-svg img{width:100%;}.kb-image4764_090ffd-cd .kb-image-has-overlay:after{opacity:0.3;}<\/style>\n<div class=\"wp-block-kadence-image kb-image4764_090ffd-cd\"><figure class=\"alignleft size-large\"><img data-dominant-color=\"8d8a7d\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #8d8a7d;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"792\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.21-792x1024.avif\" alt=\"\" class=\"kb-img wp-image-4767 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.21-792x1024.avif 792w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.21-232x300.avif 232w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.21-768x993.avif 768w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.21.avif 1103w\" sizes=\"auto, (max-width: 792px) 100vw, 792px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00edlvio Rosa Filho<\/h2>\n\n\n\n<p>Professor de Filosofia na UNIFESP<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Autor<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n<div class=\"speaker-mute footnotes_reference_container\"> <div class=\"footnote_container_prepare\"><p><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_label pointer\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_4764_1();\">&#x202F;<\/span><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_collapse_button\" style=\"display: none;\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_4764_1();\">[<a id=\"footnote_reference_container_collapse_button_4764_1\">+<\/a>]<\/span><\/p><\/div> <div id=\"footnote_references_container_4764_1\" style=\"\"><table class=\"footnotes_table footnote-reference-container\"><caption class=\"accessibility\">References<\/caption> <tbody> \r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_1\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_1');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>1<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Texto redigido para servir de base \u00e0 minha participa\u00e7\u00e3o no debate de lan\u00e7amento de <em>Eis a\u00ed, o povo brasileiro<\/em> (SP: Gal\u00e1xia, 2026), de Andr\u00e9 Castro, realizado em 30 de maio de 2026, em mesa com Jo\u00e3o Marcos Duarte e Paulo Eduardo Arantes. Preservei algumas marcas da situa\u00e7\u00e3o oral que lhe deu origem.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_2\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_2');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>2<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">\u201cA guerra n\u00e3o consiste apenas na batalha ou no ato de lutar, mas num lapso de tempo, no qual a vontade para a contenda em batalha \u00e9 suficientemente conhecida\u201d<em>. The Will to contend by<\/em> <em>Battell, <\/em>na tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo Monteiro e Maria Beatriz Niza da Silva: <em>\u201ca vontade para travar batalha\u201d.<\/em><\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_3\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_3');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>3<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Vin\u00edcius Jos\u00e9 Fechio Gueraldo. <em>Comunidade desenformada: o estranhamento do mundo em Chico Buarque<\/em>. SP: tese de doutorado defendida na Universidade de S\u00e3o Paulo em 2025.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_4\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_4');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>4<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Chico Buarque, \u201cQue tal um samba?\u201d (Biscoito Fino, 2022).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_5\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_5');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>5<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Roberto Schwarz, <em>Seja como for: entrevistas, retratos e documentos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2019.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_6\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_6');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>6<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Em especial, na resenha de 16 de janeiro de 1947. Cf. Daniel Essenine Takamatsu Arantes, <em>Caminho cr\u00edtico: um roteiro de leitura dos artigos de Antonio Candido em Clima, Folha da Manh\u00e3 e Di\u00e1rio de S. Paulo (1941\u20131947).<\/em> S\u00e3o Paulo: tese de doutorado na Universidade de S\u00e3o Paulo, 2022; p. 803.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_7\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_7');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>7<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> <em>Eis a\u00ed, o povo brasileiro<\/em>, ed. cit., p. 38 (p. 19 do manuscrito).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_8\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_8');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>8<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Diz Andr\u00e9: \u201cNessa tortuosa via v\u00e3o se formando os sujeitos que creem, entre a for\u00e7a bruta da vida, que imp\u00f5e uma racionalidade instrumental do pr\u00f3ximo passo, e a imagina\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica que se produz no interior desse pr\u00f3prio ato, figura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 que encontra nele algo de divino\u201d (ed. cit., p. 183; p. 124 do manuscrito).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_9\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_9');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>9<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Cf, sobre o torque moeda\/d\u00e9bito e a \u201ctecnologia de governo dos comportamentos\u201d, ver, em especial, Maurizio Lazzarato (<em>La fabrique de l&#8217;homme endett\u00e9: essai sur la condition n\u00e9olib\u00e9rale<\/em>. Paris: \u00c9ditions Amsterdam, 2011), a quem, neste par\u00e1grafo, acompanhamos at\u00e9 certo ponto, exce\u00e7\u00e3o feita para a aproxima\u00e7\u00e3o com a dial\u00e9tica espanada de Proteu.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_10\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_10');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>10<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">O texto que segue nasceu de parceria com um prestativo assistente de revis\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o &nbsp;\u2014 artificial, diga-se. Ele obedeceu ao comando para&nbsp; fazer a leitura das p\u00e1ginas anteriores e propor roteiro inicial de um texto que deveria se intitular \u201cAsilo Br\u00e1s Cubas\u201d. Sugeriu que eu mudasse o t\u00edtulo para \u201cOrfanato Aires\u201d, justificando-se, preventivamente: para que o autor n\u00e3o incorra em etarismo. Aceitou o desafio para adotar um tom \u201cmachadiano\u201d e elaborar um pastiche deliberado, seguindo o princ\u00edpio de volubilidade, todavia, de modo atenuado, mais pr\u00f3ximo daquele praticado pelo narrador de <em>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/em> do que pelo de <em>Mem\u00f3rias p\u00f3stumas<\/em>. Como, em nome da brevidade, o \u201croteiro\u201d gerado passou por alguns cortes e modifica\u00e7\u00f5es, como a reda\u00e7\u00e3o padece de imperfei\u00e7\u00f5es humanas, apenas humanas, melhor assumir estas \u00faltimas e assinar o meu nome como sendo o do pr\u00f3prio autor. Al\u00e9m disso, o assistente n\u00e3o parece ter apreciado quando, por um instante de desfastio, lhe enviei um bilhete dizendo: \u201cClaude, call me by your name\u201d.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_11\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_11');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>11<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">\u201cE por a\u00ed firma carreira a dial\u00e9tica negativa em quest\u00e3o, na qual se poder\u00e1 enfim entrever a par\u00f3dia involunt\u00e1ria de um certo ensa\u00edsmo que v\u00ea tudo em tudo. Utopia intelectual dos descendentes de Br\u00e1s Cubas\u201d (Paulo Eduardo Arantes, <em>Sentimento da Dial\u00e9tica na experi\u00eancia intelectual brasileira: dial\u00e9tica e dualidade segundo Antonio Candido e Roberto Schwarz<\/em>; Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992; p. 107). <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_12\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_12');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>12<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">\u201cMais je me mens ; je feins d\u2019\u00eatre en p\u00e9ril pour accro\u00eetre ma gloire: pas un instant les tentations ne furent vertigineuses; je crains bien trop le scandale; si je veux \u00e9tonner, c\u2019est par mes vertus.\u201d (J.-P. Sartre, <em>Les mots<\/em>. Paris: Gallimard, 1964; p. 25).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_4764_1_13\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_4764_1('footnote_plugin_tooltip_4764_1_13');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>13<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">A express\u00e3o exata est\u00e1 no t\u00edtulo do livro de Marildo Menegat, <em>A cr\u00edtica do capitalismo em tempos de cat\u00e1strofe: o giro dos ponteiros do rel\u00f3gio no pulso de um morto (e outros ensaios),<\/em> e, tamb\u00e9m, no t\u00edtulo do primeiro cap\u00edtulo do mesmo livro, \u201cCr\u00edtica da economia pol\u00edtica da barb\u00e1rie: o giro dos ponteiros do rel\u00f3gio no pulso de um morto\u201d) Rio de Janeiro: Editora Consequ\u00eancia, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Assinalo que s\u00f3 pude ler o pref\u00e1cio de Marildo ao livro de Andr\u00e9 (\u201cOra, ora pro nobis\u201d), depois de ter redigido o meu coment\u00e1rio.<\/td><\/tr>\r\n\r\n <\/tbody> <\/table> <\/div><\/div><script type=\"text\/javascript\"> function footnote_expand_reference_container_4764_1() { jQuery('#footnote_references_container_4764_1').show(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_4764_1').text('\u2212'); } function footnote_collapse_reference_container_4764_1() { jQuery('#footnote_references_container_4764_1').hide(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_4764_1').text('+'); } function footnote_expand_collapse_reference_container_4764_1() { if (jQuery('#footnote_references_container_4764_1').is(':hidden')) { footnote_expand_reference_container_4764_1(); } else { footnote_collapse_reference_container_4764_1(); } } function footnote_moveToReference_4764_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_4764_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } } function footnote_moveToAnchor_4764_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_4764_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } }<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I [1]Texto redigido para servir de base \u00e0 minha participa\u00e7\u00e3o no debate de lan\u00e7amento de Eis a\u00ed, o povo brasileiro (SP: Gal\u00e1xia, 2026), de Andr\u00e9 Castro, realizado em 30 de maio de 2026, em mesa com&nbsp;&#x2026; Continue reading No ensaio ainda in\u00e9dito de Paulo Arantes, intitulado \u201cA cara feia da pr\u00f3xima na\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, h\u00e1 um&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4768,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_kadence_starter_templates_imported_post":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":""},"categories":[347,673],"tags":[674,675,133,265,299],"class_list":["post-4764","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-producoes","category-silvio-rosa-filho","tag-andre-castro","tag-evengelicos","tag-filosofia","tag-politica","tag-sociologia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Desconcerto do mundo?: enxergando o Brasil ao som da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 S\u00edlvio Rosa Filho - Zero \u00e0 Esquerda<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"O que quero propor \u00e9 um segundo eixo tem\u00e1tico, cuja antevis\u00e3o, suponho, o livro de Andr\u00e9 proporciona: pensar passagens da \u201ccara feia\u201d para o novo tempo feio do mundo.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Desconcerto do mundo?: enxergando o Brasil ao som da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 S\u00edlvio Rosa Filho - Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O que quero propor \u00e9 um segundo eixo tem\u00e1tico, cuja antevis\u00e3o, suponho, o livro de Andr\u00e9 proporciona: pensar passagens da \u201ccara feia\u201d para o novo tempo feio do mundo.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-06-15T06:22:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-06-15T15:45:49+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.00-1.avif\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1600\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"780\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@z3roaesquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@z3roaesquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"32 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8\"},\"headline\":\"Desconcerto do mundo?: enxergando o Brasil ao som da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 S\u00edlvio Rosa Filho\",\"datePublished\":\"2026-06-15T06:22:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-06-15T15:45:49+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/\"},\"wordCount\":6445,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/06\\\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.00-1.avif\",\"keywords\":[\"Andr\u00e9 Castro\",\"Eveng\u00e9licos\",\"Filosofia\",\"Pol\u00edtica\",\"Sociologia\"],\"articleSection\":[\"Produ\u00e7\u00f5es\",\"S\u00edlvio Rosa Filho\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/\",\"name\":\"Desconcerto do mundo?: enxergando o Brasil ao som da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 S\u00edlvio Rosa Filho - Zero \u00e0 Esquerda\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/06\\\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.00-1.avif\",\"datePublished\":\"2026-06-15T06:22:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-06-15T15:45:49+00:00\",\"description\":\"O que quero propor \u00e9 um segundo eixo tem\u00e1tico, cuja antevis\u00e3o, suponho, o livro de Andr\u00e9 proporciona: pensar passagens da \u201ccara feia\u201d para o novo tempo feio do mundo.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/06\\\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.00-1.avif\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/06\\\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.00-1.avif\",\"width\":1600,\"height\":780},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/06\\\/15\\\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Desconcerto do mundo?: enxergando o Brasil ao som da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 S\u00edlvio Rosa Filho\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"description\":\"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/01\\\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/01\\\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png\",\"width\":1271,\"height\":1069,\"caption\":\"Zero \u00e0 Esquerda\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/revistazeroaesquerda\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/z3roaesquerda\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/revistazeroaesquerda\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.youtube.com\\\/channel\\\/UCIaGx271Qw6D1QwqYBojrLw\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Zero \u00e0 Esquerda\"},\"description\":\"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/author\\\/revistazeroaesquerdagmail-com\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Desconcerto do mundo?: enxergando o Brasil ao som da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 S\u00edlvio Rosa Filho - Zero \u00e0 Esquerda","description":"O que quero propor \u00e9 um segundo eixo tem\u00e1tico, cuja antevis\u00e3o, suponho, o livro de Andr\u00e9 proporciona: pensar passagens da \u201ccara feia\u201d para o novo tempo feio do mundo.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Desconcerto do mundo?: enxergando o Brasil ao som da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 S\u00edlvio Rosa Filho - Zero \u00e0 Esquerda","og_description":"O que quero propor \u00e9 um segundo eixo tem\u00e1tico, cuja antevis\u00e3o, suponho, o livro de Andr\u00e9 proporciona: pensar passagens da \u201ccara feia\u201d para o novo tempo feio do mundo.","og_url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/","og_site_name":"Zero \u00e0 Esquerda","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda","article_published_time":"2026-06-15T06:22:00+00:00","article_modified_time":"2026-06-15T15:45:49+00:00","og_image":[{"width":1600,"height":780,"url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.00-1.avif","type":"image\/jpeg"}],"author":"Zero \u00e0 Esquerda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@z3roaesquerda","twitter_site":"@z3roaesquerda","twitter_misc":{"Escrito por":"Zero \u00e0 Esquerda","Est. tempo de leitura":"32 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/"},"author":{"name":"Zero \u00e0 Esquerda","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/person\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8"},"headline":"Desconcerto do mundo?: enxergando o Brasil ao som da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 S\u00edlvio Rosa Filho","datePublished":"2026-06-15T06:22:00+00:00","dateModified":"2026-06-15T15:45:49+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/"},"wordCount":6445,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.00-1.avif","keywords":["Andr\u00e9 Castro","Eveng\u00e9licos","Filosofia","Pol\u00edtica","Sociologia"],"articleSection":["Produ\u00e7\u00f5es","S\u00edlvio Rosa Filho"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/","name":"Desconcerto do mundo?: enxergando o Brasil ao som da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 S\u00edlvio Rosa Filho - Zero \u00e0 Esquerda","isPartOf":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.00-1.avif","datePublished":"2026-06-15T06:22:00+00:00","dateModified":"2026-06-15T15:45:49+00:00","description":"O que quero propor \u00e9 um segundo eixo tem\u00e1tico, cuja antevis\u00e3o, suponho, o livro de Andr\u00e9 proporciona: pensar passagens da \u201ccara feia\u201d para o novo tempo feio do mundo.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/#primaryimage","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.00-1.avif","contentUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-13-at-13.01.00-1.avif","width":1600,"height":780},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/06\/15\/desconcerto-do-mundo-enxergando-o-brasil-ao-som-da-tradicao-critica-silvio-rosa-filho\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Desconcerto do mundo?: enxergando o Brasil ao som da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2014 S\u00edlvio Rosa Filho"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#website","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/","name":"Zero \u00e0 Esquerda","description":"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.","publisher":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization","name":"Zero \u00e0 Esquerda","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png","contentUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png","width":1271,"height":1069,"caption":"Zero \u00e0 Esquerda"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda","https:\/\/x.com\/z3roaesquerda","https:\/\/www.instagram.com\/revistazeroaesquerda\/","https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCIaGx271Qw6D1QwqYBojrLw"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/person\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8","name":"Zero \u00e0 Esquerda","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","caption":"Zero \u00e0 Esquerda"},"description":"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.","sameAs":["http:\/\/zeroaesquerda.com.br"],"url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/author\/revistazeroaesquerdagmail-com\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4764","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4764"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4764\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4792,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4764\/revisions\/4792"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4764"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}