{"id":4416,"date":"2026-01-24T10:30:00","date_gmt":"2026-01-24T10:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=4416"},"modified":"2026-01-24T21:48:53","modified_gmt":"2026-01-24T21:48:53","slug":"a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/","title":{"rendered":"A acrobacia de Thomas Mann: Sobre &#8216;O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia&#8217;, de Jo\u00e3o Pedro Cachopo \u2014 Victor Hugo Amaro"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">I.<\/h4>\n\n\n\n<p>Theodor Adorno, em uma das passagens que cita a obra de Thomas Mann em sua <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em>, designa por <em>K\u00fcnstst\u00fcck <\/em>como um dos segredos da obra de arte<sup data-fn=\"ddc56c06-9604-40eb-9e36-b129e1c150ca\" class=\"fn\"><a id=\"ddc56c06-9604-40eb-9e36-b129e1c150ca-link\" href=\"#ddc56c06-9604-40eb-9e36-b129e1c150ca\">1<\/a><\/sup>. O termo, que pode tanto significar simploriamente <em>pe\u00e7a <\/em>(de arte, ou de teatro), mas tamb\u00e9m <em>truque, fa\u00e7anha <\/em>ou at\u00e9 mesmo <em>acrobacia<\/em>, resulta da conjun\u00e7\u00e3o dos termos <em>Kunst <\/em>[arte] e <em>st\u00fcck <\/em>[pe\u00e7a, peda\u00e7o], e seus m\u00faltiplos significados poss\u00edveis podem ter sido propositadamente escolhidos pelo frankfurtiano para tratar do <em>segredo <\/em>das obras de arte, de seu <em>truque enigm\u00e1tico<\/em>. O fil\u00f3sofo cita logo ap\u00f3s essa passagem que, para Thomas Mann, a arte seria uma <em>farsa do mais alto n\u00edvel<\/em><sup data-fn=\"2a6a6495-2ec5-4f8f-a28d-c675502a04b9\" class=\"fn\"><a id=\"2a6a6495-2ec5-4f8f-a28d-c675502a04b9-link\" href=\"#2a6a6495-2ec5-4f8f-a28d-c675502a04b9\">2<\/a><\/sup>, trazendo assim uma interpreta\u00e7\u00e3o sobre como o <em>ato de circo <\/em>do equilibrista, na sua tentativa de vencer a gravidade, se torna o emblema do enigma da arte. Recusando a ideia de que a arte circense poderia estar em algum dos pares de uma \u2018ess\u00eancia origin\u00e1ria\u2019 da obra de arte; ou como representante de algum tipo de degenera\u00e7\u00e3o da \u2018arte elevada\u2019, tal segredo seria na realidade o que as obras entregam no seu fim, mesmo que em sil\u00eancio. Assim, o momento <em>ilus\u00f3rio <\/em>da obra de arte, seu car\u00e1ter <em>enigm\u00e1tico<\/em>, faz ver que ela n\u00e3o se constrange com elementos embelezados vistos de imediato, ou profundos de conte\u00fado que seriam apenas percebidos <em>a posteriori, <\/em>mas sim, no momento paradoxal de seu <em>tour de force<\/em>, conjecturados por Adorno na forma <em>monstruosa <\/em>de uma bailarina de circo sendo erguida por diversos elefantes de p\u00e9 apenas pelas patas traseiras<sup data-fn=\"69ec811f-0395-4b9e-a13f-21b03feaac19\" class=\"fn\"><a id=\"69ec811f-0395-4b9e-a13f-21b03feaac19-link\" href=\"#69ec811f-0395-4b9e-a13f-21b03feaac19\">3<\/a><\/sup>, alegoria basilar do <em>engano <\/em>encantador da arte \u2013 que n\u00e3o deixa de ser <em>escandaloso<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte desse <em>tour de force<\/em>, dessa <em>acrobacia circense <\/em>das obras de arte, est\u00e1 imbricado no trabalho cr\u00edtico de Jo\u00e3o Pedro Cachopo sobre Thomas Mann. Fica expl\u00edcito para o autor de <em>O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia <\/em>que o esfor\u00e7o contempor\u00e2neo do int\u00e9rprete de obras do passado, implica em um tensionamento da obra com o pr\u00f3prio presente. Ou seja: n\u00e3o somente n\u00f3s lemos as obras de arte, <em>elas <\/em>tamb\u00e9m nos leem. E, como todo bom int\u00e9rprete, a palavra final n\u00e3o cabe a ele pr\u00f3prio &#8211; e sim \u00e9 jogada para o pr\u00f3prio leitor e sua configura\u00e7\u00e3o, na imagem quase circense do <em>trampolim <\/em>que sai do passado ao presente:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O <em>Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, tal como imagino \u2013 mas caber\u00e1 ao leitor apropriar-se do livro como bem entender \u2013, assemelhe-se a um exerc\u00edcio proped\u00eautico: mergulhando numa obra publicada h\u00e1 cem anos, procurar nela um trampolim para se lan\u00e7ar no presente, o nosso presente, este presente de guerra iminente, radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e acelera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que nos envolve \u00e0 beira do segundo quartel do s\u00e9culo XXI.<sup data-fn=\"50cc0c45-867d-4288-81ed-92cc529f8a0f\" class=\"fn\"><a id=\"50cc0c45-867d-4288-81ed-92cc529f8a0f-link\" href=\"#50cc0c45-867d-4288-81ed-92cc529f8a0f\">4<\/a><\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Uma frase benjaminiana que ilustra os esfor\u00e7os de Cachopo \u00e9 aquela encontrada em sua <em>Rua de M\u00e3o \u00danica<\/em>: \u201cCr\u00edtica \u00e9 uma quest\u00e3o de correto distanciamento\u201d<sup data-fn=\"765b3c87-46e7-4b3f-8f3a-a9be4b1a902b\" class=\"fn\"><a id=\"765b3c87-46e7-4b3f-8f3a-a9be4b1a902b-link\" href=\"#765b3c87-46e7-4b3f-8f3a-a9be4b1a902b\">5<\/a><\/sup>. A \u201cboa dist\u00e2ncia\u201d \u00e9, para o nosso cr\u00edtico lusitano, n\u00e3o somente importante como valor de hip\u00f3tese, mas tamb\u00e9m como a orienta\u00e7\u00e3o da sua mais recente interpreta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. O teor <em>luckasiano <\/em>de <em>A alma e as Formas<\/em><sup data-fn=\"679e98ec-f1a8-4987-90f7-681c1ef14ae4\" class=\"fn\"><a id=\"679e98ec-f1a8-4987-90f7-681c1ef14ae4-link\" href=\"#679e98ec-f1a8-4987-90f7-681c1ef14ae4\">6<\/a><\/sup><em> <\/em>reaparece aqui tamb\u00e9m: achar o <em>destino <\/em>da <em>Montanha M\u00e1gica <\/em>de Mann, para o nosso presente, parece ser a tarefa fundamental de Cachopo com seu agregado ensa\u00edstico de sete cap\u00edtulos. Portanto, o <em>Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia <\/em>procura tanto <em>introduzir <\/em>Thomas Mann, sua vida, algumas de suas obras, e os problemas hist\u00f3ricos abrigado em suas formas, ao mesmo tempo que tamb\u00e9m busca <em>interpretar <\/em>a obra em quest\u00e3o para o nosso presente, apresentando os temas que ela disserta, sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica, e a confronta\u00e7\u00e3o de suas personagens com as assustadoras novidades tecnol\u00f3gicas do s\u00e9c. XX. Assim, enquanto a obra \u00e9 apresentada pelo cr\u00edtico, de forma aproximativa, seu destino se anuncia: que \u00e9 o nosso pr\u00f3prio tempo, pois assim como o de Thomas Mann, n\u00f3s tamb\u00e9m estamos cercados de \u201cinquieta\u00e7\u00f5es, decorrentes do espanto provocado pela emerg\u00eancia de certas tecnologias\u201d<sup data-fn=\"fb44a0bd-ea5c-4a33-bcbc-d16e44afa600\" class=\"fn\"><a id=\"fb44a0bd-ea5c-4a33-bcbc-d16e44afa600-link\" href=\"#fb44a0bd-ea5c-4a33-bcbc-d16e44afa600\">7<\/a><\/sup>. Por esse motivo, Cachopo contorna os extremos entre um \u201cmanual de leitura Baedeker<sup data-fn=\"59c50724-1844-4ab3-8eb6-59ea805c0304\" class=\"fn\"><a id=\"59c50724-1844-4ab3-8eb6-59ea805c0304-link\" href=\"#59c50724-1844-4ab3-8eb6-59ea805c0304\">8<\/a><\/sup>\u201d acad\u00eamico sobre a Montanha M\u00e1gica, ou de um livro \u201cpr\u00e1tico-pol\u00edtico\u201d para o presente, como se almejasse \u2018completar\u2019 a forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o conclu\u00edda de Castorp na milit\u00e2ncia pol\u00edtica dos dias correntes. Uma acrobacia nada f\u00e1cil de equilibrar<sup data-fn=\"764034c9-d271-4fc3-8e83-364ad1612e93\" class=\"fn\"><a id=\"764034c9-d271-4fc3-8e83-364ad1612e93-link\" href=\"#764034c9-d271-4fc3-8e83-364ad1612e93\">9<\/a><\/sup>, e \u00e9 s\u00f3 no seu <em>tour de force <\/em>que a for\u00e7a da interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 garantida.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Prima facie<\/em>, se parte do grosso de quase cem anos de recep\u00e7\u00e3o da obra de Mann est\u00e3o impregnados de an\u00e1lises aleg\u00f3ricas que perpassam entre a filosofia, a m\u00fasica, do tema da forma\u00e7\u00e3o [<em>bildung<\/em>] e mais recentemente da tecnologia, o livro de Cachopo n\u00e3o s\u00f3 se formaliza para al\u00e9m desses sentidos tradicionais de leitura da <em>Montanha M\u00e1gica <\/em>apenas por ele concluir com seu come\u00e7o \u2013 com a hip\u00f3tese da <em>boa dist\u00e2ncia<\/em>, que volta aporeticamente ao leitor \u2013; e muito menos por n\u00e3o entregar a cereja do bolo \u2013 o <em>motivo <\/em>da atualidade da obra \u2013 imediatamente para o leitor apressado. O estilo ensa\u00edstico de Cachopo permite que cada cap\u00edtulo n\u00e3o se renda a ser mera nota de rodap\u00e9 para coroar intepreta\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas novas sobre a obra centen\u00e1ria de Mann, e muito menos busca a \u2018solu\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil\u2019 de entregar a suposta atualidade da obra por uma mera analogia hist\u00f3rica do <em>per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o de crises.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um daqueles livros em que cada cap\u00edtulo pode ser bem avaliado tanto pelo <em>expert <\/em>da \u00e1rea de letras, quanto por um curioso que jamais lera literatura alem\u00e3, convidando-o para adentr\u00e1-la. Mesmo ciente que muito do esfor\u00e7o de seu livro ainda flutuem para a segunda dimens\u00e3o \u2013 reconhecendo que muitas das quest\u00f5es sobre a <em>Montanha M\u00e1gica <\/em>n\u00e3o necessariamente poder\u00e3o ser respondidas com ferro e fogo \u2013, trata-se de reconhecer que a obra de Thomas Mann <em>pode ser ainda mais lida <\/em>sob o contexto de hoje. Se traz assim um combinado de cita\u00e7\u00f5es e excertos da obra em quest\u00e3o, quanto tamb\u00e9m de coment\u00e1rios de especialistas e reflex\u00e3o presentificada, se entrela\u00e7ando de forma flu\u00edda \u2013 como num passe de m\u00e1gica. Entretanto, \u00e9 justamente na transi\u00e7\u00e3o do quarto para o quinto cap\u00edtulo do <em>Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, que encontramos um dos momentos mais importantes da interpreta\u00e7\u00e3o proposta pelo autor: do gesto de passar <em>do per\u00edodo da obra de Mann <\/em>para o <em>nosso tempo<\/em>, seguindo fielmente aquilo que Adorno dissera em seu \u201c<em>Retrato de Thomas Mann<\/em>\u201d: \u201cO teor de uma obra come\u00e7a onde a inten\u00e7\u00e3o de um autor termina\u201d<sup data-fn=\"1d21626d-2117-4f3e-863f-242c636b5bf0\" class=\"fn\"><a id=\"1d21626d-2117-4f3e-863f-242c636b5bf0-link\" href=\"#1d21626d-2117-4f3e-863f-242c636b5bf0\">10<\/a><\/sup>. Essa cita\u00e7\u00e3o \u00e9 trazida por Cachopo precisamente no <em>turning point <\/em>de seu livro \u2013 ou se preferir, na sua <em>descida da montanha<\/em>: do passado para o presente, a partir da recep\u00e7\u00e3o inquietante de Mann sobre a tecnologia no come\u00e7o do s\u00e9c. XX. Como um equilibrista, seu <em>Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia <\/em>pode n\u00e3o fornecer elementos pr\u00e1ticos imediatos nem an\u00e1lises est\u00e9ticas renovadas para futuros <em>papers<\/em>, mas \u00e9 no confronto com esses dois inimigos elegidos por Cachopo \u2013 o militante e o esteta \u2013 que quem sabe, pode-se trazer o elemento formal que Adorno implica nas obras de arte: da <em>acrobacia <\/em>circense de n\u00e3o entregar o segredo do ato sem ao menos dar ao destinat\u00e1rio o doce prazer do enigma.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">II.<\/h4>\n\n\n\n<p>Muitas edi\u00e7\u00f5es da Montanha M\u00e1gica, estampadas pelo <em>Homem no mar de Nev\u00f3as <\/em>de Caspar Frieridch \u2013 ironizadas por Cachopo em seu <em>Escand\u00e2lo da Dist\u00e2ncia<\/em><sup data-fn=\"8b6d731f-9ae2-4668-a3ac-8a942d080d33\" class=\"fn\"><a id=\"8b6d731f-9ae2-4668-a3ac-8a942d080d33-link\" href=\"#8b6d731f-9ae2-4668-a3ac-8a942d080d33\">11<\/a><\/sup> \u2014 s\u00e3o ao mesmo tempo ilustrativas e ilus\u00f3rias. <em>Ilustrativas<\/em>: pois falam sobre aquela velha possibilidade dos benef\u00edcios da dist\u00e2ncia do <em>solo social<\/em>, da <em>sujeira do mundo<\/em>, objetivadas no livro de Mann pela dist\u00e2ncia que o sanat\u00f3rio nos alpes su\u00ed\u00e7os fornece \u00e0s personagens. <em>Ilus\u00f3rias<\/em>: pois n\u00e3o se deve supor, como tradicionalmente ocorreu em determinadas interpreta\u00e7\u00f5es que relacionam o livro de Thomas Mann como <em>romance de forma\u00e7\u00e3o <\/em>[<em>Bildungsroman<\/em>], que tal dist\u00e2ncia na montanha \u00e9 necessariamente proveitosa ou ben\u00e9fica em algum sentido. Eis o motivo: a problem\u00e1tica de pensar os sete anos de Hans Castorp no sanat\u00f3rio como algum tipo de \u2018forma\u00e7\u00e3o\u2019 ou \u2018reconcilia\u00e7\u00e3o\u2019 \u00e9 no m\u00ednimo problematiz\u00e1vel, pois o personagem n\u00e3o retorna a plan\u00edcie por escolha pr\u00f3pria, mas a chamado do pr\u00f3prio esp\u00edrito objetivo de seu tempo: da guerra em si. A suposta forma\u00e7\u00e3o \u00e9, assim, inconclusa. Talvez, menos pela incompet\u00eancia de Castorp, mas talvez devido ao pr\u00f3prio tempo em que ele est\u00e1 inserido. Nesse sentido, a <em>Montanha M\u00e1gica <\/em>\u00e9 um excelente retrato de como as <em>causalidades da vida <\/em>e a <em>escolha individual do sujeito <\/em>s\u00e3o repensadas no contexto catastr\u00f3fico da 1\u00aa Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso Cachopo n\u00e3o declina da consagrada premissa de que o romance possui, de fato, algum teor filos\u00f3fico \u2013 conseguindo mais um motivo para propor o tradicional arranjo entre filosofia e literatura. A raz\u00e3o do arranjo, entretanto, est\u00e1 mais na forma que no conte\u00fado: no gesto <em>ir\u00f4nico<\/em>, <em>questionador <\/em>e <em>negativo <\/em>na execu\u00e7\u00e3o formal do romance de Mann. Em um per\u00edodo que a filosofia parece estar cada vez mais inadequada para determinados setores do presente, \u00e9 justamente a indaga\u00e7\u00e3o hesitante, <em>inconclusa <\/em>de Thomas Mann que a torna filos\u00f3fica para o nosso tempo. Mesmo que se encontre-a em conte\u00fado na <em>Montanha M\u00e1gica<\/em>, nas discuss\u00f5es fat\u00eddicas de Settembrini e Naphta, a ideia de <em>filosofia <\/em>na obra permanece assentada nos momentos em que ela pergunta, na perplexidade de sua narrativa, que enclausura em sua inconclus\u00e3o o momento hist\u00f3rico que determinada no\u00e7\u00e3o de progresso europeu <em>estava com os dias contados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A ironia de Mann com respeito \u00e0 for\u00e7a da dist\u00e2ncia resulta, portanto, em ambiguidade \u2013 tal qual o gesto da interpreta\u00e7\u00e3o de Cachopo: amar a montanha \u00e9 como amar ilusoriamente a dist\u00e2ncia daquele que paira aqu\u00e9m da sociedade. Acima de tudo, se na montanha se vislumbra algum tipo de belo natural, \u00e9 devido ao fato de que esse belo natural \u00e9 <em>a hist\u00f3ria suspensa, devir interrompido<\/em>, como nos lembra Adorno na sua <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em><sup data-fn=\"ac8f380b-da05-45e7-add2-cbe1e455aaf0\" class=\"fn\"><a id=\"ac8f380b-da05-45e7-add2-cbe1e455aaf0-link\" href=\"#ac8f380b-da05-45e7-add2-cbe1e455aaf0\">12<\/a><\/sup>. Algo permanece ainda nas linhas que Felipe Catalani traz sobre a <em>Montanha M\u00e1gica<\/em>: \u201cA magia da montanha m\u00e1gica \u00e9 a suspens\u00e3o dos acontecimentos, a repeti\u00e7\u00e3o como um feiti\u00e7o. A montanha \u00e9 m\u00e1gica, ou enfeiti\u00e7ada, de modo que seu tempo seja circular, um tempo n\u00e3o hist\u00f3rico, mas pr\u00f3ximo do tempo m\u00edtico, um tempo imensur\u00e1vel\u201d<sup data-fn=\"310fd525-1166-4743-a81e-e5c077309bd2\" class=\"fn\"><a id=\"310fd525-1166-4743-a81e-e5c077309bd2-link\" href=\"#310fd525-1166-4743-a81e-e5c077309bd2\">13<\/a><\/sup>. Estonteante, escandaloso, n\u00e3o se pode jamais deixar passar do fato de que se todo belo natural esconde algo de hist\u00f3rico, tamb\u00e9m n\u00e3o se pode esquecer que aquele que foge asceticamente da sociedade demonstra a insufici\u00eancia da pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o perante o chamado inescap\u00e1vel da 1\u00aa Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>No recurso narrativo da <em>Montanha M\u00e1gica<\/em>, que desconfia quase que passivamente de tudo \u00e0 sua volta, retra\u00e7ou-se o imbricamento de dilata\u00e7\u00e3o entre a experi\u00eancia do personagem e o conte\u00fado do romance<sup data-fn=\"d53ae3b1-d241-4c06-8df5-f539cd55de4e\" class=\"fn\"><a id=\"d53ae3b1-d241-4c06-8df5-f539cd55de4e-link\" href=\"#d53ae3b1-d241-4c06-8df5-f539cd55de4e\">14<\/a><\/sup>. Por isso, Cachopo afirma: \u00e9 necess\u00e1rio <em>descer da Montanha<\/em>, e achar a <em>boa dist\u00e2ncia<\/em>. Trata-se de uma posi\u00e7\u00e3o sem contempla\u00e7\u00e3o, longe do esteta, mas tamb\u00e9m do militante, talvez at\u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o <em>negativa<\/em>: antes de praticar a mudan\u00e7a, deve-se reconhecer a hora certa de tomar a posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Ainda sobre a ironia de Thomas Mann n\u2019<em>A Montanha M\u00e1gica<\/em>, Luciano Gatti<sup data-fn=\"5c043a76-25bb-4575-bb69-f3a61098d595\" class=\"fn\"><a id=\"5c043a76-25bb-4575-bb69-f3a61098d595-link\" href=\"#5c043a76-25bb-4575-bb69-f3a61098d595\">15<\/a><\/sup> recorda que esse recurso liter\u00e1rio \u00e9 amb\u00edguo na obra em quest\u00e3o, <em>cambaleante<\/em>, sendo historicamente recepcionado de formas diversas em sua obra \u2013 tanto como elogio \u00e0 quebra da forma, no caso de Adorno, ou pela cr\u00edtica severa do recurso da ironia, como <em>fuga do processo hist\u00f3rico<\/em>, visto em Heiner M\u00fcller. Ao olharmos os momentos em que Cachopo se posiciona<sup data-fn=\"0b4a149b-35db-4a35-a371-175567864c8f\" class=\"fn\"><a id=\"0b4a149b-35db-4a35-a371-175567864c8f-link\" href=\"#0b4a149b-35db-4a35-a371-175567864c8f\">16<\/a><\/sup> diante da ironia da obra em si, ela se torna reveladora da <em>indecis\u00e3o <\/em>do pr\u00f3prio personagem \u2013 para n\u00e3o dizer que \u00e9 tamb\u00e9m do pr\u00f3prio Mann, personagem principal do <em>Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em><sup data-fn=\"4745d3dc-a89c-4582-9421-a2aa954e0b40\" class=\"fn\"><a id=\"4745d3dc-a89c-4582-9421-a2aa954e0b40-link\" href=\"#4745d3dc-a89c-4582-9421-a2aa954e0b40\">17<\/a><\/sup><em>. <\/em>Nesse sentido, a <em>mudan\u00e7a radical <\/em>que ocorre no escritor Thomas Mann nos doze anos que correm a elabora\u00e7\u00e3o de sua obra, se refletem nas suas mudan\u00e7as de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, e na incerteza de que aqueles tantos personagens que pairam sobre os alpes su\u00ed\u00e7os podem, de fato, trazer alguma solu\u00e7\u00e3o perante a tor\u00e7\u00e3o dos sentidos que ele vislumbrou em sua \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>O segredo da atualidade da obra, e da sua mordaz ironia, est\u00e1 para Cachopo no tensionamento sobre o problema da <em>tecnologia <\/em>no livro de Thomas Mann. Sendo tal segredo uma continua\u00e7\u00e3o direta das reflex\u00f5es de seu <em>Tor\u00e7\u00e3o dos Sentidos <\/em>de 2020 \u2013 que em dada medida j\u00e1 tratava da <em>dist\u00e2ncia dissonante <\/em>ocasionado pelo isolamento social, tecnologicamente mediado, promovido pela pandemia do Covid-19 \u2013, seus escritos sobre o per\u00edodo pand\u00eamico t\u00eam como um de seus maiores trunfos n\u00e3o somente a <em>recusa <\/em>da posi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica de que a pandemia era o <em>acontecimento<\/em>, como Zizek desejou \u2013 fazendo a hist\u00f3ria ficar ao seu lado \u2013 mas tamb\u00e9m por j\u00e1 se ensejar nela a busca da <em>boa dist\u00e2ncia<\/em><sup data-fn=\"0d4a987f-8faf-4338-a343-b0497b6fa4b3\" class=\"fn\"><a id=\"0d4a987f-8faf-4338-a343-b0497b6fa4b3-link\" href=\"#0d4a987f-8faf-4338-a343-b0497b6fa4b3\">18<\/a><\/sup>, no espec\u00edfico caso do <em>amor nos tempos de isolamento social<\/em>. Mas, acima de tudo, Cachopo defendeu tamb\u00e9m a possibilidade da filosofia em tempos de Pandemia. A aposta, feita cinco anos atr\u00e1s, da for\u00e7a <em>distanciada <\/em>da filosofia no mundo pand\u00eamico, ressurge dobrada aqui, no ceticismo de Thomas Mann sobre os avan\u00e7os incessantes da ci\u00eancia de seu tempo: a aus\u00eancia de respostas de seu romance, que bem poderiam ser conjecturadas como <em>quietistas<\/em>, surgem como solu\u00e7\u00f5es para um tempo de extremismo pol\u00edtico, avan\u00e7o tecnol\u00f3gico incessante e crise social, tens\u00f5es que parecem jogar nossas respostas prontas para elas diretamente na lata do lixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, \u00e9 na d\u00favida apor\u00e9tica de Mann, acolhida por Cachopo, que se encontra precisamente o tensionamento <em>quasi<\/em>-musical que fomenta as possibilidades de a \u201cboa dist\u00e2ncia\u201d serem frut\u00edferas. As qualidades <em>ambivalentes <\/em>e <em>experimentais <\/em>do equilibrista Thomas Mann permanecem, nesse sentido, fundamentais para <em>O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, at\u00e9 mesmo no poderoso argumento da atualidade d\u2019<em>A Montanha M\u00e1gica<\/em>, centrado na sua recep\u00e7\u00e3o impactante da <em>tor\u00e7\u00e3o dos sentidos <\/em>que a fotografia, o gramafone e a radiografia trazem ao sujeito<sup data-fn=\"0e1b5435-c255-45da-b30a-67ff4d31705b\" class=\"fn\"><a id=\"0e1b5435-c255-45da-b30a-67ff4d31705b-link\" href=\"#0e1b5435-c255-45da-b30a-67ff4d31705b\">19<\/a><\/sup> do in\u00edcio do s\u00e9c. XX:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00c9 assim, de forma <em>experimental <\/em>e <em>ambivalente, <\/em>que <em>A Montanha M\u00e1gica <\/em>acolhe a tecnologia. Resiste-lhe e abra\u00e7a-a; abra\u00e7a-a e resiste-lhe. Encarnando o entusiasta <em>e <\/em>o c\u00e9ptico, o narrador \u2013 demasiado s\u00f3brio para cantar loas aos prod\u00edgios do progresso inexor\u00e1vel, demasiado audaz para se esconder na poeira de arquivos e bibliotecas \u2013 esquiva-se de ambos.<sup data-fn=\"276a3be3-6cee-4a3a-87a0-48d0454eb92c\" class=\"fn\"><a id=\"276a3be3-6cee-4a3a-87a0-48d0454eb92c-link\" href=\"#276a3be3-6cee-4a3a-87a0-48d0454eb92c\">20<\/a><\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Melhor exemplo daquela <em>liberdade Rastelliana<\/em><sup data-fn=\"aa5f8615-cea5-4258-be1a-29d3d02d23bd\" class=\"fn\"><a id=\"aa5f8615-cea5-4258-be1a-29d3d02d23bd-link\" href=\"#aa5f8615-cea5-4258-be1a-29d3d02d23bd\">21<\/a><\/sup> que tal esquiva experimental da tecnologia implica, talvez n\u00e3o haja. Assim como Thomas Mann n\u00e3o era ele mesmo um entusiasta da morte em si, mas sim tratava-a de <em>mant\u00ea-la e bani-la ao mesmo tempo <\/em>como elemento de sua pessoa e de seus trabalhos, talvez a recomenda\u00e7\u00e3o de <em>boa<\/em> <em>dist\u00e2ncia <\/em>na obra de Mann seja um atestado de formalizar o gesto est\u00e9tico como gesto filos\u00f3fico. Nesse sentido, a <em>boa dist\u00e2ncia <\/em>de Cachopo n\u00e3o \u00e9 sequer compar\u00e1vel ao \u201cmeio termo\u201d aristot\u00e9lico: talvez, ela se equivalha ao <em>encolhimento da dist\u00e2ncia<\/em>, afastamento de uma lonjura contemplativa que n\u00e3o cabe num presente catastr\u00f3fico.<\/p>\n\n\n\n<p>Da uni\u00e3o t\u00e3o desejada entre arte e vida, personificada no malabarista que nada precisa justificar-se sobre suas piruetas perante o p\u00fablico, ilustra-se o procedimento para encarar as idas e vindas de entusiasmos, frustra\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as de um per\u00edodo hist\u00f3rico sem regras previamente dadas para o atravessar: de forma absolutamente concentrada e tenaz, mas, ao mesmo tempo, <em>enigm\u00e1tica<\/em>. \u00c9 na preserva\u00e7\u00e3o deste enigma que os esfor\u00e7os da dist\u00e2ncia filosoficamente orientada de Cachopo juram prestar contas ao presente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">III.<\/h4>\n\n\n\n<p>A tese do <em>Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, na sua defesa da boa dist\u00e2ncia, pode ser vista como algum tipo de \u201ctemperan\u00e7a\u201d em rela\u00e7\u00e3o aos problemas sociais que enfrentamos no s\u00e9c. XXI, ou mesmo como \u201cfuga do processo hist\u00f3rico\u201d, ou at\u00e9 como \u201caus\u00eancia de tomada de posi\u00e7\u00e3o\u201d. Mas o segredo de tal postura se encontra precisamente na for\u00e7a do equilibrista, que sabe muito bem da impossibilidade de vencer a gravidade em termos convencionais. Tal qual o amor na <em>Tor\u00e7\u00e3o dos Sentidos<\/em>, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma f\u00f3rmula <em>apriori <\/em>capaz de resolver a media\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos nossos tempos. Ficar enfurnado na biblioteca ou cantar os louros da vit\u00f3ria do progresso s\u00e3o falsas alternativas. Na d\u00favida apor\u00e9tica, na ironia mordaz, h\u00e1 a possibilidade de contornar o convencionalismo de achar nos manuais alguma alternativa para o problema, e se possibilita uma reflex\u00e3o que se posiciona com suspeita sobre o seu pr\u00f3prio tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 gratuito que uma das obras mais autobiogr\u00e1ficas de Thomas Mann seja chamada <em>O Palha\u00e7o<\/em>. E nem um pouco que seu apelido nos ciclos familiares mais \u00edntimos era de \u201c<em>O m\u00e1gico<\/em>\u201d. E no pr\u00f3prio t\u00edtulo do livro: <em>Zauberberg<\/em>, onde <em>zauber <\/em>impl\u00edcita n\u00e3o apenas \u2018magia\u2019, mas tamb\u00e9m <em>encantamento<\/em>, <em>feiti\u00e7o<\/em>. Parte do retrato de Adorno sobre Mann revela a ambiguidade de car\u00e1ter que \u201cO m\u00e1gico\u201d em si trazia, com uma proximidade \u00edmpar: n\u00e3o lhe faria justi\u00e7a reconhec\u00ea-lo como um \u201cdecadente\u201d como os manuais incitavam, e muito menos como algu\u00e9m cercado de vaidade. Mann estava \u201c\u00e0 servi\u00e7o da ilus\u00e3o\u201d. Ora seus olhos eram azuis ou cinza- azulados, ora eram escuros e brasileiros. Vivia-se cambaleando entre extremos. Um mestre cheio de truques. Entretanto, o ponto de Adorno mais especial em seu retrato \u00e9 de afast\u00e1-lo do amor \u00e0 morte e da decad\u00eancia \u2013 chegando at\u00e9 mesmo a afast\u00e1-lo de Wagner. O frankfurtiano pinta Thomas Mann quase como um nietzscheano brincante, um <em>Pierrot <\/em>ca\u00e7oador que oscila entre extremos, sem necessariamente cham\u00e1-lo dessa forma. Nos termos de Foucault sobre Nietzsche \u2013 que tamb\u00e9m se aplicam para Marx e Freud \u2013, um mestre da suspeita.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o pr\u00f3prio termo \u201ccrise\u201d se torna caduco perante seu estatuto quase que perp\u00e9tuo nos dias que correm, nada mais justo que um livro dos entreguerras para explicitar nosso momento no rel\u00f3gio do mundo, de nossa atual \u201cfesta universal da morte\u201d. Afinal, a pr\u00f3pria <em>Montanha M\u00e1gica <\/em>termina com esse chamado. Mas Cachopo n\u00e3o pretende ser catastr\u00f3fico, pelo contr\u00e1rio: o que ele chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o de um autor que escreveu em prol do belicismo em 1914 com seu \u201cPensamentos na guerra\u201d, para logo depois <em>se arrepender <\/em>ao ver os horrores da guerra em 1919, e se tornar posteriormente uma das vozes mais oposicionistas ao Fascismo anos depois. Para esse autor mudar de posi\u00e7\u00e3o, aos olhos de Cachopo, foi necess\u00e1rio a d\u00favida, o distanciamento, e a possibilidade de rever seu lugar, tornando-as assim n\u00e3o somente caracter\u00edsticas de Castorp e Mann, mas de uma posi\u00e7\u00e3o renovada de filosofia \u2013 valorizada pela met\u00e1fora da descida da montanha \u2013, renova\u00e7\u00e3o essa que \u00e9 essencial no nosso momento de tens\u00e3o social que estamos imersos.<\/p>\n\n\n\n<p>E isso nos remete, novamente, ao <em>Tor\u00e7\u00e3o dos Sentidos <\/em>de nosso cr\u00edtico portugu\u00eas. O diagn\u00f3stico de que a pandemia modificou nossa sensibilidade em termos <em>profundos <\/em>avan\u00e7ou de forma preponderante \u2013 e parece cada vez mais claro que n\u00e3o calculamos propriamente os danos deste acontecimento. Com o tensionamento extremista na pol\u00edtica que s\u00f3 se <em>estendeu <\/em>ap\u00f3s o per\u00edodo pand\u00eamico, como se posicionar diante dessa tend\u00eancia explosiva? Para Cachopo, achar a boa dist\u00e2ncia ap\u00f3s a cat\u00e1strofe, como ele escreveu no seu livro de 2020 sobre a pandemia, permite achar um freio de m\u00e3o num mundo em que o <em>medo <\/em>\u00e9 regra:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Importa esquivar-se do medo. E n\u00e3o ceder \u00e0 chantagem, que \u00e9 a do medo, de que em tempos de amea\u00e7a \u2013 em tempos de emerg\u00eancia e cat\u00e1strofe \u2013 n\u00e3o h\u00e1 tempo para pensar. Tamb\u00e9m a\u00ed reside um perigo. E talvez esse seja o maior perigo: ignorar ou esquecer que a vontade de certeza e de seguran\u00e7a a qualquer pre\u00e7o conduz \u00e0 hipoteca do pensamento e \u00e0 ren\u00fancia a uma vida digna de ser vivida.<sup data-fn=\"66308ca3-bd6c-4907-be73-1b004d8aef89\" class=\"fn\"><a id=\"66308ca3-bd6c-4907-be73-1b004d8aef89-link\" href=\"#66308ca3-bd6c-4907-be73-1b004d8aef89\">22<\/a><\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esquivar do medo \u2013 e aqui, podemos transcrever no presente, do <em>medo da tecnologia \u2013 <\/em>\u00e9 esquivar-se, com a liberdade <em>rastelliana <\/em>de equilibrista, da tenta\u00e7\u00e3o de que <em>est\u00e1 tudo acabado<\/em>. Sim, os pressupostos est\u00e3o escassos, o medo toma conta, mas <em>ainda h\u00e1 de se viver<\/em>. Nesse sentido, aquela velha no\u00e7\u00e3o de \u201cfilosofia filosofante\u201d, de uma filosofia que paira sob o ar com seus pensamentos em cima da montanha, cai por terra:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A filosofia distancia-se. Contudo, este distanciamento n\u00e3o \u00e9 nem espera no tempo nem recua no espa\u00e7o. N\u00e3o \u00e9 prud\u00eancia. \u00c9 busca do melhor \u00e2ngulo na concomit\u00e2ncia e na coincid\u00eancia com o perigo. A filosofia existe como se o medo n\u00e3o pudesse tanto. Eis o <strong>esc\u00e2ndalo<\/strong>: <strong>distancia-se, com as suas perguntas, suspeitas e hip\u00f3teses, como se ainda houvesse tempo para pensar<\/strong><sup data-fn=\"882b38c7-6ec8-432c-9e28-e00718eaf33b\" class=\"fn\"><a id=\"882b38c7-6ec8-432c-9e28-e00718eaf33b-link\" href=\"#882b38c7-6ec8-432c-9e28-e00718eaf33b\">23<\/a><\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Filosofia, nesse espec\u00edfico sentido que Cachopo procura em seu livro de 2020, \u00e9 executada em 2024 na sua an\u00e1lise sobre a obra liter\u00e1ria de Thomas Mann. A boa dist\u00e2ncia que esta no\u00e7\u00e3o impl\u00edcita \u00e9 de <em>rever o que est\u00e1 tacitamente aceito no jogo<\/em>. \u00c9 pensar de maneira oposta ao seu tempo. \u201cRecuar\u201d para a literatura, nesse s\u00fatil gesto, \u00e9 menos um desvio intelectualizante, e mais uma descida da montanha, da posi\u00e7\u00e3o filosoficamente tradicional e confort\u00e1vel de planar \u201cdois mil metros acima dos homens\u201d como Nietzsche afirmou sob <em>Sils Maria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Estamos <em>cegos de proximidade<\/em>. Estamos encurralados e de frente para o abismo. N\u00e3o h\u00e1 volta para tr\u00e1s na tend\u00eancia nefasta que nossas sociedades nos levaram. Mas \u201cresistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de desist\u00eancia\u201d, de achar um lugar correto para poder se refletir sobre ela, pode espraiar uma promessa. No fim da <em>Montanha M\u00e1gica <\/em>de Thomas Mann, a promessa n\u00e3o \u00e9 dada gratuitamente, ela \u00e9 posta \u2013 como o romance e seu narrador sempre implicaram durante a obra \u2013 como uma quest\u00e3o girada para o leitor. \u201c<em>Ser\u00e1 que tamb\u00e9m da festa universal da morte, da perniciosa febre que ao nosso redor inflama o c\u00e9u desta noite chuvosa, surgir\u00e1 um dia o amor?<\/em>\u201d. \u00c9 curioso que, para Cachopo, o termo da \u201cboa dist\u00e2ncia\u201d na \u00e9poca da pandemia estava justamente atrelado <em>ao amor<\/em>. O jogo de equilibrista volta mais uma vez, s\u00f3 que naquele momento, Cachopo procurava uma <em>reinven\u00e7\u00e3o <\/em>no campo do amor, e da coabita\u00e7\u00e3o for\u00e7ada pela pandemia, com a sua caracter\u00edstica escrita <em>cambaleante<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Ora juntos (lado a lado, frente a frente ou enla\u00e7ados) ora afastados (separados por paredes, ruas ou fronteiras) os amantes procuram sempre a <strong>boa dist\u00e2ncia<\/strong>: a dist\u00e2ncia que \u00e9 vertigem antes de ser equil\u00edbrio, a dist\u00e2ncia que \u00e9 atrito antes de ser compatibilidade, a dist\u00e2ncia que \u00e9 perigo antes de ser conforto. Esta arte da boa dist\u00e2ncia que \u00e9 o amor, podendo e querendo libertar-se do senso comum e do bom senso, jamais se confunde com a boa gest\u00e3o conjugal.<sup data-fn=\"c4cb969c-f4c0-4de1-9c35-1eff8b3b7c16\" class=\"fn\"><a id=\"c4cb969c-f4c0-4de1-9c35-1eff8b3b7c16-link\" href=\"#c4cb969c-f4c0-4de1-9c35-1eff8b3b7c16\">24<\/a><\/sup><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se a pandemia poderia \u201cmostrar que o amor \u00e9 uma arte da aproxima\u00e7\u00e3o e do distanciamento\u201d, a procura do amor que est\u00e1 implicada no fim do romance de Thomas Mann se completa, finalmente: com a <em>boa dist\u00e2ncia<\/em>. De fato, para Mann e Cachopo, tal amor \u00e9 o momento em que, ao menos alegoricamente, poder\u00edamos manter viva uma salva\u00e7\u00e3o, <em>mesmo na cruzada com a morte<\/em>, como o cap\u00edtulo \u201cNeve\u201d da <em>Montanha M\u00e1gica <\/em>revela. \u00c9 nessa \u201cpromessa de amor\u201d \u2013 como ir\u00e1 afirmar Cachopo em seu <em>Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia <\/em>\u2013, enigm\u00e1tica como o pr\u00f3prio ser humano \u2013 como ir\u00e1 afirmar Thomas Mann na confer\u00eancia de Princeton de 1939 \u2013 que reside algo que possibilita, pela <em>boa dist\u00e2ncia<\/em>, entre o sonho e a cat\u00e1strofe, uma via de sa\u00edda. Para alcan\u00e7\u00e1-la, entretanto, n\u00e3o se pode simplesmente amar, e \u201ctudo se resolve\u201d. O truque n\u00e3o funciona assim. Deve-se <em>duvidar das respostas previamente dadas <\/em>e <em>descer da montanha<\/em>. Mas n\u00e3o s\u00f3: achar a <em>boa dist\u00e2ncia <\/em>\u00e9 o segredo da promessa. Portanto, em ambos os casos, para poder realizar a promessa, deve-se dar um passo para tr\u00e1s, e retra\u00e7ar a rota. Sair da plenitude da montanha \u00e9 reconhecer as <em>vantagens e desvantagens da <\/em>dist\u00e2ncia. H\u00e1 de se descer dela e achar uma boa posi\u00e7\u00e3o em tempos de cat\u00e1strofe. A montanha oferece vantagens, mas \u00e9 ilus\u00f3ria em sua suspens\u00e3o do tempo. <em>Quebrar <\/em>a doce ilus\u00e3o da montanha, \u00e9 parte do segredo da farsa de mais alto n\u00edvel de Thomas Mann. De certa forma, o que Mann e Cachopo poderiam pedir, se n\u00e3o for insolente retra\u00e7ar Adorno <em>apenas mais uma vez<\/em>, seria algo como o mote <em>stendhaliano <\/em>da \u201cPromessa de Felicidade\u201d v\u00e1rias vezes alocado na <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em>, s\u00f3 que em uma varia\u00e7\u00e3o peculiar: <em>deve-se quebrar a promessa para mant\u00ea-la viva<\/em><sup data-fn=\"05d0088e-cc69-4726-9231-794f6bab85b8\" class=\"fn\"><a id=\"05d0088e-cc69-4726-9231-794f6bab85b8-link\" href=\"#05d0088e-cc69-4726-9231-794f6bab85b8\">25<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-61ecc280 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"padding-top:2.5rem;padding-right:2.5rem;padding-bottom:2.5rem;padding-left:2.5rem\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-dominant-color=\"a59388\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #a59388;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"298\" height=\"300\" sizes=\"auto, (max-width: 298px) 100vw, 298px\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG-20250120-WA0030-298x300-1.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-4418 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG-20250120-WA0030-298x300-1.avif 298w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG-20250120-WA0030-298x300-1-150x150.avif 150w\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:75%\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Victor Hugo Amaro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-9-color has-theme-palette-1-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-ca14a41a97dfa5f9dde1fd8b447aeac5\">Graduado em Filosofia pela UFPA e mestre em Filosofia pela mesma institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 doutorando em Filosofia pela UFPE. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Teoria Cr\u00edtica, com \u00eanfase em est\u00e9tica, filosofia da psican\u00e1lise e cr\u00edtica cultural em Theodor W. Adorno.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?s=victor+amaro<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"ddc56c06-9604-40eb-9e36-b129e1c150ca\">ADORNO, T. <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em>. Edi\u00e7\u00f5es 70, 2008, p.281. <a href=\"#ddc56c06-9604-40eb-9e36-b129e1c150ca-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"2a6a6495-2ec5-4f8f-a28d-c675502a04b9\">Cf. o coment\u00e1rio de Katarzyna Trzeciak: <a href=\"https:\/\/www.goethe.de\/prj\/hum\/pt\/dos\/man\/26547003.html\">https:\/\/www.goethe.de\/prj\/hum\/pt\/dos\/man\/26547003.html<\/a> <a href=\"#2a6a6495-2ec5-4f8f-a28d-c675502a04b9-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"69ec811f-0395-4b9e-a13f-21b03feaac19\">ADORNO, T. <em>Ibid<\/em>, p. 435. <a href=\"#69ec811f-0395-4b9e-a13f-21b03feaac19-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"50cc0c45-867d-4288-81ed-92cc529f8a0f\">CACHOPO, J. P. <em>O esc\u00e2ndalo da dist\u00e2ncia<\/em>, 2024, p.19. <a href=\"#50cc0c45-867d-4288-81ed-92cc529f8a0f-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"765b3c87-46e7-4b3f-8f3a-a9be4b1a902b\">BENJAMIN, W. <em>Rua de M\u00e3o \u00danica <\/em>in: Obras Escolhidas II, Editora Brasiliense, 1987, p.57 <a href=\"#765b3c87-46e7-4b3f-8f3a-a9be4b1a902b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"679e98ec-f1a8-4987-90f7-681c1ef14ae4\">\u201cO cr\u00edtico \u00e9 aquele que enxerga o destino nas formas, aquele cuja viv\u00eancia mais forte \u00e9 o conte\u00fado an\u00edmico que as formas indireta e inconscientemente abrigam em si mesmas. A forma \u00e9 sua grande viv\u00eancia, como realidade imediata, \u00e9 o aspecto pict\u00f3rico, o que h\u00e1 de realmente vivo em seus escritos.\u201d <a href=\"#679e98ec-f1a8-4987-90f7-681c1ef14ae4-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 6 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"fb44a0bd-ea5c-4a33-bcbc-d16e44afa600\">CACHOPO, J. <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, Tinta de China, 2024, p.159. <a href=\"#fb44a0bd-ea5c-4a33-bcbc-d16e44afa600-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 7 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"59c50724-1844-4ab3-8eb6-59ea805c0304\">O livro <em>A Baedeker Of Decadence <\/em>de Georg Schoolfield, foi um dos trabalhos do estilo \u201cmanual de leitura\u201d que Adorno faz tro\u00e7a em seu <em>Retrato de Thomas Mann <\/em>ao falar das interpreta\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas simplistas das obras liter\u00e1rias do seu amigo. O termo \u201cBaedeker\u201d, referente aos manuais de viagem europeus escritos por Karl Baedeker no s\u00e9c. XIX, d\u00e1 ind\u00edcio de um livro que deseja \u201censinar\u201d a conhecer um lugar \u2013 ou uma obra liter\u00e1ria \u2013 ao inv\u00e9s de confiar ao leitor ou ao viajante, a capacidade de <em>interpret\u00e1-la<\/em>. <a href=\"#59c50724-1844-4ab3-8eb6-59ea805c0304-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 8 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"764034c9-d271-4fc3-8e83-364ad1612e93\">\u201cAs obras que s\u00e3o planeadas como <em>tour de force<\/em>, como ato equilibrista, revelam algo de superior a toda a arte: a realiza\u00e7\u00e3o do imposs\u00edvel.\u201d. in: Adorno, T. <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es 70, 2008, p.165. <a href=\"#764034c9-d271-4fc3-8e83-364ad1612e93-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 9 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"1d21626d-2117-4f3e-863f-242c636b5bf0\">ADORNO, T. <em>Zu einem Portr\u00e4t Thomas Mann<\/em>. In: <em>Noten zu Literatur III<\/em>, Surkhamp Verlag, 1980, p.20. <a href=\"#1d21626d-2117-4f3e-863f-242c636b5bf0-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 10 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"8b6d731f-9ae2-4668-a3ac-8a942d080d33\">CACHOPO, J. <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia, <\/em>2024, Tinta de China, p.40. <a href=\"#8b6d731f-9ae2-4668-a3ac-8a942d080d33-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 11 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"ac8f380b-da05-45e7-add2-cbe1e455aaf0\">ADORNO, T. <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es 70, 2008, p.165. <a href=\"#ac8f380b-da05-45e7-add2-cbe1e455aaf0-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 12 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"310fd525-1166-4743-a81e-e5c077309bd2\">CATALANI, F. Louvor e crise da transitoriedade: Sobre A montanha m\u00e1gica de Thomas Mann. In: <em>Revista\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cisma<\/em>.\u00a0\u00a0 Segundo\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Semestre\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2014.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 P.70.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dispon\u00edvel\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 em: <a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/10909985\/Louvor_e_crise_da_transitoriedade_sobre_A_Montanha_M%C3%A1gica_de_Thomas_Mann\">https:\/\/www.academia.edu\/10909985\/Louvor_e_crise_da_transitoriedade_sobre_A_Montanha_M%C3%<\/a> <a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/10909985\/Louvor_e_crise_da_transitoriedade_sobre_A_Montanha_M%C3%A1gica_de_Thomas_Mann\">A1gica_de_Thomas_Mann<\/a> <a href=\"#310fd525-1166-4743-a81e-e5c077309bd2-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 13 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d53ae3b1-d241-4c06-8df5-f539cd55de4e\">CACHOPO, J. <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, Tinta de China, 2024, p.138. <a href=\"#d53ae3b1-d241-4c06-8df5-f539cd55de4e-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 14 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5c043a76-25bb-4575-bb69-f3a61098d595\">GATTI, L. \u201cA montanha m\u00e1gica como romance de forma\u00e7\u00e3o\u201d. In: Viso: Cadernos de est\u00e9tica aplicada, v. VIII, n. 15 (jan-dez\/2014), pp. 112-120. DOI: 10.22409\/1981-4062\/v15i\/178 <a href=\"#5c043a76-25bb-4575-bb69-f3a61098d595-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 15 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"0b4a149b-35db-4a35-a371-175567864c8f\">CACHOPO, J, <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, Tinta de China, 2024, p.102-103 <a href=\"#0b4a149b-35db-4a35-a371-175567864c8f-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 16 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"4745d3dc-a89c-4582-9421-a2aa954e0b40\">CACHOPO, J, <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, Tinta de China, 2024, p.41. <a href=\"#4745d3dc-a89c-4582-9421-a2aa954e0b40-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 17 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"0d4a987f-8faf-4338-a343-b0497b6fa4b3\">\u201cA pandemia, nesse sentido, recorda-nos que o amor \u00e9 uma arte da boa dist\u00e2ncia. Mas permite-nos tamb\u00e9m constatar \u2013 \u00e9 o que gostaria de sugerir \u2013 que as regras de uma tal arte n\u00e3o est\u00e3o definidas a priori.\u201d CACHOPO, J. <em>A Tors\u00e3o dos Sentidos: Pandemia e Remedia\u00e7\u00e3o digital<\/em>, Editora Elefante, 2021, p.94. <a href=\"#0d4a987f-8faf-4338-a343-b0497b6fa4b3-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 18 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"0e1b5435-c255-45da-b30a-67ff4d31705b\">CACHOPO, J. <em>O esc\u00e2ndalo da dist\u00e2ncia<\/em>, 2024, p.129. <a href=\"#0e1b5435-c255-45da-b30a-67ff4d31705b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 19 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"276a3be3-6cee-4a3a-87a0-48d0454eb92c\">CACHOPO, J. <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, Tinta de China, 2024, p.130. <a href=\"#276a3be3-6cee-4a3a-87a0-48d0454eb92c-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 20 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"aa5f8615-cea5-4258-be1a-29d3d02d23bd\">ADORNO, T. <em>Zu einem Portr\u00e4t Thomas Manns<\/em>, in: <em>Noten zur Literatur III<\/em>, Surkhamp, 1980 p.28-29. Adorno aqui est\u00e1 se referindo \u00e0 Enrico Rastelli, malabarista e artista circense italiano, que virou emblema da liberdade de Thomas Mann ao ca\u00e7oar da morte nos seus \u00faltimos momentos em vida. <a href=\"#aa5f8615-cea5-4258-be1a-29d3d02d23bd-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 21 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"66308ca3-bd6c-4907-be73-1b004d8aef89\">CACHOPO, J. <em>Tors\u00e3o dos Sentidos: Pandemia e Remedia\u00e7\u00e3o digital<\/em>, Editora Elefante, 2021, p.38. <a href=\"#66308ca3-bd6c-4907-be73-1b004d8aef89-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 22 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"882b38c7-6ec8-432c-9e28-e00718eaf33b\">CACHOPO, J. <em>Tors\u00e3o dos Sentidos: Pandemia e Remedia\u00e7\u00e3o digital<\/em>, Editora Elefante, 2021, ibid. <a href=\"#882b38c7-6ec8-432c-9e28-e00718eaf33b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 23 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c4cb969c-f4c0-4de1-9c35-1eff8b3b7c16\">CACHOPO, J. <em>A Tors\u00e3o dos Sentidos: Pandemia e Remedia\u00e7\u00e3o digital<\/em>, Editora Elefante, 2021, p.95. <a href=\"#c4cb969c-f4c0-4de1-9c35-1eff8b3b7c16-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 24 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"05d0088e-cc69-4726-9231-794f6bab85b8\">ADORNO, T. <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em>. Edi\u00e7\u00f5es 70, 2008., p. 472 <a href=\"#05d0088e-cc69-4726-9231-794f6bab85b8-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 25 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I. Theodor Adorno, em uma das passagens que cita a obra de Thomas Mann em sua Teoria Est\u00e9tica, designa por K\u00fcnstst\u00fcck como um dos segredos da obra de arte1. O termo, que pode tanto significar simploriamente pe\u00e7a (de arte, ou de teatro), mas tamb\u00e9m truque, fa\u00e7anha ou at\u00e9 mesmo acrobacia, resulta da conjun\u00e7\u00e3o dos termos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_kadence_starter_templates_imported_post":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":"[{\"content\":\"ADORNO, T. <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em>. Edi\u00e7\u00f5es 70, 2008, p.281.\",\"id\":\"ddc56c06-9604-40eb-9e36-b129e1c150ca\"},{\"content\":\"Cf. o coment\u00e1rio de Katarzyna Trzeciak: <a href=\\\"https:\/\/www.goethe.de\/prj\/hum\/pt\/dos\/man\/26547003.html\\\">https:\/\/www.goethe.de\/prj\/hum\/pt\/dos\/man\/26547003.html<\/a>\",\"id\":\"2a6a6495-2ec5-4f8f-a28d-c675502a04b9\"},{\"content\":\"ADORNO, T. <em>Ibid<\/em>, p. 435.\",\"id\":\"69ec811f-0395-4b9e-a13f-21b03feaac19\"},{\"content\":\"CACHOPO, J. P. <em>O esc\u00e2ndalo da dist\u00e2ncia<\/em>, 2024, p.19.\",\"id\":\"50cc0c45-867d-4288-81ed-92cc529f8a0f\"},{\"content\":\"BENJAMIN, W. <em>Rua de M\u00e3o \u00danica <\/em>in: Obras Escolhidas II, Editora Brasiliense, 1987, p.57\",\"id\":\"765b3c87-46e7-4b3f-8f3a-a9be4b1a902b\"},{\"content\":\"\u201cO cr\u00edtico \u00e9 aquele que enxerga o destino nas formas, aquele cuja viv\u00eancia mais forte \u00e9 o conte\u00fado an\u00edmico que as formas indireta e inconscientemente abrigam em si mesmas. A forma \u00e9 sua grande viv\u00eancia, como realidade imediata, \u00e9 o aspecto pict\u00f3rico, o que h\u00e1 de realmente vivo em seus escritos.\u201d\",\"id\":\"679e98ec-f1a8-4987-90f7-681c1ef14ae4\"},{\"content\":\"CACHOPO, J. <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, Tinta de China, 2024, p.159.\",\"id\":\"fb44a0bd-ea5c-4a33-bcbc-d16e44afa600\"},{\"content\":\"O livro <em>A Baedeker Of Decadence <\/em>de Georg Schoolfield, foi um dos trabalhos do estilo \u201cmanual de leitura\u201d que Adorno faz tro\u00e7a em seu <em>Retrato de Thomas Mann <\/em>ao falar das interpreta\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas simplistas das obras liter\u00e1rias do seu amigo. O termo \u201cBaedeker\u201d, referente aos manuais de viagem europeus escritos por Karl Baedeker no s\u00e9c. XIX, d\u00e1 ind\u00edcio de um livro que deseja \u201censinar\u201d a conhecer um lugar \u2013 ou uma obra liter\u00e1ria \u2013 ao inv\u00e9s de confiar ao leitor ou ao viajante, a capacidade de <em>interpret\u00e1-la<\/em>.\",\"id\":\"59c50724-1844-4ab3-8eb6-59ea805c0304\"},{\"content\":\"\u201cAs obras que s\u00e3o planeadas como <em>tour de force<\/em>, como ato equilibrista, revelam algo de superior a toda a arte: a realiza\u00e7\u00e3o do imposs\u00edvel.\u201d. in: Adorno, T. <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es 70, 2008, p.165.\",\"id\":\"764034c9-d271-4fc3-8e83-364ad1612e93\"},{\"content\":\"ADORNO, T. <em>Zu einem Portr\u00e4t Thomas Mann<\/em>. In: <em>Noten zu Literatur III<\/em>, Surkhamp Verlag, 1980, p.20.\",\"id\":\"1d21626d-2117-4f3e-863f-242c636b5bf0\"},{\"content\":\"CACHOPO, J. <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia, <\/em>2024, Tinta de China, p.40.\",\"id\":\"8b6d731f-9ae2-4668-a3ac-8a942d080d33\"},{\"content\":\"ADORNO, T. <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es 70, 2008, p.165.\",\"id\":\"ac8f380b-da05-45e7-add2-cbe1e455aaf0\"},{\"content\":\"CATALANI, F. Louvor e crise da transitoriedade: Sobre A montanha m\u00e1gica de Thomas Mann. In: <em>Revista\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cisma<\/em>.\u00a0\u00a0 Segundo\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Semestre\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2014.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 P.70.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dispon\u00edvel\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 em: <a href=\\\"https:\/\/www.academia.edu\/10909985\/Louvor_e_crise_da_transitoriedade_sobre_A_Montanha_M%C3%A1gica_de_Thomas_Mann\\\">https:\/\/www.academia.edu\/10909985\/Louvor_e_crise_da_transitoriedade_sobre_A_Montanha_M%C3%<\/a> <a href=\\\"https:\/\/www.academia.edu\/10909985\/Louvor_e_crise_da_transitoriedade_sobre_A_Montanha_M%C3%A1gica_de_Thomas_Mann\\\">A1gica_de_Thomas_Mann<\/a>\",\"id\":\"310fd525-1166-4743-a81e-e5c077309bd2\"},{\"content\":\"CACHOPO, J. <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, Tinta de China, 2024, p.138.\",\"id\":\"d53ae3b1-d241-4c06-8df5-f539cd55de4e\"},{\"content\":\"GATTI, L. \u201cA montanha m\u00e1gica como romance de forma\u00e7\u00e3o\u201d. In: Viso: Cadernos de est\u00e9tica aplicada, v. VIII, n. 15 (jan-dez\/2014), pp. 112-120. DOI: 10.22409\/1981-4062\/v15i\/178\",\"id\":\"5c043a76-25bb-4575-bb69-f3a61098d595\"},{\"content\":\"CACHOPO, J, <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, Tinta de China, 2024, p.102-103\",\"id\":\"0b4a149b-35db-4a35-a371-175567864c8f\"},{\"content\":\"CACHOPO, J, <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, Tinta de China, 2024, p.41.\",\"id\":\"4745d3dc-a89c-4582-9421-a2aa954e0b40\"},{\"content\":\"\u201cA pandemia, nesse sentido, recorda-nos que o amor \u00e9 uma arte da boa dist\u00e2ncia. Mas permite-nos tamb\u00e9m constatar \u2013 \u00e9 o que gostaria de sugerir \u2013 que as regras de uma tal arte n\u00e3o est\u00e3o definidas a priori.\u201d CACHOPO, J. <em>A Tors\u00e3o dos Sentidos: Pandemia e Remedia\u00e7\u00e3o digital<\/em>, Editora Elefante, 2021, p.94.\",\"id\":\"0d4a987f-8faf-4338-a343-b0497b6fa4b3\"},{\"content\":\"CACHOPO, J. <em>O esc\u00e2ndalo da dist\u00e2ncia<\/em>, 2024, p.129.\",\"id\":\"0e1b5435-c255-45da-b30a-67ff4d31705b\"},{\"content\":\"CACHOPO, J. <em>O esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia<\/em>, Tinta de China, 2024, p.130.\",\"id\":\"276a3be3-6cee-4a3a-87a0-48d0454eb92c\"},{\"content\":\"ADORNO, T. <em>Zu einem Portr\u00e4t Thomas Manns<\/em>, in: <em>Noten zur Literatur III<\/em>, Surkhamp, 1980 p.28-29. Adorno aqui est\u00e1 se referindo \u00e0 Enrico Rastelli, malabarista e artista circense italiano, que virou emblema da liberdade de Thomas Mann ao ca\u00e7oar da morte nos seus \u00faltimos momentos em vida.\",\"id\":\"aa5f8615-cea5-4258-be1a-29d3d02d23bd\"},{\"content\":\"CACHOPO, J. <em>Tors\u00e3o dos Sentidos: Pandemia e Remedia\u00e7\u00e3o digital<\/em>, Editora Elefante, 2021, p.38.\",\"id\":\"66308ca3-bd6c-4907-be73-1b004d8aef89\"},{\"content\":\"CACHOPO, J. <em>Tors\u00e3o dos Sentidos: Pandemia e Remedia\u00e7\u00e3o digital<\/em>, Editora Elefante, 2021, ibid.\",\"id\":\"882b38c7-6ec8-432c-9e28-e00718eaf33b\"},{\"content\":\"CACHOPO, J. <em>A Tors\u00e3o dos Sentidos: Pandemia e Remedia\u00e7\u00e3o digital<\/em>, Editora Elefante, 2021, p.95.\",\"id\":\"c4cb969c-f4c0-4de1-9c35-1eff8b3b7c16\"},{\"content\":\"ADORNO, T. <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em>. Edi\u00e7\u00f5es 70, 2008., p. 472\",\"id\":\"05d0088e-cc69-4726-9231-794f6bab85b8\"}]"},"categories":[350,347],"tags":[540,654,209,570,653],"class_list":["post-4416","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-autores","category-producoes","tag-critica","tag-joao-pedro-cachopo","tag-literatura","tag-theodor-adorno","tag-thomas-mann"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A acrobacia de Thomas Mann: Sobre &#039;O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia&#039;, de Jo\u00e3o Pedro Cachopo \u2014 Victor Hugo Amaro - Zero \u00e0 Esquerda<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Se a pandemia poderia \u201cmostrar que o amor \u00e9 uma arte da aproxima\u00e7\u00e3o e do distanciamento\u201d, a procura do amor que est\u00e1 implicada no fim do romance de Thomas Mann se completa, finalmente: com a boa dist\u00e2ncia. De fato, para Mann e Cachopo, tal amor \u00e9 o momento em que, ao menos alegoricamente, poder\u00edamos manter viva uma salva\u00e7\u00e3o, mesmo na cruzada com a morte, como o cap\u00edtulo \u201cNeve\u201d da Montanha M\u00e1gica revela. \u00c9 nessa \u201cpromessa de amor\u201d \u2013 como ir\u00e1 afirmar Cachopo em seu Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia \u2013, enigm\u00e1tica como o pr\u00f3prio ser humano \u2013 como ir\u00e1 afirmar Thomas Mann na confer\u00eancia de Princeton de 1939 \u2013 que reside algo que possibilita, pela boa dist\u00e2ncia, entre o sonho e a cat\u00e1strofe, uma via de sa\u00edda. Para alcan\u00e7\u00e1-la, entretanto, n\u00e3o se pode simplesmente amar, e \u201ctudo se resolve\u201d. O truque n\u00e3o funciona assim. Deve-se duvidar das respostas previamente dadas e descer da montanha. Mas n\u00e3o s\u00f3: achar a boa dist\u00e2ncia \u00e9 o segredo da promessa. Portanto, em ambos os casos, para poder realizar a promessa, deve-se dar um passo para tr\u00e1s, e retra\u00e7ar a rota. Sair da plenitude da montanha \u00e9 reconhecer as vantagens e desvantagens da dist\u00e2ncia. H\u00e1 de se descer dela e achar uma boa posi\u00e7\u00e3o em tempos de cat\u00e1strofe. A montanha oferece vantagens, mas \u00e9 ilus\u00f3ria em sua suspens\u00e3o do tempo. Quebrar a doce ilus\u00e3o da montanha, \u00e9 parte do segredo da farsa de mais alto n\u00edvel de Thomas Mann. De certa forma, o que Mann e Cachopo poderiam pedir, se n\u00e3o for insolente retra\u00e7ar Adorno apenas mais uma vez, seria algo como o mote stendhaliano da \u201cPromessa de Felicidade\u201d v\u00e1rias vezes alocado na Teoria Est\u00e9tica, s\u00f3 que em uma varia\u00e7\u00e3o peculiar: deve-se quebrar a promessa para mant\u00ea-la viva\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A acrobacia de Thomas Mann: Sobre &#039;O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia&#039;, de Jo\u00e3o Pedro Cachopo \u2014 Victor Hugo Amaro - Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Se a pandemia poderia \u201cmostrar que o amor \u00e9 uma arte da aproxima\u00e7\u00e3o e do distanciamento\u201d, a procura do amor que est\u00e1 implicada no fim do romance de Thomas Mann se completa, finalmente: com a boa dist\u00e2ncia. De fato, para Mann e Cachopo, tal amor \u00e9 o momento em que, ao menos alegoricamente, poder\u00edamos manter viva uma salva\u00e7\u00e3o, mesmo na cruzada com a morte, como o cap\u00edtulo \u201cNeve\u201d da Montanha M\u00e1gica revela. \u00c9 nessa \u201cpromessa de amor\u201d \u2013 como ir\u00e1 afirmar Cachopo em seu Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia \u2013, enigm\u00e1tica como o pr\u00f3prio ser humano \u2013 como ir\u00e1 afirmar Thomas Mann na confer\u00eancia de Princeton de 1939 \u2013 que reside algo que possibilita, pela boa dist\u00e2ncia, entre o sonho e a cat\u00e1strofe, uma via de sa\u00edda. Para alcan\u00e7\u00e1-la, entretanto, n\u00e3o se pode simplesmente amar, e \u201ctudo se resolve\u201d. O truque n\u00e3o funciona assim. Deve-se duvidar das respostas previamente dadas e descer da montanha. Mas n\u00e3o s\u00f3: achar a boa dist\u00e2ncia \u00e9 o segredo da promessa. Portanto, em ambos os casos, para poder realizar a promessa, deve-se dar um passo para tr\u00e1s, e retra\u00e7ar a rota. Sair da plenitude da montanha \u00e9 reconhecer as vantagens e desvantagens da dist\u00e2ncia. H\u00e1 de se descer dela e achar uma boa posi\u00e7\u00e3o em tempos de cat\u00e1strofe. A montanha oferece vantagens, mas \u00e9 ilus\u00f3ria em sua suspens\u00e3o do tempo. Quebrar a doce ilus\u00e3o da montanha, \u00e9 parte do segredo da farsa de mais alto n\u00edvel de Thomas Mann. De certa forma, o que Mann e Cachopo poderiam pedir, se n\u00e3o for insolente retra\u00e7ar Adorno apenas mais uma vez, seria algo como o mote stendhaliano da \u201cPromessa de Felicidade\u201d v\u00e1rias vezes alocado na Teoria Est\u00e9tica, s\u00f3 que em uma varia\u00e7\u00e3o peculiar: deve-se quebrar a promessa para mant\u00ea-la viva\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-01-24T10:30:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-01-24T21:48:53+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/500px-Egon_Schiele_-_Kauerndes_Menschenpaar_Die_Familie_-_4277_-_Osterreichische_Galerie_Belvedere-e1769218102292.avif\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"500\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"353\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Thomas\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@z3roaesquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@z3roaesquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Thomas\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"21 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Thomas\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/3a4774f5171f39b323000fc30bd1cec5\"},\"headline\":\"A acrobacia de Thomas Mann: Sobre &#8216;O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia&#8217;, de Jo\u00e3o Pedro Cachopo \u2014 Victor Hugo Amaro\",\"datePublished\":\"2026-01-24T10:30:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-01-24T21:48:53+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/\"},\"wordCount\":4337,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/01\\\/IMG-20250120-WA0030-298x300-1.avif\",\"keywords\":[\"Cr\u00edtica\",\"Jo\u00e3o Pedro Cachopo\",\"Literatura\",\"Theodor Adorno\",\"Thomas Mann\"],\"articleSection\":[\"Autores\",\"Produ\u00e7\u00f5es\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/\",\"name\":\"A acrobacia de Thomas Mann: Sobre 'O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia', de Jo\u00e3o Pedro Cachopo \u2014 Victor Hugo Amaro - Zero \u00e0 Esquerda\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/01\\\/IMG-20250120-WA0030-298x300-1.avif\",\"datePublished\":\"2026-01-24T10:30:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-01-24T21:48:53+00:00\",\"description\":\"Se a pandemia poderia \u201cmostrar que o amor \u00e9 uma arte da aproxima\u00e7\u00e3o e do distanciamento\u201d, a procura do amor que est\u00e1 implicada no fim do romance de Thomas Mann se completa, finalmente: com a boa dist\u00e2ncia. De fato, para Mann e Cachopo, tal amor \u00e9 o momento em que, ao menos alegoricamente, poder\u00edamos manter viva uma salva\u00e7\u00e3o, mesmo na cruzada com a morte, como o cap\u00edtulo \u201cNeve\u201d da Montanha M\u00e1gica revela. \u00c9 nessa \u201cpromessa de amor\u201d \u2013 como ir\u00e1 afirmar Cachopo em seu Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia \u2013, enigm\u00e1tica como o pr\u00f3prio ser humano \u2013 como ir\u00e1 afirmar Thomas Mann na confer\u00eancia de Princeton de 1939 \u2013 que reside algo que possibilita, pela boa dist\u00e2ncia, entre o sonho e a cat\u00e1strofe, uma via de sa\u00edda. Para alcan\u00e7\u00e1-la, entretanto, n\u00e3o se pode simplesmente amar, e \u201ctudo se resolve\u201d. O truque n\u00e3o funciona assim. Deve-se duvidar das respostas previamente dadas e descer da montanha. Mas n\u00e3o s\u00f3: achar a boa dist\u00e2ncia \u00e9 o segredo da promessa. Portanto, em ambos os casos, para poder realizar a promessa, deve-se dar um passo para tr\u00e1s, e retra\u00e7ar a rota. Sair da plenitude da montanha \u00e9 reconhecer as vantagens e desvantagens da dist\u00e2ncia. H\u00e1 de se descer dela e achar uma boa posi\u00e7\u00e3o em tempos de cat\u00e1strofe. A montanha oferece vantagens, mas \u00e9 ilus\u00f3ria em sua suspens\u00e3o do tempo. Quebrar a doce ilus\u00e3o da montanha, \u00e9 parte do segredo da farsa de mais alto n\u00edvel de Thomas Mann. De certa forma, o que Mann e Cachopo poderiam pedir, se n\u00e3o for insolente retra\u00e7ar Adorno apenas mais uma vez, seria algo como o mote stendhaliano da \u201cPromessa de Felicidade\u201d v\u00e1rias vezes alocado na Teoria Est\u00e9tica, s\u00f3 que em uma varia\u00e7\u00e3o peculiar: deve-se quebrar a promessa para mant\u00ea-la viva\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/01\\\/IMG-20250120-WA0030-298x300-1.avif\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/01\\\/IMG-20250120-WA0030-298x300-1.avif\",\"width\":298,\"height\":300},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2026\\\/01\\\/24\\\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A acrobacia de Thomas Mann: Sobre &#8216;O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia&#8217;, de Jo\u00e3o Pedro Cachopo \u2014 Victor Hugo Amaro\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"description\":\"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/01\\\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/01\\\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png\",\"width\":1271,\"height\":1069,\"caption\":\"Zero \u00e0 Esquerda\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/revistazeroaesquerda\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/z3roaesquerda\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/revistazeroaesquerda\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.youtube.com\\\/channel\\\/UCIaGx271Qw6D1QwqYBojrLw\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/3a4774f5171f39b323000fc30bd1cec5\",\"name\":\"Thomas\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/49f5b55b652ac9f658393972a3bc8d66e883f0b1207b03ca54a2d40b0b3a5a4a?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/49f5b55b652ac9f658393972a3bc8d66e883f0b1207b03ca54a2d40b0b3a5a4a?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/49f5b55b652ac9f658393972a3bc8d66e883f0b1207b03ca54a2d40b0b3a5a4a?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Thomas\"},\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/author\\\/thomas\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A acrobacia de Thomas Mann: Sobre 'O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia', de Jo\u00e3o Pedro Cachopo \u2014 Victor Hugo Amaro - Zero \u00e0 Esquerda","description":"Se a pandemia poderia \u201cmostrar que o amor \u00e9 uma arte da aproxima\u00e7\u00e3o e do distanciamento\u201d, a procura do amor que est\u00e1 implicada no fim do romance de Thomas Mann se completa, finalmente: com a boa dist\u00e2ncia. De fato, para Mann e Cachopo, tal amor \u00e9 o momento em que, ao menos alegoricamente, poder\u00edamos manter viva uma salva\u00e7\u00e3o, mesmo na cruzada com a morte, como o cap\u00edtulo \u201cNeve\u201d da Montanha M\u00e1gica revela. \u00c9 nessa \u201cpromessa de amor\u201d \u2013 como ir\u00e1 afirmar Cachopo em seu Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia \u2013, enigm\u00e1tica como o pr\u00f3prio ser humano \u2013 como ir\u00e1 afirmar Thomas Mann na confer\u00eancia de Princeton de 1939 \u2013 que reside algo que possibilita, pela boa dist\u00e2ncia, entre o sonho e a cat\u00e1strofe, uma via de sa\u00edda. Para alcan\u00e7\u00e1-la, entretanto, n\u00e3o se pode simplesmente amar, e \u201ctudo se resolve\u201d. O truque n\u00e3o funciona assim. Deve-se duvidar das respostas previamente dadas e descer da montanha. Mas n\u00e3o s\u00f3: achar a boa dist\u00e2ncia \u00e9 o segredo da promessa. Portanto, em ambos os casos, para poder realizar a promessa, deve-se dar um passo para tr\u00e1s, e retra\u00e7ar a rota. Sair da plenitude da montanha \u00e9 reconhecer as vantagens e desvantagens da dist\u00e2ncia. H\u00e1 de se descer dela e achar uma boa posi\u00e7\u00e3o em tempos de cat\u00e1strofe. A montanha oferece vantagens, mas \u00e9 ilus\u00f3ria em sua suspens\u00e3o do tempo. Quebrar a doce ilus\u00e3o da montanha, \u00e9 parte do segredo da farsa de mais alto n\u00edvel de Thomas Mann. De certa forma, o que Mann e Cachopo poderiam pedir, se n\u00e3o for insolente retra\u00e7ar Adorno apenas mais uma vez, seria algo como o mote stendhaliano da \u201cPromessa de Felicidade\u201d v\u00e1rias vezes alocado na Teoria Est\u00e9tica, s\u00f3 que em uma varia\u00e7\u00e3o peculiar: deve-se quebrar a promessa para mant\u00ea-la viva","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"A acrobacia de Thomas Mann: Sobre 'O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia', de Jo\u00e3o Pedro Cachopo \u2014 Victor Hugo Amaro - Zero \u00e0 Esquerda","og_description":"Se a pandemia poderia \u201cmostrar que o amor \u00e9 uma arte da aproxima\u00e7\u00e3o e do distanciamento\u201d, a procura do amor que est\u00e1 implicada no fim do romance de Thomas Mann se completa, finalmente: com a boa dist\u00e2ncia. De fato, para Mann e Cachopo, tal amor \u00e9 o momento em que, ao menos alegoricamente, poder\u00edamos manter viva uma salva\u00e7\u00e3o, mesmo na cruzada com a morte, como o cap\u00edtulo \u201cNeve\u201d da Montanha M\u00e1gica revela. \u00c9 nessa \u201cpromessa de amor\u201d \u2013 como ir\u00e1 afirmar Cachopo em seu Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia \u2013, enigm\u00e1tica como o pr\u00f3prio ser humano \u2013 como ir\u00e1 afirmar Thomas Mann na confer\u00eancia de Princeton de 1939 \u2013 que reside algo que possibilita, pela boa dist\u00e2ncia, entre o sonho e a cat\u00e1strofe, uma via de sa\u00edda. Para alcan\u00e7\u00e1-la, entretanto, n\u00e3o se pode simplesmente amar, e \u201ctudo se resolve\u201d. O truque n\u00e3o funciona assim. Deve-se duvidar das respostas previamente dadas e descer da montanha. Mas n\u00e3o s\u00f3: achar a boa dist\u00e2ncia \u00e9 o segredo da promessa. Portanto, em ambos os casos, para poder realizar a promessa, deve-se dar um passo para tr\u00e1s, e retra\u00e7ar a rota. Sair da plenitude da montanha \u00e9 reconhecer as vantagens e desvantagens da dist\u00e2ncia. H\u00e1 de se descer dela e achar uma boa posi\u00e7\u00e3o em tempos de cat\u00e1strofe. A montanha oferece vantagens, mas \u00e9 ilus\u00f3ria em sua suspens\u00e3o do tempo. Quebrar a doce ilus\u00e3o da montanha, \u00e9 parte do segredo da farsa de mais alto n\u00edvel de Thomas Mann. De certa forma, o que Mann e Cachopo poderiam pedir, se n\u00e3o for insolente retra\u00e7ar Adorno apenas mais uma vez, seria algo como o mote stendhaliano da \u201cPromessa de Felicidade\u201d v\u00e1rias vezes alocado na Teoria Est\u00e9tica, s\u00f3 que em uma varia\u00e7\u00e3o peculiar: deve-se quebrar a promessa para mant\u00ea-la viva","og_url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/","og_site_name":"Zero \u00e0 Esquerda","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda","article_published_time":"2026-01-24T10:30:00+00:00","article_modified_time":"2026-01-24T21:48:53+00:00","og_image":[{"width":500,"height":353,"url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/500px-Egon_Schiele_-_Kauerndes_Menschenpaar_Die_Familie_-_4277_-_Osterreichische_Galerie_Belvedere-e1769218102292.avif","type":"image\/jpeg"}],"author":"Thomas","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@z3roaesquerda","twitter_site":"@z3roaesquerda","twitter_misc":{"Escrito por":"Thomas","Est. tempo de leitura":"21 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/"},"author":{"name":"Thomas","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/person\/3a4774f5171f39b323000fc30bd1cec5"},"headline":"A acrobacia de Thomas Mann: Sobre &#8216;O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia&#8217;, de Jo\u00e3o Pedro Cachopo \u2014 Victor Hugo Amaro","datePublished":"2026-01-24T10:30:00+00:00","dateModified":"2026-01-24T21:48:53+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/"},"wordCount":4337,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG-20250120-WA0030-298x300-1.avif","keywords":["Cr\u00edtica","Jo\u00e3o Pedro Cachopo","Literatura","Theodor Adorno","Thomas Mann"],"articleSection":["Autores","Produ\u00e7\u00f5es"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/","name":"A acrobacia de Thomas Mann: Sobre 'O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia', de Jo\u00e3o Pedro Cachopo \u2014 Victor Hugo Amaro - Zero \u00e0 Esquerda","isPartOf":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG-20250120-WA0030-298x300-1.avif","datePublished":"2026-01-24T10:30:00+00:00","dateModified":"2026-01-24T21:48:53+00:00","description":"Se a pandemia poderia \u201cmostrar que o amor \u00e9 uma arte da aproxima\u00e7\u00e3o e do distanciamento\u201d, a procura do amor que est\u00e1 implicada no fim do romance de Thomas Mann se completa, finalmente: com a boa dist\u00e2ncia. De fato, para Mann e Cachopo, tal amor \u00e9 o momento em que, ao menos alegoricamente, poder\u00edamos manter viva uma salva\u00e7\u00e3o, mesmo na cruzada com a morte, como o cap\u00edtulo \u201cNeve\u201d da Montanha M\u00e1gica revela. \u00c9 nessa \u201cpromessa de amor\u201d \u2013 como ir\u00e1 afirmar Cachopo em seu Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia \u2013, enigm\u00e1tica como o pr\u00f3prio ser humano \u2013 como ir\u00e1 afirmar Thomas Mann na confer\u00eancia de Princeton de 1939 \u2013 que reside algo que possibilita, pela boa dist\u00e2ncia, entre o sonho e a cat\u00e1strofe, uma via de sa\u00edda. Para alcan\u00e7\u00e1-la, entretanto, n\u00e3o se pode simplesmente amar, e \u201ctudo se resolve\u201d. O truque n\u00e3o funciona assim. Deve-se duvidar das respostas previamente dadas e descer da montanha. Mas n\u00e3o s\u00f3: achar a boa dist\u00e2ncia \u00e9 o segredo da promessa. Portanto, em ambos os casos, para poder realizar a promessa, deve-se dar um passo para tr\u00e1s, e retra\u00e7ar a rota. Sair da plenitude da montanha \u00e9 reconhecer as vantagens e desvantagens da dist\u00e2ncia. H\u00e1 de se descer dela e achar uma boa posi\u00e7\u00e3o em tempos de cat\u00e1strofe. A montanha oferece vantagens, mas \u00e9 ilus\u00f3ria em sua suspens\u00e3o do tempo. Quebrar a doce ilus\u00e3o da montanha, \u00e9 parte do segredo da farsa de mais alto n\u00edvel de Thomas Mann. De certa forma, o que Mann e Cachopo poderiam pedir, se n\u00e3o for insolente retra\u00e7ar Adorno apenas mais uma vez, seria algo como o mote stendhaliano da \u201cPromessa de Felicidade\u201d v\u00e1rias vezes alocado na Teoria Est\u00e9tica, s\u00f3 que em uma varia\u00e7\u00e3o peculiar: deve-se quebrar a promessa para mant\u00ea-la viva","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/#primaryimage","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG-20250120-WA0030-298x300-1.avif","contentUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG-20250120-WA0030-298x300-1.avif","width":298,"height":300},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/24\/a-acrobacia-de-thomas-mann-sobre-o-escandalo-da-distancia-de-joao-pedro-cachopo-victor-hugo-amaro\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A acrobacia de Thomas Mann: Sobre &#8216;O Esc\u00e2ndalo da Dist\u00e2ncia&#8217;, de Jo\u00e3o Pedro Cachopo \u2014 Victor Hugo Amaro"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#website","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/","name":"Zero \u00e0 Esquerda","description":"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.","publisher":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization","name":"Zero \u00e0 Esquerda","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png","contentUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png","width":1271,"height":1069,"caption":"Zero \u00e0 Esquerda"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda","https:\/\/x.com\/z3roaesquerda","https:\/\/www.instagram.com\/revistazeroaesquerda\/","https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCIaGx271Qw6D1QwqYBojrLw"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/person\/3a4774f5171f39b323000fc30bd1cec5","name":"Thomas","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/49f5b55b652ac9f658393972a3bc8d66e883f0b1207b03ca54a2d40b0b3a5a4a?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/49f5b55b652ac9f658393972a3bc8d66e883f0b1207b03ca54a2d40b0b3a5a4a?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/49f5b55b652ac9f658393972a3bc8d66e883f0b1207b03ca54a2d40b0b3a5a4a?s=96&d=mm&r=g","caption":"Thomas"},"url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/author\/thomas\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4416"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4416\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4419,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4416\/revisions\/4419"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}