{"id":4376,"date":"2026-01-08T23:57:03","date_gmt":"2026-01-08T23:57:03","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=4376"},"modified":"2026-01-08T23:57:06","modified_gmt":"2026-01-08T23:57:06","slug":"definhamento-da-forma-juridica-e-um-novo-vale-tudo-thomas-stanton-e-thomaz-carvalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/08\/definhamento-da-forma-juridica-e-um-novo-vale-tudo-thomas-stanton-e-thomaz-carvalho\/","title":{"rendered":"Definhamento da forma jur\u00eddica e um novo vale-tudo &#8211; Thomas Stanton e Thomaz Carvalho"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c0 ideia de que o capital respeitar\u00e1 \u201climites humanit\u00e1rios\u201d no seu movimento de autovaloriza\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil oferecer hoje algo al\u00e9m de uma risada de esc\u00e1rnio, estejamos falando de detratores ou apologetas. Escorra\u00e7ando a carapu\u00e7a de um \u201cprogresso civilizado\u201d \u2014 ou, melhor, realizando-a \u2014, o interesse econ\u00f4mico parece efetivamente comprometido com um <em>vale-tudo<\/em>: pela ideia de lucro, guerras s\u00e3o travadas em todas as frontes, a repressividade penal \u00e9 redobrada, o mundo natural \u00e9 deixado para morrer. O direito do trabalho brasileiro \u00e9 um ponto privilegiado para observar esse frenesi: at\u00e9 os mais modestos direitos e garantias s\u00e3o negados para o violento percurso do capital correr desenfreado. Todavia, a sua an\u00e1lise tamb\u00e9m esbarra em algumas dificuldades. Como compreender a ideia de um declive do direito do trabalho no Brasil, tendo em vista a imbrica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e conceitualmente necess\u00e1ria entre regula\u00e7\u00e3o trabalhista e interesses do capital? Dada essa g\u00eanese, como se seguiu o cen\u00e1rio contempor\u00e2neo, em que o jur\u00eddico enquanto tal n\u00e3o parece poder acompanhar no mesmo n\u00edvel uma economia que se pretende soberana? Na medida em que n\u00e3o temos interesse em veicular ilus\u00f5es sem fundamento hist\u00f3rico e material sobre supostas \u201cpotencialidades\u201d inerentes a estas formas sociais, localizando autonomia pura onde ela \u00e9 imposs\u00edvel, um bom come\u00e7o pode ser em Evgeni Pachukanis.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, para aqueles que querem pensar o direito criticamente, o jurista marxista sovi\u00e9tico Evgeni Pachukanis \u00e9 um nome incontorn\u00e1vel. A hip\u00f3tese pachukaniana acerca da forma jur\u00eddica, ainda que n\u00e3o seja suficiente por si s\u00f3 para a compreens\u00e3o do fen\u00f4meno jur\u00eddico em toda a sua complexidade (Sartori, 2015), mostra-se como ponto de inflex\u00e3o fundamental para qualquer tentativa de cr\u00edtica ao direito e, consequentemente, para a constru\u00e7\u00e3o das vias de sua supera\u00e7\u00e3o. Dando enfoque na categoria de sociedade mercantil e amparando-se, principalmente, nas disposi\u00e7\u00f5es do primeiro cap\u00edtulo do livro I d\u2019O Capital de Marx (Sartori, 2021), Pachukanis tra\u00e7a uma rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre a forma mercantil e a forma jur\u00eddica. O jurista sovi\u00e9tico \u2014 em contram\u00e3o \u00e0s teorias marxistas que reduziam o direito \u00e0 mera express\u00e3o das vontades da classe dominantes (Naves, 1995) \u2014 parte da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica iniciada por Marx para constatar os v\u00ednculos necess\u00e1rios entre as categorias econ\u00f4micas e as jur\u00eddicas, em uma tentativa de realizar uma cr\u00edtica do direito efetivamente materialista. Nesse sentido, sua an\u00e1lise n\u00e3o visa lan\u00e7ar olhar apenas ao conte\u00fado da regulamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, mas empreender uma interpreta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria regulamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica enquanto uma forma social historicamente determinada (Pachukanis, 2017). Nesse diapas\u00e3o, dir\u00e1 Pachukanis:\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O homem que produz em sociedade \u00e9 o pressuposto do qual parte a teoria econ\u00f4mica. Desse pressuposto fundamental deve partir a teoria geral do direito, j\u00e1 que ele lida com defini\u00e7\u00f5es fundamentais. Assim, por exemplo, a rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de troca deve existir para que surja a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica contratual de compra e venda (Pachukanis, 2017).<br><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A partir desse breve excerto \u00e9 poss\u00edvel compreender o car\u00e1ter derivado do direito e sua espec\u00edfica determina\u00e7\u00e3o pelo processo de trocas mercantis, sendo as diversas figuras do direito \u201cprodu\u00e7\u00f5es\u201d da esfera de circula\u00e7\u00e3o mercantil, enquanto decorr\u00eancia necess\u00e1ria de seu pr\u00f3prio movimento. A forma jur\u00eddica s\u00f3 se perfectibiliza na sociedade capitalista, na qual o valor de troca das mercadorias \u2014 derivado do trabalho abstrato, socialmente necess\u00e1rio, outro ponto basilar da sociedade burguesa \u2013 s\u00f3 se realiza se a opera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do acordo de vontades equivalente for introduzida (Naves, 2000). A partir da rela\u00e7\u00e3o social do valor, o equivalente comum \u00e0s mercadorias que possibilita a sua troca, deriva-se a forma do direito, tendo como pilar a categoria de sujeito de direito, que, correlata ao valor, equipara os indiv\u00edduos formalmente, mediando, assim, a troca de mercadorias entre eles; sobre esse ponto, a forma jur\u00eddica \u00e9 intr\u00ednseca ao capitalismo na medida em que faz a media\u00e7\u00e3o entre o trabalhador, vendedor da mercadoria for\u00e7a de trabalho, e o capitalista, detentor dos meios de produ\u00e7\u00e3o, sendo engrenagem crucial do processo de reprodu\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Passaram 100 anos desde a publica\u00e7\u00e3o original de <em>Teoria Geral do Direito e Marxismo<\/em>. O mundo, naturalmente, mudou: a base objetiva da an\u00e1lise de Pachukanis n\u00e3o \u00e9 mais a mesma. Todavia, o capitalismo continua hegem\u00f4nico na conforma\u00e7\u00e3o do sistema-mundo; <em>formas<\/em>, portanto,<em> <\/em>ainda se conservam. Como devemos compreender a liga\u00e7\u00e3o entre forma mercadoria e forma jur\u00eddica no mundo contempor\u00e2neo, dados os desdobramentos, crises e transforma\u00e7\u00f5es do valor? E que consequ\u00eancias podemos extrair para o direito do trabalho?<\/p>\n\n\n\n<p>O fil\u00f3sofo brasileiro Luiz Philipe de Caux (2020) prop\u00f5e algumas breves reflex\u00f5es sobre o est\u00e1gio atual da rela\u00e7\u00e3o forma mercadoria e forma jur\u00eddica. Est\u00e1gio atual, no caso, manifestado no <em>mundo da decomposi\u00e7\u00e3o do trabalho<\/em>, que conjuga tend\u00eancias de expuls\u00e3o do trabalho vivo dos circuitos produtivos, a coloca\u00e7\u00e3o da precariza\u00e7\u00e3o e da vira\u00e7\u00e3o como limites do horizonte de expectativas das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, o desmonte do consenso fordista baseado na ideia de cidadania salarial, o derretimento de seguran\u00e7as sociais, entre outros elementos (Canettieri, 2023b, p. 4). Grosso modo, a argumenta\u00e7\u00e3o de De Caux (2020) consiste em expor que, dado o esgar\u00e7amento da rela\u00e7\u00e3o social cuja <em>efetividade<\/em> tem em seu semblante o bin\u00f4mio direito-mercadoria, o lugar na realidade social ocupado pela forma jur\u00eddica \u00e9 transformado, virado do avesso. Com efeito, o fil\u00f3sofo prop\u00f5e \u201centender o afrouxamento progressivo da forma jur\u00eddica, sua cada vez menor vinculabilidade na hist\u00f3ria, como efeito de superf\u00edcie do lento processo de caducidade da forma-valor\u201d\u00a0 (De Caux, 2020, p. 293). Diante do est\u00e1gio contempor\u00e2neo de <em>crise absoluta <\/em>do capital, que traz consigo um esgotamento de antigos mecanismos compensat\u00f3rios, o direito n\u00e3o teria como ter passado inc\u00f3lume. Onde antes, sustentada pela homologia entre forma valor e forma mercadoria, poderia haver uma apar\u00eancia <em>ilus\u00f3ria<\/em> de autonomia jur\u00eddica, de \u201cpar em par\u201d com outras esferas da vida social, agora h\u00e1 uma economia que pode cinicamente prescindir do direito como meio de se impor (De Caux, 2020, p. 291).<\/p>\n\n\n\n<p>Um esclarecimento \u00e9 oportuno: a primeira gera\u00e7\u00e3o dos frankfurteanos j\u00e1 teorizava sobre um conte\u00fado contradizendo, e, portanto, realizando a forma do valor. De Caux n\u00e3o nega isso. Ele reconhece os pontos acerca do capitalismo de monop\u00f3lio do entreguerras, em que, elucidado pelas contribui\u00e7\u00f5es de Franz Neumann, a fantasmagoria das abstra\u00e7\u00f5es reais do capital, de leis abstratas e impessoais assegurando a \u201cconcorr\u00eancia igual\u201d entre produtores individuais, era totalmente invertida. Ali, a lei formal, abstrata e calcul\u00e1vel do Estado era substitu\u00edda por sua inger\u00eancia ativa no fomento \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, negando, portanto, os princ\u00edpios de direito formal, mas, paradoxalmente, refor\u00e7ando a forma jur\u00eddica vigente (De Caux, 2020, p. 288). Nas palavras de De Caux (2020, p. 292), recapitulando Neumann,\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O que Neumann constata na primeira metade do s\u00e9culo XX \u00e9 que, em raz\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e da consequente perda da base material da igualdade formal, o direito vinha cada vez mais assumindo conte\u00fados que negavam sua forma, sem retirar a forma jur\u00eddica de vigor, mas pelo contr\u00e1rio, carecendo ainda mais dela para implementar aqueles conte\u00fados.<br><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Claro, a realiza\u00e7\u00e3o de uma forma por um conte\u00fado que lhe contradiz n\u00e3o \u00e9 uma novidade na hist\u00f3ria do desenvolvimento do capital, as contribui\u00e7\u00f5es de Marx j\u00e1 provam isto. A forma jur\u00eddica, no <em>monopoly capitalism<\/em>, ainda n\u00e3o era abolida. Todavia, o que De Caux gostaria de propor \u00e9 que, no capitalismo contempor\u00e2neo, no atual est\u00e1gio da crise do trabalho, explicitado no solo brasileiro, h\u00e1 muta\u00e7\u00f5es substanciais na forma jur\u00eddica, conduzindo-a a seu ocaso.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favidas, no capitalismo de monop\u00f3lio analisado por Neumann, j\u00e1 havia confus\u00e3o entre viol\u00eancia econ\u00f4mica e viol\u00eancia <em>extraecon\u00f4mica<\/em> (Neumann, 2014, p. 71). Por\u00e9m, na passagem ao cen\u00e1rio p\u00f3s-fordista, em especial no Brasil contempor\u00e2neo, esta confus\u00e3o parece ganhar novos tons e implicar novas consequ\u00eancias. H\u00e1 \u201cum paulatino ganho de poder pol\u00edtico de fra\u00e7\u00f5es da classe capitalista que operam predominantemente \u00e0 margem ou fora da legalidade\u201d (De Caux, 2020, p. 294), e aqui, n\u00e3o h\u00e1 apenas a realiza\u00e7\u00e3o perversa e contradit\u00f3ria de um princ\u00edpio ainda presente, mas pren\u00fancios de seu lento definhamento, escorado em contradi\u00e7\u00f5es congeladas, que n\u00e3o produzem mais um <em>Novum<\/em>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, transa\u00e7\u00f5es il\u00edcitas e mercados ilegais n\u00e3o necessariamente negam a forma valor \u2014 podem, ao contr\u00e1rio, se mostrar surpreendentemente funcionais e interligados com o mundo legal, vide o trabalho de Gabriel Feltran (2019, apud. De Caux, 2020, p. 294). Entretanto, a categoria de <em>mil\u00edcia<\/em>, importante no cen\u00e1rio brasileiro, parece trazer algo diferente. Ela \u00e9 essencial para o argumento de De Caux. Sob sua \u00e9gide, as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas <em>sequer assumem uma apar\u00eancia de n\u00e3o coer\u00e7\u00e3o<\/em>: o pr\u00f3prio consumidor \u00e9 integrado mediante uma viol\u00eancia direta, extraecon\u00f4mica. Em consequ\u00eancia, a rela\u00e7\u00e3o da <em>forma mercadoria miliciana <\/em>com a forma valor \u00e9 tal que aquela n\u00e3o substitui totalmente esta, \u201cmas \u00e9 como que efeito colateral de sua obsolesc\u00eancia e de sua perman\u00eancia meramente positiva, sem subst\u00e2ncia.\u201d (De Caux, 2020, p. 295).<\/p>\n\n\n\n<p>A argumenta\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo desemboca numa distin\u00e7\u00e3o entre dois setores da burguesia brasileira contempor\u00e2nea. Um mais tradicional, que depende do direito para levar \u00e0 frente a acumula\u00e7\u00e3o, e outro que opera \u00e0 margem da lei, enxergando \u201ca continuidade da acumula\u00e7\u00e3o antes na viola\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do direito posto\u201d (De Caux, 2020, p. 295). Este segundo grupo, compondo uma esp\u00e9cie de <em>lumpemburguesia<\/em>, frente \u00e0 realoca\u00e7\u00e3o definitiva do Brasil no papel subalterno de plataforma internacional de valoriza\u00e7\u00e3o financeira em meio \u00e0 divis\u00e3o internacional do trabalho, vem desbancando sua contraparte. As mil\u00edcias representam sua inst\u00e2ncia exemplar. Com sua vit\u00f3ria, sob a base de uma sociedade que tem por horizonte a <em>centralidade negativa do trabalho<\/em>, no limite, parece-se acenar ao definhamento da forma jur\u00eddica enquanto tal.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, como podemos ler essas contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 luz dos \u00faltimos acontecimentos do direito do trabalho brasileiro? Por um lado, a hip\u00f3tese do definhamento da forma jur\u00eddica parece question\u00e1vel. Quando observamos a recorr\u00eancia de fen\u00f4menos como a terceiriza\u00e7\u00e3o, a <em>uberiza\u00e7\u00e3o<\/em>, a flexibiliza\u00e7\u00e3o trabalhista, parece haver um novo cap\u00edtulo insidioso de ideologia em seu sentido <em>cl\u00e1ssico <\/em>(ou vulgar). Motoboys e motoristas de aplicativo, chamados por alguns de \u201cpequenos empreendedores\u201d, s\u00e3o apresentados como agentes \u201caut\u00f4nomos\u201d, que n\u00e3o poderiam ser explicados pela l\u00f3gica estruturalmente assim\u00e9trica da rela\u00e7\u00e3o de emprego, sendo meros \u201cprestadores de servi\u00e7o\u201d em condi\u00e7\u00e3o de igualdade e autonomia com os contratantes-consumidores. Cinismo e desfa\u00e7atez \u00e0 parte, trata-se de uma opera\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de <em>mascaramento <\/em>da realidade. O definhamento da forma jur\u00eddica, por outro lado, parece sugerir um menor encobrimento das rela\u00e7\u00f5es de coer\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia, sendo mais facilmente assumidas enquanto tais. Al\u00e9m disso, a afinidade entre o jur\u00eddico e as elites econ\u00f4micas segue muito bem, obrigado.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, uma obje\u00e7\u00e3o que invocasse o ainda estrito imbricamento entre poder econ\u00f4mico e jur\u00eddico para descartar a hip\u00f3tese do definhamento da forma jur\u00eddica perderia o importante de vista. Pois n\u00e3o se quer demonstrar que o jur\u00eddico e o econ\u00f4mico se encontram em polos opostos, irreconcili\u00e1veis. Quer-se argumentar apenas que, se fra\u00e7\u00f5es da burguesia que operam \u00e0 margem da lei receberam um referendo legal posterior, elas foram capazes de se impor \u00e0 lei posta vinculada a uma burguesia mais tradicionalmente adstrita ao ordenamento jur\u00eddico, assim, progressivamente implodindo quaisquer pretens\u00f5es de autonomia que o direito ainda pudesse reivindicar (De Caux, 2020, p. 296).\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo, por outro lado, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o enxergar os recentes ataques ao direito do trabalho sob o prisma do esgar\u00e7amento da forma jur\u00eddica. O direito n\u00e3o consegue sequer mais sustentar sua ilus\u00e3o de autonomia em face de uma economia destrutiva que exige soberania total na reg\u00eancia social. E diante do ocaso da media\u00e7\u00e3o social pelo trabalho, em que o direito tinha um n\u00edtido papel, o est\u00e1gio contempor\u00e2neo da crise do valor parece sugerir, enfim, o esgotamento da forma jur\u00eddica enquanto tal. O vale-tudo pelo interesse econ\u00f4mico \u00e9, portanto, ainda mais assombroso. As crises do valor, no momento, n\u00e3o apontam para uma forma superior de sociabilidade, apenas congregam as faces mais destrutivas do capital a uma s\u00f3 vez. O direito moderno nunca serviu \u201cpara proteger os fracos\u201d pura e simplesmente, sempre esteve constitutivamente imbricado com o movimento do capital e seus rastros de viol\u00eancia, mas quando at\u00e9 sua apar\u00eancia formal de fundamento e legitimidade social \u00e9 afastada em nome da domina\u00e7\u00e3o nua e crua, o horizonte parece cada vez mais totalmente identificado com a barb\u00e1rie.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ARANTES, Paulo. <em>O novo tempo do mundo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2014.<br>CANETTIERI, Thiago. <em>Brasil-Cat\u00e1strofe: constela\u00e7\u00f5es da destrui\u00e7\u00e3o que estamos vivendo<\/em>. Rio de Janeiro: Consequ\u00eancia Editora, 2023a.<br>______. Ornitorrinco Reloaded: uberiza\u00e7\u00e3o e vira\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas na crise do capital. <em>Caderno CRH<\/em>, [<em>S.l.<\/em>], v. 36, p. e023018, 2023b. DOI: 10.9771\/ccrh.v36i0.43821. 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