{"id":4359,"date":"2026-01-06T21:09:18","date_gmt":"2026-01-06T21:09:18","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=4359"},"modified":"2026-01-06T21:18:27","modified_gmt":"2026-01-06T21:18:27","slug":"o-futuro-depois-de-gaza-thomas-amorim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2026\/01\/06\/o-futuro-depois-de-gaza-thomas-amorim\/","title":{"rendered":"O futuro depois de Gaza \u00a0\u2013 Thomas Amorim"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u00c9 o D\u00c9CIMO primeiro dia do conflito, mas todos os dias j\u00e1 se fundiram numa<br>coisa s\u00f3: hoje \u00e9 como ontem, o mesmo bombardeio, as mesmas not\u00edcias, o<br>mesmo medo, o mesmo cheiro. Nada muda. Voc\u00ea convive com os m\u00edsseis, os<br>sons das explos\u00f5es, o zumbido dos drones, o estrondo s\u00f4nico dos F-16. Essa<br>cacofonia parece a trilha sonora de um filme, s\u00f3 que o filme \u00e9 a sua vida. Voc\u00ea<br>precisa conviver com isso e lembrar a si mesmo de que est\u00e1 vivo, de que isso<br>n\u00e3o \u00e9 um filme. Mas ent\u00e3o voc\u00ea duvida de si mesmo: talvez seja um filme, um<br>filme biogr\u00e1fico sobre voc\u00ea, e voc\u00ea j\u00e1 morreu\u00b9.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O futuro est\u00e1 amea\u00e7ado por um zumbido de drones e bombardeios, por um fluxo invasivo do presente e por uma torrente de f\u00faria e viol\u00eancia. O que esperar do futuro depois de Gaza? O que resta de perspectiva quando um massacre t\u00e3o hediondo e duradouro \u00e9 transmitido, em tempo real, para todo o mundo e nenhuma rea\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de impedi-lo? Como lutar contra a barb\u00e1rie e o colapso social? A cat\u00e1strofe que se abateu sobre o povo palestino \u00e9, sem d\u00favida, um sintoma evidente das tend\u00eancias sombrias do tempo em que vivemos. A chamada \u201cpalestiniza\u00e7\u00e3o do mundo\u201d\u00b2 tem como reverso a \u201cisraeliza\u00e7\u00e3o do mundo\u201d: Israel se tornou a utopia da extrema-direita mundial, porque construiu o mais bem-sucedido regime de <em>apartheid <\/em>do presente e pelo modelo autorit\u00e1rio de controle sobre uma popula\u00e7\u00e3o sobre a qual det\u00e9m o poder de vida ou morte. A utopia dos fortes e dominadores \u00e9 a distopia dos fracos e dominados.<\/p>\n\n\n\n<p>A gest\u00e3o violenta das popula\u00e7\u00f5es dominadas tem rendido como exporta\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, ideol\u00f3gica e militar para o regime sionista. Os limites de viol\u00eancia transpostos em Gaza s\u00e3o os limites que tendem a ser ultrapassados e alargados mundo afora quando os governos e poderes tiverem de lidar com elementos perturbadores da ordem. Dessa forma, a hecatombe recente foi um experimento, mais ou menos deliberado, em que a classe dominante tateou e testou tanto a capacidade de controle da opini\u00e3o p\u00fablica internacional quanto o poderio de rastreamento e exterm\u00ednio de seus inimigos.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>I<br>O genoc\u00eddio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o palestina e a destrui\u00e7\u00e3o de Gaza n\u00e3o se compara a nada que o mundo testemunhou no curso da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. Os 365 km2 da Faixa de Gaza receberam 85 mil toneladas de explosivos e produziram 50 milh\u00f5es de toneladas de escombros, que podem levar d\u00e9cadas para serem removidos, e mataram diretamente 67 mil pessoas\u00b3 \u2013 uma cifra que alcan\u00e7a centenas de milhares quando consideramos os assassinatos indiretos por meio da priva\u00e7\u00e3o de alimentos, de energia, equipamentos de sa\u00fade e medicamentos essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a forma como o genoc\u00eddio se deu conferiu um ineditismo ainda mais terr\u00edvel para essa barb\u00e1rie, porque o regime sionista conduziu cinicamente a devasta\u00e7\u00e3o e a carnificina de toda uma popula\u00e7\u00e3o diante da audi\u00eancia global. A despeito das narrativas oficiais e dos esfor\u00e7os c\u00ednicos da m\u00eddia, a sociedade p\u00f3s-moderna \u00e9 uma sociedade dominada pelo voyeurismo e pela visibilidade, ou seja, n\u00e3o permite o absoluto desconhecimento de semelhantes horrores. Os mais de 20 mil bombardeios realizados por Israel, a destrui\u00e7\u00e3o de toda a infraestrutura civil, das universidades aos hospitais, o assassinato de dezenas de milhares de civis indefesos, a morte e mutila\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, a fome catastr\u00f3fica e ajuda humanit\u00e1ria transformada em arma de guerra pela infame Funda\u00e7\u00e3o Humanit\u00e1ria de Gaza e muitos outros crimes contra a humanidade, foram registrados, transmitidos e conhecidos quase em tempo real por grande parte do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A perversidade expressa pelo ministro da defesa Yoav Gallant no come\u00e7o do genoc\u00eddio \u00e9 apenas mais um retrato da mentalidade sionista em geral: \u201cN\u00e3o haver\u00e1 nem eletricidade, nem comida, nem \u00e1gua, nem combust\u00edvel. Tudo fechado. N\u00f3s estamos combatendo animais humanos e estamos agindo em conformidade com esse contexto\u201d\u2074. Ou seja, pensam os sionistas que podem implantar a barb\u00e1rie e se tornar animais porque veem os mais de 2 milh\u00f5es de palestinos na Faixa de Gaza como animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma racionaliza\u00e7\u00e3o simples ou empatia seletiva poderia explicar tal monstruosidade e orgulhosa desumaniza\u00e7\u00e3o do outro e de si mesmo. Mas Adorno e Horkheimer j\u00e1 identificaram corretamente que a proje\u00e7\u00e3o do \u00f3dio no alvo do mesmo \u00e9 fundamental na psicologia do fascismo, um espelhamento justificador:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O indiv\u00edduo obcecado pelo desejo de matar sempre viu na v\u00edtima o perseguidor que o for\u00e7ava a uma desesperada e leg\u00edtima defesa, e os mais poderosos imp\u00e9rios sempre consideravam o vizinho mais fraco como uma amea\u00e7a insuport\u00e1vel antes de cair sobre eles. A racionaliza\u00e7\u00e3o era uma finta e, ao mesmo tempo, algo de compulsivo. Quem \u00e9 escolhido como inimigo \u00e9 percebido como inimigo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A brutalidade com que se vislumbra o outro \u00e9 \u00edndice da pobreza interior. O projeto etnonacionalista do sionismo sempre portou o germe dessa bestialidade, porque, mesmo no per\u00edodo de hegemonia do \u201csionismo socialista\u201d, ele s\u00f3 podia ver na identidade judaica algo de essencialmente contraposto \u00e0 identidade \u00e1rabe. Desde David Ben-Gurion, a utopia do Bem-Estar, das fazendas coletivas, do trabalho auto-organizado e da justi\u00e7a assumia a forma de um enclave \u00e9tnico e as institui\u00e7\u00f5es se organizavam atrav\u00e9s de identidades exclusivas\u2075. Tal equil\u00edbrio din\u00e2mico entre a ideologia igualit\u00e1ria e a particularista terminou por marginalizar a primeira \u00e0 medida que o ambiente internacional se deteriorou e a <em>realpolitik <\/em>fez mais lucrativo investir no colonialismo e no <em>apartheid<\/em>.<br><\/p>\n\n\n\n<p>O <em>slogan <\/em>do \u201cpovo sem terra para uma terra sem povo\u201d guardava o pior das ideologias europeias, o chauvinismo e o racismo, o apelo da terra e do sangue. E tal como o colonialismo do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, Israel desenvolveu a tecnologia da fome como mecanismo de domina\u00e7\u00e3o e t\u00e9cnica de controle da popula\u00e7\u00e3o colonizada. De acordo com o Programa Mundial de Alimentos, da ONU, 900 mil crian\u00e7as passavam fome em Gaza e 70 mil delas se encontravam em estado de desnutri\u00e7\u00e3o em julho de 2025. Um a cada tr\u00eas palestinos estava h\u00e1 dias sem comer, enquanto um pacote de farinha passava a custar 100 d\u00f3lares\u2076. Ao mesmo tempo, Israel espalhava terror e fazia at\u00e9 mesmo dos centros de ajuda humanit\u00e1ria um inferno permanente, executando indiv\u00edduos famintos nas filas de distribui\u00e7\u00e3o de comida e nos centros de ajuda humanit\u00e1ria:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Um rapaz estava sentado ao meu lado e, de repente, levou um tiro na cabe\u00e7a (\u2026) nem sabemos de onde veio a bala. Est\u00e1vamos l\u00e1 correndo atr\u00e1s da nossa sobreviv\u00eancia, mas nos vimos afogados em sangue. Hoje, qualquer pessoa que pegasse um saco de farinha, era recebida com tiros\u2077.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O relato dos trabalhadores da ajuda humanit\u00e1ria em Gaza revela que sua experi\u00eancia foi como trabalhar em valas coletivas em que estavam enterrados tanto mortos quanto vivos. Esse pesadelo p\u00f4de ser acompanhado em primeira pessoa tanto nos registros feitos pelos sobreviventes quanto nas filmagens exibidas pelos pr\u00f3prios soldados israelenses, muitas vezes em estado de j\u00fabilo diante da carnificina que cometiam.<\/p>\n\n\n\n<p>E o mais perturbador foi constatar o contraste entre as vidas completamente arruinadas, as milhares de crian\u00e7as mortas ou mutiladas, as fam\u00edlias destru\u00eddas de um lado e, de outro, a alegria, a zombaria e o orgulho de in\u00fameros executores das For\u00e7as de Defesa de Israel (FDI). Os militares postaram no TikTok v\u00eddeos em que se divertiam com os seus crimes, desde a promessa de liquidar as mem\u00f3rias dos palestinos enquanto destru\u00edam a infraestrutura civil at\u00e9 a fantasia com roupas \u00edntimas palestinas ap\u00f3s a invas\u00e3o de suas casas. Ao mesmo tempo, influenciadores israelenses fizeram dinheiro com v\u00eddeos virais que alcan\u00e7aram milhares de visualiza\u00e7\u00f5es ao escarnecerem da morte, dos ferimentos, da falta de \u00e1gua e de luz da popula\u00e7\u00e3o de Gaza\u2078. A m\u00e1quina de propaganda sionista foi capaz de disseminar a mentalidade fascista n\u00e3o apenas no meio militar, mas tamb\u00e9m em amplos setores da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>II<br>A viol\u00eancia desnudada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o devemos, no entanto, considerar o sionismo isolado do contexto internacional. Os terr\u00edveis epis\u00f3dios recentes fazem parte de uma escalada hist\u00f3rica da domina\u00e7\u00e3o israelense, mas tamb\u00e9m de uma s\u00e9rie crescente de viola\u00e7\u00f5es de regulamentos e conven\u00e7\u00f5es em n\u00edvel global. As guerras permanentes dos Estados Unidos, o belicismo e a expans\u00e3o da OTAN, a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia e o rearmamento da Europa fazem parte dessa cronologia mais ampla, que agora inclui o autoritarismo interno, a chantagem externa e at\u00e9 execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais pelo governo de Donald Trump. Ou seja, o pesadelo palestino foi tanto a resultante imediata da crise capitalista quanto, ao mesmo tempo, o sinistro press\u00e1gio de acontecimentos futuros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a perversidade sionista \u00e9 o sintoma mais recente da crise do ordenamento pol\u00edtico que vigorou no p\u00f3s-guerra. A viol\u00eancia devastadora que se abateu sobre os palestinos \u00e9 o rosto da pura domina\u00e7\u00e3o quando ela j\u00e1 n\u00e3o precisa ou n\u00e3o pode se camuflar com a etiqueta e as boas maneiras que vigoravam durante a Pax Americana. O neofascismo \u00e9 uma das respostas que a crise sist\u00eamica faz emergir e, dessa perspectiva, o sionismo \u00e9 tanto a fera que o Ocidente liberou para disputar as terras do Oriente M\u00e9dio quanto o modelo inspirador de grande parte de suas lideran\u00e7as de extrema-direita \u2013 Zelensky, por exemplo, diz:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Vamos nos tornar uma grande Israel, com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias. N\u00e3o ficaremos surpresos se tivermos representantes das For\u00e7as Armadas ou da Guarda Nacional em cinemas, supermercados, gente armada por todos os lados. A Ucr\u00e2nia definitivamente n\u00e3o ser\u00e1 o que quer\u00edamos que fosse desde o in\u00edcio. Imposs\u00edvel. Completamente liberal, europeia \u2013 n\u00e3o ser\u00e1 assim\u2079.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A classe dominante dos Estados Unidos e da Europa foi exposta em sua hipocrisia ilimitada enquanto dissimulava indigna\u00e7\u00e3o diante da invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia e bradava o \u201cdireito de defesa\u201d de Israel num conflito em que se via a mais monstruosa despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre uma pot\u00eancia militar e colonialista e uma popula\u00e7\u00e3o civil desamparada, desarmada, violada, mutilada e em estado de fome. Mas n\u00e3o se tratou apenas de uma impostura ideol\u00f3gica, mas de uma colabora\u00e7\u00e3o com a ofensiva genocida: 69% das importa\u00e7\u00f5es de armas de Israel provinham dos Estados Unidos e 30% da Alemanha, enquanto a Inglaterra providenciava suporte a\u00e9reo e vigil\u00e2ncia\u00b9\u2070. Igualmente, entre os principais financiadores de Israel est\u00e3o grandes companhias de investimento e bancos das pot\u00eancias atl\u00e2nticas \u2013 como a Allianz (Alemanha), a Vanguard (EUA), BPER Banca (It\u00e1lia), o Cr\u00e9dit Agricole (Fran\u00e7a) e mesmo o Ita\u00fa (Brasil). Bilh\u00f5es de d\u00f3lares flu\u00edram desses fundos para o investimento em t\u00edtulos israelenses comercializados sob o <em>slogan <\/em>\u201cIsrael est\u00e1 em guerra. N\u00f3s apoiamos Israel&#8221;\u00b9\u00b9.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, o antagonismo entre a posi\u00e7\u00e3o de Joe Biden, que pesou contra a reelei\u00e7\u00e3o dos Democratas, e a de Donald Trump foi impercept\u00edvel at\u00e9 o momento em que o \u00faltimo resolveu dedicar energia para obter um cessar-fogo \u2013 que se pretende acordo de paz e, na verdade, \u00e9 um projeto de recoloniza\u00e7\u00e3o da Palestina. Na Inglaterra, tampouco houve diferen\u00e7a entre o comportamento do primeiro-ministro conservador Rishi Sunak e o trabalhista Keir Starmer, demostrando que n\u00e3o h\u00e1 nada mais conservador do que um neoliberal progressista no governo. J\u00e1 a civilizada e democr\u00e1tica Uni\u00e3o Europeia direcionou sua economia para a venda e doa\u00e7\u00e3o de armas, ao mesmo tempo em que continua a pol\u00edtica de austeridade, reduzindo gastos sociais, encolhendo as aposentadorias e buscando cortar at\u00e9 os feriados nacionais\u00b9\u00b2.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de os governos \u00e1rabes terem ficado inertes diante das atrocidades cometidas em Gaza foi igualmente revelador e demonstra at\u00e9 que ponto est\u00e3o integrados e comprometidos com os aparelhos do capitalismo ocidental, fazendo da coniv\u00eancia um neg\u00f3cio mais vantajoso do que a resist\u00eancia. As teocracias e ditaduras da regi\u00e3o, em geral, est\u00e3o bem acomodadas aos interesses econ\u00f4micos e geopol\u00edticos dos pa\u00edses centrais e \u00e1vidos por neg\u00f3cios, seja a destrui\u00e7\u00e3o ou a reestrutura\u00e7\u00e3o da Palestina. Mas, enquanto se prestam ao papel de colaboradores locais na liquida\u00e7\u00e3o ou na reconstru\u00e7\u00e3o de Gaza, suas popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o integralmente solid\u00e1rias \u00e0 resist\u00eancia do povo palestino.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse desencontro entre a ideologia e a pr\u00e1tica dos governos e suas respectivas popula\u00e7\u00f5es, sem d\u00favidas, \u00e9 o \u00e1tomo de esperan\u00e7a que sobrevive nos escombros da cat\u00e1strofe. A fraqueza da sociedade burguesa se mostra nos momentos de crise quando as formas consagradas e cerimoniosas da domina\u00e7\u00e3o s\u00e3o substitu\u00eddas pela \u201cexplora\u00e7\u00e3o aberta, direta, despudorada e brutal\u201d\u00b9\u00b3. Hoje essa verdade se apresenta de maneira mais pura \u00e0 medida que se torna evidente que o par\u00e2metro moral do Ocidente se reduz aos interesses das grandes pot\u00eancias. Depois de Gaza, a verdade est\u00e1 escancarada e o futuro dos espoliados, desvalidos e descart\u00e1veis est\u00e1 anunciado frente ao mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A desumaniza\u00e7\u00e3o absoluta dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o escapou ao radar da classe trabalhadora de outras partes do mundo. Em todos os pa\u00edses citados e em incont\u00e1veis outros, ocorreram grandes manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade \u00e0 Palestina e de protesto contra a cumplicidade de seus respectivos governos. Nos Estados Unidos, o simb\u00f3lico movimento de ocupa\u00e7\u00e3o dos campi de grandes universidades mapeou os investimentos e parcerias do bilion\u00e1rio sistema universit\u00e1rio do pa\u00eds com o setor de produ\u00e7\u00e3o de armas e mecanismos de vigil\u00e2ncia de Israel, que, dentre outras coisas, era usado para destruir as universidades na Faixa de Gaza. Protestos de massa explodiram nas grandes cidades da Europa como Paris, Berlim e Londres, mas especialmente na It\u00e1lia ocorreu a subleva\u00e7\u00e3o mais significativa: 75 cidades entraram em greve geral em setembro de 2025, exigindo o rompimento dos la\u00e7os econ\u00f4micos, militares, pol\u00edticos e econ\u00f4micos do pa\u00eds com o Estado sionista. Milh\u00f5es de pessoas foram \u00e0s ruas em mais 100 cidades sob o <em>slogan <\/em>\u201cVamos bloquear tudo\u201d (<em>Blocchiamo Tutto<\/em>), inspirado no movimento hom\u00f4nimo na Fran\u00e7a (<em>Bloquons Tout<\/em>). O experimento levado a cabo pelos trabalhadores italianos foi o mais importante porque conectou a indigna\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com a interrup\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o, com o bloqueio das art\u00e9rias econ\u00f4micas da sociedade, paralisando grandes infraestruturas, rodovias e portos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim pressionados pelas massas, Reino Unido, Austr\u00e1lia, Canad\u00e1, Portugal e Fran\u00e7a, num movimento extremamente hip\u00f3crita, foram levados a reconhecer um fantasmag\u00f3rico Estado Palestino. No Oriente M\u00e9dio, por sua vez, os governos s\u00f3 parecem ter visto a necessidade de pressionar de forma decisiva os Estados Unidos contra a aniquila\u00e7\u00e3o dos palestinos ap\u00f3s verem sua soberania violada in\u00fameras vezes pelo car\u00e1ter criminoso e descontrolado do sionismo, que atacou repetidamente pa\u00edses vizinhos\u00b9\u2074. Desde os Acordos de Abra\u00e3o (2020), pa\u00edses como Emirados \u00c1rabes Unidos, Bahrein, Sud\u00e3o e Marrocos, tornaram-se s\u00f3cios de Israel com acordos de seguran\u00e7a e livre com\u00e9rcio, enquanto pa\u00edses como a S\u00edria, o I\u00eamen e a L\u00edbia se viram desestabilizados desde a Primavera \u00c1rabe. Muito mais eloquentes do que a condena\u00e7\u00e3o verbal de l\u00edderes como Erdogan, da Turquia, ao genoc\u00eddio foram seus la\u00e7os econ\u00f4micos continuados com Israel e o mesmo vale para a postura da ditadura militar eg\u00edpcia que censura o massacre do outro lado da fronteira, enquanto fornece energia para Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o contraste entre a raz\u00e3o de Estado e o desejo popular n\u00e3o poderia ser maior: S\u00edria, L\u00edbia, Tun\u00edsia, Arg\u00e9lia, Marrocos e Egito testemunharam enormes manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade \u00e0 Palestina. No Egito, foi planejada a Marcha Global para Gaza, que pretendia sair de Arish e percorrer 50 quil\u00f4metros para alcan\u00e7ar a cidade palestina de Rafah, criando press\u00e3o midi\u00e1tica e pol\u00edtica contra o regime sionista, por\u00e9m foi reprimida e boicotada pelo governo eg\u00edpcio. Os protestos mundiais tamb\u00e9m se fizeram sentir em enormes propor\u00e7\u00f5es em outras regi\u00f5es e pa\u00edses: da Cidade do Cabo a Amsterd\u00e3, de Melbourne a Jacarta, de Toronto a Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois dessa press\u00e3o global e de mais uma grave viola\u00e7\u00e3o das leis internacionais por parte de Israel no ataque \u00e0 c\u00fapula que negociava a paz em Doha, Catar, Donald Trump imp\u00f4s seu cessar-fogo, e a ofensiva genocida foi interrompida, sob press\u00e3o dos regimes \u00e1rabes aliados dos Estados Unidos. Essa suspens\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a que continua a pairar sobre Gaza, mas \u00e9 tamb\u00e9m o momento da classe trabalhadora internacional tentar elaborar a experi\u00eancia acumulada por esta \u00faltima onda de levantes populares e lutas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/gaza-1-1-1024x682.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-4364\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>III<\/strong><br><strong>O avan\u00e7o do neofascismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Palestina tem funcionado como um laborat\u00f3rio, n\u00e3o no sentido de ser um experimento deliberado a ser replicado em outros lugares, mas como um horizonte que revela tend\u00eancias para a gest\u00e3o violenta dos grupos vulner\u00e1veis de toda a popula\u00e7\u00e3o mundial. A Palestina \u00e9 um espelho ampliado que revela em detalhes o extremo a que a ordem social pode chegar. O discurso que desumaniza os palestinos n\u00e3o \u00e9 distinto daquele que odeia os migrantes, viola os seus direitos, territ\u00f3rios e mem\u00f3rias e n\u00e3o \u00e9 diverso da espolia\u00e7\u00e3o e da guerra levada a lugares como o Sud\u00e3o, a L\u00edbia, a S\u00edria, o Iraque ou o Afeganist\u00e3o, a sua resist\u00eancia ou fuga n\u00e3o difere qualitativamente da de v\u00e1rias outras popula\u00e7\u00f5es expropriadas. O capitalismo contempor\u00e2neo \u00e9 uma totalidade espoliativa em met\u00e1stase que se espalha destruindo todas as normatividades civilizacionais que haviam sido duramente arrancadas ao sistema no curso de d\u00e9cadas de luta. E \u00e9 por isso que observar atentamente os terr\u00edveis acontecimentos em Gaza \u00e9 perceber autoritarismo e controle latentes na sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>O essencialismo que divide os indiv\u00edduos ordin\u00e1rios e imp\u00f5e a l\u00f3gica dicot\u00f4mica de \u201celes\u201d e \u201cn\u00f3s\u201d \u00e9 fruto da escassez planejada do neoliberalismo e funcional para sufocar a solidariedade entre os povos. O <em>apartheid <\/em>em Israel n\u00e3o \u00e9 opressor unicamente em rela\u00e7\u00e3o aos palestinos na Cisjord\u00e2nia e Faixa de Gaza, mas tamb\u00e9m limita severamente os direitos dos \u00e1rabe-israelenses e, na pr\u00e1tica, favorece os judeus asquenazes em rela\u00e7\u00e3o a outros grupos judeus. Em Gaza, a constru\u00e7\u00e3o de um muro ao redor de um territ\u00f3rio de 365 km2, o controle absoluto do fluxo de pessoas e a vigil\u00e2ncia permanente de seus subcidad\u00e3os, ou seja, a guetifica\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 2 milh\u00f5es de pessoas que j\u00e1 dura quase 20 anos, \u00e9 o prot\u00f3tipo do que os governos crescentemente autorit\u00e1rios ao redor do mundo buscam reproduzir.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Na Faixa de Gaza, Israel construiu o maior campo de prisioneiros a c\u00e9u aberto do mundo, dependendo da solidariedade internacional, porque a \u00e1gua, a eletricidade, a entrada e a sa\u00edda de pessoas, tudo est\u00e1 controlado pelo estado sionista\u00b9\u2075.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os palestinos, dessa maneira, vivem a distopia futurista mais bem desenhada do mundo. Eles s\u00e3o controlados, vigiados, monitorados, chantageados, presos e assassinados de forma absolutamente livre por um colonizador que est\u00e1 tecnologicamente d\u00e9cadas \u00e0 frente, que \u00e9 in\u00fameras vezes mais poderoso e \u00e9 absolutamente implac\u00e1vel em seu prop\u00f3sito de domina\u00e7\u00e3o. Se o <em>rainbow washing<\/em> israelense atrai democratas e progressistas, \u00e9 essa imposi\u00e7\u00e3o militar que fascina a extrema-direita em todo o mundo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O TRATAMENTO INCLEMENTE QUE ISRAEL dedica aos palestinos e o perfilamento racial sancionado pelo Estado criaram um paradoxo: popularizaram o pa\u00eds entre grupos que tradicionalmente odeiam os judeus. Uma bandeira israelense podia ser vista no ato em frente ao Capit\u00f3lio dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021 antes do pr\u00e9dio ser invadido por manifestantes de extrema-direita [\u2026] O Estado judeu defende fronteiras fortes com orgulho, rejeita qualquer tentativa de organismos de governan\u00e7a global como a organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) de se imiscuir em seus assuntos dom\u00e9sticos e se vende como um Estado onde os judeus est\u00e3o acima de tudo\u00b9\u2076.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>No capitalismo tardio, a gest\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o excedente \u00e9 uma quest\u00e3o para todos os pa\u00edses, dadas as realidades da crise da acumula\u00e7\u00e3o, do desemprego estrutural e do consequente colapso da legitimidade dos regimes pol\u00edticos. A vantagem comparativa de Israel \u00e9 ser a vanguarda na gest\u00e3o autorit\u00e1ria de uma popula\u00e7\u00e3o indesejada que o acompanha desde a origem de seu Estado-na\u00e7\u00e3o. O militarismo \u00e9 a doutrina fundadora do pa\u00eds e logo se tornou seu grande neg\u00f3cio, tendo hoje 10% de toda a sua for\u00e7a de trabalho ligada ao com\u00e9rcio de armas. Principalmente ap\u00f3s a Guerra dos Seis Dias, em 1967, o sionismo passou a ver no militarismo um nicho de mercado e passou a colaborar com ditaduras, regimes autorit\u00e1rios e entidades etnonacionalistas em todo o mundo: a Indon\u00e9sia, a Rom\u00eania, o Paraguai, a Argentina, a Guatemala e a \u00c1frica do Sul s\u00e3o apenas alguns exemplos hist\u00f3ricos. No s\u00e9culo XXI, os drones de vigil\u00e2ncia e repress\u00e3o (por exemplo, o Sea of Tears), a biometria, a gen\u00e9tica, o monitoramento de redes sociais, o hackeamento, a intelig\u00eancia artificial e a propaganda online (a <em>Instaguerra<\/em>) com finalidades pol\u00edticas e militares entram para o rol de contribui\u00e7\u00f5es israelenses para o mundo\u00b9\u2077. <\/p>\n\n\n\n<p>Toda essa viol\u00eancia inspira e ensina \u00e0 extrema-direita dos Estados Unidos sobre o seu combate aos imigrantes, incluindo a constru\u00e7\u00e3o de cercas e sistemas de vigil\u00e2ncia na fronteira com o M\u00e9xico e a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o indesejada. Os europeus igualmente utilizam as m\u00e1quinas e tecnologias humanas israelenses no seu controle de fronteiras, na permanente ca\u00e7ada aos refugiados das guerras que eles pr\u00f3prios provocaram, alimentaram ou financiaram em outras regi\u00f5es do mundo. Os europeus empregam drones para vigiar o Mediterr\u00e2neo, mas n\u00e3o com a inten\u00e7\u00e3o de salvar imigrantes, e sim para impedi-los de chegar \u00e0 costa, deixando-os morrer no mar ou entregando-os ilegalmente para pris\u00f5es, torturas e extors\u00f5es na L\u00edbia. As tecnologias empregadas nos palestinos tamb\u00e9m s\u00e3o \u00fateis: detectores de mentira alimentados por intelig\u00eancia artificial, barreiras digitais, canh\u00f5es de som ensurdecedores. Processos de controle e viol\u00eancia que naturalmente est\u00e3o sendo preparados para ser empregados contra as popula\u00e7\u00f5es nativas desses pa\u00edses, contra protestos, advers\u00e1rios pol\u00edticos ou grupos \u00e9tnicos minorit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso alem\u00e3o \u00e9 o mais elucidativo, porque a ideologia fundadora da Alemanha reunificada foi a expia\u00e7\u00e3o pelos horrores de seu passado, em especial o Holocausto. No entanto, devemos desconfiar da boa-f\u00e9 de um discurso que recorre \u00e0 culpa com rela\u00e7\u00e3o aos crimes do passado enquanto fomenta o militarismo e a corrida armamentista no presente. De fato, na Alemanha, o autoritarismo se desenvolve desenfreadamente simultaneamente ao crescimento do Alternative F\u00fcr Deutschland (AfD), e os demais partidos se assemelham e aproximam cada vez mais das propostas da extrema direita. A Alemanha n\u00e3o s\u00f3 tem criminalizado manifesta\u00e7\u00f5es em solidariedade \u00e0 Palestina nos \u00faltimos anos, como tem perseguido intelectuais e ativistas que n\u00e3o se mostrem alinhados aos discursos e interesses oficiais do Estado. Entidades acad\u00eamicas, como o DAAD, e a ag\u00eancia p\u00fablica de not\u00edcias Deutsche Welle (DW), bem como os profissionais a elas relacionados tiveram sua autonomia seriamente restringidas pela implementa\u00e7\u00e3o de medidas retaliat\u00f3rias e amea\u00e7as em casos de cr\u00edtica ao genoc\u00eddio e o projeto de limpeza \u00e9tnica sionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Como observa Masha Gessen, o culto alem\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria, desde h\u00e1 muito, come\u00e7ou a parecer ritual e est\u00e1tico, mais um engessamento do que sincera autocr\u00edtica com rela\u00e7\u00e3o aos crimes contra a humanidade do nazismo, \u201ccomo se fosse um esfor\u00e7o n\u00e3o para lembrar a hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m para garantir que apenas esta vers\u00e3o da hist\u00f3ria fosse lembrada \u2013 e apenas dessa maneira\u201d Com a mem\u00f3ria convertida em dogma, com a intencional confus\u00e3o de qualquer cr\u00edtica a Israel com antissemitismo, a Alemanha erige um imperativo \u00e0 obedi\u00eancia incondicional. A pr\u00f3pria AfD, com seus la\u00e7os com o nazifascismo, abra\u00e7a cinicamente o sionismo porque ele pode contribuir para encobrir seu pr\u00f3prio etnonacionalismo e ser um instrumento para perseguir o inimigo interno da vez, os imigrantes mu\u00e7ulmanos. O dogma como ordenamento cultural casa bem com o autoritarismo e a extrema-direita emergente, pois qualquer outro crime alem\u00e3o deve empalidecer e seus cr\u00edticos se calarem diante daquele crime excepcional e incompar\u00e1vel. A Alemanha n\u00e3o precisa temer a repeti\u00e7\u00e3o da monstruosidade, porque ela j\u00e1 aconteceu, est\u00e1 selada no passado e \u00e9 \u201cirrepet\u00edvel\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Depois de Gaza, j\u00e1 n\u00e3o teremos motivo para a ing\u00eanua convic\u00e7\u00e3o de que o fascismo n\u00e3o voltar\u00e1 e nem para a ideia de que o futuro reserva uma sociedade de direitos iguais para todos. Depois de Gaza, ficar\u00e1 ainda mais evidente o colapso do sistema de relativa estabilidade do p\u00f3s-guerra, dos equil\u00edbrios de pesos e contrapesos do direito internacional. Depois de Gaza, o autoritarismo, as medidas de exce\u00e7\u00e3o e as tecnologias de repress\u00e3o se espalhar\u00e3o ainda mais r\u00e1pido pelo mundo. Depois de Gaza, ainda haver\u00e1 uma Gaza sitiada e oprimida, mas tamb\u00e9m haver\u00e1 uma fugaz reminisc\u00eancia das lutas, do sentimento de solidariedade e da revolta internacional que Gaza fez despertar.<\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00b9SAIF, ATEF ABU. <em>Quero estar acordado quando morrer: di\u00e1rio do genoc\u00eddio em Gaza<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Elefante, 2024, p. 60.<br>\u00b2BENTO, Berenice. <em>Palestiniza\u00e7\u00e3o do mundo<\/em>. Blog da Boitempo, 2024. Dispon\u00edvel em:https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2024\/05\/30\/palestinizacao-do-mundo. Acesso em: 5 set. 2025<br>\u00b3MAGALH\u00c3ES, Juan. <em>A algoritmiza\u00e7\u00e3o da morte e o paradigma da \u201cguerra\u201d permanente<\/em>. Le Monde Diplomatique, 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/diplomatique.org.br\/a-algoritmizacao-da-morte-e-o- paradigma-da-guerra-permanente. Acesso em: 15 nov. 2025.<br>\u2074JONAH MANDEL; ADEL ZAANOUN. \u201c<em>Sem eletricidade, comida, \u00e1gua e combust\u00edvel\u201d, ministro da Defesa de Israel anuncia cerco total a Gaza, onde vivem 2 milh\u00f5es<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/<https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/10\/09\/sem-eletricidade-comida-agua-e-combustivel- ministro-da-defesa-de-israel-anuncia-cerco-total-a-gaza-onde-vivem-2-milhoes.ghtml&gt;.\">http:\/\/&lt;https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/10\/09\/sem-eletricidade-comida-agua-e-combustivel- ministro-da-defesa-de-israel-anuncia-cerco-total-a-gaza-onde-vivem-2-milhoes.ghtml>.<\/a> Acesso em 1 nov. 2025.<br>\u2075ALTMAN, Breno.<em> Contra o Sionismo: Retrato de uma Doutrina Colonial e Racista<\/em>. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2023.<br>\u2076NATARAJAN, Swaminathan. <em>A fome extrema em Gaza: \u201cEu morreria por um pacote de farinha\u201d<\/em>. BBC. Dispon\u00edvel em:https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c4gen9p673go. Acesso em: 15 nov. 2025.<br>\u2077NATARAJAN, Swaminathan. <em>A fome extrema em Gaza: \u201cEu morreria por um pacote de farinha\u201d<\/em>. BBC. Dispon\u00edvel em:https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c4gen9p673go. Acesso em: 15 nov. 2025.<br>\u2078AL JAZEERA. <em>Investigating war crimes in Gaza. Doha<\/em>: Al Jazeera, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=kPE6vbKix6A. Acesso em: 15 nov. 2025.<br>\u2079SOKOL, Sam. <em>\u201cZelenskyy says post\u2010war Ukraine will emulate Israel, won\u2019t be \u2018liberal, European\u2019\u201d<\/em>. Haaretz, 5 abr. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.haaretz.com\/world news\/europe\/2022-04-05\/ty-article\/.highlight\/zelenskyy says-post-war-ukraine-will-emulate-israel-wont-be-liberal- european\/00000180-5bc4-d718-afd9-dffcdfdd0000). Acesso em: 10 set. 2025.<br>\u00b9\u2070WIKIP\u00c9DIA. <em>List of countries supplying arms to Israel.<\/em> In: Wikip\u00e9dia. [s.l.: s.n.], 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_countries_supplying_arms_to_Israel. 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