{"id":4133,"date":"2025-10-27T23:18:07","date_gmt":"2025-10-27T23:18:07","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=4133"},"modified":"2025-12-12T13:56:32","modified_gmt":"2025-12-12T13:56:32","slug":"o-nobre-contribuicao-para-o-seu-estudo-antonio-candido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2025\/10\/27\/o-nobre-contribuicao-para-o-seu-estudo-antonio-candido\/","title":{"rendered":"O Nobre: contribui\u00e7\u00e3o para o seu estudo\u00a0&#8211; Antonio Candido"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>\u2026ningu\u00e9m ignora que a riqueza em todo o mundo costumou ser o esteio da nobreza<\/p><cite>Frei Gaspar da Madre de Deus<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>A ideia de nobreza desempenhou e desempenha um papel de maior import\u00e2ncia na consci\u00eancia do Ocidente. As no\u00e7\u00f5es de superioridade e de excel\u00eancia est\u00e3o, por mais de um aspecto, profundamente ligadas \u00e0 representa\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o ideal de comportamento emprestado pela tradi\u00e7\u00e3o ao homem nobre, ao senhor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do \u00e2ngulo psicossociol\u00f3gico, a nobreza \u00e9 portanto, antes de mais nada, um modo de viver, um conjunto de sentimentos e de maneiras que tem virtude pr\u00f3pria, e que a generalidade dos homens dever\u00e1 assimilar a fim de revestir-se, de certo modo, da qualidade superior inerente ao homem nobre. As a\u00e7\u00f5es <em>nobres<\/em>, os metais <em>nobres<\/em>, os tecidos <em>nobres<\/em>, os lugares <em>nobres <\/em>\u2013 indicam bem claramente a penetra\u00e7\u00e3o, na consci\u00eancia coletiva, desta convic\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia, que leva ao desejo de participa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O sentimento de superioridade \u2013 ligado aos dois processos de superordena\u00e7\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 um dos grandes eixos da conduta humana, e o sentimento de nobreza prende-se diretamente a ele. Se passarmos do plano psicol\u00f3gico para o sociol\u00f3gico, sentiremos, de in\u00edcio, a necessidade de relacionar estreitamente o padr\u00e3o de comportamento com as estruturas sociais, a que est\u00e1 associado, e aos valores sociais, que as mant\u00e9m no plano da organiza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alargando deste modo a perspectiva, veremos que a representa\u00e7\u00e3o ideal de um comportamento nobre depende da representa\u00e7\u00e3o ideal de um tipo de homem, o Nobre; e que este se baseia em determinadas forma\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas \u2013 as nobrezas dos pa\u00edses e regi\u00f5es da Europa Ocidental \u2013 caracterizadas por certos tipos de estratifica\u00e7\u00e3o social e por tipos de explora\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o dos bens econ\u00f4micos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O presente ensaio n\u00e3o pretende estudar a ocorr\u00eancia ou g\u00eanese em diversas sociedades, primitivas e evolu\u00eddas, do fen\u00f4meno quase universal de camadas privilegiadas pela fun\u00e7\u00e3o, pela propriedade ou pela sobreviv\u00eancia do prest\u00edgio. Visa t\u00e3o somente estabelecer as condi\u00e7\u00f5es que determinaram a forma\u00e7\u00e3o do ideal <em>nobre <\/em>de comportamento, ocorrente na cultura dos povos contempor\u00e2neos do Ocidente. Uma tentativa, portanto, de simplifica\u00e7\u00e3o, para obter um tipo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este poderia ser uma constru\u00e7\u00e3o ideal ou um padr\u00e3o hist\u00f3rico, tomado como paradigma. O autor ficou a meio caminho das duas poss\u00edveis e leg\u00edtimas solu\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas, concentrando a sua aten\u00e7\u00e3o num tipo hist\u00f3rico de nobre, mas procurando, nele, o reflexo dos tipos anteriores, e o embri\u00e3o dos tipos posteriores. O gentil homem franc\u00eas da segunda metade do s\u00e9culo XVII, o cortes\u00e3o de Luiz XIV no per\u00edodo \u00e1ureo do seu reino \u2013 que vai at\u00e9 a guerra da Liga de Augsburgo \u2013 pareceu uma base historicamente v\u00e1lida para a generaliza\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica. Com efeito, ele n\u00e3o apenas absorve no seu comportamento os velhos padr\u00f5es da cavalaria medieval, como o refinamento pragm\u00e1tico do Renascimento italiano e borguinh\u00e3o, florada de uma cultura urbana patr\u00edcia fundida com o esp\u00edrito cavaleiresco para definir o nobre moderno. Mais ainda: gra\u00e7as \u00e0 proje\u00e7\u00e3o do seiscentos franc\u00eas, as aristocracias dos demais pa\u00edses se amoldaram mais ou menos ao seu modelo, incorporando-o desta forma aos respectivos patrim\u00f4nios culturais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste n\u00famero de <em>Sociologia<\/em> o autor publica a parte inicial \u2013 cerca de um quarto do trabalho -, que estuda a base hist\u00f3rico-social em que se desenvolveu o nobre-tipo dos tempos modernos e n\u00e3o representa, pois, o cerne das suas considera\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos diferentes pa\u00edses do Ocidente \u2013 Alemanha, It\u00e1lia, Inglaterra, Fran\u00e7a, Espanha e Portugal \u2013 as respectivas nobrezas se formaram de modo nem sempre an\u00e1logo. N\u00e3o obstante, o ponto de partida e o ponto de chegada s\u00e3o parecidos, na grande maioria dos casos. Na alta Idade M\u00e9dia, a nobreza surgiu, como camada social, da atribui\u00e7\u00e3o de liderar e defender as popula\u00e7\u00f5es rurais das vicissitudes de um per\u00edodo em que a vida urbana regredira quase at\u00e9 o desaparecimento, os caminhos se obliteraram e o policiamento \u2013 em consequ\u00eancia \u2013 desaparecera como for\u00e7a de controle social. (Mais tarde, o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas foi, tamb\u00e9m, sobretudo na It\u00e1lia e na Alemanha, uma fonte de enobrecimento).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, a ideia do nobre-por-excel\u00eancia ficou ligada ao Senhor e ao Cavaleiro: um tipo de domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e um tipo de fun\u00e7\u00e3o militar; dupla circunst\u00e2ncia que vai definir formas especiais de diferencia\u00e7\u00e3o e de estratifica\u00e7\u00e3o social, para culminar na elabora\u00e7\u00e3o de uma ideologia pr\u00f3pria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, o Senhor e o Cavaleiro tiram sua raz\u00e3o de ser do fato de servirem: o <em>servi\u00e7o <\/em>\u00e9 o fundamental da nobreza, o esteio da sua diferencia\u00e7\u00e3o como camada social; o nobre se diferencia inicialmente do n\u00e3o-nobre pela fun\u00e7\u00e3o que exerce. Antes da alta Idade M\u00e9dia n\u00e3o era conceb\u00edvel a nobreza como qualidade separada do ato espec\u00edfico que a justificava: o filho de cavaleiro n\u00e3o nascia cavaleiro, e se n\u00e3o fizesse jus a esta qualidade pela capacidade militar, n\u00e3o seria nobre. Inicialmente, portanto, nobre \u00e9 o que serve pessoalmente em duas formas de servi\u00e7o: ao seu senhor suserano, a quem jurou fidelidade e obedi\u00eancia; indiretamente, \u00e0s popula\u00e7\u00f5es dos dom\u00ednios do senhor. A possibilidade f\u00edsica de combater, somada \u00e0 possibilidade econ\u00f4mica de armar-se (ter um cavalo, uma lan\u00e7a, uma espada e um arn\u00eas) definiam um nobre eventual: o servi\u00e7o prestado e o juramento que punha o servi\u00e7o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de um senhor definiam o nobre real.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dois problemas sociais apareceram ent\u00e3o, necessariamente, como base indispens\u00e1vel ao <em>estado <\/em>de nobreza: a garantia de servi\u00e7o e a sua remunera\u00e7\u00e3o. Destes problemas, decorrer\u00e3o um tipo de apropria\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, com suas v\u00e1rias modalidades, e um padr\u00e3o ideal de comportamento, que por sua vez determinar\u00e3o novas formas de estrutura social. O feudalismo, nome pelo qual designamos a maneira por que se reuniram os tr\u00eas elementos \u2013 econ\u00f4mico, sociol\u00f3gico e ideol\u00f3gico \u2013 foi uma solu\u00e7\u00e3o ordenadora das novas rela\u00e7\u00f5es sociais, tendo ocorrido sob as formas classicamente definidas na Fran\u00e7a e na Alemanha. Na Inglaterra e em Portugal a centraliza\u00e7\u00e3o precoce limitou-o; outros fatores de limita\u00e7\u00e3o foram a conquista moura na Espanha e a vida urbana na It\u00e1lia, nas Flandres e em certas regi\u00f5es na Alemanha. Para todo o Ocidente, por\u00e9m, podemos falar em feudalismo (como simplifica\u00e7\u00e3o terminol\u00f3gica) no sentido de um tipo de organiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, e sua remunera\u00e7\u00e3o, na base da vassalagem e da distribui\u00e7\u00e3o de terras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O feudo \u2013 terra dada em troca de servi\u00e7o e obrigando a servi\u00e7o eventual \u2013 foi a forma por que se deu consist\u00eancia ao servi\u00e7o militar do cavaleiro: define uma situa\u00e7\u00e3o de controle desorganizado, poder central fraco, assim como o soldo define a exist\u00eancia de um controle centralizado e definido. O guerreiro soldado foi, primeiro, servidor do chefe, antes de ser o de um governo: \u201cchi comanda paga e chi paga comanda\u201d \u2013 diziam os <em>condottieri.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para garantir essa situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, era necess\u00e1ria uma \u00e9tica pr\u00f3pria, como \u00e9 hoje a \u201cpalavra comercial\u201d, e como foi, ent\u00e3o, a honra cavaleiresca. Em contraposi\u00e7\u00e3o ao patriotismo grego ou romano, fundado na defesa dos lares; do patriotismo moderno, fundado na preserva\u00e7\u00e3o da integridade nacional, o sentimento feudal \u00e9 a honra cavaleiresca, ou seja, o respeito ao juramento de servir. At\u00e9 quase os nossos dias, ningu\u00e9m morria pela p\u00e1tria; morria pelo Senhor \u2013 como estabeleceu a \u00e9tica feudal, baseada na lealdade pessoal das tribos germ\u00e2nicas. Nasce da\u00ed a fidelidade, que \u00e9 a garantia de servir e ser servido \u2013 e portanto, a garantia do tipo feudal de apropria\u00e7\u00e3o da riqueza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Numa sociedade predominantemente agr\u00e1ria \u2013 se excetuarmos algumas cidades da It\u00e1lia, e, mais tarde, das Flandres e da Alemanha \u2013 a terra \u00e9 o centro das rela\u00e7\u00f5es sociais. A finalidade das guerras \u00e9 a terra, e poderemos, de um \u00e2ngulo sociol\u00f3gico e econ\u00f4mico, interpretar a lealdade cavaleiresca como um sistema ideol\u00f3gico para regulamentar a obten\u00e7\u00e3o e posse dos bens econ\u00f4micos, principalmente bens territoriais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A fidelidade do cavaleiro ao Senhor \u00e9 a garantia permanente da posse da sua defesa; perjurar significa desfalcar de uma lan\u00e7a a pol\u00edcia territorial. Uma an\u00e1lise mais prolongada nos mostraria at\u00e9 que ponto \u00e9 verdadeira esta hip\u00f3tese: Veja-se, por exemplo, a institui\u00e7\u00e3o feudal do resgate \u2013 esp\u00e9cie de indeniza\u00e7\u00e3o por perdas e danos que \u00e9, tamb\u00e9m, uma aut\u00eantica fonte de renda. Nos combates, o cavaleiro procura menos matar do que aprisionar: matam-se os pe\u00f5es que n\u00e3o tem valor econ\u00f4mico, prendem-se os cavaleiros, que ser\u00e3o postos a resgate segundo a sua hierarquia. Ora, o cavaleiro posto a resgate est\u00e1 vinculado ao captor pela honra, que quebrar\u00e1 se fugir, pois lhe pertence como a coisa ao possuidor. Jo\u00e3o II de Valois, capturado em Poitiers pelo Pr\u00edncipe Negro, padece longo cativeiro na Inglaterra, esperando o dinheiro do pesad\u00edssimo resgate. Obtendo licen\u00e7a para voltar \u00e0 Fran\u00e7a, deixa em seu lugar o filho. O rapaz foge, o rei n\u00e3o trepida: volta ao pa\u00eds inimigo, de cujo soberano era presa, e falece no ex\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<p>A entrega da espada, o resgate, o tratamento do prisioneiro \u2013 s\u00e3o aspectos de um comportamento cuja base \u00e9 em parte econ\u00f4mica. A lealdade \u00e9 a garantia da propriedade, e tanto \u00e9 fel\u00e3o o cavaleiro que trai o suserano, quanto o suserano que trai o vassalo. O juramento de fidelidade e o culto da palavra s\u00e3o penhores de um certo tipo de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, em que a escassez de numer\u00e1rio, da manufatura e do com\u00e9rcio davam, por um lado, import\u00e2ncia fundamental \u00e0 terra, por outro, \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o direta de riquezas pela guerra e o assalto. Por isso mesmo, a honra feudal nos parece, a n\u00f3s de hoje, t\u00e3o incoerente \u00e0 primeira vista, quanto a nossa lhes pareceria, aos homens da Idade M\u00e9dia. Lembremos apenas que matar a peonagem, ou as popula\u00e7\u00f5es, n\u00e3o era crueldade; mas era crueldade matar ao suzerano, ou ao vassalo; que o roubo a m\u00e3o armada, quer em castelos, quer em burgos, quer de burgueses na estrada, quer de vil\u00f5es no campo, n\u00e3o era deprimente para o assaltante; mas era deprimente perjurar, ou desviar a parte que aos pares, suzeranos ou vassalos coubesse do botim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O feudalismo, como sistema de apropria\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da terra, se instala realmente com o enfraquecimento do poder imperial no Ocidente. Do s\u00e9culo IX ao s\u00e9culo XII, aparece como a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social. Ao lado da Igreja, \u00e9 a fo\u00e7a que mant\u00e9m o Ocidente e torna poss\u00edvel, em alguns pa\u00edses, o desenvolvimento da centraliza\u00e7\u00e3o administrativa e a preserva\u00e7\u00e3o da cultura \u2013 se entendermos por cultura tamb\u00e9m as formas de conviv\u00eancia humana pr\u00f3prias de uma dada sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista estrutural, a primeira consequ\u00eancia do feudalismo \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de uma camada social superposta \u00e0s demais e se impondo a elas, como necessidade, pelo exerc\u00edcio efetivo da lideran\u00e7a. O v\u00ednculo normal na alta Idade M\u00e9dia \u00e9 a depend\u00eancia do inferior em rela\u00e7\u00e3o ao superior. A meta de quem deseja sobreviver dentro das normas ent\u00e3o vigentes de vida social \u00e9 a subordina\u00e7\u00e3o completa a um protetor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O protetor \u00e9 o homem livre \u2013 e s\u00f3 \u00e9 livre quem tem armas e elementos para defender a sua vida e assegurar o aux\u00edlio de alguns apaniguados. A nobreza \u00e9, portanto, inicialmente, a universalidade dos livres, ou simplesmente dos homens; baro, baron; var\u00e3o, bar\u00e3o. A sua realidade estrutural (definido quase dois tipos de humanidade entre os quais medeia um abismo) \u00e9 fruto de uma condi\u00e7\u00e3o humana diferente da maioria dos homens. O bar\u00e3o \u00e9 um ser \u00e0 parte, que justifica a sua preemin\u00eancia pelo servi\u00e7o que presta, pela garantia relativa que d\u00e1 ao trabalho do campo. A ideia de nobreza se constitui, lentamente, ligada ao sentimento de que o nobre \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel da vida social \u2013 sentimento que s\u00f3 come\u00e7ou a perder o significado com o desenvolvimento da vida urbana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os historiadores (que at\u00e9 hoje n\u00e3o entraram em acordo, nem mesmo relativo, quanto \u00e0 origem da nobreza) n\u00e3o nos fornecem dados para avaliar com seguran\u00e7a o processo do seu desenvolvimento. O fato \u00e9 que a certa altura, antes do s\u00e9culo XI, ela j\u00e1 era uma camada, um universo estrutural com os seus valores correspondentes e a sua t\u00e9cnica pr\u00f3pria de apropria\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e lideran\u00e7a social, solidificada quando harmonizaram em seu seio as no\u00e7\u00f5es aparentemente contradit\u00f3rias de <em>servi\u00e7o <\/em>e <em>heran\u00e7a<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas castas, os membros nascem membros e assim morrem sem altera\u00e7\u00e3o poss\u00edvel: a primitiva nobreza feudal, baseada no servi\u00e7o, n\u00e3o podia ser fechada; era acess\u00edvel aos que servissem. Por outro lado, haveria bem cedo a tend\u00eancia de transformar a posse da terra do suzerano em propriedade de fato, e portanto transmiti-la aos herdeiros. No momento em que se conciliou a posse, fundada no servi\u00e7o, com a heran\u00e7a, a nobreza foi adquirindo tra\u00e7os de casta. Nunca o foi, por\u00e9m; sobretudo na Idade M\u00e9dia. A concep\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da sociedade, que reinava ent\u00e3o, diferenciava os grupos segundo a fun\u00e7\u00e3o e os estratificava segundo a import\u00e2ncia desta. Para a concep\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, n\u00e3o pode formar-se a casta, propriamente dita, porque o crit\u00e9rio de fun\u00e7\u00e3o \u2013 que para esta \u00e9 o nascimento \u2013 reside, conforme ela, primeiro no tipo, segundo na excel\u00eancia da tarefa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A configura\u00e7\u00e3o estrutural da nobreza n\u00e3o prescinde, para ser compreendida, da no\u00e7\u00e3o de Imp\u00e9rio, ou de Realeza. O Imp\u00e9rio \u00e9 o pr\u00f3prio corpo do Ocidente; os grupos humanos, ordenados dentro dele \u00e0 maneira de \u00f3rg\u00e3os, s\u00e3o parcelas dele: s\u00e3o o que se chamou bem cedo de <em>estados<\/em>, ou seja, <em>condi\u00e7\u00f5es<\/em>, modos de <em>estar <\/em>e de ser. O estado de cl\u00e9rigo, a maneira de estar de cl\u00e9rigo, \u00e9 que o distingue dos n\u00e3o-cl\u00e9rigos: o clero \u00e9 portanto um <em>estado <\/em>\u2013 designa\u00e7\u00e3o que implica uma sociologia embrion\u00e1ria, para a qual as rela\u00e7\u00f5es sociais definem a condi\u00e7\u00e3o humana do <em>socius<\/em>. O <em>estado <\/em>da nobreza aparece como um dos poss\u00edveis modos de ser; o nobre <em>\u00e9<\/em>, servindo com a espada, como o cl\u00e9rigo <em>\u00e9<\/em>, servindo com o esp\u00edrito, ou o servo <em>\u00e9<\/em>, servindo com o trabalho produtivo. Para os te\u00f3ricos reacion\u00e1rios e para os racistas (que coincidem em mais de um ponto), a nobreza ocidental seria, antes de mais nada, a camada superior formada pelos povos conquistadores e sancionada depois pelo servi\u00e7o, que empresta \u00e0 nobreza um <em>status <\/em>de direito natural. \u00c9 a famosa teoria formulada e posta em voga por Boulainvilliers nos seus <em>Essais sur la Noblesse de France<\/em>, que ainda hoje tem adeptos e que n\u00e3o se justifica nem \u00e0 luz da hist\u00f3ria, nem da sociologia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, portanto, uma sociedade em que os modos de fazer determinam os modos de possuir e de ser e s\u00e3o valorizados diversamente, segundo uma hierarquia que regula a forma de remunera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o dos bens. O membro do <em>estado <\/em>da nobreza tem mais oportunidades para levar seus filhos \u00e0 presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o nobilitante do que os membros do <em>estado <\/em>de servid\u00e3o: assim, tal servi\u00e7o passa quase a ser um privil\u00e9gio daquele <em>estado<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, \u00e9 certo que antes do fim do s\u00e9culo XIII n\u00e3o houve enobrecimentos, ou seja, concess\u00e3o do <em>estado <\/em>de nobreza; at\u00e9 ent\u00e3o, nobreza era condi\u00e7\u00e3o que se adquiria pelo servi\u00e7o militar, com reconhecimento dos pares (regulamentado no s\u00e9culo XI pela cerim\u00f4nia de investidura cavaleiresca) e maiores probabilidades para os filhos de nobres. Em seguida, o <em>estado <\/em>de nobreza passa a ser concedido pelos reis a quem lhes aprouver, ou adquirido automaticamente pelo exerc\u00edcio de certos cargos civis, \u00e0 imagem do que se deu desde cedo nas regi\u00f5es em que sobreviveu uma certa vida municipal.<\/p>\n\n\n\n<p>Como sistema de distribui\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos no espa\u00e7o social, a nobreza desde logo se diferenciou em segmentos e subcamadas, que a partir dos s\u00e9culos XII e XIII foram sancionados pela hierarquia feudal. A princ\u00edpio, conde, marqu\u00eas e duque era simplesmente o bar\u00e3o (isto \u00e9, o possuidor de terra) investido \u2013 quer da administra\u00e7\u00e3o de uma divis\u00e3o do Imp\u00e9rio, ou senhor de um feudo de grandes propor\u00e7\u00f5es, no 1\u00ba caso; quer o conde da fronteira, no 2\u00ba, quer o chefe militar, no 3\u00ba. S\u00f3 visconde e vida me aparecem de in\u00edcio como graus subordinados a um conde e a um bispo respectivamente. Embora Boulainvilliers fa\u00e7a Greg\u00f3rio de Tours especificar a hierarquia dos t\u00edtulos, parece que antes dos s\u00e9culos XII e XIII n\u00e3o se designou a import\u00e2ncia relativa dos bar\u00f5es com t\u00edtulos espec\u00edficos. A especifica\u00e7\u00e3o nunca foi r\u00edgida, e nunca foi \u2013 excetuada em parte a Inglaterra \u2013 crit\u00e9rio de estratifica\u00e7\u00e3o independente da antiguidade do t\u00edtulo, a ilustra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da fam\u00edlia e da riqueza. Antes do s\u00e9culo XIV n\u00e3o se concederam t\u00edtulos de nobreza, que eram at\u00e9 a\u00ed tomados pelos bar\u00f5es de acordo com o tamanho e a import\u00e2ncia dos feudos. At\u00e9 quase os tempos modernos, os senhores se designavam de prefer\u00eancia por nomes comuns ao seu n\u00edvel: os maiores eram <em>sires <\/em>ou <em>seigneurs<\/em>, em Fran\u00e7a; <em>Herr <\/em>ou <em>Freiher<\/em>, na Alemanha; <em>Lords<\/em>, na Inglaterra; <em>ricos-hombres, <\/em>na Espanha e <em>ricos-homens<\/em>, em Portugal. Vinham abaixo os cavaleiros (<em>cavalier, Ritter, Knight, cavallero, cavaleiro<\/em>), depois os escudeiros (<em>\u00e9cuyer, Edelknappe, squire, escudeiro, escudeiro<\/em>) e os pagens (<em>page <\/em>ou <em>damoiseau<\/em>, <em>Edelknabe<\/em>, <em>page, doncel <\/em>ou mozo, <em>donzel <\/em>ou <em>mo\u00e7o<\/em>). Era uma escala relativamente m\u00f3vel, que funcionava como sistema de sele\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos no grupo \u2013 quer pelo seu car\u00e1cter educacional, de aprendizado progressivo, quer pelo seu car\u00e1cter discriminat\u00f3rio, de peneiramento organizado. Nem todo pagem passava a escudeiro, a maioria dos escudeiros n\u00e3o chegava a cavaleiro e muitos poucos cavaleiros chegavam a senhores, isto \u00e9, donos de terra e castelo, com pend\u00e3o e caldeira. Na sua pureza, o sistema hier\u00e1rquico do feudalismo permitia a muitos a possibilidade de enobrecimento; a poucos a aquisi\u00e7\u00e3o efetiva da categoria de cavaleiro; a muitos poucos o senhorio. Em Portugal e Espanha, do donzel ao rico-homem todos eram fidalgos: mo\u00e7o-fidalgo, fidalgo-escudeiro, fidalgo-cavaleiro: &#8211; fidalgo de solar, como o rico-homem, ou apenas fidalgos de linhagem, como a maioria dos demais. A fidalguia, portanto, exprimia uma qualidade, um <em>estado<\/em>; o tipo de servi\u00e7o militar definia, dentro deste <em>estado<\/em>, uma posi\u00e7\u00e3o que se consolidava pela posse da terra. S\u00f3 os fidalgos de grandes cabedais tinham vassalos a seu dispor, porque tinham terra ou outros bens para remuner\u00e1-los; o cavaleiro tinha o seu escudeiro e o seu pagem. A situa\u00e7\u00e3o era mais ou menos a mesma em toda a Europa feudal, definindo uma camada organicamente integrada no sistema social e harmonicamente estratificada, segundo uma escala governada por barreiras transpon\u00edveis pelas provas de capacidade militar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta estratifica\u00e7\u00e3o corresponde ao per\u00edodo \u00e1ureo da organiza\u00e7\u00e3o feudal, e exprime o sistema social no seu momento de integra\u00e7\u00e3o mais harmoniosa. Nela se espelha a organiza\u00e7\u00e3o da Cavalaria, como padr\u00e3o de comportamento, sistema de sele\u00e7\u00e3o humana e ritual de inicia\u00e7\u00e3o. Antes dela, isto \u00e9, antes do s\u00e9culo XI e das Cruzadas, n\u00e3o s\u00f3 a nobreza devia ser uma camada social mais aberta, como a sua integra\u00e7\u00e3o em estado ainda n\u00e3o se ultimara; consequentemente, a diferencia\u00e7\u00e3o e estratifica\u00e7\u00e3o interna eram menores. Senhores e vassalos, eis a divis\u00e3o primitiva da nobreza. A Cavalaria surgiu como regulador de um sistema que necessitava refinar-se estruturalmente a fim de funcionar dentro da fase de maior estabiliza\u00e7\u00e3o que sucede o ano 1000.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A generaliza\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos corresponde provavelmente \u00e0 complica\u00e7\u00e3o do sistema feudal e \u00e0 estabiliza\u00e7\u00e3o de grandes feudos, baseados na sua subdivis\u00e3o em feudos menores, que por sua vez se repartiam em pequenos senhorios. Apesar dos t\u00edtulos de Conde e Duque serem utilizados indiferentemente por Senhores de poder equivalente (na Fran\u00e7a, por exemplo, Conde de Toulouse, Duque de Bretanha, Duque de Borgonha, Conde de Champagne), prevaleceu pouco a pouco o crit\u00e9rio de dar o t\u00edtulo de bar\u00e3o aos pequenos senhores, o de conde aos grandes e o de duque aos maiores. Ao tempo de Lu\u00eds IX, o <em>Livre de justice et de plet <\/em>estabelece, sancionando uma pr\u00e1tica j\u00e1 regularizada sob Felipe Augusto: \u201cDuque \u00e9 a primeira dignidade, depois marqu\u00eas, e depois conde, e depois visconde, e depois bar\u00e3o, e depois castel\u00e3o, e depois valvassor, e depois cidad\u00e3o, e depois vil\u00e3o\u201d<sup data-fn=\"87cb7c84-d9fe-4c6f-91b1-d8e2f65351fc\" class=\"fn\"><a id=\"87cb7c84-d9fe-4c6f-91b1-d8e2f65351fc-link\" href=\"#87cb7c84-d9fe-4c6f-91b1-d8e2f65351fc\">1<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, bar\u00e3o ainda continuou designa\u00e7\u00e3o geral, n\u00e3o t\u00edtulo, e alguns grandes senhores n\u00e3o tomaram nenhum mais elevado, como o de Montmorency, que permaneceu bar\u00e3o, e o de Coucy, que continou <em>sire<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na decad\u00eancia do regime senhorial, a nobreza n\u00e3o s\u00f3 passou a ser conferida, como tamb\u00e9m os t\u00edtulos. Felipe III havia feito o primeiro nobre em 1270: seu filho Felipe IV criou o primeiro <em>titular<\/em>. At\u00e9 ent\u00e3o, o t\u00edtulo era designa\u00e7\u00e3o, por assim dizer autom\u00e1tica e por muito tempo arbitr\u00e1ria, do senhor do feudo: a partir da\u00ed, p\u00f4de ser dado pelo rei a quem quisesse, contanto que a associasse a uma propriedade territorial. Foi s\u00f3 ent\u00e3o que a nobreza passou a procurar t\u00edtulos e estes passaram a significar algo em si, independentemente do car\u00e1ter feudal do seu detentor. O t\u00edtulo teve, portanto, tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es distintas no Medievo p\u00f3s-carol\u00edngio: 1 \u2013 designa\u00e7\u00e3o mais ou menos arbitr\u00e1ria da fun\u00e7\u00e3o governativa; 2 \u2013 designa\u00e7\u00e3o mais ou menos hier\u00e1rquica da import\u00e2ncia do feudo detido; 3 \u2013 designa\u00e7\u00e3o mais ou menos honor\u00edfica de nobres do agrado real. A primeira fase corresponde \u00e0 relativa indiferencia\u00e7\u00e3o estrutural da nobreza e \u00e0 sobreviv\u00eancia da nomenclatura administrativa dos carol\u00edngios; a segunda exprime a diferencia\u00e7\u00e3o dos senhores em categorias devidas \u00e0 estabiliza\u00e7\u00e3o e sub-divis\u00e3o feudal, correspondendo \u00e0 estratifica\u00e7\u00e3o geral da nobreza, j\u00e1 sistematizada em <em>estado<\/em>, sob a influ\u00eancia daquela diferencia\u00e7\u00e3o e da regulamenta\u00e7\u00e3o trazida pela Cavalaria; a terceira forma\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 decad\u00eancia da Cavalaria e do feudalismo, com subsequente forma\u00e7\u00e3o de uma nobreza subordinada estreitamente ao Rei.<\/p>\n\n\n\n<p>Vimos nas p\u00e1ginas precedentes a liga\u00e7\u00e3o entre estratifica\u00e7\u00e3o e fun\u00e7\u00e3o feudal; reportando-nos ao que ficara indicado no segundo par\u00e1grafo, \u00e9 f\u00e1cil estabelecer a liga\u00e7\u00e3o entre ambas as formas correspondentes de apropria\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o das riquezas, tamb\u00e9m indicadas acima. O tipo de posse da terra e apropria\u00e7\u00e3o dos bens m\u00f3veis est\u00e1 ligado \u00e0 fun\u00e7\u00e3o militar, ou seja, ao principal crit\u00e9rio de aquisi\u00e7\u00e3o (anexa\u00e7\u00e3o, conquista, pilhagem, assalto, rapto): a rela\u00e7\u00e3o entre ambos origina um tipo de estrutura social e um padr\u00e3o correspondente de comportamento \u2013 respectivamente o <em>estado <\/em>da nobreza e a Cavalaria. Deste modo, vemos que a superposi\u00e7\u00e3o estrutural corresponde a uma fun\u00e7\u00e3o efetiva de lideran\u00e7a \u2013 t\u00e3o importante para a popula\u00e7\u00e3o da alta Idade M\u00e9dia que d\u00e1 lugar ao desenvolvimento de um tipo carism\u00e1tico de prest\u00edgio, gra\u00e7as ao qual fica profundamente enraizada na consci\u00eancia coletiva a ideia de que n\u00e3o apenas certas fun\u00e7\u00f5es dependem de uma virtude espec\u00edfica do nobre, como sanciona para ele uma s\u00e9rie de privil\u00e9gios pol\u00edticos e econ\u00f4micos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista sociol\u00f3gico, a nobreza medieval representa principalmente um tipo de estrutura social, de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e de lideran\u00e7a pol\u00edtica \u2013 nos termos definidos at\u00e9 aqui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isto posto, deve-se agora esbo\u00e7ar rapidamente o encontro do padr\u00e3o cavaleiresco com a concep\u00e7\u00e3o de vida do patriciado urbano das cidades italianas e flamengas, nos s\u00e9culos XIV e XV; encontro que constitui a excepcional import\u00e2ncia hist\u00f3rica da Corte dos Duques de Borgonha, da \u00faltima dinastia (Valois).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o dois mundos em presen\u00e7a. Duas maneiras diversas de apropria\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, de concep\u00e7\u00e3o de vida; dois crit\u00e9rios diferentes de estratifica\u00e7\u00e3o, duas t\u00e9cnicas quase opostas de viver. Uma <em>ordem <\/em>de guerreiros e senhores rurais que defronta uma forma\u00e7\u00e3o nova, um novo <em>estado <\/em>emerso do mundo inferior dos servos, mascates e artes\u00e3os dos burgos \u2013 uma <em>ordem <\/em>de comerciantes e homens da cidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A burguesia das cidades italianas e flamengas deu origem a uma forma especial de nobreza, uma aristocracia de funcion\u00e1rios municipais e mercadores ricos, que vieram a constituir os patriciados famosos do Renascimento. Estes patriciados desenvolveram padr\u00f5es do mais alto refinamento, que se exprimem na flora\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da pintura, da escultura, da ourivesaria, da ferralheria, da indument\u00e1ria trecentista, quatrocentista e quinhentista. O encontro de tais padr\u00f5es com os ideais cavaleirescos \u2013 prontos para o processo de refinamento em princ\u00edpios quase est\u00e9ticos, desde que a cavalaria entrara em decad\u00eancia \u2013 o seu encontro deu origem aos padr\u00f5es, ao <em>tom <\/em>da nobreza de corte, que se estabeleceu no s\u00e9culo XVI em Fran\u00e7a, segundo moldes italianos. O sistema moderno est\u00e1 em boa parte preso a esse contato de dois sistemas sociais e culturais bastante diversos, cujo primeiro grande exemplo \u00e9 certamente a Corte de Borgonha. Posto a cavaleiro sobre a Fran\u00e7a, a Alemanha, a It\u00e1lia e os Pa\u00edses Baixos, o dom\u00ednio dos seus quatro \u00faltimos duques \u2013 com ser o \u00faltimo grande feudo soberano funcionando no plano das rela\u00e7\u00f5es internacionais \u2013 p\u00f4de ser uma s\u00edntese da heran\u00e7a feudal com a cultura burguesa das cidades. O grupo de grandes artistas que trabalharam com os Valois burguinh\u00f5es exprimem um ideal sincr\u00e9tico, em que o esp\u00edrito belicoso da Cavalaria se expande em s\u00edmbolos est\u00e9ticos, em que o esp\u00edrito burgu\u00eas se manifesta pelo realismo das cenas de interior e dos retratos. Pela primeira vez, os burgueses s\u00e3o, artisticamente, tratados como os nobres, num estado feudal. Os retratos admir\u00e1veis do banqueiro Portinari, de Hans Memling, ou do banqueiro Arnolfini, de Van Eyck, s\u00e3o tratados com a mesma dignidade, a mesma consist\u00eancia humana que os de Felipe o Bom e Carlos o Temer\u00e1rio, de Van der Weyden, ou o do Grande Bastardo, pelo mestre desconhecido do Museu de Chantilly.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O refinamento de uma cultura urbana j\u00e1 sedimentada pela vida municipal de tr\u00eas e quatro s\u00e9culos foi absorvido pela nobreza e incorporado \u00e0 sua t\u00e9cnica de viver, ao lado dos padr\u00f5es cavaleirescos ligados \u00e0 estrutura feudal vacilante. O resultado \u00e9 a etiqueta borguinh\u00e3, a complicada pragm\u00e1tica que transforma a vida nobre numa obra de arte e lhe d\u00e1 nova raz\u00e3o de ser.<\/p>\n\n\n\n<p>O s\u00edmbolo da fus\u00e3o se encontra nas ordens cavaleirescas ent\u00e3o fundadas, e que exprimem menos uma disposi\u00e7\u00e3o de milit\u00e2ncia crist\u00e3, como as antigas, do que uma atitude est\u00e9tica diante da vida. A express\u00e3o m\u00e1xima dessa mudan\u00e7a da cavalaria militante em honraria simb\u00f3lica \u00e9 a do Tos\u00e3o de Ouro, institu\u00edda por Jo\u00e3o Sem Medo para celebrar as n\u00fapcias com Isabel de Portugal. As ordens honor\u00edficas expressam a transforma\u00e7\u00e3o da milit\u00e2ncia feudal em servi\u00e7o de um soberano e vida de corte. A posi\u00e7\u00e3o do cavaleiro \u00e9 marcada n\u00e3o mais apenas pelo emprego efetivo e quase cotidiano da espada, como tamb\u00e9m, e por vezes sobretudo, pelo s\u00edmbolo deste emprego, pendurado ao pesco\u00e7o sob forma de condecora\u00e7\u00e3o. Chegando ao rico patr\u00edcio na vida de corte, o nobre recebe os requintes da sua vida urbana e lhe d\u00e1 em troca o toque cavaleiresco. De tal contato brota boa parte dos padr\u00f5es de comportamento do nobre moderno, e o processo de contamina\u00e7\u00e3o gra\u00e7as ao qual o burgu\u00eas moderno tender\u00e1 (ao contr\u00e1rio do burgu\u00eas medieval) a assumir as formas nobres de comportamento. A burguesia passa, de citadina, <em>republicana<\/em>, a for\u00e7a nacional e internacional, enquanto a nobreza, de super e anti-nacional que era, preservar-se-\u00e1, pelo nacionalismo, da destrui\u00e7\u00e3o que lhe preparou a centraliza\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica. \u00c9 no cruzamento de tais caminhos que se situa a experi\u00eancia borguinh\u00e3.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O refinamento da vida de corte, conhecido desde o s\u00e9culo XIII em alguns casos, pode-se dizer que se desenvolve com os Valois de Fran\u00e7a, no s\u00e9culo XIV. No s\u00e9culo XV, por\u00e9m, reis como Carlos VII e Lu\u00eds XI, pol\u00edticos e administradores cercados de funcion\u00e1rios burgueses, desdenharam-no por completo. A tradi\u00e7\u00e3o brilhante de Felipe VI e Jo\u00e3o II \u00e9 continuada pelos pr\u00edncipes semi-soberanos da Casa Real, que propiciam em suas cortes o fausto, a galanteria e o desenvolvimento das artes. \u00c9 o mecenato moderno, id\u00eantico ao praticado pelos senhores italianos e que, na Fran\u00e7a, \u00e9 representado pelo duque de Berry, pelo de Bourbon, pelo de Anjou, rei da Proven\u00e7a, e pelo de Borganha. Felipe o Bom instaura a famosa etiqueta que seria o modelo de quase todas as cortes europeias, e que d\u00ea \u00e0 vida de corte as caracter\u00edsticas de um ritual \u2013 fen\u00f4meno imposs\u00edvel cem anos antes, quando a nobreza possu\u00eda uma independ\u00eancia acentuada em rela\u00e7\u00e3o ao soberano, e a pessoa deste n\u00e3o havia adquirido o car\u00e1cter sagrado que depois passou a ter.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O casamento de Maria de Borgonha, filha e herdeiro e herdeira do Temer\u00e1rio, com Maximiliano de Habsburgo, leva a pragm\u00e1tica borguinh\u00e3 \u00e0 Corte Imperial; Felipe o Formoso e seu filho, Carlos V, transportam-na para a Espanha, de onde passa \u00e0 Fran\u00e7a pela influ\u00eancia espanhola \u2013 casamentos de Lu\u00eds XIII e Lu\u00eds XIV, inclusive \u2013 na primeira metade do s\u00e9culo XVII, para ser elaborada, sob Lu\u00eds XIV, na mais completa ritualiza\u00e7\u00e3o que a vida social conheceu nos tempos modernos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na corte francesa, o fausto e o protocolo se estabelecem com Francisco I, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI. Politicamente, pela vit\u00f3ria do absolutismo; culturalmente, pelo contato comas cortes italianas de Mil\u00e3o, Floren\u00e7a, Roma, em consequ\u00eancia das guerras de It\u00e1lia. Mas a vida italiana de corte se caracterizava, al\u00e9m do fausto e do mecenato, pela extrema liberdade de maneiras, como convinha a sociedades em que o nascimento era somenos. Essa liberdade desafogada (que podemos constatar no \u201cCortegiano\u201d) marcou todo o quinhento franc\u00eas, per\u00edodo de migra\u00e7\u00e3o do nobre para a corte e incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 nobreza da primeira grande leva de patr\u00edcios enobrecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo que vai da decad\u00eancia do feudalismo ao triunfo definitivo da monarquia absoluta, isto \u00e9, do s\u00e9culo XIV ao s\u00e9culo XVII, \u00e9 sociologicamente da maior import\u00e2ncia. N\u00e3o somente dado o fen\u00f4meno j\u00e1 assinalado de contatos culturais entre o patriciado urbano e a nobreza, mas tamb\u00e9m, do ponto de vista estrutural, pelo mecanismo de recomposi\u00e7\u00e3o de n\u00edveis-de-categoria e recrutamentos paralelos de uma nobreza nova. Os senhores feudais de grande porte desapareceram antes do s\u00e9culo XVI, mesmo na Alemanha, onde a fragmenta\u00e7\u00e3o da soberania persistiu de certo modo at\u00e9 o s\u00e9culo XIX; em seu lugar, emergiu uma leva de pequenos senhores, de cavaleiros enriquecidos pelo servi\u00e7o real, de financistas, magistrados e ministros enobrecidos pela fun\u00e7\u00e3o que desempenharam na centraliza\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica. O <em>estado <\/em>da nobreza persiste intato; a sua fun\u00e7\u00e3o se altera, com a supress\u00e3o da guerra privada e a organiza\u00e7\u00e3o moderna de recrutamento; a sua composi\u00e7\u00e3o \u00e9 profundamente modificada. Dentro de uma estratifica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o varia muito, o recrutamento dos membros se transforma. Transforma-se igualmente a rela\u00e7\u00e3o do <em>estado <\/em>de nobreza com as demais camadas estamentais da sociedade. A burguesia se apresenta, como realidade estrutural e cultural, no plano da vida nobre e do poder, concorrendo com a nobreza de que tudo at\u00e9 ent\u00e3o a separava, inclusive a respectiva distribui\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no s\u00e9culo XVII, eram raras na Europa Ocidental as grandes fam\u00edlias cuja ilustra\u00e7\u00e3o social remontasse al\u00e9m do s\u00e9culo anterior. Mesmo as de origem remota s\u00f3 haviam adquirido certa notoriedade depois do s\u00e9culo XV, quando se deu a revolu\u00e7\u00e3o estrutural interna, indicada acima. A alta nobreza moderna e contempor\u00e2nea prov\u00e9m, na sua maioria, da pequena nobreza do fim da Idade M\u00e9dia, elevada pela destrui\u00e7\u00e3o dos grandes senhores e mantida pelo servi\u00e7o militar, o favor real e as alian\u00e7as com a burguesia rica; boa parte prov\u00e9m de funcion\u00e1rios e banqueiros enobrecidos pela mesma \u00e9poca, ou at\u00e9 o s\u00e9culo XVII. Do ponto de vista sociol\u00f3gico, trata-se, portanto, de estudar a persist\u00eancia de uma estrutura e de certo tipo de comportamento atrav\u00e9s das altera\u00e7\u00f5es de fun\u00e7\u00e3o e de diferencia\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisando o Almanaque de Gotha, que \u00e9 reposit\u00f3rio autorizado da mais alta nobreza da Europa, e que informa pelo menos metade das maiores fam\u00edlias europeias, tiramos algumas conclus\u00f5es interessantes para o que ficou exposto acima. De 25 fam\u00edlias ducais francesas, 18 se ilustraram nos s\u00e9culos XVI e XVII, 6 no s\u00e9culo XVII e apenas uma no s\u00e9culo XV; de 50 fam\u00edlias mediatizadas no Imp\u00e9rio Alem\u00e3o, 31 adquiriram alta categoria nos s\u00e9culos XVI e XVII. De 25 fam\u00edlias ducais inglesas, 11 se elevaram nos referidos s\u00e9culos. Na Fran\u00e7a, nenhuma das fam\u00edlias estudadas era de primeira plana antes do s\u00e9culo XV; na Alemanha \u2013 onde o feudalismo encontrou condi\u00e7\u00f5es excepcionais para sobreviver -, 8 sobre trinta tinham alta categoria antes daquele s\u00e9culo; na Inglaterra, 3 sobre 25. Juntando as 100 fam\u00edlias dos tr\u00eas pa\u00edses, temos que 72 adquiriram proemin\u00eancia nos s\u00e9culos XV, XVI e XVII, sendo que 60 nos dois \u00faltimos; 11, antes do s\u00e9culo XV e 18 no s\u00e9culo XVIII.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se, em vez de ilustra\u00e7\u00e3o, pesquisarmos a origem das fam\u00edlias, chegamos igualmente a conclus\u00f5es interessantes. Ressaltamos, inicialmente, que os dados a esse respeito, dependendo muitas vezes de genealogias complacentes, n\u00e3o podem ser precisos. S\u00e3o, no entanto, mais seguros do que as constru\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas da pequena nobreza e da burguesia afidalgada, pois s\u00e3o mais ou menos verificadas pela hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Das 25 fam\u00edlias francesas, 11 remontam ao s\u00e9culo XI, 2 ao s\u00e9culo XII, 5 ao s\u00e9culo XIII,; uma remonta ao s\u00e9culo X, 3 respectivamente aos XIV, XV, XVI; 18 sobre 25 tem origem, pois, na fase de estabiliza\u00e7\u00e3o e apogeu do feudalismo; s\u00f3 uma vai at\u00e9 as \u00e9pocas perturbadas em que as linhagens n\u00e3o se formavam com durabilidade. 32 das 50 alem\u00e3s pertencem \u00e0 mencionada fase \u2013 4 para o s\u00e9culo XI, 19 para o XII e 9 para o XIII. As demais fam\u00edlias se repartem pelos outros s\u00e9culos de maneira seguinte: X, 1; XIV, 12; XV, 1; XVI, 1. Na Inglaterra, das 25 fam\u00edlias, 10 s\u00e3o da fase referida: uma para o s\u00e9culo XI, 6 para o XII e 3 para o XIII. A baixa ocorr\u00eancia no s\u00e9culo XI \u00e9 certamente devida \u00e0 invas\u00e3o normanda, que destruiu a aristocracia dos <em>thanes <\/em>anglo-sax\u00f5es e substituiu-a pela nobreza invasora; aquele s\u00e9culo, portanto, n\u00e3o deu origem a fam\u00edlias nobres (a batalha de Hastings \u00e9 de 1066). Os demais s\u00e9culos se apresentam do seguinte modo: X, 1; XIV, 4; XV, 2; XVI, 5; XVII, 4. Ainda uma observa\u00e7\u00e3o: a origem das fam\u00edlias de relevo no s\u00e9culo XVII deve-se aos tr\u00eas bastardos de Carlos II(casas ducais de Buccleugh and Queensberry, Grafton e Richmond and Gordon) e a uma substitui\u00e7\u00e3o (da casa burguesa de Innes que substituiu, por casamento, a casa de Kerr, oriunda do s\u00e9culo XIV, no condado, mais tarde ducado de Roxburghe).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tomando as fam\u00edlias dos tr\u00eas pa\u00edses, vemos que, mesmo apesar da exce\u00e7\u00e3o inglesa para o s\u00e9culo XI, 60 sobre 100 s\u00e3o oriundas dos s\u00e9culos XI, XII e XIII; 19 do s\u00e9culo XIV e 21 dos outros s\u00e9culos, inclusive 3 do X. Esses n\u00fameros n\u00e3o t\u00eam valor estat\u00edstico, dada a sua escassez e a precis\u00e3o relativa das fontes; representam, no entanto, uma ilustra\u00e7\u00e3o mais do que simplesmente conjectural, e vem apoiar o que em seguida passamos a expor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Das 63 fam\u00edlias origin\u00e1rias dos s\u00e9culos X a XIII, apenas 7 adquiriram notoriedade manifesta antes do fim da Idade M\u00e9dia. \u00c9 que os nobres que ascenderam ent\u00e3o eram pequenos senhores, provindos da fase de estabiliza\u00e7\u00e3o feudal, quando se deu a subdivis\u00e3o dos feudos, mencionada mais alto. A referida subdivis\u00e3o e o estabelecimento consequente de uma hierarquia feudal distribu\u00edram de modo desigual a voca\u00e7\u00e3o e o destino dos diferentes estratos da nobreza. Os grandes senhores e os senhores m\u00e9dios se lan\u00e7aram nas aventuras de poderio e no dispendioso jogo das influ\u00eancias regionais: visados diretamente pela centraliza\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica, foram destru\u00eddos aos poucos pela pr\u00f3pria orienta\u00e7\u00e3o dada \u00e0 sua carreira. Os pequenos senhores, ao contr\u00e1rio, que come\u00e7aram por volta do s\u00e9culo XIV a tomar os t\u00edtulos de condes e de bar\u00f5es, e os \u00ednfimos, que permaneciam castel\u00f5es, preservaram-se muito mais. N\u00e3o apenas por motivos num\u00e9ricos de f\u00e1cil refer\u00eancia, como pela maior capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia que t\u00eam os pequenos nas fases de convuls\u00e3o. Sangrias terr\u00edveis como a Guerra dos Cem Anos, a Guerra das Duas Rosas, a Liga Feudal, ceifaram a alta nobreza e a pequena; desta, por\u00e9m, mais numerosa, surgiram os quadros que iriam preencher o grande v\u00e1cuo deixado pelo desaparecimento de dinastias feudat\u00e1rias ou de grandes vassalos. Quadros diferentes, recrutados entre cavaleiros, <em>boberaux<\/em>, <em>country-squires<\/em>, <em>junkers<\/em> e morgados, que iriam formar-se para os neg\u00f3cios, a pol\u00edtica e a vida mundana j\u00e1 sob o influxo dos novos padr\u00f5es renascentistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do s\u00e9culo XII ao s\u00e9culo XVI, muitas dessas fam\u00edlias vegetaram na mediania dos apaniguados ou dos fazendeiros m\u00e9dios, subindo bruscamente a rampa no limiar da idade moderna, para as aventuras do grande mundo; ramos cadetes de grandes senhores, ou mesmo de troncos soberanos, algumas delas chegaram ao Trono, como o ramo mais mo\u00e7o dos Bourbon e os Tudor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XVII, em Fran\u00e7a, excetuados talvez os Montmorency e os Rohan, nenhuma fam\u00edlia de primeira plana remontava pela alta ilustra\u00e7\u00e3o al\u00e9m do s\u00e9culo XV, embora remontasse muitas, pela origem, ao s\u00e9culo XII e \u00e0s Cruzadas. O grande nobre seiscentista era na maioria um <em>parvenu<\/em> dentro da ordem da nobreza, vindo dos estratos inferiores da hierarquia, n\u00e3o raro com enxertias burguesas; mas representava legitimamente aquela ordem estrutural em que tinha ingressado, pelo servi\u00e7o, nos s\u00e9culos de estabiliza\u00e7\u00e3o feudal, e dentro da qual tinha vivido em condi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria at\u00e9 que a destrui\u00e7\u00e3o dos estratos superiores o chamasse para a frente do seu <em>estado<\/em>. A \u201cacultura\u00e7\u00e3o\u201d com a burguesia patr\u00edcia \u2013 se for permitido falar assim \u2013 levou \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de novos tra\u00e7os no comportamento, se n\u00e3o na ideologia nobre; trouxe novos elementos, inclu\u00eddos na nobreza pela recomposi\u00e7\u00e3o dos estratos \u2013 processos que deixaram, se n\u00e3o funcionalmente, estruturalmente inato o arcabou\u00e7o geral do <em>estado <\/em>de nobreza como <em>ordem <\/em>social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-61ecc280 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"padding-top:2.5rem;padding-right:2.5rem;padding-bottom:2.5rem;padding-left:2.5rem\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"604335\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #604335;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/antonio-candido-1024x768.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-4134 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/antonio-candido-1024x768.avif 1024w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/antonio-candido-300x225.avif 300w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/antonio-candido-768x576.avif 768w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/antonio-candido.avif 1212w\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:75%\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Antonio Candido de Mello e Souza<\/h2>\n\n\n\n<p>Cr\u00edtico liter\u00e1rio, parceiro do Rio Bonito e radical de classe m\u00e9dia. Foi socialista d&#8217;outros tempos sonh\u00e1veis. Ligeiro na defesa do direito \u00e0 literatura como um construtor das brigadas do humanismo. Conceituou a primeira leitura social da literatura brasileira, ainda que social pelo alto. Descobridor da dial\u00e9tica do malandro com sinais trocados.  <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Autor<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"87cb7c84-d9fe-4c6f-91b1-d8e2f65351fc\">Cit. Em Calmette, <em>La Soci\u00e9t\u00e9 F\u00e9odale<\/em>, 5\u00aa ed., Armand Colin, Paris, 1942, p. 72 <a href=\"#87cb7c84-d9fe-4c6f-91b1-d8e2f65351fc-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2026ningu\u00e9m ignora que a riqueza em todo o mundo costumou ser o esteio da nobreza Frei Gaspar da Madre de Deus A ideia de nobreza desempenhou e desempenha um papel de maior import\u00e2ncia na consci\u00eancia do Ocidente. 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