{"id":399,"date":"2019-06-04T11:57:15","date_gmt":"2019-06-04T14:57:15","guid":{"rendered":"https:\/\/tradutoresproletarios.wordpress.com\/?p=399"},"modified":"2022-01-17T18:12:45","modified_gmt":"2022-01-17T18:12:45","slug":"a-aventura-da-filosofia-francesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/","title":{"rendered":"A aventura da filosofia francesa \u2014 Alain Badiou"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Alain Badiou, 1 de junho de 2004<\/h3>\n\n\n\n<p>Comecemos essas reflex\u00f5es sobre a filosofia contempor\u00e2nea francesa com um paradoxo: aquilo que \u00e9 o mais universal \u00e9, ao mesmo tempo, o mais particular. Hegel chama isso de <em>universal concreto<\/em>, a s\u00edntese daquilo que \u00e9 absolutamente universal, que pertence a todas as coisas, com aquilo que tem um espa\u00e7o e tempo particular. A filosofia \u00e9 um bom exemplo disso. Absolutamente universal, ela destina-se a tudo, sem exce\u00e7\u00e3o; mas no interior da filosofia existem poderosas particularidades culturais e nacionais. H\u00e1 o que poder\u00edamos chamar de momentos filos\u00f3ficos espaciais e temporais.<\/p>\n\n\n\n<p>Filosofia \u00e9, portanto, tanto um prop\u00f3sito universal da raz\u00e3o e, simultaneamente, aquilo que se manifesta em momentos completamente espec\u00edficos. Tomemos o exemplo de dois momentos filos\u00f3ficos especialmente famosos e intensos. Primeiro, aquele da filosofia cl\u00e1ssica grega entre Parm\u00eanides e Arist\u00f3teles, do s\u00e9culo V ao III A.C.: um momento altamente inventivo, fundacional, em \u00faltima an\u00e1lise, de bastante curta dura\u00e7\u00e3o. Segundo, aquele do idealismo alem\u00e3o entre Kant e Hegel, passando por Fichte e Schelling: outro momento filos\u00f3fico excepcional, do fim do s\u00e9culo XVIII ao come\u00e7o do s\u00e9culo XIX, intensamente criativo e condensado num ainda menor intervalo de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu me proponho a defender uma outra tese nacional e hist\u00f3rica: havia &#8211; ou h\u00e1, dependendo de onde me coloco &#8211; um momento filos\u00f3fico franc\u00eas da segunda metade do s\u00e9culo XX que, <em>toute proportion gard\u00e9e <\/em>[com as devidas ressalvas quanto aos momentos hist\u00f3ricos diferentes], guarda rela\u00e7\u00f5es com os exemplos da Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica e do Iluminismo alem\u00e3o <\/p>\n\n\n\n<p>A obra fundamental de Sartre, <em>O ser e o nada<\/em>, \u00e9 lan\u00e7ada em 1943, e os \u00faltimos escritos de Deleuze, <em>O que \u00e9 Filosofia?, <\/em>datam do come\u00e7o dos anos 90. Entre ambas desenvolve-se o momento filos\u00f3fico franc\u00eas, que inclui Bachelard, Merleau-Ponty, L\u00e9vi-Strauss, Althusser, Foucault, Derrida e Lacan, assim como Sartre e Deleuze &#8211; e a mim, talvez. S\u00f3 o tempo dir\u00e1; apesar de que, se houve um tal momento filos\u00f3fico franc\u00eas, meu posto seja talvez o menos representativo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a totalidade da obra situada entre a inovadora contribui\u00e7\u00e3o de Sartre e os \u00faltimos dois trabalhos de Deleuze que \u00e9 aqui tomada pelo termo de <em>filosofia francesa contempor\u00e2nea<\/em>. Eu diria que se constitui como um novo momento de criatividade filos\u00f3fica, tanto particular como universal. A quest\u00e3o \u00e9 identificar sua pretens\u00e3o. O que aconteceu na Fran\u00e7a, em filosofia, entre 1940 e o fim do s\u00e9culo XX? O que aconteceu com os mais ou menos 10 nomes citados acima? O que foi aquilo que cham\u00e1vamos de existencialismo, estruturalismo, desconstru\u00e7\u00e3o? Houve uma unidade hist\u00f3rica e intelectual nesse momento? Se sim, de que tipo? <\/p>\n\n\n\n<p>Me aproximarei desses problemas de quatro formas diferentes. Primeiramente, origens: de onde veio esse momento, quais eram seus antecedentes, qual foi seu nascimento? Depois, quais eram as principais opera\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas assumidas? Terceiro, a quest\u00e3o da fundamental liga\u00e7\u00e3o desses fil\u00f3sofos com a literatura, e a conex\u00e3o geral entre filosofia e literatura nesse seguimento. E, finalmente, o frequente debate ao longo de todo esse per\u00edodo entre filosofia e psican\u00e1lise. <\/p>\n\n\n\n<p>Origens, opera\u00e7\u00f5es, estilo e literatura, psican\u00e1lise: quatro meios de tentar definir a filosofia francesa contempor\u00e2nea. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conceito e vida interior <\/h3>\n\n\n\n<p>Para refletir sobre as origens filos\u00f3ficas desse momento precisamos retornar \u00e0 divis\u00e3o fundamental ocorrida na filosofia francesa no come\u00e7o do s\u00e9culo XX a partir do aparecimento de duas correntes contrastantes. Em 1911, Bergson fez duas c\u00e9lebres confer\u00eancias em Oxford, inclu\u00eddas em sua cole\u00e7\u00e3o <em>La pens\u00e9e et le mouvement<\/em>. Em 1912 &#8211; simultaneamente, em outras palavras &#8211; Brunschvicg publicou <em>Les \u00e9tapes de la philosophie math\u00e9matique<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresentando-se nas v\u00e9speras da primeira guerra, essas interven\u00e7\u00f5es atestam a exist\u00eancia de duas orienta\u00e7\u00f5es completamente distintas. Em Bergson, encontramos aquilo que pode ser chamado de filosofia da interioridade vital, uma tese sobre a identidade do ser e do vir-a-ser; uma filosofia da vida e da mudan\u00e7a. Essa orienta\u00e7\u00e3o persistir\u00e1 no decorrer do s\u00e9culo XX, at\u00e9 e incluindo Deleuze. No trabalho de Brunschvicg, encontramos uma filosofia do conceito baseada na matem\u00e1tica: a possibilidade de um formalismo filos\u00f3fico do pensamento e do simb\u00f3lico, que continua no decorrer do s\u00e9culo, mais especificamente em L\u00e9vi-Strauss, Althusser e Lacan. <\/p>\n\n\n\n<p>A partir do come\u00e7o do s\u00e9culo, portanto, a filosofia francesa apresenta um car\u00e1ter dividido e dial\u00e9tico. De um lado, uma filosofia da vida; de outro, uma filosofia do conceito. Esse debate entre vida e conceito ser\u00e1 absolutamente central no per\u00edodo subsequente. O que est\u00e1 em jogo em qualquer discuss\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o do sujeito, pois \u00e9 aqui que as duas orienta\u00e7\u00f5es coincidem. Ao mesmo tempo que um organismo vivo, um criador de conceitos, o sujeito \u00e9 interrogado tanto no que diz respeito ao seu interior, animal, org\u00e2nico, como em termos de seu pensamento, na sua capacidade criativa e de abstra\u00e7\u00e3o.Essa rela\u00e7\u00e3o entre corpo e ideia, ou vida e conceito, formulado em torno da quest\u00e3o do sujeito, estrutura todo o desenvolvimento da filosofia francesa do s\u00e9culo XX, da oposi\u00e7\u00e3o inicial entre Bergson e Brunschvicg em diante.<\/p>\n\n\n\n<p>Estendendo a met\u00e1fora de Kant sobre a filosofia como campo de batalha no qual somos todos mais ou menos fatigados combatentes: durante a segunda metade do s\u00e9culo 20, as linhas de batalha eram ainda essencialmente constitu\u00eddas em torno da quest\u00e3o do sujeito. Nesse sentido, Althusser define a hist\u00f3ria como um processo sem sujeito, e o sujeito como uma categoria ideol\u00f3gica; Derrida, interpretando Heidegger, retoma o sujeito como uma categoria metaf\u00edsica; Lacan cria um conceito de sujeito; tanto Sartre como Merleau-Ponty, evidentemente, atribuem um papel absolutamente central ao sujeito. Uma primeira defini\u00e7\u00e3o do momento filos\u00f3fico franc\u00eas seria, portanto, em termos de um conflito sobre o sujeito, estando fundamentalmente em jogo a rela\u00e7\u00e3o entre conceito e vida. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o entre corpo e ideia, ou vida e conceito, formulado em torno da quest\u00e3o do sujeito, estrutura todo o desenvolvimento da filosofia francesa do s\u00e9culo XX, da oposi\u00e7\u00e3o inicial entre Bergson e Brunschvicg em diante. Estendendo a met\u00e1fora de Kant sobre a filosofia como campo de batalha no qual somos todos mais ou menos fatigados combatentes: durante a segunda metade do s\u00e9culo 20, as linhas de batalha eram ainda essencialmente constitu\u00eddas em torno da quest\u00e3o do sujeito. Nesse sentido, Althusser define a hist\u00f3ria como um processo sem sujeito, e o sujeito como uma categoria ideol\u00f3gica; Derrida, interpretando Heidegger, retoma o sujeito como uma categoria metaf\u00edsica; Lacan cria um conceito de sujeito; tanto Sartre como Merleau-Ponty, evidentemente, atribuem um papel absolutamente central ao sujeito. Uma primeira defini\u00e7\u00e3o do momento filos\u00f3fico franc\u00eas seria, portanto, em termos de um conflito sobre o sujeito, estando fundamentalmente em jogo a rela\u00e7\u00e3o entre conceito e vida. <\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos, evidentemente, ir ainda mais longe na busca pelas origens e descrever a divis\u00e3o da filosofia francesa como uma ruptura da tradi\u00e7\u00e3o cartesiana. De certo modo, o momento filos\u00f3fico do p\u00f3s-guerra pode ser entendido como uma discuss\u00e3o \u00e9pica sobre as ideias e significa\u00e7\u00e3o de Descartes por sua inven\u00e7\u00e3o da categoria de sujeito. Descartes foi um te\u00f3rico tanto do corpo f\u00edsico &#8211; do animal-m\u00e1quina &#8211; como da reflex\u00e3o pura. Ele estava, portanto, preocupado da mesma forma com o f\u00edsico do fen\u00f4meno e a metaf\u00edsica do sujeito. Todos os grandes fil\u00f3sofos contempor\u00e2neos escreveram sobre Descartes: Lacan, em verdade, faz um chamado pelo retorno \u00e0 Descartes, Sartre produz um texto not\u00e1vel sobre o tratamento cartesiano da liberdade, Deleuze permanece implacavelmente hostil. Em resumo, existem tantos Descartes quanto fil\u00f3sofos franceses do p\u00f3s-guerra. Novamente, essa origem fornece a primeira defini\u00e7\u00e3o do momento filos\u00f3fico franc\u00eas como uma batalha conceitual em torno da quest\u00e3o do sujeito <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quatro movimentos <\/h3>\n\n\n\n<p>A seguir, a identifica\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es intelectuais comuns a esses pensadores. Eu gostaria de esbo\u00e7ar quatro procedimentos que, na minha opini\u00e3o, claramente exemplificam um modo de fazer filosofia espec\u00edfico a esse momento; todos, em certo sentido, s\u00e3o metodol\u00f3gicos. O primeiro movimento \u00e9 alem\u00e3o &#8211; ou melhor, um movimento franc\u00eas em dire\u00e7\u00e3o aos fil\u00f3sofos alem\u00e3es. Toda filosofia contempor\u00e2nea francesa \u00e9 tamb\u00e9m, na verdade, uma discuss\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o alem\u00e3. Seu momento constitutivo inclui o semin\u00e1rio de Koj\u00e8ve sobre Hegel, frequentado por Lacan e tamb\u00e9m influente em L\u00e9vi-Strauss, e a descoberta da fenomenologia nos anos 30 e 40, atrav\u00e9s dos trabalhos de Husserl e Heidegger. Sartre, por sua vez, modificou radicalmente suas perspectivas filos\u00f3ficas depois de ler esses autores no original durante sua estadia em Berlim. Derrida tamb\u00e9m pode ser considerado como, primeiramente e acima de tudo, um int\u00e9rprete completamente original do pensamento alem\u00e3o. Nietzsche foi uma refer\u00eancia fundamental tanto para Foucault quanto Deleuze. <\/p>\n\n\n\n<p>Os fil\u00f3sofos franceses foram buscar, portanto, algo na Alemanha atrav\u00e9s das obras de Hegel, Nietzsche, Husserl e Heidegger. O que buscavam? Em uma frase: uma nova rela\u00e7\u00e3o entre conceito e exist\u00eancia. Por tr\u00e1s dos muitos nomes que essa busca adotou &#8211; desconstru\u00e7\u00e3o, existencialismo, hermen\u00eautica &#8211; encontra-se um objetivo comum: o de transformar, ou deslocar, essa rela\u00e7\u00e3o. A transforma\u00e7\u00e3o existencial do pensamento, a rela\u00e7\u00e3o do pensamento com seu subsolo vivo, era de grande interessante para os pensadores franceses que lutavam com esse problema central de sua pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o. Esse, ent\u00e3o, \u00e9 o <em>movimento alem\u00e3o<\/em>, a busca por novas formas de tratar a rela\u00e7\u00e3o entre conceito e exist\u00eancia recorrendo a tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica alem\u00e3. No processo de interpreta\u00e7\u00e3o dentro do campo de batalha da filosofia francesa, a filosofia alem\u00e3 foi, al\u00e9m disso, transformada em algo completamente novo. Essa primeira opera\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 efetivamente uma apropria\u00e7\u00e3o francesa da filosofia alem\u00e3 <\/p>\n\n\n\n<p>A segunda opera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o menos importante, diz respeito a ci\u00eancia. Os fil\u00f3sofos franceses procuraram libertar a ci\u00eancia do dom\u00ednio exclusivo da filosofia do conhecimento ao demonstr\u00e1-la como um modo de produzir ou uma atividade criativa, e n\u00e3o como um mero objeto de reflex\u00e3o ou cogni\u00e7\u00e3o, indo al\u00e9m da esfera do conhecimento. Eles interrogaram a ci\u00eancia em busca de modelos de inven\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o que a inscreveriam como uma pr\u00e1tica de pensamento criativo mais compar\u00e1vel a atividade art\u00edstica do que uma organiza\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos desvelados. Essa opera\u00e7\u00e3o, de deslocar a ci\u00eancia do campo do conhecimento para o da criatividade e por fim de lev\u00e1-la para ainda mais perto da arte, encontra sua express\u00e3o suprema em Deleuze, que explora a rela\u00e7\u00e3o entre cria\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e art\u00edstica de maneira sutil e criativa. Mas isso come\u00e7a bem antes dele, como uma das opera\u00e7\u00f5es constitutivas da filosofia francesa. <\/p>\n\n\n\n<p>A terceira opera\u00e7\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica. Todos fil\u00f3sofos desse per\u00edodo buscaram um profundo engajamento na rela\u00e7\u00e3o entre filosofia e quest\u00f5es pol\u00edticas. Sartre, o Merleau-Ponty do p\u00f3s- guerra, Foucault, Althusser e Deleuze eram ativistas pol\u00edticos; assim como eles encontraram na filosofia alem\u00e3 uma nova rela\u00e7\u00e3o entre conceito e exist\u00eancia, eles viram na pol\u00edtica uma nova rela\u00e7\u00e3o entre conceito e a\u00e7\u00e3o &#8211; em particular, a\u00e7\u00e3o coletiva. Esse desejo fundamental de engajar a filosofia na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica transforma a rela\u00e7\u00e3o entre conceito e a\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>A quarta opera\u00e7\u00e3o relaciona-se com a moderniza\u00e7\u00e3o da filosofia, num sentido um pouco distinto da hipocrisia das sucessivas administra\u00e7\u00f5es governamentais. Os fil\u00f3sofos franceses mostraram uma profunda atra\u00e7\u00e3o pela modernidade. Eles acompanharam de perto o desenvolvimento art\u00edstico, social e cultural contempor\u00e2neos. Havia um forte interesse filos\u00f3fico na pintura n\u00e3o figurativa, na m\u00fasica e no teatro novo, nos romances policiais, no jazz e no cinema, e um desejo de trazer a filosofia para perto das mais intensas express\u00f5es do mundo moderno. Muita aten\u00e7\u00e3o foi dada a sexualidade e novos modelos de vida. Em tudo isso, a filosofia estava buscando uma nova rela\u00e7\u00e3o entre o conceito e a produ\u00e7\u00e3o de formas &#8211; art\u00edstica, social, ou formas de vida. A moderniza\u00e7\u00e3o foi, portanto, a busca de um novo modelo no qual a filosofia poderia abordar a cria\u00e7\u00e3o de formas. <\/p>\n\n\n\n<p>Em suma: o momento filos\u00f3fico franc\u00eas englobou uma nova apropria\u00e7\u00e3o do pensamento alem\u00e3o, uma vis\u00e3o da ci\u00eancia como criatividade, um engajamento pol\u00edtico radical e uma busca por novas forma de arte e vida. Ao longo dessas opera\u00e7\u00f5es desenvolve-se uma tentativa comum de encontrar novas posi\u00e7\u00f5es, ou disposi\u00e7\u00f5es, para o conceito: deslocar a rela\u00e7\u00e3o entre conceito e seu meio externo desenvolvendo novas rela\u00e7\u00f5es para a exist\u00eancia, pensamento, a\u00e7\u00e3o e o movimento das formas. \u00c9 da novidade da rela\u00e7\u00e3o entre o conceito filos\u00f3fico e seu meio externo que constitui a inova\u00e7\u00e3o mais significativa da filosofia francesa do s\u00e9culo XX. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Escrita, linguagem, formas <\/h3>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o das formas, e da \u00edntima rela\u00e7\u00e3o entre filosofia e cria\u00e7\u00e3o de formas, foi de import\u00e2ncia crucial. Evidentemente, isso colocou o pr\u00f3prio problema da forma filos\u00f3fica: n\u00e3o poder\u00edamos deslocar o conceito sem inventar novas formas filos\u00f3ficas. Foi, portanto, necess\u00e1rio n\u00e3o apenas criar novos conceitos, mas transformar a linguagem da filosofia. Isso levou a uma alian\u00e7a singular entre filosofia e literatura, que tem sido uma das caracter\u00edsticas mais impressionantes da filosofia contempor\u00e2nea francesa. \u00c9 claro que existe uma hist\u00f3ria mais antiga sobre essa alian\u00e7a. As obras daqueles que ficaram conhecidos no s\u00e9culo XVIII como <em>philosophes <\/em>&#8211; Voltaire, Rousseau ou Diderot &#8211; s\u00e3o cl\u00e1ssicos da literatura francesa; esses escritores s\u00e3o, em certo sentido, os ancestrais da alian\u00e7a do p\u00f3s-guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem in\u00fameros autores franceses que n\u00e3o podem ser alocados exclusivamente nem na literatura nem na filosofia; Pascal, por exemplo, \u00e9 tanto uma das maiores figuras da literatura como um dos mais profundos pensadores franceses. No s\u00e9culo XX, Alain, para todos os efeitos, um fil\u00f3sofo cl\u00e1ssico que n\u00e3o faz parte do momento que nos importa aqui, era intimamente envolvido com a literatura; o processo de escrita era muito importante, e ele produziu in\u00fameros coment\u00e1rios sobre romances \u2013 seus textos sobre Balzac s\u00e3o extremamente interessantes \u2013 e sobre o poesia contempor\u00e2nea francesa, Val\u00e9ry em particular. Em outras palavras, mesmo as figuras mais convencionais da filosofia francesa do s\u00e9culo XX podem ilustrar essa afinidade entre filosofia e literatura. <\/p>\n\n\n\n<p>Os surrealistas tamb\u00e9m tiveram um papel importante. Eles tamb\u00e9m estavam ansiosos para sacudir as rela\u00e7\u00f5es no que diz respeito a produ\u00e7\u00e3o de formas, modernidade, artes; eles queriam inventar novos modos de vida. Se seu programa era, fundamentalmente, um programa est\u00e9tico, ele foi precursor dos programas filos\u00f3ficos dos anos 50 e 60; tanto Lacan quanto L\u00e9vi-Strauss frequentaram c\u00edrculos surrealistas, por exemplo. \u00c9 uma hist\u00f3ria complexa, mas se os surrealistas foram os primeiros representantes na Fran\u00e7a de uma converg\u00eancia do s\u00e9culo XX entre est\u00e9tica e projetos filos\u00f3ficos, a partir dos anos 50 e 60, era a filosofia que inventava suas pr\u00f3prias formas liter\u00e1rias na tentativa de encontrar uma conex\u00e3o expressiva e direta entre o estilo e exposi\u00e7\u00e3o filos\u00f3ficos, e o novo posicionamento para o conceito que isso propunha. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse momento que n\u00f3s testemunhamos uma mudan\u00e7a espetacular na escrita filos\u00f3fica. Quarenta anos depois de termos, talvez, come\u00e7ado a nos acostumar a escrita de Deleuze, Foucault, Lacan; perdemos o sentido de como isso representou uma ruptura extraordin\u00e1ria com os estilos filos\u00f3ficos antigos. Lendo Deleuze ou Foucault, encontra-se algo novo no n\u00edvel sint\u00e1tico, uma rela\u00e7\u00e3o entre pensamento e movimentos frasais que s\u00e3o completamente originais. Existe uma novidade, um ritmo afirmativo e uma surpreendente inventividade nessas formula\u00e7\u00f5es. Em Derrida, existe uma rela\u00e7\u00e3o paciente e complicada da linguagem com a pr\u00f3pria linguagem, como se a linguagem laborasse em si mesma e o pensamento atravessa esse labor pelas palavras. Em Lacan, lidamos com uma sintaxe estonteantemente complexa que se assemelha \u00e0 sintaxe de Mallarm\u00e9 e \u00e9, portanto, confessadamente po\u00e9tica. <\/p>\n\n\n\n<p>Havia, portanto, uma transforma\u00e7\u00e3o da express\u00e3o filos\u00f3fica e um esfor\u00e7o de ultrapassar as fronteiras entre filosofia e literatura. \u00c9 importante lembrar \u2013 outra inven\u00e7\u00e3o &#8211; que Sartre era romancista e teatr\u00f3logo (assim como eu). A especificidade desse momento na filosofia francesa \u00e9 estabelecer um jogo entre os diferentes registros da linguagem, deslocando as fronteiras entre filosofia e literatura, filosofia e drama. Poder-se-ia at\u00e9 dizer que um dos objetivos da filosofia francesa tem sido construir um novo espa\u00e7o a partir da escrita, onde a literatura e a filosofia seriam indistingu\u00edveis; um dom\u00ednio no qual nem a filosofia nem a literatura se especializariam, mas seriam mais a morada de uma certa escrita na qual j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel distinguir a filosofia da literatura. Um espa\u00e7o, em outras palavras, onde n\u00e3o h\u00e1 mais uma diferencia\u00e7\u00e3o formal entre conceito e vida, pois a inven\u00e7\u00e3o dessa escrita consiste em dar uma nova vida ao conceito: uma vida liter\u00e1ria. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Com e contra Freud <\/h3>\n\n\n\n<p>Nessa inven\u00e7\u00e3o de uma nova escrita, por fim, est\u00e1 em jogo a enuncia\u00e7\u00e3o do novo sujeito; da cria\u00e7\u00e3o dessa figura na filosofia e da reestrutura\u00e7\u00e3o do campo de batalha em torno dele. N\u00e3o mais pode, pois, ser o sujeito racional e consciencioso como nos d\u00e1 Descartes; n\u00e3o pode ser, para usar uma express\u00e3o mais t\u00e9cnica, o sujeito reflexivo. O sujeito humano contempor\u00e2neo tem que ser algo mais obscuro, mais misturado na vida e no corpo, mais extenso que o modelo cartesiano; mais parecido com um processo de produ\u00e7\u00e3o, ou cria\u00e7\u00e3o, que concentra for\u00e7as potenciais muito maiores dentro de si. Se a psican\u00e1lise tem sido um interlocutor, \u00e9 porque a inven\u00e7\u00e3o freudiana foi tamb\u00e9m, em ess\u00eancia, uma nova proposi\u00e7\u00e3o sobre o sujeito. Pois o que Freud introduziu com a ideia do inconsciente, foi a no\u00e7\u00e3o de um sujeito humano que \u00e9 maior que a consci\u00eancia &#8211; que cont\u00e9m consci\u00eancia, mas que n\u00e3o se restringe a isso; tal \u00e9 a significa\u00e7\u00e3o fundamental da palavra \u201cinconsciente\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>A filosofia contempor\u00e2nea francesa tem tamb\u00e9m, portanto, se comprometido num longo di\u00e1logo com a psican\u00e1lise. Essa troca tem sido um drama de grande complexidade, altamente revelador de si mesmo. Tem sido, fundamentalmente, a divis\u00e3o da filosofia francesa entre, de um lado, o que chamaria de existencial vitalismo, originado com Bergson e passando por Sartre, Foucault e Deleuze, e do outro lado um formalismo conceitual, derivado de Brunschvicg e continuando atrav\u00e9s de Althusser e Lacan. Os dois caminhos cruzam-se na quest\u00e3o do sujeito, que pode ser por fim definido, nos termos da filosofia francesa, como sendo aquilo que traz \u00e0 tona o conceito. De certo modo, o inconsciente freudiano ocupa o mesmo lugar; o inconsciente, tamb\u00e9m, \u00e9 algo vital ou existente, mas tamb\u00e9m onde se carrega, onde se d\u00e1 origem, ao conceito.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a exist\u00eancia pode carregar um conceito, como algo pode ser criado fora de um corpo? Se essa \u00e9 a quest\u00e3o central, podemos ver porque a filosofia atrai-se t\u00e3o intensamente pelo di\u00e1logo com a psican\u00e1lise. Evidentemente, existe sempre uma certa tens\u00e3o onde objetivos comuns s\u00e3o buscados de formas diferentes. Existe um elemento de cumplicidade \u2013 voc\u00ea est\u00e1 fazendo o mesmo que eu \u2013 mas tamb\u00e9m de rivalidade: voc\u00ea est\u00e1 fazendo diferente. A rela\u00e7\u00e3o entre filosofia e psican\u00e1lise na filosofia francesa \u00e9 justamente essa, de competi\u00e7\u00e3o e cumplicidade, de fascina\u00e7\u00e3o e hostilidade, amor e \u00f3dio. N\u00e3o \u00e9 de se admirar que o drama entre ambas tenha sido t\u00e3o violento, t\u00e3o complexo. <\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas textos fundamentais talvez possam nos dar uma ideia disso. O primeiro, talvez o exemplo mais claro dessa cumplicidade e competi\u00e7\u00e3o, trata-se do in\u00edcio da obra de Bachelard de 1938, <em>La psychanalyse du feu<\/em>. Bachelard prop\u00f5e uma nova psican\u00e1lise estruturada na poesia e no sonho, uma psican\u00e1lise dos elementos \u2013 fogo, \u00e1gua, ar e terra. Poder-se-ia dizer que Bachelard tenta substituir a inibi\u00e7\u00e3o sexual freudiana com o devaneio para demonstrar que essa \u00e9 a categoria mais abrangente e aberta. O segundo texto vem do fim d\u2019<em>O ser e o nada, <\/em>onde Sartre, por sua vez, prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de uma nova psican\u00e1lise, contrastando a psican\u00e1lise freudiana \u201cemp\u00edrica\u201d com o seu pr\u00f3prio modelo te\u00f3rico existencial (por implica\u00e7\u00e3o). Sartre procura substituir o complexo freudiano \u2013 a estrutura do inconsciente \u2013 com o que ele chama de \u201cescolha origin\u00e1ria\u201d. Para ele, o que define o sujeito n\u00e3o \u00e9 a estrutura, neur\u00f3tica ou perversa, mas um projeto fundamental de exist\u00eancia. Novamente, uma inst\u00e2ncia exemplar da cumplicidade e rivalidade combinada. <\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro texto \u00e9 o cap\u00edtulo 4 do <em>Anti-\u00e9dipo <\/em>de Deleuze e Guattari. Aqui, a psican\u00e1lise \u00e9 substitu\u00edda por um m\u00e9todo que Deleuze chama de esquizoan\u00e1lise, numa competi\u00e7\u00e3o direta com a psican\u00e1lise freudiana. Para Bachelard, \u00e9 mais que a inibi\u00e7\u00e3o, o devaneio; para Sartre, mais que o complexo, o projeto. Para Deleuze, como o <em>Anti-\u00e9dipo <\/em>evidencia, \u00e9, mais que a express\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o; sua obje\u00e7\u00e3o principal a psican\u00e1lise \u00e9 que ela n\u00e3o faz mais que expressar as for\u00e7as do inconsciente quando deveria constru\u00ed-lo. Ele reivindica explicitamente uma substitui\u00e7\u00e3o da <em>express\u00e3o freudiana <\/em>pela constru\u00e7\u00e3o, que seria o trabalho da esquizoan\u00e1lise. \u00c9 no m\u00ednimo surpreendente encontrar tr\u00eas grandes fil\u00f3sofos, Bachelard, Deleuze e Sartre, propondo cada um uma substitui\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise por seus pr\u00f3prios modelos. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Caminho da grandeza <\/h3>\n\n\n\n<p>Por fim, um momento filos\u00f3fico define-se por seu programa de pensamento. O que poder\u00edamos definir como o terreno comum da filosofia francesa do p\u00f3s-guerra em termos, n\u00e3o de suas obras ou sistema ou mesmo de seus conceitos, mas de seu programa intelectual? Os fil\u00f3sofos envolvidos s\u00e3o, claro, figuras bem diferentes, e aproximar-se-iam de tal programa de maneiras diferentes. Contudo, onde temos uma quest\u00e3o importante, conjuntamente reconhecida, a\u00ed teremos um momento filos\u00f3fico, trabalhado atrav\u00e9s de uma ampla diversidade de meios, textos e pensadores. Podemos resumir os pontos principais do programa que inspirou os fil\u00f3sofos franceses do p\u00f3s-guerra da seguinte maneira: <\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Ter feito a separa\u00e7\u00e3o entre conceito e exist\u00eancia &#8211; n\u00e3o mais para opor os dois; demonstrar que o conceito \u00e9 uma coisa viva, uma cria\u00e7\u00e3o, um processo, um evento e, como tal, n\u00e3o \u00e9 divorciado da exist\u00eancia;<\/li><li>Inscrever a filosofia na modernidade, o que tamb\u00e9m significa lev\u00e1-la para fora da academia e coloc\u00e1-la em circula\u00e7\u00e3o no cotidiano. Modernidade sexual, modernidade art\u00edstica, modernidade social: a filosofia deve se ligar a tudo isso;<\/li><li>Abandonar a oposi\u00e7\u00e3o entre filosofia do conhecimento e filosofia da a\u00e7\u00e3o, a divis\u00e3o kantiana entre raz\u00e3o te\u00f3rica e pr\u00e1tica, e demonstrar que o conhecimento em si, mesmo cient\u00edfico, \u00e9, na verdade, uma pr\u00e1tica;<\/li><li>Situar a filosofia diretamente na arena pol\u00edtica, sem fazer desvio via filosofia pol\u00edtica; inventar o que eu chamaria de <em>filosofia militante, <\/em>fazer da filosofia uma pr\u00e1tica militante em sua presen\u00e7a, em seu modo de ser: n\u00e3o simplesmente uma reflex\u00e3o sobre pol\u00edtica, mas uma interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica real;<\/li><li>Substituir a quest\u00e3o do sujeito abandonando o modelo reflexivo e, portanto, engajar-se na psican\u00e1lise &#8211; para rivaliz\u00e1-la e, se poss\u00edvel, melhor\u00e1-la;<\/li><li>Criar um novo estilo filos\u00f3fico de exposi\u00e7\u00e3o e assim competir com a literatura; essencialmente, reinventar nos termos contempor\u00e2neos a figura do fil\u00f3sofo-escritor advinda do s\u00e9culo XVIII.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Tal \u00e9 o momento filos\u00f3fico franc\u00eas, seu programa, sua mais alta ambi\u00e7\u00e3o. Para identific\u00e1-lo mais profundamente, seu principal desejo era transformar a filosofia numa forma ativa de escrita que seria o meio para um novo sujeito. E da mesma forma, banir a imagem midi\u00e1tica professoral do filosofo; fazer do fil\u00f3sofo algo diferente do s\u00e1bio e do rival do padre. Mais que isso, o fil\u00f3sofo aspirava tornar-se um escritor-combatente, um artista do sujeito, um amante da inven\u00e7\u00e3o, um militante filos\u00f3fico &#8211; esses eram os nomes do desejo que atravessou esse per\u00edodo: o desejo que a filosofia agisse em seu pr\u00f3prio nome. Eu me lembro da frase que Malraux atribuiu a de Gaulle no <em>Les ch\u00eanes qu\u2019on abat: \u201c<\/em>A perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho em dire\u00e7\u00e3o a algo que n\u00e3o conhecemos\u201d. Fundamentalmente, o momento filos\u00f3fico franc\u00eas da segunda metade do s\u00e9culo XX, propunha que a filosofia deveria preferir o caminho do que os objetivos j\u00e1 conhecidos, que deveria escolher a a\u00e7\u00e3o ou interven\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica mais que a sabedoria e reflex\u00e3o. \u00c9 como filosofia sem sabedoria \u00e0 que est\u00e1 condenada hoje. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas o momento filos\u00f3fico franc\u00eas estava mais interessado na grandiosidade do que na felicidade. N\u00f3s quer\u00edamos algo incomum, e reconhecidamente problem\u00e1tico: nosso desejo era que fossemos ca\u00e7adores do conceito. N\u00e3o est\u00e1vamos \u00e0 procura de uma separa\u00e7\u00e3o clara entre vida e conceito, nem uma subordina\u00e7\u00e3o do existente a ideia ou a norma. Ao contr\u00e1rio, n\u00f3s quer\u00edamos que o conceito em si fosse uma jornada na qual o destino n\u00e3o necessariamente saber\u00edamos. \u00c9pocas de aventura s\u00e3o, infelizmente, geralmente seguidas de \u00e9pocas de ordem. \u00c9 compreens\u00edvel &#8211; existia um lado pirata nessa filosofia, ou n\u00f4made como diria Deleuze.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, ca\u00e7adores do conceito seria uma f\u00f3rmula que poderia nos unir; e, portanto, eu diria que o que aconteceu na filosofia francesa do p\u00f3s-guerra foi, fundamentalmente, um momento de aventura filos\u00f3fica. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"> <strong>Autor:<\/strong> Alain Badiou<br><strong>Data de publica\u00e7\u00e3o:<\/strong> 1 de junho de 2004<br><strong>Original:<\/strong>  <br> <a href=\"https:\/\/www.lacan.com\/badfrench.htm\">https:\/\/www.lacan.com\/badfrench.htm<\/a> <br><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Ricardo Menezes [Tradutores Prolet\u00e1rios]<br><strong>Revis\u00e3o: <\/strong>Eliel Micm\u00e1s [Tradutores Prolet\u00e1rios] <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Arte de capa:<\/strong> Eliel Micm\u00e1s [Tradutores Prolet\u00e1rios]<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alain Badiou analisa neste ensaio a filosofia francesa contempor\u00e2nea, buscando encontrar quais eram os tra\u00e7os peculiares e especiais deste momento da Hist\u00f3ria da Filosofia que vai de Sartre at\u00e9 os \u00faltimos escritos de Deleuze.<\/p>\n<p>Badiou elenca 6 elementos que, para ele, definiram tal &#8220;aventura filos\u00f3fica&#8221;: instaurar uma nova rela\u00e7\u00e3o entre conceito e exist\u00eancia; inscrever a filosofia na modernidade e lev\u00e1-la para fora da academia, pondo-a em circula\u00e7\u00e3o no cotidiano; abandonar a oposi\u00e7\u00e3o entre filosofia do conhecimento e da a\u00e7\u00e3o; inventar o que Badiou chama de &#8220;filosofia militante&#8221;; engajar-se num di\u00e1logo com a psican\u00e1lise; reinventar a figura do fil\u00f3sofo-escritor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2255,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_kadence_starter_templates_imported_post":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":""},"categories":[351,345,346],"tags":[32,33,34,41,42,43,52,57,61,62,65,69,77,78,79,80,82,86,89,90,95,109,63,117,119,123,124,127,133,134,135,136,138,139,132,141,142,147,149,151,153,166,173,175,179,182,189,190,194,195,202,209,211,220,223,229,231,232,245,255,265,256,272,281,293,295,300,301,302,303,304,306,326,328,331],"class_list":["post-399","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alain-badiou","category-arquivo-tradutores-proletarios","category-traducoes","tag-a-psicanalise-do-fogo","tag-acao","tag-acao-coletiva","tag-alain","tag-alain-badiou","tag-alexandre-kojeve","tag-anti-edipo","tag-arte","tag-aventura","tag-aventura-filosofica","tag-blaise-pascal","tag-cacadores-do-conceito","tag-ciencia","tag-cientificidade","tag-cientificismo","tag-cientismo","tag-claude-levi-strauss","tag-conceito","tag-corpo","tag-criatividade","tag-denis-diderot","tag-edmund-husserl","tag-emile-auguste-chartier","tag-esquizoanalise","tag-estruturalismo","tag-existencia","tag-existencialismo","tag-felix-guattari","tag-filosofia","tag-filosofia-alema","tag-filosofia-da-vida","tag-filosofia-do-conceito","tag-filosofia-francesa","tag-filosofia-militante","tag-filosofo-escritor","tag-formalismo","tag-formalismo-conceitual","tag-friedrich-nietzsche","tag-gaston-bachelard","tag-georg-wilhelm-friedrich-hegel","tag-gilles-deleuze","tag-henri-bergson","tag-historia-da-filosofia","tag-honore-de-balzac","tag-ideia","tag-inconsciente","tag-jacques-derrida","tag-jacques-lacan","tag-jean-jacques-rosseau","tag-jean-paul-sartre","tag-leon-brunschvicg","tag-literatura","tag-louis-althusser","tag-martin-heidegger","tag-maurice-merleau-ponty","tag-mente","tag-michel-foucault","tag-militante-filosofo","tag-o-ser-e-o-nada","tag-paul-valery","tag-politica","tag-pos-estruturalismo","tag-psicanalise","tag-rene-descartes","tag-sexualidade","tag-sigmund-freud","tag-stephane-mallarme","tag-sujeito","tag-sujeito-psicanalitico","tag-sujeito-reflexivo","tag-surrealismo","tag-teatro","tag-vida","tag-vitalismo","tag-voltaire"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A aventura da filosofia francesa \u2014 Alain Badiou - Zero \u00e0 Esquerda<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A aventura da filosofia francesa \u2014 Alain Badiou - Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Alain Badiou analisa neste ensaio a filosofia francesa contempor\u00e2nea, buscando encontrar quais eram os tra\u00e7os peculiares e especiais deste momento da Hist\u00f3ria da Filosofia que vai de Sartre at\u00e9 os \u00faltimos escritos de Deleuze. Badiou elenca 6 elementos que, para ele, definiram tal &quot;aventura filos\u00f3fica&quot;: instaurar uma nova rela\u00e7\u00e3o entre conceito e exist\u00eancia; inscrever a filosofia na modernidade e lev\u00e1-la para fora da academia, pondo-a em circula\u00e7\u00e3o no cotidiano; abandonar a oposi\u00e7\u00e3o entre filosofia do conhecimento e da a\u00e7\u00e3o; inventar o que Badiou chama de &quot;filosofia militante&quot;; engajar-se num di\u00e1logo com a psican\u00e1lise; reinventar a figura do fil\u00f3sofo-escritor.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2019-06-04T14:57:15+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2022-01-17T18:12:45+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/a-aventura-da-filosofia-francesa-01-1024x614.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"614\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@z3roaesquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@z3roaesquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"22 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8\"},\"headline\":\"A aventura da filosofia francesa \u2014 Alain Badiou\",\"datePublished\":\"2019-06-04T14:57:15+00:00\",\"dateModified\":\"2022-01-17T18:12:45+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/\"},\"wordCount\":4433,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2019\\\/06\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa-01.png\",\"keywords\":[\"A Psican\u00e1lise do Fogo\",\"A\u00e7\u00e3o\",\"A\u00e7\u00e3o coletiva\",\"Alain\",\"Alain Badiou\",\"Alexandre Koj\u00e8ve\",\"Anti-\u00e9dipo\",\"Arte\",\"Aventura\",\"Aventura filos\u00f3fica\",\"Blaise Pascal\",\"Ca\u00e7adores do conceito\",\"Ci\u00eancia\",\"Cientificidade\",\"Cientificismo\",\"Cientismo\",\"Claude L\u00e9vi-Strauss\",\"Conceito\",\"Corpo\",\"Criatividade\",\"Denis Diderot\",\"Edmund Husserl\",\"\u00c9mile-Auguste Chartier\",\"Esquizoan\u00e1lise\",\"Estruturalismo\",\"Exist\u00eancia\",\"Existencialismo\",\"F\u00e9lix Guattari\",\"Filosofia\",\"Filosofia Alem\u00e3\",\"Filosofia da vida\",\"Filosofia do conceito\",\"Filosofia Francesa\",\"Filosofia militante\",\"Fil\u00f3sofo-escritor\",\"Formalismo\",\"Formalismo conceitual\",\"Friedrich Nietzsche\",\"Gaston Bachelard\",\"Georg Wilhelm Friedrich Hegel\",\"Gilles Deleuze\",\"Henri Bergson\",\"Hist\u00f3ria da Filosofia\",\"Honor\u00e9 de Balzac\",\"Ideia\",\"Inconsciente\",\"Jacques Derrida\",\"Jacques Lacan\",\"Jean-Jacques Rosseau\",\"Jean-Paul Sartre\",\"L\u00e9on Brunschvicg\",\"Literatura\",\"Louis Althusser\",\"Martin Heidegger\",\"Maurice Merleau-Ponty\",\"Mente\",\"Michel Foucault\",\"Militante-fil\u00f3sofo\",\"O ser e o nada\",\"Paul Val\u00e9ry\",\"Pol\u00edtica\",\"P\u00f3s-estruturalismo\",\"Psican\u00e1lise\",\"Ren\u00e9 Descartes\",\"Sexualidade\",\"Sigmund Freud\",\"St\u00e9phane Mallarm\u00e9\",\"Sujeito\",\"Sujeito psicanal\u00edtico\",\"Sujeito reflexivo\",\"Surrealismo\",\"Teatro\",\"Vida\",\"Vitalismo\",\"Voltaire\"],\"articleSection\":[\"Alain Badiou\",\"Arquivo (Tradutores Prolet\u00e1rios)\",\"Tradu\u00e7\u00f5es\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/\",\"name\":\"A aventura da filosofia francesa \u2014 Alain Badiou - Zero \u00e0 Esquerda\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2019\\\/06\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa-01.png\",\"datePublished\":\"2019-06-04T14:57:15+00:00\",\"dateModified\":\"2022-01-17T18:12:45+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2019\\\/06\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa-01.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2019\\\/06\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa-01.png\",\"width\":2500,\"height\":1500},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2019\\\/06\\\/04\\\/a-aventura-da-filosofia-francesa\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A aventura da filosofia francesa \u2014 Alain Badiou\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"description\":\"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/01\\\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/01\\\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png\",\"width\":1271,\"height\":1069,\"caption\":\"Zero \u00e0 Esquerda\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/revistazeroaesquerda\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/z3roaesquerda\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/revistazeroaesquerda\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.youtube.com\\\/channel\\\/UCIaGx271Qw6D1QwqYBojrLw\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Zero \u00e0 Esquerda\"},\"description\":\"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/author\\\/revistazeroaesquerdagmail-com\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A aventura da filosofia francesa \u2014 Alain Badiou - Zero \u00e0 Esquerda","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"A aventura da filosofia francesa \u2014 Alain Badiou - Zero \u00e0 Esquerda","og_description":"Alain Badiou analisa neste ensaio a filosofia francesa contempor\u00e2nea, buscando encontrar quais eram os tra\u00e7os peculiares e especiais deste momento da Hist\u00f3ria da Filosofia que vai de Sartre at\u00e9 os \u00faltimos escritos de Deleuze. Badiou elenca 6 elementos que, para ele, definiram tal \"aventura filos\u00f3fica\": instaurar uma nova rela\u00e7\u00e3o entre conceito e exist\u00eancia; inscrever a filosofia na modernidade e lev\u00e1-la para fora da academia, pondo-a em circula\u00e7\u00e3o no cotidiano; abandonar a oposi\u00e7\u00e3o entre filosofia do conhecimento e da a\u00e7\u00e3o; inventar o que Badiou chama de \"filosofia militante\"; engajar-se num di\u00e1logo com a psican\u00e1lise; reinventar a figura do fil\u00f3sofo-escritor.","og_url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/","og_site_name":"Zero \u00e0 Esquerda","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda","article_published_time":"2019-06-04T14:57:15+00:00","article_modified_time":"2022-01-17T18:12:45+00:00","og_image":[{"width":1024,"height":614,"url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/a-aventura-da-filosofia-francesa-01-1024x614.png","type":"image\/png"}],"author":"Zero \u00e0 Esquerda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@z3roaesquerda","twitter_site":"@z3roaesquerda","twitter_misc":{"Escrito por":"Zero \u00e0 Esquerda","Est. tempo de leitura":"22 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/"},"author":{"name":"Zero \u00e0 Esquerda","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/person\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8"},"headline":"A aventura da filosofia francesa \u2014 Alain Badiou","datePublished":"2019-06-04T14:57:15+00:00","dateModified":"2022-01-17T18:12:45+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/"},"wordCount":4433,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/a-aventura-da-filosofia-francesa-01.png","keywords":["A Psican\u00e1lise do Fogo","A\u00e7\u00e3o","A\u00e7\u00e3o coletiva","Alain","Alain Badiou","Alexandre Koj\u00e8ve","Anti-\u00e9dipo","Arte","Aventura","Aventura filos\u00f3fica","Blaise Pascal","Ca\u00e7adores do conceito","Ci\u00eancia","Cientificidade","Cientificismo","Cientismo","Claude L\u00e9vi-Strauss","Conceito","Corpo","Criatividade","Denis Diderot","Edmund Husserl","\u00c9mile-Auguste Chartier","Esquizoan\u00e1lise","Estruturalismo","Exist\u00eancia","Existencialismo","F\u00e9lix Guattari","Filosofia","Filosofia Alem\u00e3","Filosofia da vida","Filosofia do conceito","Filosofia Francesa","Filosofia militante","Fil\u00f3sofo-escritor","Formalismo","Formalismo conceitual","Friedrich Nietzsche","Gaston Bachelard","Georg Wilhelm Friedrich Hegel","Gilles Deleuze","Henri Bergson","Hist\u00f3ria da Filosofia","Honor\u00e9 de Balzac","Ideia","Inconsciente","Jacques Derrida","Jacques Lacan","Jean-Jacques Rosseau","Jean-Paul Sartre","L\u00e9on Brunschvicg","Literatura","Louis Althusser","Martin Heidegger","Maurice Merleau-Ponty","Mente","Michel Foucault","Militante-fil\u00f3sofo","O ser e o nada","Paul Val\u00e9ry","Pol\u00edtica","P\u00f3s-estruturalismo","Psican\u00e1lise","Ren\u00e9 Descartes","Sexualidade","Sigmund Freud","St\u00e9phane Mallarm\u00e9","Sujeito","Sujeito psicanal\u00edtico","Sujeito reflexivo","Surrealismo","Teatro","Vida","Vitalismo","Voltaire"],"articleSection":["Alain Badiou","Arquivo (Tradutores Prolet\u00e1rios)","Tradu\u00e7\u00f5es"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/","name":"A aventura da filosofia francesa \u2014 Alain Badiou - Zero \u00e0 Esquerda","isPartOf":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/a-aventura-da-filosofia-francesa-01.png","datePublished":"2019-06-04T14:57:15+00:00","dateModified":"2022-01-17T18:12:45+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/#primaryimage","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/a-aventura-da-filosofia-francesa-01.png","contentUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/a-aventura-da-filosofia-francesa-01.png","width":2500,"height":1500},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/06\/04\/a-aventura-da-filosofia-francesa\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A aventura da filosofia francesa \u2014 Alain Badiou"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#website","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/","name":"Zero \u00e0 Esquerda","description":"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.","publisher":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization","name":"Zero \u00e0 Esquerda","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png","contentUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png","width":1271,"height":1069,"caption":"Zero \u00e0 Esquerda"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda","https:\/\/x.com\/z3roaesquerda","https:\/\/www.instagram.com\/revistazeroaesquerda\/","https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCIaGx271Qw6D1QwqYBojrLw"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/person\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8","name":"Zero \u00e0 Esquerda","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","caption":"Zero \u00e0 Esquerda"},"description":"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.","sameAs":["http:\/\/zeroaesquerda.com.br"],"url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/author\/revistazeroaesquerdagmail-com\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=399"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/399\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2256,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/399\/revisions\/2256"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}