{"id":3682,"date":"2025-05-13T22:31:27","date_gmt":"2025-05-13T22:31:27","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=3682"},"modified":"2025-05-13T22:31:27","modified_gmt":"2025-05-13T22:31:27","slug":"atestado-leandro-nascimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2025\/05\/13\/atestado-leandro-nascimento\/","title":{"rendered":"Atestado \u2014 Leandro Nascimento"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\"wp-block-verse\">\u201cEm seis dias o mundo foi criado, no s\u00e9timo folga; do oitavo em diante todos aspiram a um atestado que o dispense do trabalho.\u201d&nbsp;<br><\/pre>\n\n\n\n<p>Antes mesmo de acordar, o trabalho, esse intruso, invadiu em sonhos os meus pensamentos. Eu tentei afast\u00e1-lo, dizer n\u00e3o a ele, naquele dia eu n\u00e3o queria trabalhar. N\u00e3o recordava a \u00faltima vez que dormi uma noite inteira. Ao contr\u00e1rio dos \u00faltimos dias, aquela manh\u00e3 estava fria e, para a minha sorte e azar, o hor\u00e1rio de ver\u00e3o fazia com que seis horas da manh\u00e3 ainda se parecesse noite. Procrastinei o despertar at\u00e9 o m\u00e1ximo; o limite. Enquanto isso, involuntariamente recuperava na mem\u00f3ria todas as faltas que tive naquele ano, o que bastou para n\u00e3o conseguir voltar a descansar. Fiquei inquieto ao imaginar o desconto no m\u00eas seguinte. Entre a vig\u00edlia e o sono ressoava em minha cabe\u00e7a o badalo da inquietude e da preocupa\u00e7\u00e3o. Quando me dei conta, estava atrasado. Imposs\u00edvel chegar a tempo. Quando finalmente terminei de calcular o preju\u00edzo, notei que a pr\u00f3xima falta ultrapassaria o limite concedido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ano passado foi decretada uma lei que retirava as aus\u00eancias abonadas e restringia o n\u00famero de faltas justificadas e injustificadas. Claro que a press\u00e3o no trabalho s\u00f3 aumentou e todos passaram a faltar sem pr\u00e9vio aviso; j\u00e1 n\u00e3o era mais poss\u00edvel se organizar para faltar. Eu j\u00e1 havia dado as quatro justificadas permitidas. Todas elas, porque estava de ressaca. Na \u00faltima vez, at\u00e9 tentei trabalhar, s\u00f3 que os quinze minutos de atraso iam muito al\u00e9m dos dez permitidos. Passei aquele dia deitado, vendo qualquer coisa na televis\u00e3o, entre um cochilo e outro e, no final da noite, preparei algo digno para comer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 que era tarde, tentei voltar a dormir. Mas aquela sensa\u00e7\u00e3o de cansa\u00e7o, o estado de ins\u00f4nia, me tomou por completo. Fiquei arrependido de n\u00e3o ter ido trabalhar. Recordei da parcela da TV, do aluguel, da conta de luz e \u00e1gua atrasada, da condi\u00e7\u00e3o horr\u00edvel em que est\u00e1 a bateria do meu celular, da conta do celular, da fatura do cart\u00e3o e aquela noite em que bebi demais e que no dia seguinte n\u00e3o tive coragem em ver o quanto me custou. Certamente vou ficar mais e mais endividado. Neste apuro, recordei que j\u00e1 fazia alguns meses \u2013 talvez dois \u2013 desde a \u00faltima vez que doei sangue. Peguei o cart\u00e3o fidelidade e constatei que a \u00faltima doa\u00e7\u00e3o foi no dia 7 de agosto de 2015. Contei os dias. Passaram 63 dias \u2013 <em>Perfeito!<\/em> Melhor ainda porque naquela manh\u00e3 eu n\u00e3o estava como habitualmente estou, de ressaca. Quer dizer, n\u00e3o estava com aquele tipo de ressaca provocado por \u00e1lcool e farra. N\u00e3o precisaria apertar aquele bot\u00e3o vermelho e derradeiro de descarte do material colhido. O \u00faltimo gesto consolador de honestidade ap\u00f3s as reiteradas mentiras: <em>sim, s\u00f3 transei com uma pessoa nos \u00faltimos tr\u00eas anos; n\u00e3o tive gripe ou resfriado nos \u00faltimos dias; n\u00e3o ingeri bebida alc\u00f3olica nas \u00faltimas doze horas.<\/em> Confesso, sem remorso: desejar n\u00e3o ir trabalhar sempre foi a \u00fanica verdade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com al\u00edvio esperei dar oito horas da manh\u00e3. Tomei um caf\u00e9 refor\u00e7ado prometendo para mim mesmo que dessa vez trocaria o meu sangue sem mentir sequer uma \u00fanica vez, seja l\u00e1 qual for as cl\u00e1usulas do contrato. At\u00e9 mesmo aquela inocente pergunta sobre se me alimentei bem nas \u00faltimas 4 horas eu responderia assertivamente com a verdade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No trajeto at\u00e9 o hospital liguei o celular. Dei fim, enfim, a um podcast que, sempre suspenso entre o dedo distra\u00eddo do deslizar para outros destinos, nas \u00faltimas semanas foi iniciado e interrompido n\u00e3o sei quantas vezes. Era uma s\u00e9rie investigativa sobre o passado de fam\u00edlias ricas que constru\u00edram seu patrim\u00f4nio durante a escravid\u00e3o. Foi um colega de minha antiga universidade que fez a pesquisa hist\u00f3rica. Desde aquela \u00e9poca o Francisco se interessava pelos estudos das elites econ\u00f4micas do s\u00e9culo XIX. Aproveitava a renova\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica de ent\u00e3o para investigar as rela\u00e7\u00f5es familiares da elite paulista. Um dia, um importante professor o advertiu sobre seu interesse de pesquisa. Disse que seria mais proveitoso se o Chico pesquisasse a hist\u00f3ria econ\u00f4mica do s\u00e9culo XIX n\u00e3o desse ponto de vista, que dizia respeito \u00e0 intimidade e a experi\u00eancia das pessoas, mas sim da perspectiva dos conflitos de classe e da estrutura. Chico reagiu sem temer repres\u00e1lias. Defenestrou o antigo professor trazendo ao p\u00fablico universit\u00e1rio outra hist\u00f3ria sobre ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor era conhecido por ter sido um importante combatente da ditadura militar, em seus artigos cient\u00edfico-pol\u00edticos demonstrou os v\u00ednculos do regime com uma ideia de progresso. Este aspecto foi de relev\u00e2ncia extrema para demonstrar como a nossa superexplora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o era uma continuidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ra\u00edzes arcaicas e ultrapassadas da coloniza\u00e7\u00e3o, mas uma ruptura de car\u00e1ter modernizador. Mas, Chico, hoje Francisco Rossi, revelou a todos como esse mesmo professor era tataraneto de um tal de Jo\u00e3o Bonif\u00e1cio de Alcantara, importante fazendeiro do Vale do Ribeira que enricou explorando m\u00e3o de obra escrava mesmo depois do fim da escravid\u00e3o. O professor, que por conveni\u00eancia universalista pouco sabia da hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia, morreu de vergonha quando todo o podre, como uma avalanche de esgoto veio ao p\u00fablico. Primeiro surgiu pelos corredores da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, cresceu e chegou nas salas de aula da gradua\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que foi publicada a primeira tese sobre a fam\u00edlia Bonif\u00e1cio de Alcantara, defendida com louvor e orientada no departamento concorrente.<\/p>\n\n\n\n<p>Rossi era bom em contar hist\u00f3rias antigas por \u00e2ngulos diferentes. Por isso, foi importante quando ele mesmo assumiu a mesma c\u00e1tedra nesta mesma antiga universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00edmido, eu o admirava, mas escondia esse sentimento pela indiferen\u00e7a do ardil te\u00f3rico, que me for\u00e7ava a ter que reconhecer o gr\u00e3o civilizat\u00f3rio de seu inimigo, aquele antigo professor. Eu n\u00e3o podia dar o bra\u00e7o a torcer, esperava que as coisas mudassem para mim e que um dia o meu trabalho tamb\u00e9m fosse reconhecido e, sob esse interesseiro aspecto, estava teoricamente mais pr\u00f3ximo \u00e0 antiga perspectiva. Mas sabia que para isso faltava muito. Um muito que acreditava depender apenas de mim. Mas, enquanto isso, naqueles \u00faltimos minutos do podcast, nos quais era dado os cr\u00e9ditos ao Chico Rossi, me via decepcionado, preso a sucess\u00e3o epis\u00f3dica da minha derrota, caminhando para o hospital a fim de trocar meu sangue por um atestado do dia. Desliguei o celular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No hospital, tive uma p\u00e9ssima not\u00edcia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Da licen\u00e7a, ainda n\u00e3o abriu para doa\u00e7\u00e3o de sangue?&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O hemocentro havia sido fechado. Eles resolveram concentrar todas as doa\u00e7\u00f5es de sangue em \u00fanico posto de refer\u00eancia. Foi isso o que explicou o seguran\u00e7a, que, ao contr\u00e1rio de mim, parecia ter acabado de doar uma desmedida quantidade de sangue. Me encostei pr\u00f3ximo a ele, todo al\u00edvio que instantes atr\u00e1s tinha sentido, sumiu. Perdi um tanto de tempo tentando pensar se existia alguma desculpa poss\u00edvel. Talvez, ir at\u00e9 o trabalho e explicar que n\u00e3o poderia perder aquele dia, que compensaria aquele tempo em outra ocasi\u00e3o. Quem sabe a minha honestidade fosse compensada com piedade. Mas nenhuma desculpa animava a coragem de me erguer daquele muro e ir at\u00e9 o trabalho. Tamb\u00e9m j\u00e1 parecia tarde.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitei os instantes ganhos com a frustra\u00e7\u00e3o para religar o celular. A carga de sua bateria j\u00e1 n\u00e3o durava muito tempo, por isso era for\u00e7ado pela condi\u00e7\u00e3o a manter o celular mais desligado do que o contr\u00e1rio. Apenas o ligava quando era preciso. Naquele momento, n\u00e3o precisava dele, mas tamb\u00e9m n\u00e3o havia nada de melhor. Escorei minhas costas sobre o muro buscando a posi\u00e7\u00e3o mais confort\u00e1vel poss\u00edvel, de torso e cabe\u00e7a inclinada punha a retina a rolar. Nenhum e-mail importante, interrompi o deslizar do dedo evitando o app do banco, desviei o destino, abri o WhatsApp. Infinitas mensagens do trabalho, do grupo de vagas de emprego, dos antigos amigos de escola. Lembrei de mandar mensagem para uma colega de trabalho e contei sobre minha frustra\u00e7\u00e3o na esperan\u00e7a de que pudesse me socorrer com alguma milagrosa ast\u00facia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No trabalho, ningu\u00e9m aguenta mais passar uma longa jornada sem faltar. Por isso, s\u00e3o desenvolvidas as mais inusitadas sagas para se faltar. Todos, com rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es, durantes as elei\u00e7\u00f5es prestam servi\u00e7os para o Tribunal Eleitoral visando o direito a abonadas para cada dia trabalhado em pleno domingo; outros, como eu, doam sangue as quatros vezes permitidas ao longo do ano; alguns s\u00e3o jurados em j\u00fari popular; e poucos aceitam participar de Orienta\u00e7\u00f5es para o Trabalho, j\u00e1 que essa s\u00f3 serve para faltar naquele mesmo dia e, afinal, forma\u00e7\u00e3o para o trabalho tamb\u00e9m n\u00e3o deixa de ser trabalho. As sagacidades s\u00e3o mil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez, um colega sem se dar conta, entregou para o gerente do trabalho um atestado de \u00f3bito que foi expressamente recusado. Quando foi questionar o motivo, foi surpreendido pela informa\u00e7\u00e3o de que o atestado de \u00f3bito estava em seu nome. Perturbado, quando comprou o atestado n\u00e3o reparou que a certid\u00e3o de \u00f3bito n\u00e3o era do seu pai, mas sua. O falsificador trocou os nomes por engano. Junior virou piada no trabalho. Por onde passava, sussurravam <em>l\u00e1 vai o defunto! <\/em>Outros o recriminavam por ter matado o pai, seja o que for, Junior pagou os oitos dias seguidos. Nunca mais conseguiu ter licen\u00e7a pr\u00eamio e o mais duro \u00e9 que quando deu o tempo de trabalho para poder se aposentar, teve que pagar mais oitos dias para se aposentar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em seis dias o mundo foi criado, no s\u00e9timo folga; do oitavo em diante todos aspiram a um atestado que o dispense do trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Carmen \u00e9 a colega que conhe\u00e7o que mais manja como conseguir um atestado que n\u00e3o onere o trabalhador ao fim do m\u00eas. Por conta disso, nos tornar\u00edamos amigos se tamb\u00e9m isso n\u00e3o fosse levar algo do trabalho para fora dele. Nossa rela\u00e7\u00e3o se restringe e \u00e9 definida pela maledic\u00eancia ao trabalho. Foi para ela que enviei uma mensagem com o motivo de minha frustra\u00e7\u00e3o. Ela era r\u00e1pida em responder, principalmente quando estava no trabalho, e antes que minha bateria acabasse mandou um \u00e1udio pragm\u00e1tico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;\u2013 Meu! Vai na psiquiatria e diz que n\u00e3o est\u00e1 bem.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nunca tinha cogitado essa possibilidade. N\u00e3o pela obvia raz\u00e3o de que estaria mentindo se dissesse que estava louco; sabia que n\u00e3o estava e a frieza com a qual eu conseguia mentir para enganar o trabalho poderia demonstrar como eu estava em pleno ju\u00edzo. Mas nunca tinha pensado nisso porque estimo e considero o trabalho m\u00e9dico, sobretudo psiqui\u00e1trico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, muitos colegas de trabalho foram encaminhados \u00e0 psiquiatria. Alguns de nossos clientes \u2013 como o gerente tratava nosso p\u00fablico e fazia quest\u00e3o de nos advertir questionando nossa efici\u00eancia \u2013 tamb\u00e9m estavam \u00e0s pencas sendo carregados para as consultas psiqui\u00e1tricas. Eu sabia que os meus motivos, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o eram verdadeiros e que se necessitava de um atestado era para n\u00e3o encarecer o custo financeiro da farra. Pagado o pre\u00e7o material, n\u00e3o h\u00e1 de encarecer ainda mais com o custo moral da culpa que tenta refrear, em v\u00e3o, a mentira. Por isso, mentia com desfa\u00e7atez. Mas at\u00e9 mesmo para mim o singelo pragmatismo da Carmen espantava.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estava agoniado pela falta de alternativa que o tempo impunha para mim. Os hemocentros fecham ao meio-dia, ir at\u00e9 o \u00fanico que restou no centro da cidade n\u00e3o era mais poss\u00edvel. Nesta situa\u00e7\u00e3o, coloquei em exame a solidez que atribu\u00eda \u00e0 magnitude da classe m\u00e9dica. Ainda lembrei do ilustre Bacamarte, que foi entre todos o mais aplicado louco. Pensei se tamb\u00e9m eu n\u00e3o estava um pouco insano. E de ju\u00edzo em ju\u00edzo fui encadeando casuisticamente as mais delirantes raz\u00f5es que demoliram a solidez dos meus preconceitos inadequados \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o estava convicto da minha completa loucura, era razo\u00e1vel que conseguisse um atestado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima barreira que restou, portanto, n\u00e3o era de ordem moral. Eu precisava convencer o m\u00e9dico a n\u00e3o me atestar mais do que o suficiente para n\u00e3o \u201ccair na caixa\u201d. Conheci um colega que realmente enlouqueceu depois que foi afastado por mais de 30 dias. Ele voltou tantas vezes \u00e0 per\u00edcia que lhe era exigida, e que infelizmente sempre coincidia com alguma falta do m\u00e9dico que, de tanto se enroscar nos protocolos ordenados, ficou sem a m\u00edsera pens\u00e3o. Como o pobre coitado se ausentou mais de 30 dias consecutivos sem atestar sua justificativa, n\u00e3o teve advogado que conseguisse reintegr\u00e1-lo ao trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi f\u00e1cil nem dif\u00edcil conseguir uma consulta na emerg\u00eancia da ala psiqui\u00e1trica. Para meu espanto, n\u00e3o havia muitos loucos. Reconheci espalhados pelas cadeiras da recep\u00e7\u00e3o alguns colegas. A parte dif\u00edcil foi perder a manh\u00e3 e praticamente toda a tarde naquele amplo corredor de espera, aguardando ser atendido. A f\u00e1cil \u00e9 que a psiquiatria ficava no mesmo pr\u00e9dio do antigo hemocentro. Conversando com o ap\u00e1tico seguran\u00e7a, descobri que esse era um dos motivos pelos quais aquela unidade de doa\u00e7\u00e3o de sangue foi fechada. A psiquiatria precisava de novos leitos e o jeito foi conquistar aquele andar que as vezes passava dias sem receber algum doador. Minha consci\u00eancia social ouvia aquilo lamentando e com certo orgulho pr\u00f3prio que atestava meus prop\u00f3sitos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Paulo da Silva Pereira!&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Meu nome ecoava vindo da \u00faltima sala daquele cumprido corredor. Enquanto caminhava, lembrei da conversa que tive com o desconhecido colega que tamb\u00e9m aguardava ser chamado. Ele me aconselhava a se fingir de louco durante a consulta. Na \u00faltima vez, disse para o m\u00e9dico que agrediu uma pessoa no trabalho. Enquanto contava suas mais piradas hist\u00f3rias, ele sorria de um jeito muito parecido com o meu. Lembrei da hist\u00f3ria que eu contava quando fui barrado na segunda vez que pretendia doar meu sangue.&nbsp; Tinha dito para a enfermeira que no per\u00edodo do \u00faltimo ano tinha transado com quatro pessoas diferentes. Eu estava mentindo, achei equilibrado a op\u00e7\u00e3o que coubesse em uma \u00fanica m\u00e3o sem expor todos os dedos. Mas a mo\u00e7a da triagem me dispensou alegando que o m\u00e1ximo permitido eram tr\u00eas. Eu contava essa hist\u00f3ria achando gra\u00e7a da hipocrisia hospitalar e do meu cinismo, desde ent\u00e3o fiz de mim uma pessoa casada, que s\u00f3 transa com camisinha, que n\u00e3o vai nunca ao dentista nas \u00faltimas semanas, que n\u00e3o bebe e que nunca fica resfriado ou gripado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas dessa vez achei por bem n\u00e3o inventar nenhuma hist\u00f3ria biruta. Apressei o passo e diminui os devaneios. Encontrei um m\u00e9dico que parecia mais jovem do que eu, devia ter no m\u00e1ximo trinta anos, era descolado na maneira como se vestia, pois n\u00e3o estava de jaleco nem de roupa branca. Bernardo Maia vestia uma cal\u00e7a c\u00e1qui e camisa social amarela de manga comprida dobrada sobre o antebra\u00e7o. Pediu para eu me sentar, decidido fechou a porta, sentou-se e olhou primeiro para o computador. Em seguida para mim. Iniciou a consulta perguntando algumas coisas protocolares, parecia preencher uma ficha. <em>\u00c9 a primeira vez aqui?<\/em> Eu respondi a tudo ligeiro e com muita aten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um bom tempo atr\u00e1s passei por uma dermatologista que ao me perguntar o porqu\u00ea estava ali respondi atabalhoado e vexado que o motivo da minha preocupa\u00e7\u00e3o eram algumas rugas que surgiram em meu rosto. E<em>mbaixo do olho<\/em>, disse indicando com o dedo. Com alguma surpresa ela se levantou e meio que foi encerrando a consulta. Perguntou minha idade, \u2013 naquela ocasi\u00e3o n\u00e3o ultrapassava os 23 anos \u2013 logo finalizou a consulta indicando um protetor solar e foi abrindo a porta. S\u00f3 quando ela fechou a porta sobre a minha sombra empurrando a no\u00e7\u00e3o a se mancar, foi que notei o meu equ\u00edvoco. <em>Quis dizer verruga<\/em>, pensei. Mas calei em pensamentos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com muita cautela respondi ao psiquiatra que era a minha primeira vez ali, que tinha 35 anos, que n\u00e3o era al\u00e9rgico a nada, que nunca tinha feito nenhuma cirurgia. Com muita aten\u00e7\u00e3o respondi ligeiro ao question\u00e1rio tentando encurtar o m\u00e1ximo poss\u00edvel aquele momento. <em>Quem sabe ainda conseguiria aproveitar a noite<\/em>. Mas, inesperadamente, fui defrontado por uma pergunta que inicialmente me causou sob a pele a sensa\u00e7\u00e3o de comich\u00e3o, inquietando o corpo todo, apertando o peito e me fugindo o ar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013<em> O que voc\u00ea faz da vida?<\/em> <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<style>.wp-block-kadence-column.kb-section-dir-horizontal > .kt-inside-inner-col > .kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-link-wrap{max-width:unset;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-link-wrap{border-top:23px solid #d70141;border-right:23px solid #d70141;border-bottom:23px solid #d70141;border-left:23px solid #d70141;background:#d70141;padding-top:var(--global-kb-spacing-sm, 1.5rem);padding-right:var(--global-kb-spacing-sm, 1.5rem);padding-bottom:var(--global-kb-spacing-sm, 1.5rem);padding-left:var(--global-kb-spacing-sm, 1.5rem);margin-top:50px;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-link-wrap:hover{background:#d70141;}.kt-info-box3682_9323fe-cc.wp-block-kadence-infobox{max-width:100%;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kadence-info-box-image-inner-intrisic-container{max-width:161px;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kadence-info-box-image-inner-intrisic-container .kadence-info-box-image-intrisic{padding-bottom:100%;width:640px;height:0px;max-width:100%;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kadence-info-box-icon-container .kt-info-svg-icon, .kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-info-svg-icon-flip, .kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-number{font-size:50px;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-media{color:#444444;background:#f7e6d4;border-color:#f7e6d4;border-top-width:5px;border-right-width:5px;border-bottom-width:5px;border-left-width:5px;padding-top:0px;padding-right:0px;padding-bottom:0px;padding-left:0px;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-media-container{margin-top:-75px;margin-right:0px;margin-bottom:20px;margin-left:0px;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-link-wrap:hover .kt-blocks-info-box-media{color:#444444;background:#f7e6d4;border-color:#f7e6d4;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-infobox-textcontent h2.kt-blocks-info-box-title{color:#f7e6d4;padding-top:0px;padding-right:0px;padding-bottom:0px;padding-left:0px;margin-top:5px;margin-right:0px;margin-bottom:10px;margin-left:0px;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-link-wrap:hover h2.kt-blocks-info-box-title{color:#f7e6d4;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-infobox-textcontent .kt-blocks-info-box-text{color:#f4dcc3;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-link-wrap:hover .kt-blocks-info-box-text{color:#f4dcc3;}.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-learnmore{background:transparent;border-width:0px 0px 0px 0px;padding-top:4px;padding-right:8px;padding-bottom:4px;padding-left:8px;margin-top:10px;margin-right:0px;margin-bottom:10px;margin-left:0px;}@media all and (max-width: 1024px){.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-link-wrap{border-top:23px solid #d70141;border-right:23px solid #d70141;border-bottom:23px solid #d70141;border-left:23px solid #d70141;}}@media all and (max-width: 767px){.kt-info-box3682_9323fe-cc .kt-blocks-info-box-link-wrap{border-top:23px solid #d70141;border-right:23px solid #d70141;border-bottom:23px solid #d70141;border-left:23px solid #d70141;}}<\/style>\n<div class=\"wp-block-kadence-infobox kt-info-box3682_9323fe-cc\"><span class=\"kt-blocks-info-box-link-wrap info-box-link kt-blocks-info-box-media-align-top kt-info-halign-left\"><div class=\"kt-blocks-info-box-media-container\"><div class=\"kt-blocks-info-box-media kt-info-media-animate-none\"><div class=\"kadence-info-box-image-inner-intrisic-container\"><div class=\"kadence-info-box-image-intrisic kt-info-animate-none\"><div class=\"kadence-info-box-image-inner-intrisic\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG-20230620-WA00082.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" class=\"kt-info-box-image wp-image-3683\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG-20230620-WA00082.jpg 640w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG-20230620-WA00082-300x300.jpg 300w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG-20230620-WA00082-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"kt-infobox-textcontent\"><h2 class=\"kt-blocks-info-box-title\">Leandro Nascimento <\/h2><p class=\"kt-blocks-info-box-text\">\u00e9 professor de Filosofia e Literatura para o Ensino M\u00e9dio e mestre em Teoria Liter\u00e1ria e Literatura Comparada pela Universidade  de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p><\/div><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEm seis dias o mundo foi criado, no s\u00e9timo folga; do oitavo em diante todos aspiram a um atestado que o dispense do trabalho.\u201d&nbsp; Antes mesmo de acordar, o trabalho, esse intruso, invadiu em sonhos os meus pensamentos. 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