{"id":3646,"date":"2025-04-02T21:31:30","date_gmt":"2025-04-02T21:31:30","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=3646"},"modified":"2025-04-05T00:38:17","modified_gmt":"2025-04-05T00:38:17","slug":"afinal-o-que-e-identitarismo-resenha-do-livro-de-douglas-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2025\/04\/02\/afinal-o-que-e-identitarismo-resenha-do-livro-de-douglas-barros\/","title":{"rendered":"Afinal, o que \u00e9 identitarismo? \u2013 resenha do livro de Douglas Barros"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-bb66b33ab579787b32832f64d2af0fb6\" style=\"font-family:Georgia\">Publicado em novembro de 2024 pela editora Boitempo, <em>O que \u00e9 identitarismo?<\/em>, de Douglas Barros, apresenta uma leitura conceitual daquilo que \u00e9 chamado de \u201cidentitarismo\u201d. Atrav\u00e9s do prisma da \u201cidentidade\u201d e suas express\u00f5es na experi\u00eancia hist\u00f3rica do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, h\u00e1 o enfoque em sua figura atual do neoliberalismo. O livro prop\u00f5e uma revis\u00e3o conceitual que enriquece a gram\u00e1tica de uma esquerda minorit\u00e1ria que visa suspender os lugares-comuns aos quais se habituou o termo e a discuss\u00e3o. O autor oferece meios de realizar uma autocr\u00edtica \u00e0queles que queiram superar as posi\u00e7\u00f5es sedimentadas de uma certa esquerda institucionalizada que h\u00e1 algum tempo j\u00e1 n\u00e3o consegue provocar e organizar suas posi\u00e7\u00f5es e acaba por ceder \u00e0s press\u00f5es perform\u00e1ticas dos moldes da democracia burguesa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-912c03c547119ec0c9f47ed9add0f2de\" style=\"font-family:Georgia\">Seu livro, longe de ser um livro \u201cacademicista\u201d \u2013 no sentido de um discurso te\u00f3rico altamente t\u00e9cnico voltado para escritores altamente qualificados e especialistas de pequenos assuntos \u2013, estabelece um caminho de leitura que auxilia na compreens\u00e3o dos leitores: o livro \u00e9 organizado em tr\u00eas grandes partes: <em>1) O que \u00e9 identidade?<\/em>; <em>2) A antec\u00e2mara do identitarismo contempor\u00e2neo<\/em> e <em>3) O que \u00e9 isto, o identitarismo?<\/em>. Em seu conte\u00fado, o conjunto dessas partes est\u00e1 dividido em oito cap\u00edtulos que, por sua vez, possuem seus respectivos t\u00f3picos relativos ao tema abordado. A disposi\u00e7\u00e3o do livro \u00e9 uma garantia para o leitor referente \u00e0s quest\u00f5es que ser\u00e3o desenvolvidas durante a leitura. A exposi\u00e7\u00e3o se d\u00e1 previamente ao esqueleto do texto e, caso esse leitor queira, poder\u00e1 saltar para os pontos que lhe interessa. Cada parte cont\u00e9m a indica\u00e7\u00e3o de um todo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-07efc48308e331cd5a8aca16c95c2593\" style=\"font-family:Georgia\">A sequ\u00eancia do livro, em sua disposi\u00e7\u00e3o de cap\u00edtulos, suas refer\u00eancias te\u00f3ricas, que passam da psican\u00e1lise, filosofia social e pol\u00edtica, at\u00e9 os estudos culturais, mediadas pelas refer\u00eancias da cr\u00edtica pol\u00edtica, levanta temas transversais, balizados por uma perspectiva da filosofia hegeliana e marxista de fundo. Por\u00e9m, longe de conclus\u00f5es apressadas, o livro n\u00e3o se dirige a leitores selvagens obsessivos por p\u00edlulas de pensamento apresentadas na <em>Internet<\/em>. Enganam-se tanto aqueles que enxergam na obra de Barros uma escrita academicista voltada exclusivamente para os doutos quanto aqueles que esperam uma obra mastigada, de conclus\u00f5es r\u00e1pidas escritas em <em>petit-n\u00e8gre<\/em> <sup data-fn=\"e5505759-d492-4ee9-9718-4ebd6721b168\" class=\"fn\"><a id=\"e5505759-d492-4ee9-9718-4ebd6721b168-link\" href=\"#e5505759-d492-4ee9-9718-4ebd6721b168\">1<\/a><\/sup> e pouco est\u00edmulo para a reflex\u00e3o de quem o l\u00ea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-82e360b0369b21fa2ba0729d297458d8\" style=\"font-family:Georgia\">Para aqueles que tiveram seu primeiro contato com a obra de Barros recentemente, \u00e9 preciso que saibam que as fundamenta\u00e7\u00f5es de suas argumenta\u00e7\u00f5es n\u00e3o se iniciaram agora a partir de reflex\u00f5es solit\u00e1rias. Elas se deram atrav\u00e9s de um percurso militante conectado a coletivos e interven\u00e7\u00f5es daquilo que chamamos de \u201cmovimento negro\u201d. Os apontamentos biogr\u00e1ficos esclarecem um campo de experi\u00eancias no qual as contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o pululantes e estabelecem uma certa condi\u00e7\u00e3o: um intelectual perif\u00e9rico que se v\u00ea obrigado a transitar entre movimentos sociais e o trabalho da pesquisa acad\u00eamica, estabelecendo conex\u00f5es e discutindo ideias fora do lugar-comum, bem como o conformismo com t\u00e1ticas que tendem \u00e0 estrat\u00e9gias ineficazes. Dessa trajet\u00f3ria, foram tamb\u00e9m publicados outros livros que evidenciam certas aspira\u00e7\u00f5es e que ganham suas concretiza\u00e7\u00f5es apenas no atual livro, fazendo o olhar de hoje se voltar para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-35d92a4a79dcceaa3745dca5f97e156a\" style=\"font-family:Georgia\">Em 2019, o autor lan\u00e7a seu livro <em>Lugar de negro, lugar de branco? Esbo\u00e7o para uma cr\u00edtica \u00e0 metaf\u00edsica racial<\/em>, pela editora Hedra e, em 2020, o livro <em>\u201cRacismo\u201d<\/em>, pela editora Fibra\/Edi\u00e7\u00f5es Brasil. Em ambos, temos o ch\u00e3o comum que d\u00e1 sustento para <em>\u201cO que \u00e9 identitarismo?\u201d<\/em>: a no\u00e7\u00e3o de identidade, ra\u00e7a e os imbr\u00f3glios dos movimentos sociais na atual fase do capitalismo. No ap\u00eandice do primeiro livro, intitulado <em>\u201cContra o retorno \u00e0s ra\u00edzes: identidade e identitarismo no centro do debate\u201d<\/em>, temos o horizonte do que viria a ser a formula\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica sobre o identitarismo:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-theme-palette-8-color has-theme-palette-6-background-color has-text-color has-background has-link-color has-small-font-size wp-elements-40d0f18607b89cd437eefdd19b664a19\" style=\"border-width:19px;border-radius:0px;margin-top:0;margin-right:0;margin-bottom:0;margin-left:0;padding-top:0;padding-right:0;padding-bottom:0;padding-left:0\"><blockquote><p><br><br><em>A exalta\u00e7\u00e3o da identidade como algo fixo, absoluto, algo dado, pr\u00e9-existente, e n\u00e3o relativo \u00e9 a pura express\u00e3o da forma de valoriza\u00e7\u00e3o do capital como fim em si mesmo, que precisa assegurar para alguns indiv\u00edduos uma col\u00f4nia ainda vi\u00e1vel de explora\u00e7\u00e3o. <\/em><br><em>\u00c9 esse fen\u00f4meno que busca uma identidade estanque, ideal e n\u00e3o relativa, um Eu=Eu, como forma inconsciente de realiza\u00e7\u00e3o de valoriza\u00e7\u00e3o do capital, que chamo de identitarismo.<\/em><\/p><cite>(Barros, 2018, p.156)<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-ed25224628768b65694e74c56a528a51\" style=\"font-family:Georgia\">Al\u00e9m disso, a tarefa que o autor se prop\u00f5e &#8211; de alguma maneira &#8211; ainda reverbera nos livros subsequentes, por exemplo: \u201ca filosofia tem como tarefa reposicionar os problemas, n\u00e3o resolv\u00ea-los. Cabe a ela investigar o desenvolvimento dos conceitos e n\u00e3o os produzir\u201d (Barros, 2019, p.149). N\u00e3o surpreende, ent\u00e3o, a compreens\u00e3o de que o identitarismo seja tratado enquanto um conceito moderno, com um desenvolvimento hist\u00f3rico ligado ao modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Este conceito encontra seu terreno mais f\u00e9rtil a partir do ressurgimento das teorias da identidade a partir dos anos 1970 e mais evidentemente a partir dos anos 90, quando a organiza\u00e7\u00e3o neoliberal torna-se hegem\u00f4nica e as crises cada vez mais vinculadas aos projetos progressistas de democracia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-c8f0cadbf943e2ff167733826e1fbd3b\" style=\"font-family:Georgia\">A partir disso tem-se a necessidade de reconstru\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio coletivo para a explicita\u00e7\u00e3o de que o topo n\u00e3o \u00e9 para todos, pois \u00e9 preciso manter o ritmo concorrencial (de prefer\u00eancia, em escalas 6&#215;1 nos pa\u00edses de \u201cterceiro mundo\u201d) entre indiv\u00edduos (e n\u00e3o mais sujeitos coletivos organizados em partidos, sindicatos ou mesmo multid\u00f5es espont\u00e2neas), justamente para fazer as engrenagens girarem. Se o Estado est\u00e1 \u201cfalido\u201d e o investimento do \u201ceu-empreendedor\u201d deve estar voltado para a sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia, logo a centralidade do indiv\u00edduo \u00e9 a imagem de sua mis\u00e9ria <sup data-fn=\"8b23df82-0cf8-41b6-91ce-34aad3f2c6af\" class=\"fn\"><a id=\"8b23df82-0cf8-41b6-91ce-34aad3f2c6af-link\" href=\"#8b23df82-0cf8-41b6-91ce-34aad3f2c6af\">2<\/a><\/sup>. Ao mesmo tempo, \u00e9 preciso que todos n\u00e3o apenas acreditem neste \u201cnovo tempo do mundo\u201d que se entreabre, mas que o defendam com unhas e dentes e, por isso, parece haver a necessidade de que o projeto progressista do Estado, sob o neoliberalismo, seja inclusivo <sup data-fn=\"ffcfc6cf-e50a-43bf-89af-e69cf000c15b\" class=\"fn\"><a id=\"ffcfc6cf-e50a-43bf-89af-e69cf000c15b-link\" href=\"#ffcfc6cf-e50a-43bf-89af-e69cf000c15b\">3<\/a><\/sup>. A pol\u00edtica, ent\u00e3o, deixa de ser compreendida atrav\u00e9s das experi\u00eancias de lutas revolucion\u00e1rias do s\u00e9culo XX e passa a ser (de)formada pela no\u00e7\u00e3o de \u201cgest\u00e3o\u201d, que visa garantir a continuidade de interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas da \u201cdireita\u201d, historicamente conservadora, reacion\u00e1ria etc., mas tamb\u00e9m levar consigo para esse modo de opera\u00e7\u00e3o a \u201cesquerda\u201d, hoje tida como \u201cda ordem\u201d, que preza pela \u201cjusta-medida\u201d (sendo o referencial sempre a democracia burguesa), pela lei, pelo \u201cEstado de direito\u201d, pelo consenso e pela conten\u00e7\u00e3o de danos. Aqui, sem d\u00favidas, estamos no cerne do livro ao qual esta resenha se concentra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-ebc869ae516d3a7a9aef3158c9843c58\" style=\"font-family:Georgia\">Uma das t\u00e1ticas que restam para lidar com os escombros \u00e9 o gerenciamento do trabalho de base a partir da identidade sob a forma da representatividade. Nem todos podem alcan\u00e7ar o \u201ctopo\u201d, mas se algum de n\u00f3s &#8211; os quais nos reconhecemos enquanto pertencimento a um determinado grupo &#8211; alcan\u00e7ar esse espa\u00e7o, por pior que sejam as condi\u00e7\u00f5es de perman\u00eancia e por mais ineficazes que sejam suas a\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o a apar\u00eancia ilus\u00f3ria de uma unidade harm\u00f4nica parece vislumbrar no horizonte. A vida sob o capitalismo promove uma subjetividade que nos conduz para a aceita\u00e7\u00e3o desta realidade: temos de ser gratos e resilientes com tudo isso, atualizando a pouca esperan\u00e7a que mantemos para seguir o dia-a-dia. Por\u00e9m, nosso horizonte de expectativas \u00e9 reduzido. As nossas apostas n\u00e3o se direcionam para as transforma\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, mas sim: 1) para uma nostalgia deformada de um per\u00edodo pr\u00e9-capitalista e desejo de retorno para uma p\u00e1tria m\u00edtica (seja o sonho pan-africanista que ainda vive ou seu simulacro absorvido e reproduzido pela ind\u00fastria cultural chamado \u201cWakanda\u201d) e 2) para uma aceita\u00e7\u00e3o de que as coisas s\u00e3o assim mesmo, \u201ceternas e imut\u00e1veis\u201d, como o \u201cracismo estrutural\u201d. O que nos resta, diante das ru\u00ednas da modernidade, \u00e9 a busca por um abrigo prec\u00e1rio no vislumbre de que podemos tornar a vida um pouco menos sofr\u00edvel tendo \u201cpretos no topo\u201d, \u201cmulheres empoderadas\u201d e a vaga certeza de que a \u201cfavela venceu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-fb81c1644d6695b046d6124f44504155\" style=\"font-family:Georgia\">&nbsp;A primeira parte do livro de Barros \u2013 \u201cO que \u00e9 identidade?\u201d \u2013 trabalha justamente esses problemas. O pano de fundo est\u00e1 tamb\u00e9m neste sentido cr\u00edtico, que reposiciona a historicidade categorial do termo. Um dos principais argumentos do livro em quest\u00e3o est\u00e1 em torno da quest\u00e3o da problem\u00e1tica da racializa\u00e7\u00e3o. Noutros termos, o \u201cprimeiro identit\u00e1rio\u201d da hist\u00f3ria foi justamente o homem branco europeu e colonizador. Para citar Barros:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-theme-palette-8-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background has-link-color has-ubuntu-font-family has-custom-font wp-elements-1c3af5dd6a9195c1e025b9a0c036eb7b\" style=\"font-family:Ubuntu\"><em>O desenvolvimento da no\u00e7\u00e3o racial operacionaliza um duplo sistema de refer\u00eancias: por um lado, todo o mundo do racializado; por outro, o mundo que racializa; por um lado, o negro que diz a si mesmo; e, por outro, o negro que \u00e9 nomeado pelo colonizador. O processo de racializa\u00e7\u00e3o se desenvolve, portanto, por meio de uma interven\u00e7\u00e3o violenta na forma\u00e7\u00e3o da subjetividade do racializado. Por isso, pertencer a uma ra\u00e7a diz respeito, sobretudo, a um engajamento subjetivo (Barros, 2024, p. 57).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-6e0c4f5084e30b64ecaedfcd487902a7\" style=\"font-family:Georgia\">Neste aspecto, a ideia de subjetiva\u00e7\u00e3o e racializa\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente o mote identit\u00e1rio constituinte da racializa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que Barros chama de \u201cidentidade racial\u201d. Esse primeiro bloco de cap\u00edtulos, na <em>Parte I<\/em> do livro, recondiciona uma gradativa genealogia conceitual e sua perspectiva posterior de reinterpreta\u00e7\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-theme-palette-8-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-1b11b76f44c710b161cc47e5703f379b is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-theme-palette-8-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background has-link-color has-ubuntu-font-family has-custom-font wp-elements-73b5a2b3e8adf0ed4490d81348d2d6cb\" style=\"font-family:Ubuntu\"><em>A possibilidade de recria\u00e7\u00e3o da identidade descortina um esfor\u00e7o fundamental: identidade \u00e9 algo em processo, n\u00e3o \u00e9 fixa nem fechada. \u00c9 isso o que parece permitir a fuga do legado colonial. Reconhecer a multiplicidade das formas de organiza\u00e7\u00e3o da vida exp\u00f5e a natureza corriqueira dos demarcadores identit\u00e1rios legat\u00e1rios do colonialismo (Barros, 2024, p. 63).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-3ad2096ad6afe4eeb9bfebd35373ef3f\" style=\"font-family:Georgia\">Na passagem acima h\u00e1, de fato, uma premissa que aqui \u00e9 fundamental: a ideia de que o marcador de identidade \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica entre o colonizador e o colonizado; nas formas de identifica\u00e7\u00e3o superior de um grupo frente a outro, para conduzir processos pol\u00edticos de explora\u00e7\u00e3o material e cultural. \u00c9 assim que, neste cont\u00ednuo,&nbsp; a \u201cidentidade nacional\u201d se coloca como aquela de o \u201csentimento de nacionalidade est\u00e1 atrelado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma ideia de destino comum e de progress\u00e3o direcionada pela no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ser cidad\u00e3o de determinado pa\u00eds\u201d (Barros, 2024, p. 85). Portanto, a ideia de \u201cconstru\u00e7\u00e3o da identidade nacional\u201d \u00e9 algo que se tem como resultado \u2013 objetivo \u2013 da constru\u00e7\u00e3o de uma identidade racial, isto \u00e9, os povos subjugados pela for\u00e7a da expans\u00e3o comercial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-46a5b4604115a6295ceb9e72bf195948\" style=\"font-family:Georgia\">Por conseguinte, essa concep\u00e7\u00e3o que naturaliza e justifica determinadas identidades em posi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas faz parte do que Barros compreende enquanto identitarismo, quer dizer, trata-se da cren\u00e7a em um referencial simb\u00f3lico que aglomera diversos significados expressos por gestos e vocabul\u00e1rios. Em outros termos, no limite, uma linguagem que visa dar sentido para uma determinada organiza\u00e7\u00e3o e a uma vis\u00e3o de mundo \u00e0 favor do controle, da domina\u00e7\u00e3o e da subjuga\u00e7\u00e3o daquele que \u00e9 diferente. Por\u00e9m, o decisivo \u00e9 que isso precisa ser explicitado. Para Barros, em sua argumenta\u00e7\u00e3o, precisamos nos perguntar sobre quem \u00e9 diferente de quem. O referencial que emite o discurso \u00e9 sempre o \u201cEu europeu\u201d,&nbsp; um branco colonizador que se coloca como valor universal representante da moral crist\u00e3 europeia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-77fb88b6df1a2459b724b98f70c2fa0b\" style=\"font-family:Georgia\">Nesta esteira, diz Barros em <em>Racismo<\/em>, temos um \u201clugar for\u00e7osamente identificat\u00f3rio\u201d que \u201ccria uma ontologia das propriedades n\u00e3o relacionais e a-hist\u00f3ricas, isto \u00e9, um <em>identitarismo<\/em> essencialista imposto ao Outro e a si mesmo\u201d (Barros, 2020, p. 27, grifo nosso). A partir disso, n\u00e3o deveria nos surpreender o arremate do novo livro do autor, em \u201cO que \u00e9 identitarismo?\u201d. Em suas palavras, \u201c\u00c9 o colonizador europeu o primeiro identit\u00e1rio da hist\u00f3ria moderna\u201d (Barros, 2024, p. 58). Sem uma supera\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o essencialista que paira sobre as identidades, n\u00e3o importa quais sejam as representa\u00e7\u00f5es presentes na subida da rampa que legitima a posse do poder &#8211; o negro, o mu\u00e7ulmano, o ind\u00edgena, o asi\u00e1tico, a mulher, a comunidade LGBTQIAPN+, as pessoas trans, PCDs e todas outras identidades poss\u00edveis que ser\u00e3o ainda enquadradas em padr\u00f5es normativos \u00e0 favor da ordem vigente e de acordo com as&nbsp; necessidades do capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-5106f27dfcbef9e6ef73d56266c4f0bf\" style=\"font-family:Georgia\">Voltando ao livro <em>O que \u00e9 identitarismo?<\/em>, podemos compreender um outro ponto de relevo na obra. Ponto este que se refere ao deslocamento que convencionalmente se entende pelo termo guarda-chuva do \u201cidentit\u00e1rio\u201d. Antes de ser uma afirma\u00e7\u00e3o pessoal autoafirmativa, a identidade carrega um inverso: a sociabilidade que \u00e9 marcada pela competi\u00e7\u00e3o e pela privatiza\u00e7\u00e3o da subjetividade. Na <em>Parte II<\/em>, intitulada \u201cA antec\u00e2mara do identitarismo contempor\u00e2neo\u201d, Barros inverte a premissa de que o identitarismo pudesse ser uma esp\u00e9cie de \u201cnega\u00e7\u00e3o\u201d do capitalismo; antes, o contr\u00e1rio. Para o autor, \u00e9 justamente o proselitismo pr\u00f3-mercado quem produziria, n\u00e3o apenas nas mentes, mas nos cora\u00e7\u00f5es dos sujeitos, a identidade que coaduna com o \u201cesp\u00edrito\u201d do tempo. Em outras palavras, entra em cena o rearranjo da subjetividade: o indiv\u00edduo \u00e9 colocado ent\u00e3o como ap\u00eandice produtivo (descart\u00e1vel) e impessoal (refor\u00e7o paradoxal do mito <em>identit\u00e1rio<\/em>) no mundo contempor\u00e2neo. Segundo Barros, temos aqui o mito do \u201ceu-empreendedor\u201d. Em suas palavras:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-theme-palette-8-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background has-link-color has-ubuntu-font-family has-custom-font wp-elements-5f348a902ddabc56e03914d3b3a797d4\" style=\"font-family:Ubuntu\"><em>\u00c9 aqui que a no\u00e7\u00e3o de sujeito moderno, esvaziado de qualquer tens\u00e3o, se encontra com o sujeito autom\u00e1tico do capital. Assim, se as identidades constru\u00eddas pela coloniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o foram absorvidas na din\u00e2mica do laissez-faire, tampouco na din\u00e2mica fordista, agora \u00e9 a hora de torn\u00e1-las fonte de rentabiliza\u00e7\u00e3o e autorrealiza\u00e7\u00e3o do eu-empreendedor (Barros, 2024, p. 104).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-8e47a47f4d145af887921555c9519c6b\" style=\"font-family:Georgia\">A identidade enquanto mercadoria \u00e9 a completude deste automatismo. Deste modo, o que est\u00e1 em jogo, para o autor, s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es para que a \u201cpossibilidade do identitarismo\u201d no mundo neoliberal se fa\u00e7am presentes. Os ide\u00f3logos do neoliberalismo foram, portanto, cruciais para uma estabiliza\u00e7\u00e3o consciente de um consenso te\u00f3rico referente \u00e0 remodela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo concreto. Deste modo, para que o \u201cneoliberalismo se tornasse poss\u00edvel como ideologia, foi preciso haver uma pol\u00edtica econ\u00f4mica pr\u00f3pria \u00e0s suas transforma\u00e7\u00f5es e a constru\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio que repousasse em tr\u00eas mandamentos: transpar\u00eancia, efic\u00e1cia e informa\u00e7\u00e3o\u201d (Barros, 2024, p. 118). Este processo de reestrutura\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas das bases produtivas, mas do Estado, recoloca o ent\u00e3o cerne do problema interno do capitalismo: a expans\u00e3o do valor. A contradi\u00e7\u00e3o entre for\u00e7a produtiva e apropria\u00e7\u00e3o do valor socialmente produzido impulsiona uma nova situa\u00e7\u00e3o pela qual os agentes integrados (os indiv\u00edduos) atuam como competidores entre si, sem a menor chance de sa\u00edrem de uma l\u00f3gica intr\u00ednseca. A subjetividade \u00e9 agora vinculada totalmente ao modo de express\u00e3o desta transforma\u00e7\u00e3o de base.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-theme-palette-8-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background has-link-color has-ubuntu-font-family has-custom-font wp-elements-bc2fd497ca4838c1a3dbd53b1f8c4345\" style=\"font-family:Ubuntu\"><em>O tempo do indiv\u00edduo \u00e9 colonizado na sua integralidade, com a conectividade no trabalho ou no lazer; os impactos sobre a individualidade ser\u00e3o muito perspicazes e radicalmente dist\u00f3picos. Com o advento da informa\u00e7\u00e3o e a consolida\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o virtual real que mant\u00e9m os fluxos acelerados, o tempo se torna o mesmo (Barros, 2024, p. 134).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-295ab9a001ba5cc20ce94ed34405b14d\" style=\"font-family:Georgia\">Neste caminho, Barros aponta para uma situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 importante para se pensar hoje: a situa\u00e7\u00e3o invertida entre sujeito-objeto, caracter\u00edstica do fetichismo da mercadoria. O <em>pathos <\/em>contempor\u00e2neo, com a hibridiza\u00e7\u00e3o da vida; a plataformiza\u00e7\u00e3o da vida que agora ganha proemin\u00eancia para a reprodu\u00e7\u00e3o material; o perigo b\u00e9lico global com o avan\u00e7o das novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e automa\u00e7\u00e3o etc., tudo isso toma propor\u00e7\u00f5es maiores num contexto em que o \u201cfim das grandes narrativas&#8221; serviu como mote ideol\u00f3gico para a descren\u00e7a no socialismo e a amplia\u00e7\u00e3o do maquin\u00e1rio capitalista de moer gente (e promover suas pr\u00f3prias identidades).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-b4ea1c64407b42afa16af084391a7b0c\" style=\"font-family:Georgia\">Na <em>Parte III<\/em>, Barros recoloca a quest\u00e3o: \u201cO que \u00e9 isto, o identitarismo?\u201d. Segundo o autor, h\u00e1 uma demanda ainda mais atual sobre o \u201cparadigma de gest\u00e3o do capitalismo de crise\u201d, pois \u00e9 logrado uma ilus\u00e3o socialmente necess\u00e1ria de que, desde o \u201cuniversalismo eg\u00edpcio ao cristianismo sem\u00edtico, assistiu-se a uma opera\u00e7\u00e3o de fabula\u00e7\u00e3o para adequar o mundo \u00e0 ordem do discurso colonial\u201d (Barros, 2024, p. 141). Assim, pode ser dito que o debate entre universalismo e particularismo est\u00e1 tamb\u00e9m entrela\u00e7ado ao longo da obra. Enquanto o universalismo busca uma luta comum baseada em princ\u00edpios mais generalizantes, o particularismo foca nas experi\u00eancias e demandas espec\u00edficas de grupos marginalizados. Seja como for, o que Barros explora tem a ver com as tens\u00f5es entre as abordagens e como elas moldam as lutas pol\u00edticas contempor\u00e2neas \u2013 ou melhor: s\u00e3o moldadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-7a312c6dc3871d47624e87dbd67fe481\" style=\"font-family:Georgia\">Adiante, Barros salienta outra cr\u00edtica importante. Aqui ele refor\u00e7a que a<em> mercantiliza\u00e7\u00e3o das identidades<\/em> \u00e9 um tipo de resultado do identitarismo. Segundo ele, o identitarismo pode ser cooptado pelo mercado e transformado em um produto comercializ\u00e1vel. O fundamento \u00e9 o esvaziamento das demandas pol\u00edticas e sociais, j\u00e1 que trata-se de uma convers\u00e3o das identidades em marcas ou nichos de consumo e autorrealiza\u00e7\u00e3o. Ele discute como o capitalismo pode se adaptar \u00e0s demandas identit\u00e1rias e neutraliz\u00e1-las, transformando-as em algo que refor\u00e7a o pr\u00f3prio sistema. Assim, Barros coloca que a \u201cidentidade como gest\u00e3o\u201d tem uma constru\u00e7\u00e3o \u201ccujos limites s\u00e3o determinados pela rela\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rica. \u00c9 isto que a torna t\u00e3o preciosa: capacidade de dar sentido \u00e0 a\u00e7\u00e3o individual ataviada com pressupostos l\u00f3gicos da organiza\u00e7\u00e3o social\u201d (Barros, 2024, p. 148). Desta maneira, a pr\u00f3pria l\u00f3gica de \u201cgest\u00e3o pol\u00edtica\u201d das identidades encontra seu grau de bifurca\u00e7\u00e3o: o fechamento de horizontes de identidades particulares se unem ao controle policial do identitarismo, cujo motor social \u00e9 a extrema-direita, que atualmente se alastra pelo mundo pelo motivo da fragmenta\u00e7\u00e3o da ilus\u00e3o de uma coes\u00e3o social pelo \u201ceu-empreendedor\u201d. Barros elenca algumas condi\u00e7\u00f5es desta acelera\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria reacion\u00e1ria:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-theme-palette-8-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background has-link-color has-ubuntu-font-family has-custom-font wp-elements-603d6c6c92988c4658c2f95b6a6b36a8\" style=\"font-family:Ubuntu\"><em>1) a globaliza\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas; 2) a precariza\u00e7\u00e3o e a individualiza\u00e7\u00e3o do trabalho, aliada ao discurso neoliberal; 3) a flexibiliza\u00e7\u00e3o tanto das for\u00e7as produtivas quanto das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o; 4) a reorganiza\u00e7\u00e3o da vida socioecon\u00f4mica interconectada em redes; 5) a recoloniza\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio por meio da representa\u00e7\u00e3o moderna da racializa\u00e7\u00e3o (Barros, 2024, p. 157).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-b48aef5624ba03cd8480ae6dd5e8d1cb\" style=\"font-family:Georgia\">Nesta din\u00e2mica, as condi\u00e7\u00f5es ressignificadas dentro de uma coes\u00e3o social cada vez mais cambaleante, t\u00eam consequ\u00eancias perigosas. Um destes resultados \u00e9 a acelera\u00e7\u00e3o do controle real pela virtualidade das rela\u00e7\u00f5es sociais cujo mote \u00e9 um controle impessoal das identidades que s\u00e3o criadas pelos algoritmos. Em outros termos, \u201ca sociedade do espet\u00e1culo \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de todas as potencialidades da ind\u00fastria cultural\u201d (Barros, 2024, p, 164), para usar o l\u00e9xico de Guy Debord, mencionado por Barros. H\u00e1 uma reorganiza\u00e7\u00e3o da imagem, pelo entretenimento, pela viol\u00eancia constituinte de um mundo sem alternativas reais. \u00c9 com isso que figuras individuais, com suas identidades s\u00e3o \u201cpromovidas\u201d em um p\u00fablico amorfo e agregado \u00e0quilo que espelham. Para citar Barros: \u201cuma finalidade inteiramente ligada \u00e0 promo\u00e7\u00e3o emotiva que cause o movimento cart\u00e1tico da representa\u00e7\u00e3o de si. Essa representa\u00e7\u00e3o egoica promove a identifica\u00e7\u00e3o e culto \u00e0 identidade\u201d (Barros, 2024, p. 166).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-bf7d0a64c62f347540632606264e3bc0\" style=\"font-family:Georgia\">A sociabilidade contempor\u00e2nea tem agora o corol\u00e1rio da \u201cgest\u00e3o identit\u00e1ria da diferen\u00e7a\u201d. Se o identitarismo \u00e9 efeito das transforma\u00e7\u00f5es do capitalismo, \u201co identitarismo forja uma tecniza\u00e7\u00e3o da linguagem que aos poucos invade a vida cotidiana\u201d (Barros, 2024, p. 169). Os impactos no \u00e2mbito da subjetividade e da intersubjetividade s\u00e3o enormes, como j\u00e1 assinalados. O importante, al\u00e9m disso, \u00e9 compreender que as pol\u00edticas de identidade funcionam tamb\u00e9m como um meio de sobreviv\u00eancia da exclus\u00e3o do Outro. As trocas sociais perdem sua capacidade de mobilizar experi\u00eancias, pois sustentar a ilus\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o aumenta o poder afetivo da indiferen\u00e7a. Trata-se, ao final, de uma \u201cverdadeira coloniza\u00e7\u00e3o da gram\u00e1tica cotidiana, que n\u00e3o s\u00f3 impede a troca simb\u00f3lica comum, a partir da partilha do sens\u00edvel, como encerra o espa\u00e7o p\u00fablico no privado\u201d (Barros, 2024, p. 174).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-42e929f7d6c1e49700db1964a4f57f2a\" style=\"font-family:Georgia\">Portanto, mais do que uma indica\u00e7\u00e3o de leitura que vai, em grande parte, na contram\u00e3o do que tanto a direita quando a esquerda compreendem o fen\u00f4meno do \u201cidentitarismo\u201d (arraigados no interior do l\u00e9xico do capital), o jovem fil\u00f3sofo instiga o leitor a pensar sobre como equilibrar a cr\u00edtica das figuras pol\u00edticas do capitalismo (identidade e subjetividade) quanto da necessidade de uma transforma\u00e7\u00e3o social (pr\u00e1xis social) que v\u00e1 al\u00e9m das identidades espec\u00edficas. A domestica\u00e7\u00e3o das subjetividades \u00e9 que torna poss\u00edvel a gest\u00e3o pol\u00edtica do identitarismo. Gest\u00e3o que passa principalmente pela gram\u00e1tica social que fa\u00e7a um bloqueio \u00e0 pr\u00f3pria capacidade de supera\u00e7\u00e3o do paradigma identit\u00e1rio que o capital engendra enquanto sujeito autom\u00e1tico. Certo bloqueio pol\u00edtico que faz construir um imagin\u00e1rio social que esbarra na pol\u00edtica de identidade como consequ\u00eancia e efeito do identitarismo colonizador e burgu\u00eas. Para Barros, este \u201cantagonismo social, organizado em bases materiais, \u00e9 assim nadificado para que sua causa se reduza \u00e0 luta das identidades\u201d (Barros, 2024, p. 178).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-54ecd7e300c967a5becfc85ec1d57177\" style=\"font-family:Georgia\">\u00c9 deste modo que Barros coloca duas figuras sociais em xeque: de um lado, o \u201cidentitarismo progressista-laico\u201d e, por outro lado, o \u201cidentitarismo reacion\u00e1rio-sagrado\u201d. No primeiro caso, \u201ca visibilidade e o carisma tornam-se sin\u00f4nimos de sucesso, forjando uma identifica\u00e7\u00e3o de grupos trabalhados como nichos eleitorais [&#8230;]. \u00c0s identidades historicamente exclu\u00eddas n\u00e3o basta integrar-se ao sistema que esbulhou e esmagou seus ancestrais\u201d, pois o que seria integrado ao sistema \u00e9 a l\u00f3gica social dos que \u201cchegaram l\u00e1\u201d (Barros, 2024, 184-5); no segundo caso, \u201co mecanismo da viol\u00eancia coletiva desloca a viol\u00eancia da pr\u00f3pria sociabilidade do capitalismo tardio. A v\u00edtima sacrificial \u00e9 eleita em termos de vingan\u00e7a e repres\u00e1lia\u201d (Barros, 2024, p. 189). Em resumo, cada qual a seu modo, revela-se aqui uma gram\u00e1tica social dos sujeitos que, dentro de um paradigma neoliberal de gest\u00e3o das identidades, grupos marginalizados e grupos que ainda soam em vultos do passado, em privil\u00e9gios estamentais ou consangu\u00edneos, buscam reafirmar-se sobre os escombros do capitalismo em crise.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-2f96cb909660e6196a18dcedb76d3c93\" style=\"font-family:Georgia\">A leitura do livro de Barros contribui satisfatoriamente para as atuais discuss\u00f5es em torno do \u201cidentitarismo\u201d. Antes de uma defesa ou uma cr\u00edtica moral, trata-se de um sintoma social do qual estamos submetidos. O \u201cidentit\u00e1rio\u201d \u00e9 todo aquele que busca um qualificador gerencial das subjetividades: a forma pol\u00edtica desta identidade est\u00e1 atrelada ao solo social do sistema mundial de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Enfim, os argumentos desenvolvidos ao longo do livro d\u00e3o \u00e0 luz tematiza\u00e7\u00f5es e observa\u00e7\u00f5es que, por algum tempo, muitos deixaram por fazer: um exerc\u00edcio de elaborar o que vivemos atrav\u00e9s de conceitos que tornam-se instrumentos de an\u00e1lise e de interven\u00e7\u00e3o. O livro de Douglas Barros tem, sem d\u00favidas, este m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-ce74bd36883c7a5955c391769d3ff626\" style=\"font-family:Georgia\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-3b759be5070936260ca6e99eb5ebb9e0\" style=\"font-family:Georgia\">ARANTES, Paulo Eduardo. <em>O novo tempo do mundo: e outros estudos sobre a era da emerg\u00eancia<\/em>. 1\u00b0 edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-81f51fc5b30357774e89189b1502e450\" style=\"font-family:Georgia\">BARROS, Douglas Rodrigues. <em>Lugar de negro, lugar de branco? Esbo\u00e7o para uma cr\u00edtica \u00e0 metaf\u00edsica racial<\/em>. 1. edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora Hedra, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-a541647395c7c94ddb8d8d85b92ec61d\" style=\"font-family:Georgia\">_______________________. <em>O que \u00e9 identitarismo?<\/em>. &#8211; 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-3d83761eb812ec8422a52c9c143424ca\" style=\"font-family:Georgia\">_______________________. <em>Para uma teoria do \u2018corre\u2019: vagas arrombadas e vidas prec\u00e1rias<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2024\/12\/07\/para-uma-teoria-do-corre-vagas-arrombadas-e-vida-precaria\/\">https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2024\/12\/07\/para-uma-teoria-do-corre-vagas-arrombadas-e-vida-precaria\/<\/a> &gt;. Acesso em: 27 de fevereiro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-ab657580141bcfe27bf51b64c3ff5ce6\" style=\"font-family:Georgia\">_______________________. <em>Pequeno gloss\u00e1rio fanoniano<\/em> Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/pequeno-glossario-fanoniano\/\">https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/pequeno-glossario-fanoniano\/<\/a> &gt;. Acesso em 26 de fevereiro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-ebf62a770d5c70e67aab48acb253050e\" style=\"font-family:Georgia\">_______________________; SIQUEIRA, Jean; RODRIGUES, Thiago (orgs.). <em>Racismo<\/em>. 1\u00b0 edi\u00e7\u00e3o. Jundia\u00ed-SP: Editora Fibra\/ Edi\u00e7\u00f5es Brasil, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-6f05cf34718afc78a7fc81bd2e0b6a73\" style=\"font-family:Georgia\">FANON, Frantz. O negro e a linguagem. <em>In<\/em>: <em>Pele negra, m\u00e1scaras brancas<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Sebasti\u00e3o Nascimento e colabora\u00e7\u00e3o de Raquel Camargo. S\u00e3o Paulo: Ubu Editora, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-0fa85892ee800e49e1894df872493322\" style=\"font-family:Georgia\">SANTOS, Fabio Luis Barbosa dos; FELDMANN, Daniel. <em>O m\u00e9dico e o monstro:<\/em> uma leitura do progressismo latino-americano e seus opostos. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-dd6ee27a8fafc4e493763179c7052213\" style=\"font-family:Georgia\">Um grupo de militantes na neblina. <em>Inc\u00eandio: trabalho e revolta no fim de linha brasileiro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Contrabando Editorial, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-6-color has-text-color has-link-color has-georgia-font-family has-custom-font wp-elements-8422f7c411daada1f0e5b4a63b96aa35\" style=\"font-family:Georgia\">VIANA, Silvia. <em>Rituais de sofrimento<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2012.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"e5505759-d492-4ee9-9718-4ebd6721b168\">\u00a0Sobre a linguagem <em>petit-n\u00e8gre,<\/em> ver: FANON, F. <em>\u201cO negro e a linguagem\u201d <\/em>IN: Pele negra, m\u00e1scaras brancas. Tradu\u00e7\u00e3o de Sebasti\u00e3o Nascimento e colabora\u00e7\u00e3o de Raquel Camargo. S\u00e3o Paulo: Ubu Editora, 2020. Ver tamb\u00e9m: BARROS, D. <em>Pequeno gloss\u00e1rio fanoniano<\/em>. Revista Cult, 2021, dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/pequeno-glossario-fanoniano\/\">https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/pequeno-glossario-fanoniano\/<\/a> >: \u201cPara Fanon, a pervers\u00e3o do petit-n\u00e8gre reside no fato de que presume de sa\u00edda n\u00e3o s\u00f3 um lugar coloquial e \u2018semi-b\u00e1rbaro\u2019 ao negro, como ainda, o infantiliza. [&#8230;] A despeito das inten\u00e7\u00f5es, o que est\u00e1 em quest\u00e3o, quando se parte do pressuposto de um modo de falar e gesticular pr\u00f3prio ao negro, \u00e9 a sua pris\u00e3o ao complexo de inferioridade e aos limites segundo os quais o negro jamais poder\u00e1 alcan\u00e7ar a polidez da l\u00edngua ou um gosto est\u00e9tico. D\u00e1-se um suposto complexo inato ao indiv\u00edduo negro que o determina e o aprisiona em pressupostos coloniais\u201d.\u00a0 <a href=\"#e5505759-d492-4ee9-9718-4ebd6721b168-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"8b23df82-0cf8-41b6-91ce-34aad3f2c6af\">O que poder\u00edamos chamar de \u201ceterna vira\u00e7\u00e3o de cada dia\u201d (ver: Um grupo de militantes na neblina. <em>Inc\u00eandio: trabalho e revolta no fim de linha brasileiro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Contrabando editorial, 2022, p.73) ou de \u201ccorre\u201d (ver BARROS, Douglas. <em>\u201cPara uma teoria do \u2018corre\u2019: vagas arrombadas e vidas prec\u00e1rias<\/em>\u201d. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2024\/12\/07\/para-uma-teoria-do-corre-vagas-arrombadas-e-vida-precaria\/\">https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2024\/12\/07\/para-uma-teoria-do-corre-vagas-arrombadas-e-vida-precaria\/<\/a>). Para entender as bases desse \u201cshow de horrores\u201d neste \u201cnovo tempo do mundo\u201d, ver: VIANA Silvia. <em>Rituais de sofrimento<\/em>. &#8211; S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2012, bem como ARANTES, Paulo Eduardo. <em>O novo tempo do mundo: e outros estudos sobre a era da emerg\u00eancia<\/em>. &#8211; 1. ed. &#8211; S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2014). <a href=\"#8b23df82-0cf8-41b6-91ce-34aad3f2c6af-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"ffcfc6cf-e50a-43bf-89af-e69cf000c15b\">\u00a0Sobre os ox\u00edmoros do progressismo neoliberal, ver SANTOS, Fabio Luis Barbosa dos &amp; FELDMANN, Daniel. <em>O m\u00e9dico e o monstro: uma leitura do progressismo latino-americano e seus opostos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2021. <a href=\"#ffcfc6cf-e50a-43bf-89af-e69cf000c15b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-61ecc280 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"padding-top:2.5rem;padding-right:2.5rem;padding-bottom:2.5rem;padding-left:2.5rem\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large wp-duotone-grayscale\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/instasize_231015163956-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2928\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/instasize_231015163956-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/instasize_231015163956-300x225.jpg 300w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/instasize_231015163956-768x576.jpg 768w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/instasize_231015163956-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/instasize_231015163956-2048x1536.jpg 2048w\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:75%\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Leonardo Silv\u00e9rio<\/h2>\n\n\n\n<p>Tradutor, artista, ensa\u00edsta e mestrando em Filosofia na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) na \u00e1rea de Est\u00e9tca e Filosofia da Arte. Mais um zero \u00e0 esquerda.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Autor<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-61ecc280 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"padding-top:2.5rem;padding-right:2.5rem;padding-bottom:2.5rem;padding-left:2.5rem\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"165\" height=\"165\" sizes=\"auto, (max-width: 165px) 100vw, 165px\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/54c3553f-0582-4c18-808d-6ee780464ad0.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-3108\" style=\"width:305px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/54c3553f-0582-4c18-808d-6ee780464ad0.webp 165w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/54c3553f-0582-4c18-808d-6ee780464ad0-150x150.webp 150w\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:75%\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Wesley Sousa<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 doutorando em Filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais (MG).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Autor<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado em novembro de 2024 pela editora Boitempo, O que \u00e9 identitarismo?, de Douglas Barros, apresenta uma leitura conceitual daquilo que \u00e9 chamado de \u201cidentitarismo\u201d. Atrav\u00e9s do prisma da \u201cidentidade\u201d e suas express\u00f5es na experi\u00eancia hist\u00f3rica do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, h\u00e1 o enfoque em sua figura atual do neoliberalismo. O livro prop\u00f5e uma revis\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3649,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"Helvetica,Anton,Lora,Merriweather,Montserrat,Oswald,Roboto,Yrsa,Rubik,PT Serif,Open Sans,Heebo,Inconsolata,Faustina,Cormorant Garamond,Helvetica,Times New Roman,Barlow,Playfair Display,Georgia,Ubuntu","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_kadence_starter_templates_imported_post":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":"[{\"content\":\"\u00a0Sobre a linguagem <em>petit-n\u00e8gre,<\/em> ver: FANON, F. <em>\u201cO negro e a linguagem\u201d <\/em>IN: Pele negra, m\u00e1scaras brancas. Tradu\u00e7\u00e3o de Sebasti\u00e3o Nascimento e colabora\u00e7\u00e3o de Raquel Camargo. S\u00e3o Paulo: Ubu Editora, 2020. Ver tamb\u00e9m: BARROS, D. <em>Pequeno gloss\u00e1rio fanoniano<\/em>. Revista Cult, 2021, dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\\\"https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/pequeno-glossario-fanoniano\/\\\">https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/pequeno-glossario-fanoniano\/<\/a> >: \u201cPara Fanon, a pervers\u00e3o do petit-n\u00e8gre reside no fato de que presume de sa\u00edda n\u00e3o s\u00f3 um lugar coloquial e \u2018semi-b\u00e1rbaro\u2019 ao negro, como ainda, o infantiliza. [...] A despeito das inten\u00e7\u00f5es, o que est\u00e1 em quest\u00e3o, quando se parte do pressuposto de um modo de falar e gesticular pr\u00f3prio ao negro, \u00e9 a sua pris\u00e3o ao complexo de inferioridade e aos limites segundo os quais o negro jamais poder\u00e1 alcan\u00e7ar a polidez da l\u00edngua ou um gosto est\u00e9tico. 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