{"id":3579,"date":"2024-12-18T20:33:20","date_gmt":"2024-12-18T20:33:20","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=3579"},"modified":"2025-02-03T18:05:09","modified_gmt":"2025-02-03T18:05:09","slug":"chico-mendes-para-um-tempo-de-catastrofes-uma-resenha-critica-do-testamento-do-homem-da-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/12\/18\/chico-mendes-para-um-tempo-de-catastrofes-uma-resenha-critica-do-testamento-do-homem-da-floresta\/","title":{"rendered":"Chico Mendes para um tempo de cat\u00e1strofes &#8211; uma resenha cr\u00edtica do testamento do homem da floresta\u00a0"},"content":{"rendered":"<style>.kb-row-layout-id3579_bdad90-16 > .kt-row-column-wrap{align-content:start;}:where(.kb-row-layout-id3579_bdad90-16 > .kt-row-column-wrap) > .wp-block-kadence-column{justify-content:start;}.kb-row-layout-id3579_bdad90-16 > .kt-row-column-wrap{column-gap:var(--global-kb-gap-md, 2rem);row-gap:var(--global-kb-gap-md, 2rem);max-width:31px;margin-left:auto;margin-right:auto;padding-top:var(--global-kb-spacing-sm, 1.5rem);padding-bottom:var(--global-kb-spacing-sm, 1.5rem);min-height:233px;grid-template-columns:minmax(0, 1fr);}.kb-row-layout-id3579_bdad90-16{background-image:url('https:\/\/institutoestudosamazonicos.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banner_assassinato_chico_B.jpg');background-size:cover;background-position:100% 0%;background-attachment:fixed;background-repeat:no-repeat;}.kb-row-layout-id3579_bdad90-16 > .kt-row-layout-overlay{opacity:0.93;}.kb-row-layout-id3579_bdad90-16{z-index:679;position:relative;}@media all and (max-width: 1024px), only screen and (min-device-width: 1024px) and (max-device-width: 1366px) and (-webkit-min-device-pixel-ratio: 2) and (hover: none){.kb-row-layout-id3579_bdad90-16{background-attachment:scroll;}}@media all and (max-width: 1024px){.kb-row-layout-id3579_bdad90-16 > .kt-row-column-wrap{grid-template-columns:minmax(0, 1fr);}}@media all and (max-width: 767px){.kb-row-layout-id3579_bdad90-16 > .kt-row-column-wrap{grid-template-columns:minmax(0, 1fr);}}<\/style><div class=\"kb-row-layout-wrap kb-row-layout-id3579_bdad90-16 alignnone kt-row-has-bg kt-jarallax wp-block-kadence-rowlayout\" data-img-position=\"100% 0%\" data-img-size=\"cover\"><div class=\"kt-row-column-wrap kt-has-1-columns kt-row-layout-equal kt-tab-layout-inherit kt-mobile-layout-row kt-row-valign-top\">\n<style>.kadence-column3579_851031-4e > .kt-inside-inner-col,.kadence-column3579_851031-4e > .kt-inside-inner-col:before{border-top-left-radius:0px;border-top-right-radius:0px;border-bottom-right-radius:0px;border-bottom-left-radius:0px;}.kadence-column3579_851031-4e > .kt-inside-inner-col{column-gap:var(--global-kb-gap-sm, 1rem);}.kadence-column3579_851031-4e > .kt-inside-inner-col{flex-direction:column;}.kadence-column3579_851031-4e > .kt-inside-inner-col > .aligncenter{width:100%;}.kadence-column3579_851031-4e > .kt-inside-inner-col{background-color:var(--global-palette1, #3182CE);}.kadence-column3579_851031-4e > .kt-inside-inner-col:before{opacity:0.3;}.kadence-column3579_851031-4e, .kadence-column3579_851031-4e h1, .kadence-column3579_851031-4e h2, .kadence-column3579_851031-4e h3, .kadence-column3579_851031-4e h4, .kadence-column3579_851031-4e h5, .kadence-column3579_851031-4e h6{color:var(--global-palette9, #ffffff);}.kadence-column3579_851031-4e a{color:#a36075;}.kadence-column3579_851031-4e a:hover{color:#862744;}.kadence-column3579_851031-4e{position:relative;}@media all and (max-width: 1024px){.kadence-column3579_851031-4e > .kt-inside-inner-col{flex-direction:column;justify-content:center;}}@media all and (max-width: 767px){.kadence-column3579_851031-4e > .kt-inside-inner-col{flex-direction:column;justify-content:center;}}<\/style>\n<div class=\"wp-block-kadence-column kadence-column3579_851031-4e\"><div class=\"kt-inside-inner-col\"><\/div><\/div>\n\n<\/div><\/div>\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-9-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-62a62c47f70fcdc86bc3fde8c993d61c\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 a pertin\u00eancia de Chico Mendes para nossos dias? Algu\u00e9m poderia perguntar. \u00c0s v\u00e9speras do cataclismo clim\u00e1tico a que s\u00f3 assistimos, mais se v\u00ea rea\u00e7\u00f5es que ofuscam o problema, seja por um alarmismo desenfreado que paralisa ou por n\u00e3o dar-lhe a preocupa\u00e7\u00e3o devida. O mesmo poderia ser dito da figura que Chico Mendes se tornou para os nossos dias, &#8211; exceto pelo alarmismo, que em verdade, mais parece que Chico se tornou uma pe\u00e7a de decora\u00e7\u00e3o &#8211; sobretudo ap\u00f3s o fecho do dito ciclo progressista cujos efeitos temos visto at\u00e9 os dias de hoje.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe aqui, ent\u00e3o, destrinchar o que vem a ser o \u201ctestamento\u201d de Chico Mendes. O livro do qual falamos \u00e9 um testamento que n\u00e3o era para ser. O texto em quest\u00e3o se trata de uma entrevista organizada por C\u00e2ndido Grzybowski que a recebeu como encomenda para a produ\u00e7\u00e3o de um livro sobre movimentos sociais. Realizada pouco antes do assasinato de Chico, aqueles que fizeram parte da entrevista e que tamb\u00e9m compunham a at\u00e9 ent\u00e3o FASE (Federa\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os para Assist\u00eancia Social e Educacional) acharam por bem transform\u00e1-la em um testamento pol\u00edtico. Quanto a esse ponto, mostraremos no decorrer da resenha a maneira a qual essa distor\u00e7\u00e3o opera no pref\u00e1cio de C\u00e2ndido Grzybowski e \u00e9 rebatida pela fala escrita de Chico. Poder\u00edamos perguntar: em que p\u00e9 est\u00e1 e o que podemos fazer com essa alegoria do testamento, haveria algum saldo nesse barrac\u00e3o? O que vem a ser a heran\u00e7a pol\u00edtica que Chico, o nosso sangue bom, nos disp\u00f5e?\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do desmatamento desenfreado e da ard\u00eancia das matas em fogo deliberado, o que haveria um seringueiro do Acre a ver com a nossa situa\u00e7\u00e3o? Que tal usar da fala do nosso ent\u00e3o Sr. ministro do meio ambiente<sup data-fn=\"d48beea4-942c-4b1f-8d7b-92275d2f271d\" class=\"fn\"><a id=\"d48beea4-942c-4b1f-8d7b-92275d2f271d-link\" href=\"#d48beea4-942c-4b1f-8d7b-92275d2f271d\">1<\/a><\/sup> e perguntar: que diferen\u00e7a faz, quem \u00e9 Chico Mendes nesse momento? Pelo tom da pergunta, j\u00e1 podemos adiantar que antes de Chico, na verdade somos n\u00f3s que estamos em frangalhos por n\u00e3o fazermos diferen\u00e7a alguma nesse momento.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Muita coisa mudou dos dias de Chico Mendes at\u00e9 os nossos, mas se h\u00e1 alguma verdade no slogan recente da \u201cvolta de 20 anos em 2&#8243; a que teria passado o Brasil p\u00f3s golpe, ent\u00e3o talvez estejamos mais perto de Chico do que imagin\u00e1vamos. Talvez, como querem os estudantes, arredondando de 20 para 34 (e conforme os anos forem passando o leitor que se vire para fechar essa conta), da\u00ed ent\u00e3o teremos o ano 1988, ano do assas\u00ednio de Chico, em que, dias antes de sua morte, e j\u00e1 sabendo dela, Chico Mendes nos entrega em formato de entrevista aquilo que fizeram ser seu testamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa situa\u00e7\u00e3o acaba de piorar. Se come\u00e7amos com a c\u00ednica pergunta do nosso Sr. Ministro, terminamos com um homem da floresta, velado pelos seus companheiros e estes nos dizendo que trouxeram seu testamento. Que haveria de um seringueiro nos deixar? De certo a sua lamparina poronga, com que ilumina a sangria do l\u00e1tex. O que um militante pode nos dar sen\u00e3o os seus problemas &#8211; e pior &#8211; problemas esses que irremediavelmente s\u00e3o tamb\u00e9m os nossos? Certamente eles s\u00e3o nossos, mas ainda n\u00e3o sabemos como lidar com essa situa\u00e7\u00e3o. Para isso ent\u00e3o, leitor, o convido para comigo angustiar-se, e com essa lamparina que \u00e9 essa entrevista de Chico, vermos de perto o que h\u00e1 por tr\u00e1s da derrubada e queima das matas, sua ard\u00eancia, a sangria dos animais e \u00e1rvores e como e por qu\u00ea estamos implicados nisso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-9-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-7a75f69004c43f6699c2e69111b07908\"><strong>Sobre descobrir que se luta por algo&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que talvez fa\u00e7a a experi\u00eancia de luta dos povos extrativistas, e aqui leia-se por hora, os seringueiros, junto a Chico Mendes t\u00e3o particular, seja a maneira da descoberta de que eles estavam lutando pela floresta. Do mesmo modo que aqui temos um testamento atirado \u00e0s nossas m\u00e3os, como dizem os companheiros da FASE, uma verdadeira batata quente, fervendo, ou melhor, queimando em nossas m\u00e3os &#8211; assim tamb\u00e9m, narra Chico, que a luta em prol da floresta foi uma descoberta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, mas por que diabos um bando de seringueiros haveria de lutar pelas florestas?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Chico Mendes come\u00e7a o trabalho como seringueiro em Xapuri aos nove anos de idade, ajudando seu pai. Ao inv\u00e9s de aprender o ABC na escola, diz Chico, ele aprendia a sangrar a seringueira. N\u00e3o havia escola na regi\u00e3o dos seringais pois os patr\u00f5es n\u00e3o permitiam. A vida do seringueiro era trabalhar o ano todo achando que no final lucraria um saldo, mas no fundo ele estava sempre endividado pelo patr\u00e3o que aproveitava para enganar os seringueiros sobre os ganhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi com a chegada de um estrangeiro, narra Chico, que as coisas no seringal come\u00e7aram a mudar, ao menos para ele, quando surgiu um homem que, segundo ele, falava de uma maneira diferente e que lhe interessava. Esse homem vinha do movimento revolucion\u00e1rio liderado por Lu\u00eds Carlos Prestes, refugiado na floresta, haja vista a persegui\u00e7\u00e3o e encarceramento de seus membros pela ditadura. A curiosidade de Chico por esse estrangeiro fez com que eles se aproximassem at\u00e9 o ponto no qual esse homem apresentou seu verdadeiro nome. O homem se chamava Lu\u00eds Fernandes T\u00e1vora. Para Chico, esse homem lhe foi fundamental por ter-lhe ensinado um pouco de hist\u00f3ria, mas mais especificamente a ler e a escrever, utilizando, sobretudo os jornais velhos que chegavam com um ou dois meses de atraso em meio a floresta. Com a instru\u00e7\u00e3o de T\u00e1vora, Chico teve contato com a milit\u00e2ncia e inclusive com o pensamento de Lenin. Da floresta, Chico poderia ent\u00e3o ter contato com o que ocorria mundo afora. T\u00e1vora lhe explicara o que ocorreu em 64 e sobre a encruzilhada em que estavam. Num r\u00e1dio velho, sintonizava com alguns programas que pegavam em meio a floresta. Diz Chico que numa r\u00e1dio em portugu\u00eas transmitida pela BBC se falava muito bem do ocorrido em 64, enquanto que em outra r\u00e1dio se ouvia a vers\u00e3o de Moscou condenando a pol\u00edtica de<\/p>\n\n\n\n<p>repress\u00e3o que ocorria no Brasil e denunciando o conluio da CIA no golpe militar. Os ensinamentos de T\u00e1vola foram cruciais para o ingresso de Chico no movimento sindicalista que ainda era nascente no Acre. Passando por momentos duros da ditadura. Nisso, T\u00e1vora lhe atribuiu um dever hist\u00f3rico no sentido leninista do termo: disse ele que apesar da derrota em que estavam imersos, o \u201cmovimento de liberta\u00e7\u00e3o\u201d jamais fora eliminado do mundo inteiro, e haveria de surgir de suas ra\u00edzes que n\u00e3o foram cortadas, assim disse:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-text-align-left\"><blockquote><p><em>\u201c<\/em><strong><em>Olhe, onde voc\u00ea vai se firmar \u00e9 na organiza\u00e7\u00e3o dos primeiros sindicatos que foram criados nesta regi\u00e3o. V\u00e3o surgir, mais hoje ou mais amanh\u00e3, eu n\u00e3o sei, mas \u00e9 neles que voc\u00ea tem que se firmar. Voc\u00ea n\u00e3o pode deixar de entrar porque eles v\u00e3o surgir atrelados pelo sistema, pelo Minist\u00e9rio do Trabalho, com todo acompanhamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o da ditadura. \u00c9 l\u00e1 que voc\u00ea tem que entrar porque, voc\u00ea sabe, Lenin sempre pregou que n\u00e3o se pode deixar de entrar num sindicato porque ele \u00e9 pelego.\u00a0<\/em><br><em>Voc\u00ea tem que entrar l\u00e1 para estabelecer suas bases, criar ra\u00edzes e espalhar sua semente, sua ideologia, para fortalecer o movimento e quem sabe, derrubar aquele esquema, que est\u00e1 ali enraizado. Desta forma, v\u00e3o surgir os sindicatos totalmente atrelados e \u00e9 l\u00e1 que voc\u00ea tem que estar sem se importar com que filosofia, que tipo de pol\u00edtica, est\u00e1 orientando aquele sindicato. \u00c9 claro que s\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es ligadas ao sistema e do qual voc\u00ea tem que saber para estar l\u00e1 dentro.\u201d\u00a0<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Tal aconselhamento digno de um verdadeiro revolucion\u00e1rio das antigas, segundo Chico, lhe fora fundamental. Assim Chico Mendes se infiltrou no sindicato tal como um revolucion\u00e1rio a fim de lutar pelos seringueiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde ele ocuparia o cargo de vereador em Xapuri pelo MDB, ent\u00e3o partido de oposi\u00e7\u00e3o criado pela ditadura. Ficou patente para ele, no primeiro encontro com a pol\u00edtica partid\u00e1ria, aquilo que Tavora lhe dissera: os pelegos, aqueles que eram contra os trabalhadores e sobretudo os seringueiros dividiam cadeiras lado a lado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1978, Chico come\u00e7a a se entrosar com a proposta da esquerda. No PCdoB ele encontrou algumas conson\u00e2ncias que o fizeram descobrir que ele estava no partido errado, o ent\u00e3o MDB. Mais tarde, em 79, com o surgimento do PT, Chico rompe com o PCdoB e passa a aderir ao Partido dos Trabalhadores. Contudo, passou por experi\u00eancia amarga, disse ele, chegou at\u00e9 a se candidatar para deputado estadual pelo PT, mas perdeu. Chico teve de enfrentar oposi\u00e7\u00f5es internas, \u00e0 direita no novo partido. Diz ele que se lembrou das li\u00e7\u00f5es de Euclides T\u00e1vora e, ainda que continuando a milit\u00e2ncia no PT, passou por foco em sua atua\u00e7\u00e3o \u00e0 frente da dire\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-9-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-6e08f6e7ed2a4565022b6f99f7e6c543\"><strong>Condi\u00e7\u00f5es de possibilidade e possibilidade de condi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que h\u00e1 na atividade de extra\u00e7\u00e3o da seringueira que poderia possibilitar tal vis\u00e3o de conjunto, a que tinha Chico e os seringueiros, sobre as florestas e a Amaz\u00f4nia?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No seringal, as fam\u00edlias que iam ocupando as zonas de mata virgem tinham de comprar sua ocupa\u00e7\u00e3o, as ditas <em>coloca\u00e7\u00f5es<\/em>, do patr\u00e3o, ao menos at\u00e9 o momento que ele simplesmente as quisesse de volta para derrubar a mata e assentar o gado. Nessa situa\u00e7\u00e3o nasce a pr\u00e1tica dos <em>empates<\/em>, aquelas fam\u00edlias que tendo de viver do plantio ou da extra\u00e7\u00e3o a partir da floresta come\u00e7aram a requerer que tinham direitos sobre a terra. Assim originou-se o primeiro embate do Seringal do Carmen que repercutiu e espalhou-se como um rastilho de p\u00f3lvora pelos seringais Acre a fora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O empate nasceu, primeiramente, num \u00e2mbito de reaver a integridade do direito de posse conforme comenta a antrop\u00f3loga e ambientalista Mary Allegretti:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><strong>Mas \u00e9 interessante observar que o empate n\u00e3o tinha sido feito para impedir\u00a0o desmatamento da floresta, mas sim como um meio de garantir o direito de\u00a0posse. E foi o que conseguiram: pelo acordo, deixaram suas coloca\u00e7\u00f5es e\u00a0foram morar em lotes destinados pelo fazendeiro.<\/strong>\u00a0<sup data-fn=\"e6a43413-7c25-45d6-8f62-16d0195b76b7\" class=\"fn\"><a id=\"e6a43413-7c25-45d6-8f62-16d0195b76b7-link\" href=\"#e6a43413-7c25-45d6-8f62-16d0195b76b7\">2<\/a><\/sup> <\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Somente depois, os empates teriam como mote a defesa da floresta, como medida que aos olhos dos seringueiros significava tamb\u00e9m de se haver indeniza\u00e7\u00f5es. Num determinado momento, os habitantes, j\u00e1 estupefatos com os ass\u00e9dios dos pe\u00f5es a mando dos grandes latifundi\u00e1rios que exigia sua sa\u00edda imediata &#8211; e muitas vezes, sem aviso pr\u00e9vio atirava as pessoas na estrada sem clem\u00eancia -, acabaram por se juntar para ir conversar com esses donos de terra. Eles davam um jeito de segurar os pe\u00f5es que vinham derrubar as \u00e1rvores com as brocas, pois, tamb\u00e9m tinham de levar o sustento para as suas fam\u00edlias como os seringueiros e nisso eles sabiam como os convencer; afinal todos ali estavam lutando no fundo pela mesma coisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sem o uso de armas, que teve tamb\u00e9m seu epis\u00f3dio, mas os empates tinham um car\u00e1ter de depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo que \u00e9 expressivo. A presen\u00e7a do sindicato, de representantes do governo e a pol\u00edcia o atestam. A ideia era sentar \u00e0 mesa com o dono de terras e chegar a um acordo. Quando n\u00e3o era poss\u00edvel, se lan\u00e7avam \u00e0s barricadas, literalmente, barricadas humanas contra o desmonte das casas e a derrubada da mata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Chico nos coloca que os epis\u00f3dios dos embates ocorriam com o ajuntamento das fam\u00edlias indo de encontro \u00e0s brigadas dos pe\u00f5es da fazenda, quando n\u00e3o da pol\u00edcia a mando do latif\u00fandio. Configurado de modo a colocar as mulheres com crian\u00e7as de colo na frente, a fim de causar como\u00e7\u00e3o, as fam\u00edlias de seringueiros for\u00e7avam para que ocorresse um empate. Como se, reconhecendo que estavam num jogo de for\u00e7as, fosse preciso que ocorresse um contragolpe que imobilizasse o advers\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, cantando o hino nacional, aqueles povos causavam espanto das autoridades policiais que eram for\u00e7adas a ceder, uma cena digna de se aproximar dos haitianos negros enseando a marselhesa, se n\u00e3o fosse o supl\u00edcio e a evoca\u00e7\u00e3o de um certo reconhecimento mutuo, um sujeito de direito subjacente, que era evocado a ferro e fogo pelos homens da floresta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os empates s\u00f3 podiam ocorrer numa situa\u00e7\u00e3o onde havia a conflu\u00eancia de fatores end\u00f3genos e ex\u00f3genos, como mostra Allegretti<sup>1<\/sup>. Desde o fato de que algumas \u00e1reas de reserva n\u00e3o tinham patr\u00e3o oficial, at\u00e9 elementos econ\u00f4micos que faziam com que os seringueiros e coletores estivessem vinculados ao circuito econ\u00f4mico mundial por conta da borracha, sem contar a feliz coincid\u00eancia entre esta atividade extrativista em espec\u00edfico e preserva\u00e7\u00e3o das florestas. Segundo Allegretti, esses fatores se acentuam com a situa\u00e7\u00e3o local da popula\u00e7\u00e3o, pobre e sem assist\u00eancia pol\u00edtica ou social. Da\u00ed o resultado de seu insistente pleito por direitos, o fomento \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de sindicatos e \u00f3rg\u00e3os de representa\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o que os contemplasse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O poeta Bruno de Menezes resumiu essa condi\u00e7\u00e3o seringueira em seu poema O Seringueiro. Visto de longe em sua atividade, envolto em fuma\u00e7a com que defuma o leite da seringa, o seringueiro \u00e9 como que um bruxo em meio a floresta. Isolado na sua solid\u00e3o, ele no entanto assina um contrato digno de um Fausto. O enriquecimento fica a cargo de uma promessa, que no entanto o conforma quanto a sua pobreza. O G\u00eanio da Selva ronda o seringueiro na forma do latifundi\u00e1rio, do dono do barrac\u00e3o cujo assombro a\u00e7oita e rouba a riqueza proveniente da sangria do leite de ouro da seringueira &#8211; e por que n\u00e3o tamb\u00e9m na figura do ent\u00e3o governador do estado do Acre, que nos dizeres de Chico \u00e9 dotado de duas faces. Uma delas \u00e9 cosmopolita com que se projeta para o exterior e \u00e0s grandes capitais brasileiras em busca de investimento, ao passo que a arcaica ele guarda para o pr\u00f3prio estado em que se projeta e faz vista grossa aos des\u00edgnios dos grandes especuladores e seringalistas. Uma verdadeira tempestade e frenesi. Movimento pendular que nos agu\u00e7a o faro. Antes do dedo estrangeiro do mercado, mais parece que a coisa vem de dentro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code has-theme-palette-4-color has-text-color has-link-color wp-elements-1534a67a24f1dcc8e4ecd2018393de0b\" style=\"border-width:11px;font-size:29px;font-style:normal;font-weight:1000;letter-spacing:px;line-height:2;text-transform:none\"><code>O seringueiro\n\n<strong>Do tapiri de palha sobe a fuma\u00e7a distante,\n\u00c9 l\u00e1 o defumadouro da seringa que enriquece\ne d\u00e1 o fausto do dinheiro e o conformismo da pobreza.\nL\u00e1 dentro est\u00e1 um bruxo envolto em fumo cegante,\ndefumando o leite de ouro da \u00e1rvore perseguida.\nDali \u00e9 que vai sair a fortuna caprichosa\nCom que o g\u00eanio da Selva se vinga dos feudat\u00e1rios.\nO bruxo \u00e9 o p\u00e1ria inconsciente, que defuma os bal\u00f5es\nel\u00e1sticos,\nsobre o cone que fuma\u00e7a e p\u00f5e l\u00e1grimas nos olhos\u2026\n\u00c9 aquele o drama da Amaz\u00f4nia sem paisagem nem\npoesia,\ndesde o dia em que o intruso teve a ilus\u00e3o de enriquecer\u2026\nO seringueiro \u00e9 o velho bruxo\u2026 E a borracha o filtro\nm\u00e1gico\nque ele prepara com o dem\u00f4nio na solid\u00e3o do seu\ndegredo.<\/strong> \n                                               Bruno de MENEZES, 1993: p.56<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>\u00c9 por essas linhas que Bruno de Menezes v\u00ea o seringueiro, ou esse bruxo, j\u00e1 como um p\u00e1ria, n\u00e3o s\u00f3 devido a seu contrato diab\u00f3lico no seio da floresta com o fluxo do mercado mundial da borracha, mas sobretudo pela bancarrota da borracha brasileira no mercado mundial que j\u00e1 havia se consolidado desde o fim do primeiro ciclo da borracha<sup data-fn=\"d4174b9b-74ba-469c-8f07-5227ad800c54\" class=\"fn\"><a href=\"#d4174b9b-74ba-469c-8f07-5227ad800c54\" id=\"d4174b9b-74ba-469c-8f07-5227ad800c54-link\">3<\/a><\/sup>. Desse modo, o seringueiro, p\u00e1ria da floresta, estava relegado a reproduzir em prol da pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia um com\u00e9rcio\u00a0local restrito que por isso j\u00e1 atesta a perda do seu auge. Essa dupla condi\u00e7\u00e3o fazia do seringueiro um cabra do mato mais ou menos antenado quanto \u00e0s tend\u00eancias mundiais via mercado a fora.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Antes disso, Euclides da Cunha em 1905 j\u00e1 dissera que o seringueiro era \u201co homem que trabalha para escravizar-se\u201d, sujeito esse em grande parte vindo do nordeste que carregou nos ombros o desenvolvimento da cidade de Manaus. Por pouco a produ\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex n\u00e3o passou a venda do caf\u00e9 em 1910 durante a era de ouro da borracha<sup data-fn=\"705115bb-c13b-4731-817c-1d8497b211e9\" class=\"fn\"><a id=\"705115bb-c13b-4731-817c-1d8497b211e9-link\" href=\"#705115bb-c13b-4731-817c-1d8497b211e9\">4<\/a><\/sup>. Da\u00ed caberia frisar que o lado aventureiro do empreendimento da borracha, propriamente f\u00e1ustico, era esse cuja \u00fanica m\u00e1gica era a da contabilidade negativa feita por tr\u00e1s da bancada do barrac\u00e3o, n\u00e3o a dos bal\u00f5es de l\u00e1tex formados por sua aboli\u00e7\u00e3o, mas a bolha econ\u00f4mica que em curto per\u00edodo inflou, trazendo riqueza e regalias para algumas regi\u00f5es e logo inflara, dando lugar ao modelo de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da especula\u00e7\u00e3o de terras e da cria\u00e7\u00e3o de gado.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Mas fica o fio solto sobre o porqu\u00ea um seringueiro que perdeu o bonde do com\u00e9rcio da borracha iria vir a enxergar na seringueira o outro lado do seu ser natural, a natureza e as florestas, como quem diz: \u00e1rvore boa!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que dado a caracter\u00edstica espec\u00edfica desse tipo de extrativismo, cuja exig\u00eancia \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 a vida mas a condi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel da \u00e1rvore a ser colhida, como ocorre tamb\u00e9m no caso das castanheiras, os coletores e seringueiros de algum modo possuem o que poder\u00edamos chamar a grosso modo de mutualismo com a floresta, a t\u00edtulo de exemplo, como se fossem sementeiros, quando da condi\u00e7\u00e3o de um extrativismo dom\u00e9stico, e portanto, de subsist\u00eancia, fora da l\u00f3gica da monocultura da <em>plantation &#8211; <\/em>vale dizer, que antes de designar tal modalidade de extrativismo como benigno, ecol\u00f3gico ou \u201cverde\u201d, cabe-nos antes remontar ao por qu\u00ea essas atividades em espec\u00edfico foram capazes de mobilizar lutas sociais em prol da terra e da floresta. Nesses casos, os coletores est\u00e3o em meio a floresta e percorrem v\u00e1rios hectares da estrada de seringa em sua coleta, o que os fez fiscalizadores do que acontecia ao seu redor. Assim funcionam as coloca\u00e7\u00f5es, clareiras em meio a floresta, em que o seringueiro ou o coletor, extraia aquilo que era de mando do barrac\u00e3o, mas por outro lado plantavam, colhiam \u00e1rvores frut\u00edferas, extraiam outros recursos para sua subsist\u00eancia que n\u00e3o era completamente assegurada. N\u00e3o \u00e0 toa, confirma-se com os estudos de Mary Allegretti, esses coletores e extratores come\u00e7arem sua luta no \u00e2mbito do territ\u00f3rio e de sua posse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os seringueiros, j\u00e1 a certa altura de sua luta e expans\u00e3o experienciaram, assim, as contradi\u00e7\u00f5es da luta por terra juntamente com as do estado contra eles. J\u00e1 tendo seu Conselho Nacional dos Seringueiros consolidado em 1985, eles invocavam as leis vigentes e decretos que inviabilizavam o desmatamento e a derrubada de castanheiras e seringueiras de modo a fazer com que a legisla\u00e7\u00e3o lutasse em favor da desapropria\u00e7\u00e3o de terras. O modelo vigente era de parte da terra para a cria\u00e7\u00e3o de gado e o restante ficava improdutiva destinada \u00e0\u00a0especula\u00e7\u00e3o. Eis que, de repente, ergue-se a voz do seringueiro, que estava calada no frenesi do processo de extra\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><strong>Desafiamos o fazendeiro daquela \u00e1rea e o pr\u00f3prio governador a computar a renda anual de 1ha de terra naquela \u00e1rea, comparando a renda de 1ha da \u00e1rea transformada em pasto com a renda de 1ha da mesma \u00e1rea virgem, com castanheiras, seringueiras e outras \u00e1rvores. E eles n\u00e3o quiseram aceitar esse desafio porque n\u00f3s ir\u00edamos provar que o lucro de 1ha de floresta daria 20 vezes mais valor anual do que os bois ali dentro.<\/strong>\u00a0<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Vemos que, se incute ao estado a prerrogativa de legislar sobre a terra, seja em favor do latifundi\u00e1rio ou do seringueiro. Com vistas inclusive para o lucro maior quando da posse de uma de suas partes. Os seringueiros sem d\u00favida possu\u00edam uma proposta para produzir, mas como subjugados por um poder estranho, a tentativa de di\u00e1logo por parte dos seringueiros foi frustrada &#8211; o que n\u00e3o fez com que o movimento perdesse for\u00e7as, muito pelo contr\u00e1rio. Inclusive dada escalada do movimento, os latifundi\u00e1rios tiveram de se organizar, gerando a UDR (Uni\u00e3o dos Ruralistas), que viria a tomar corpo pol\u00edtico no chamado at\u00e9 hoje \u201ccentr\u00e3o\u201d, conv\u00e9m ver nela a primeira express\u00e3o de deputados militantes quanto a quest\u00e3o do latif\u00fandio. Segundo Chico, com o lan\u00e7amento da UDR come\u00e7aram a ser derramadas as primeiras gotas de sangue em Xapuri.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>E assim a regulamenta\u00e7\u00e3o da posse e do direito ao extrativismo dom\u00e9stico se apresenta, na hist\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o capitalista local, como uma luta em torno dos limites da posse e direito sobre a terra &#8211; uma luta entre o conjunto dos latifundi\u00e1rios e o conjunto dos seringueiros, coletores e ind\u00edgenas.\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda apoiados sobre o mouro Marx poder\u00edamos convir que \u201ctem-se aqui, portanto, uma antinomia, um direito contra outro direito, ambos igualmente apoiados na lei da troca das mercadorias. Entre direitos iguais, quem decide \u00e9 a for\u00e7a\u201d<sup data-fn=\"d85057b2-39e0-49b4-91dc-e77c889abc69\" class=\"fn\"><a id=\"d85057b2-39e0-49b4-91dc-e77c889abc69-link\" href=\"#d85057b2-39e0-49b4-91dc-e77c889abc69\">5<\/a><\/sup>. De um lado o direito daqueles que tem por ideal colher o fruto e derrubar a \u00e1rvore &#8211; \u201cdesfrutarem e a deixarem destru\u00edda\u201d -, o outro quer colher o fruto e precisa da \u00e1rvore em p\u00e9 junto do restante da floresta.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-9-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-534caf58431e45992a7c262e667df83b\"><strong>Um cabra marcado para morrer&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se aqui cabe uma digress\u00e3o quanto a nomea\u00e7\u00e3o dos que est\u00e3o em embate, Machado Coelho constatou que at\u00e9 o ano de 1965, n\u00e3o havia ainda sido registrada a palavra \u201cseringalista\u201d<sup data-fn=\"2955621e-c14e-4c37-a18b-de9014881916\" class=\"fn\"><a id=\"2955621e-c14e-4c37-a18b-de9014881916-link\" href=\"#2955621e-c14e-4c37-a18b-de9014881916\">6<\/a><\/sup>. Tal situa\u00e7\u00e3o parece um gracejo que alia o latifundi\u00e1rio ao seringueiro, como se o seringueiro estivesse a um passo de chamar o dono de\u00a0terras por \u201ctio\u201d, um dos tra\u00e7os de nossa cordialidade que afaga a domina\u00e7\u00e3o de classe. Ocorre que, Chico nos mostra, longe disso, que a nomea\u00e7\u00e3o era lastreada no intento do senhorio direto, os seringueiros entendiam o latifundi\u00e1rio como patr\u00e3o, o dono, o dententor da m\u00e1gica que ocorria por tr\u00e1s do defume da seringa. Se \u00e9 preciso remontar a esse suposto embate entre nomes, cabe recordar e frisar em verdade a falta de interesse na distin\u00e7\u00e3o pelos seringalistas que no mais \u00e9 \u00edndice de um lapso daqueles por tr\u00e1s dos bar\u00f5es da borracha, que n\u00e3o obstante o desleixo quanto a nomea\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio of\u00edcio, pareciam preferir a titula\u00e7\u00e3o de senhores, e como fator de distin\u00e7\u00e3o de classe, o crivo das obras de arte e da arquitetura barroca com que a t\u00edtulo de exemplo, foram constru\u00eddos o teatro de Manaus como s\u00edmbolo da riqueza fomentada pela borracha nos idos do s\u00e9culo XIX.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Feita a digress\u00e3o, voltemos ao embate \u00e0s v\u00e9speras de empatar. Com o fortalecimento da UDR, e o come\u00e7o do derramamento de sangue, Chico nos recorda das condi\u00e7\u00f5es dos anos 1976 cujo ambiente sindical aclimatou o terreno para a cria\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional dos Seringueiros. Antes, era a experi\u00eancia do sindicato de Brasil\u00e9ia que contava, sobretudo sob a lideran\u00e7a de Wilson Pinheiro. Chico nos conta do epis\u00f3dio onde Wilson organizou um grupo de 300 seringueiros e trabalhadores com nada mais que fac\u00f5es nas m\u00e3os para expulsar pistoleiros e posseiros que amea\u00e7avam a regi\u00e3o de Brasil\u00e9ia. Foi desse movimento que surgiram os empates. Com sucesso, eles tomaram v\u00e1rios rifles desses mesmos jagun\u00e7os e ao contr\u00e1rio de constituir luta armada, foram entregar as armas ao comando do ex\u00e9rcito, que ao v\u00ea-los agindo assim, o comando esbravejou e os questionou se eles \u201cqueriam transformar isto numa nova Cuba\u201d<sup data-fn=\"344bdb1c-1d47-4047-84cb-3b0ae34e358b\" class=\"fn\"><a id=\"344bdb1c-1d47-4047-84cb-3b0ae34e358b-link\" href=\"#344bdb1c-1d47-4047-84cb-3b0ae34e358b\">7<\/a><\/sup>. Wilson, segundo Chico, teria dito: \u201cn\u00e3o, n\u00f3s estamos querendo evitar que isso aqui se transforme numa Cuba\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A repercuss\u00e3o do acontecimento foi tamanha que os latifundi\u00e1rios se reuniram, at\u00e9 que decidiram mandar matar Wilson Pinheiro. Em junho, os latifundi\u00e1rios disseram, segundo Chico: &#8220;n\u00f3s matamos Wilson Pinheiro e Chico Mendes e acabamos com todo o movimento do Acre\u201d<sup data-fn=\"763a2b49-b391-4198-a10b-35e28873d647\" class=\"fn\"><a id=\"763a2b49-b391-4198-a10b-35e28873d647-link\" href=\"#763a2b49-b391-4198-a10b-35e28873d647\">8<\/a><\/sup>. Na noite do dia 21 de julho de 1980 Wilson foi morto por pistoleiros na sede do sindicato de Brasil\u00e9ia. Eis que os trabalhadores, em desespero, segundo diz Chico, deram um prazo de 7 dias para que a justi\u00e7a fosse feita, do contr\u00e1rio os seringueiros a fariam<sup data-fn=\"f634f59c-36e4-4ab0-ba85-a027f5124566\" class=\"fn\"><a id=\"f634f59c-36e4-4ab0-ba85-a027f5124566-link\" href=\"#f634f59c-36e4-4ab0-ba85-a027f5124566\">9<\/a><\/sup>. No s\u00e9timo dia, os seringueiros foram at\u00e9 a fazenda de um dos mandantes do assassinato de Wilson Pinheiro. Eles percorreram 80 km partindo de Brasil\u00e9ia. Emboscaram o fazendeiro e o submeteram a um julgamento sum\u00e1rio cuja decis\u00e3o foi a de que ele seria fuzilado, de fato o foi, com mais de 30 tiros.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da queda do movimento, foi a partir desse acontecimento que iniciou a organiza\u00e7\u00e3o em Xapuri que antes mesmo do assassinato de Wilson, j\u00e1 contava\u00a0com um plano de educa\u00e7\u00e3o para os seringueiros, coisa que Chico despende bastante empenho em relatar. Tendo esse caldo engrossado, os seringueiros come\u00e7aram ent\u00e3o a se mobilizar fortemente nos empates, como estavamos tratando anteriormente. A origem do empate e seu desenrolar atesta: a quest\u00e3o da viol\u00eancia n\u00e3o saiu de cena, a certa altura da entrevista, Chico nos confessa:\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><strong>Minha preocupa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 que eles mataram algumas pessoas, mas ainda n\u00e3o atacaram as nossas lideran\u00e7as. O objetivo deles \u00e9 come\u00e7ar pelos trabalhadores para depois, n\u00f3s estamos sabendo, atingir outras lideran\u00e7as. [&#8230;]\u00a0<\/strong><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o quero que isso aconte\u00e7a, que morra algu\u00e9m. N\u00e3o interessa que eu morra ou um dos outros companheiros, porque acho que cad\u00e1ver n\u00e3o resolve nada e porque eu sei que vai virar um inferno, sem d\u00favida alguma. Eles sabem muito bem disso. N\u00f3s n\u00e3o queremos que isso aconte\u00e7a, vamos lutar para que isto n\u00e3o aconte\u00e7a, mas se for preciso, tenho certeza, n\u00f3s temos 100, 150 ou 200 companheiros que podem partir para uma luta organizada e eliminar de uma vez. Mas a\u00ed vamos criar um banho de sangue nesse munic\u00edpio, chamar a aten\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o e uma s\u00e9rie de coisas. N\u00e3o queremos que isso aconte\u00e7a. Queremos combater a coisa da forma pac\u00edfica como estamos fazendo. Conseguimos desbaratar os grupos de assassinos com ordem de pris\u00e3o. Basta agora que a Justi\u00e7a assuma os seus compromissos, o seu papel de executar a lei.<sup data-fn=\"dfe56684-f497-40f4-a5f6-b493d8345f26\" class=\"fn\"><a id=\"dfe56684-f497-40f4-a5f6-b493d8345f26-link\" href=\"#dfe56684-f497-40f4-a5f6-b493d8345f26\">10<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Tanto o ocorrido em Brasil\u00e9ia em 1976 quanto em 1985 data que remete \u00e0 fala de Chico quanto ao fortalecimento e consolida\u00e7\u00e3o da UDR o atestam: os empates nunca deixaram de ter a viol\u00eancia em seu horizonte, ela estava ali \u00e0 espreita. Ela era, na verdade, sublimada pelo movimento. Tinha-se conhecimento de estar numa luta de vida ou morte, mas a cren\u00e7a na justi\u00e7a e na lei estatal faziam com que se deixasse de recorrer a uma outra. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que Chico convivia com a amea\u00e7a de morte. Tal conviv\u00eancia aparece, em sua entrevista, junto a possibilidade de que sua morte poderia levar a bancarrota do movimento dos seringueiros e de preserva\u00e7\u00e3o das florestas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A um s\u00f3 passo, o diagn\u00f3stico de Chico sobre a caterva dos latifundi\u00e1rios permanece atual pelo seguinte: o latif\u00fandio que enxerga na expans\u00e3o de terras e no a\u00e7oite dos povos ali residentes como a derradeira maneira de produzir e organizar a riqueza v\u00ea na Amaz\u00f4nia seu G\u00f3lgota. Da\u00ed o seu arrimo para a no\u00e7\u00e3o de progresso. O progresso passa a ser a marcha em dire\u00e7\u00e3o a floresta. Ocorre que, poder\u00edamos pensar, a despeito da no\u00e7\u00e3o de progresso que definitivamente n\u00e3o se encontra entre n\u00f3s, qual concep\u00e7\u00e3o mobiliza o avan\u00e7o vertiginoso em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 floresta?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nisso se junta ao que Chico via sobre os militares e seu desejo de explora\u00e7\u00e3o da floresta. Essa luta de morte que persiste at\u00e9 os nossos dias \u00e9 reflexo desses fantasmas que retornam em novos personagens, como que rindo de nossa suposta exist\u00eancia atual. Eles sabem e querem ver realizado o lugar que nos cabe nesse latif\u00fandio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa onipresen\u00e7a da morte fez com que o movimento de seringueiros se organizasse em torno de v\u00e1rios quadros e lideran\u00e7as, repartindo a labareda que\u00a0desde antes vinha e que a Chico lhe fora entregue. Por isso, diz ele, nem n\u00e3o temer mais a pr\u00f3pria morte. Viver \u00e9 muito perigoso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-9-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-f2a92336f81dca7f6f71e69b392e209f\"><strong>A alian\u00e7a dos povos da floresta&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A luta por terra no seringal se transfigurou na luta contra a derrubada da floresta. Com a derrubada das matas e o avan\u00e7o do latif\u00fandio, os seringueiros perderiam o sustento de suas fam\u00edlias e os povos ind\u00edgenas a sua morada. O que fez com que se aliassem. Os povos ind\u00edgenas que at\u00e9 ent\u00e3o tinham conflitos intensos com os extrativistas, &#8211; o que certamente caberia um estudo \u00e0 parte &#8211; passam a observar e atuar ativamente junto \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o dos seringueiros e castanheiros. Algo diferente estava acontecendo. Chico nos diz de um epis\u00f3dio onde \u00edndios e seringueiros sentaram juntos no gabinete do Ministro da Agricultura, espantado ele perguntou: \u201cComo pode acontecer? Os \u00edndios e os seringueiros brigam, brigam desde o s\u00e9culo passado. Como \u00e9 que chegam agora juntos?\u201d<sup data-fn=\"4421c3dd-b263-47bf-99fa-452d9934b2b2\" class=\"fn\"><a id=\"4421c3dd-b263-47bf-99fa-452d9934b2b2-link\" href=\"#4421c3dd-b263-47bf-99fa-452d9934b2b2\">11<\/a><\/sup>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7o do movimento dos seringueiros, os ind\u00edgenas passaram a ter com eles uma troca de concep\u00e7\u00f5es prof\u00edcua. Os seringueiros possuem uma proposta para produzir an\u00e1loga \u00e0 dos \u00edndios, uma cultura de subsist\u00eancia? Ailton Krenak disse em entrevista que Chico uma vez lhe perguntou como os povos ind\u00edgenas tinham propriedade da terra. Krenak disse a ele que como os \u00edndios viviam desde antes da col\u00f4nia naquele territ\u00f3rio, eles conseguiam barrar os contratos de gaveta feitos em tentativa de roubar a terra. Disso, Chico tirou a ideia das reservas extrativistas. Para al\u00e9m do mero direito \u00e0 posse de terras, algo que o estado atentava oferecer \u00e0s fam\u00edlias de seringueiros de modo a dividi-los em lotes, eles queriam uma terra comum, tal como a dos \u00edndios, para que pudessem percorr\u00ea-la, tirar o seu sustento e proteg\u00ea-la. O que significa um avan\u00e7o, desde os debates quanto \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de reserva ambiental intoc\u00e1vel. Pois era preciso que se protegesse as matas, e os seringueiros assim como os \u00edndios, o faziam. Trata-se de reconhecer a condi\u00e7\u00e3o din\u00e2mica que envolve a floresta que est\u00e1 a todo tempo sendo transformada pelos animais, plantas, protozo\u00e1rios e o humano n\u00e3o \u00e9 diferente disso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ailton Krenak disse uma vez: \u201cChico Mendes nasceu na floresta, era branco, mas pensava igual \u00edndio&#8221;. Os seringueiros e castanheiros tendo perdido o ciclo da borracha n\u00e3o tinham sen\u00e3o o intento de minimamente garantir a seguran\u00e7a do sustento e de viver em conluio com a floresta, uma florestania, como se diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por toda a entrevista, Chico nos assopra uma f\u00f3rmula assombrosa, talvez por precisarem as coisas que se dizem necess\u00e1rias, sobretudo as lutas, de um elemento contingente intr\u00ednseco. Segundo Chico, a luta pela floresta foi uma descoberta, assim como algo \u201ctirado da cabe\u00e7a\u201d, podemos condensar esse movimento em sua c\u00e9lebre frase: <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-medium-font-size\"><blockquote><p><strong>No come\u00e7o pensei estar lutando para salvar seringueiras. Depois pensei estar lutando para salvar a floresta amaz\u00f4nica. Agora percebo que estou lutando pela humanidade<\/strong><\/p><cite>Chico MENDES<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>, a que humanidade o nosso sangue bom estaria se referindo? Quem sabe o clube da humanidade, como diz Krenak, em que poucos participam e os demais est\u00e3o fadados \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sub-humanos e humanos zumbis. Poder\u00edamos nos perguntar, afinal, para algu\u00e9m que a conheceu sob as piores situa\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s das balas dos pe\u00f5es do latif\u00fandio, as serras el\u00e9tricas, qui\u00e7\u00e1 a melhor delas foi a do estranho regressado do Partido Comunista junto de seu r\u00e1dio e jornais velhos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A fim de extrair o sentido desse suposto universalismo \u00e0 brasileira, temos de nos ater \u00e0 perspectiva de um seringueiro no meio da floresta. A humanidade, portanto, lhe vem pelo r\u00e1dio, assim como na forma das serras el\u00e9tricas e as balas dos pe\u00f5es do latif\u00fandio ou com a chegada de um membro do partido comunista exilado &#8211; mas a quest\u00e3o da humanidade a que ele se refere \u00e9 outra &#8211; mais precisamente &#8211; por que a humanidade j\u00e1 n\u00e3o pode ser mais assim?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se este texto fez com que uma hist\u00f3ria fosse contada e aberta a novos pensamentos, ent\u00e3o temos nosso regresso. Pois quanto ao testamento, sabemos que nada consta de ac\u00famulo, quanto menos saldo nesse barrac\u00e3o. H\u00e1 de se ver e buscar estudar a hist\u00f3ria por tr\u00e1s do resultado que vemos hoje onde as reservas extrativistas se mostram em grande parte desmatadas. Isso que Chico talvez soubesse desde sempre que \u00e9 a possibilidade iminente das lutas e suas conquistas, ou seja, elas se desvanecem. Contudo, fica patente sua experi\u00eancia e seu percurso que escancara limites e nos coloca a entrever a nossa condi\u00e7\u00e3o atual.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a disputa com rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero da entrevista feita passar por testamento &#8211; o mote deste texto que possibilita o contar hist\u00f3ria &#8211; \u00e9 um contentamento dizer que o texto feito testamento talvez possa mobilizar, n\u00e3o a sociedade civil, para o qual a forma de luta que ele exprime \u00e9 materialmente diferente, algo que talvez passou despercebido pelo editor C\u00e2ndido Grzybowski em seu pref\u00e1cio. O empate, segundo C\u00e2ndido, poderia ser estendido para toda sociedade<sup data-fn=\"d228dfb0-f80a-4bd8-a1be-83f34332df0e\" class=\"fn\"><a id=\"d228dfb0-f80a-4bd8-a1be-83f34332df0e-link\" href=\"#d228dfb0-f80a-4bd8-a1be-83f34332df0e\">12<\/a><\/sup>. Diz ele que \u201co empate \u00e9 nossa arma\u201d, retirando o empate das matas de terra firme e transpondo-o para as selvas de pedra, as grandes cidades. Pensando poder substituir a posi\u00e7\u00e3o da \u00e1rvore, conforme a l\u00f3gica do empate e encaixando no seu lugar os direitos civis a serem defendidos, a reforma agr\u00e1ria, se pensa que o solo em que a sociedade se assenta seja o mesmo das matas de terra firme, ao contr\u00e1rio, o da sociedade \u00e0s vezes se mexe, por vezes se abala, fazendo-nos perder em que p\u00e9 estamos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover has-theme-palette-9-color has-text-color has-link-color wp-elements-e0f42c89d41a5fead3c7ada54b5738ad wp-duotone-unset-1\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-theme-palette-3-background-color has-background-dim-100 has-background-dim\"><\/span><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p class=\"has-medium-font-size\">Chico certa vez sonhou com o centen\u00e1rio de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial, sonho que descreveu em poucos detalhes em sua Carta ao Jovem do Futuro. O ano do sonho data de 2120, onde ele pode fantasiar, com grandes\u00a0expectativas, \u201co fim dos inimigos da nova sociedade\u201d, deixando para tr\u00e1s \u201ca lembran\u00e7a de um triste passado de dor, sofrimento e morte\u201d. Ocorre que, o jovem do futuro n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aquele de 2120, mas tamb\u00e9m somos n\u00f3s, que como numa tormenta, experienciamos o que n\u00e3o foi e ainda somos assombrados por esse passado de dor, sofrimento e morte. Chico ficou ao menos com o prazer de ter sonhado. <em><strong>E quanto a n\u00f3s, que diferen\u00e7a faz, quem somos n\u00f3s nesse momento?<\/strong><\/em>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover is-repeated\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\"><\/span><div class=\"wp-block-cover__image-background is-repeated\" style=\"background-position:45% 26%;background-image:url(https:\/\/static.tildacdn.com\/tild6238-3634-4761-a136-613639333036\/WhatsApp_Image_2020-.jpeg)\"><\/div><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color has-link-color has-larger-font-size wp-elements-b7e9ebe5266e562d0f405c76e3f8bfb6\" style=\"color:#ffff00\"><em><strong>Aten\u00e7\u00e3o jovem do futuro &#8211; 6 de setembro do ano de 2120, anivers\u00e1rio ou primeiro centen\u00e1rio da revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial, que unificou todos os povos do planeta num s\u00f3 ideal e num s\u00f3 pensamento de unidade socialista, e que p\u00f4s fim a todos os inimigos da nova sociedade. Aqui ficam somente a lembran\u00e7a de um triste passado de dor, sofrimento e morte. Desculpem. Eu estava sonhando quando escrevi estes acontecimentos que eu mesmo n\u00e3o verei. Mas tenho o prazer de ter sonhado.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color has-larger-font-size wp-elements-56c1277cd5b25f8365016fb454ce989f\" style=\"color:#fef100\">Chico Mendes<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns has-theme-palette-9-color has-theme-palette-6-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-fa6a6c8b2ca77915e6fc961ea454f892 is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-61ecc280 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"padding-top:2.5rem;padding-right:2.5rem;padding-bottom:2.5rem;padding-left:2.5rem\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/felipeaiello-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3581\" style=\"width:189px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/felipeaiello-768x1024.jpg 768w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/felipeaiello-225x300.jpg 225w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/felipeaiello-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/felipeaiello.jpg 1200w\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:75%\">\n<h2 class=\"wp-block-heading has-theme-palette-9-color has-text-color has-link-color wp-elements-3c6dd35c439b18aa4f07b7df947509fc\">Felipe Aiello<\/h2>\n\n\n\n<p>Professor, tradutor e mestrando em filosofia pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo. Estamos a\u00ed na tentativa de rodar, mais uma vez, o carretel da negatividade enquanto catamos os cacos do que sobrou do mundo. Quem sabe um dia fazemos um batuque.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Autor<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ALLEGRETTI, Mary. Reservas extrativistas: uma proposta de desenvolvimento para a floresta amaz\u00f4nica. Janeiro, S\u00e3o Paulo em Perspectiva. 1989.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>GAMA, Amariles. Carta ao jovem do futuro: que diferen\u00e7a faz quem \u00e9 Chico Mendes nesse momento? Manaus, faculdade Boas Novas, 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>ARANTES, Paulo. O novo tempo do mundo. ed. Boitempo, 2014. CANETTIERI, Thiago. A condi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica. editora Consequ\u00eancia, 2020. Coelho, Machado. Seringalista, palavra nova. H. Barra, Bel\u00e9m, 1965.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CRZYBOWSKI, C\u00e2ndido orgs.O testamento do homem da floresta: Chico Mendes por ele mesmo. FASE, Rio de Janeiro, 1989.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina. ed. L&amp;PM, 2010. HOLANDA, S\u00e9rgio. Ra\u00edzes do Brasil. ed. Companhia das letras, S\u00e3o Paulo, 2015.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>SCHWARZ, Roberto. As ideias fora do lugar. editora Companhia das letras, S\u00e3o Paulo, 2014.&nbsp;WEINSTEIN, Barbara. A borracha na Amaz\u00f4nia: expans\u00e3o e decad\u00eancia, 1850-1920. Edusp, 1993.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"d48beea4-942c-4b1f-8d7b-92275d2f271d\">A fala do ent\u00e3o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles ocorreu na segunda-feira (11\/02\/2019) no programa Roda Viva, da TV Cultura. em https:\/\/noticias.uol.com.br\/meio-ambiente\/ultimas-noticias\/redacao\/2019\/02\/13\/roda-viva-chico-mendes-ricardo-salles-irrelevante.htm?cmpid=copiaecola <a href=\"#d48beea4-942c-4b1f-8d7b-92275d2f271d-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e6a43413-7c25-45d6-8f62-16d0195b76b7\">ALLEGRETTI, Mary. A constru\u00e7\u00e3o social de pol\u00edticas ambientais: Chico Mendes e o Movimento dos Seringueiros. p. 33 <a href=\"#e6a43413-7c25-45d6-8f62-16d0195b76b7-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d4174b9b-74ba-469c-8f07-5227ad800c54\">Alguns fatores cruciais propiciaram esse fim para o mercado brasileiro da borracha. Os nacionalistas culpavam a biopirataria de Henry A. Wickman que fugiu para a Inglaterra com milhares das melhores sementes da seringa, o que garantiu o mercado para os ingleses anos depois. Se n\u00e3o fosse s\u00f3 este caso, competem os problemas de ordem ecol\u00f3gica apontados por Warren Dean, tais como o clima que propiciava o fungo da folha da \u00e1rvore que inviabilizou a organiza\u00e7\u00e3o da seringa no modo da <em>plantation<\/em>. Ressaltamos, no entanto, as lutas e revoltas por parte da popula\u00e7\u00e3o Acreana que desde seus prim\u00f3rdios esteve em conflitos en\u00e9rgicos no que diz respeito ao territ\u00f3rio que seria comprado da Bol\u00edvia quanto das que se davam \u00e0 contrapelo da tentativa de instituir um centro de extra\u00e7\u00e3o de recursos na regi\u00e3o. Citamos por exemplo as lutas que inviabilizavam a constru\u00e7\u00e3o da Fordl\u00e2ndia, fruto das tentativas frustradas de Henri Ford de racionalizar o trabalho e a produ\u00e7\u00e3o da seringa. <a href=\"#d4174b9b-74ba-469c-8f07-5227ad800c54-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"705115bb-c13b-4731-817c-1d8497b211e9\">Galeano. As Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina, p. 82. <a href=\"#705115bb-c13b-4731-817c-1d8497b211e9-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d85057b2-39e0-49b4-91dc-e77c889abc69\">O Capital, livro I. Editora Boitempo, p. 309. <a href=\"#d85057b2-39e0-49b4-91dc-e77c889abc69-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"2955621e-c14e-4c37-a18b-de9014881916\">No entanto, diz Machado Coelho, ela era \u201cvelha na origem\u201d. At\u00e9 a \u00e9poca de ouro da borracha, seringalista se referia tanto ao dono de seringal quanto a quem sangrava o l\u00e1tex. Mesmo a palavra seringueiro poderia ser referida ao dono de seringal, que tamb\u00e9m era conhecido como aviador, mas quem a ele servia, em geral, o tomava como patr\u00e3o. Problema que teria acometido at\u00e9 mesmo a dita literatura prolet\u00e1ria da \u00e9poca, na figura de Lauro Palhano, que em sua obra Marupiara fala de um \u201cseringueiro-patr\u00e3o\u201d. Para Machado Coelho, a palavra deve remontar aos idos de 1930. O primeiro registro na literatura, de sua devida ocorr\u00eancia e separa\u00e7\u00e3o se d\u00e1 no livro de Ara\u00fajo Lima \u201cAmaz\u00f4nia, a Terra e o Homem\u201d de 1932.\u00a0 <a href=\"#2955621e-c14e-4c37-a18b-de9014881916-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 6 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"344bdb1c-1d47-4047-84cb-3b0ae34e358b\">O testamento do homem da floresta: Chico Mendes por ele mesmo. FASE, Rio de Janeiro, 1989 p. 19. <a href=\"#344bdb1c-1d47-4047-84cb-3b0ae34e358b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 7 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"763a2b49-b391-4198-a10b-35e28873d647\">ibid. p. 44. <a href=\"#763a2b49-b391-4198-a10b-35e28873d647-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 8 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"f634f59c-36e4-4ab0-ba85-a027f5124566\">No dia 29 de julho de 1980, ap\u00f3s o assassinato de Wilson Pinheiro, fora feito um ato em Brasileia, onde participaram v\u00e1rias lideran\u00e7as sindicais que logo foram enquadradas na Lei de Seguran\u00e7a Nacional, contudo foram absolvidas. Diz-se que um l\u00edder sindical, Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva, teria dito na ocasi\u00e3o do ato: &#8220;Est\u00e1 na hora da on\u00e7a beber agua\u201d.\u00a0 <a href=\"#f634f59c-36e4-4ab0-ba85-a027f5124566-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 9 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"dfe56684-f497-40f4-a5f6-b493d8345f26\">O testamento do homem da floresta: Chico Mendes por ele mesmo. FASE, Rio de Janeiro, 1989 p. 39. <a href=\"#dfe56684-f497-40f4-a5f6-b493d8345f26-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 10 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"4421c3dd-b263-47bf-99fa-452d9934b2b2\">ibid. p. 26. <a href=\"#4421c3dd-b263-47bf-99fa-452d9934b2b2-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 11 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d228dfb0-f80a-4bd8-a1be-83f34332df0e\">C\u00e2ndido Grzybowski nos diz: \u201cnossa tarefa, como nos ensinam os seringueiros liderados por Chico Mendes, \u00e9 construir uma alternativa, uma proposta capaz de superar esta \u201ctransi\u00e7\u00e3o\u201d da Nova Rep\u00fablica que nos conduz ao nada (p.15)\u201d. N\u00e3o obstante, Grzybowski v\u00ea no empate uma limita\u00e7\u00e3o, por isso reitera que \u201cO Brasil depende de um salto em nossa luta, capaz de desbloquear a situa\u00e7\u00e3o de empate em que vivemos\u201d. A um s\u00f3 passo, o empate feito modelo de luta para a sociedade brasileira em geral, \u00e9 posto como a pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o brasileira em geral. Essa transposi\u00e7\u00e3o e, portanto, distor\u00e7\u00e3o do sentido dos empates, como se o empate fosse um jogo de for\u00e7as, da\u00ed a correla\u00e7\u00e3o com uma guerra de posi\u00e7\u00e3o a l\u00e1 Gramsci, escancara os limites do pensamento progressista, que em nossos tempos presenciamos seu descarrilhar. \u00c9 nesse movimento que o pensamento progressista gira em falso e por in\u00e9rcia \u00e9 conduzido ao nada. <a href=\"#d228dfb0-f80a-4bd8-a1be-83f34332df0e-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 12 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o&nbsp; Qual \u00e9 a pertin\u00eancia de Chico Mendes para nossos dias? 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At\u00e9 a \u00e9poca de ouro da borracha, seringalista se referia tanto ao dono de seringal quanto a quem sangrava o l\u00e1tex. Mesmo a palavra seringueiro poderia ser referida ao dono de seringal, que tamb\u00e9m era conhecido como aviador, mas quem a ele servia, em geral, o tomava como patr\u00e3o. Problema que teria acometido at\u00e9 mesmo a dita literatura prolet\u00e1ria da \u00e9poca, na figura de Lauro Palhano, que em sua obra Marupiara fala de um \u201cseringueiro-patr\u00e3o\u201d. Para Machado Coelho, a palavra deve remontar aos idos de 1930. O primeiro registro na literatura, de sua devida ocorr\u00eancia e separa\u00e7\u00e3o se d\u00e1 no livro de Ara\u00fajo Lima \u201cAmaz\u00f4nia, a Terra e o Homem\u201d de 1932.\u00a0\",\"id\":\"2955621e-c14e-4c37-a18b-de9014881916\"},{\"content\":\"O testamento do homem da floresta: Chico Mendes por ele mesmo. 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Qual \u00e9 a pertin\u00eancia de Chico Mendes para nossos dias? Algu\u00e9m poderia perguntar. \u00c0s v\u00e9speras do cataclismo clim\u00e1tico a que s\u00f3 assistimos, mais se v\u00ea rea\u00e7\u00f5es que ofuscam o problema, seja por um alarmismo desenfreado que paralisa ou por n\u00e3o dar-lhe a preocupa\u00e7\u00e3o devida. 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