{"id":351,"date":"2019-04-04T08:56:05","date_gmt":"2019-04-04T11:56:05","guid":{"rendered":"https:\/\/tradutoresproletarios.wordpress.com\/?p=351"},"modified":"2023-01-07T15:16:30","modified_gmt":"2023-01-07T15:16:30","slug":"primeiras-observacoes-sobre-o-desastre-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/04\/04\/primeiras-observacoes-sobre-o-desastre-brasileiro\/","title":{"rendered":"Primeiras observa\u00e7\u00f5es sobre o desastre brasileiro \u2014 Antonio Negri"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Antonio Negri, 20 de novembro DE 2018<\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"614\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/um-fascista-do-sc3a9culo-21-01-1024x614.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2522\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/um-fascista-do-sc3a9culo-21-01-1024x614.png 1024w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/um-fascista-do-sc3a9culo-21-01-300x180.png 300w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/um-fascista-do-sc3a9culo-21-01-768x461.png 768w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/um-fascista-do-sc3a9culo-21-01-1536x922.png 1536w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/um-fascista-do-sc3a9culo-21-01-2048x1229.png 2048w\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-text-align-left has-background is-style-solid-color has-white-color has-text-color\" style=\"background-color:#ff710f\"><blockquote><p> <br>Com a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro a presidente do Brasil, Antonio Negri reflete sobre o ressurgimento global da extrema-direita, e afirma: o novo governo brasileiro resgata do fascismo hist\u00f3rico a fabrica\u00e7\u00e3o de identidades, de um \u201cgrande inimigo\u201d, e de uma mem\u00f3ria hist\u00f3rica falsa; mas no plano econ\u00f4mico e governamental, a gest\u00e3o Bolsonaro faz parte de um nova fase do capitalismo, na qual o pacto democr\u00e1tico-liberal come\u00e7a a ruir, e a maneira criada pelas classes dominantes de manejar a crise consiste em manipular e mediar a aplica\u00e7\u00e3o das leis constitucionais, de modo a praticar medidas autorit\u00e1rias sem alterar uma v\u00edrgula da Constitui\u00e7\u00e3o.<br> <\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Caminho Democr\u00e1tico para o Fascismo<\/h3>\n\n\n\n<p>A asser\u00e7\u00e3o de que todo poder \u00e9 um &#8220;poder de exce\u00e7\u00e3o&#8221; se tornou comum. Entretanto, esta afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o explica a diferen\u00e7a entre um regime fascista e um regime constitucional. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a&#8221;, replicaria quem acredita na normalidade da &#8220;exce\u00e7\u00e3o&#8221;. Tente dizer isso para as pessoas do Brasil, as quais se defrontam com a assun\u00e7\u00e3o iminente de Bolsonaro ao poder, e voc\u00ea ouvir\u00e1 a seguinte resposta: &#8220;Voc\u00ea \u00e9 louco!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o marxista revolucion\u00e1ria, a analogia entre o regime democr\u00e1tico e o regime fascista \u00e9 rejeitada. A Terceira Internacional imp\u00f4s essa similaridade (que logo se tornou uma identidade), e n\u00f3s todos sabemos no que isso deu. O conceito de poder constituinte deve ser considerado com igual aten\u00e7\u00e3o e discernimento: ele n\u00e3o pode ser confundido ou ligado \u00e0 &#8220;exce\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221; e seu exerc\u00edcio &#8211; tal como dito pelos proponentes da &#8220;autonomia do pol\u00edtico&#8221; (que, na trilha de Carl Schmitt, s\u00f3 v\u00ea uma figura de &#8220;exce\u00e7\u00e3o&#8221; no poder constituinte).<\/p>\n\n\n\n<p>A respeito do que aconteceu no Brasil, deve-se notar primeiro que o fascismo n\u00e3o chegou atrav\u00e9s de um cl\u00e1ssico &#8220;coup d\u2019etat&#8221; (de fora das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas), atrav\u00e9s da exce\u00e7\u00e3o (como mais ou menos ocorreu com os fascismos latino americanos, at\u00e9 Pinochet e a junta militar argentina), mas antes, de dentro do processo constitucional. N\u00e3o chegou atrav\u00e9s de uma ruptura com a legalidade constitucional, mas atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o constitucional de uma nova legitimidade. Segundo, eu tendo a acreditar que o governo fascista brasileiro n\u00e3o vai exercer o poder atrav\u00e9s de uma externa e violenta transforma\u00e7\u00e3o do regime constitucional, mas por meio de uma leve redu\u00e7\u00e3o (exceto para a popula\u00e7\u00e3o negra) de liberdades civis e atrav\u00e9s da governan\u00e7a da Constitui\u00e7\u00e3o existente. Isto \u00e9, de modo a colocar um tipo de &#8220;poder constituinte&#8221; em movimento por dentro da governan\u00e7a &#8211; um poder que \u00e9 funcional, absorvido dentro da governan\u00e7a e ao mesmo tempo capaz de determinar modifica\u00e7\u00f5es profundas em sua f\u00e1brica constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Este caminho perverso da democracia, que agora \u00e9 instalado no Brasil, mas que j\u00e1 fora experimentado, em parte ou totalmente, em outras situa\u00e7\u00f5es e pa\u00edses (tais como a Turquia e Egito, sem mencionar os antigos pa\u00edses socialistas) deve ser submetida \u00e0 cr\u00edtica. N\u00f3s n\u00e3o devemos s\u00f3 perguntar o que &#8220;democracia representativa&#8221; significa hoje, mas tamb\u00e9m o que &#8220;democracia&#8221; em geral significa &#8211; e ent\u00e3o, baseados nisso, perguntar como, por meio de quais formas e com que objetivos, n\u00f3s dever\u00edamos nos mobilizar a fim de construir e defender a Constitui\u00e7\u00e3o que respeita a liberdade, que constr\u00f3i igualdade e cria suas condi\u00e7\u00f5es. E finalmente nos perguntarmos se ainda \u00e9 poss\u00edvel levantar essas quest\u00f5es ou se n\u00f3s devemos reconsiderar a pr\u00f3pria f\u00e1brica que as sustenta?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um GOLPE DE ESTADO Institucional<\/h3>\n\n\n\n<p>Um <em>coup d\u2019\u00e9tat<\/em> constitucional e\/ou um <em>coup d\u2019\u00e9tat <\/em>democr\u00e1tico: &nbsp;\u00e9 assim que n\u00f3s podemos denominar o que aconteceu com o Brasil e incorporar tal fato em uma nova tipologia acad\u00eamica de lei constitucional. A derrubada do poder leg\u00edtimo existente e sua substitui\u00e7\u00e3o por um poder que n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo pelo sufr\u00e1gio universal, mas por um \u00f3rg\u00e3o do Estado, o Congresso, foi realizado por tr\u00e1s de uma m\u00e1scara constitucional. Come\u00e7ou com o impeachment da presidente e continuou com sua substitui\u00e7\u00e3o &#8211; meramente por meios parlamentares, sem a necessidade de uma elei\u00e7\u00e3o geral -, pouco depois da renova\u00e7\u00e3o eleitoral de seu mandato presidencial. O golpe continuou, mais tarde (o que n\u00e3o \u00e9 irrelevante), com a aprova\u00e7\u00e3o imediata pelo Congresso de diversas leis caracter\u00edsticas de um regime neoliberal (dentre as quais n\u00f3s devemos sublinhar aquela que pro\u00edbe os gastos p\u00fablicos por um longo tempo) a qual, de uma maneira r\u00e1pida e trai\u00e7oeira, revogou o paradigma material da Constitui\u00e7\u00e3o vigente. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A conex\u00e3o entre o impeachment de Dilma por raz\u00f5es pol\u00edtico-morais (corrup\u00e7\u00e3o) e a liquida\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de seu governo atrav\u00e9s de uma afirma\u00e7\u00e3o constitucional de um princ\u00edpio neoliberal, revela que havia uma natureza partid\u00e1ria para sua destitui\u00e7\u00e3o, a qual a qualifica como um golpe &#8211; uma modifica\u00e7\u00e3o radical da dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo, ou em outras palavras, da constitui\u00e7\u00e3o material. Isto abriu o caminho para garantir que, mesmo no caso de novas elei\u00e7\u00f5es, uma outra maioria presidencial (que as pesquisas atribu\u00edram a Lula) n\u00e3o pudesse restabelecer o que foi agora constitucionalmente vetado: propostas n\u00e3o-liberais para redistribui\u00e7\u00e3o de renda, ou antes, alternativas para a rec\u00e9m-decidida legitimidade econ\u00f4mica. Em prol de continuar as pol\u00edticas liberais, e, portanto, renovar as pol\u00edticas de Estado fora da (e antes da) legitima\u00e7\u00e3o popular delas, o poder judicial mobilizou-se atrav\u00e9s da condena\u00e7\u00e3o e aprisionamento de Lula e, posteriormente, atrav\u00e9s de sua exclus\u00e3o eleitoral. N\u00e3o foi coincid\u00eancia este poder judicial ter sido imediatamente cooptado pelo governo Bolsonaro. Finalmente, as elei\u00e7\u00f5es foram realizadas sob amea\u00e7a &#8211; que, mais uma vez, n\u00e3o \u00e9 externa ao processo institucional &#8211; de interven\u00e7\u00e3o pelo Ex\u00e9rcito Nacional, no caso da vit\u00f3ria da esquerda; e ent\u00e3o, o novo presidente foi eleito &#8211; um fascista do s\u00e9culo 21 -, restaurando, deste modo, a legitima\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do poder. Uma restaura\u00e7\u00e3o muito duvidosa, mas eficaz. Nesse governo que tomar\u00e1 o poder no come\u00e7o do ano, em conjunto com o juiz da Lava Jato (a opera\u00e7\u00e3o que, como o juiz Greco expressivamente declarou, n\u00e3o tem nada haver com a Mani Pulite), haver\u00e1 um Chicago Boy encarregado das Finan\u00e7as e da Economia; na Chancelaria, um homem ligado \u00e0 alt-right e \u00e0s pol\u00edticas de Trump; enquanto que ao Ex\u00e9rcito ser\u00e3o dadas as fun\u00e7\u00f5es de um Minist\u00e9rio da Ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse caminho perverso que vai da democracia ao fascismo \u00e9 organizado n\u00e3o por movimentos externos, mas pelas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es do poder constitucional, atrav\u00e9s da adapta\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de controle \u00e0s agendas pol\u00edticas da extrema-direita (especialmente o magistrado). A revela\u00e7\u00e3o de um design coerente percorrendo as institui\u00e7\u00f5es, destruindo todas as conex\u00f5es e influenciando novas conforma\u00e7\u00f5es das figuras formais da Constitui\u00e7\u00e3o e da materialidade de sua dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a qual \u00e9 garantida no processo de legitima\u00e7\u00e3o eleitoral, suprime portanto qualquer tra\u00e7o de \u00e9tica do princ\u00edpio democr\u00e1tico. Tudo isso exige &#8211; quando a indigna\u00e7\u00e3o passar, caso isso aconte\u00e7a &#8211; uma reflex\u00e3o a respeito da pr\u00f3pria quest\u00e3o da democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n\u00e3o \u00e9 o suficiente. O fascismo-populismo de Trump-Bolsonaro viola ainda mais a democracia. A democracia direta \u00e9 assumida de forma massificada e mistificada por esses l\u00edderes fascistas e transformada de um modo de governar para uma figura legitimadora de um governo. Os tweets de Trump interpretam essa convers\u00e3o. A m\u00eddia social e a m\u00eddia institucional assumem voluntariamente esta fun\u00e7\u00e3o legitimadora. Al\u00e9m disso, pode-se dizer (e h\u00e1 uma vasta literatura referente a esse t\u00f3pico) que eles produzem isso, ou ao menos que eles fazem isso se tornar poss\u00edvel. Quando a indigna\u00e7\u00e3o passar, n\u00f3s teremos ainda que levantar a quest\u00e3o da liberdade de express\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao poder. Este \u00e9 o primeiro problema que um movimento de resist\u00eancia deve confrontar, dizendo &#8220;livros sim, armas n\u00e3o&#8221; (como est\u00e3o come\u00e7ando a dizer no Brasil), mas isso ter\u00e1 de come\u00e7ar por meio da libera\u00e7\u00e3o da livre express\u00e3o. De fato, a contradi\u00e7\u00e3o entre liberdade de express\u00e3o (constitucionalmente protegida) e o dinheiro (= propriedade = corrup\u00e7\u00e3o = o uso criminal da falsidade pela m\u00eddia tradicional&#8230;) parece insolucion\u00e1vel. Mas as coisas s\u00e3o assim somente para aqueles que continuam vendo isso como um n\u00f3 G\u00f3rdio e n\u00e3o confiam que uma espada possa cort\u00e1-lo. Uma for\u00e7a pol\u00edtica que deseje sair da lama a qual a democracia e o fascismo, incorporados entre si, representam, deve propor este problema como o primeiro a ser resolvido.<br><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um Problema Geral<\/h3>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um processo em andamento nos Estados Unidos que \u00e9 an\u00e1logo ao do Brasil. A for\u00e7a da democracia desse pa\u00eds e os valores de sua Constitui\u00e7\u00e3o evitaram, at\u00e9 ent\u00e3o, que esse processo de transforma\u00e7\u00e3o assumisse o elemento perverso e at\u00e9 mesmo grotesco presente no que est\u00e1 acontecendo no Brasil. Nos Estados Unidos, a presen\u00e7a das for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o ainda pode bloquear (ou fazer incerta) a cristaliza\u00e7\u00e3o de uma tend\u00eancia tal como a Brasileira. Entretanto, isto n\u00e3o apaga o fato que uma consolida\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria do poder est\u00e1 tomando lugar. Pode-se ver isso na forte mudan\u00e7a do Partido Republicano em dire\u00e7\u00e3o ao n\u00facleo trumpiano (atr\u00e1s do qual reside a supremacia da alt-right), nos vinte anos da orienta\u00e7\u00e3o da Suprema Corte em posi\u00e7\u00f5es ultraconservadoras, na realiza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es financeiras colossais para a m\u00eddia, no controle de votos, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>De uma maneira muito mais fr\u00e1gil, mas \u00e0s vezes com feroz acelera\u00e7\u00e3o, processos similares est\u00e3o ocorrendo na It\u00e1lia. Entretanto, o horizonte pol\u00edtico populista est\u00e1 expandindo na Europa e na Am\u00e9rica Latina. Esta expans\u00e3o dramaticamente aprofunda o problema que estamos levantando aqui: como o fascismo \u00e9 estabelecido em e atrav\u00e9s de institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1tica? E em segundo lugar, o que exatamente \u00e9 esta insurg\u00eancia fascistizante?<br><\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida n\u00f3s tentaremos, se n\u00e3o responder, ao menos introduzir esta quest\u00e3o mais detalhadamente. Por hora, comecemos definindo este fascismo estranho, o qual se apresentado em profunda combina\u00e7\u00e3o com o neoliberalismo. Melhor ainda, tentemos definir as dificuldades as quais n\u00f3s acreditamos que um novo experimento radical das teorias de Chicago dever\u00e1 encontrar em seu desenvolvimento. As atuais transforma\u00e7\u00f5es fascistizantes da classe gestora capitalista (n\u00e3o dela por completo, no momento), na verdade, parecem ser determinadas pela necessidade de sustentar com grande for\u00e7a, usando de todos os meios do Estado, construtivamente, um desenvolvimento mais neoliberal desta crise profunda. \u00c9 importante sublinhar esta deformidade inusual: a for\u00e7a do autoritarismo \u00e9 convocada para sustentar a crise do liberalismo. Agora, de acordo com essa perspectiva, o fascismo aparenta surgir (embora n\u00e3o apenas) como a fase dura do neoliberalismo, como uma forte recupera\u00e7\u00e3o da soberania, como a invers\u00e3o do slogan &#8220;primeiro o mercado, depois o Estado&#8221; de v\u00e1rias maneiras, nos pontos em que o desenvolvimento enfrenta as maiores dificuldades, ou onde seus aparatos s\u00e3o rompidos, ou melhor, nos pontos em que enfrenta forte resist\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>Este fascismo \u00e9 caracterizado por uma reflex\u00e3o reacion\u00e1ria. Isto \u00e9 o que o distingue dos fascismos das d\u00e9cadas de 20 e 30, quando os reacion\u00e1rios atuaram no plano pol\u00edtico, enquanto eles podiam ser relativamente progressivos no terreno econ\u00f4mico, pseudo-keynesianos. Esta rea\u00e7\u00e3o \u00e9 provavelmente um sintoma de fraqueza, mais um efeito de resposta do que um ataque &#8211; o que parece ter sido provado pelo fato que esta inst\u00e2ncia fascista, mais que uma t\u00e9cnica totalit\u00e1ria, tenta utilizar mecanismos flex\u00edveis para a transforma\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria do estado, calibrando a governan\u00e7a como um tipo de novo e perverso poder constituinte. Mas estas s\u00e3o s\u00f3 predi\u00e7\u00f5es, as quais s\u00f3 a intensidade da futura luta de classes poder\u00e1 confirmar ou negar.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer modo, ainda n\u00e3o questionamos: o que \u00e9 o fascismo do s\u00e9culo 21? O do s\u00e9culo 20 procurou destruir os sovi\u00e9ticos, na R\u00fassia ou em qualquer outra parte do mundo onde eles pudessem ser encontrados. Onde est\u00e3o os bolcheviques hoje? Eles s\u00e3o obviamente devaneios. Mas o esgotamento do neoliberalismo em consolidar a si mesmo, e a crise pol\u00edtica que acrescenta-se \u00e0 econ\u00f4mica, revive o medo dos bolcheviques. Essa insist\u00eancia \u00e9 surpreendente.<\/p>\n\n\n\n<p><em>A fim de tentarmos racionalizar isso, ousemos uma hip\u00f3tese que poder\u00e1 nos permitir classificar estas tend\u00eancias fascistas numa era na qual o desenvolvimento do modo de produ\u00e7\u00e3o colocou a multid\u00e3o no centro da luta de classe. Hoje, a multid\u00e3o \u00e9 um conjunto de singularidades, ligadas pela coopera\u00e7\u00e3o social. Para a multid\u00e3o (especialmente nas metr\u00f3poles), o elemento de coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal ponto de sua exist\u00eancia enquanto uma classe. Em termos produtivos, este poder cooperativo conduz a multid\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao Comum. Entretanto, quando brotam fortes tens\u00f5es que agem nessas singularidades (que comp\u00f5em a multid\u00e3o), \u00e0 maneira, por exemplo, de inseguran\u00e7a ambiental ou econ\u00f4mica e medo de um futuro, a coopera\u00e7\u00e3o multitudin\u00e1ria pode ent\u00e3o implodir como uma defesa da identidade. O fascismo do s\u00e9culo 21 parece sustentar-se por meio de tais incidentes na natureza cooperativa da multid\u00e3o. <\/em><br><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fascismo e Neoliberalismo<br><\/h3>\n\n\n\n<p>Se na era de Plat\u00e3o, constitui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas eram inadequadas para cessar a crise da democracia, na situa\u00e7\u00e3o atual elas favorecem a ascens\u00e3o do fascismo, gerando corrup\u00e7\u00e3o. As Constitui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas modernas foram organizadas gra\u00e7as ao confronto din\u00e2mico de interesses, eventualmente entre coaliz\u00f5es da direita e da esquerda, em rela\u00e7\u00e3o a um modelo de inimizade e da solu\u00e7\u00e3o regulada e pac\u00edfica para esta \u00faltima, seguindo a hip\u00f3tese de uma oposi\u00e7\u00e3o balanceada entre interesses contrastantes. [REVISADO AT\u00c9 AQUI POR ELIEL] Hoje, a globaliza\u00e7\u00e3o levou \u00e0 homogeneiza\u00e7\u00e3o da governan\u00e7a a n\u00edvel global (poderia-se tamb\u00e9m dizer: conduziu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o), j\u00e1 que governar na globaliza\u00e7\u00e3o requer compor a rela\u00e7\u00e3o entre a Constitui\u00e7\u00e3o formal e a material atrav\u00e9s da inser\u00e7\u00e3o de regras que emergem das rela\u00e7\u00f5es multinacionais monet\u00e1rias das empresas no mercado global &#8211; e isto portanto, substancialmente elimina a confronta\u00e7\u00e3o\/conflito interna \u00e0 pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o. O extremismo do centro, as grandes coaliz\u00f5es, tem sido, neste sentido, momentos fundamentais da recomposi\u00e7\u00e3o, por meio da governan\u00e7a, de perfis constitucionais com alcance global. Mas essa fase acabou, e o aumento dos conflitos levou a uma profunda crise das formas liberal-democr\u00e1ticas de governan\u00e7a. O que ocorreu em seguida, ent\u00e3o, s\u00e3o os experimentos de ruptura: America First, Brexit, e agora Brazil First, Italy First&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A governan\u00e7a [governance] (isto \u00e9, o conjunto de aparatos que unitariamente deram forma ao horizonte dos governos nacionais e do governo global) est\u00e1 sujeita a incidentes constitucionais cada vez mais frequentes, que tiveram como efeito principal obliterar os aspectos de democracia progressiva que as Constitui\u00e7\u00f5es herdaram do segundo per\u00edodo do p\u00f3s-guerra e do fim da Guerra Fria. Deste modo, a fisionomia dos Estados \u00e9 transformada \u00e0s custas da democracia. A longa crise de 2007 fez as coisas piorarem. Governar a crise sempre implicou na crise impondo suas demandas \u00e0 democracia. Hoje n\u00f3s podemos sentir totalmente as consequ\u00eancias destes eventos. Cada vez mais, a dial\u00e9tica da din\u00e2mica constitucional n\u00e3o \u00e9 levada em conta, as oposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o integradas \u00e0 governan\u00e7a, o keynesianismo \u00e9 destru\u00eddo com o consentimento dos keynesianos. As eventuais opera\u00e7\u00f5es de exce\u00e7\u00e3o ocorrem diretamente dentro da governan\u00e7a democr\u00e1tica, como se elas respondessem a articula\u00e7\u00f5es escondidas de um poder constituinte, mais do que a op\u00e7\u00f5es ou a mecanismos control\u00e1veis. O que eu quero dizer \u00e9 que a transforma\u00e7\u00e3o sugerida por estes movimentos \u00e9 hoje comandada pelo poder destrutivo da democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a crise e o enfraquecimento do poder norte-americano &#8211; que tinha determinado um certo equil\u00edbrio global, ao menos em sua \u00e1rea de dom\u00ednio &#8211; esses processos aceleraram, espalhando o caos pra todo lado. O novo fascismo estabelece-se dentro deste caos. Constituindo-se a partir do projeto neoliberal para ent\u00e3o domin\u00e1-lo, encontrar\u00e1 ele as condi\u00e7\u00f5es para seu desenvolvimento sustentado? Isso ser\u00e1 dif\u00edcil. Nestas condi\u00e7\u00f5es, o neoliberalismo se encontra em uma situa\u00e7\u00e3o desesperadora, caso ele v\u00e1 restabelecer o equil\u00edbrio. Agora que deslocou ou rejeitou o velho equil\u00edbrio constitucional democr\u00e1tico, est\u00e1 exposto ao vazio. Precisa de algo novo para responder \u00e0s novas dificuldades, e s\u00f3 o encontra sob a forma de autoritarismo, de fascismo renovado. Para sobreviver a esse salto no vazio, precisa recorrer \u00e0 m\u00eddia ou aos instrumentos ideol\u00f3gicos, precisa difamar e destruir as for\u00e7as que o tem confrontado (as vezes timidamente, ou at\u00e9 antecipando suas dire\u00e7\u00f5es destrutivas &#8211; esta crise \u00e9 prolongada e profunda, e as responsabilidades ainda est\u00e3o para serem definidas). Estas for\u00e7as foram sociais-democratas, keynesianas. Mas os neoliberais que elaboram a nova f\u00f3rmula do governo fascista no Brasil chamam esses grupos de comunistas e bolivarianos, propagadores do caos. Nos Estados Unidos, s\u00e3o chamados de os &#8220;habitantes da cidade&#8221; que subvertem a identidade nacional. Assim, classifica-se este fascismo fundado no vazio ideol\u00f3gico como um falsificador da mem\u00f3ria e um restaurador reacion\u00e1rio de identidades passadas. Se \u00e9 um passado escravista, como nos Estados Unidos, \u00e9 preocupante; se \u00e9 um presente com escravid\u00e3o, como no Brasil, \u00e9 ainda mais problem\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">N\u00e3o devemos nos amedrontar<br><\/h3>\n\n\n\n<p>Meus amigos brasileiros se perguntam como foi poss\u00edvel a vit\u00f3ria de Bolsonaro, e por que seus concidad\u00e3os votaram nele em t\u00e3o grande n\u00famero. A resposta \u00e9 simples: eles n\u00e3o votaram pelo fascismo, mas pelo fim da corrup\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a, em um momento cr\u00edtico de suas vidas ao qual, na verdade, uma parte da popula\u00e7\u00e3o atribuiu culpa ao PT. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar que a motiva\u00e7\u00e3o racista e a defesa da fam\u00edlia (veja a pol\u00eamica absurda sobre a quest\u00e3o de g\u00eanero) formaram o aglutinado fascista desse mal-estar. \u00c9 f\u00e1cil profetizar, como n\u00f3s j\u00e1 indicamos, que Bolsonaro n\u00e3o conseguir\u00e1 instituir seu governo como um regime. Somam-se ao obst\u00e1culo anteriormente mencionado, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conjuga\u00e7\u00e3o do fascismo com o liberalismo, dificuldades internas adicionais e espec\u00edficas: frente com aos impedimentos t\u00e1ticos criados pela dispers\u00e3o dos votos no Congresso, eles ser\u00e3o for\u00e7ados a continuar subornando a maioria parlamentar dos evang\u00e9licos ou outros mercen\u00e1rios; haver\u00e1 um pre\u00e7o ainda maior a pagar pelo apoio eleitoral dos ruralistas, para sustentar o governo, e na negocia\u00e7\u00e3o dos limites ecol\u00f3gicos para a expans\u00e3o dos interesse deles; as propostas extremas de privatiza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio p\u00fablico ser\u00e3o recebidas com hostilidade pelo Ex\u00e9rcito em nome da na\u00e7\u00e3o, etc. N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil para eles avan\u00e7arem. Mesmo a consolida\u00e7\u00e3o dessa vit\u00f3ria ser\u00e1 dif\u00edcil, muito dif\u00edcil: entrar\u00e1 contraditoriamente em confronto com os pr\u00f3prios valores fixos da economia brasileira (aberta a mercados de comida e energia internacionais, fechada em rela\u00e7\u00e3o a limites ecol\u00f3gicos enormemente importantes, impulsionada por uma forte din\u00e2mica produtiva devido \u00e0 amplitude do mercado de trabalho). N\u00f3s estamos &#8211; como parece &#8211; num limite em que as promessas da vit\u00f3ria de Bolsonaro colidem com as inten\u00e7\u00f5es neoliberais de seus partid\u00e1rios. Como elas podem ser equilibradas? N\u00f3s n\u00e3o estamos mais em 1930, quando o fascismo fora organizado em torno de uma forma de planejamento que favorecia a grande ind\u00fastria (da guerra) e o grande capital banc\u00e1rio &#8211; mas com um excedente, que representava benef\u00edcios sociais imediatos para o proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p>O que realmente nos amedronta, depois da vit\u00f3ria de Bolsonaro, \u00e9 antecipar os desastres que esse governo vai produzir de qualquer forma, dado que \u00e9 incapaz de desenvolver um projeto pol\u00edtico que n\u00e3o seja uma razzia [incurs\u00e3o] contra os pobres, contra os negros, e, em geral, um programa anti-social (como demonstram suas propostas ultraliberais). Militarista, homof\u00f3bico, sexista, guiado pelo \u00f3dio contra uma popula\u00e7\u00e3o negra majorit\u00e1ria (n\u00f3s estamos longe dos 54% de brancos no censo de 2000), Bolsonaro vai se deparar com um impulso demogr\u00e1fico n\u00e3o-branco, que n\u00e3o para de crescer. O desastre vindouro \u00e9 enorme e suas consequ\u00eancias ser\u00e3o sentidas por muito tempo.<br><\/p>\n\n\n\n<p>O que deve ser feito, ent\u00e3o? N\u00f3s devemos parar de chorar, e que nos ponhamos a trabalhar, ganhando paz de esp\u00edrito em saber que o quadro fascista ainda \u00e9 fraco. Em que sentido, e com qual esp\u00edrito, devemos come\u00e7ar a trabalhar? As provoca\u00e7\u00f5es j\u00e1 s\u00e3o enormes, e no futuro elas ir\u00e3o se multiplicar. Nas universidades h\u00e1 esquadr\u00f5es e grupos de direita que re\u00fanem listas de comunistas, programas escolares come\u00e7am a ser preenchidos com invoca\u00e7\u00f5es a um passado de escravid\u00e3o, etc. N\u00e3o devemos ter &nbsp;medo. N\u00e3o ter medo se torna o elemento chave para construir uma resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O fascismo \u00e9 baseado no medo. Aqui ele desperta e cultiva o medo de negros e de comunistas. Mas essa dupla \u00e9 um s\u00edmbolo da vida, e sua luta \u00e9 um sinal de liberta\u00e7\u00e3o. Os partidos de esquerda, come\u00e7ando pelo PT, est\u00e3o em crise. \u00c9 na rela\u00e7\u00e3o e recomposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos negros e comunistas que uma esquerda radical anti-fascista pode ser constru\u00edda. Este passo \u00e9 fundamental. N\u00e3o pode haver antifascismo no Brasil sem uma composi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre os comunistas brancos e a popula\u00e7\u00e3o negra. Sem falar que a centelha dessa recomposi\u00e7\u00e3o, hoje, s\u00e3o os movimentos feministas. Eles s\u00e3o movimentos majorit\u00e1rios, e a maioria n\u00e3o tem medo. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Autor: <\/strong>Antonio Negri<br><strong>Publicado em:<\/strong> 20 de novembro de 2018<br><strong>Original:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.euronomade.info\/?p=11277\">http:\/\/www.euronomade.info\/?p=11277<\/a><br><strong>Tradu\u00e7\u00e3o original:<\/strong> Liz Mason-Deese [Verso]<br><strong>Tradu\u00e7\u00e3o para portugu\u00eas<\/strong>: Felipe Aielo [Tradutores Prolet\u00e1rios]<br><strong>Revis\u00e3o:<\/strong> Eliel Micm\u00e1s [Tradutores Prolet\u00e1rios]<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Arte de capa: <\/strong> Edi\u00e7\u00e3o por Eliel Micm\u00e1s [Tradutores Prolet\u00e1rios]<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro a presidente do Brasil, Antonio Negri reflete sobre o 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