{"id":328,"date":"2019-03-08T10:48:45","date_gmt":"2019-03-08T13:48:45","guid":{"rendered":"https:\/\/tradutoresproletarios.wordpress.com\/?p=328"},"modified":"2024-03-08T19:38:22","modified_gmt":"2024-03-08T19:38:22","slug":"repensando-o-feminismo-lesbico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2019\/03\/08\/repensando-o-feminismo-lesbico\/","title":{"rendered":"Repensando o feminismo l\u00e9sbico \u2014 Alyson Escalante"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Alyson Escalante, 17 de maio de 2018<\/h3>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tradutoresproletarios.files.wordpress.com\/2019\/03\/rethinking-lesbian-feminism-01.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-329\" style=\"width:2500px;height:1500px\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote is-style-solid-color has-theme-palette-1-background-color has-background\" style=\"color:#ffffff\"><blockquote><p>Costuma-se pensar que o transfeminismo e o feminismo l\u00e9sbico s\u00e3o inerentemente opostos um ao outro &#8211; mas, se as duas correntes se dispuserem a entrar em di\u00e1logo, h\u00e1 importantes li\u00e7\u00f5es que uma pode ensinar \u00e0 outra.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">A hist\u00f3ria segue da seguinte forma: \u201co feminismo l\u00e9sbico at\u00e9 ent\u00e3o vem perdendo relev\u00e2ncia h\u00e1 mais ou menos uma d\u00e9cada. Ideias como heterossexualidade compuls\u00f3ria, lesbianismo pol\u00edtico, e lesbianismo como uma abordagem revolucion\u00e1ria do feminismo s\u00e3o hoje em dia recebidas com substancial hostilidade. Feministas mais jovens preocupam-se e desconfiam de identidades rigorosamente definidas e preferem no\u00e7\u00f5es mais fluidas de queeridade [<em>queerness<\/em>] no lugar de r\u00f3tulos mais est\u00e1ticos como o lesbianismo. A rela\u00e7\u00e3o do transfeminismo com o feminismo l\u00e9sbico, claro, foi e ainda \u00e9 bastante conturbada, e para que o feminismo possa incluir mulheres trans, temos que repudiar as ideias antiquadas do feminismo l\u00e9sbico\u201d.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Um breve mergulho nas \u00e1guas turvas da \u201cescrita feminista de text\u00f5es\u201d revelar\u00e1 que muitas das escritoras mais jovens, que refletem sobre sexualidade e g\u00eanero a partir de uma perspectiva feminista, seguem narrativas como a esbo\u00e7ada acima (alguns detalhes mudam, \u00e9 claro). Pensa-se ser algo claro como a luz do dia que o feminismo l\u00e9sbico n\u00e3o apenas \u00e9 algo do passado, destinado a desaparecer algum dia, mas que ele tamb\u00e9m \u00e9 necessariamente oposto aos emergentes feminismos trans-inclusivos. Eu n\u00e3o acho, entretanto, que essa \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o muito justa.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, muitas feministas l\u00e9sbicas pouco fizeram para enfrentar essa narrativa de maneira \u00fatil. Feministas trans-antag\u00f4nicas como Sheila Jeffrey consistentemente enquadram seus argumentos como [se fossem] uma defesa do feminismo l\u00e9sbico, e muitos dos mais populares discursos anti-trans dentre os espa\u00e7os feministas s\u00e3o enquadrados como se estivessem defendendo o lesbianismo de alguma \u201camea\u00e7a trans\u201d; tanto ao impedir supostos homens de adentrarem [esses espa\u00e7os], como tamb\u00e9m ao evitar que l\u00e9sbicas <em>butch<\/em> sejam enganadas e convencidas a tornarem-se homens. Entretanto, nenhuma dessas coisas conseguiu afastar a ideia de que o transfeminismo e o feminismo l\u00e9sbico podem ser n\u00e3o s\u00f3 reconcili\u00e1veis, como tamb\u00e9m terem li\u00e7\u00f5es importantes a ensinar um ao outro e que s\u00e3o relevantes para a atualidade.<br>Neste artigo, espero poder mostrar que tanto o feminismo l\u00e9sbico como o transfeminismo p\u00f5em em primeiro plano <em>insights<\/em> cruciais sobre as vidas das mulheres, e que que ambos seriam fortalecidos em seus variados projetos para a liberta\u00e7\u00e3o das mulheres se estiverem dispostos a aprender um com o outro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma breve defesa do feminismo l\u00e9sbico<\/h3>\n\n\n\n<p>Antes de me atentar \u00e0s maneiras pelas quais os dois feminismos que citei podem aprender um com o outro, quero enfrentar essa impress\u00e3o de que o feminismo l\u00e9sbico n\u00e3o \u00e9 mais relevante \u00e0 teoria e pr\u00e1xis feminista contempor\u00e2nea.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar: o que \u00e9 feminismo l\u00e9sbico? Me refiro, com este termo, a um grupo amplo, e n\u00e3o t\u00e3o consistente internamente, de te\u00f3ricas e de teorias interessadas em partirem da perspectiva e experi\u00eancia do lesbianismo, entend\u00ea-lo como uma forma de resist\u00eancia contra o heteropatriarcado, e entender a heterossexualidade como um pilar da domina\u00e7\u00e3o patriarcal. O feminismo l\u00e9sbico inclui, por exemplo, pensadoras como Monique Wittig, Adrienne Rich e Sara Ahmed. Estas tr\u00eas possuem teorias radicalmente diferentes e variadamente incompar\u00e1veis, mas todas se encaixam nos tr\u00eas crit\u00e9rios que elenquei.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, por que o feminismo l\u00e9sbico (ainda) \u00e9 importante? Em resumo, porque a heterossexualidade ainda \u00e9 central \u00e0 domina\u00e7\u00e3o patriarcal, e o lesbianismo ainda oferece <em>insights<\/em> interessantes para resistir a isso.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Em <a href=\"https:\/\/materialfeminista.milharal.org\/files\/2012\/08\/Heterossexualidade-Compuls%C3%B3ria-e-Exist%C3%AAncia-L%C3%A9sbica-Adrienne-Rich.pdf\"><em>Heterossexualidade Compuls\u00f3ria e Exist\u00eancia L\u00e9sbica<\/em><\/a>, a feminista l\u00e9sbica Adrienne Rich sugere que a heterossexualidade compuls\u00f3ria \u00e9 um \u201cvi\u00e9s\u201d que apaga a exist\u00eancia das l\u00e9sbicas, ao insistir \u201cque as mulheres seriam dirigidas sexualmente de modo \u2018inato\u2019 para os homens.\u201d Adicionalmente, a via da heterossexualidade compuls\u00f3ria sugere que l\u00e9sbicas na verdade s\u00e3o impulsionadas por um ran\u00e7o diante dos homens, e portanto permanece no conceito de l\u00e9sbica a ideia de uma orienta\u00e7\u00e3o inata por homens. Rich afirma que este vi\u00e9s infiltrou-se at\u00e9 mesmo no pensamento feminista, empurrando a exist\u00eancia l\u00e9sbica pro banco de reservas, como algo a ser tolerado mas n\u00e3o adotado. Deste modo, Rich insiste que \u201ca teoria feminista n\u00e3o pode mais se dar ao luxo de meramente exclamar uma toler\u00e2ncia do \u2018lesbianismo\u2019 como um \u2018estilo de vida alternativo\u2019, ou fazer alus\u00f5es simb\u00f3licas a l\u00e9sbicas. Uma cr\u00edtica feminista da orienta\u00e7\u00e3o heterossexual compuls\u00f3ria [imposta \u00e0s] mulheres j\u00e1 \u00e9 devida h\u00e1 muito tempo.\u201d<br><\/p>\n\n\n\n<p>Rich afirma que o patriarcado investe na heterossexualidade compuls\u00f3ria com o fim de garantir que as mulheres sejam subjugadas por meio de rela\u00e7\u00f5es familiares de provis\u00e3o de cuidado emocional material apenas aos filhos e maridos. Al\u00e9m de analisar a explora\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, Rich se volta ao trabalho de Catharine MacKinnon com vistas a investigar a fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da heterossexualidade compuls\u00f3ria na for\u00e7a de trabalho. Ela explica que:<br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>[MacKinnon] cita um material muito rico que documenta o fato de que as mulheres n\u00e3o s\u00e3o somente segregadas em empregos de servi\u00e7o malpago (como secret\u00e1rias, empregadas dom\u00e9sticas, datil\u00f3grafas, operadoras de telefone, bab\u00e1s, gar\u00e7onetes), mas a pr\u00f3pria \u201csexualiza\u00e7\u00e3o das mulheres\u201d faz parte do trabalho. Central e intr\u00ednseca \u00e0s realidades econ\u00f4micas das vidas das mulheres \u00e9 a exig\u00eancia de que elas ir\u00e3o \u201ccomercializar atratividade sexual para os homens, que tendem a manter o poder e a posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para garantir suas predile\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por isso, para Rich e MacKinnon, a disparidade econ\u00f4mica enfrentada pelas mulheres sob o capitalismo n\u00e3o resulta simplesmente em diferen\u00e7as salariais, mas possui o pr\u00f3prio desejo masculino acoplado a si mesma, for\u00e7ando as mulheres a se venderem para obter acesso a qualquer tipo de emprego.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Esta percep\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre o patriarcado e a opress\u00e3o econ\u00f4mica das mulheres \u00e9 central ao feminismo l\u00e9sbico, e oferece importantes discernimentos hoje em dia. Com as crescentes acusa\u00e7\u00f5es, contra atores e outros profissionais masculinos, de cont\u00ednuo ass\u00e9dio sexual daquelas que trabalham para eles e ao redor deles, precisamos de uma teoria que possa explicar como ambientes de trabalho fomentam este tipo de ass\u00e9dio. A formula\u00e7\u00e3o de Rich nos permite entender como homens em posi\u00e7\u00e3o de poder, em especial poder de conceder empregos, imp\u00f5em a disponibilidade sexual como um pr\u00e9-requisito para a pr\u00f3pria entrada no espa\u00e7o de trabalho. Por essas raz\u00f5es, a opress\u00e3o econ\u00f4mica das mulheres no ambiente de trabalho, pautada nas diferen\u00e7as salariais e na segrega\u00e7\u00e3o empregat\u00edcia, \u00e9 indissoci\u00e1vel da domina\u00e7\u00e3o heterossexual.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Sob esta formula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pensa a heterossexualidade como uma orienta\u00e7\u00e3o sexual individual possu\u00edda por alguns indiv\u00edduos, mas como um princ\u00edpio social estruturante e como um destino imposto contra o qual as mulheres n\u00e3o possuem outra escolha a n\u00e3o ser se adequarem. Ao entendermos a heterossexualidade de maneira estrutural, podemos revelar como o desejo masculino, e o p\u00f4r-se \u00e0 venda feminino em rela\u00e7\u00e3o a esse desejo, n\u00e3o \u00e9 constitutivo de escolhas e a\u00e7\u00f5es individuais, mas de incentivos estruturais e econ\u00f4micos os quais mant\u00eam a domina\u00e7\u00e3o masculina das mulheres. Tais abordagens n\u00e3o-individualizadas e estruturais s\u00e3o cruciais para rebater padr\u00f5es neoliberais de feminismo de escolha e empoderamento, os quais abandonaram a liberta\u00e7\u00e3o coletiva das mulheres, pondo em seu lugar o empoderamento pessoal via consumo de produtos e m\u00eddia capitalista \u201cfeminista\u201d. Estes <em>insights<\/em> continuam pertinentes.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Monique Wittig utiliza a heterossexualidade para entender a opress\u00e3o das mulheres, referindo-se \u00e0 sociedade patriarcal como sociedade heterossexual. Para Wittig, a domina\u00e7\u00e3o masculina \u00e9 mantida por meio de no\u00e7\u00f5es de diferen\u00e7a sexual as quais persistem em afirmar que homens e mulheres s\u00e3o inatamente diferentes, numa maneira complementar, e que insiste em dizer que o lugar correto para ambos \u00e9 estar dentro de uma rela\u00e7\u00e3o heterossexual um com o outro. Ser uma mulher, para Wittig, \u00e9 ser um sujeito heterossexual dispon\u00edvel sexualmente e destinado a subordinar-se aos homens.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Por causa disso, Wittig sugere que \u201cl\u00e9sbicas n\u00e3o s\u00e3o mulheres.\u201d O que ela quer dizer com tamanha afirma\u00e7\u00e3o? Em ess\u00eancia, como ser uma mulher significa ser heterossexual, rejeitar a heterossexualidade \u00e9 falhar em ser uma mulher. Para a autora, esta falha revela as maneiras pelas quais o lesbianismo existe como uma forma de resist\u00eancia, n\u00e3o apenas \u00e0 supremacia masculina, mas \u00e0 ideia de homens e mulheres como g\u00eaneros distintos. O lesbianismo se torna uma alternativa de resist\u00eancia que nos permite avan\u00e7ar em prol da aboli\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, ao permitir \u00e0s mulheres organizarem-se fora do modelo de mulher heterossexual.<br><\/p>\n\n\n\n<p>A formula\u00e7\u00e3o wittigiana \u00e9 importante por nos dar um arcabou\u00e7o conceitual para entendermos como a viol\u00eancia heterossexual \u00e9 perpetrada. Em <em>A Mente H\u00e9tero<\/em>, Wittig atenta-se \u00e0s maneiras em que a autoridade de especialistas psicanal\u00edticos (e em sua maioria homens) \u00e9 utilizada para falar em lugar das mulheres e redefinir o que significa a exist\u00eancia l\u00e9sbica, e para retrat\u00e1-la como um defeito ou como uma forma de ran\u00e7o contra homens. Tais especialistas tentam heterossexualizar a resist\u00eancia feminina por meio de uma \u201ccensura\u201d dos relatos das pr\u00f3prias mulheres sobre suas experi\u00eancias. Este <em>insight<\/em> ainda \u00e9 fundamental atualmente, pois ele nos permite entender as formas em que a heterossexualidade \u00e9 imposta nos dias de hoje. Os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o ainda retratam, para garotas do mundo inteiro, a princesa encontrando seu pr\u00edncipe e vivendo feliz para sempre, e o sucesso feminino ainda \u00e9 retratado numa perspectiva heterossexual. Espera-se que at\u00e9 mesmo mulheres trabalhadoras entrem em uni\u00f5es heterossexuais, e Wittig nos permite entender que essas expectativas, esses destinos impostos, s\u00e3o uma parte central da domina\u00e7\u00e3o patriarcal.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Quando analisamos algumas das afirma\u00e7\u00f5es centrais do feminismo l\u00e9sbico, torna-se claro que este permanece relevante nos dias atuais, pois a heterossexualidade ainda \u00e9 um dos pilares da opress\u00e3o das mulheres. Estas dedu\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o antiquadas; na verdade, elas passaram por uma d\u00e9cada de abandono, e tem o potencial de nos oferecer <em>insights<\/em> importantes e esquecidos para embasar a teoria e pr\u00e1xis feminista atual.<br><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Heterosexualizando mulheres trans<br><\/h3>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, agora que demonstrei as maneiras pelas quais o feminismo l\u00e9sbico ainda oferece importantes discernimentos ao feminismo atual, quero mostrar que ele n\u00e3o precisa necessariamente ser antag\u00f4nico ao transfeminismo, e que mulheres trans precisam utilizar as compreens\u00f5es constru\u00eddas pelo feminismo l\u00e9sbico para entenderem suas pr\u00f3prias experi\u00eancias e resistirem \u00e0 nossa opress\u00e3o por parte homens.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Mulheres trans t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o particularmente complicada com a psicologia e a medicina. Desde o pr\u00f3prio come\u00e7o da teoria trans ocidental contempor\u00e2nea, o que significa ser trans foi definido por homens psic\u00f3logos, cirurgi\u00f5es, cl\u00ednicos e sexologistas. Mulheres trans continuamente sofrem censura de suas pr\u00f3prias experi\u00eancias por meio dos discursos desses homens especialistas, os quais alegam entender a verdade dessas experi\u00eancias.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, o dr. Harry Benjamin foi particularmente importante para a medicina trans. Ele n\u00e3o apenas revolucionou as interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas para mulheres trans, mas tamb\u00e9m teorizou o que significava exatamente ser trans. Tal como era popular naquela \u00e9poca, o dr. Benjamin apresentou uma tipologia para categorizar os diferentes tipos de mulheres trans que um m\u00e9dico poderia encontrar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"tg-wrap\"><table>\n  <tr>\n    <td colspan=\"7\"><span style=\"font-weight:700;font-style:italic;\">Tabela 1. Escala de Orienta\u00e7\u00e3o Sexual (E.O.S.)<\/span><br><span style=\"font-weight:700;font-style:italic;\">Desorienta\u00e7\u00e3o e Indecis\u00e3o de Sexo e Papel de G\u00eanero (Homens)<\/span><\/td>\n  <\/tr>\n  <tr>\n    <td><\/td>\n    <td colspan=\"3\">Grupo 1<\/td>\n    <td>Grupo 2<\/td>\n    <td colspan=\"2\">Grupo 3<\/td>\n  <\/tr>\n  <tr>\n    <td>Perfil <br><br>\u201cSENSA\u00c7\u00c3O DE G\u00caNERO\u201d<\/td>\n    <td>Tipo I<br>TRAVESTI<br><br>Pseudo<br><br>Masculino<\/td>\n    <td>Tipo II<br>TRAVESTI<br><br>Fetich\u00edstico<br><br>Masculino<\/td>\n    <td>Tipo III<br>TRAVESTI<br><br>Verdadeiro<br><br>Masculino (mas com menos convic\u00e7\u00e3o)<\/td>\n    <td>Tipo IV<br>TRANSSEXUAL<br><br>N\u00e3o-cir\u00fargico.<br><br>Indeciso. Pendendo entre TV e TS.<\/td>\n    <td>Tipo V<br>TRANSSEXUAL VERDADEIRO<br><br>Intensidade moderada.<br><br>Feminino (\u201cPreso em um corpo masculino\u201d)<\/td>\n    <td>Tipo VI<br>TRANSSEXUAL VERDADEIRO<br><br>Alta intensidade.<br><br>Feminino. Invers\u00e3o psicossexual total.<\/td>\n  <\/tr>\n  <tr>\n    <td>H\u00c1BITOS DE VESTIMENTA E VIDA SOCIAL<\/td>\n    <td>Vive como homem. Pode sentir prazer ocasional ao \u201ctravestir-se\u201d. N\u00e3o \u00e9 verdadeiramente TV. Vida masculina normal.<\/td>\n    <td>Vive como homem. \u201cTraveste-se\u201d periodicamente ou em parte de seu tempo. \u201cTraveste-se\u201d por debaixo de roupas masculinas.<\/td>\n    <td>\u201cTraveste-se\u201d constantemente ou o tanto quanto for poss\u00edvel. Pode viver e ser aceito como mulher. Pode \u201ctravestir-se\u201d por debaixo de roupas masculinas, se n\u00e3o puder de outra forma.<\/td>\n    <td>Traveste-se\u201d o tanto quanto for poss\u00edvel, com al\u00edvio insuficiente de seu desconforto de g\u00eanero. Pode viver como homem ou mulher; \u00e0s vezes alternando.<\/td>\n    <td>Vive e trabalha como mulher se poss\u00edvel. Al\u00edvio insuficiente ao travestir-se.<\/td>\n    <td>Pode viver e trabalhar como mulher. \u201cTravestir-se\u201d d\u00e1 al\u00edvio insuficiente. O desconforto de g\u00eanero \u00e9 intenso.<\/td>\n  <\/tr>\n  <tr>\n    <td>ESCOLHA DE OBJETO SEXUAL E VIDA SEXUAL<\/td>\n    <td>H\u00e9tero, bi ou homossexual. \u201cTravestimento\u201d e \u201cmudan\u00e7a de sexo\u201d podem ocorrer em fantasias masturbat\u00f3rias majoritariamente. Pode gostar apenas de literatura de TV.<\/td>\n    <td>H\u00e9tero, bi ou homossexual. \u201cTravestimento\u201d e \u201cmudan\u00e7a de sexo\u201d podem ocorrer em fantasias masturbat\u00f3rias majoritariamente. Pode gostar apenas de literatura de TV.<\/td>\n    <td>H\u00e9tero, bi ou homossexual. \u201cTravestimento\u201d e \u201cmudan\u00e7a de sexo\u201d podem ocorrer em fantasias masturbat\u00f3rias majoritariamente. Pode gostar apenas de literatura de TV.<\/td>\n    <td>Libido muitas vezes baixa. Assexual ou auto-erotista. Pode ser bissexual. Pode tamb\u00e9m ser casado e ter filhos.<\/td>\n    <td>Libido em baixa. Assexual, auto-erotista, ou atividade homossexual passiva. Pode ter sido casado e ter filhos.<\/td>\n    <td>Deseja intensamente ter rela\u00e7\u00f5es com homens normais como uma \u201cmulher\u201d, se jovem. Posteriormente, diminui\u00e7\u00e3o da libido. Pode ter sido casado e ter filhos, ao usar fantasias durante o coito.<\/td>\n  <\/tr>\n  <tr>\n    <td>ESCALA DE KINSEY*<\/td>\n    <td>0-6<\/td>\n    <td>0-2<\/td>\n    <td>0-2<\/td>\n    <td>1-4<\/td>\n    <td>4-6<\/td>\n    <td>6<\/td>\n  <\/tr>\n  <tr>\n    <td>OPERA\u00c7\u00c3O CIR\u00daRGICA DE CONVERS\u00c3O<\/td>\n    <td>N\u00e3o \u00e9 considerada na realidade.<\/td>\n    <td>Rejeitada.<\/td>\n    <td>Na verdade rejeitada, mas a ideia pode ser atraente.<\/td>\n    <td>Atraente, mas n\u00e3o \u00e9 requisitada, ou a atra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 admitida.<\/td>\n    <td>Requisitada. Usualmente indicada.<\/td>\n    <td>Urgentemente requisitada e usualmente obtida. Indicada.<\/td>\n  <\/tr>\n  <tr>\n    <td>ADMINISTRA\u00c7\u00c3O DE ESTROG\u00caNIO<\/td>\n    <td>N\u00e3o se interessa. N\u00e3o indicado.<\/td>\n    <td>Raramente se interessa. Ocasionalmente \u00fatil para reduzir a libido.<\/td>\n    <td>Atraente como um experimento. Pode ser emocionalmente positivo.<\/td>\n    <td>Necess\u00e1ria para confortar-se e ter equil\u00edbrio emocional.<\/td>\n    <td>Necess\u00e1ria como substituta da ou preliminar \u00e0 cirurgia.<\/td>\n    <td>Necess\u00e1ria para al\u00edvio parcial.<\/td>\n  <\/tr>\n  <tr>\n    <td>PSICOTERAPIA<\/td>\n    <td>N\u00e3o desejada. Desnecess\u00e1ria.<\/td>\n    <td>Pode ser bem-sucedida (em um ambiente favor\u00e1vel).<\/td>\n    <td>Se tentada, geralmente n\u00e3o \u00e9 bem-sucedida em curar.<\/td>\n    <td>Apenas como orientadora; de outra forma \u00e9 rejeitada ou mal-sucedida.<\/td>\n    <td>Rejeitada. In\u00fatil como cura. Orienta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica permissiva.<\/td>\n    <td>Orienta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica ou psicoter\u00e1pica apenas para al\u00edvio sintom\u00e1tico.<\/td>\n  <\/tr>\n  <tr>\n    <td>OBSERVA\u00c7\u00d5ES<\/td>\n    <td>Interesse em \u201ctravestir-se\u201d \u00e9 apenas espor\u00e1dico.<\/td>\n    <td>Pode simular dupla personalidade (masculina e feminina) com nomes masculinos e femininos.<\/td>\n    <td>Pode assumir uma dupla personalidade. Tend\u00eancia ao transsexualismo.<\/td>\n    <td>Vida social dependente das circunst\u00e2ncias.<\/td>\n    <td>Opera\u00e7\u00e3o cir\u00fargica desejada  e buscada. Frequentemente obtida.<\/td>\n    <td>Enoja-se de seus \u00f3rg\u00e3os sexuais masculinos. Perigo de suic\u00eddio ou de automutila\u00e7\u00e3o, se frustrado por longo per\u00edodo.<\/td>\n  <\/tr>\n  <tr>\n    <td colspan=\"7\">*Ver explica\u00e7\u00e3o no texto adjunto.<br><br>Tipo 0: orienta\u00e7\u00e3o sexual e identifica\u00e7\u00e3o normais, heterossexual ou homossexual. A ideia de \u201ctravestir-se\u201d ou de \u201cmudar de sexo\u201d \u00e9 estranha e desagrad\u00e1vel. Grande maioria das pessoas.<\/td>\n  <\/tr>\n<\/table><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\">Tipologia benjaminiana das mulheres trans.<\/p>\n\n\n\n<p>Como voc\u00ea pode ver na tabela acima, Benjamin criou uma escala que se estende de travesti tipo 1 (travestimento fetich\u00edstico ocasional) a transsexual verdadeiro tipo 6. Uma breve olhada no quadro anterior revelar\u00e1 algo interessante: para que algu\u00e9m possa ao menos conseguir se qualificar como um transsexual, antes mesmo de ser um verdadeiro transsexual, essa pessoa precisa atrair-se sexualmente por homens. Permite-se aos transsexuais serem bissexuais nessa tipologia, mas transsexuais verdadeiros precisam ou ser assexuais ou totalmente atra\u00eddos por homens. Para o dr. Benjamin, a mulher trans ideal \u00e9 uma mulher trans inteiramente heterossexual. Uma mulher trans l\u00e9sbica, em sua teoria, seria apenas uma mera travesti ou fetichista.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Para os pacientes do dr. Benjamin, o lugar em que eles se encaixassem dentro deste esquema poderia ser um fator crucial no acesso \u00e0 assist\u00eancia m\u00e9dica trans. Apenas transsexuais verdadeiros s\u00e3o considerados transsexuais cir\u00fargicos na teoria benjaminiana. Por isso, muitas mulheres trans admitiram terem mentido para conseguir acesso \u00e0 cirurgia, insistindo que eram exclusivamente hetereossexuais, apesar de, na verdade, serem l\u00e9sbicas.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das teorias do dr. Benjamin n\u00e3o serem universalmente aceitas, alguns te\u00f3ricos mais recentes reformularam-nas. Ray Blanchard e J. Michael Bailey, por exemplo, constru\u00edram uma teoria da autoginefilia (amor a si mesmo como mulher) a qual insiste que mulheres verdadeiramente trans s\u00e3o aquelas atra\u00eddas por homens, enquanto que as que afirmam serem atra\u00eddas por outras mulheres s\u00e3o na verdade fetichistas atra\u00eddos sexualmente pela ideia de si mesmos como mulheres. Se nos pautarmos neste arcabou\u00e7o te\u00f3rico, ser uma trans l\u00e9sbica ser\u00e1 imposs\u00edvel. L\u00e9sbicas trans apenas se dizem atra\u00eddas por mulheres, afirma Blanchard, porque elas n\u00e3o compreenderam direito sua pr\u00f3pria atra\u00e7\u00e3o autoer\u00f3tica em rela\u00e7\u00e3o a si mesmas.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ambas teorias, \u00e9 imposs\u00edvel ser uma mulher trans e uma l\u00e9sbica. Especialistas homens insistem em afirmar que sabem mais do que as mulheres trans l\u00e9sbicas, e que na verdade o lesbianismo das mulheres trans de fato orienta-se em torno dos homens, e n\u00e3o verdadeiramente como uma orienta\u00e7\u00e3o sexual em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 outras mulheres.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Dada esta situa\u00e7\u00e3o, parece-me patentemente \u00f3bvio que os discernimentos obtidos pelo feminismo l\u00e9sbico podem ajudar o transfeminismo a explicar a raz\u00e3o desta modalidade de discursos m\u00e9dicos surgir. As teorias de Benjamin, tanto quanto as de Blanchard, s\u00e3o exatamente o tipo de censura criticada por Wittig. Ambas procuram, seja heterossexualizar as mulheres trans ao tornar a ideia de uma l\u00e9sbica trans imposs\u00edvel (ou dar a essa ideia o custo de equivaler a uma ren\u00fancia do acesso \u00e0 assist\u00eancia m\u00e9dica), seja fazer o lesbianismo trans ser na verdade algo relacionado aos homens. Portanto, estes fen\u00f4menos tamb\u00e9m s\u00e3o melhor explicados pela teoria da heterossexualidade compuls\u00f3ria de Rich, imposi\u00e7\u00e3o a qual torna a pr\u00f3pria possibilidade de amor sexual m\u00fatuo entre mulheres imposs\u00edvel, insistindo que mulheres (incluindo as trans) s\u00e3o inatamente atra\u00eddas sexualmente por homens.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Para as muitas mulheres trans que amam outras mulheres, o feminismo l\u00e9sbico pode explicar a censura e a opress\u00e3o [por estas sofridas] baseado na experi\u00eancia particular e \u00fanica do lesbianismo trans. Para enfrentar a dificulta\u00e7\u00e3o ou mesmo impedimento de acesso \u00e0 assist\u00eancia m\u00e9dica, as mulheres trans precisam incorporar a cr\u00edtica feminista l\u00e9sbica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Milit\u00e2ncia trans e feminismo l\u00e9sbico<\/h3>\n\n\n\n<p>Okay. Ent\u00e3o, mostramos o porqu\u00ea do feminismo l\u00e9sbico ainda ser relevante atualmente, e tamb\u00e9m por que o feminismo l\u00e9sbico pode informar o transfeminismo. Resta apenas demonstrar que o transfeminismo pode informar o feminismo l\u00e9sbico. Para tal fim, me atentarei ao excepcional ensaio de Sara Ahmed, <a href=\"https:\/\/feministkilljoys.com\/2015\/02\/26\/living-a-lesbian-life\/\"><em>Vivendo uma Vida L\u00e9sbica<\/em><\/a><em>.<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse texto, Ahmed busca fazer uma an\u00e1lise fenomenol\u00f3gica de como exatamente a vida l\u00e9sbica \u00e9 experienciada, e clama por um feminismo l\u00e9sbico renascido e reorientado. Ahmed clama por um feminismo l\u00e9sbico militante, e que encare o feminismo seriamente como um meio de mudar o mundo. Para a autora, as pr\u00f3prias experi\u00eancias das mulheres trans nos permitem entender como seria o aspecto de tal milit\u00e2ncia.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Ahmed explica que \u201caquelas que precisam insistir em serem mulheres s\u00e3o mulheres voluntariosamente.\u201d. Mulheres trans s\u00e3o obrigadas a constantemente insistirem que s\u00e3o mulheres, apesar dos ataques constantes advindos de dentro do feminismo, da direita, e de dentro de suas pr\u00f3prias comunidades. As mulheres trans entendem de insist\u00eancia militante e organiza\u00e7\u00e3o porque ambas essas coisas foram necess\u00e1rias \u00e0 sobreviv\u00eancia delas. Ahmed condena feministas que n\u00e3o se solidarizam com mulheres trans. Ela explica que elas agem como \u201cvaras de endireitar\u201d que recentram normas heterossexuais e impedem uma vida l\u00e9sbica.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Ahmed n\u00e3o apenas acredita que o transfeminismo \u00e9 capaz de oferecer orienta\u00e7\u00e3o e perspic\u00e1cia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 milit\u00e2ncia para o feminismo l\u00e9sbico, como tamb\u00e9m que ele deve existir em solidariedade com este \u00faltimo. Ela fala:<br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Quando eu pe\u00e7o por uma ressurrei\u00e7\u00e3o da milit\u00e2ncia da figura do feminismo l\u00e9sbico, eu estou imaginando este em uma fundamental e necess\u00e1ria alian\u00e7a com o transfeminismo. Este \u00faltimo tamb\u00e9m trouxe o feminismo de volta \u00e0 vida. E eu posso acrescentar aqui que uma postura anti-trans \u00e9 uma postura anti-feminista; ela \u00e9 contra o projeto feminista de criar mundos para apoiarem aqueles para quem o fatalismo de g\u00eanero (garotos <strong>ser\u00e3o<\/strong> garotos, garotas <strong>ser\u00e3o<\/strong> garotas) \u00e9 fatal; uma senten\u00e7a de morte. N\u00f3s temos que ouvir esse fatalismo como puni\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o: ele \u00e9 a hist\u00f3ria da vara com a qual aquelas que t\u00eam vontades rebeldes ou que desejam rebeldemente (garotos que <strong>n\u00e3o ser\u00e3o<\/strong> garotos, garotas que <strong>n\u00e3o ser\u00e3o<\/strong> garotas) s\u00e3o batidas. N\u00f3s n\u00e3o seremos abatidas. N\u00f3s temos que calar essas vozes anti-trans elevando a nossa pr\u00f3pria voz. Nossas vozes precisam se tornar nossos punhos: Ergam-se! Ergam-se!<br><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>J\u00e1 que, como Ahmed afirmou, sentimentos anti-trans s\u00e3o uma forma de endireitamento, de heterossexualiza\u00e7\u00e3o, de rebater a vida l\u00e9sbica, feministas l\u00e9sbicas devem ser solid\u00e1rias \u00e0 voluntariosa e militante resist\u00eancia das mulheres trans.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Adicionalmente, eu sugeriria que a capacidade das mulheres trans de utilizarem o feminismo l\u00e9sbico para explicar a discrimina\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e a censura fortalece o pr\u00f3prio feminismo l\u00e9sbico e demonstra a utilidade de suas dedu\u00e7\u00f5es, e expande nosso entendimento de como a heterossexualidade \u00e9 central \u00e0 opress\u00e3o das mulheres, tanto das trans como das cis.<br><\/p>\n\n\n\n<p>No fim das contas, \u00e9 percept\u00edvel que o feminismo l\u00e9sbico tem muito a oferecer \u00e0 luta feminista contempor\u00e2nea, e que ele n\u00e3o \u00e9 uma forma antiquada ou inerentemente opressiva de feminismo. Na verdade, o feminismo l\u00e9sbico \u00e9 necess\u00e1rio para entender a pr\u00f3pria experi\u00eancia trans, e para enriquecer nosso entendimento de como todas as mulheres s\u00e3o oprimidas. Ele nos permite pensar a resist\u00eancia contra o patriarcado n\u00e3o simplesmente como empoderamento ou escolha, mas como uma oposi\u00e7\u00e3o militante e estrutural. Ele nos permite entender como mulheres amando outras mulheres serve como uma forma de resist\u00eancia, e atesta a possibilidade de um outro mundo. Um mundo sem a domina\u00e7\u00e3o masculina.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Autora: <\/strong>Alyson Escalante<br><strong>Publicado em:<\/strong> 17 de maio de 2018<br><strong>Original: <\/strong><a href=\"https:\/\/medium.com\/@alysonescalante\/rethinking-lesbian-feminism-1fa15a680a16\">https:\/\/medium.com\/@alysonescalante\/rethinking-lesbian-feminism-1fa15a680a16<\/a><br><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: <\/strong>Eliel Micm\u00e1s [Tradutores Prolet\u00e1rios]<br><strong>Revis\u00e3o:<\/strong> Arthur Bataille [Tradutores Prolet\u00e1rios]<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Arte de capa: <\/strong> Vers\u00e3o editada da imagem utilizada originalmente pela autora. Edi\u00e7\u00e3o por Eliel Micm\u00e1s [Tradutores Prolet\u00e1rios]<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Costuma-se pensar que o transfeminismo e o feminismo l\u00e9sbico s\u00e3o inerentemente opostos um ao outro &#8211; mas para Alyson Escalante, se as duas correntes se dispuserem a entrar em di\u00e1logo, h\u00e1 importantes li\u00e7\u00f5es que uma pode ensinar \u00e0 outra.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_kadence_starter_templates_imported_post":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":""},"categories":[345,1],"tags":[38,45,72,97,101,102,120,128,129,161,167,168,169,170,188,205,215,225,233,235,265,274,292,299,313,316,317,318],"class_list":["post-328","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo-tradutores-proletarios","category-uncategorized","tag-adrienne-rich","tag-alyson-escalante","tag-catharine-mackinnon","tag-desigualdade-de-genero","tag-discurso-medico","tag-divisao-sexual-do-trabalho","tag-estudos-de-genero","tag-feminismo","tag-feminismo-lesbico","tag-harry-benjamin","tag-heteronormatividade","tag-heterossexualidade","tag-heterossexualidade-compulsoria","tag-heterossexualizacao","tag-j-michael-bailey","tag-lesbianismo","tag-machismo","tag-medicina","tag-militancia","tag-monique-wittig","tag-politica","tag-queer","tag-sexismo","tag-sociologia","tag-trabalho","tag-transfeminismo","tag-transfobia","tag-transsexualidade"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.7 - 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