{"id":3258,"date":"2024-06-17T18:41:42","date_gmt":"2024-06-17T18:41:42","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=3258"},"modified":"2024-06-18T22:55:01","modified_gmt":"2024-06-18T22:55:01","slug":"filosofia-dialogo-e-formacao-um-ensaio-a-bento-e-paulo-sobre-uma-filosofia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/06\/17\/filosofia-dialogo-e-formacao-um-ensaio-a-bento-e-paulo-sobre-uma-filosofia-brasileira\/","title":{"rendered":"Filosofia, di\u00e1logo e forma\u00e7\u00e3o: um ensaio a Bento e Paulo sobre uma filosofia brasileira &#8211; Jo\u00e3o Pedro da Silva"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-2f2ea97f13c9b3ec7da97c9776077071\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">Este ensaio prop\u00f5e tratar da possibilidade sobre uma filosofia brasileira a partir das obras <em>O problema da filosofia no Brasil<\/em> e <em>Um departamento franc\u00eas de ultramar<\/em>, de Bento Prado Jr. e Paulo Arantes. A proposta \u00e9 \u201cjogar\u201d com as ideias sobre a forma\u00e7\u00e3o de uma cultura filos\u00f3fica apresentadas nos textos destes dois autores, desde a tese de que n\u00e3o h\u00e1 filosofia nacional independente at\u00e9 de que fora o pr\u00f3prio Bento que \u201cfundou\u201d a <em>filosofia<\/em> no Brasil na forma do ensaio filos\u00f3fico uspiano. De maneira zelosa e ir\u00f4nica, o texto mais tenta refletir sobre em que moldes pode-se falar de tal tema do que a busca em si por uma <em>brasilidade filos\u00f3fica<\/em> <sup data-fn=\"ebb1faa1-e91f-4794-ba07-d941a760c789\" class=\"fn\"><a id=\"ebb1faa1-e91f-4794-ba07-d941a760c789-link\" href=\"#ebb1faa1-e91f-4794-ba07-d941a760c789\">1<\/a><\/sup>.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-9bdc02cac99a4702501c63d8ce4bca5a\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">Que a filosofia lida constantemente com a an\u00e1lise reflexiva dos inqu\u00e9ritos postos ao longo da hist\u00f3ria da filosofia, versando sobre teses tem\u00e1ticas e ideias conceituais no que tange ao trato com o ser humano, talvez n\u00e3o seja de nenhum modo um enigma, por\u00e9m, o que paira no horizonte de incognoscibilidade filos\u00f3fica para os poucos sabidos acerca do campo de conhecimento \u00e9 o zelo, muitas vezes, met\u00f3dico, restrito e rigoroso, com que a filosofia cuida de suas quest\u00f5es. Sobre quais d\u00favidas, perguntar-se-iam, a filosofia trata de discorrer? Ora, n\u00e3o tendo objeto pr\u00f3prio de estudo como a sociologia que examina o indiv\u00edduo organizado socialmente, a antropologia que observa o sujeito na cultura em que reside e a hist\u00f3ria que enxerga a pessoa nos fen\u00f4menos do passado, a filosofia possui liberdade para agir em todos os \u00e2mbitos que bem lhe apetecer. Dizer que todo e qualquer tipo de tema est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da filosofia, de certo modo, tem o sentido de que h\u00e1 uma filosofia como disciplina das ci\u00eancias humanas cuja propriedade intr\u00ednseca \u00e9 ser universal, logo, manifestar qualquer coisa do tipo como uma <em>filosofia alem\u00e3<\/em> e <em>filosofia francesa<\/em> n\u00e3o significa restringir a totalidade independente da filosofia a uma esp\u00e9cie de demarca\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica geo-etnogr\u00e1fica? <sup data-fn=\"67918500-1c8b-4989-bce4-8345d33237dd\" class=\"fn\"><a id=\"67918500-1c8b-4989-bce4-8345d33237dd-link\" href=\"#67918500-1c8b-4989-bce4-8345d33237dd\">2<\/a><\/sup>H\u00e1 um contrassenso em alegar que a filosofia pode ocupar-se de tudo e, ao mesmo tempo, falar que existem t\u00f3picos tem\u00e1ticos centrais costumeiros no cotidiano de uma civiliza\u00e7\u00e3o que molda um pensamento filos\u00f3fico nacional? Em outras palavras, por exemplo, ser\u00e1 correto dizer que um \u201cideal metaf\u00edsico\u201d seja em assunto discorrido por v\u00e1rios fil\u00f3sofos de diversos tempos e lugares, mas que ao mencionar \u201cidealismo\u201d, Kant, Hegel, Schelling e Fichte, prontamente surjam sob o v\u00e9u da filosofia alem\u00e3? Nesse caso, que viria \u00e0 mente ao comunicar a respeito de uma filosofia brasileira? Quais temas e autores seriam levantados de antem\u00e3o?<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-b4107b2a56d7c9ad7b1bfecae219e6ad\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">Quando os professores Marcos Nobre e Jos\u00e9 Marcio Rego, ap\u00f3s longos meses de entrevistas, publicam a obra <em>Conversas com fil\u00f3sofos brasileiros<\/em> (2000) com intuito de reunir dezesseis <em>fil\u00f3sofos brasileiros<\/em> no anseio de tratarem, a partir das diversas perspectivas das mentes intelectuais mais ilustres do que h\u00e1 de poss\u00edvel dizer sobre um pensamento filos\u00f3fico nacional, no tocante \u00e0quilo que a filosofia cl\u00e1ssica at\u00e9 a contempor\u00e2nea discute e a rela\u00e7\u00e3o desta com a cultura brasileira, al\u00e9m dos processos de forma\u00e7\u00e3o da intelectualidade brasileira entrevistada, a quest\u00e3o que paira \u00e9 justamente o convite para uma conversa que inaugura (ironicamente) uma controv\u00e9rsia explorada precisamente nesses escritos: <em>seria poss\u00edvel falar de uma \u201cfilosofia brasileira\u201d e as rela\u00e7\u00f5es entre a filosofia e a cultura brasileira?<\/em> Parece contradit\u00f3ria ideia de convidar \u201cfil\u00f3sofos brasileiros\u201d para explorar a possibilidade de uma \u201cfilosofia brasileira\u201d, mas que permite conjecturar sobre o a forma\u00e7\u00e3o do Brasil e sua cultura na rela\u00e7\u00e3o com o pensamento filos\u00f3fico cl\u00e1ssico.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-48dc5436b867c65dfdb233b18f35466f\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">A t\u00edtulo de congregar aqueles que sup\u00f5em-se terem mais relev\u00e2ncia no que tangem suas falas sobre a filosofia e a cultura brasileira para o progresso reflexivo do texto \u2013 sem a inten\u00e7\u00e3o que teve a Carta ao Jornal de Resenhas da Folha de S\u00e3o Paulo, em 10 de fevereiro de 2001, escrita pelo professor Ricardo Musse com a finalidade de opor-se \u00e0 escolha do agregado erudito reunido na obra supracitada, no qual trata logo de dizer que Balthazar Barbosa Filho e Guido Ant\u00f4nio de Almeida, por exemplo, n\u00e3o possuem \u201cnem mesmo uma colet\u00e2nea de artigos\u201d e que h\u00e1 fil\u00f3sofos brasileiros com publica\u00e7\u00f5es mais extensas e reconhecidas \u2013, observa-se de imediato Bento Prado Jr., Oswaldo Porchat Pereira e Paulo Eduardo Arantes.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-c65bd7c9b4f969bb7b98a5025c8e0c7c\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">Nota-se o balan\u00e7o dial\u00f3gico entre o coletivo filos\u00f3fico brasileiro ao longo de sua forma\u00e7\u00e3o, ou melhor, quem sabe seja cedo para definir o fazimento de um pensamento filos\u00f3fico nos moldes senhoriais da metr\u00f3pole, mas \u00e9 mais correto atestar o nascimento tardio de uma cultura reflexiva localizada na favela do e para o resto do \u201cmundo\u201d \u2013 mais claramente, o mundo europeu com seu idealismo alem\u00e3o, empirismo ingl\u00eas e espiritualismo franc\u00eas que dar-se-ia a entender como territ\u00f3rio epistemol\u00f3gico central de filosofia verdadeira e h\u00e1 quem concorde que assim o seja \u2013 cuja semente prov\u00e9m, devese admitir, da expedi\u00e7\u00e3o ultramarina franc\u00f3fona a partir dos professores e fil\u00f3sofos Jean Maug\u00fc\u00e9, Gilles-Gaston Granger, G\u00e9rard Lebrun e Martial Gueroult \u2013 L\u00e9vi-Strauss veio logo em seguida e, apesar de pertencer ao campo n\u00e3o t\u00e3o bem separado da sociologia, mas deixou seu Arist\u00f3teles nas salas de aulas superaquecidas do pa\u00eds tropical para se dedicar aos seus estudos etnol\u00f3gicos enquanto convivia com os <em>kadiw\u00e9us<\/em> e <em>nambikwara<\/em> na aldeia <em>Wakalitesu<\/em>. Em sua jornada para colonizar a contar com o apoio dos pr\u00f3prios que viriam a ser colonizados, come\u00e7ava-se em 1934 a formar-se no pa\u00eds um Departamento de Filosofia na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e a prepara\u00e7\u00e3o do ambiente para aqueles indiv\u00edduos que n\u00e3o possu\u00edam uma filosofia autoral, mas tinham o desejo imanente para tal, e por isso importaram os processos de leitura e interpreta\u00e7\u00e3o para an\u00e1lise dos textos filos\u00f3ficos pelo exame estrutural dos sistemas e o m\u00e9todo estrutural dogm\u00e1tico com tais concep\u00e7\u00f5es sendo herdadas, a princ\u00edpio, pelo texto <em>O ensino de filosofia e suas diretrizes<\/em> (1954), onde o \u201cdocente-intelectual\u201d nos \u00e9 apresentado como uma concep\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica entre aquilo que j\u00e1 se sabe e o que h\u00e1 de saber, sob uma rela\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica do professor e estudante, notoriamente, t\u00e9cnica diferente do historicismo de Jo\u00e3o Cruz Costa \u2013 Professor Assistente de Jean Maug\u00fc\u00e9 \u2013 que enxerga a forma\u00e7\u00e3o do pensamento filos\u00f3fico brasileiro atrav\u00e9s do conhecimento da hist\u00f3ria das ideias e ao psicologismo de \u00c1lvaro Vieira Pinto quando a teoria ideol\u00f3gica da dial\u00e9tica marxista e psicologia existencialista da autenticidade resultam em uma metaf\u00edsica da consci\u00eancia nacional, conjuntando repert\u00f3rio te\u00f3rico e entendimento das no\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas para o <em>vir-a-ser<\/em> do devir fil\u00f3sofo e da sa\u00edda do ensaismo amador para o profissinalismo, Maug\u00fc\u00e9, pelo convite de George Dumas, j\u00e1 embarcado no <em>paquebot<\/em> Mendoza e em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Ba\u00eda de Guanabara, trazia consigo a m\u00e1xima kantiana que influenciaria o ensino de filosofia no Brasil, cita-se: \u201cn\u00e3o se ensina filosofia, ensina-se a filosofar\u201d.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-e2535526ef516b039f2026f84acbd53c\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">Nessa primeira acep\u00e7\u00e3o, at\u00e9 um dado limite, a filosofia \u00e9 dial\u00e9tica. Aparenta ser rude reduzir essa disciplina cujo conceito n\u00e3o findou em consenso at\u00e9 hoje, apesar disso n\u00e3o se pretende de modo algum caracterizar o estudo das quest\u00f5es humanas a uma simples conversa de botequim onde colegas se encontram para beber e discorrer sobre as adversidades e bonitezas de suas exist\u00eancias \u2013 Talvez Bento e Porchat n\u00e3o ligassem tanto dessa proposi\u00e7\u00e3o quando levavam Arantes para os bares da Vila Buarque. O trabalho mais recente que possa exemplificar, talvez seja <em>O que \u00e9 a filosofia?<\/em> (2010 [1992]), de Gilles Deleuze e F\u00e9lix Guattari \u2013 dois franceses, n\u00e3o \u00e9 de se espantar que se o antigo ditado diz <em>omn\u0113s viae d\u016bcunt R\u014dmam<\/em> <sup data-fn=\"210e9de7-028b-4a0f-bcd3-57101d9c440c\" class=\"fn\"><a id=\"210e9de7-028b-4a0f-bcd3-57101d9c440c-link\" href=\"#210e9de7-028b-4a0f-bcd3-57101d9c440c\">3<\/a><\/sup>, no caso da filosofia para o presente texto, todos os trajetos levam ao reino de Lu\u00eds XIV \u2013, obra onde a filosofia aparece como uma disciplina que cria conceitos, diferentemente da arte e ci\u00eancia, e o fil\u00f3sofo como esse sujeito que re\u00fane, mistura e combina esses componentes complexos da multiplicidade do real na forma de um nome conceitual. Essa \u00faltima obra de Deleuze, um escrito da <em>velhice<\/em>, procura dar significado \u00e0 trajet\u00f3ria do fil\u00f3sofo atrav\u00e9s de um estilo discursivo elaborado pelos esp\u00edritos mais s\u00e1bios da hist\u00f3ria da filosofia, a saber: o <em>elogio<\/em> da filosofia. Arantes comenta sobre essa praxe charmosa no evento \u201cFilosofia e vida nacional: 25 anos de \u2018Um Departamento Franc\u00eas de Ultramar\u2019\u201d, realizado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH), o nome da palestra levava o t\u00edtulo de \u201cPor que fil\u00f3sofo hoje?\u201d, refer\u00eancia \u00e0 mesa-redonda \u201cPor que fil\u00f3sofo?\u201d de 1975 e ao texto de Bento Prado Jr., <em>Profiss\u00e3o: fil\u00f3sofo<\/em> (1980) em que discute o v\u00ednculo institucional e utilit\u00e1rio da filosofia para o ser fil\u00f3sofo.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-16c70c49b79414c605d652cd1a7d5fb1\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">O mesmo Bento e seu colega Porchat, \u201cdiscutem\u201d dialeticamente ao longo de toda as suas vidas, representando sen\u00e3o o <em>conflito das filosofias<\/em> \u2013 refer\u00eancia \u00e0 aula inaugural de 1968 e ao texto publicado no ano seguinte \u2013, ent\u00e3o o conflito dos fil\u00f3sofos. Tal embate entre Porchat e os fil\u00f3sofos fora proposi\u00e7\u00e3o para a organiza\u00e7\u00e3o de col\u00f3quios que contribuiriam para a discuss\u00e3o filos\u00f3fica organizada e a reuni\u00e3o dos mais bens quistos intelectuais nacionais e estrangeiros, desde a d\u00e9cada de 1970, a partir do preparo de congressos de filosofia que, como afirmou Guido de Ant\u00f4nio Almeida, fora um dos aspectos vitais para a figura de Porchat como fil\u00f3sofo brasileiro. Ali\u00e1s, Porchat baseara sua filosofia no senso comum em equil\u00edbrio com o ceticismo pirr\u00f4nico antigo, isto \u00e9, um neopirronismo como um saber do mundo, n\u00e3o dogm\u00e1tico, em que a atua\u00e7\u00e3o como fil\u00f3sofo e homem comum transformar-se entre o levantar voo da coruja de Minerva no crep\u00fasculo. Mas pensar a filosofia da maneira que ela quer que pensemos foi o inverso que este fez e, mais ainda, Porchat criticara a metodologia uspiana como um sistema doutrin\u00e1rio de m\u00e9todos estruturais dogm\u00e1ticos. Bento falaria de um estilo particular, mas concorda com Porchat quando ambos afirmam que n\u00e3o h\u00e1 uma filosofia brasileira, mas um certo rigor filos\u00f3fico de trabalhos escritos por brasileiros profissionais em filosofar que desenvolveram uma cultura reflexiva. Ora, n\u00e3o h\u00e1 nada que expresse um bojo tupiniquim em compara\u00e7\u00e3o e contraste \u00e0 filosofia da metr\u00f3pole? Em Porchat e Bento j\u00e1 viu-se que n\u00e3o h\u00e1 nada de parecido com o que se diz sobre uma filosofia brasileira nos moldes chuavinistas, essa n\u00e3o \u00e9 a ideia, mas continuamos na chave da interpreta\u00e7\u00e3o de meditar na forma\u00e7\u00e3o de uma cultura filos\u00f3fica no Brasil como um novo estilo textual e, pelo visto, Jos\u00e9 Arthur Giannotti, ainda que de maneira cr\u00edtica, prop\u00f5e uma proto-filosofia brasileira como aquilo concretado no ser social e fundado naquilo que Arantes nomeou como \u201covo da serpente\u201d no que diz respeito a uma ontologia regional do ser humano em <em>Trabalho e reflex\u00e3o<\/em> (1983) em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 sociologia da USP que compreende a forma\u00e7\u00e3o de uma cultura reflexiva como um pensamento nacional de int\u00e9rpretes do Brasil, como Gilberto Freyre, S\u00e9rgio Buarque de Holanda e Antonio Candido. Marilena Chau\u00ed, de modo semelhante, mas talvez nem um pouco satisfeita com isso e essa aproxima\u00e7\u00e3o com Giannotti, fala acerca de contribui\u00e7\u00f5es brasileiras para uma cultura filos\u00f3fica regional, esta \u00faltima como um uno filos\u00f3fico que adquire estrutura, tradi\u00e7\u00e3o e din\u00e2mica com as ideias e pensamentos das diversas culturas filos\u00f3ficas e que nota-se pela forma\u00e7\u00e3o do departamento de filosofia na USP.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-2c46f9720a46cd39e171317bf2b8579a\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">A elite intelectual paulistana j\u00e1 estava degustando dos frutos nacionais, de modo antropof\u00e1gico, desde o final do s\u00e9culo XIX, dadas as tend\u00eancias econ\u00f4micas, sociais e culturais que Antonio Candido identificara em <em>Forma\u00e7\u00e3o da literatura brasileira<\/em> (2000) como sendo a contradi\u00e7\u00e3o do pragmatismo lusitano e o formalismo escol\u00e1stico no que tange os respaldos nas obras brasileiras por expoentes como, talvez o mais c\u00e9lebre entre eles, Machado de Assis. Tal fato consumado exposto por Candido denota a necessidade e vontade de uma literatura propriamente local e, da mesma forma que seu mestre, Arantes reconhece o mesmo anseio da comunidade intelectual paulista, agora no que tem sede por beber de uma filosofia que se diga <em>filosofia brasileira<\/em> como uma forma\u00e7\u00e3o de pensamento filos\u00f3fico na cultura brasileira. A trajet\u00f3ria historicista um pouco semelhante com a de Jo\u00e3o Cruz Costa, mas de maneira alguma historiogr\u00e1fica, empreendida por Arantes em <em>Um Departamento Franc\u00eas de Ultramar<\/em> (1994) enxerga criticamente a forma\u00e7\u00e3o de uma cultura filos\u00f3fica no Brasil, em sentido candiano, como a cria\u00e7\u00e3o institucional do curso de Filosofia na USP e a profissionaliza\u00e7\u00e3o dos fil\u00f3sofos pelas t\u00e9cnicas importadas pela expedi\u00e7\u00e3o ultramarina cuja cultura filos\u00f3fica europeia n\u00e3o pode ser indissoci\u00e1vel. Houve um choque dos professores em miss\u00e3o ao observarem que os estudantes sabiam daquilo que mais estava em voga na atualidade do que propriamente os cl\u00e1ssicos filos\u00f3ficos e, por isso, a \u00eanfase no estudo das obras que compunham marcos na hist\u00f3ria da filosofia para compreens\u00e3o das ideias dos fil\u00f3sofos. A princ\u00edpio, Porchat era favor\u00e1vel ao teor parcimonioso do m\u00e9todo estruturalista, por\u00e9m a vis\u00e3o comum de mundo neopirr\u00f4nica e a perspectiva n\u00e3o dogm\u00e1tica de sua filosofia passaram a coloc\u00e1-lo ao mesmo lado de Bento e Paulo e, dessa forma, todos estes juntamente com Maug\u00fc\u00e9, quando tratam do aprender a filosofar baseados nos polos da criatividade e criticidade.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-dd78e4d079452dfee06d20ba4e73c9a6\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">Para n\u00e3o pensarem que o ego de Maug\u00fc\u00e9 esteja sendo inflado por toda essa digress\u00e3o \u2013 como benquereria que, talvez, Giannotti fizessem \u00e0 sua pessoa como ao <em>fil\u00f3sofo-deus<\/em> no sonho de Porchat \u2013, evocamos mais detalhadamente a figura de Gilles Gaston Granger, fil\u00f3sofo e professor de l\u00f3gica e epistemologia, dizia em um per\u00edodo que a t\u00e9cnica como uma pr\u00e1tica humana anterior ao m\u00e9todo cient\u00edfico j\u00e1 n\u00e3o era a regra, tamb\u00e9m assumia uma postura filos\u00f3fica requintada quando indica que h\u00e1 um certo estilo filos\u00f3fico que exige uma certa maneira de viver. Tal estilo figura performativamente a filosofia, alguns mais do que outros, por\u00e9m \u00e9 certo que para que haja um Machado na filosofia, este deva ir al\u00e9m do pensamento te\u00f3rico convencional estruturalista. De in\u00edcio, se Bento n\u00e3o fora capaz de reconhecer a exist\u00eancia de uma cultura filos\u00f3fica pela falta de pot\u00eancia estil\u00edstica representativa, pois via essa mais como um g\u00eanero de car\u00e1ter ensa\u00edstico, mas n\u00e3o somente isso, fora Arantes, sob a no\u00e7\u00e3o de estilo de Granger, que reconhecera na estampa do pr\u00f3prio Bento a ef\u00edgie elevada de um estilo de filosofia como um certo modo de indaga\u00e7\u00e3o <em>sui generis<\/em> da realidade que perpassava a literatura brasileira para o nascimento da filosofia como um estilo de prosa na forma do ensaio filos\u00f3fico uspiano. Na concep\u00e7\u00e3o de Bento acerca da literatura, esta tem car\u00e1ter intelectivo que \u00e9 causa do conhecimento e, mais ainda, sobre a literatura brasileira, a leitura liter\u00e1ria provoca entendimento do Brasil. Entende-se na apreens\u00e3o do fil\u00f3sofo e na releitura de Arantes que, para tratar da possibilidade de uma cultura reflexiva, antes dever-se-ia atravessar o crivo da literatura nacional, sendo que fora ela agenciadora de um pensamento local cr\u00edtico quando antes n\u00e3o havia aquilo que se conheceria como disciplinas das humanidades.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-34ebb9981c3b4ea9665544bef476bc24\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">Volta-se o olhar para a <em>musa do departamento,<\/em> nas palavras de Paulo Arantes. Bento \u00e9 quem transforma a impossibilidade discursiva conjuntural de uma cultura filos\u00f3fica cr\u00edtica em uma necessidade te\u00f3rico-pr\u00e1tica de um pensamento filos\u00f3fico cultural uspiano, atrav\u00e9s do papel do fil\u00f3sofo como indiv\u00edduo que confronta aquilo que se tem por mais garantido atrav\u00e9s do estilo da indaga\u00e7\u00e3o. Apesar disso, a transforma\u00e7\u00e3o pela ag\u00eancia n\u00e3o se faz pelo campo unicamente da linguagem como discurso e como entendia G\u00e9rard Lebrun acerca da filosofia como <em>um modo de falar<\/em>, por\u00e9m em sentido material como o sujeito que \u00e9 professor universit\u00e1rio de filosofia e age e reage sobre o mundo. Bento escreve para a <em>Aut-Aut, Rivista di Filosofia e Cultura<\/em> um texto publicado como <em>O problema da filosofia no Brasil<\/em> (1985 [1969]) em que, como o pr\u00f3prio t\u00edtulo sugestiona, discute a problem\u00e1tica ao se dizer sobre uma filosofia no Brasil. Havia algo na maneira de pensar de Bento que em uma certa \u00e9poca se assemelhava \u00e0 vis\u00e3o estruturalista e esquerdista de Cruz Costa, mas que <em>a posteriori<\/em> \u00e0 confer\u00eancia na Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Araraquara, ao texto <em>Cruz Costa e herdeiros nos idos de 60<\/em> (1985) \u2013 posteriormente publicado em Um Departamento Franc\u00eas de Ultramar \u2013 e aos cont\u00ednuos di\u00e1logos de vida com seu orientando Paulo Arantes, sucedeuse ao prolongamento institucionalizado e mediato da discuss\u00e3o entre Bento e Arantes. Nisso, de volta ao texto de Bento, ele identifica exig\u00eancias irrevog\u00e1veis para a constitui\u00e7\u00e3o organizada e engajada de um pensamento filos\u00f3fico regional. Uma delas \u00e9, talvez a de car\u00e1ter mais indispens\u00e1vel, a independ\u00eancia espiritual do ser fil\u00f3sofo como aut\u00f4nomo de sua filosofia cujo aperfei\u00e7oamento de modo algum pode estar tangenciando por uma perspectiva ideol\u00f3gica desenvolvimentista e utilit\u00e1ria da na\u00e7\u00e3o. Para tal corol\u00e1rio, fez-se a an\u00e1lise cr\u00edtica das ideias flutuantes de Cruz Costa e Vieira Pinto, respectivamente, ao historicismo e psicologismo, exemplares de filosofia nacional, como ideologias dependentes e que dispensam a a\u00e7\u00e3o emancipada que a verdadeira filosofia exige de antem\u00e3o. Analogamente, o rito cultural antigo japon\u00eas, <em>ubasute<\/em> <sup data-fn=\"b26dbb27-b674-4f5c-a790-6afc80c891fd\" class=\"fn\"><a id=\"b26dbb27-b674-4f5c-a790-6afc80c891fd-link\" href=\"#b26dbb27-b674-4f5c-a790-6afc80c891fd\">4<\/a><\/sup>, imita essa rela\u00e7\u00e3o disforme da cultura filos\u00f3fica no Brasil quando a <em>filosofia<\/em>, assim como a idosa senhora est\u00e1 pr\u00f3xima da morte e se v\u00ea como inc\u00f4modo, \u00e9 abandonada pelos intelectuais em proveito do desenvolvimento de um grupo, fam\u00edlia, comunidade ou, nesse caso, de um governo. Nisto, o historicismo e psicologismo em nenhum momento poderiam qualificar-se como filosofias, no m\u00e1ximo, ideologias de um pensamento pragm\u00e1tico importado de Portugal para o Brasil sob o argumento do \u201cprogresso nacional\u201d.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-271954eac637baa9a10670e8bac3e5f5\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">Se o Brasil carece, n\u00e3o somente disso, mas tamb\u00e9m de um pensamento reflexionante aut\u00f4nomo dado o pragmatismo portugu\u00eas empresarial crescente, n\u00e3o somente por isso, mas tamb\u00e9m \u00e9 pela pouquidade de um sistema filos\u00f3fico, ou seja, uma tradi\u00e7\u00e3o material aut\u00f4noma pelo conjunto de obras que constituem uma heran\u00e7a filos\u00f3fica de um agregado textual erudito. Afirmar que n\u00e3o h\u00e1 sistema filos\u00f3fico brasileiro autossuficiente n\u00e3o significa dizer que n\u00e3o haja escritos particulares de autores aut\u00f4nomos, mas reiterar que h\u00e1 patente aus\u00eancia de di\u00e1logo entre Cruz Costa e Vieira Pinto, por exemplo e, mais ainda, o desprovimento de requinte estil\u00edstico exclusivo dos fil\u00f3sofos. As obras avulsas como partes de um todo intelectivo nacional n\u00e3o o contemplam, pois seus encaixes s\u00e3o distintos entre si e as pe\u00e7as s\u00e3o de quebra-cabe\u00e7as diferentes daquele que se pretende organizar. Bento fia-se \u00e0 \u00f3tica de Antonio Candido quando cr\u00edtica e inspeciona a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de uma cultura filos\u00f3fica sobre os termos necess\u00e1rios para tal alcance, dessa forma, relaciona o exame candiano no que se refere o desejo pulsante da elite intelectual paulistana em ter sua pr\u00f3pria literatura ao que exigir-se-ia da filosofia enquanto movimento cultural de um pensamento filos\u00f3fico regional. Por conseguinte, o problema do Brasil como sendo o pr\u00f3prio Brasil, falha na omiss\u00e3o de uma tradi\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma como um sistema dial\u00f3gico heterog\u00eaneo, forma\u00e7\u00e3o no desejo estrutural do p\u00fablico e estilo particular de (re)criar o real. Nesse caminho, Bento est\u00e1 cotejando o <em>vir-a-ser<\/em> da filosofia segundo o <em>ser<\/em> da literatura. Fazer filosofia no Brasil, dessa forma, exprime uma necessidade intr\u00ednseca com a cultura brasileira cuja presen\u00e7a est\u00e1 entrela\u00e7ada \u00e0 literatura nacional que \u00e9 livre e desobrigada, logo, Bento aparenta ter certo limite de raz\u00e3o quando d\u00e1 a entender que o registro de nascimento de uma cultura filos\u00f3fica brasileira ainda n\u00e3o foi lavrado. O hiato gestacional da filosofia semelha mais do que o tempo de gravidez de uma ali\u00e1 e se a filosofia \u00e9 o feto no \u00fatero que h\u00e1 de nascer e lan\u00e7ar sua voz ao mundo, a literatura brasileira, nesse caso, maternalmente zela pelo amadurecimento saud\u00e1vel de sua prole. Ora, diz Bento, se pudesse conjecturar o nascimento dessa, pelo contr\u00e1rio, jamais poder-se-ia prever quem se assemelharia ao Machado em tal caso. Quem \u00e9 que inaugura esse novo tempo de exame filos\u00f3fico na periferia do capital? Nada obstante, a filosofia \u00e9 composta por momentos indissoci\u00e1veis e cont\u00ednuos ao inv\u00e9s de acontecimentos fixos na superf\u00edcie temporal \u2013 aqui reside o Bergson de Bento \u2013, ou melhor, a arte nos moldes do entendimento do g\u00eanio de Kant n\u00e3o \u00e9 encetada com o nascimento de um indiv\u00edduo divino e dotado de dom para o belo, por\u00e9m irrompe em conjunto pelas experi\u00eancias que antepassaram sua exist\u00eancia e a sua respectiva viv\u00eancia particular que decorre da materialidade da vida. N\u00e3o obstante, nem tanto com a inten\u00e7\u00e3o de discordar ainda mais de Bento, mas sim de salientar o que Arantes t\u00e3o bem destacou em seus escritos de g\u00eanese de uma cultura de pensamento filos\u00f3fico paulista: a filosofia j\u00e1 nasceu e <em>a nossa p\u00e1tria m\u00e3e t\u00e3o distra\u00edda<\/em> nem percebera.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-53b474099b140f7b3e555add9422d4f5\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">Em <em>certid\u00e3o de nascimento<\/em>, segundo cap\u00edtulo de sua obra dedicada ao seu mestre Bento, Arantes assegura a carta de alforria da filosofia pelo processo de forma\u00e7\u00e3o de uma cultura intelectual uspiana a partir da expedi\u00e7\u00e3o francesa nos 1930. Novamente, a figura de Maug\u00fc\u00e9 \u00e9 celebrada como aquele que reuniu as duas partes da filosofia em um modo de agir. Gilda de Mello e Souza que relacionou as aulas de seu mestre como um acrobata que al\u00e7a voo inigual\u00e1vel e encanta a plateia, observou o vislumbre da <em>equivaless\u00eancia<\/em> entre a t\u00e9cnica e inventividade. Se a filosofia \u00e9 a intersec\u00e7\u00e3o do amadorismo da moda intelectual sem tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica e a mecaniza\u00e7\u00e3o extrate\u00f3rica do m\u00e9todo estrutural dogm\u00e1tico, o ser filos\u00f3fico did\u00e1tico poder-se-ia dizer \u00e9 justamente a persona de Maug\u00fc\u00e9 que na aula <em>filosofa<\/em>, muito distintamente do que se experienciava na C\u00e1tedra do Largo S\u00e3o Francisco, os estudantes eram tocados por quem at\u00e9 mesmo Oswald de Andrade, cr\u00edtico dos universit\u00e1rios, possu\u00eda algum respeito pelo modo de ensinar. Parece que os ensinamentos em forma de sementes de Jean Maug\u00fc\u00e9 geraram ra\u00edzes cujos brotos vieram mostrar-se na pessoa de Bento Prado Jr. Em <em>A musa do departamento<\/em>, s\u00e9timo cap\u00edtulo, Bento \u00e9 a \u00e1ster que floriu do p\u00f3 da estrela que foi Maug\u00fc\u00e9, pois ia mais adiante da filosofia. Arantes quem elegera o estilo de indaga\u00e7\u00e3o de Bento como parte da mudan\u00e7a filos\u00f3fica na cultura regional que fora aspecto not\u00e1vel na forma\u00e7\u00e3o da cultura filos\u00f3fica uspiana atrav\u00e9s de uma nova maneira de ensaio, <em>\u00e0 la<\/em> Montaigne, salientou que ele tinha apetite pela literatura quase como um h\u00e1bito bo\u00eamio transcendental ao mesmo tempo que a gana profissional de t\u00e9cnicas emolduravam o seu saber criativo em uma forma textual coesa e coerente. A s\u00edntese entre o t\u00e9cnico e o artista. Foi Antonio Candido que identificara que o alargamento do esp\u00edrito nacional brasileiro ocorria em fun\u00e7\u00e3o da massa liter\u00e1ria como raz\u00e3o para o florescimento filos\u00f3fico e, especificamente, Bento era a express\u00e3o desse caso, pois <em>era uma literatura errante envolta de filosofia<\/em>. A mesma universidade uspiana n\u00e3o lograva em at\u00e1-lo \u00e0s amarras te\u00f3ricas doutrin\u00e1rias dos sistemas e t\u00e9cnicas de leitura dogm\u00e1tica estruturalista, pois Bento, em especial, assim como Giannotti, Fausto, Porchat, Arantes e Chau\u00ed que sob o dom\u00ednio do entendimento desta \u00faltima fil\u00f3sofa, reitera-se que a filosofia \u00e9 mais do que uma profiss\u00e3o, antes de tudo, \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o genu\u00edna. Bento era mais do que a profiss\u00e3o <em>fil\u00f3sofo<\/em> e o processo de empresariza\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o em organiza\u00e7\u00e3o pelo aspecto do capitalismo acad\u00eamico n\u00e3o fora capaz de restringi-lo, uma vez que algo de ornamental aprimorava a profissionaliza\u00e7\u00e3o da filosofia dele pelo trato engenhoso da literatura. Bento \u201ccriou\u201d um g\u00eanero de prosa pela ensaio na cultura filos\u00f3fica uspiana pelo nexo arantesiano de que era t\u00e3o banhado pelo uno dual\u00edstico da profiss\u00e3o metodol\u00f3gica da leitura e escrita e a lapidada express\u00e3o art\u00edstico-liter\u00e1ria, que seu estilo reflexivo-cr\u00edtico culminou no aprimoramento de um novo modo de filosofar atrav\u00e9s do ensaiar textual.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-e5d66975d89fb8413ae42785749ab009\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">Conv\u00e9m dizer que Bento possui toda a pinta moldada de fil\u00f3sofo, desde o estilo \u00e0 sala de aula, e assemelha aos que poucos sabem ou que <em>pensam<\/em> que acham que sabem, ser o \u201cpai\u201d fundador de um novo modo ensa\u00edstico de filosofar no Brasil \u2013 longe de qualquer tipo de nacionalismo \u2013 e que ele \u201cfez\u201d acontecer o momento de anuncia\u00e7\u00e3o da virada filos\u00f3fica para os ouvidos excitados da elite intelectual paulistana. Mas, Bento tanto est\u00e1 para criador de uma filosofia essencialmente nacionalista quanto est\u00e1 a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica pelo grito nas margens do Riacho do Ipiranga ou o plebiscito de um governo neofascista como marco da barbaridade. N\u00e3o h\u00e1 pretens\u00e3o alguma de desmerec\u00ea-lo, na verdade, a exalta\u00e7\u00e3o da figura do fil\u00f3sofo vem justamente pela rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica que possui para com os outros companheiros. Se Bento fora t\u00e3o extraordin\u00e1rio como sabem que ele o foi, tamb\u00e9m se sabe que era devido a constante e intensa discuss\u00e3o filos\u00f3fica que possu\u00eda com seus interlocutores. Bento Prado Jr., Paulo Arantes, Oswaldo Porchat, Marilena Chau\u00ed, Ruy Fausto e Jos\u00e9 Arthur Giannotti formam uma liga\u00e7\u00e3o interdependente no qual seus v\u00e9rtices s\u00e3o independentes entre si. H\u00e1 um jogo recreativo entre estes em que o tema filos\u00f3fico, objeto da brincadeira, constantemente \u00e9 lan\u00e7ado e relan\u00e7ado, batido e rebatido, formando um jogo dial\u00f3gico \u2013 a express\u00e3o possui mais serventia para Bento e Porchat, por exemplo, do que para Giannotti e Fausto, onde o que acontece, na verdade, \u00e9 uma luta filos\u00f3fica de controversias entre ambos. Poder-se-ia dizer, al\u00e9m disso, que houvera uma pequena tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica problem\u00e1tica no Brasil e que, conforme Arantes reconhece, foi resolvida por Bento dado o seu estilo filos\u00f3fico. Ele n\u00e3o est\u00e1 nem um pouco errado ao dizer sobre a persona eminente de seu mestre, por\u00e9m isso de forma alguma poderia ser poss\u00edvel sem os aspectos retrospectivos expressados anteriormente por um certa dial\u00e9tica <sup data-fn=\"fe42a229-e2ae-4f4e-a487-e5977437e60f\" class=\"fn\"><a id=\"fe42a229-e2ae-4f4e-a487-e5977437e60f-link\" href=\"#fe42a229-e2ae-4f4e-a487-e5977437e60f\">5<\/a><\/sup>. Bento n\u00e3o foi fil\u00f3sofo porque indagava, mas questionava e por isso era fil\u00f3sofo, investigava pela filosofia e literatura como quem caminha despreocupado com o dia e logo percebe que j\u00e1 \u00e9 noite. Caminhava com Porchat e Arantes, <em>devaneava<\/em> sem perder o rumo da estrada, visto que estava muito bem acompanhado de uma agrad\u00e1vel comitiva filos\u00f3fica.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-3d4849eec3d744546fc086a8d11b33c5\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">A figura de Bento \u00e9, talvez, a express\u00e3o m\u00e1xima da experi\u00eancia filos\u00f3fica que Arantes e Chau\u00ed tanto j\u00e1 trataram, visto a insatisfa\u00e7\u00e3o com o processo de forma\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica at\u00e9 o momento nos moldes metodol\u00f3gicos da metr\u00f3pole. O estruturalismo importado para o molde uspiano jamais poderia formar seus estudantes rumo ao desenvolvimento de uma tradi\u00e7\u00e3o de uma cultura filos\u00f3fica \u2013 pois, na ideia parafraseada de Olg\u00e1ria Matos sobre a primeira aula de Chau\u00ed, querer-se-ia sempre <em>mais e mais<\/em> do fil\u00f3sofo do que um simples semin\u00e1rio de filosofia, pretende-se sempre mais do pr\u00f3prio fil\u00f3sofo \u2013, mas isto n\u00e3o somente pelas t\u00e9cnicas de leitura de textos que mais modelavam historiadores da filosofia do que fil\u00f3sofos, por\u00e9m por n\u00e3o haver algo de uma \u201cbrasilidade filos\u00f3fica\u201d. Pouco importava para estes autores sobre um instinto de nacionalidade particular, uma vez que mais parecia uma ideologia nacionalista da vontade de uma filosofia brasileira, logo, Bento, Porchat e Arantes mais estavam para fil\u00f3sofos despatriados de esquerda do que um movimento filos\u00f3fico ufanista. \u00c0 vista disso, o problema da filosofia no Brasil somente se mostra como contratempo quando visto pela perspectiva substancialista em que haveria uma brasilidade, entretanto, fixando-se pela \u00f3tica da forma\u00e7\u00e3o de uma cultura filos\u00f3fica brasileira a partir da tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, percebe-se que Bento, n\u00e3o somente, por\u00e9m com mais pujan\u00e7a e charme, talvez, resolveu transformar a vontade de filosofia em necessidade ativa, conjuntando as caracter\u00edsticas das t\u00e9cnicas de leitura estrutural de textos com a criatividade expressa pela bagagem cultural advinda da literatura nacional e, qui\u00e7\u00e1 a engrenagem fundamental: o cont\u00ednuo jogo dial\u00e9tico entre o seu estilo de indaga\u00e7\u00e3o e as contraposi\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas de Porchat e Arantes. \u00c9 correto dizer que a filosofia nunca teve o seu Machado, mas sim seus <em>machadinhos<\/em> como um coletivo filos\u00f3fico independentes entre si.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-9-color has-theme-palette-6-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-f2e71f808f2285f679dde6d967911f69\"><p class=\"has-theme-palette-9-color has-theme-palette-6-background-color has-text-color has-background has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\"><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-a11fbed9866734e2a4ec4139743b1338\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">ARANTES, Paulo. <strong>Um Departamento Franc\u00eas de Ultramar<\/strong>: estudos sobre a forma\u00e7\u00e3o sobre a forma\u00e7\u00e3o da cultura filos\u00f3fica uspiana (Uma experi\u00eancia nos anos 60). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021 [1994].<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-d092ad9d98979a71b160257b425891d4\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">_________________. <strong>Cruz Costa e herdeiros nos idos de 60<\/strong>. Porto Alegre, L&amp;PM UNICAMP\/UFRGS, Revista Filosofia Pol\u00edtica, n\u00ba 2, 1985.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-26cea42cb2b7a472261ad263e4565488\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">CANDIDO, Antonio. <strong>Forma\u00e7\u00e3o da literatura brasileira<\/strong>: momentos decisivos. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 2000.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-c2b5a1d7ae3e8d5addbbf90a5f8e4246\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">DELEUZE, Gilles; GUATTARI, F\u00e9lix. <strong>O que \u00e9 a filosofia?<\/strong> Tradu\u00e7\u00e3o de Bento Prado Jr. e Alberto Alonzo Mu\u00f1oz. Rio de Janeiro: Editora 34, 2010.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-1106919a893f544115bea7fb9e0521e5\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">GIANNOTTI, Jos\u00e9 Arthur. <strong>Trabalho e reflex\u00e3o<\/strong>: ensaios para uma dial\u00e9tica da sociabilidade. S\u00e3o Paulo: Editora Brasiliense, 1983.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-5542a25754f116de2f6c9fdc58cf9963\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">MAUG\u00dc\u00c9, Jean. <strong>O ensino de filosofia e suas diretrizes<\/strong>. Belo Horizonte: Kriterion, vol. 7, n\u00ba 29-30, p. 224-234, 1954.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-a4d888a1f4646f2b4c18d6d3ffc297c1\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">MUSSE, Ricardo. <strong>Da milit\u00e2ncia pol\u00edtica \u00e0 filosofia<\/strong>. Um panorama da filosofia brasileira. S\u00e3o Paulo: Folha de S\u00e3o Paulo, Jornal de Resenhas: [10\/02\/2001]. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/resenha\/rs1002200103.htm. Acesso em: 19 nov. 2023.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-c8230ef1b6d97b6305ffa3f42f8d542a\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">NOBRE, Marcos; REGO, Jos\u00e9 M\u00e1rcio. <strong>Conversas com fil\u00f3sofos brasileiros<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2000.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-1ba675f56b36a43c0df50859dd0c5b6b\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">PORCHAT, Oswaldo. <strong>O conflito das filosofias<\/strong>. Revista Sk\u00e9psis, vol. 7, n\u00ba 11, p. 1-13, 2014.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-b64971e4b44d48cc667a830c59e66401\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">PRADO JR., Bento. <strong>Profiss\u00e3o: fil\u00f3sofo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Cadernos PUC, Educ\/Cortez Editora, vol. 1, p. 15-32, 1980.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color wp-elements-52b039ed7d9dbd14b90875398f3346a6\"><p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-asap-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Asap\">__________________. <strong>O problema da filosofia no Brasil<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Max Limonad, 1985.<\/p><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"ebb1faa1-e91f-4794-ba07-d941a760c789\">Meus mais sinceros agradecimentos ao professor Silvio Rosa, cujas aulas na gradua\u00e7\u00e3o no curso de filosofia sempre me foram de grande valia assim como sua orienta\u00e7\u00e3o e di\u00e1logos que estabelecemos e proporcionaram que a constru\u00e7\u00e3o desse texto fosse poss\u00edvel. <a href=\"#ebb1faa1-e91f-4794-ba07-d941a760c789-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"67918500-1c8b-4989-bce4-8345d33237dd\">Adota-se uma divis\u00e3o da hist\u00f3ria da filosofia sobre a perspectiva epistemol\u00f3gica geo-etnogr\u00e1fica para fundamento das bases do presente ensaio para discuss\u00e3o da possibilidade ou n\u00e3o de uma filosofia brasileira. Contudo, vale mencionar os aspectos metodol\u00f3gicos-pedag\u00f3gicos para tal demarca\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o das grades curriculares dos cursos de filosofia que, no geral, seguem uma linha hist\u00f3rico-cronol\u00f3gica (Filosofia Antiga I, Filosofia Moderna II etc.) do que uma linha tem\u00e1tica, por exemplo, considerar Montaigne em sua individualidade e n\u00e3o como um fil\u00f3sofo c\u00e9tico ou humanista do per\u00edodo renascentista. <a href=\"#67918500-1c8b-4989-bce4-8345d33237dd-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"210e9de7-028b-4a0f-bcd3-57101d9c440c\">Tradu\u00e7\u00e3o do Prof. Alex Augusto Marcelo: Todos os caminhos levam a Roma. <a href=\"#210e9de7-028b-4a0f-bcd3-57101d9c440c-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"b26dbb27-b674-4f5c-a790-6afc80c891fd\">Os kanjis de \u59e5\u6368\u3066 (ubasute) foram transcritos considerando o Sistema Hepburn, m\u00e9todo de romaniza\u00e7\u00e3o da fon\u00e9tica japonesa para o alfabeto latino. <a href=\"#b26dbb27-b674-4f5c-a790-6afc80c891fd-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"fe42a229-e2ae-4f4e-a487-e5977437e60f\">N\u00e3o importa detalhar a concep\u00e7\u00e3o de \u201cdial\u00e9tica\u201d em Bento e em Paulo, mas compreender que suas <em>ipseidades<\/em>, respectivamente, fundamentam-se na dial\u00e9tica bergsoniana e na dial\u00e9tica hegeliana. <a href=\"#fe42a229-e2ae-4f4e-a487-e5977437e60f-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-61ecc280 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"padding-top:2.5rem;padding-right:2.5rem;padding-bottom:2.5rem;padding-left:2.5rem\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"952\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Foto-Autor-1024x952.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3268\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Foto-Autor-1024x952.jpg 1024w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Foto-Autor-300x279.jpg 300w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Foto-Autor-768x714.jpg 768w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Foto-Autor-1536x1428.jpg 1536w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Foto-Autor-2048x1904.jpg 2048w\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:75%\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Jo\u00e3o Pedro da Silva<\/h2>\n\n\n\n<p>P\u00f3s-graduando em Doc\u00eancia no Ensino em Sa\u00fade pelo Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e graduado em Filosofia pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo. E-mail: joao2pedro003@gmail.com.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Autor<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este ensaio prop\u00f5e tratar da possibilidade sobre uma filosofia brasileira a partir das obras O problema da filosofia no Brasil e Um departamento franc\u00eas de ultramar, de Bento Prado Jr. e Paulo Arantes. A proposta \u00e9 \u201cjogar\u201d com as ideias sobre a forma\u00e7\u00e3o de uma cultura filos\u00f3fica apresentadas nos textos destes dois autores, desde a<br \/>\ntese de que n\u00e3o h\u00e1 filosofia nacional independente at\u00e9 de que fora o pr\u00f3prio Bento que \u201cfundou\u201d a filosofia no Brasil na forma do ensaio filos\u00f3fico uspiano. De maneira zelosa e ir\u00f4nica, o texto mais tenta refletir sobre em que moldes pode-se falar de tal tema do que a busca em si por uma brasilidade filos\u00f3fica.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3260,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"Abril Fatface,Anton,Asap","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_kadence_starter_templates_imported_post":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":"[{\"content\":\"Meus mais sinceros agradecimentos ao professor Silvio Rosa, cujas aulas na gradua\u00e7\u00e3o no curso de filosofia sempre me foram de grande valia assim como sua orienta\u00e7\u00e3o e di\u00e1logos que estabelecemos e proporcionaram que a constru\u00e7\u00e3o desse texto fosse poss\u00edvel.\",\"id\":\"ebb1faa1-e91f-4794-ba07-d941a760c789\"},{\"content\":\"Adota-se uma divis\u00e3o da hist\u00f3ria da filosofia sobre a perspectiva epistemol\u00f3gica geo-etnogr\u00e1fica para fundamento das bases do presente ensaio para discuss\u00e3o da possibilidade ou n\u00e3o de uma filosofia brasileira. 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