{"id":2984,"date":"2024-01-23T21:16:53","date_gmt":"2024-01-23T21:16:53","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=2984"},"modified":"2024-01-31T22:55:35","modified_gmt":"2024-01-31T22:55:35","slug":"antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/","title":{"rendered":"Antes do desejo: por uma \u00e9tica de esquerda &#8211; Nico Namo Spitale"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-inconsolata-font-family has-custom-font wp-elements-81ffa7644b99667ac5d9a995f9fcb75b\" style=\"font-family:Inconsolata\"><em>Imagem: Um \u00fanico neur\u00f4nio e seus dentritos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-2-color has-text-color has-link-color has-inconsolata-font-family has-custom-font wp-elements-30ad9be1fe3348403ebb3c2e7fc9b361\" style=\"font-family:Inconsolata\">Este ensaio se debru\u00e7a sobre a atual despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a reprodu\u00e7\u00e3o do capital e o sujeito revolucion\u00e1rio. H\u00e1 uma n\u00edtida insufici\u00eancia na esquerda para transformar os poss\u00edveis. A atomiza\u00e7\u00e3o do trabalho, a sofistica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural e o avan\u00e7o das tecnologias de repress\u00e3o, em suma, apontam para as explica\u00e7\u00f5es objetivas dessa situa\u00e7\u00e3o. No entanto, o que mais nos interessa aqui \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o subjetiva: quais modelos de sujeito utilizamos para tra\u00e7ar os problemas da dimens\u00e3o das condutas? E como esse sujeito pode ser afetado e afetar por meio da cr\u00edtica? Enfim, se a \u00e9tica foi a tentativa de objetivar o mundo da \u201cliberdade\u201d, \u00e9 porque se assentou o modelo moderno de sujeito, dotado de uma consci\u00eancia transcendental indivis\u00edvel. Uma \u00e9tica de esquerda, que se pretende revolucion\u00e1ria, dever\u00e1 revisar esse modelo individual para aumentar suas chances de transformar condutas, escapando da simples \u201celeva\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-fa36155ffe08baba8bb191fd4df45745\" style=\"font-family:Times New Roman\">Nada de novo sob o Sol. Imp\u00e1vidos, novos pr\u00e9dios se erguem, cada vez mais longe do ch\u00e3o, este para o qual retornam os barracos que, fr\u00e1geis como um corpo desnutrido, desabam sob as chuvas sazonais. A sociedade do progresso linear parece recair num tempo c\u00edclico, c\u00f3smico, aparentemente imut\u00e1vel. Poucos se espantam. A esquerda, sabendo que n\u00e3o h\u00e1 nada de c\u00f3smico nessa repeti\u00e7\u00e3o, faz o que lhe cabe: desnaturaliza, aponta a constru\u00e7\u00e3o, o social criador, a estrutura de classes, sua luta. Mas, no dia seguinte, os pr\u00e9dios e os barracos continuam sendo compostos dos mesmos materiais. Nada mudou? Sabe-se, repetidamente se reitera, que \u00e0 esquerda falta a\u00e7\u00e3o. Pois ser de esquerda n\u00e3o \u00e9 apenas possuir e difundir a consci\u00eancia da injusti\u00e7a, como tamb\u00e9m exercer uma certa <em>conduta<\/em>. Parece ent\u00e3o, diante dessa inefici\u00eancia, que essa conduta n\u00e3o tem refletido a consci\u00eancia que nela habita. Claro, h\u00e1 aqui e ali engajamentos intensos, fagulhas de a\u00e7\u00e3o, de sacrif\u00edcio. Mas, no grosso da situa\u00e7\u00e3o, parece mesmo que a esquerda hoje, compreendida no seu conjunto, n\u00e3o possui for\u00e7a suficiente para alterar radicalmente as conjunturas nas quais se encontra. Como \u00e9 poss\u00edvel essa impot\u00eancia se, ao que nos parece, a consci\u00eancia da injusti\u00e7a capital\u00edstica est\u00e1 massivamente difundida, talvez como nunca antes na Hist\u00f3ria? Abund\u00e2ncia da cr\u00edtica e escassez de for\u00e7a. Uma coexist\u00eancia aberrante que parece n\u00e3o formar uma contradi\u00e7\u00e3o efetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-ed4019d8641d9d66616157633c39e562\" style=\"font-family:Times New Roman\">A abund\u00e2ncia de consci\u00eancia, seja proveniente do ac\u00famulo te\u00f3rico da tradi\u00e7\u00e3o marxista e anticapitalista, seja proveniente da experi\u00eancia mundana, n\u00e3o tem se traduzido em uma for\u00e7a pol\u00edtica capaz de amea\u00e7ar a estrutura. Em suma, a cr\u00edtica n\u00e3o tem afetado os corpos do modo como deveria. Ao que parece, esse problema remete a uma diferen\u00e7a entre a esfera \u201cmental\u201d e a esfera \u201ccorporal\u201d, a um n\u00e3o corresponder de ambas. Hipocrisia, cinismo: as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o correspondem aos discursos. Seria esse um problema de resolu\u00e7\u00e3o moral? Isto \u00e9, de uma mente rebaixada que n\u00e3o consegue se apoderar de um corpo e instrumentaliz\u00e1-lo em favor da luta? Ou seria da esfera da sa\u00fade? O corpo estaria enfraquecido, e por isso n\u00e3o conseguiria realizar o que a mente lhe exorta? Estas abordagens n\u00e3o s\u00e3o descart\u00e1veis. Afinal, a estrat\u00e9gia marxista para transformar a conduta das massas se apoiou, em grande parte de sua hist\u00f3ria, nesse dualismo, e em poucas ocasi\u00f5es tentou super\u00e1-lo. No entanto, devemos nos lembrar que desde o s\u00e9culo XVI consta na nossa heran\u00e7a intelectual uma abordagem liberta desse dualismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-f185c646cb91316be0d3a6cf1a627613\" style=\"font-family:Times New Roman\">Espinosa demonstrou ser poss\u00edvel pensar essas quest\u00f5es sem precisar pacificar uma suposta agon\u00edstica interior, da mente contra o corpo. S\u00e3o os afetos produtores de transforma\u00e7\u00f5es que, ao mesmo tempo, s\u00e3o da mente e do corpo, espirituais e materiais. Na iman\u00eancia, o humano est\u00e1 aberto para\/com omundo f\u00edsico, e n\u00e3o h\u00e1 interior nem exterior que sejam impenetr\u00e1veis. A depender da sutileza ou da for\u00e7a dos afetos, tudo \u00e9 perme\u00e1vel. Nessa perspectiva, investigamos nossa conduta sem precisar daquele velho moralismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-bc306639c1f0a893f4a67f37144f8474\" style=\"font-family:Times New Roman\">Munidos de um princ\u00edpio imanente, fa\u00e7amos essas perguntas que, aparentemente singelas, provocam duras reflex\u00f5es: transformar o discurso em pr\u00e1tica depende de uma <em>decis\u00e3o<\/em>? Saber mais e saber melhor sobre o que \u00e9 correto, nos faz agir corretamente? T\u00eam-se tratado essa quest\u00e3o, a da mudan\u00e7a de conduta, como se ela estivesse fora do alcance do conhecimento, confinada ao \u00e2mbito \u201cpessoal\u201d, do antigo livre-arb\u00edtrio. Mas esse interior indecifr\u00e1vel tem se mostrado infecundo. Se quisermos projetar meios para mobilizar corpos \u00e0 esquerda, afet\u00e1-los, coloc\u00e1-los em luta na intensidade que o tempo pede, seria fundamental um conhecimento sobre a conduta humana compartilh\u00e1vel e que a arrancasse da interioridade individual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-4a37a64a68dcb0021cbbe93524492d57\" style=\"font-family:Times New Roman\">Tentemos apontar um novo caminho atencional e te\u00f3rico, que recubra com cuidado a sutil fronteira entre a mente e o corpo. Sabemos que n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o f\u00e1cil superar o modelo ontol\u00f3gico dual, do sujeito e do objeto, principalmente no que se refere \u00e0 \u00e9tica e \u00e0 moral. Nem na imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil conceber outra forma de convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 luta que n\u00e3o aquela da exorta\u00e7\u00e3o moral. Pois nos parece natural que uma exposi\u00e7\u00e3o ver\u00eddica das injusti\u00e7as e uma compreens\u00e3o verdadeira delas induza uma mudan\u00e7a de comportamento. Essa \u00e9, afinal, a abordagem mais corrente no marxismo: a cr\u00edtica que se difunde e eleva a consci\u00eancia das massas. Mas o que \u00e9 uma consci\u00eancia elevada? O que ela <em>faz<\/em>, na pr\u00e1tica? Mesmo que a mudan\u00e7a de comportamento p\u00f3s-cr\u00edtica seja certa, \u00e9 poss\u00edvel que a conduta de uma consci\u00eancia elevada n\u00e3o seja, de fato, <em>radicalmente<\/em> diferente. Afinal, esse \u00e9 o diagn\u00f3stico que apresentamos: na esquerda h\u00e1 uma abund\u00e2ncia de consci\u00eancia e uma escassez de for\u00e7a. Algo aqui ressoa com a impress\u00e3o de que um excesso de informa\u00e7\u00e3o reduz a precis\u00e3o do impulso. H\u00e1 muita hesita\u00e7\u00e3o. Ressoa tamb\u00e9m a impress\u00e3o de que essa abund\u00e2ncia de consci\u00eancia est\u00e1 atrelada a uma avalanche de est\u00edmulos mais ou menos apaziguadores. H\u00e1 ainda o problema da fragmenta\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, que \u00e9, em certa medida, um problema global, n\u00e3o <em>apenas<\/em> uma falta de trabalho de base. Enfim, talvez mesmo dentro da abordagem mente\/corpo haja muito o que avan\u00e7ar, levando em considera\u00e7\u00e3o a atual situa\u00e7\u00e3o do sujeito. Mas concentremos nossa investiga\u00e7\u00e3o naquele ponto nevr\u00e1lgico, no qual repousa a certeza do livre-arb\u00edtrio: o ponto em que a mente <em>toca<\/em> o corpo e o obriga a agir corretamente. Esse ponto existe? Ou estar\u00edamos, na verdade, imersos num grande e impercept\u00edvel <em>toque<\/em>?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-0295dbc2efc96b99181312de702ef761\" style=\"font-family:Times New Roman\">Vejamos se as imagens compartilhadas do nosso cotidiano guardam alguma indica\u00e7\u00e3o de como resolver essa quest\u00e3o. Nele encontramos in\u00fameras tentativas de mudan\u00e7a do comportamento do outro e de n\u00f3s mesmas\/os (ou, pelo menos, de difus\u00e3o de cr\u00edticas). Desde as mais amig\u00e1veis, as chamadas \u201ccr\u00edticas construtivas\u201d, at\u00e9 as mais virulentas. (Aqui eu n\u00e3o incluo as infrut\u00edferas discuss\u00f5es de se\u00e7\u00e3o de coment\u00e1rios, em que tentamos enfrentar opini\u00f5es do outro espectro pol\u00edtico.) A esquerda digital \u00e9, em grande medida, uma esfera de circula\u00e7\u00e3o de cr\u00edticas e autocr\u00edticas. As mais comuns s\u00e3o aquelas do \u00e2mbito interpessoal, diante das quais o marxismo cl\u00e1ssico se decepciona. Afinal, foi num pref\u00e1cio a\u2019O Capital que Marx quis manter a cr\u00edtica no \u00e2mbito dos objetos sociais, se eximindo de tratar do car\u00e1ter dos seus advers\u00e1rios, meras \u201cpersonifica\u00e7\u00f5es\u201d de categorias econ\u00f4micas<sup data-fn=\"42c111e8-de29-45e4-9817-f77dd22b7d60\" class=\"fn\"><a href=\"#42c111e8-de29-45e4-9817-f77dd22b7d60\" id=\"42c111e8-de29-45e4-9817-f77dd22b7d60-link\">1<\/a><\/sup>. Mas talvez estejamos hoje mais conscientes do quanto a conduta de nossos pares reflete estruturas opressivas de ra\u00e7a, g\u00eanero, sexualidade e capacidade. Estas n\u00e3o s\u00e3o apenas viol\u00eancias simb\u00f3licas, pois, quando se toma a popula\u00e7\u00e3o como um todo, comprovadamente resultam em disparidades; n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4micas, como de expectativa de vida. Ent\u00e3o, estamos certos em difundi-las, do ponto de vista de uma moral de esquerda. Ainda mais se essa cr\u00edtica interpessoal n\u00e3o se desligar da esfera social e sist\u00eamica. Mas como \u00e9 poss\u00edvel que essa cr\u00edtica t\u00e3o difundida e cotidianamente atualizada encontre morada t\u00e3o confort\u00e1vel na sociedade que ela mesma denuncia? Pensamos em tr\u00eas respostas poss\u00edveis, que abarcam a inefic\u00e1cia da pura cr\u00edtica em superar estes problemas: a atomiza\u00e7\u00e3o, o cinismo, e o ascetismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-anton-font-family has-custom-font wp-elements-e6b6714cc8297473ef73460ed6d9c9a3\" style=\"font-family:Anton\"><em>ATOMIZA\u00c7\u00c3O E ABSTRA\u00c7\u00c3O<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-fca2fc44ac6c9eee2cadccc24cb3d139\" style=\"font-family:Times New Roman\">Comecemos pela rela\u00e7\u00e3o entre a cr\u00edtica e a atomiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. O sentido ancestral de cr\u00edtica, presente nas ra\u00edzes gregas <em>krinein<\/em> e <em>krisis<\/em>, perambula entre \u201cjulgar\u201d, \u201cdistinguir\u201d e \u201cseparar\u201d. Esse sentido parece encontrar ecos atuais, na medida em que a esquerda engendra at\u00e9 hoje uma hist\u00f3ria de separa\u00e7\u00f5es decorrentes de julgamentos. Socialistas se separam dos anarquistas, leninistas se separam dos social-democratas, trotskistas se separam dos apoiadores estado sovi\u00e9tico; estes s\u00e3o momentos em que a cr\u00edtica das estrat\u00e9gias revolucion\u00e1rias realizou um rompimento de afetos que antes mantinham unidades. Nesses exemplos o cen\u00e1rio \u00e9 do debate entre os militantes organizados, e n\u00e3o do conflito interno generalizado da classe trabalhadora. Hoje essa tend\u00eancia \u00e0 separa\u00e7\u00e3o se prolifera em escalas cada vez menores, na medida em que as organiza\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se tornam mais particulares e mais numerosas. Assim, a cr\u00edtica a organiza\u00e7\u00f5es cada vez menores acaba se parecendo muito com a cr\u00edtica a grupos e, finalmente, a indiv\u00edduos. Se antes os rompimentos tendiam a fortalecer as organiza\u00e7\u00f5es, que passariam a abrigar uma maior coes\u00e3o interna, hoje eles s\u00f3 criam mais e mais organiza\u00e7\u00f5es, de modo que a coes\u00e3o interna delas pouco importa: h\u00e1 um semn\u00famero delas disputando os mesmos corpos, o que inviabiliza seu crescimento. Mas essa tend\u00eancia \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o decorre n\u00e3o s\u00f3 de fatores culturais. O individualismo hoje \u00e9 menos uma ideologia do que uma din\u00e2mica social imposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-602096dd5518f9e07cf5eb44af2c1a1b\" style=\"font-family:Times New Roman\">A classe trabalhadora, ou melhor, a parte da popula\u00e7\u00e3o que depende da venda da for\u00e7a de trabalho para viver, est\u00e1 fragmentada pela pr\u00f3pria diferen\u00e7a de renda. Uns ganham menos que um sal\u00e1rio-m\u00ednimo. Outros recebem oito, dez, quinze. Esses montantes, em compara\u00e7\u00e3o com os ganhos da burguesia, s\u00e3o irris\u00f3rios, de modo que estas varia\u00e7\u00f5es n\u00e3o constituem de fato posi\u00e7\u00f5es essencialmente diferentes na estrutura de classes. Por outro lado, do ponto de vista do trabalhador, essas varia\u00e7\u00f5es s\u00e3o colossais, imensas. A qualidade da vida de um catador \u00e9 incomensur\u00e1vel com a de um designer; a de um entregador n\u00e3o se compara \u00e0 de um advogado, e assim vai. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma diferen\u00e7a econ\u00f4mica. \u00c0 estratifica\u00e7\u00e3o pela renda, se soma a atual \u201chiper\u201d divis\u00e3o do trabalho. Ela \u00e9 t\u00e3o complexa, com postos t\u00e3o din\u00e2micos e l\u00edquidos, determinada por um mercado de trabalho t\u00e3o flex\u00edvel, que o \u201cmundo do trabalho\u201d hoje n\u00e3o aponta para nada definido. Aut\u00f4nomos, subempregados, terceirizados, <em>trainees<\/em>, estagi\u00e1rios, informais, formais: a vida que o trabalho promove \u00e9 hoje m\u00faltipla e compartimentada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-6e36b5e80a31690adb99e73ea97018ef\" style=\"font-family:Times New Roman\">Disso decorrem subjetiva\u00e7\u00f5es igualmente diversas e compartimentadas, que se distanciam justamente na subsist\u00eancia, que \u00e9 o tra\u00e7o comum b\u00e1sico para a organiza\u00e7\u00e3o trabalhadora. Claro, a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 antiga, e aparece desde o in\u00edcio do capitalismo, com a segrega\u00e7\u00e3o objetiva e subjetiva da classe trabalhadora por meio de tecnologias de racializa\u00e7\u00e3o, sexualidade e g\u00eanero. A teoria interseccional demonstra que a rela\u00e7\u00e3o entre a cria\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito de reserva e a coloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento constituinte do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. No entanto, desde o advento do per\u00edodo chamado por David Harvey de <em>regime de acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel<\/em><sup data-fn=\"f7cc3d00-127e-460e-ba1a-ba6a165036ba\" class=\"fn\"><a href=\"#f7cc3d00-127e-460e-ba1a-ba6a165036ba\" id=\"f7cc3d00-127e-460e-ba1a-ba6a165036ba-link\">2<\/a><\/sup>, marcado principalmente pela queda do fordismokeynesianismo no final dos anos 60, essa estratifica\u00e7\u00e3o do trabalho se complexificou num grau at\u00e9 ent\u00e3o impensado. De algum modo, parece que o capitalismo p\u00f4de realizar uma atomiza\u00e7\u00e3o do trabalhador, uma concretiza\u00e7\u00e3o do individualismo, sendo hoje poss\u00edvel construir uma vida trabalhando sem qualquer tipo de percep\u00e7\u00e3o direta da dimens\u00e3o social dessa pr\u00f3pria vida. De um \u201cproletariado\u201d, voltamos a ser \u201cprolet\u00e1rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-6ab50d0dc7ef676d136b0057deecadd9\" style=\"font-family:Times New Roman\">Porque isso \u00e9 um problema para a organiza\u00e7\u00e3o? Sabemos que participamos todes de uma mesma classe, temos essa consci\u00eancia. Mas, fenomenologicamente falando, n\u00f3s n\u00e3o percebemos essa comunidade, n\u00e3o sentimos essa perten\u00e7a, n\u00e3o experienciamos os mesmos espa\u00e7os e tempos. Enfim, n\u00e3o trabalhamos juntos. Vivemos como mol\u00e9culas aceleradas, incapazes de constituir uma subst\u00e2ncia r\u00edgida. A compartimenta\u00e7\u00e3o do trabalho induziu a uma atomiza\u00e7\u00e3o do eu-produtivo, que n\u00e3o consegue mais se sentir um n\u00f3sprodutivo, dependendo sempre da abstra\u00e7\u00e3o para lembr\u00e1-lo disso. Existe a\u00ed uma separa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada entre o sabido e o sentido que a esquerda, por vezes, esquece de tratar. Precisamos de pr\u00e1ticas de aproxima\u00e7\u00e3o, de constitui\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as, visando a partilha de hist\u00f3rias, narrativas, experi\u00eancias. Ou at\u00e9 mesmo de objetos, espa\u00e7os e tempos, na medida do poss\u00edvel. Pois n\u00e3o se pode confiar apenas na consci\u00eancia de nossa comunidade enquanto classe produtiva, \u00e9 preciso efetiv\u00e1-la com atos de partilha. A cr\u00edtica, sozinha, n\u00e3o aproxima; ela pode sim tornar as rela\u00e7\u00f5es mais honestas e consolid\u00e1-las. Mas, antes, \u00e9 preciso que essas rela\u00e7\u00f5es sejam percept\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-anton-font-family has-custom-font wp-elements-5e93c4b189e8be991d6b408e0983302f\" style=\"font-family:Anton\"><em>A CR\u00cdTICA INDUSTRIAL<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-a6983a30c81f7661c4331bd50d494504\" style=\"font-family:Times New Roman\">O segundo \u00e2mbito em que notamos essa abund\u00e2ncia inerte de cr\u00edtica \u00e9 o da cultura. N\u00f3s consumimos cotidianamente cr\u00edtica social. O antirracismo e o feminismo encontraram moradia na ind\u00fastria cultural. As cr\u00edticas que exp\u00f5em e denunciam a concreta viol\u00eancia da objetifica\u00e7\u00e3o do humano, da sua desumaniza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o, est\u00e3o presentes nas maiores produ\u00e7\u00f5es culturais de nossa \u00e9poca. Desde os filmes <em>blockbusters<\/em> aos seriados do <em>streaming<\/em>, sempre h\u00e1 alguma sinaliza\u00e7\u00e3o de virtude, pelas quais os grandes realizadores exprimem sua <em>consci\u00eancia<\/em>. Isso vale at\u00e9 para as den\u00fancias mais tradicionais da esquerda: a exposi\u00e7\u00e3o da luta de classes. A onda de filmes \u201c<em>eat the rich<\/em>\u201d que surgiram e fizeram sucesso nos \u00faltimos anos, principalmente ap\u00f3s o fen\u00f4meno de \u201cParasita\u201d (2019, Bong Joon-ho) mostra que a ind\u00fastria cultural admite at\u00e9 mesmo exposi\u00e7\u00f5es agudas da injusti\u00e7a sist\u00eamica. E pode lucrar com elas. Essa \u201ccr\u00edtica industrial\u201d nos apazigua e nos enerva, ao mesmo tempo. Ao nos apaziguar, faz com que nos sintamos conscientes mesmo em nosso consumo trivial. Ao nos enervar, provoca em n\u00f3s ainda mais cr\u00edticas, geralmente a respeito de como essas produ\u00e7\u00f5es n\u00e3o tratam o problema com profundidade e radicalidade suficientes\u2026 o que n\u00e3o deixa de abastecer as produ\u00e7\u00f5es futuras, que iremos certamente consumir. Como h\u00e1 de se perceber, essa reprodu\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica em escala massiva n\u00e3o potencializa a esquerda. Apenas infla sua consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-50a1a182373a88efd999d2698a03d756\" style=\"font-family:Times New Roman\">A ind\u00fastria cultural s\u00f3 se sofisticou desde aquele ensaio de Adorno e Horkheimer<sup data-fn=\"d3eb77c0-054d-4d9a-a748-8a7c3ea4ed26\" class=\"fn\"><a href=\"#d3eb77c0-054d-4d9a-a748-8a7c3ea4ed26\" id=\"d3eb77c0-054d-4d9a-a748-8a7c3ea4ed26-link\">3<\/a><\/sup>. N\u00f3s literalmente consumimos cr\u00edtica todo dia, e a fazemos circular enquanto mercadoria. S\u00e3o comuns as conversas que chegam a uma verdade sobre o sistema e que, por for\u00e7a do espanto e da desilus\u00e3o, terminam em um torpor contemplativo. Diante da verdade sist\u00eamica al\u00e7amos voo, nossa consci\u00eancia se eleva, constatamos que arbitrariedades das mais odiosas s\u00e3o respons\u00e1veis diretos pela nossa ang\u00fastia, opress\u00e3o\u2026 e nos aterramos novamente. Hoje a verdade \u00e9 um capitalismo global integrado e maci\u00e7o, sem interst\u00edcios aparentes. O objeto que se revela pela verdade \u00e9 t\u00e3o imenso, t\u00e3o insond\u00e1vel, t\u00e3o al\u00e9m do que nossas for\u00e7as podem impactar, e \u00e9 t\u00e3o premente a instabilidade que sentimos quanto a nossas pr\u00f3prias vidas, que parece razo\u00e1vel simplesmente deixar passar o sentimento. N\u00e3o passamos da cr\u00edtica \u00e0 pr\u00e1tica. Nos tornaram c\u00ednicos. Cada nova comprova\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a sist\u00eamica (provas inclu\u00eddas no que se consome todo dia), funciona como um desencorajamento \u00e0 ruptura comportamental. Nos parece que a cr\u00edtica pela cr\u00edtica apenas produz afetos que nos descolam da escala global das transforma\u00e7\u00f5es: nos sentimos impotentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-anton-font-family has-custom-font wp-elements-aa7a6c2ab0c8ec63a7af02218aebe90d\" style=\"font-family:Anton\"><em>A CR\u00cdTICA MATERIAL<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-2210c30059e0e7dd7e225d0a2a512320\" style=\"font-family:Times New Roman\">Ent\u00e3o consideremos aquela minoria que passa da cr\u00edtica \u00e0 pr\u00e1tica. H\u00e1 de fato um grande n\u00famero de organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. Desde as mais perform\u00e1ticas, passando pelas centradas na micropol\u00edtica, e chegando nas mais tradicionais, ligadas ao marxismo e suas ramifica\u00e7\u00f5es. Essas organiza\u00e7\u00f5es, em sua atua\u00e7\u00e3o, nos lembram que a convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a de comportamento n\u00e3o passa unicamente pela eleva\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia. N\u00e3o podemos apenas nos referir \u00e0 cr\u00edtica como algo discursivo e intelectual. Como se sabe, os afetos n\u00e3o partem unicamente da linguagem; o materialismo tem uma boa raz\u00e3o \u00e9tica ao nos lembrar que s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es materiais as principais determinantes do comportamento humano. Assim, n\u00e3o basta que a cr\u00edtica se limite a conscientizar, se n\u00e3o h\u00e1 um trabalho militante corp\u00f3reo a combater as opress\u00f5es e a transformar o mundo real. A cr\u00edtica tamb\u00e9m envolve um organismo, um corpo m\u00faltiplo, que se p\u00f5e em cena historicamente e altera, mesmo que em progressos mi\u00fados, a situa\u00e7\u00e3o palp\u00e1vel da classe trabalhadora. Isso se d\u00e1 nas pautas e lutas reivindicat\u00f3rias, aquelas que visam a eleva\u00e7\u00e3o da qualidade de vida dos despossu\u00eddos. Aumento salarial, distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas, redes de cuidado, inaugura\u00e7\u00e3o de creches, transforma\u00e7\u00f5es na lei, ocupa\u00e7\u00f5es, a lista \u00e9 aberta. Mas n\u00e3o se trata de pura caridade: h\u00e1 um interesse pol\u00edtico (e \u00e9tico). Mostrar a for\u00e7a material desse organismo pol\u00edtico \u2013 o partido ou o movimento social \u2013 tornar sens\u00edvel seu poder, \u00e9 uma das principais geradoras de respeito, confian\u00e7a, admira\u00e7\u00e3o, enfim, de uma pluralidade de <em>afetos<\/em>, sem os quais n\u00e3o se aglutinam novos corpos \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o. A luta material \u00e9 cr\u00edtica porque tamb\u00e9m atua no campo afetivo, transformando comportamentos de militantes e de testemunhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-ffa51ddd55436879b5fca886ebf34e18\" style=\"font-family:Times New Roman\">Contudo, h\u00e1 de se perguntar porque essas organiza\u00e7\u00f5es encontram sempre um limite de crescimento e radicalidade. O principal fator \u00e9 a \u00f3bvia sofistica\u00e7\u00e3o das tecnologias repressivas e um Estado assustadoramente armado. Para ter for\u00e7a f\u00edsica capaz de enfrent\u00e1-lo, uma manifesta\u00e7\u00e3o hoje precisa ultrapassar a casa dos milh\u00f5es; precisa de um treinamento t\u00e1tico refinado; precisa, enfim, de uma intelig\u00eancia organizacional equipada com tecnologias de ponta. Conquistar cada uma dessas coisas demanda um esfor\u00e7o devocional de cada pessoa organizada. Seja para mobilizar uma massa de anestesiados digitais, seja para treinar e testar a\u00e7\u00f5es diretas, seja para acumular os recursos necess\u00e1rios para comprar tecnologia (de comunica\u00e7\u00e3o independente, por exemplo). Em suma, para possuir uma for\u00e7a equipar\u00e1vel ao Estado hoje e produzir transforma\u00e7\u00f5es materiais definitivas, s\u00e3o necess\u00e1rios militantes que se dedicam n\u00e3o apenas em tempo integral, mas na integralidade de suas energias. \u00c9 preciso, enfim, de uma disciplinariza\u00e7\u00e3o dos corpos pr\u00f3xima do ascetismo. Ent\u00e3o, falemos um pouco mais do ascetismo de esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-anton-font-family has-custom-font wp-elements-325bb9f5b9e82ad51764652b343edbd7\" style=\"font-family:Anton\"><em>PARA AL\u00c9M DO ASCETISMO<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-306ff70ccdfdbcab4b69204e9e37a08a\" style=\"font-family:Times New Roman\">A obra de Che Guevara, embora diversa em temas, \u00e9 firmemente calcada no que se poderia chamar de uma moral revolucion\u00e1ria<sup data-fn=\"9778fafa-ba9b-4eb0-8bd6-b689a2e777d8\" class=\"fn\"><a href=\"#9778fafa-ba9b-4eb0-8bd6-b689a2e777d8\" id=\"9778fafa-ba9b-4eb0-8bd6-b689a2e777d8-link\">4<\/a><\/sup>. O princ\u00edpio \u00e9 simples: tornar-se uma pessoa absolutamente coletiva, entregar seu corpo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o. Simples, mas, sem d\u00favida, dif\u00edcil. A finalidade desta \u201cmoral\u201d seria transformar ideologicamente toda uma gera\u00e7\u00e3o de cubanos, expurgar em escala nacional o individualismo. Doando-se ao trabalho, e principalmente ao trabalho volunt\u00e1rio, almeja-se uma abnega\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, que faz da transforma\u00e7\u00e3o pessoal um meio para a transforma\u00e7\u00e3o coletiva. A pessoa, mostrando a possibilidade de desprender-se de todo interesse pessoal, se torna um exemplo a ser emulado, gerando uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia. Ora, o que \u00e9 isso se n\u00e3o uma forma secular de ascetismo, an\u00e1loga \u00e0 crist\u00e3? Mas a prescri\u00e7\u00e3o moral tamb\u00e9m se mostra \u00e9tica quando pensada do ponto de vista de uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria, inserida num conjunto de t\u00e1ticas que tem como fim a transforma\u00e7\u00e3o social subjetiva (e objetiva). Aqui n\u00e3o se trata de uma incumb\u00eancia religiosa. Ainda que, para as massas, essa premissa asc\u00e9tica seja sentida como algo que transcende os interesses pol\u00edticos \u2013 e nesse aspecto possa ser aceita ou rejeitada \u2013 na verdade, trata-se de uma estrat\u00e9gia que pretendia reorganizar os afetos de um povo, canalizando seus corpos para um objetivo pol\u00edtico claro. Afinal, a moral do Che n\u00e3o queria apenas expurgar o individualismo, mas tamb\u00e9m, claro, aumentar a produtividade. N\u00e3o nos esque\u00e7amos que o est\u00edmulo espiritual ao trabalho era o elemento-chave. Queria-se consolidar e unificar uma for\u00e7a de trabalho que atendesse \u00e0s exig\u00eancias produtivas de uma Cuba p\u00f3s-revolucion\u00e1ria, pressionada a se industrializar e se armar para a guerra anti-imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-2d212c140ba79fbe5890def1dca6a484\" style=\"font-family:Times New Roman\">Ora, como poder\u00edamos, na era do sofrimento ps\u00edquico, exigir de um povo que trabalhe mais? N\u00e3o existe um bom motivo, hoje, para aumentar a produtividade! E como poder\u00edamos apostar nossas fichas no ascetismo, na abnega\u00e7\u00e3o? Quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es atuais para que surjam mais figuras como Marighella, que abrem m\u00e3o de toda seguran\u00e7a em prol de uma causa que \u00e9 mais uma promessa do que uma certeza? Estas s\u00e3o todas quest\u00f5es relevantes. Respond\u00ea-las, contudo, coloca-nos em uma encruzilhada. De um lado, n\u00e3o h\u00e1 complexidade nelas: tudo depende da for\u00e7a de vontade que, escutando apenas a lei moral, deve ser capaz de ignorar todo e qualquer desejo. Enfim, depende de um bom, um santo car\u00e1ter. Surgir\u00e1 ent\u00e3o um paradoxo: se \u00e9 preciso transformar a conduta das pessoas, mas essa transforma\u00e7\u00e3o depende do car\u00e1ter, como poder\u00edamos interferir nesse processo? A chave da mudan\u00e7a estaria guardada na interioridade, na alma individual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-edccefe86a04b945525b2b044f7cafbc\" style=\"font-family:Times New Roman\">O outro caminho seria duvidar do fundamento: porque pressupomos que a mudan\u00e7a de conduta, nesses casos, se d\u00e1 na forma de um decr\u00e9scimo de prazer em prol de um racional aumento da dor? N\u00e3o teriam os revolucion\u00e1rios hist\u00f3ricos vislumbrado a vida num tal \u00e2ngulo e numa tal intensidade, que se tornaram capazes de encontrar uma alegria e um prazer no perigo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-8e10edd368896d8dabf896cda318668d\" style=\"font-family:Times New Roman\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nos certificarmos sobre isso. Mas \u00e9 dif\u00edcil ignorar o sorriso de Che, t\u00e3o presente nas fotografias desse que uma vez nos disse para nunca perder a ternura. Ser\u00e1 que, em vez de um sacrif\u00edcio, n\u00e3o foi um afeto alegre, correspondido por um desejo de cria\u00e7\u00e3o de uma nova vida, que fortaleceu esses corpos revolucion\u00e1rios? Enquanto melhorar o nosso car\u00e1ter for a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o, e uma solu\u00e7\u00e3o pela via do sacrif\u00edcio, n\u00e3o h\u00e1 nada que possamos fazer, al\u00e9m do que j\u00e1 fazemos: criticar, apontar os erros, esperar que melhorem. Afinal, n\u00e3o existe ainda interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica no car\u00e1ter. Mas podemos expor a sutil dualidade dessa l\u00f3gica: h\u00e1 uma alma, indivis\u00edvel e imut\u00e1vel, no plano celeste dos ju\u00edzos, que deve organizar um corpo, m\u00faltiplo e corromp\u00edvel, imunizando-o quanto ao plano terreno dos afetos. Na iman\u00eancia, contudo, s\u00f3 existe um plano: o da vida. Se nele h\u00e1 afetos \u2013 e sim, isso \u00e9 um problema \u2013 \u00e9 in\u00fatil reuni-los todos sob o signo da corrup\u00e7\u00e3o. O prazer n\u00e3o \u00e9 sempre sinal de burrice.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-anton-font-family has-custom-font\" style=\"font-family:Anton\"><em>O SUJEITO MODERNO-LIBERAL E SUA ALMA<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-dc4d9bd4d4321ed8aa0ab0eaa94fe033\" style=\"font-family:Times New Roman\">Tornemos claro o pensamento que aqui cultivamos. Predomina, por for\u00e7a de tradi\u00e7\u00e3o, de cultura, ou de algum fator muit\u00edssimo abrangente, um antiquado modelo da subjetividade e, por conseguinte, da tomada de decis\u00e3o. Pressup\u00f5ese uma mente soberana, que identifica vontade e a\u00e7\u00e3o, sobre um corpo ora mec\u00e2nico (quando nos obedece), ora animal (quando nos desobedece e persegue seus \u201cinstintos\u201d). Contra esse preconceito, h\u00e1 uma evid\u00eancia pululante mas ignorada: a consci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 <em>soberana<\/em>, pelo fato \u00f3bvio de que <em>saber<\/em> e <em>fazer<\/em> n\u00e3o s\u00e3o o mesmo. Logo, h\u00e1 uma dist\u00e2ncia entre a <em>ideia de bem<\/em> e a boa a\u00e7\u00e3o. Dist\u00e2ncia que \u00e9 muitas vezes insignificante, mas que pode se alargar (n\u00f3s experienciamos a hesita\u00e7\u00e3o) e at\u00e9 se tornar imensa (nos sentimos hip\u00f3critas). Essa dist\u00e2ncia crucial permanece inexplorada, obstru\u00edda pela no\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter inclu\u00edda no preconceito que a pr\u00f3pria esquerda cultiva. Esta, em seu trabalho consciente cotidiano, produz, reproduz e prolifera o conhecimento sobre a injusti\u00e7a que \u00e9 colocado em circula\u00e7\u00e3o na forma de cr\u00edtica. A cr\u00edtica atinge todos os cantos do globo: pronto, n\u00e3o h\u00e1 como negar, a ideia de bem \u00e9 acess\u00edvel a todos. As consci\u00eancias v\u00e3o se elevar, o que \u201cs\u00f3 pode\u201d resultar em mais a\u00e7\u00f5es de luta. Trabalho pretensamente feito, a esquerda aguarda o resultado da sua mensagem, e vai dormir. Manh\u00e3, novo dia: nada de novo sob o Sol. S\u00f3 h\u00e1 mais fatos nefastos sobre o mundo a serem compartilhados, sem haver brotado nenhuma for\u00e7a pol\u00edtica capaz de, pelo menos, incomodar o <em>status quo<\/em>. Esse ciclo e esse fracasso, por sua vez, n\u00e3o \u00e9 ignorado, sendo tamb\u00e9m conhecido e compartilhado. \u00c9 apenas mais um fato em circula\u00e7\u00e3o: a impot\u00eancia sist\u00eamica da esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-anton-font-family has-custom-font wp-elements-f101e3ca12f147cf1a1c16f99ee741ad\" style=\"font-family:Anton\"><em>METAMODELIZA\u00c7\u00c3O E O MODELO POL\u00cdTICO DO SUJEITO<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-b9b1fe794359cbe67a6bdbf7790fc80c\" style=\"font-family:Times New Roman\">Esse campo de for\u00e7as se reflete em todas as escalas, inclusive na extens\u00e3o de um corpo. A perspectiva que pode nos lan\u00e7ar para fora da ontologia modernaliberal \u00e9 aquela que n\u00e3o iguala o corpo ao indiv\u00edduo. Somos, antes da coer\u00e7\u00e3o legal que nos individualiza, \u201cum corpo social de muitas almas\u201d, como disse Nietzsche<sup data-fn=\"5e4d8812-b1c2-43bb-b97d-ca3a2f7a6440\" class=\"fn\"><a href=\"#5e4d8812-b1c2-43bb-b97d-ca3a2f7a6440\" id=\"5e4d8812-b1c2-43bb-b97d-ca3a2f7a6440-link\">5<\/a><\/sup>. Formula\u00e7\u00e3o essa que enseja um modelo pol\u00edtico da pessoa, do sujeito, e mesmo do organismo em seu sentido ampliado, coletivo. Se nos pensarmos como dividuais<sup data-fn=\"71fcab80-749d-4632-a3bb-c11c46c6adef\" class=\"fn\"><a href=\"#71fcab80-749d-4632-a3bb-c11c46c6adef\" id=\"71fcab80-749d-4632-a3bb-c11c46c6adef-link\">6<\/a><\/sup>, tornam-se imprecisas formula\u00e7\u00f5es fundadas no car\u00e1ter, como: \u201ctal pessoa \u00e9 m\u00e1, tal outra \u00e9 mesquinha, eu sou hip\u00f3crita, n\u00f3s somos fracos\u201d, etc. A que parte percebida desse outro estamos nos referindo? Outro, sim, at\u00e9 no caso do \u201ceu\u201d: como dividuais, somos morada de actantes, o que coloca a alteridade como insepar\u00e1vel da presen\u00e7a. A pol\u00edtica retorna ao seio do cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-03782263c8cdd1a47687e85873030a89\" style=\"font-family:Times New Roman\">Esse banho em uma nova perspectiva pode libertar problem\u00e1ticas novas e acrescentar solu\u00e7\u00f5es para as velhas, embora por si s\u00f3 n\u00e3o resolva nada. Obviamente, os problemas da esquerda n\u00e3o est\u00e3o, em seu todo, ao seu alcance. H\u00e1 fatos globais, isto \u00e9, organiza\u00e7\u00f5es de for\u00e7as t\u00e3o solidamente constitu\u00eddas e em uma escala t\u00e3o imensa, que fica dif\u00edcil perceb\u00ea-las ou nos referirmos a elas de um modo que n\u00e3o seja aterrador. O caso do torpor contemplativo, no qual nos vemos compartilhando abstra\u00e7\u00f5es cada vez mais globais e mais distantes do campo fenom\u00eanico, \u00e9 apenas o reflexo da tentativa justa de tentar acompanhar o movimento real do capital e da sua sociedade. Diante dessas verdades, \u00e9 raro n\u00e3o sermos atravessados por afetos de indigna\u00e7\u00e3o, desilus\u00e3o, desespero e ang\u00fastia. At\u00e9 porque a compreens\u00e3o do capitalismo parece n\u00e3o vir mais acompanhada da certeza de sua autodestrui\u00e7\u00e3o, como talvez j\u00e1 tenha. Como constituir uma for\u00e7a capaz de transfigurar essa organiza\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria? Como sentir que a cria\u00e7\u00e3o de uma outra vida \u00e9 uma pot\u00eancia <em>nossa<\/em>? Como fazer novamente um afeto alegre atravessar a palavra revolu\u00e7\u00e3o? S\u00e3o quest\u00f5es de escala global, carregando afetos cuja for\u00e7a apenas uma organiza\u00e7\u00e3o global ser\u00e1 capaz de encaminhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-287f37cb72b34232b58e0309fff16792\" style=\"font-family:Times New Roman\">Contudo, existem transforma\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ao nosso alcance, e que, para n\u00f3s, passam pela metamodeliza\u00e7\u00e3o do sujeito, partindo de uma \u00e9tico-pol\u00edtica imanente. O modelo pol\u00edtico do sujeito amplia nossas possibilidades de descri\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos ligados \u00e0 conduta e \u00e0 tomada de decis\u00e3o. Na verdade, ela inclui o pr\u00f3prio modelo antigo, que agora se torna apenas uma configura\u00e7\u00e3o entre outras, com suas vantagens e desvantagens. Estamos acostumados a uma \u00e9tico-pol\u00edtica da consci\u00eancia autorit\u00e1ria, que utiliza a for\u00e7a dos afetos de culpa e cria a disciplina. Esse \u00e9 o correlato do modelo alma-corpo que critic\u00e1vamos: h\u00e1 um centro deliberador (a consci\u00eancia, a alma) que obriga, pela ast\u00facia e pelo terror, a \u201cbase\u201d (o corpo, os desejos) a obedecer, for\u00e7ando uma estrutura \u00fanica, dual e vertical, sobre uma popula\u00e7\u00e3o m\u00faltipla de for\u00e7as. O ascetismo seria o est\u00e1gio mais consolidado dessa configura\u00e7\u00e3o que muitas vezes foi necess\u00e1ria na hist\u00f3ria da esquerda. N\u00e3o sejamos ing\u00eanuos: essa configura\u00e7\u00e3o, nos moldes da velha \u201celeva\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d, muitas vezes funciona e, talvez, continue funcionando. Mas, pensando em uma homologa\u00e7\u00e3o dessa estrutura para uma organiza\u00e7\u00e3o de esquerda, devemos nos perguntar: qual sua pot\u00eancia? Qual sua sa\u00fade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-1f2e1f1f6f180ab399433013a62967cc\" style=\"font-family:Times New Roman\">Hoje, na p\u00f3s-modernidade, a \u00e9tico-pol\u00edtica da autoridade da consci\u00eancia vem sendo desafiada pelo que chamar\u00edamos de espontane\u00edsmo na esquerda. A consci\u00eancia deliberadora se desintegra, se esparrama, e o \u201ceu\u201d se entrega totalmente para alteridade, sem propor estruturas, sem ensaiar hierarquias, excluindo todos os programas. Seu afeto principal \u00e9 a esperan\u00e7a, visto que ela aposta na bondade espont\u00e2nea do desconhecido. \u00c9 uma \u00e9tico-pol\u00edtica, a nosso ver, por demais arriscada, visto que pode ser facilmente capturada pelos \u00e1geis fluxos do capital. Sem levantar bandeiras e demarcar territ\u00f3rios, esse sujeito se entrega a qualquer afeto, ficando indefeso em rela\u00e7\u00e3o ao mundo dos est\u00edmulos e do consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-9efa86c89fd85aa5be76c0666bf6196f\" style=\"font-family:Times New Roman\">Assim, emprestando qualidades destas \u00faltimas, podemos esbo\u00e7ar uma \u00e9ticopol\u00edtica que unisse a luta e a alegria. Luta, para marcar uma diferen\u00e7a, uma recusa ao imp\u00e9rio do consumo como \u00fanico prazer, e para constituir um corpo forte, capaz de transfigurar as situa\u00e7\u00f5es nas quais se encontra. Alegria, para reconhecer a alteridade que nos constitui \u2013 que, afinal, produz a energia que nos faz viver \u2013 e para organizar um corpo sadio, capaz de regenerar-se de modo criativo, a depender da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-5-color has-text-color has-link-color has-times-new-roman-font-family has-custom-font wp-elements-4cc73911b4d092daeb58caf7b93573ac\" style=\"font-family:Times New Roman\">Esta \u00e9, evidentemente, uma proposta formal e ensa\u00edstica, fraqueza que n\u00e3o conseguiremos reverter aqui. Por\u00e9m, em suma, o que queremos enfatizar \u00e9 a oportunidade para pensar <em>antes<\/em> dos modelos de sujeito, desnaturalizando aquele que combina dualismo e individualismo. N\u00e3o faltam vozes, experi\u00eancias e testemunhos para nos auxiliar nesse sentido. J\u00e1 mencionamos aqui a \u00e9tica imanente de Espinosa, o corpo social de Nietzsche, o dividual de Marriott, exemplos que se somam a outros, at\u00e9 os experienci\u00e1veis. Nosso interesse \u00e9 convidar ao desenvolvimento de uma \u00e9tica de esquerda, no sentido de um conhecimento compartilh\u00e1vel sobre a conduta, para al\u00e9m do indiv\u00edduo e com recursos al\u00e9m da cr\u00edtica. L\u00eanin nos ensinou sobre o trip\u00e9 fundamental do marxismo \u2013 materialismo, economia pol\u00edtica e socialismo<sup data-fn=\"51b01332-5bb9-413b-8ca1-b1d6362c0579\" class=\"fn\"><a href=\"#51b01332-5bb9-413b-8ca1-b1d6362c0579\" id=\"51b01332-5bb9-413b-8ca1-b1d6362c0579-link\">7<\/a><\/sup>. Talvez dev\u00eassemos acrescentar assim o quarto \u201cp\u00e9\u201d nessa arquitetura de pensamento revolucion\u00e1rio: uma \u00e9tica, que nos capacitasse a dizer n\u00e3o somente o \u201cque fazer\u201d, mas o como <em>desejar<\/em> faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"42c111e8-de29-45e4-9817-f77dd22b7d60\"><em>MARX, K. \u201cO Capital \u2013 Volume I\u201d. 2\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017, p. 80.<\/em> <a href=\"#42c111e8-de29-45e4-9817-f77dd22b7d60-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"f7cc3d00-127e-460e-ba1a-ba6a165036ba\"><em>HARVEY, D. \u201cA condi\u00e7\u00e3o p\u00f3s moderna\u201d. 17\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2008.<\/em> <a href=\"#f7cc3d00-127e-460e-ba1a-ba6a165036ba-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d3eb77c0-054d-4d9a-a748-8a7c3ea4ed26\"><em>ADORNO, T. HORKHEIMER, M. \u201cDial\u00e9tica do esclarecimento\u201d, 1\u00aa ed., Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,1985.<\/em> <a href=\"#d3eb77c0-054d-4d9a-a748-8a7c3ea4ed26-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"9778fafa-ba9b-4eb0-8bd6-b689a2e777d8\"><em>SADER, E. (org.) \u201cChe Guevara \u2013 Pol\u00edtica\u201d. 2\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Express\u00e3o Popular, 2011<\/em> <a href=\"#9778fafa-ba9b-4eb0-8bd6-b689a2e777d8-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5e4d8812-b1c2-43bb-b97d-ca3a2f7a6440\"><em>Cf. o aforismo 19 de \u201cAl\u00e9m de Bem e Mal\u201d (NIETZSCHE, F. S\u00e3o Paulo: Cia. Das Letras, 2005, p. 22).<\/em> <a href=\"#5e4d8812-b1c2-43bb-b97d-ca3a2f7a6440-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"71fcab80-749d-4632-a3bb-c11c46c6adef\"><em>MARIOTT, M. apud BIRD-DAVID, M. \u201cAnimismo revisitado: pessoa, meio ambiente e epistemologia relacional\u201d Debates Do NER, 1(35), p. 93\u2013171. https:\/\/doi.org\/10.22456\/1982-8136.95698<\/em> <a href=\"#71fcab80-749d-4632-a3bb-c11c46c6adef-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 6 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"51b01332-5bb9-413b-8ca1-b1d6362c0579\"><em>L\u00caNIN, V. I. \u201cObras Escolhidas em Seis Tomos\u201d, Edi\u00e7\u00f5es Avante!, 1977<\/em> <a href=\"#51b01332-5bb9-413b-8ca1-b1d6362c0579-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 7 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-61ecc280 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"padding-top:2.5rem;padding-right:2.5rem;padding-bottom:2.5rem;padding-left:2.5rem\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IMG-20240122-WA0173-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2985\" style=\"width:219px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:75%\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nico Namo Spitale<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-theme-palette-2-color has-text-color has-link-color has-fira-sans-font-family has-custom-font wp-elements-d9cbd12426bb3ff31242134b9a0c815d\" style=\"font-family:Fira Sans\">M\u00fasico, escritor, graduando em filosofia pela UNIRIO. Nasceu em S\u00e3o Paulo e mora h\u00e1 quatro anos no\u00a0Rio\u00a0de\u00a0Janeiro. Blog de escritos: <a href=\"http:\/\/osoldesilicio.blogspot.com\">osoldesilicio.blogspot.com<\/a><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Autor<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este ensaio se debru\u00e7a sobre a atual despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a reprodu\u00e7\u00e3o do capital e o sujeito revolucion\u00e1rio. H\u00e1 uma n\u00edtida insufici\u00eancia na esquerda para transformar os poss\u00edveis. A atomiza\u00e7\u00e3o do trabalho, a sofistica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural e o avan\u00e7o das tecnologias de repress\u00e3o, em suma, apontam para as explica\u00e7\u00f5es objetivas dessa situa\u00e7\u00e3o. No entanto, o que mais nos interessa aqui \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o subjetiva: quais modelos de sujeito utilizamos para tra\u00e7ar os problemas da dimens\u00e3o das condutas? E como esse sujeito pode ser afetado e afetar por meio da cr\u00edtica? Enfim, se a \u00e9tica foi a tentativa de objetivar o mundo da \u201cliberdade\u201d, \u00e9 porque se assentou o modelo moderno de sujeito, dotado de uma consci\u00eancia transcendental indivis\u00edvel. Uma \u00e9tica de esquerda, que se pretende revolucion\u00e1ria, dever\u00e1 revisar esse modelo individual para aumentar suas chances de transformar condutas, escapando da simples \u201celeva\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3000,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"Times New Roman,Arial Condensed,Helvetica,Times New Roman,Georgia,Abril Fatface,Anton,Arvo,Asap,Barlow Condensed,Barlow,Cormorant Garamond,Faustina,Fira Sans,IBM Plex Sans,Heebo,Inconsolata","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_kadence_starter_templates_imported_post":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":"[{\"content\":\"<em>MARX, K. \u201cO Capital \u2013 Volume I\u201d. 2\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017, p. 80.<\/em>\",\"id\":\"42c111e8-de29-45e4-9817-f77dd22b7d60\"},{\"content\":\"<em>HARVEY, D. \u201cA condi\u00e7\u00e3o p\u00f3s moderna\u201d. 17\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2008.<\/em>\",\"id\":\"f7cc3d00-127e-460e-ba1a-ba6a165036ba\"},{\"content\":\"<em>ADORNO, T. HORKHEIMER, M. \u201cDial\u00e9tica do esclarecimento\u201d, 1\u00aa ed., Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,1985.<\/em>\",\"id\":\"d3eb77c0-054d-4d9a-a748-8a7c3ea4ed26\"},{\"content\":\"<em>SADER, E. (org.) \u201cChe Guevara \u2013 Pol\u00edtica\u201d. 2\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Express\u00e3o Popular, 2011<\/em>\",\"id\":\"9778fafa-ba9b-4eb0-8bd6-b689a2e777d8\"},{\"content\":\"<em>Cf. o aforismo 19 de \u201cAl\u00e9m de Bem e Mal\u201d (NIETZSCHE, F. S\u00e3o Paulo: Cia. Das Letras, 2005, p. 22).<\/em>\",\"id\":\"5e4d8812-b1c2-43bb-b97d-ca3a2f7a6440\"},{\"content\":\"<em>MARIOTT, M. apud BIRD-DAVID, M. \u201cAnimismo revisitado: pessoa, meio ambiente e epistemologia relacional\u201d Debates Do NER, 1(35), p. 93\u2013171. https:\/\/doi.org\/10.22456\/1982-8136.95698<\/em>\",\"id\":\"71fcab80-749d-4632-a3bb-c11c46c6adef\"},{\"content\":\"<em>L\u00caNIN, V. I. \u201cObras Escolhidas em Seis Tomos\u201d, Edi\u00e7\u00f5es Avante!, 1977<\/em>\",\"id\":\"51b01332-5bb9-413b-8ca1-b1d6362c0579\"}]"},"categories":[350,501,347],"tags":[116,133,502],"class_list":["post-2984","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-nico-namo-spitale","category-producoes","tag-esquerda","tag-filosofia","tag-organizacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Antes do desejo: por uma \u00e9tica de esquerda - Nico Namo Spitale - Zero \u00e0 Esquerda<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Este ensaio se debru\u00e7a sobre a atual despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a reprodu\u00e7\u00e3o do capital e o sujeito revolucion\u00e1rio. H\u00e1 uma n\u00edtida insufici\u00eancia na esquerda para transformar os poss\u00edveis. A atomiza\u00e7\u00e3o do trabalho, a sofistica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural e o avan\u00e7o das tecnologias de repress\u00e3o, em suma, apontam para as explica\u00e7\u00f5es objetivas dessa situa\u00e7\u00e3o. No entanto, o que mais nos interessa aqui \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o subjetiva: quais modelos de sujeito utilizamos para tra\u00e7ar os problemas da dimens\u00e3o das condutas? E como esse sujeito pode ser afetado e afetar por meio da cr\u00edtica? Enfim, se a \u00e9tica foi a tentativa de objetivar o mundo da \u201cliberdade\u201d, \u00e9 porque se assentou o modelo moderno de sujeito, dotado de uma consci\u00eancia transcendental indivis\u00edvel. Uma \u00e9tica de esquerda, que se pretende revolucion\u00e1ria, dever\u00e1 revisar esse modelo individual para aumentar suas chances de transformar condutas, escapando da simples \u201celeva\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Antes do desejo: por uma \u00e9tica de esquerda - Nico Namo Spitale - Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Este ensaio se debru\u00e7a sobre a atual despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a reprodu\u00e7\u00e3o do capital e o sujeito revolucion\u00e1rio. H\u00e1 uma n\u00edtida insufici\u00eancia na esquerda para transformar os poss\u00edveis. A atomiza\u00e7\u00e3o do trabalho, a sofistica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural e o avan\u00e7o das tecnologias de repress\u00e3o, em suma, apontam para as explica\u00e7\u00f5es objetivas dessa situa\u00e7\u00e3o. No entanto, o que mais nos interessa aqui \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o subjetiva: quais modelos de sujeito utilizamos para tra\u00e7ar os problemas da dimens\u00e3o das condutas? E como esse sujeito pode ser afetado e afetar por meio da cr\u00edtica? Enfim, se a \u00e9tica foi a tentativa de objetivar o mundo da \u201cliberdade\u201d, \u00e9 porque se assentou o modelo moderno de sujeito, dotado de uma consci\u00eancia transcendental indivis\u00edvel. Uma \u00e9tica de esquerda, que se pretende revolucion\u00e1ria, dever\u00e1 revisar esse modelo individual para aumentar suas chances de transformar condutas, escapando da simples \u201celeva\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-01-23T21:16:53+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-01-31T22:55:35+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IMG-20240123-WA0058.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"900\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"900\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@z3roaesquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@z3roaesquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"27 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8\"},\"headline\":\"Antes do desejo: por uma \u00e9tica de esquerda &#8211; Nico Namo Spitale\",\"datePublished\":\"2024-01-23T21:16:53+00:00\",\"dateModified\":\"2024-01-31T22:55:35+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/\"},\"wordCount\":5331,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/01\\\/IMG-20240123-WA0058.jpg\",\"keywords\":[\"Esquerda\",\"Filosofia\",\"Organiza\u00e7\u00e3o\"],\"articleSection\":[\"Autores\",\"Nico Namo Spitale\",\"Produ\u00e7\u00f5es\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/\",\"name\":\"Antes do desejo: por uma \u00e9tica de esquerda - Nico Namo Spitale - Zero \u00e0 Esquerda\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/01\\\/IMG-20240123-WA0058.jpg\",\"datePublished\":\"2024-01-23T21:16:53+00:00\",\"dateModified\":\"2024-01-31T22:55:35+00:00\",\"description\":\"Este ensaio se debru\u00e7a sobre a atual despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a reprodu\u00e7\u00e3o do capital e o sujeito revolucion\u00e1rio. H\u00e1 uma n\u00edtida insufici\u00eancia na esquerda para transformar os poss\u00edveis. A atomiza\u00e7\u00e3o do trabalho, a sofistica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural e o avan\u00e7o das tecnologias de repress\u00e3o, em suma, apontam para as explica\u00e7\u00f5es objetivas dessa situa\u00e7\u00e3o. No entanto, o que mais nos interessa aqui \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o subjetiva: quais modelos de sujeito utilizamos para tra\u00e7ar os problemas da dimens\u00e3o das condutas? E como esse sujeito pode ser afetado e afetar por meio da cr\u00edtica? Enfim, se a \u00e9tica foi a tentativa de objetivar o mundo da \u201cliberdade\u201d, \u00e9 porque se assentou o modelo moderno de sujeito, dotado de uma consci\u00eancia transcendental indivis\u00edvel. Uma \u00e9tica de esquerda, que se pretende revolucion\u00e1ria, dever\u00e1 revisar esse modelo individual para aumentar suas chances de transformar condutas, escapando da simples \u201celeva\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/01\\\/IMG-20240123-WA0058.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/01\\\/IMG-20240123-WA0058.jpg\",\"width\":900,\"height\":900,\"caption\":\"Um \u00fanico neur\u00f4nio e seus dentritos\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/01\\\/23\\\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Antes do desejo: por uma \u00e9tica de esquerda &#8211; Nico Namo Spitale\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"description\":\"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/01\\\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/01\\\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png\",\"width\":1271,\"height\":1069,\"caption\":\"Zero \u00e0 Esquerda\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/revistazeroaesquerda\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/z3roaesquerda\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/revistazeroaesquerda\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.youtube.com\\\/channel\\\/UCIaGx271Qw6D1QwqYBojrLw\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Zero \u00e0 Esquerda\"},\"description\":\"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/author\\\/revistazeroaesquerdagmail-com\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Antes do desejo: por uma \u00e9tica de esquerda - Nico Namo Spitale - Zero \u00e0 Esquerda","description":"Este ensaio se debru\u00e7a sobre a atual despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a reprodu\u00e7\u00e3o do capital e o sujeito revolucion\u00e1rio. H\u00e1 uma n\u00edtida insufici\u00eancia na esquerda para transformar os poss\u00edveis. A atomiza\u00e7\u00e3o do trabalho, a sofistica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural e o avan\u00e7o das tecnologias de repress\u00e3o, em suma, apontam para as explica\u00e7\u00f5es objetivas dessa situa\u00e7\u00e3o. No entanto, o que mais nos interessa aqui \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o subjetiva: quais modelos de sujeito utilizamos para tra\u00e7ar os problemas da dimens\u00e3o das condutas? E como esse sujeito pode ser afetado e afetar por meio da cr\u00edtica? Enfim, se a \u00e9tica foi a tentativa de objetivar o mundo da \u201cliberdade\u201d, \u00e9 porque se assentou o modelo moderno de sujeito, dotado de uma consci\u00eancia transcendental indivis\u00edvel. Uma \u00e9tica de esquerda, que se pretende revolucion\u00e1ria, dever\u00e1 revisar esse modelo individual para aumentar suas chances de transformar condutas, escapando da simples \u201celeva\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Antes do desejo: por uma \u00e9tica de esquerda - Nico Namo Spitale - Zero \u00e0 Esquerda","og_description":"Este ensaio se debru\u00e7a sobre a atual despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a reprodu\u00e7\u00e3o do capital e o sujeito revolucion\u00e1rio. H\u00e1 uma n\u00edtida insufici\u00eancia na esquerda para transformar os poss\u00edveis. A atomiza\u00e7\u00e3o do trabalho, a sofistica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural e o avan\u00e7o das tecnologias de repress\u00e3o, em suma, apontam para as explica\u00e7\u00f5es objetivas dessa situa\u00e7\u00e3o. No entanto, o que mais nos interessa aqui \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o subjetiva: quais modelos de sujeito utilizamos para tra\u00e7ar os problemas da dimens\u00e3o das condutas? E como esse sujeito pode ser afetado e afetar por meio da cr\u00edtica? Enfim, se a \u00e9tica foi a tentativa de objetivar o mundo da \u201cliberdade\u201d, \u00e9 porque se assentou o modelo moderno de sujeito, dotado de uma consci\u00eancia transcendental indivis\u00edvel. Uma \u00e9tica de esquerda, que se pretende revolucion\u00e1ria, dever\u00e1 revisar esse modelo individual para aumentar suas chances de transformar condutas, escapando da simples \u201celeva\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d.","og_url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/","og_site_name":"Zero \u00e0 Esquerda","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda","article_published_time":"2024-01-23T21:16:53+00:00","article_modified_time":"2024-01-31T22:55:35+00:00","og_image":[{"width":900,"height":900,"url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IMG-20240123-WA0058.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Zero \u00e0 Esquerda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@z3roaesquerda","twitter_site":"@z3roaesquerda","twitter_misc":{"Escrito por":"Zero \u00e0 Esquerda","Est. tempo de leitura":"27 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/"},"author":{"name":"Zero \u00e0 Esquerda","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/person\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8"},"headline":"Antes do desejo: por uma \u00e9tica de esquerda &#8211; Nico Namo Spitale","datePublished":"2024-01-23T21:16:53+00:00","dateModified":"2024-01-31T22:55:35+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/"},"wordCount":5331,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IMG-20240123-WA0058.jpg","keywords":["Esquerda","Filosofia","Organiza\u00e7\u00e3o"],"articleSection":["Autores","Nico Namo Spitale","Produ\u00e7\u00f5es"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/","name":"Antes do desejo: por uma \u00e9tica de esquerda - Nico Namo Spitale - Zero \u00e0 Esquerda","isPartOf":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IMG-20240123-WA0058.jpg","datePublished":"2024-01-23T21:16:53+00:00","dateModified":"2024-01-31T22:55:35+00:00","description":"Este ensaio se debru\u00e7a sobre a atual despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a reprodu\u00e7\u00e3o do capital e o sujeito revolucion\u00e1rio. H\u00e1 uma n\u00edtida insufici\u00eancia na esquerda para transformar os poss\u00edveis. A atomiza\u00e7\u00e3o do trabalho, a sofistica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural e o avan\u00e7o das tecnologias de repress\u00e3o, em suma, apontam para as explica\u00e7\u00f5es objetivas dessa situa\u00e7\u00e3o. No entanto, o que mais nos interessa aqui \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o subjetiva: quais modelos de sujeito utilizamos para tra\u00e7ar os problemas da dimens\u00e3o das condutas? E como esse sujeito pode ser afetado e afetar por meio da cr\u00edtica? Enfim, se a \u00e9tica foi a tentativa de objetivar o mundo da \u201cliberdade\u201d, \u00e9 porque se assentou o modelo moderno de sujeito, dotado de uma consci\u00eancia transcendental indivis\u00edvel. Uma \u00e9tica de esquerda, que se pretende revolucion\u00e1ria, dever\u00e1 revisar esse modelo individual para aumentar suas chances de transformar condutas, escapando da simples \u201celeva\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/#primaryimage","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IMG-20240123-WA0058.jpg","contentUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IMG-20240123-WA0058.jpg","width":900,"height":900,"caption":"Um \u00fanico neur\u00f4nio e seus dentritos"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/antes-do-desejo-por-uma-etica-de-esquerda\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Antes do desejo: por uma \u00e9tica de esquerda &#8211; Nico Namo Spitale"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#website","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/","name":"Zero \u00e0 Esquerda","description":"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.","publisher":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization","name":"Zero \u00e0 Esquerda","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png","contentUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png","width":1271,"height":1069,"caption":"Zero \u00e0 Esquerda"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda","https:\/\/x.com\/z3roaesquerda","https:\/\/www.instagram.com\/revistazeroaesquerda\/","https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCIaGx271Qw6D1QwqYBojrLw"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/person\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8","name":"Zero \u00e0 Esquerda","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","caption":"Zero \u00e0 Esquerda"},"description":"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.","sameAs":["http:\/\/zeroaesquerda.com.br"],"url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/author\/revistazeroaesquerdagmail-com\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2984"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2984\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3058,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2984\/revisions\/3058"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3000"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}