{"id":2794,"date":"2023-10-10T21:24:41","date_gmt":"2023-10-10T21:24:41","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=2794"},"modified":"2023-10-10T21:24:44","modified_gmt":"2023-10-10T21:24:44","slug":"agressividade-nas-sociedades-industriais-avancadas-herbert-marcuse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/10\/10\/agressividade-nas-sociedades-industriais-avancadas-herbert-marcuse\/","title":{"rendered":"Agressividade nas sociedades industriais avan\u00e7adas \u2013 Herbert Marcuse"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-file alignright\"><a id=\"wp-block-file--media-442a761b-cf2e-424d-8d1d-72cdcbe36e73\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/MARCUSE-Herbert.-Agressividade-nas-sociedades-industriais-avancadas-.pdf\">MARCUSE-Herbert.-Agressividade-nas-sociedades-industriais-avancadas-<\/a><a href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/MARCUSE-Herbert.-Agressividade-nas-sociedades-industriais-avancadas-.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-442a761b-cf2e-424d-8d1d-72cdcbe36e73\"><strong><em>\u2013 <\/em> VERS\u00c3O EM PDF<\/strong><\/a><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-text-align-right\"><blockquote><p>O presente ensaio de Herbert Marcuse faz parte da colet\u00e2nea <em>Negations \u2013 Essays in Critical Theory<\/em>, editada pela Beacon Press em 1968, a qual continha tradu\u00e7\u00f5es de ensaios do fil\u00f3sofo escritos em alem\u00e3o na d\u00e9cada de 1930 e tr\u00eas ensaios da d\u00e9cada de 1960, escritos originalmente em ingl\u00eas, dentre os quais \u201cAggressivenes in advanced industrial societies\u201d, in\u00e9dito at\u00e9 ent\u00e3o. Na tradu\u00e7\u00e3o que apresentamos, Marcuse identifica caracter\u00edsticas que combinadas formariam a <em>s\u00edndrome da sociedade afluente<\/em>, definida como a exig\u00eancia do adoecimento dos indiv\u00edduos pela sociedade tecnocapitalista para funcionar \u2018normalmente\u2019. Marcuse descreve uma sociedade tendencialmente totalit\u00e1ria de domina\u00e7\u00e3o e controle de todas as inst\u00e2ncias poss\u00edveis, estruturais, superestruturais, instintuais, voltada para a sua pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o enquanto sistema calculado de meios tecnocient\u00edficos justificados por valida\u00e7\u00e3o recursiva. Esta sociedade p\u00f5e o crit\u00e9rio de normalidade para a sa\u00fade ps\u00edquica dos indiv\u00edduos enquanto adequados ao funcionamento planificado, o qual tem normas, valores e comportamentos nocivos \u00e0 potencializa\u00e7\u00e3o da vida, da paz e da liberdade; ou seja, \u00e9 um problema enraizado no psiquismo profundo de cada um e fomentado por processos coordenados de efici\u00eancia e desempenho quantific\u00e1veis. A partir dessa l\u00f3gica, humano tido como psiquicamente saud\u00e1vel \u00e9 aquele que aceita e introjeta como sua pr\u00f3pria vontade a repress\u00e3o excessiva de si mesmo, a restri\u00e7\u00e3o das possibilidades libertadoras, e a intensifica\u00e7\u00e3o da <em>agressividade <\/em>generalizada. A \u00fanica possibilidade de sa\u00edda desse complexo de for\u00e7as repressivas seria, para o autor, a <em>luta pol\u00edtica contra o todo desta sociedade<\/em>.<\/p><cite>(N. DA T.)<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Proponho considerar aqui as tens\u00f5es e os tensionamentos na chamada \u2018sociedade afluente\u2019, express\u00e3o que foi cunhada (correta ou incorretamente) para descrever a sociedade americana contempor\u00e2nea. Suas caracter\u00edsticas principais s\u00e3o: (1) uma capacidade t\u00e9cnica e industrial abundante que \u00e9, em grande medida, utilizada na produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de bens de luxo, aparelhos, desperd\u00edcio, obsolesc\u00eancia programada, equipamento militar e paramilitar \u2013 em suma, naquilo que os economistas e soci\u00f3logos costumam chamar de bens \u2018improdutivos\u2019 e servi\u00e7os; (2) um crescente padr\u00e3o de vida, estendido tamb\u00e9m \u00e0s partes da popula\u00e7\u00e3o previamente desprivilegiadas; (3) um alto grau de concentra\u00e7\u00e3o de poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico, combinado com um alto grau de organiza\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o governamental na economia; (4) cient\u00edficos e pseudocient\u00edficos, interven\u00e7\u00e3o, controle e manipula\u00e7\u00e3o de comportamentos privados e grupais, tanto no trabalho quanto no lazer (incluindo o comportamento do psiquismo, da alma, do inconsciente e do subconsciente) para prop\u00f3sitos comerciais e pol\u00edticos. Todas essas tend\u00eancias s\u00e3o interrelacionadas: elas criam a s\u00edndrome que expressa o funcionamento normal da \u2018sociedade afluente\u2019. Minha tarefa aqui n\u00e3o \u00e9 demonstrar essa interrela\u00e7\u00e3o; tomo sua exist\u00eancia como a base sociol\u00f3gica para a tese que quero apresentar, nomeadamente, que as tens\u00f5es e os tensionamentos sofridos pelos indiv\u00edduos na sociedade afluente est\u00e3o fundamentados no funcionamento normal desta sociedade (e do indiv\u00edduo!), em vez de nos seus dist\u00farbios e doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Funcionamento normal\u2019: penso que a defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o apresenta dificuldades para o m\u00e9dico. O organismo funciona normalmente se funciona, sem dist\u00farbio, de acordo com a estrutura biol\u00f3gica e fisiol\u00f3gica do corpo humano. As faculdades e capacidades humanas s\u00e3o certamente muito diferentes dentre os membros da esp\u00e9cie, e esta mesma mudou grandemente no curso da sua hist\u00f3ria, mas essas mudan\u00e7as ocorreram em uma base biol\u00f3gica e fisiol\u00f3gica que permaneceu largamente constante. Para ter certeza, o m\u00e9dico, ao fazer seu diagn\u00f3stico e propor um tratamento, levar\u00e1 em considera\u00e7\u00e3o o ambiente, a forma\u00e7\u00e3o e a ocupa\u00e7\u00e3o do paciente; esses fatores podem limitar at\u00e9 onde o funcionamento normal pode ser definido e alcan\u00e7ado, ou talvez tornem essa defini\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, mas, como crit\u00e9rio e fim, a normalidade permanece um conceito claro e definido. Enquanto tal, \u00e9 id\u00eantico a \u2018sa\u00fade\u2019, e os seus v\u00e1rios desvios s\u00e3o v\u00e1rios graus de \u2018doen\u00e7a\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A situa\u00e7\u00e3o do psiquiatra parece ser bem diferente. \u00c0 primeira vista, a normalidade parece ser definida pelos mesmos par\u00e2metros que o m\u00e9dico usa. O funcionamento normal da mente (<em>psyche<\/em>, <em>psyche-soma<\/em>) \u00e9 aquele que capacita o indiv\u00edduo a performar, a funcionar de acordo com sua posi\u00e7\u00e3o como crian\u00e7a, adolescente, parente, como pessoa solteira ou casada, de acordo com seu trabalho, profiss\u00e3o, status. Mas essa defini\u00e7\u00e3o cont\u00e9m fatores de uma dimens\u00e3o inteiramente nova, nomeadamente, aquela da sociedade, e a sociedade \u00e9 um fator de normalidade em um sentido extremamente mais essencial do que aquele da influ\u00eancia externa, tanto que esse \u2018normal\u2019 parece ser uma condi\u00e7\u00e3o social e institucional, em vez de individual. Provavelmente, \u00e9 f\u00e1cil concordar com o que \u00e9 o funcionamento normal do trato digestivo, dos pulm\u00f5es e do cora\u00e7\u00e3o, mas o que \u00e9 o funcionamento normal da mente na atividade sexual, em outras rela\u00e7\u00f5es interpessoais, no trabalho e no lazer, em uma reuni\u00e3o de diretores, no campo de golfe, nas favelas, na pris\u00e3o e no ex\u00e9rcito? Enquanto o funcionamento normal do trato digestivo e dos pulm\u00f5es \u00e9 provavelmente o mesmo no caso de um executivo saud\u00e1vel ou de um trabalhador saud\u00e1vel, isso n\u00e3o \u00e9 verdade para as suas mentes. De fato, um seria bastante anormal se regularmente pensasse, sentisse e operasse como o outro. E o que \u00e9 uma atividade sexual \u2018normal\u2019, uma fam\u00edlia \u2018normal\u2019, uma ocupa\u00e7\u00e3o \u2018normal\u2019?<\/p>\n\n\n\n<p>O psiquiatra pode proceder como o cl\u00ednico geral e direcionar a terapia para fazer o paciente funcionar na sua fam\u00edlia, no seu trabalho ou ambiente, enquanto tenta, tanto quanto esteja em seu poder, influenciar e at\u00e9 mudar os fatores ambientais. Os limites se far\u00e3o presentes, por exemplo, se as tens\u00f5es e os tensionamentos mentais do paciente forem causados, n\u00e3o apenas por certas m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es em seu emprego, em sua vizinhan\u00e7a, em seu status social, mas pela pr\u00f3pria <em>natureza<\/em> do emprego, da vizinhan\u00e7a, do status \u2013 em sua condi\u00e7\u00e3o normal. Ent\u00e3o, torn\u00e1-lo normal para essa condi\u00e7\u00e3o significaria normalizar as tens\u00f5es e os tensionamentos, ou, dito mais brutalmente: torn\u00e1-lo capaz de ser doente, de viver sua doen\u00e7a como sa\u00fade, sem perceber que est\u00e1 doente precisamente quando v\u00ea a si mesmo e \u00e9 visto como saud\u00e1vel e normal. Esse seria o caso se seu trabalho for, por natureza, \u2018embotado\u2019, emburrecedor, viciado (ainda que o trabalho seja bem remunerado e \u2018socialmente\u2019 necess\u00e1rio), ou se a pessoa pertencer a um grupo minorit\u00e1rio desprivilegiado na sociedade estabelecida, tradicionalmente pobre e empregado principalmente em trabalhos bra\u00e7ais subservientes e \u2018sujos\u2019. Mas seria o caso tamb\u00e9m (em formas muito diferentes) do outro lado do muro, entre os magnatas dos neg\u00f3cios e da pol\u00edtica, onde o desempenho eficiente e lucrativo exige (e reproduz) as qualidades da crueldade esperta, da indiferen\u00e7a moral, e da agressividade persistente. Em tais casos, o funcionamento \u2018normal\u2019 seria equivalente \u00e0 distor\u00e7\u00e3o e \u00e0 mutila\u00e7\u00e3o do ser humano \u2013 sem importar o qu\u00e3o modestamente se possa definir as qualidades humanas do ser humano. Eric Fromm escreveu <em>A sociedade s\u00e3<\/em>; trata-se de uma sociedade futura, n\u00e3o da estabelecida, implicando que a sociedade estabelecida n\u00e3o \u00e9 s\u00e3, mas insana. N\u00e3o \u00e9 o indiv\u00edduo que funciona normal, adequada e sadiamente como cidad\u00e3o de uma sociedade doente \u2013 n\u00e3o \u00e9 ele mesmo doente? E uma sociedade doente n\u00e3o requereria um conceito antag\u00f4nico de sa\u00fade mental, um metaconceito designando (e preservando) as qualidades mentais que s\u00e3o banidas, contidas, ou distorcidas pela \u2018sanidade\u2019 prevalente na sociedade doente? (Por exemplo, sa\u00fade mental sendo equivalente \u00e0 habilidade de viver como dissidente, de viver uma vida desajustada.)<\/p>\n\n\n\n<p>Como tentativa de defini\u00e7\u00e3o de \u2018sociedade doente\u2019 podemos dizer que uma sociedade \u00e9 doente quando suas institui\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, sua estrutura, s\u00e3o tais que n\u00e3o permitem o uso dos recursos materiais e intelectuais dispon\u00edveis para os \u00f3timos desenvolvimento e satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades individuais. Quanto maior for a discrep\u00e2ncia entre as condi\u00e7\u00f5es humanas potenciais e reais, maior ser\u00e1 a necessidade social daquilo que chamo de \u2018mais-repress\u00e3o\u2019 (<em>surplus repression<\/em>), isto \u00e9, a repress\u00e3o requerida n\u00e3o pelo crescimento e a preserva\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o, mas pelo interesse investido na manuten\u00e7\u00e3o da sociedade estabelecida. Tal mais-repress\u00e3o introduz (por cima de tudo, ou melhor, entranha nos conflitos sociais) novas tens\u00f5es e tensionamentos nos indiv\u00edduos. Usualmente manejada pelo trabalho normal do processo social, o qual assegura ajustamento e submiss\u00e3o (medo da perda do emprego ou status, ostracismo, e assim por diante), nenhuma for\u00e7a-tarefa pol\u00edtica para a mente \u00e9 necess\u00e1ria. Mas, na sociedade contempor\u00e2nea afluente, a discrep\u00e2ncia entre os modos estabelecidos de exist\u00eancia e as reais possibilidades de liberdade humana \u00e9 t\u00e3o grande que, para prevenir uma explos\u00e3o, a sociedade tem de garantir uma coordena\u00e7\u00e3o mental dos indiv\u00edduos mais efetiva: nas suas dimens\u00f5es inconsciente e consciente, a <em>psyche<\/em> \u00e9 invadida e submetida a manipula\u00e7\u00e3o e controle sistem\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando falo da mais-repress\u00e3o \u2018requerida\u2019 para a manuten\u00e7\u00e3o de uma sociedade, ou da necessidade de manipula\u00e7\u00e3o e controle sistem\u00e1ticos, n\u00e3o me refiro \u00e0s necessidades sociais, nem \u00e0s pol\u00edticas conscientemente inauguradas, experimentadas individualmente: elas podem, portanto, ser experimentadas e inauguradas ou n\u00e3o. Na verdade, falo de tend\u00eancias, for\u00e7as que podem ser identificadas por uma an\u00e1lise da sociedade existente e que afirmam a si mesmas mesmo quando os criadores de pol\u00edticas n\u00e3o est\u00e3o cientes delas. Elas expressam os requerimentos do aparato estabelecido de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo \u2013 requerimentos econ\u00f4micos, t\u00e9cnicos, pol\u00edticos, mentais que devem ser realizados para assegurar a continua\u00e7\u00e3o do funcionamento do aparato do qual a popula\u00e7\u00e3o depende, e a continua\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais derivadas da organiza\u00e7\u00e3o do aparato. Essas tend\u00eancias objetivas tornam-se manifestas no rumo da economia, na mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica, nas pol\u00edticas interna e externa de uma na\u00e7\u00e3o ou de um grupo de na\u00e7\u00f5es, e geram necessidades e objetivos comuns, supraindividuais, nas diferentes classes sociais, grupos influentes e partidos. Sob as condi\u00e7\u00f5es normais de coes\u00e3o social, as tend\u00eancias objetivas subsomem ou absorvem interesses e objetivos individuais sem explodir a sociedade; todavia, o interesse particular n\u00e3o \u00e9 simplesmente determinado pelo universal: aquele tem o seu pr\u00f3prio raio de liberdade e contribui, de acordo com sua posi\u00e7\u00e3o social, para a forma\u00e7\u00e3o do interesse geral \u2013 mas, aqu\u00e9m de uma revolu\u00e7\u00e3o, as necessidades e os objetivos particulares permanecer\u00e3o definidos pelas tend\u00eancias objetivas predominantes. Marx acreditava que elas se afirmam \u2018pelas costas\u2019 dos indiv\u00edduos; nas sociedades avan\u00e7adas de hoje, isso s\u00f3 \u00e9 verdade sob fortes qualifica\u00e7\u00f5es. Engenharia social, gerenciamento cient\u00edfico de empresas e rela\u00e7\u00f5es humanas, e manipula\u00e7\u00e3o de necessidades instintuais s\u00e3o praticadas no n\u00edvel da cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e atestam o n\u00edvel de consci\u00eancia dentro da cegueira geral.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o e ao controle sistem\u00e1ticos da psyche na sociedade industrial avan\u00e7ada, trata-se de manipula\u00e7\u00e3o e controle para qu\u00ea, e por quem? Al\u00e9m e acima de toda manipula\u00e7\u00e3o particular para o interesse de alguns neg\u00f3cios, pol\u00edticas, lobbies \u2013 o prop\u00f3sito objetivo geral \u00e9 reconciliar o indiv\u00edduo com o modo de exist\u00eancia que sua sociedade lhe imp\u00f5e. Por causa do alto grau de mais-repress\u00e3o envolvido em tal reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio realizar uma catexe libidinal da mercadoria que o indiv\u00edduo tem de comprar (ou vender), dos servi\u00e7os que tem de usar (ou desempenhar), da divers\u00e3o que tem de desfrutar, dos s\u00edmbolos de status que tem de portar \u2013 \u00e9 necess\u00e1rio porque a exist\u00eancia da sociedade depende de sua produ\u00e7\u00e3o e seu consumo ininterruptos. Em outras palavras, as necessidades sociais precisam se tornar necessidades individuais, necessidade instintuais. No n\u00edvel em que a produtividade dessa sociedade requere produ\u00e7\u00e3o e consumo massivos, essas necessidades precisam ser padronizadas, coordenadas, generalizadas. Certamente, esses controles n\u00e3o s\u00e3o uma conspira\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e3o centralizados em nenhuma ag\u00eancia, nem grupo de ag\u00eancias (apesar de que o direcionamento para a centraliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 se intensificando); est\u00e3o, na verdade, difusos pela sociedade, exercidos pelos vizinhos, pela comunidade, pelos grupos de influ\u00eancia, pela m\u00eddia de massa, pelas corpora\u00e7\u00f5es, e (talvez menos) pelo governo. Mas s\u00e3o exercidos com o aux\u00edlio, de fato, s\u00e3o possibilitados pela ci\u00eancia, pelas ci\u00eancias sociais e comportamentais, e especialmente pela sociologia e pela psicologia. Enquanto sociologia e psicologia industriais, ou, mais eufemisticamente, enquanto \u2018ci\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es humanas\u2019, esses esfor\u00e7os cient\u00edficos tornaram-se uma ferramenta indispens\u00e1vel nas m\u00e3os dos poderes consolidados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essas breves considera\u00e7\u00f5es sugerem a profundidade da intromiss\u00e3o da sociedade na psyche, at\u00e9 onde sa\u00fade mental, normalidade, n\u00e3o dizem respeito ao indiv\u00edduo, mas \u00e0 sua sociedade. Tal harmonia entre o indiv\u00edduo e a sociedade seria altamente desej\u00e1vel se a sociedade oferecesse ao indiv\u00edduo as condi\u00e7\u00f5es para o seu desenvolvimento como ser humano de acordo com as possibilidades de liberdade, paz e felicidade dispon\u00edveis (isto \u00e9, de acordo com a liberta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel de seus instintos de vida), mas \u00e9 altamente destrutiva para o indiv\u00edduo se essas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o prevalecem. Quando n\u00e3o prevalecem, o indiv\u00edduo normal e saud\u00e1vel \u00e9 um ser humano equipado com todas as qualidades que o capacitam a se dar bem com os outros na sua sociedade, e essas mesmas qualidades s\u00e3o as marcas da repress\u00e3o, as marcas de um ser humano mutilado, que colabora com sua pr\u00f3pria repress\u00e3o, contendo a liberdade individual e social, liberando agress\u00e3o. E essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser resolvida pelo enquadramento da psicologia e da terapia individual, tampouco de nenhuma psicologia \u2013 uma solu\u00e7\u00e3o apenas pode ser vislumbrada no n\u00edvel pol\u00edtico: na luta contra a sociedade. Claramente, a terapia poderia demonstrar essa situa\u00e7\u00e3o e preparar a base mental para tal luta \u2013 mas, ent\u00e3o, a psiquiatria seria uma empreitada subversiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o agora \u00e9 se os tensionamentos na sociedade americana contempor\u00e2nea, na sociedade afluente, sugerem a preval\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es essencialmente negativas para o desenvolvimento individual no sentido discutido. Ou, para formular a quest\u00e3o em termos mais indicativos da abordagem que proponho: esses tensionamentos viciam a pr\u00f3pria possibilidade do desenvolvimento individual saud\u00e1vel \u2013 saud\u00e1vel definido em termos de desenvolvimento \u00f3timo das faculdades intelectuais e emocionais de algu\u00e9m? A quest\u00e3o evoca uma resposta afirmativa, isto \u00e9, esta sociedade vicia o desenvolvimento individual, se os tensionamentos prevalentes est\u00e3o relacionados com a pr\u00f3pria estrutura desta sociedade e se ativam as necessidades e satisfa\u00e7\u00f5es instintuais de seus membros que colocam os indiv\u00edduos contra si mesmos para que reproduzam e intensifiquem sua pr\u00f3pria repress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c0 primeira vista, os tensionamentos na nossa sociedade parecem ser aqueles caracter\u00edsticos de qualquer sociedade que se desenvolve sob o impacto de imensas mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas: eles iniciam novos modos de trabalho e lazer e, portanto, afetam todas as rela\u00e7\u00f5es sociais e trazem uma completa transvalora\u00e7\u00e3o dos valores. Na medida em que o trabalho f\u00edsico tende a tornar-se progressivamente menos necess\u00e1rio e at\u00e9 dispendioso, na medida em que o trabalho de empregados assalariados tamb\u00e9m se torna progressivamente \u2018autom\u00e1tico\u2019 e aquele dos pol\u00edticos e administradores progressivamente question\u00e1vel, quanto mais o conte\u00fado tradicional da luta pela exist\u00eancia parece uma necessidade desnecess\u00e1ria, mais parece sem sentido e sem subst\u00e2ncia. Mas a alternativa futura, a saber, a aboli\u00e7\u00e3o poss\u00edvel do trabalho (alienado) parece igualmente sem sentido, rejeitada, assustadora. E, de fato, se algu\u00e9m vislumbra essa alternativa como o progresso e o desenvolvimento do sistema <em>estabelecido<\/em>, ent\u00e3o o deslocamento do sentido da vida para o tempo livre sugere um pesadelo: autorrealiza\u00e7\u00e3o massiva, divers\u00e3o, esporte em espa\u00e7os cada vez menores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas a amea\u00e7a do \u2018medo da automa\u00e7\u00e3o\u2019 \u00e9 ele mesmo ideol\u00f3gico. Por um lado, serve \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o e \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o de trabalhos e ocupa\u00e7\u00f5es tecnicamente obsoletos e desnecess\u00e1rios (o desemprego como uma condi\u00e7\u00e3o normal, mesmo que confort\u00e1vel, parece pior do que uma rotina de trabalho est\u00fapida); por outro lado, justifica e promove a educa\u00e7\u00e3o e o treinamento dos gerentes e organizadores do tempo de lazer, ou seja, serve ao prolongamento e ao aumento do controle e da manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O perigo real para o sistema estabelecido n\u00e3o \u00e9 a aboli\u00e7\u00e3o do trabalho, mas a possibilidade de trabalho n\u00e3o-alienado como a base reprodutiva da sociedade. N\u00e3o que as pessoas n\u00e3o sejam mais compelidas ao trabalho, mas que possam ser compelidas a trabalhar por uma vida muito diferente, em rela\u00e7\u00f5es muito diferentes, que cheguem a incorporar fins e valores muito diferentes, que tenham de viver sob uma moralidade muito diferente \u2013 isto \u00e9 a \u2018nega\u00e7\u00e3o definitiva\u2019 do sistema estabelecido, a alternativa libertadora. Por exemplo, o trabalho socialmente necess\u00e1rio pode ser organizado para esfor\u00e7os como a reconstru\u00e7\u00e3o das cidades e metr\u00f3poles, a realoca\u00e7\u00e3o dos locais de trabalho (para que as pessoas aprendam novamente a andar), a constru\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias produtoras de bens livres da obsolesc\u00eancia programada, sem desperd\u00edcio lucrativo e pouca qualidade, e a sujei\u00e7\u00e3o do ambiente \u00e0s necessidades est\u00e9ticas vitais do organismo. Certamente, traduzir essa possibilidade em realidade significaria eliminar o poder dos interesses dominantes que, por sua pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o na sociedade, op\u00f5em-se a um desenvolvimento que reduziria a empresa privada a um papel menor, que acabaria com a economia de mercado e com a pol\u00edtica de treinamento, expans\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o militares \u2013 em outras palavras: um desenvolvimento que reverteria toda a tend\u00eancia prevalente. H\u00e1 pouca evid\u00eancia para tal desenvolvimento. Enquanto isso, e com os novos totais terrivelmente efetivos meios providos pelo progresso t\u00e9cnico, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 f\u00edsica e mentalmente mobilizada contra essa eventualidade: ela precisa continuar a luta pela exist\u00eancia em formas dolorosas, custosas e obsoletas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa \u00e9 a contradi\u00e7\u00e3o real que traduz a si mesma da estrutura social para a estrutura mental dos indiv\u00edduos. Assim, ativa e agrava tend\u00eancias destrutivas que, de um modo quase sublimado, s\u00e3o introduzidas no comportamento dos indiv\u00edduos como socialmente \u00fateis, nos n\u00edveis privados e pol\u00edticos \u2013 no comportamento da na\u00e7\u00e3o como um todo. A energia destrutiva torna-se energia agressiva socialmente \u00fatil, e o comportamento agressivo impele o crescimento \u2013 crescimento do poder econ\u00f4mico, pol\u00edtico e t\u00e9cnico. Assim como na empreitada cient\u00edfica contempor\u00e2nea, na empreitada econ\u00f4mica e naquela da na\u00e7\u00e3o como um todo, realiza\u00e7\u00f5es construtivas e destrutivas, trabalho para a vida e para a morte, procriar e matar est\u00e3o inextrincavelmente unidos. Restringir a explora\u00e7\u00e3o da energia nuclear significaria restringir seus potenciais pac\u00edficos e militares; a melhora e a prote\u00e7\u00e3o da vida aparecem como derivadas do trabalho cient\u00edfico pela aniquila\u00e7\u00e3o da vida; restringir a procria\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m significaria restringir o potencial humano e o n\u00famero de consumidores e clientes em potencial. Agora a (mais ou menos sublimada) transforma\u00e7\u00e3o do destrutivo em energia agressiva socialmente \u00fatil (e, portanto, construtiva) \u00e9, de acordo com Freud (em cuja teoria dos instintos baseio minha interpreta\u00e7\u00e3o) um processo normal e indispens\u00e1vel. \u00c9 parte da mesma din\u00e2mica pela qual a libido, a energia er\u00f3tica, \u00e9 sublimada e tornada socialmente \u00fatil; os dois impulsos opostos s\u00e3o sobrepostos e, unidos nessa dupla transforma\u00e7\u00e3o, tornam-se os ve\u00edculos mentais e org\u00e2nicos da civiliza\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o importa o qu\u00e3o fechada e efetiva \u00e9 essa uni\u00e3o, suas respectivas qualidades permanecem as mesmas e contr\u00e1rias: a agress\u00e3o ativa a destrui\u00e7\u00e3o que \u2018mira\u2019 a morte, enquanto a libido busca a preserva\u00e7\u00e3o, a prote\u00e7\u00e3o e o melhoramento da vida. Por conseguinte, a destrui\u00e7\u00e3o serve \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o e ao indiv\u00edduo apenas quando trabalha a servi\u00e7o de Eros; se a agress\u00e3o se torna mais forte do que a sua contraparte er\u00f3tica, a tend\u00eancia \u00e9 revertida. Al\u00e9m disso, na concep\u00e7\u00e3o freudiana, a energia destrutiva n\u00e3o pode se tornar mais forte sem reduzir a energia er\u00f3tica: o equil\u00edbrio entre as duas puls\u00f5es prim\u00e1rias \u00e9 quantitativo; a din\u00e2mica instintual \u00e9 mec\u00e2nica, distribuindo um quantum dispon\u00edvel de energia entre os dois antagonistas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Recompus brevemente a concep\u00e7\u00e3o de Freud porque devo us\u00e1-la para discutir a profundidade e o car\u00e1ter dos tensionamentos prevalentes na sociedade americana. Sugiro que os tensionamentos derivam da contradi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica entre as capacidades dessa sociedade, que, por um lado, poderia essencialmente produzir novas formas de liberdade chegando a subverter as institui\u00e7\u00f5es estabelecidas, e o uso repressivo dessas capacidades, por outro lado. A contradi\u00e7\u00e3o explode \u2013 e, ao mesmo tempo, \u00e9 \u2018resolvida\u2019, \u2018contida\u2019 \u2013 na agress\u00e3o ub\u00edqua prevalente nesta sociedade. Sua manifesta\u00e7\u00e3o mais consp\u00edcua (mas, de modo algum, isolada) \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o militar e seu efeito no comportamento mental dos indiv\u00edduos, mas, no contexto da contradi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, a agressividade \u00e9 alimentada por v\u00e1rias fontes. A principais parecem ser as seguintes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>A desumaniza\u00e7\u00e3o do processo de produ\u00e7\u00e3o e consumo<\/em>. O progresso t\u00e9cnico \u00e9 id\u00eantico ao aumento da elimina\u00e7\u00e3o da iniciativa, da inclina\u00e7\u00e3o, do gosto e da necessidade pessoais pela provis\u00e3o de bens e servi\u00e7os. Essa tend\u00eancia \u00e9 libertadora se os recursos e t\u00e9cnicas dispon\u00edveis s\u00e3o usados para libertar o indiv\u00edduo do labor e da recrea\u00e7\u00e3o requeridos pela reprodu\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es estabelecidas, mas s\u00e3o parasit\u00e1rios, perdul\u00e1rios e desumanizantes em termos das capacidades t\u00e9cnica e intelectual existentes. A mesma tend\u00eancia frequentemente gratifica a hostilidade.<\/li>\n\n\n\n<li><em>As condi\u00e7\u00f5es de multid\u00e3o, ru\u00eddo e manifesta\u00e7\u00e3o da sociedade de massa<\/em>. Como Ren\u00e9 Dubos disse, a necessidade de \u201cquietude, privacidade, independ\u00eancia, iniciativa, e algum espa\u00e7o aberto\u201d n\u00e3o s\u00e3o \u201cfrivolidades ou luxos, mas constituem necessidades biol\u00f3gicas reais\u201d. Sua falta injuria a pr\u00f3pria estrutura instintual. Freud enfatizou o car\u00e1ter \u2018associal\u2019 de Eros \u2013 a sociedade de massa realiza uma \u2018supersocializa\u00e7\u00e3o\u2019 \u00e0 qual o indiv\u00edduo reage \u201ccom todos os tipos de frustra\u00e7\u00f5es, repress\u00f5es, agress\u00f5es, e medos que logo se desenvolvem em neuroses genu\u00ednas\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Mencionei a militariza\u00e7\u00e3o da sociedade afluente como a mais consp\u00edcua mobiliza\u00e7\u00e3o social da agressividade. Essa mobiliza\u00e7\u00e3o vai muito al\u00e9m da captura real da for\u00e7a de trabalho e da estrutura\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria armamentista: seus aspectos verdadeiramente totalit\u00e1rios s\u00e3o exibidos na m\u00eddia di\u00e1ria de massa que alimenta a \u2018opini\u00e3o p\u00fablica\u2019. A brutaliza\u00e7\u00e3o da linguagem e da imagem, a apresenta\u00e7\u00e3o dos assassinatos, inc\u00eandios, envenenamentos e torturas infligidos \u00e0s v\u00edtimas do massacre neocolonial tornam-se sensibilidade-comum, factual, \u00e0s vezes at\u00e9 estilo humor\u00edstico que integram esses horrores como piadas de delinquentes juvenis, partidas de futebol, acidentes, relat\u00f3rios de mercado e previs\u00e3o do tempo. N\u00e3o se trata mais da heroiciza\u00e7\u00e3o \u2018cl\u00e1ssica\u2019 do assassinato pelo interesse nacional, mas antes sua redu\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel dos eventos naturais e das conting\u00eancias da vida cotidiana. A consequ\u00eancia \u00e9 uma \u2018normaliza\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica da guerra\u2019 administrada a um povo protegido da realidade da guerra, um povo que, em virtude dessa normaliza\u00e7\u00e3o, facilmente se familiariza com a \u2018taxa de assassinato\u2019, assim como j\u00e1 est\u00e1 familiarizada com outras \u2018taxas\u2019 (como as de neg\u00f3cios, tr\u00e1fego ou desemprego). O povo \u00e9 condicionado a viver \u201ccom os acasos, as brutalidades e as casualidades ascendentes da guerra no Vietn\u00e3, assim como aprende-se gradualmente a viver com os acasos e casualidades do fumo, da polui\u00e7\u00e3o ou do tr\u00e1fego\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2794_1('footnote_plugin_reference_2794_1_1');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2794_1('footnote_plugin_reference_2794_1_1');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2794_1_1\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[1]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2794_1_1\" class=\"footnote_tooltip\">I. Ziferstein, no Daily Bruin da UCLA, Los Angeles, 24 de maio de 1966. Ver tamb\u00e9m: M. Grotjahn, \u201cSome Dynamics of Unconscious and Symbolic Communication in Present-Day Television\u201d, The&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2794_1('footnote_plugin_reference_2794_1_1');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2794_1_1').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2794_1_1', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> As fotos que aparecem nos jornais di\u00e1rios e nas revistas de circula\u00e7\u00e3o em massa, frequentemente em cores vivas e vibrantes, mostram filas de prisioneiros enfileirados para \u2018interroga\u00e7\u00e3o\u2019, pequenas crian\u00e7as arrastadas pela poeira atr\u00e1s de carros blindados, mulheres mutiladas. N\u00e3o s\u00e3o nenhuma novidade (\u2018tais coisas acontecem na guerra\u2019), mas \u00e9 o contexto que faz a diferen\u00e7a: sua apari\u00e7\u00e3o no programa regular, junto com comerciais, esportes, pol\u00edtica local e reportagens sobre o cotidiano. E a brutalidade do poder \u00e9 ainda mais normalizada pela sua extens\u00e3o no autom\u00f3vel amado: as montadoras vendem Thunderbird, Fury, Tempest, e a ind\u00fastria de combust\u00edveis coloca \u2018um tigre em seu tanque\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a linguagem administrada \u00e9 rigidamente discriminadora: um vocabul\u00e1rio espec\u00edfico de \u00f3dio, ressentimento e difama\u00e7\u00e3o \u00e9 reservado \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas agressivas e ao inimigo. O padr\u00e3o repete-se constantemente. Portanto, quando estudantes se manifestam contra a guerra, \u00e9 uma \u2018arrua\u00e7a\u2019 cheia de \u2018defensores da liberdade sexual\u2019, por jovens imundos e por \u2018bandidos e meninos de rua\u2019 que \u2018mancham\u2019 as ruas, enquanto as contrademonstra\u00e7\u00f5es consistem de cidad\u00e3os reunidos. No Vietn\u00e3, a \u2018viol\u00eancia criminal comunista t\u00edpica\u2019 \u00e9 perpetuada contra \u2018opera\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas americanas\u2019. Os Vermelhos t\u00eam a impertin\u00eancia de fazer \u2018ataques sorrateiros\u2019 (presumivelmente, eles deveriam anunciar com anteced\u00eancia e mont\u00e1-los \u00e0 vista); eles est\u00e3o \u2018fugindo das armadilhas\u2019 (presumivelmente, deveriam ficar). Os Vietcongues atacam barracas americanas \u2018no calar da noite\u2019 e matam jovens americanos (presumivelmente, os americanos apenas atacam em plena luz do dia, n\u00e3o atrapalham o sono do inimigo e n\u00e3o matam jovens vietnamitas). O massacre de centenas de milhares de comunistas (na Indon\u00e9sia) \u00e9 dito \u2018impressionante\u2019 \u2013 uma \u2018taxa de mortalidade\u2019 compar\u00e1vel a sofrida pelo outro lado, dificilmente seria honrado com tal adjetivo. Para os <\/p>\n\n\n\n<p>chineses, a presen\u00e7a de tropas americanas no leste da \u00c1sia \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 sua \u2018ideologia\u2019, enquanto presumivelmente a presen\u00e7a de tropas chinesas nas Am\u00e9ricas Central e do Sul seriam uma amea\u00e7a real, n\u00e3o apenas ideol\u00f3gica, aos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A linguagem carregada funciona de acordo com a f\u00f3rmula orwelliana da identidade dos opostos: na boca do inimigo, paz significa guerra, e defesa \u00e9 ataque, enquanto, no lado certo, escalonamento \u00e9 restri\u00e7\u00e3o e o excesso de bombardeios prepara a paz. Organizada desse modo discriminat\u00f3rio, a linguagem designa um inimigo a priori como o mal total em todas as suas a\u00e7\u00f5es e inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal mobiliza\u00e7\u00e3o da agressividade n\u00e3o pode ser explicada pela magnitude da amea\u00e7a comunista: a imagem do inimigo ostensivo \u00e9 deturpada para al\u00e9m de qualquer realidade. O que est\u00e1 em jogo \u00e9, antes, a continua\u00e7\u00e3o da estabilidade e do crescimento de um sistema amea\u00e7ado por sua pr\u00f3pria irracionalidade \u2013 pela estreita base onde se sustenta sua prosperidade, pela desumaniza\u00e7\u00e3o demandada por sua aflu\u00eancia perdul\u00e1ria e parasit\u00e1ria. A guerra sem sentido \u00e9, ela mesma, parte dessa irracionalidade e, portanto, da ess\u00eancia do sistema. Aquilo que poderia ter sido um envolvimento menor no come\u00e7o, quase um acidente, uma conting\u00eancia da pol\u00edtica internacional, tornou-se um teste para a produtividade, a competi\u00e7\u00e3o e o prest\u00edgio do todo. Os bilh\u00f5es de d\u00f3lares gastos no esfor\u00e7o da guerra s\u00e3o est\u00edmulos (ou curas) t\u00e3o pol\u00edticos quanto econ\u00f4micos: um grande meio de absor\u00e7\u00e3o do excesso econ\u00f4mico e de manter o povo em linha. A derrota no Vietn\u00e3 pode muito bem ser o sinal para outras guerras de liberta\u00e7\u00e3o mais perto de casa \u2013 e talvez at\u00e9 para a rebeli\u00e3o em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>De certo, a utiliza\u00e7\u00e3o social da agressividade pertence \u00e0 estrutura hist\u00f3rica da civiliza\u00e7\u00e3o e tem sido um ve\u00edculo poderoso do progresso. Contudo, h\u00e1 tamb\u00e9m um est\u00e1gio no qual quantidade pode se tornar qualidade e subverter o equil\u00edbrio normal entre os dois instintos prim\u00e1rios em favor da destrui\u00e7\u00e3o. Mencionei o \u2018fantasma\u2019 da automa\u00e7\u00e3o. De fato, o espectro real da sociedade afluente \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel do labor a um n\u00edvel no qual a necessidade do organismo humano n\u00e3o mais funciona como um instrumento do labor. O mero decl\u00ednio quantitativo na necessidade da for\u00e7a de trabalho humano vai na contram\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o do modo capitalista de produ\u00e7\u00e3o (assim como de todos os modos de produ\u00e7\u00e3o espoliativos). O sistema reage aumentando a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os que, de modo algum, ampliam o consumo individual, ou ampliam os luxos \u2013 luxos em face da pobreza persistente, mas luxos necess\u00e1rios para ocupar a for\u00e7a de trabalho suficiente para reproduzir as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas estabelecidas. Na medida em que esse tipo de trabalho aparece como sup\u00e9rfluo, sem sentido e desnecess\u00e1rio, enquanto necess\u00e1rio para ganhar a vida, a frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 entranhada na pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o desta sociedade e a agressividade \u00e9 ativada. Na medida em que a sociedade, em sua pr\u00f3pria estrutura, torna-se agressiva, a estrutura mental dos seus cidad\u00e3os ajusta a si mesma: o indiv\u00edduo torna-se de uma s\u00f3 vez mais agressivo e mais subserviente e submisso, pois se submete a uma sociedade que, em virtude de sua aflu\u00eancia e seu poder, satisfaz suas mais profundas (e tamb\u00e9m extremamente reprimidas) necessidades instintuais. E essas necessidades instintuais aparentemente encontram seu reflexo libidinal nos representantes do povo. O comandante do comit\u00ea dos servi\u00e7os militares do senado estadunidense, senador Russell, da Ge\u00f3rgia, foi surpreendido por esse fato. A seguinte fala foi atribu\u00edda a ele: \u201cH\u00e1 algo no preparo para a destrui\u00e7\u00e3o que faz com que os homens se tornem menos cuidadosos no gasto de dinheiro do que seriam em prop\u00f3sitos construtivos. N\u00e3o sei por que isso acontece; mas observei, por um per\u00edodo de quase trinta anos no senado, que h\u00e1 algo na aquisi\u00e7\u00e3o de armas para matar, destruir, dizimar cidades e inviabilizar grandes sistemas de transportes, que faz com que os homens n\u00e3o reconhe\u00e7am o custo do d\u00f3lar como fazem quando pensam sobre melhoras habitacionais e cuidado com a sa\u00fade dos seres humanos.&#8221; <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2794_1('footnote_plugin_reference_2794_1_2');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2794_1('footnote_plugin_reference_2794_1_2');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2794_1_2\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[2]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2794_1_2\" class=\"footnote_tooltip\">Citado no <em>The Nation<\/em>, 25 de agosto de 1962, pp. 65-66, em um artigo do senador William Proxmire.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2794_1_2').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2794_1_2', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 questionei em algum lugar como algu\u00e9m pode mensurar e comparar historicamente a agress\u00e3o prevalente em uma sociedade espec\u00edfica; em vez de repetir o argumento, quero agora focar em aspectos diferentes, nas formas espec\u00edficas nas quais a agress\u00e3o hoje \u00e9 liberada e satisfeita. A mais evidente, e aquela que distingue a nova forma das formas tradicionais, \u00e9 aquilo que chamo de <em>agress\u00e3o e satisfa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gicas. <\/em>O fen\u00f4meno \u00e9 rapidamente <\/p>\n\n\n\n<p>descrito: o ato de agress\u00e3o \u00e9 fisicamente consumado por um mecanismo com alto grau de automatismo, com poder muito maior do que o indiv\u00edduo humano que o p\u00f5e em movimento, mant\u00e9m-no em movimento e determina seu fim ou alvo. O caso mais extremo \u00e9 o foguete ou o m\u00edssil; o mais ordin\u00e1rio \u00e9 o autom\u00f3vel. Isto significa que a energia, o poder ativado e consumado, \u00e9 a energia mec\u00e2nica, el\u00e9trica ou nuclear das \u2018coisas\u2019, em vez de a energia de um ser humano. A agress\u00e3o \u00e9, por assim dizer, transferida de um sujeito para um objeto, ou pelo menos \u00e9 \u2018mediada\u2019 por um objeto, e o alvo \u00e9 destru\u00eddo por uma coisa, em vez de uma pessoa. Essa mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o entre energia material e humana, e entre a parte f\u00edsica e a mental da agress\u00e3o (o homem torna-se o sujeito e agente da agress\u00e3o em virtude de suas faculdades mentais e n\u00e3o f\u00edsicas), precisa afetar tamb\u00e9m a din\u00e2mica mental. Submeto a hip\u00f3tese sugerida pela l\u00f3gica interna do processo: com a \u2018delega\u00e7\u00e3o\u2019 da destrui\u00e7\u00e3o a uma coisa, ou grupo e sistema de coisas, mais ou menos automatizada, a satisfa\u00e7\u00e3o instintual da pessoa humana \u00e9 \u2018interrompida\u2019, reduzida, frustrada, \u2018supersublimada\u2019. E tal frustra\u00e7\u00e3o desencadeia a repeti\u00e7\u00e3o e o escalonamento: viol\u00eancia aumentada, velocidade, escopo ampliado. Ao mesmo tempo, a responsabilidade pessoal, a consci\u00eancia e o sentimento de culpa s\u00e3o enfraquecidos, ou dilu\u00eddos, deslocados do contexto real onde a agress\u00e3o foi cometida (i.e., bombardeios), e realocado em um contexto mais ou menos in\u00f3cuo (falta de modos, inadequa\u00e7\u00e3o sexual, etc.). Tamb\u00e9m nessa rea\u00e7\u00e3o, o efeito \u00e9 um consider\u00e1vel enfraquecimento do sentimento de culpa, e a defesa (\u00f3dio, ressentimento) tamb\u00e9m \u00e9 redirecionada do sujeito respons\u00e1vel real (o oficial comandante, o governo) para uma pessoa substituta: n\u00e3o fui eu, como pessoa agente (moral e fisicamente), quem fez, mas a coisa, a m\u00e1quina. A m\u00e1quina: a palavra sugere que um aparato constitu\u00eddo de seres humanos pode ser substitu\u00eddo por um aparato mec\u00e2nico: a burocracia, a administra\u00e7\u00e3o, o partido ou organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 o agente respons\u00e1vel; eu, a pessoa individual, fui apenas a instrumentalidade. E um instrumento n\u00e3o pode, em nenhum sentido moral, ser responsabilizado ou estar em um estado de culpa. Desse modo, \u00e9 removida uma outra barreira, erigida pela civiliza\u00e7\u00e3o em um longo processo de disciplina, contra a agress\u00e3o. E a expans\u00e3o do capitalismo avan\u00e7ado envolve-se em uma fat\u00eddica dial\u00e9tica ps\u00edquica que entranha e propele sua din\u00e2mica pol\u00edtico-econ\u00f4mica: quanto mais poderosa e \u2018tecnol\u00f3gica\u2019 agress\u00e3o se torna, menos \u00e9 apta para satisfazer e pacificar o impulso prim\u00e1rio, e mais tende \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o e ao escalonamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Por certo, o uso de instrumentos de agress\u00e3o \u00e9 t\u00e3o antigo quanto a pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a decisiva entre a agress\u00e3o tecnol\u00f3gica e as formas mais primitivas. Estas n\u00e3o eram apenas quantitativamente diferentes (mais fracas): elas requeriam ativa\u00e7\u00e3o e <em>engajamento <\/em>do corpo em um grau muito mais alto do que os instrumentos de agress\u00e3o automatizados ou semiautomatizados. A faca, o \u2018instrumento cortante\u2019, at\u00e9 mesmo o rev\u00f3lver, fazem muito mais \u2018parte\u2019 do indiv\u00edduo que os usa e associam-no de forma mais clara com seu alvo. Al\u00e9m disso, e mais importante, seu uso, a n\u00e3o ser que seja efetivamente sublimado e a servi\u00e7o dos instintos de vida (como no caso do cirurgi\u00e3o, do trabalhador bra\u00e7al, etc.), \u00e9 criminoso \u2013 crime individual \u2013 e, enquanto tal, sujeito a puni\u00e7\u00e3o severa. Em contraste, a agress\u00e3o tecnol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 um crime. O condutor correndo em um autom\u00f3vel ou um barco motorizado n\u00e3o \u00e9 chamado de assassino, mesmo que o seja; e certamente os engenheiros de lan\u00e7amento de m\u00edsseis n\u00e3o \u00e9 (chamado de assassino).<\/p>\n\n\n\n<p>A agress\u00e3o tecnol\u00f3gica libera uma din\u00e2mica mental que agrava as tend\u00eancias destrutivas, antier\u00f3ticas, do complexo puritano. Os novos modos de agress\u00e3o destroem sem incriminar a mente, sem sujar as m\u00e3os e o corpo de ningu\u00e9m. O matador permanece limpo, f\u00edsica e mentalmente. A pureza de seu trabalho mortal tem todas as san\u00e7\u00f5es se \u00e9 dirigido contra o inimigo nacional pelo interesse nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo (an\u00f4nimo) de capa no <em>Les Temps Modernes<\/em> (janeiro de 1966) liga a guerra no Vietn\u00e3 com a tradi\u00e7\u00e3o puritana nos Estados Unidos. A imagem do inimigo \u00e9 aquela da sujeira em suas mais repulsivas formas; a selva suja \u00e9 o seu habitat natural, eviscera\u00e7\u00e3o e decapita\u00e7\u00e3o s\u00e3o seus modos naturais de a\u00e7\u00e3o. Consequentemente, o inc\u00eandio do seu ref\u00fagio, o desmatamento e o envenenamento de seus alimentos, n\u00e3o s\u00e3o apenas opera\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, mas tamb\u00e9m morais: remover a imund\u00edcie contagiosa, limpar o caminho para a ordem da higiene pol\u00edtica e a corre\u00e7\u00e3o. E a purga\u00e7\u00e3o massiva da boa consci\u00eancia de todas as inibi\u00e7\u00f5es racionais leva \u00e0 atrofia da \u00faltima rebeli\u00e3o da sanidade contra a loucura: nenhuma s\u00e1tira, nenhuma ridiculariza\u00e7\u00e3o atinge os moralistas que organizam e defendem o crime. Portanto, podem, sem se tornarem alvo de piadas, publicamente vangloriar a \u2018maior performance da hist\u00f3ria de nossa na\u00e7\u00e3o\u2019, a indiscut\u00edvel realiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do pa\u00eds mais rico, mais poderoso e mais avan\u00e7ado do mundo, espalhando a for\u00e7a destrutiva de sua superioridade t\u00e9cnica sobre os pa\u00edses mais pobres, fracos e desamparados do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O decl\u00ednio da responsabilidade e da culpa, sua absor\u00e7\u00e3o pelo aparato t\u00e9cnico e pol\u00edtico onipresente, tamb\u00e9m tende a invalidar outros valores que deveriam restringir e sublimar a agress\u00e3o. Enquanto a militariza\u00e7\u00e3o da sociedade permanece a manifesta\u00e7\u00e3o mais consp\u00edcua e destrutiva, seus efeitos menos ostensivos na dimens\u00e3o cultural n\u00e3o devem ser minimizados. Um desses efeitos \u00e9 a desintegra\u00e7\u00e3o do valor da <em>verdade<\/em>. A m\u00eddia desfruta de uma imensa desconsidera\u00e7\u00e3o do compromisso com a verdade, e de um modo muito especial. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a m\u00eddia mentir (\u2018mentir\u2019 pressup\u00f5e compromisso com a verdade), \u00e9, sim, misturar verdade e meia-verdade com omiss\u00e3o, reportagem de fatos com coment\u00e1rio e avalia\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o com publicidade e propaganda \u2013 tudo isso compactado em um espantoso indiferenciado pela editorializa\u00e7\u00e3o. As verdades editorialmente desconfort\u00e1veis (e quantas das verdades decisivas n\u00e3o s\u00e3o desconfort\u00e1veis?), retratada nas entrelinhas, ou escondidas, ou harmoniosamente misturadas com non-sense, divers\u00e3o e est\u00f3rias ditas de interesse humano. E o consumidor \u00e9 prontamente inclinado a tomar tudo isso por certo, ele aceita mesmo quando sabe que n\u00e3o \u00e9 bem assim. Agora, o compromisso com a verdade sempre foi prec\u00e1rio, deturpado com fortes qualifica\u00e7\u00f5es, suspendido ou suprimido \u2013 \u00e9 apenas no contexto da ativa\u00e7\u00e3o geral e democr\u00e1tica da agressividade que a desvaloriza\u00e7\u00e3o da verdade assume significado especial. Pois a verdade \u00e9 um valor em sentido estrito, na medida em que serve \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e \u00e0 melhora da vida, como um guia na luta do homem com a natureza e consigo mesmo, com sua pr\u00f3pria fraqueza e sua pr\u00f3pria destrutividade. Nesta fun\u00e7\u00e3o, a verdade \u00e9, de fato, uma quest\u00e3o dos instintos de vida sublimados, Eros, da intelig\u00eancia tornando-se respons\u00e1vel e aut\u00f4noma, esfor\u00e7ando-se para libertar a vida da depend\u00eancia de for\u00e7as indomadas e repressivas. E, no que diz respeito a esta fun\u00e7\u00e3o libertadora e protetora, sua desvaloriza\u00e7\u00e3o remove outra barreira efetiva contra a destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A invas\u00e3o da agress\u00e3o no dom\u00ednio dos instintos de vida tamb\u00e9m desvaloriza a dimens\u00e3o est\u00e9tica. Em <em>Eros e civiliza\u00e7\u00e3o<\/em>, tentei mostrar o componente er\u00f3tico nesta dimens\u00e3o. N\u00e3o-funcional, isto \u00e9, n\u00e3o comprometido com o funcionamento a uma sociedade repressiva, os valores est\u00e9ticos foram fortes protetores de Eros na civiliza\u00e7\u00e3o. A natureza \u00e9 parte dessa dimens\u00e3o. Eros procura, em formas polimorfas, seu pr\u00f3prio mundo sens\u00edvel de realiza\u00e7\u00e3o, seu pr\u00f3prio ambiente \u2018natural\u2019. Mas apenas em um mundo protegido \u2013 protegido dos neg\u00f3cios cotidianos, do barulho, das aglomera\u00e7\u00f5es, do desperd\u00edcio, apenas assim pode satisfazer a necessidade biol\u00f3gica da felicidade. As pr\u00e1ticas empresariais agressivas que, cada vez mais, transformam espa\u00e7os de natureza protetiva em um meio de realiza\u00e7\u00e3o comercial e de divers\u00e3o, portanto, n\u00e3o apenas ofendem a beleza \u2013 elas reprimem necessidades biol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que concordamos em discutir a hip\u00f3tese de que, na sociedade industrial avan\u00e7ada, a mais-agress\u00e3o \u00e9 liberada no comportamento \u2018normal\u2019 e insuspeito, podemos encontr\u00e1-la em \u00e1reas distantes das mais familiares manifesta\u00e7\u00f5es de agress\u00e3o, por inst\u00e2ncia, o estilo da publicidade e a informa\u00e7\u00e3o praticadas pela m\u00eddia de massa. A caracter\u00edstica \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o permanente: o mesmo comercial, com os mesmos textos ou imagens, veiculado ou televisionado de novo e de novo; os mesmos clich\u00eas e frases derramados pelos fornecedores e criadores de informa\u00e7\u00f5es de novo e de novo; os mesmos programas e plataformas professados pelos pol\u00edticos de novo e de novo. Freud chegou a seu conceito de instinto de morte no contexto de sua an\u00e1lise da \u2018compuls\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o\u2019: ele associou a isto o esfor\u00e7o por um estado de completa in\u00e9rcia, aus\u00eancia de tens\u00e3o, retorno ao \u00fatero, aniquila\u00e7\u00e3o. Hitler conhecia bem a fun\u00e7\u00e3o extrema da repeti\u00e7\u00e3o: a maior mentira, repetida suficientemente, ser\u00e1 assimilada e aceita como verdade. Mesmo em seu uso menos extremo, a repeti\u00e7\u00e3o constante, imposta sobre audi\u00eancias mais ou menos cativas, pode ser destrutiva: destruir a autonomia mental, a liberdade de pensamento, a responsabilidade, e conduzir \u00e0 in\u00e9rcia, \u00e0 submiss\u00e3o, \u00e0 repulsa a mudan\u00e7as. A sociedade estabelecida, mestra da repeti\u00e7\u00e3o, torna-se o grande \u00fatero para seus cidad\u00e3os. Certamente, esse caminho para a in\u00e9rcia e essa redu\u00e7\u00e3o da tens\u00e3o s\u00e3o uma alta e n\u00e3o muito satisfat\u00f3ria sublima\u00e7\u00e3o: n\u00e3o leva a um nirvana instintual de satisfa\u00e7\u00e3o. Todavia, pode bem reduzir o estresse da intelig\u00eancia, a dor e a tens\u00e3o que acompanham a atividade mental aut\u00f4noma \u2013 portanto, pode ser uma agress\u00e3o efetiva contra a mente em suas fun\u00e7\u00f5es cr\u00edticas e socialmente perturbadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas s\u00e3o hip\u00f3teses altamente especulativas sobre o social e mentalmente fat\u00eddico car\u00e1ter da agress\u00e3o em nossa sociedade. A agress\u00e3o \u00e9 (na maioria dos casos) destrutividade socialmente \u00fatil \u2013 e ainda fat\u00eddica por causa de seu car\u00e1ter autopropulsor e escopo. A este respeito, tamb\u00e9m, \u00e9 mal sublimada e n\u00e3o muito satisfat\u00f3ria. Se a teoria de Freud est\u00e1 correta, e o impulso destrutivo esfor\u00e7a-se pela aniquila\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida do indiv\u00edduo, n\u00e3o importando qu\u00e3o longo o \u2018desvio\u2019 por outras vidas e alvos, ent\u00e3o podemos de fato falar de uma tend\u00eancia suicida em uma escala verdadeiramente social, e o jogo nacional e internacional com a destrui\u00e7\u00e3o total pode muito bem ter encontrado uma base firme na estrutura instintual dos indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><br><em>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/em> Renata Marinho<br><em>Revis\u00e3o:<\/em> Jade Amorim<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">a obra que ilustra o texto \u00e9 de autoria de Francis Bacon: &#8220;Three studies of Lucian Freud&#8221;, 1969.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><\/p>\n\n\n<style>.wp-block-kadence-column.kb-section-dir-horizontal > .kt-inside-inner-col > .kt-info-box2794_53d804-5f .kt-blocks-info-box-link-wrap{max-width:unset;}.kt-info-box2794_53d804-5f .kt-blocks-info-box-link-wrap{border-top:23px solid #d70141;border-right:23px solid #d70141;border-bottom:23px solid #d70141;border-left:23px solid #d70141;background:#d70141;padding-top:var(--global-kb-spacing-sm, 1.5rem);padding-right:var(--global-kb-spacing-sm, 1.5rem);padding-bottom:var(--global-kb-spacing-sm, 1.5rem);padding-left:var(--global-kb-spacing-sm, 1.5rem);margin-top:50px;}.kt-info-box2794_53d804-5f .kt-blocks-info-box-link-wrap:hover{background:#d70141;}.kt-info-box2794_53d804-5f.wp-block-kadence-infobox{max-width:100%;}.kt-info-box2794_53d804-5f .kadence-info-box-image-inner-intrisic-container{max-width:184px;}.kt-info-box2794_53d804-5f .kadence-info-box-image-inner-intrisic-container 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