{"id":2763,"date":"2023-08-27T15:42:07","date_gmt":"2023-08-27T15:42:07","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=2763"},"modified":"2023-08-27T15:42:08","modified_gmt":"2023-08-27T15:42:08","slug":"o-dandismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/08\/27\/o-dandismo\/","title":{"rendered":"O dandismo"},"content":{"rendered":"\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada do dom\u00ednio colonial franc\u00eas no Congo, os jovens de Kinshasa estavam fundando clubes dedicados \u00e0 moda. Um dos mais lembrados desse per\u00edodo chamava-se&nbsp;Les existos, abrevia\u00e7\u00e3o de&nbsp;les existentialistes, uma homenagem dos estudantes que retornavam de suas estadias em Paris \u00e0 escola filos\u00f3fica de Sartre. Esses clubes eram uma mistura de associa\u00e7\u00f5es de ajuda m\u00fatua, discotecas e conjuntos de moda, e uniam empregados e desempregados, pessoas com e sem instru\u00e7\u00e3o. Seus membros formaram um culto \u00e0 eleg\u00e2ncia, buscando a distin\u00e7\u00e3o e o prazer de usar ternos de grife e acess\u00f3rios sofisticados. Os clubes de moda da d\u00e9cada de 1950 deram o tom para uma subcultura que se tornaria conhecida como \u201cLa Sape\u201d. Do verbo franc\u00eas \u201csaper\u201d, vestir-se ou vestir-se elegantemente, a palavra tornou-se a sigla uma certa Sociedade de Criadores de Ambientes e Pessoas Elegantes (Soci\u00e9t\u00e9 des ambienceurs et personnes \u00e9l\u00e9gantes), que continuou uma tradi\u00e7\u00e3o de roupas elegantes em Kinshasa e em Brazzaville contempor\u00e2neas, bem como na di\u00e1spora congolesa na Europa.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Muitos outros grupos de homens de classe baixa encontraram na auto-estiliza\u00e7\u00e3o e no culto \u00e0 eleg\u00e2ncia uma forma de situar suas identidades. Al\u00e9m de La Sape\u2014talvez o exemplo mais conhecido do dandismo moderno\u2014at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, no Brasil, bandidos associados ao Canga\u00e7o&nbsp;saqueavam as propriedades de ricos propriet\u00e1rios de terras e passavam os dias seguintes usando seus len\u00e7os de seda e tafet\u00e1 franceses, bebendo u\u00edsque ingl\u00eas e bordando suas roupas e chap\u00e9us com motivos coloridos. Para acrescentar outro exemplo, imigrantes mexicanos em Los Angeles, na d\u00e9cada de 1920, que n\u00e3o reivindicavam uma cultura mexicana original, mas tampouco queriam se integrar ao mainstream da cultura branca dos EUA\u200a\u2014\u200aum grupo conhecido como&nbsp;pachucos\u200a\u2014\u200aorganizaram&nbsp;sua habita\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o intermedi\u00e1rio de maneira vis\u00edvel, adotando o colorido e caracter\u00edstico&nbsp;zoot suit&nbsp;como seu s\u00edmbolo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Acredito que todos esses exemplos de apropria\u00e7\u00e3o popular de valores como eleg\u00e2ncia e sofistica\u00e7\u00e3o, e a defesa do prazer est\u00e9tico por pessoas que normalmente n\u00e3o o t\u00eam, tocam em quest\u00f5es de import\u00e2ncia pol\u00edtica e filos\u00f3fica. Essas manifesta\u00e7\u00f5es do desejo de pertencer a uma determinada classe social para a qual a autoexpress\u00e3o livre e elegante \u00e9 poss\u00edvel tocam em quest\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, visibilidade social, busca de distin\u00e7\u00e3o e reivindica\u00e7\u00e3o do prazer est\u00e9tico e da autoexpress\u00e3o. \u00c9 sobre esse desejo de se vestir bem, de ser elegante, refinado, de perder tempo e dinheiro com as coisas boas da vida que quero falar. Estou chamando isso de dandismo.<br>O d\u00e2ndi \u00e9 um tropo hist\u00f3rico e liter\u00e1rio consolidado no s\u00e9culo XIX. Em sua defini\u00e7\u00e3o tradicional, ele se refere ao homem burgu\u00eas rico que almejava as maneiras da aristocracia. O d\u00e2ndi \u00e9 um homem vaidoso e extravagante que deseja participar das atividades da corte, estar entre a nobreza, que possu\u00eda mais do que dinheiro: possu\u00eda sofistica\u00e7\u00e3o, boas maneiras e eleg\u00e2ncia. O desejo do d\u00e2ndi, entretanto, \u00e9 fundamentalmente problem\u00e1tico. Afinal de contas, pertencer \u00e0 aristocracia \u00e9 uma quest\u00e3o de nascimento: ou se&nbsp;nasce&nbsp;aristocrata ou n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel&nbsp;se tornar&nbsp;um aristocrata. Esse desejo de mudar o que nos foi atribu\u00eddo pelo destino ou pela sociedade \u00e9 muito carregado de normatividade, creio eu, e filosoficamente interessante. Quando ele aparece entre as classes mais baixas e os despossu\u00eddos do mundo, eu gostaria de me referir a ele como uma forma de dandismo \u201cde massas\u201d. Ao analisar o dandismo como um conceito politicamente relevante, gostaria de sugerir que se trata de um modo espec\u00edfico de classe de levantar reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas espec\u00edficas de classe. Em particular, uma reivindica\u00e7\u00e3o de prazer est\u00e9tico, normalmente associado \u00e0s classes mais altas.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Gostaria, com isso, de rejeitar duas poss\u00edveis interpreta\u00e7\u00f5es da pr\u00e1tica. A primeira \u00e9 que ela \u00e9 apol\u00edtica por natureza, servindo como um mero artif\u00edcio de moda. A segunda \u00e9 que se trata de uma pr\u00e1tica ideologicamente motivada ou uma mera capitula\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas do mercado de consumo excessivo. Em vez disso, gosto de pensar que o dandismo pode ser visto como uma forma de contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, um apelo a uma constela\u00e7\u00e3o de reivindica\u00e7\u00f5es de coisas como prazer est\u00e9tico, lazer e tempo improdutivo. Tamb\u00e9m acredito que o dandismo n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de recursos, mas talvez \u00e0 m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de status. O dandismo se apropria da cultura dominante e toma posse dela dentro de um espectro que vai do totalmente ir\u00f4nico ao totalmente sincero. Em uma sociedade individualizada, na qual os locais tradicionais de organiza\u00e7\u00e3o e contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (a f\u00e1brica, a rua) n\u00e3o s\u00e3o imediatamente acess\u00edveis, ou talvez estejam bloqueados, o dandismo aponta para a possibilidade de um desses locais na esfera da auto-apresenta\u00e7\u00e3o. Antes de desdobrar esse argumento, deixe-me falar um pouco mais sobre a hist\u00f3ria desse tropo. Gostaria de destacar e elaborar duas caracter\u00edsticas principais do d\u00e2ndi. Primeiro, o culto ao eu e o desejo de produzir a si mesmo, muitas vezes por meio de formas sens\u00edveis de auto-apresenta\u00e7\u00e3o e moda. Em segundo lugar, sua afei\u00e7\u00e3o pela aristocracia e o desejo de viver entre a aristocracia. Ao fazer isso, quero destacar algo no dandismo que testemunha uma sociedade dividida em classes e nos ajuda a conceituar o dandismo como um fen\u00f4meno espec\u00edfico de classe (isto \u00e9, um fen\u00f4meno que deve necessariamente aparecer em uma classe que n\u00e3o seja \u201ca mais alta\u201d).<br>O dandismo se estabeleceu como um tropo social e liter\u00e1rio em meados do s\u00e9culo XIX. \u00c9 dif\u00edcil determinar seu local de nascimento, pois ele descende de muitos pais diferentes, mas pode-se dizer que ele se consolidou em tr\u00e2nsito entre Paris e Londres. Sua exist\u00eancia \u00e9 tanto hist\u00f3rica quanto liter\u00e1ria, uma tendo influenciado a outra. O nascimento do tropo&nbsp;liter\u00e1rio&nbsp;pode ser associado a um ensaio intitulado \u201cDu dandysme et de George Brummel\u201d, escrito em 1845 pelo franc\u00eas Jules Barbey d\u2019Aurevilly. George Brummel, tamb\u00e9m chamado de \u201cBeau\u201d Brummel, foi uma figura importante na Inglaterra da Reg\u00eancia, e Barbey o v\u00ea como um arqu\u00e9tipo de uma certa afeta\u00e7\u00e3o que ele chama de dandismo. Barbey descreve Beau Brummel como um seguidor e criador de regras em quest\u00f5es de gosto, \u201cum explorador de modos de ser por meio de seus aspectos materialmente mais vis\u00edveis\u201d. Al\u00e9m disso, Brummel nasceu em uma fam\u00edlia pr\u00f3xima ao poder e era amigo pessoal do futuro rei George. Essa proximidade de Beau com o rei da Inglaterra n\u00e3o pode ser ignorada. A literatura da \u00e9poca chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o dandismo est\u00e1 imbu\u00eddo de um senso de respeito, talvez at\u00e9 de rever\u00eancia, ou de saudade dos costumes da realeza e da aristocracia.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O desejo de ser algu\u00e9m diferente de si mesmo, um aristocrata, muitas vezes est\u00e1 entrela\u00e7ado com o desejo de ser estrangeiro. Na Inglaterra do final do s\u00e9culo XVIII, era comum a aristocracia enviar seus filhos para o \u201cGrand Tour\u201d pela Europa quando atingissem a maioridade. Jovens de vinte e poucos anos viajavam pela Europa, especialmente para a It\u00e1lia, para explorar o patrim\u00f4nio cultural do Renascimento, ver obras de arte, arquitetura e m\u00fasica. Alguns desses jovens retornavam \u00e0 Inglaterra com uma afei\u00e7\u00e3o especial pelos costumes italianos e um gosto particular por seus h\u00e1bitos culin\u00e1rios. Eles ficaram conhecidos na Inglaterra como \u201cMacaronis\u201d, uma esp\u00e9cie de proto-d\u00e2ndis que receberam esse nome devido ao seu rec\u00e9m-descoberto amor pela massa italiana. J\u00e1 no s\u00e9culo XIX, os aristocratas franceses que viviam no ex\u00edlio na Inglaterra e que haviam aprendido os costumes da alta sociedade londrina acharam seguro retornar a Paris. O dandismo, em suma, desenvolveu-se como esse olhar para o estrangeiro. N\u00e3o apenas os burgueses que queriam ser aristocratas, mas tamb\u00e9m os franceses que queriam ser ingleses. Os ingleses que queriam ser italianos. E assim por diante. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" sizes=\"auto, (max-width: 986px) 100vw, 986px\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/1_2PKDPmBy2-VOOrywwDsL3Q.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2756\" style=\"width:592px;height:336px\" width=\"592\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/1_2PKDPmBy2-VOOrywwDsL3Q.jpg 986w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/1_2PKDPmBy2-VOOrywwDsL3Q-300x170.jpg 300w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/1_2PKDPmBy2-VOOrywwDsL3Q-768x436.jpg 768w\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em&nbsp;O Pintor da Vida Moderna, Baudelaire viu a modernidade n\u00e3o apenas como uma forma do homem se relacionar com o presente, mas tamb\u00e9m consigo mesmo. Ser moderno n\u00e3o \u00e9 meramente aceitar a si mesmo no fluxo dos momentos que passam, mas conceber-se como objeto de uma elabora\u00e7\u00e3o complexa e dif\u00edcil. Baudelaire chama esse impulso em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 autocria\u00e7\u00e3o precisamente de \u201cdandismo\u201d. \u00c9 interessante notar que esse ponto \u00e9 abordado por Foucault em seu ensaio&nbsp;O que s\u00e3o as luzes?,&nbsp;no qual distingue entre a vis\u00e3o negativa de Kant sobre a modernidade como uma forma de&nbsp;sair&nbsp;da inf\u00e2ncia da humanidade e a vis\u00e3o&nbsp;positiva&nbsp;de Baudelaire sobre a modernidade como anunciadora de uma propens\u00e3o \u00e0 autocria\u00e7\u00e3o. De acordo com Foucault, a autocria\u00e7\u00e3o como atitude \u00e9 uma caracter\u00edstica da vida moderna. Em vez de liberar o homem em seu pr\u00f3prio ser, a modernidade \u201co obriga a enfrentar a tarefa de produzir a si mesmo\u201d. O d\u00e2ndi desafia qualquer aceita\u00e7\u00e3o fat\u00eddica de seu pr\u00f3prio destino. Ele anseia pelo estrangeiro, pelo diferente, deseja escapar da estreiteza de sua pr\u00f3pria identidade e se tornar algo maior, algo al\u00e9m do eu. Essa negocia\u00e7\u00e3o da identidade de algu\u00e9m pode ser entendida n\u00e3o apenas como uma express\u00e3o de ideias sobre o eu, eu diria, mas tamb\u00e9m de ideias pol\u00edticas sobre classe. Na medida em que o dandismo olha \u201cpara cima\u201d, eu gostaria de sugerir que ele \u00e9 um modo espec\u00edfico de classe de expressar ideias pol\u00edticas. O dandismo aponta para a pr\u00f3pria estrutura de uma sociedade de classes, e seus componentes constitutivos poderiam ser extrapolados para explicar as pr\u00e1ticas expressivas contempor\u00e2neas das classes mais baixas. Vestir-se elegantemente como um membro das classes mais altas significa uma coisa. Vestir-se elegantemente como um membro das massas, ou das classes mais baixas, significa outra coisa. Na medida em que a \u00faltima aponta para essa cesura de classe, ela adquire um significado pol\u00edtico especial.<br>Com essa leitura, eu gostaria de me distanciar de duas outras poss\u00edveis interpreta\u00e7\u00f5es. Em primeiro lugar, a vis\u00e3o de que as pr\u00e1ticas expressivas das classes mais baixas, como o que estou chamando de dandismo, s\u00e3o apol\u00edticas por natureza\u200a\u2014\u200auma mera moda de vestu\u00e1rio e estilo, ou talvez uma manifesta\u00e7\u00e3o peculiar de vaidade individual e amor-pr\u00f3prio exacerbado. Semelhante a essa vis\u00e3o \u00e9 a alega\u00e7\u00e3o de que essas pr\u00e1ticas expressivas s\u00f3 s\u00e3o politicamente significativas na medida em que as reivindica\u00e7\u00f5es que elas transmitem podem ser reduzidas a aspectos materiais da vida das classes mais baixas.<br>Acredito que a \u201celeg\u00e2ncia\u201d, para o d\u00e2ndi, torna-se um termo-s\u00edmbolo de elementos associados de forma mais geral ao prazer est\u00e9tico: tempo improdutivo, excesso, prazer, hedonismo e ociosidade. Considero o dandismo de massas como uma reivindica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do direito de n\u00e3o ser produtivo, de viver uma vida de excessos e de se divertir por meio de excessos. Isso pode mostrar por que o dandismo de massas n\u00e3o \u00e9 apenas uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de recursos. O desejo de ser como aqueles que aparentemente podem aproveitar o mundo ao m\u00e1ximo (as classes altas) tem sua origem em uma diferen\u00e7a de status, n\u00e3o de posses materiais. Acredito que foi isso que o falecido carnavalesco brasileiro Jo\u00e3osinho Trinta quis dizer quando sintetizou o significado do carnaval no Brasil: \u201cQuem gosta de mis\u00e9ria \u00e9 intelectual; o povo gosta de luxo\u201d. N\u00e3o se quer ascender socialmente para ter mais dinheiro para gastar, mas para&nbsp;pertencer&nbsp;\u00e0 classe que tem mais dinheiro para gastar, por assim dizer.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u00c9 verdade que a reivindica\u00e7\u00e3o de eleg\u00e2ncia acaba assumindo uma forma distorcida: Como os la\u00e7os que unem os membros de uma classe\u200a\u2014\u200aespecialmente a classe trabalhadora\u200a\u2014\u200acomo classe est\u00e3o ausentes em uma sociedade cada vez mais individualizada, uma reivindica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de liberta\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es de trabalho opressivas, por exemplo, \u00e9 impedida de ser articulada no local de trabalho. Da\u00ed a necessidade, eu diria, de procurar poss\u00edveis incorpora\u00e7\u00f5es de potenciais libert\u00e1rios em outros lugares, j\u00e1 que reivindica\u00e7\u00f5es, desejos ou sentimentos n\u00e3o articulados poderiam, como eu estava sugerindo, estar enterrados sob formas mais mundanas de autoexpress\u00e3o na vida cotidiana e em pr\u00e1ticas mais diretamente ligadas ao mundo do consumo.<br>Acredito que o dandismo aponta para um local de contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que muitas vezes n\u00e3o \u00e9 percebido como tal. A esfera pol\u00edtica na qual as reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas podem ser feitas \u00e9 r\u00edgida em termos dos tipos de reivindica\u00e7\u00f5es que aceita. Esse limite pode ser desafiado por dentro (fazendo reivindica\u00e7\u00f5es normativas em uma esfera p\u00fablica normativamente carregada), mas tamb\u00e9m por fora, em formas expressivas e n\u00e3o discursivas. Quando vem de fora, parece vir de uma posi\u00e7\u00e3o de a-politicidade. Aparece como a-pol\u00edtica porque n\u00e3o assume a forma do que normalmente \u00e9 entendido como uma reivindica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. \u00c9 mais simb\u00f3lico do que sem\u00e2ntico, mais expressivo do que discursivo. O dandismo de massas sugere que essa \u201ca-politicidade\u201d \u00e9 apenas aparente. Mais do que uma mera capitula\u00e7\u00e3o aos ditames do mercado\u200a\u2014\u200auma submiss\u00e3o cega aos costumes das classes mais altas em nome do consumo\u200a\u2014\u200a, esse recurso a formas de autoexpress\u00e3o sens\u00edvel pode equivaler a uma forma de protesto \u201coculto\u201d. Essas express\u00f5es podem ser interpretadas como reivindica\u00e7\u00f5es normativas e, portanto, \u201cdesencriptadas\u201d.<br>A segunda interpreta\u00e7\u00e3o da qual quero me distanciar \u00e9 aquela que v\u00ea o dandismo como um movimento abertamente reacion\u00e1rio ou uma pr\u00e1tica ideologicamente motivada. Essa vis\u00e3o baseia-se na natureza da admira\u00e7\u00e3o, ou talvez do&nbsp;anseio, do d\u00e2ndi pela aristocracia. Na Fran\u00e7a p\u00f3s-revolucion\u00e1ria, por exemplo, admirar a aristocracia era, quase por defini\u00e7\u00e3o, a postura mais antirrevolucion\u00e1ria que se poderia ter. Da mesma forma, no dandismo moderno das classes mais baixas, essa vis\u00e3o argumentaria que almejar as maneiras das classes mais altas \u00e9 uma quest\u00e3o de falsa consci\u00eancia: o desejo de parecer, se comportar e se vestir como as classes mais altas poderia ser explicado por uma inculca\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de valores extr\u00ednsecos a essa classe e contr\u00e1rios aos seus interesses.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Acho que esse \u00e9 um argumento justo. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, por exemplo, que o dandismo tenha como alvo as maneiras das classes\u00a0mais altas, j\u00e1 que elas exercem todas as formas de domina\u00e7\u00e3o sobre as classes mais baixas. Os objetos de consumo da elite simbolizam \u201cdistin\u00e7\u00e3o\u201d, para usar os termos de Bourdieu: eles come\u00e7am como formas de parecerem \u00fanicos e acabam \u201cdescendo\u201d a os estratos sociais para se tornarem objetos de desejo de todas as classes inferiores. Embora eu ache que isso seja verdade, h\u00e1 algo no dandismo que funciona para se apropriar dessas imposi\u00e7\u00f5es culturais e se apropriar delas. Isso pode ser feito de forma ir\u00f4nica, em que a apropria\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m funciona como zombaria\u200a\u2014\u200atalvez a cultura dos ballrooms de Nova York na d\u00e9cada de 1980 seja um bom exemplo disso, em que a \u201crealeza\u201d e o glamour s\u00e3o usados como armas apenas de forma \u201cmeio s\u00e9ria\u201d. Mas tamb\u00e9m acredito que isso pode ser cem por cento s\u00e9rio e n\u00e3o ir\u00f4nico, especialmente quando essa cultura dominante \u201cestrangeira\u201d acaba constituindo a identidade fundamental de algu\u00e9m. O exemplo can\u00f4nico aqui \u00e9 o que Bol\u00edvar Echeverr\u00eda chama de \u201cbarroco\u201d: a imita\u00e7\u00e3o teatral e exagerada dos modos europeus pelas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas das Am\u00e9ricas depois que grande parte dessa popula\u00e7\u00e3o foi dizimada pelos colonizadores. Nesse caso, acho que faz pouco sentido falar em termos de uma consci\u00eancia aut\u00eantica ou sincera, com interesses aut\u00eanticos e sinceros, contra uma forma falsa de consci\u00eancia que atropela seus interesses aut\u00eanticos. Acho que n\u00e3o se trata de algo\u00a0aut\u00eantico\u00a0ou\u00a0inaut\u00eantico, mas de um tipo de inautenticidade aut\u00eantica, uma ado\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o sincera das coisas \u201centre aspas\u201d\u200a\u2014\u200apara parafrasear Susan Sontag em seu ensaio sobre o\u00a0camp.<br>Em suma, acredito que o dandismo nos obriga a pensar: e se esse desejo de eleg\u00e2ncia n\u00e3o for de forma alguma falso, mas\u200a\u2014\u200asimplesmente\u200a\u2014\u200averdadeiro?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns has-theme-palette-7-color has-theme-palette-6-background-color has-text-color has-background is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-61ecc280 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"padding-top:2.5rem;padding-right:2.5rem;padding-bottom:2.5rem;padding-left:2.5rem\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"836\" height=\"793\" sizes=\"auto, (max-width: 836px) 100vw, 836px\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/fotoo-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2766\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/fotoo-1.png 836w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/fotoo-1-300x285.png 300w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/fotoo-1-768x728.png 768w\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:75%\">\n<h2 class=\"wp-block-heading has-theme-palette-7-color has-text-color\">Italo Alves<\/h2>\n\n\n\n<p>Estuda e leciona filosofia. \u00c9 editor da <a href=\"http:\/\/revistaportoalegre.com\/\">Revista Porto Alegre<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima d\u00e9cada do dom\u00ednio colonial franc\u00eas no Congo, os jovens de Kinshasa estavam fundando clubes dedicados \u00e0 moda. 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