{"id":2555,"date":"2023-02-03T20:46:02","date_gmt":"2023-02-03T20:46:02","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=2555"},"modified":"2023-02-03T20:56:32","modified_gmt":"2023-02-03T20:56:32","slug":"bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/","title":{"rendered":"Bertold Brecht: o compromisso em literatura e arte &#8211; Ricardo Piglia"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota inicial<\/strong>: A tradu\u00e7\u00e3o do ensaio do escritor e cr\u00edtico liter\u00e1rio argentino, Ricardo Piglia, em nosso idioma, se mostra oportuna para os estudos liter\u00e1rios e de cr\u00edtica marxista. N\u00e3o apenas pela profundidade te\u00f3rica, mas tamb\u00e9m pela intensidade com que exp\u00f5e a atividade liter\u00e1ria enquanto pr\u00e1xis. Sua releitura de Brecht, ao p\u00fablico n\u00e3o especializado, \u00e9 uma porta de entrada para leitores sem muita instru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e uma instru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica para n\u00e3o leitores: a literatura, sob o complexo social da produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o espiritual (cultural), vinculada \u00e0s vicissitudes da luta de classes, aparece no sentido de que \u201ca cultura constitui dentro de uma sociedade de classes um privil\u00e9gio e um instrumento de domina\u00e7\u00e3o\u201d, remontando as principais ideias do dramaturgo alem\u00e3o, que, nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 uma premissa estanque, j\u00e1 que trata-se de arrancar do capitalismo uma nova forma de conceber a literatura, isto \u00e9, decompor sua pr\u00f3pria desapari\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na seguinte tradu\u00e7\u00e3o, mantivemos o t\u00edtulo original da revista <em>Los Libros<\/em>, e n\u00e3o o t\u00edtulo dispon\u00edvel online (\u201cNotas sobre Brecht\u201d), pois pensamos que a melhor op\u00e7\u00e3o se justifica na exposi\u00e7\u00e3o do conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>1.<\/p>\n\n\n\n<p>A apari\u00e7\u00e3o dos trabalhos in\u00e9ditos de B. Brecht sobre a literatura e arte \u00e9, sem d\u00favida, um dos acontecimentos mais importantes da cr\u00edtica marxista desde a publica\u00e7\u00e3o dos \u201cCadernos do c\u00e1rcere\u201d, de Antonio Gramsci. No centro de sua reflex\u00e3o se encontrava a tentativa de fundar na pr\u00e1tica uma teoria marxista da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, que fosse capaz de inscrever os resultados deste trabalho espec\u00edfico no espa\u00e7o da luta de classes. Escritos ao longo de trinta anos, estes ensaios [de Brecht] devem ser lidos como uma s\u00edntese te\u00f3rica da pr\u00e1tica brechtiana. (\u201cTemos tirado ideias da pr\u00e1tica, na realidade, as temos submetidas \u00e0 pr\u00e1tica\u201d). \u00danico crit\u00e9rio de verdade, para Brecht a pr\u00e1tica deve ser o fundamento \u00faltimo de qualquer trabalho cultural: uma cr\u00edtica materialista se funda, justamente, no \u201ccontrole\u201d que, em um campo \u00e0 primeira vista, t\u00e3o \u201cespiritual\u201d, deve exercer a experi\u00eancia concreta para evitar o risco de uma especula\u00e7\u00e3o idealista (\u201cTudo o que se diz sobre a cultura sem ter em conta a pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 mais que uma ideia e tem, portanto, que ser comprovada na pr\u00e1tica\u201d.) Ao mesmo tempo, estes ensaios v\u00eam afirmar o car\u00e1ter produtivo da teoria e seu lugar privilegiado no sistema brechtiano: Brecht n\u00e3o concebe o trabalho art\u00edstico sem o \u201ccontrole\u201d de uma cr\u00edtica cient\u00edfica que funcione como momento interno da produ\u00e7\u00e3o e elimine toda tenta\u00e7\u00e3o empirista. Desta maneira, sua atividade te\u00f3rica \u00e9, de fato, uma resposta concreta ao mito reacion\u00e1rio do \u201cartista\u201d intuitivo e \u201cselvagem\u201d, \u201ccriador inspirado\u201d que cultiva a ignor\u00e2ncia para melhor respaldar o car\u00e1ter \u201cm\u00e1gico\u201d de sua obra\u201d (\u201cGeralmente o artista tem medo de perder sua originalidade em contato com a ci\u00eancia. Tem um medo de que n\u00e3o poder\u00e1 seguir compondo sem \u201csaber demais\u201d.) Desmontar essa cren\u00e7a rom\u00e2ntica do mist\u00e9rio da \u201ccria\u00e7\u00e3o art\u00edstica\u201d \u00e9, para Brecht, a primeira tarefa que se deve realizar uma cr\u00edtica materialista.<\/p>\n\n\n\n<p>2.<\/p>\n\n\n\n<p>De in\u00edcio, Brecht desloca a discuss\u00e3o tradicional sobre literatura redefinindo seu lugar no campo intelectual: \u201cPermita que lhe diga que a luta entre sua gera\u00e7\u00e3o e a minha (escreveu a Thomas Mann) n\u00e3o ser\u00e1 uma quest\u00e3o de crit\u00e9rios, mas sim de luta pelos meios de produ\u00e7\u00e3o. Um exemplo: na pol\u00eamica teremos que lutar para conseguir o posto que voc\u00eas ocupam, n\u00e3o na hist\u00f3ria cultural alem\u00e3, mas em um peri\u00f3dico [revista] de 200 mil leitores. Outro exemplo: no teatro, teremos que lutar contra as opini\u00f5es de Ibsen e os modelos engessados de Hebbel, n\u00e3o contra aquela gente que n\u00e3o quer nos passar os teatros, os atores\u201d. Escrito em 1926, este texto condensa as tarefas da cr\u00edtica brechtiana: an\u00e1lises de fundamento material das ideologias liter\u00e1rias, luta pela posse dos meios de produ\u00e7\u00e3o [culturais] que sustentam e imp\u00f5em as ideias (est\u00e9ticas) dominantes. Trabalhando na mesma linha de Gramsci, que pensa a \u201corganiza\u00e7\u00e3o material da cultura\u201d, Brecht enxerga na literatura um campo onde a luta de classes n\u00e3o \u00e9 uma simples luta de \u201cideias\u201d, sen\u00e3o uma luta material pelo controle dos aparelhos ideol\u00f3gicos que regulam a produ\u00e7\u00e3o material. \u201cOs grandes aparelhos culturais dirigem o trabalho intelectual e determinam seu valor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma sociedade dividida em classes existem v\u00e1rias \u201cest\u00e9ticas\u201d poss\u00edveis, distintos interesses culturais: as classes dominantes imp\u00f5em seus \u201ccrit\u00e9rios\u201d, n\u00e3o por sua qualidade universal, n\u00e3o porque t\u00eam os meios materiais que permitem difundir seus c\u00f3digos de classe como verdades universais. \u201cA classe que disp\u00f5e desses meios de produ\u00e7\u00e3o material \u2013 havia escrito Marx \u2013 disp\u00f5e ao mesmo tempo dos meios de produ\u00e7\u00e3o espirituais\u201d. No mesmo sentido, para Brecht, os valores e gostos dominantes n\u00e3o s\u00e3o outra coisa que a express\u00e3o ideal (neste caso, a est\u00e9tica, as rela\u00e7\u00f5es sociais dominantes. Ou melhor: s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es materiais transformadas em \u201cideias\u201d (est\u00e9ticas). Visto assim, n\u00e3o \u00e9 casual que Brecht afirme que a burguesia tamb\u00e9m \u201c\u00e9 o modo de produ\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>3.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Brecht, a cultura constitui dentro de uma sociedade de classes um privil\u00e9gio e um instrumento de domina\u00e7\u00e3o: atrav\u00e9s dos aparelhos ideol\u00f3gicos da cultura se transforma em um sistema material que reproduz \u2013 e afirma \u2013 em um n\u00edvel espec\u00edfico as condi\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o. Ou para dizer, em suas palavras: \u201cAtrav\u00e9s dos aparelhos a sociedade absorve tudo o que necessita para autorreproduzir-se\u201d<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Deste modo, a literatura cumpre uma fun\u00e7\u00e3o org\u00e2nica no campo ideol\u00f3gico: difunde e \u201cestetiza\u201d os modos de vida, os costumes, os usos sociais, as cren\u00e7as que ajudam a sustentar \u2013 em um n\u00edvel particular \u2013 a hegemonia das classes dominantes.<\/p>\n\n\n\n<p>4.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 precisamente nesta fun\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da literatura que Brecht (com o manejo transparente da dial\u00e9tica que caracteriza seu pensamento) encontra o lado, por assim dizer, \u201cpositivo\u201d da situa\u00e7\u00e3o. Para ele, este processo \u201cvem lan\u00e7ar luz sobre a maneira como hoje as coisas espirituais se convertem em materiais\u201d. O modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista transforma todas as rela\u00e7\u00f5es \u201cespirituais\u201d (tamb\u00e9m as est\u00e9ticas, e entre elas, as do escritor burgu\u00eas com sua classe) em la\u00e7os econ\u00f4micos. A fun\u00e7\u00e3o social da arte \u00e9 definida n\u00e3o pelas ilus\u00f5es ideol\u00f3gicas dos artistas, mas pela produ\u00e7\u00e3o de mercadorias. A partir da\u00ed Brecht faz ver (cf. seu excelente trabalho: \u201cA \u00f3pera dos tr\u00eas vint\u00e9ns, uma experi\u00eancia sociol\u00f3gica\u201d) a contradi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica entre as ideologias est\u00e9ticas (criador original, artista \u201clivre\u201d, o g\u00eanio \u201cinspirado\u201d e o grande homem como realiza\u00e7\u00e3o do humanismo burgu\u00eas, etc.) e os interesses econ\u00f4micos que decidem a produ\u00e7\u00e3o e a circula\u00e7\u00e3o da arte no sistema capitalista. Esse processo de mercantiliza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica aparece como uma cr\u00edtica pr\u00e1tica \u00e0 \u201cideia de um fen\u00f4meno inviol\u00e1vel chamado arte, que se alimenta do humano\u201d. O que Brecht assinala \u00e9 que os aparelhos culturais n\u00e3o est\u00e3o ao servi\u00e7o da arte, nem sequer ao servi\u00e7o exclusivo de certa ideologia art\u00edstica: sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 org\u00e2nica porque s\u00e3o os encarregados de subordinar a arte e a ideologia \u00e0s necessidades objetivas da reprodu\u00e7\u00e3o capitalista. O momento \u201cpositivo\u201d da situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em que, de fato, se apaga a aura rom\u00e2ntica, espiritualizada que rodeia e encobre o trabalho art\u00edstico. A ilus\u00e3o de um artista livre e desinteressado que elabora \u201cespontaneamente\u201d suas obras para um p\u00fablico de iguais est\u00e1 sujeita \u00e0 prova de realidade dos aparelhos culturais. \u201cA cultura burguesa n\u00e3o \u00e9 o que ela pensa da pr\u00e1tica burguesa\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>5.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, Brecht destaca o car\u00e1ter sintom\u00e1tico da cultura burguesa que n\u00e3o \u00e9 (e nem n\u00e3o pode ser) consciente de sua pr\u00f3pria articula\u00e7\u00e3o material. Dito de outra maneira: para Brecht, os aparelhos culturais (\u201cna \u00e9poca do grande capital com costumes idealistas\u201d) s\u00f3 podem produzir sintomas. Um exemplo disto \u00e9 a cr\u00edtica brechtiana ao papel da cr\u00edtica (\u201cculin\u00e1ria\u201d). Reguladores do mercado espec\u00edfico das disciplinas art\u00edsticas, os cr\u00edticos burgueses s\u00e3o simples administradores da arte: em \u00faltima inst\u00e2ncia sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 a de aumentar ou diminuir as vendas e manter em funcionamento a concorr\u00eancia. No fundo, os cr\u00edticos trabalham todos com uma fic\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de um sistema de valores independente do dinheiro. Para Brecht o mais \u201crefinado\u201d cr\u00edtico de arte no capitalismo \u00e9 o dinheiro, e o \u201cgosto\u201d est\u00e9tico n\u00e3o \u00e9 outra coisa que uma sublima\u00e7\u00e3o da capacidade aquisitiva (\u201cSem conhecimento t\u00e9cnico o docemente ins\u00edpido \u201cFilho perdido de Bosch\u201d, que produziu 385.000 francos, n\u00e3o vale nem 3,50 francos. Mas quem pode obter essa erudi\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica? Simplesmente \u00e9 muito cara\u201d). A cr\u00edtica \u00e9 uma mercadoria imaterial, destinada a um mercado espec\u00edfico de mercadorias imateriais que circulam pelos canais concretos dos aparelhos culturais. Neste processo, sua fun\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica est\u00e1 controlada pelas necessidades da produ\u00e7\u00e3o capitalista: distrai o p\u00fablico das condi\u00e7\u00f5es materiais da pr\u00e1tica art\u00edstica para melhor impor a ilus\u00e3o de uma arte \u201clivre\u201d e acima das classes[2]. Neste n\u00edvel o \u201cgosto\u201d est\u00e9tico \u00e9 um modo de sublimar as rela\u00e7\u00f5es materiais, ou melhor: um clich\u00ea ideol\u00f3gico destinado a resolver imagin\u00e1rio a contradi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica entre a arte e o capitalismo. \u201cN\u00e3o reconhecem o gosto como mercadoria, ou meio de combate de uma determinada classe, mas o erige como absoluto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>6.<\/p>\n\n\n\n<p>A cr\u00edtica brechtiana se insere no centro mesmo dessa contradi\u00e7\u00e3o entre capitalismo e arte (algo que, ali\u00e1s, foi mencionado por Marx) sem escolher nenhum dos dois termos. O que se realiza \u00e9 uma dupla cr\u00edtica: por um lado, mostra que as condi\u00e7\u00f5es da economia burguesa exigem que as rela\u00e7\u00f5es sociais (tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es sociais est\u00e9ticas) se ocultem sob o v\u00e9u do mercado: destaca o papel org\u00e2nico dos aparelhos culturais neste processo e analisa a literatura como um campo material da luta de classes. Por outro lado, assinala que a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria deve ser redefinida constantemente sem admitir uma \u201cess\u00eancia\u201d da arte. Esquiva-se, deste modo, o erro idealista de certa cr\u00edtica de esquerda \u2013 \u00e0 maneira de Adorno e a Escola de Frankfurt \u2013 que em sua rejei\u00e7\u00e3o da \u201cind\u00fastria cultural\u201d recaia em um humanismo fatalista e aristocr\u00e1tico. \u201cO conceito de arte cont\u00e9m algo como uma hostilidade contra os aparelhos. O puramente \u201chumano\u201d (= art\u00edstico) \u00e9 imaginado nos aparelhos, de uma forma que, portanto, n\u00e3o existe\u201d. Para Brecht, trata-se de evitar a ilus\u00e3o idealista de conceber a arte como uma qualidade \u201chumana\u201d imut\u00e1vel e a-hist\u00f3rica, que \u00e9 preciso preservar da degrada\u00e7\u00e3o que se submete a voracidade dos aparelhos culturais. \u201cSe o conceito de obra de arte j\u00e1 n\u00e3o pode ser mantido para a coisa que resulta de transformar na obra em mercadoria, ent\u00e3o temos que suprimir esse conceito com cautela, mas com ousadia, a n\u00e3o ser que queiramos liquidar conjuntamente a fun\u00e7\u00e3o dessa coisa, pois tem que passar por essa fase\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste n\u00edvel, a contribui\u00e7\u00e3o de Brecht para uma teoria marxista da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 fundamental. Aprofundando as an\u00e1lises de Tinianov (cf. \u201cTeoria da literatura dos formalistas russos\u201d, Ed. Signos p. 89) redefine, a partir desta situa\u00e7\u00e3o objetiva, a fun\u00e7\u00e3o social da arte. Para Brecht, a pr\u00e1tica est\u00e9tica deve revolucionar constantemente suas pr\u00f3prias conven\u00e7\u00f5es do mesmo modo que na economia o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas revoluciona constantemente os meios de produ\u00e7\u00e3o. Nesta dire\u00e7\u00e3o, Brecht define a literatura \u201ccomo uma pr\u00e1tica social humana, com propriedades espec\u00edficas e uma hist\u00f3ria pr\u00f3pria, apesar de toda uma pr\u00e1tica entre outras, ligada a outras\u201d. \u00c9 na rela\u00e7\u00e3o entre essa pr\u00e1tica espec\u00edfica e as outras pr\u00e1ticas sociais (econ\u00f4mica, ideol\u00f3gica, pol\u00edtica) que Brecht encontra historicamente a mudan\u00e7a de fun\u00e7\u00e3o da arte. Como havia proposto Walter Benjamin: \u201cEm vez de se perguntar qual \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o de uma obra em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de uma \u00e9poca, h\u00e1 que perguntar qual \u00e9 a sua posi\u00e7\u00e3o no interior dessas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. Esta pergunta enfrenta diretamente a fun\u00e7\u00e3o que tem uma obra no interior dessas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o\u201d (Walter Benjamin, \u201cEssaies sur Bertolt Brecht\u201d, Maspero, 1969, p. 110). A atividade art\u00edstica atua no interior de rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas determinadas e est\u00e1 ligada na pr\u00e1tica dominante em cada forma\u00e7\u00e3o social (por exemplo, no feudalismo com a ideologia religiosa). A fun\u00e7\u00e3o depende da articula\u00e7\u00e3o com essa pr\u00e1tica dominante e depois com o resto das pr\u00e1ticas e finalmente com a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Este tecido de rela\u00e7\u00f5es \u00e9 o que modifica a fun\u00e7\u00e3o da literatura no interior das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>7.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa base, Brecht define os crit\u00e9rios que permitem pensar a nova fun\u00e7\u00e3o da literatura: \u201ca nova produ\u00e7\u00e3o\u201d (como a chama Brecht) deve encontrar seu lugar na sociedade a partir da liga\u00e7\u00e3o com uma pr\u00e1tica fundamental: a luta de classes. Neste sentido, para Brecht, o significado ideol\u00f3gico da arte, o modo de produ\u00e7\u00e3o, as formas de distribui\u00e7\u00e3o e de consumo, o p\u00fablico, os protocolos de leitura, lugar do escritor nessa pr\u00e1tica, ou seja, o sistema liter\u00e1rio no seu conjunto \u00e9 determinado pelos interesses de classe, e s\u00e3o os interesses de classe que em cada caso decidem que coisa \u00e9 a arte e a quem (para que) \u201cserve\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>8.<\/p>\n\n\n\n<p>Brecht parafraseia Lenin: \u201cN\u00f3s derivamos nossa est\u00e9tica e nossa moral das necessidades de nossas lutas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>9.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, a pr\u00e1tica liter\u00e1ria define sua interven\u00e7\u00e3o na luta de classes a partir desta nova fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido \u00e9 preciso mudar de lugar o debate sobre o papel do escritor e suas tarefas espec\u00edficas na luta ideol\u00f3gica. \u201cNo que diz respeito \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o perante a sociedade, a maioria dos nossos escritores s\u00e3o v\u00edtimas de um erro muito confort\u00e1vel: pensam que s\u00e3o independentes. Tudo isso prov\u00e9m do fato de n\u00e3o saberem em que consiste a suas fun\u00e7\u00f5es de trabalhadores intelectuais, despojados dos seus meios de produ\u00e7\u00e3o. (Como aparentemente n\u00e3o os necessitam, pensam que n\u00e3o est\u00e3o despojados desses meios). Esquecem que entre os seus meios de produ\u00e7\u00e3o se encontram n\u00e3o s\u00f3 as m\u00e1quinas impressoras e as que fabricam papel, a imprensa, o teatro, as sociedades liter\u00e1rias, as livrarias, etc., que simplesmente exigem mat\u00e9rias-primas e, portanto, trabalho intelectual, mas tamb\u00e9m uma certa quantidade de opini\u00f5es, etc.\u201d. (B. Brecht: \u201cAs tarefas da nova cr\u00edtica\u201d, Crisis n\u00b0 22, fev., 1975 p. 49).<\/p>\n\n\n\n<p>Brecht n\u00e3o pensa a fun\u00e7\u00e3o social do escritor isolada \u2013 ou melhor, considerando separadamente seu trabalho individual: trata de definir o lugar desse trabalho individual no interior de uma produ\u00e7\u00e3o social chamada \u201cliteratura\u201d. Deste modo, volta a descartar a ideologia rom\u00e2ntica que fazer do criador solit\u00e1rio (marginal, maldito, incompreendido) ao imagin\u00e1rio \u201cdestruidor\u201d dos valores burgueses. Cr\u00edtico materialista, Brecht analisa essa ilus\u00e3o ideol\u00f3gica como um efeito do sistema. Frente ao avan\u00e7o da mercantiliza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, o escritor nega o processo em bloco: se retira, tende a considerar-se cada vez mais separado diante da sociedade, se pensa como indiv\u00edduo marginalizado, ou seja, livre de qualquer la\u00e7o social. Invertendo a ideologia burguesa sem neg\u00e1-la, se refugia em uma liberdade ideal: desligado imaginariamente das rela\u00e7\u00f5es sociais, se julga todas as qualidades \u201chumanas\u201d, \u201cexpressivas\u201d de sua obra. Brecht recha\u00e7a esta robinsonada liter\u00e1ria<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>: nega que a \u201csepara\u00e7\u00e3o po\u00e9tica\u201d preserve e assegure a literatura no capitalismo. \u00c9 para a burguesia que a \u201cpoesia\u201d nasce contra a produ\u00e7\u00e3o material: deste modo, a cr\u00edtica brechtiana envolve um campo mais amplo e aponta a l\u00f3gica mesma de apropria\u00e7\u00e3o burguesa da riqueza \u201cespiritual\u201d como momento produtivo. O que Brecht faz ver \u00e9 que o capitalismo contribui n\u00e3o apenas ao fundamento individualista que permite a admira\u00e7\u00e3o de talentos \u201coriginais\u201d e a ideologia do g\u00eanio, mas os fundamentos econ\u00f4micos que identificam valor e raridade.<\/p>\n\n\n\n<p>10.<\/p>\n\n\n\n<p>Brecht realiza um duplo trabalho cr\u00edtico: por um lado, desmonta a economia compensat\u00f3ria da ideologia da literatura que nos poderes \u201cilimitados\u201d do criador sublima a realidade do trabalho assalariado; por outro lado, define o lugar do escritor n\u00e3o pelo que este pensa de sua pr\u00e1tica, mas pela posi\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica no interior das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. \u201cA fuga dos meios de produ\u00e7\u00e3o de m\u00e3os do produtor significa a proletariza\u00e7\u00e3o do produtor: o intelectual, tal como o oper\u00e1rio, n\u00e3o tem para p\u00f4r no processo de produ\u00e7\u00e3o mais do que a sua for\u00e7a de trabalho, mas a sua for\u00e7a, isto \u00e9: ele mesmo, n\u00e3o \u00e9 nada fora dele, e exatamente como no caso do oper\u00e1rio, necessita progressivamente dos meios de produ\u00e7\u00e3o para o aproveitamento de sua for\u00e7a. A socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 para a arte uma quest\u00e3o vital\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>11.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a literatura \u00e9 atravessada especificamente pela luta de classes. O escritor deve ligar sua pr\u00e1tica \u00e0 [pr\u00e1tica] revolucion\u00e1ria das massas (n\u00e3o por abstratos imperativos morais, mas) porque esta luta, na medida em que questiona o poder das classes dominantes, \u00e9 a \u00fanica que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, pode tamb\u00e9m resolver os problemas do escritor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es materiais da sua produ\u00e7\u00e3o. Para isso, \u00e9 preciso descartar a ideia de uma resist\u00eancia solit\u00e1ria (e entre solit\u00e1rios) que exaspera o momento subjetivo e moralizante da \u201celei\u00e7\u00e3o\u201d e do \u201ccompromisso\u201d<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> A \u00eanfase na individualidade do escritor, o sentido de efic\u00e1cia isolada, de cada obra em particular, significa o abandono do momento social e objetivo da pr\u00e1tica liter\u00e1ria. Para Brecht, ao contr\u00e1rio, trata-se de definir o escritor como um produtor despojado de seus meios de produ\u00e7\u00e3o cujas tarefas (pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas, liter\u00e1rias) s\u00e3o tamb\u00e9m sociais e est\u00e3o vinculadas organicamente com a luta revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>12.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a literatura \u00e9 uma frente particular da luta de classes: tamb\u00e9m no interior desse campo \u00e9 preciso definir uma posi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Um exemplo disso \u00e9 a teoria do efeito de distanciamento: o teatro trava uma luta espec\u00edfica contra os modos de representa\u00e7\u00e3o cristalizados na cena burguesa (identifica\u00e7\u00e3o, ilus\u00e3o, mimese, etc.). Segundo Brecht, atuar politicamente significa, tamb\u00e9m, criar uma nova linguagem art\u00edstica, rejeitar os pressupostos da ret\u00f3rica burguesa (\u201cA nova produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o pretende satisfazer a velha est\u00e9tica, mas destru\u00ed-la\u201d). A pr\u00e1tica brechtiana tem sempre o seu momento sem\u00e2ntico: desmontar as conven\u00e7\u00f5es e os c\u00f3digos lingu\u00edsticos impostos como naturais e eternos pelas classes dominantes \u00e9 um modo de fazer ver a coer\u00eancia entre um sistema de sinais art\u00edsticos e um sistema ideol\u00f3gico de comportamentos e de ju\u00edzos. Para Brecht, modificar os procedimentos que regulam a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 um modo de intervir especificamente \u2013 a n\u00edvel da linguagem e dos usos sociais da significa\u00e7\u00e3o \u2013 na luta de classes.<\/p>\n\n\n\n<p>13.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a partir dessa concep\u00e7\u00e3o de conjunto da pr\u00e1tica liter\u00e1ria que devemos ler as posi\u00e7\u00f5es de Brecht em sua pol\u00eamica com Georg Luk\u00e1cs, em \u201cSobre o problema do realismo\u201d. O debate se desenvolveu durante a d\u00e9cada de 30 nas p\u00e1ginas da revista \u201cDas Wort\u201d (publicada em alem\u00e3o, em Moscou); as interven\u00e7\u00f5es de Brecht mantiveram-se em sua maior parte in\u00e9ditas, e s\u00e3o hoje um dos centros de interesse fundamental de seus ensaios (ver \u201cSobre o realismo\u201d, pp. 207 a 283). No debate, Luk\u00e1cs acusa Brecht de formalista, e afirma que o realismo socialista deve usar a forma \u201cracional\u201d do grande romance burgu\u00eas do XIX (Balzac, Tolstoi), rejeitar as inova\u00e7\u00f5es \u201cdecadentes\u201d dos escritores de vanguarda (Kafka, Joyce, etc.). Luk\u00e1cs resume sua posi\u00e7\u00e3o em uma disjun\u00e7\u00e3o imperiosa: Kafka ou Thomas Mann?, e Brecht opta, sem hesitar, por Kafka. N\u00e3o se trata para ele de um problema de gosto pessoal ou de \u201cmodernidade\u201d: o que est\u00e1 em jogo \u00e9 uma quest\u00e3o cl\u00e1ssica no marxismo. Para diz\u00ea-lo, com uma f\u00f3rmula leninista: a que heran\u00e7a renunciamos? Ou seja, qual deve ser a rela\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica marxista com o passado cultural e as tradi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas? \u201cAqui se realizam lutas, nem sempre relevos. A posi\u00e7\u00e3o pela posse da \u201cheran\u00e7a\u201d n\u00e3o \u00e9 um processo sem luta\u201d. Segundo Brecht, Luk\u00e1cs defende uma concep\u00e7\u00e3o organicista, n\u00e3o dial\u00e9tica da hist\u00f3ria da literatura: sem levar em conta a contradi\u00e7\u00e3o, os momentos de ruptura, concebe um progresso \u201charm\u00f4nico\u201d e linear dos g\u00eaneros e os estilos. Por outro lado, ao fundar o realismo socialista<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> sobre o modelo do romance burgu\u00eas, Luk\u00e1cs desloca para a literatura uma concep\u00e7\u00e3o reformista: o socialismo (neste caso, liter\u00e1rio) nasce de reformar, melhorar, fazer progredir o modo de produ\u00e7\u00e3o burgu\u00eas numa continuidade natural sem lutas nem fracturas. (\u201cO novo, escreve Brecht, deve superar o velho, mas deve ter o velho superado em si mesmo, deve aboli-lo, conservando-o. H\u00e1 coisas novas, mas essas surgem da luta com o velho, n\u00e3o sem ele, n\u00e3o do ar livre\u201d). Ao considerar universal, imut\u00e1vel, \u201cracional\u201d uma forma liter\u00e1ria hist\u00f3rica e de classe, Luk\u00e1cs reproduz de fato a mistifica\u00e7\u00e3o que Marx critica nos economistas burgueses: a impossibilidade de pensar para al\u00e9m do horizonte ideol\u00f3gico de uma classe, para a qual o seu modo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cnatural\u201d, eterno, \u201cracional\u201d. \u201cPara um militante da luta de classes, como Luk\u00e1cs, representa um recorte surpreendente da hist\u00f3ria eliminar quase completamente da hist\u00f3ria da literatura a luta de classes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>14.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Brecht as t\u00e9cnicas, os estilos, os procedimentos, n\u00e3o t\u00eam uma efic\u00e1cia pr\u00f3pria e duradoura fora de sua fun\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e de classe. Definir o realismo significa subordinar essa defini\u00e7\u00e3o ao lugar que a pr\u00e1tica liter\u00e1ria tem no interior de rela\u00e7\u00f5es sociais determinadas: o veros\u00edmil que exclui ou ret\u00e9m o \u201cefeito realista\u201d oscila segundo as classes e as \u00e9pocas. O que era realista em um momento, pode deixar de s\u00ea-lo, o que n\u00e3o era realista na \u00e9poca pode ser para outra, diz Brecht, que n\u00e3o s\u00f3 escolhe Kafka contra Thomas Mann, mas considera realista Shelley ou Swift, mas n\u00e3o Sholojov.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante para a pr\u00e1tica do escritor realista que a teoria liter\u00e1ria compreenda o realismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas diferentes fun\u00e7\u00f5es sociais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>15.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, Brecht op\u00f5e-se frontalmente \u00e0 concep\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de Luk\u00e1cs que pensa a literatura a partir da distin\u00e7\u00e3o idealista entre forma e conte\u00fado. Brecht nega essa diferen\u00e7a: define a literatura em termos de produ\u00e7\u00e3o e, portanto, n\u00e3o fala de formas dentro de t\u00e9cnicas, de instrumentos de trabalho, de meios de produ\u00e7\u00e3o. Nesse diapas\u00e3o, realiza outra de suas grandes contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 cr\u00edtica marxista. Segundo Brecht, um meio de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 um corte transversal na defini\u00e7\u00e3o das artes de uma \u00e9poca: n\u00e3o a m\u00fasica, a literatura ou o teatro, mas um certo modo de produzir um determinado efeito est\u00e9tico: por exemplo, o sistema dodecaf\u00f4nico, o mon\u00f3logo interior, ou o efeito de distanciamento. (\u201cUm certo humor n\u00e3o \u00e9 somente o produto de circunst\u00e2ncias materiais mas tamb\u00e9m um meio de produ\u00e7\u00e3o\u201d, diz falando do efeito de distanciamento, p. 116). Um meio de produ\u00e7\u00e3o tampouco \u00e9 um g\u00eanero ou uma forma, mas um conjunto de procedimentos, ou melhores t\u00e9cnicas. (\u201cTais inova\u00e7\u00f5es \u2013 Joyce, Kafka, D\u00f6blin \u2013 devem ser explicadas como pr\u00e1ticas t\u00e9cnicas, n\u00e3o s\u00f3 como formas de express\u00e3o de ing\u00eanuos\u201d, p. 208) Como a literatura \u00e9 sempre pensada em termos de produ\u00e7\u00e3o, as inova\u00e7\u00f5es dos escritores de vanguarda n\u00e3o s\u00e3o (como para Luk\u00e1cs) \u201cirracionais\u201d, arbitr\u00e1rias: Brecht considera o meio expressivo como l\u00edngua, e n\u00e3o como fala, ou seja, a t\u00e9cnica liter\u00e1ria n\u00e3o como ato de cria\u00e7\u00e3o individual, mas como um momento objetivo, ligado ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas. (\u201cNestes trabalhos, disse referindo-se a Joyce, est\u00e3o tamb\u00e9m representadas em certa medida for\u00e7as produtivas\u201d, p. 267). Para Brecht a ci\u00eancia e a t\u00e9cnica influem diretamente neste processo e servem de ponte entre a pr\u00e1tica est\u00e9tica e as for\u00e7as produtivas. Basta ver o modo em que (seguindo aqui Walter Benjamin) pensa a influ\u00eancia dos meios de m\u00eddia ou dos m\u00e9todos de reprodu\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, da psican\u00e1lise, ou da dial\u00e9tica materialista no desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Um exemplo pode ser sua opini\u00e3o sobre o cap\u00edtulo de Molly Bloom no Ulysses. \u201cO cap\u00edtulo dificilmente teria sido escrito sem Freud. As reprova\u00e7\u00f5es que o autor recolheu foram as mesmas que sofreu Freud em seu dia. Choviam: pornografia, prazer m\u00f3rbido na sordidez, a valoriza\u00e7\u00e3o excessiva de tudo quanto acontece do umbigo para baixo e assim sucessivamente. Surpreendentemente, se uniram tamb\u00e9m a essa loucura alguns marxistas que acrescentaram com repugn\u00e2ncia a express\u00e3o pequeno burgu\u00eas. Como meio t\u00e9cnico o mon\u00f3logo interior foi rejeitado, foi chamado formalista. Nunca compreendi o motivo\u201d, p. 221).<\/p>\n\n\n\n<p>16.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa distinta concep\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica liter\u00e1ria \u00e9 central na pol\u00eamica [entre Luk\u00e1cs e Brecht]; ao negar a oposi\u00e7\u00e3o forma\/conte\u00fado, Brecht desloca a discuss\u00e3o e concentra sua cr\u00edtica no seguinte sentido: o formalista \u00e9 Luk\u00e1cs, diz, que esquece a luta de classes, e define o realismo por suas caracter\u00edsticas formais. Para Brecht, o realismo n\u00e3o \u00e9 um simples m\u00e9todo de composi\u00e7\u00e3o, \u201cn\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de formas\u201d: \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>17.<\/p>\n\n\n\n<p>O realismo brechtiano combina diferentes t\u00e9cnicas e instrumentos de trabalho para produzir um efeito de realidade. Neste sentido, para Brecht, n\u00e3o \u00e9 realista quem \u201creflete\u201d a realidade (e, em seus ensaios, nunca fala da teoria do reflexo), mas quem \u00e9 capaz de produzir outra realidade. (\u201cN\u00e3o sou realista, sou um materialista; eu escapo do realismo indo para a realidade\u201d, dizia Eisestein, com palavras parecidas com as de Brecht).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa outra realidade \u00e9 \u201cartificial\u201d, constru\u00edda, pois tem leis pr\u00f3prias e exibe suas conven\u00e7\u00f5es. Essas leis, estas conven\u00e7\u00f5es est\u00e3o determinadas por uma posi\u00e7\u00e3o \u201crealista\u201d (ou seja, de classe) em rela\u00e7\u00e3o ao funcionamento da realidade, \u00e0s for\u00e7as em luta, \u00e0s tend\u00eancias dominantes, etc. Neste processo, a categoria da contradi\u00e7\u00e3o passa a ser o fundamental. Para Brecht, a literatura \u00e9 uma pr\u00e1tica da contradi\u00e7\u00e3o: sua mat\u00e9ria-prima s\u00e3o as contradi\u00e7\u00f5es, ou seja, em \u00faltima inst\u00e2ncia, as realiza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas contradit\u00f3rias (jur\u00eddicas, religiosas, pol\u00edticas, morais, liter\u00e1rias) de posi\u00e7\u00f5es de classe determinadas. Ser realista \u00e9 colocar essas contradi\u00e7\u00f5es em cena, torn\u00e1-las vis\u00edveis, \u201cmostrar os antagonismos sociais <em>sem solucion\u00e1-los<\/em>\u201d, destaca Brecht, (151). A fun\u00e7\u00e3o do realismo \u00e9 fazer perguntas, criar interroga\u00e7\u00f5es, mostrar a l\u00f3gica e os interesses de classe das posi\u00e7\u00f5es em conflito sem resolver imaginariamente as contradi\u00e7\u00f5es. \u201cA dial\u00e9tica oferece a possibilidade de falar das duas classes sem renunciar \u00e0 parcialidade, como vamos combater sem ela?\u201d (p. 151).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Wesley Sousa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Original dispon\u00edvel na<\/em><a href=\"https:\/\/ahira.com.ar\/ejemplares\/40-2\/\"><em> Revista Los Libros<\/em><\/a><em>, n\u00b0 40, 1975.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-coblocks-author\"><figure class=\"wp-block-coblocks-author__avatar\"><img decoding=\"async\" alt=\"Wesley Sousa\" class=\"wp-block-coblocks-author__avatar-img\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-e1644509855792.png\"\/><\/figure><div class=\"wp-block-coblocks-author__content\"><span class=\"wp-block-coblocks-author__name\">Wesley Sousa<\/span><p class=\"wp-block-coblocks-author__biography\"><a target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia (Licenciatura) pela Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (UFSJ). Enfatiza seus estudos em Filosofia da arte\/est\u00e9tica, Pol\u00edtica e Ontologia sob bases marxistas.<\/a><\/p>\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Tradutor<\/a><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-coblocks-author\"><div class=\"wp-block-coblocks-author__content\"><span class=\"wp-block-coblocks-author__name\">Eduardo Galeno<\/span><p class=\"wp-block-coblocks-author__biography\"><a target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Eduardo \u00e9 graduando em Letras pela Universidade Estadual do Piau\u00ed. Atualmente pesquisa na linha da Ret\u00f3rica, Po\u00e9tica e Semi\u00f3tica.<\/a><\/p>\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\">Revisor<\/a><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Esta cita\u00e7\u00e3o pertence a um dos ensaios de Brecht sobre teatro que foi traduzido por Adolfo S\u00e1nchez V\u00e1zquez, com t\u00edtulo \u201cNovidades formais e refuncionaliza\u00e7\u00e3o art\u00edstica\u201d, no volume coletivo \u201cEst\u00e9tica e Marxismo\u201d, M\u00e9xico, ERA, 1970, p. 161. (Nota do autor)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Termo que remete ao personagem \u201cRobinson Cruso\u00e9\u201d, de Daniel Defoe, onde um sujeito isolado, vivendo numa ilha, tudo faz para si, tudo produz e tudo vive, ou seja, um sujeito \u201cdescolado\u201d das rela\u00e7\u00f5es humanas. (Nota do tradutor)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Brecht se op\u00f4s frontalmente ao subjetivismo voluntarista da teoria sartreana do compromisso. Da\u00ed o infeliz t\u00edtulo com o qual foram traduzidos, na edi\u00e7\u00e3o espanhola que comentamos, os \u201cEnsaios sobre arte e literatura\u201d. (Nota do autor)<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn4\" href=\"#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Por \u201crealismo socialista\u201d, aqui, n\u00e3o deve ser entendido como sin\u00f4nimo de \u201crealismo sovi\u00e9tico\u201d. O segundo, era o exato objetivo da cr\u00edtica por Luk\u00e1cs ao falar de \u201crealismo socialista\u201d, do qual seria a postura cr\u00edtica, sem cair nas antinomias burguesas das figuras liter\u00e1rias, ao passo que criticaria o \u201cdescritivismo de superf\u00edcie\u201d sovi\u00e9tico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota inicial: A tradu\u00e7\u00e3o do ensaio do escritor e cr\u00edtico liter\u00e1rio argentino, Ricardo Piglia, em nosso idioma, se mostra oportuna para os estudos liter\u00e1rios e de cr\u00edtica marxista. N\u00e3o apenas pela profundidade te\u00f3rica, mas tamb\u00e9m pela intensidade com que exp\u00f5e a atividade liter\u00e1ria enquanto pr\u00e1xis. Sua releitura de Brecht, ao p\u00fablico n\u00e3o especializado, \u00e9 uma&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2558,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_kadence_starter_templates_imported_post":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":""},"categories":[450,346],"tags":[449,448,209,447],"class_list":["post-2555","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ricardo-piglia","category-traducoes","tag-bertold-brecht","tag-estetica","tag-literatura","tag-ricardo-piglia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Bertold Brecht: o compromisso em literatura e arte - Ricardo Piglia - Zero \u00e0 Esquerda<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Para Brecht, a cultura constitui dentro de uma sociedade de classes um privil\u00e9gio e um instrumento de domina\u00e7\u00e3o: atrav\u00e9s dos aparelhos ideol\u00f3gicos da cultura se transforma em um sistema material que reproduz \u2013 e afirma \u2013 em um n\u00edvel espec\u00edfico as condi\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Bertold Brecht: o compromisso em literatura e arte - Ricardo Piglia - Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Para Brecht, a cultura constitui dentro de uma sociedade de classes um privil\u00e9gio e um instrumento de domina\u00e7\u00e3o: atrav\u00e9s dos aparelhos ideol\u00f3gicos da cultura se transforma em um sistema material que reproduz \u2013 e afirma \u2013 em um n\u00edvel espec\u00edfico as condi\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2023-02-03T20:46:02+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2023-02-03T20:56:32+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Design-sem-nome.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"940\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"788\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:image\" content=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Design-sem-nome.png\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@z3roaesquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@z3roaesquerda\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"25 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8\"},\"headline\":\"Bertold Brecht: o compromisso em literatura e arte &#8211; Ricardo Piglia\",\"datePublished\":\"2023-02-03T20:46:02+00:00\",\"dateModified\":\"2023-02-03T20:56:32+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/\"},\"wordCount\":4947,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2023\\\/02\\\/Design-sem-nome.png\",\"keywords\":[\"Bertold Brecht\",\"Est\u00e9tica\",\"Literatura\",\"Ricardo Piglia\"],\"articleSection\":[\"Ricardo Piglia\",\"Tradu\u00e7\u00f5es\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/\",\"name\":\"Bertold Brecht: o compromisso em literatura e arte - Ricardo Piglia - Zero \u00e0 Esquerda\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2023\\\/02\\\/Design-sem-nome.png\",\"datePublished\":\"2023-02-03T20:46:02+00:00\",\"dateModified\":\"2023-02-03T20:56:32+00:00\",\"description\":\"Para Brecht, a cultura constitui dentro de uma sociedade de classes um privil\u00e9gio e um instrumento de domina\u00e7\u00e3o: atrav\u00e9s dos aparelhos ideol\u00f3gicos da cultura se transforma em um sistema material que reproduz \u2013 e afirma \u2013 em um n\u00edvel espec\u00edfico as condi\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2023\\\/02\\\/Design-sem-nome.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2023\\\/02\\\/Design-sem-nome.png\",\"width\":940,\"height\":788},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/2023\\\/02\\\/03\\\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Bertold Brecht: o compromisso em literatura e arte &#8211; Ricardo Piglia\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"description\":\"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#organization\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/01\\\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/01\\\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png\",\"width\":1271,\"height\":1069,\"caption\":\"Zero \u00e0 Esquerda\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/revistazeroaesquerda\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/z3roaesquerda\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/revistazeroaesquerda\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.youtube.com\\\/channel\\\/UCIaGx271Qw6D1QwqYBojrLw\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8\",\"name\":\"Zero \u00e0 Esquerda\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Zero \u00e0 Esquerda\"},\"description\":\"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/zeroaesquerda.com.br\\\/index.php\\\/author\\\/revistazeroaesquerdagmail-com\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Bertold Brecht: o compromisso em literatura e arte - Ricardo Piglia - Zero \u00e0 Esquerda","description":"Para Brecht, a cultura constitui dentro de uma sociedade de classes um privil\u00e9gio e um instrumento de domina\u00e7\u00e3o: atrav\u00e9s dos aparelhos ideol\u00f3gicos da cultura se transforma em um sistema material que reproduz \u2013 e afirma \u2013 em um n\u00edvel espec\u00edfico as condi\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Bertold Brecht: o compromisso em literatura e arte - Ricardo Piglia - Zero \u00e0 Esquerda","og_description":"Para Brecht, a cultura constitui dentro de uma sociedade de classes um privil\u00e9gio e um instrumento de domina\u00e7\u00e3o: atrav\u00e9s dos aparelhos ideol\u00f3gicos da cultura se transforma em um sistema material que reproduz \u2013 e afirma \u2013 em um n\u00edvel espec\u00edfico as condi\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o.","og_url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/","og_site_name":"Zero \u00e0 Esquerda","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda","article_published_time":"2023-02-03T20:46:02+00:00","article_modified_time":"2023-02-03T20:56:32+00:00","og_image":[{"width":940,"height":788,"url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Design-sem-nome.png","type":"image\/png"}],"author":"Zero \u00e0 Esquerda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_image":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Design-sem-nome.png","twitter_creator":"@z3roaesquerda","twitter_site":"@z3roaesquerda","twitter_misc":{"Escrito por":"Zero \u00e0 Esquerda","Est. tempo de leitura":"25 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/"},"author":{"name":"Zero \u00e0 Esquerda","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/person\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8"},"headline":"Bertold Brecht: o compromisso em literatura e arte &#8211; Ricardo Piglia","datePublished":"2023-02-03T20:46:02+00:00","dateModified":"2023-02-03T20:56:32+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/"},"wordCount":4947,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Design-sem-nome.png","keywords":["Bertold Brecht","Est\u00e9tica","Literatura","Ricardo Piglia"],"articleSection":["Ricardo Piglia","Tradu\u00e7\u00f5es"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/","name":"Bertold Brecht: o compromisso em literatura e arte - Ricardo Piglia - Zero \u00e0 Esquerda","isPartOf":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Design-sem-nome.png","datePublished":"2023-02-03T20:46:02+00:00","dateModified":"2023-02-03T20:56:32+00:00","description":"Para Brecht, a cultura constitui dentro de uma sociedade de classes um privil\u00e9gio e um instrumento de domina\u00e7\u00e3o: atrav\u00e9s dos aparelhos ideol\u00f3gicos da cultura se transforma em um sistema material que reproduz \u2013 e afirma \u2013 em um n\u00edvel espec\u00edfico as condi\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/#primaryimage","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Design-sem-nome.png","contentUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Design-sem-nome.png","width":940,"height":788},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/bertold-brecht-o-compromisso-em-literatura-e-arte-ricardo-piglia\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Bertold Brecht: o compromisso em literatura e arte &#8211; Ricardo Piglia"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#website","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/","name":"Zero \u00e0 Esquerda","description":"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.","publisher":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#organization","name":"Zero \u00e0 Esquerda","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png","contentUrl":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/4-simbolo-zero-a-esquerda-favicon-alt.png","width":1271,"height":1069,"caption":"Zero \u00e0 Esquerda"},"image":{"@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/revistazeroaesquerda","https:\/\/x.com\/z3roaesquerda","https:\/\/www.instagram.com\/revistazeroaesquerda\/","https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCIaGx271Qw6D1QwqYBojrLw"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/#\/schema\/person\/04e72095a4fbe77f00c7b047955ed0b8","name":"Zero \u00e0 Esquerda","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a417d8eccb1cec435aa9a93213f41ee528a636232351421dedc4ada2160b3f1b?s=96&d=mm&r=g","caption":"Zero \u00e0 Esquerda"},"description":"Tra\u00e7ando tend\u00eancias para al\u00e9m do capitalismo.","sameAs":["http:\/\/zeroaesquerda.com.br"],"url":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/author\/revistazeroaesquerdagmail-com\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2555","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2555"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2555\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2614,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2555\/revisions\/2614"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2555"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2555"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2555"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}