{"id":2388,"date":"2022-07-07T20:34:39","date_gmt":"2022-07-07T20:34:39","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=2388"},"modified":"2022-07-07T21:49:28","modified_gmt":"2022-07-07T21:49:28","slug":"sobre-a-dialetica-da-forma-de-valor-hans-georg-backhaus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2022\/07\/07\/sobre-a-dialetica-da-forma-de-valor-hans-georg-backhaus\/","title":{"rendered":"Sobre a Dial\u00e9tica da Forma de Valor \u2013 Hans-Georg Backhaus"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"has-theme-palette-9-color has-theme-palette-4-background-color has-text-color has-background wp-block-heading\">Vers\u00e3o PDF<\/h6>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file aligncenter\"><a id=\"wp-block-file--media-149901bd-19c8-4928-803b-68ed25355494\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Hans-Georg-Backhaus-Sobre-a-Dialetica-da-Forma-de-Valor.pdf\">Hans-Georg-Backhaus-Sobre-a-Dialetica-da-Forma-de-Valor<\/a><a href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Hans-Georg-Backhaus-Sobre-a-Dialetica-da-Forma-de-Valor.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-149901bd-19c8-4928-803b-68ed25355494\">Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<p><span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_1');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_1');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_1\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[1]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_1\" class=\"footnote_tooltip\">Tradu\u00e7\u00e3o do ensaio \u201eZur Dialektik der Wertform\u201c, in : Backhaus, Hans-Georg. Dialektik der Wertform. Freiburg, \u00c7a Ira, 1997, p. 41-64. As cita\u00e7\u00f5es de Marx foram traduzidas diretamente do&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_1');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_1').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_1', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>Por meio de um exame cr\u00edtico da literatura secund\u00e1ria sobre <em>O capital<\/em>, \u00e9 poss\u00edvel apresentar provas de que a teoria do valor-trabalho \u00e9 recebida ou criticada de uma forma grosseiramente simplificada e muitas vezes completamente deturpada. Logo, \u00e9 pr\u00f3prio da interpreta\u00e7\u00e3o positivista de Marx identificar a teoria cl\u00e1ssica do valor com a teoria marxista do valor. Schumpeter representa outros quando contesta a independ\u00eancia da an\u00e1lise marxiana do valor: <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A real compreens\u00e3o de sua teoria econ\u00f4mica come\u00e7a com o reconhecimento de que como te\u00f3rico ele era um disc\u00edpulo de Ricardo. [\u2026] Sua teoria do valor \u00e9 a ricardiana. [\u2026] O argumento de Marx s\u00f3 \u00e9 menos cort\u00eas, mais prolixo e filos\u00f3fico no pior sentido da palavra. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_2');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_2');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_2\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[2]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_2\" class=\"footnote_tooltip\">Schumpeter (1993), p. 44, 46 <em>et seq<\/em>. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_2').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_2', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o \u201ceconomicista\u201d est\u00e1 fadada, contudo, a perder a inten\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da teoria marxiana do valor: a <em>cr\u00edtica <\/em>da economia pol\u00edtica se torna <em>uma <\/em>\u201cteoria econ\u00f4mica\u201d ao lado de muitas outras. A compreens\u00e3o positivista leva necessariamente, al\u00e9m disso, a dissolver a teoria marxiana da sociedade em um pacote de hip\u00f3teses sociol\u00f3gicas e econ\u00f4micas ou \u201cobserva\u00e7\u00f5es de fatos\u201d. Os argumentos descreditados por B\u00f6hm-Bawerk como \u201ctruques dial\u00e9ticos\u201d ou por Schumpeter como \u201cfilos\u00f3ficos\u201d se encontram, sobretudo, na teoria da <em>forma <\/em>de valor. Na medida em que ela \u00e9 apresentada, ou ela \u00e9 incompreens\u00edvel ou se refere a ela sem coment\u00e1rios. A incompreens\u00e3o do int\u00e9rprete \u00e9 t\u00e3o espantosa porque Marx, Engels e Lenin chamaram a aten\u00e7\u00e3o repetidamente ao significado da an\u00e1lise da forma de valor. No <em>Pref\u00e1cio<\/em> a <em>O capital<\/em>, Marx avisa expressamente antes que n\u00e3o se pode negligenciar a teoria da forma de valor: \u201cPara a sociedade burguesa, por\u00e9m, a forma-mercadoria do produto do trabalho, ou a forma de valor da mercadoria, constitui a forma econ\u00f4mica celular. Para o leigo, a an\u00e1lise desse objeto parece se perder em v\u00e3s sutilezas\u201d. \u201cO esp\u00edrito humano tem procurado desvend\u00e1-la em v\u00e3o h\u00e1 mais de 2 mil anos\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 12 [2013, p. 78]), inclusive a escola de Ricardo. Resulta da cita\u00e7\u00e3o acima que Marx afirma ter desvendado pela primeira vez na hist\u00f3ria esta \u201cforma enigm\u00e1tica\u201d. N\u00e3o se deve atribuir essa recep\u00e7\u00e3o defeituosa da an\u00e1lise da forma de valor a uma cegueira problem\u00e1tica dos int\u00e9rpretes. S\u00f3 se pode compreender a insufici\u00eancia de suas exposi\u00e7\u00f5es com base na suposi\u00e7\u00e3o de que Marx n\u00e3o deixara para tr\u00e1s uma vers\u00e3o terminada da teoria do valor-trabalho. Embora ele j\u00e1 a tivesse desenvolvido na <em>Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica<\/em>, Marx se viu for\u00e7ado a apresentar a an\u00e1lise da forma de valor em outras tr\u00eas vers\u00f5es, uma diferente da outra, \u201cporque at\u00e9 mesmo boas mentes n\u00e3o compreenderam t\u00e3o bem o assunto, ent\u00e3o deve haver algo imperfeito na primeira apresenta\u00e7\u00e3o, especialmente na <em>an\u00e1lise da mercadoria<\/em>\u201d (<em>MEW 31<\/em>, p. 534). Marx entrega uma segunda e completamente nova apresenta\u00e7\u00e3o na <em>Primeira edi\u00e7\u00e3o <\/em>de <em>O capital<\/em>. Contudo, j\u00e1 durante a impress\u00e3o, Engels e Kugelmann chamaram a aten\u00e7\u00e3o de Marx \u00e0 \u201cdificuldade de compreens\u00e3o\u201d da an\u00e1lise da forma de valor e, por isso, sugeriram o acr\u00e9scimo de uma terceira apresenta\u00e7\u00e3o, agora popularizada, como ap\u00eandice. Por sua vez, uma quarta vers\u00e3o diferente das apresenta\u00e7\u00f5es anteriores seria desenvolvida para a <em>segunda<\/em> edi\u00e7\u00e3o de <em>O capital<\/em>. Por\u00e9m, dado que nesta quarta e \u00faltima vers\u00e3o as implica\u00e7\u00f5es dial\u00e9ticas da problem\u00e1tica da forma de valor desaparecem cada vez mais e Marx j\u00e1 tinha, na primeira edi\u00e7\u00e3o, \u201cpopularizado a an\u00e1lise da subst\u00e2ncia do valor [\u2026] o m\u00e1ximo poss\u00edvel\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 11 [2013, p. 77]), devem surgir diferen\u00e7as de opini\u00e3o consider\u00e1veis acerca da interpreta\u00e7\u00e3o do que Marx queria designar com os conceitos \u201csubst\u00e2ncia do valor\u201d e \u201ctrabalho abstrato\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_3');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_3');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_3\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[3]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_3\" class=\"footnote_tooltip\">Cf. as contribui\u00e7\u00f5es para a discuss\u00e3o de O. Ledle e H. Schilar (1961) sobre a problem\u00e1ticfa da<em> Ware-Geld-Beziehung im Sozialismus<\/em> [Rela\u00e7\u00e3o mercadoria-dinheiro no socialismo]. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_3').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_3', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Resta, por isso, um urgente desiderato na pesquisa marxista, que \u00e9 reconstruir o todo da teoria do valor a partir das apresenta\u00e7\u00f5es mais ou menos fragment\u00e1rias e das numerosas observa\u00e7\u00f5es dispersas em outras obras.<\/p>\n\n\n\n<p>No <em>Pref\u00e1cio <\/em>\u00e0 primeira edi\u00e7\u00e3o de <em>O capital<\/em>, Marx fala expressamente que a \u201cdial\u00e9tica\u201d caracteriza sua apresenta\u00e7\u00e3o da teoria do valor-trabalho (<em>MEGA II.5<\/em>, p. 11 <em>et seq.<\/em>[ 2013, p. 77 <em>et seq.<\/em>]). Se as interpreta\u00e7\u00f5es tradicionais ignoram sem exce\u00e7\u00e3o essa dial\u00e9tica, \u00e9 necess\u00e1rio perguntar se n\u00e3o se trata apenas da \u201cinsufici\u00eancia da apresenta\u00e7\u00e3o\u201d da an\u00e1lise da forma de valor, mas tamb\u00e9m das duas primeiras se\u00e7\u00f5es no primeiro cap\u00edtulo de <em>O capital<\/em>. Lenin insiste no car\u00e1ter dial\u00e9tico do procedimento de Marx: \u201cN\u00e3o se pode entender <em>O capital<\/em> de Marx e especialmente o primeiro cap\u00edtulo sem estudar profundamente e compreender <em>toda<\/em> a <em>L\u00f3gica <\/em>de Hegel\u201d. Disto ele deduz: \u201cLogo, depois de meio s\u00e9culo, nenhum dos marxistas entendeu Marx! <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_4');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_4');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_4\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[4]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_4\" class=\"footnote_tooltip\"> Lenin (1976), p. 170 <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_4').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_4', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>\u201d. \u201cDepois de meio s\u00e9culo, nenhum dos marxistas entendeu Marx\u201d ou Marx foi t\u00e3o longe em sua populariza\u00e7\u00e3o das duas primeiras se\u00e7\u00f5es do cap\u00edtulo <em>A mercadoria<\/em> que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel entender a \u201cdedu\u00e7\u00e3o\u201d do valor como movimento dial\u00e9tico?<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira se\u00e7\u00e3o Marx procede, notoriamente, de modo tal que ele parte do fato \u201cemp\u00edrico\u201d do valor de troca e define este como a \u201cforma de manifesta\u00e7\u00e3o de um conte\u00fado dele distinto\u201d. Aquilo que deveria ser \u201co fundamento\u201d do valor de troca se chama valor. Na evolu\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise, contudo, isto deve ser considerado independentemente de sua forma. A an\u00e1lise da ess\u00eancia, que independe da an\u00e1lise da forma de manifesta\u00e7\u00e3o, agora leva Marx a retornar subitamente, sem demonstra\u00e7\u00e3o de uma necessidade interna, \u00e0 an\u00e1lise da forma de manifesta\u00e7\u00e3o: \u201cPartimos, na verdade, do valor de troca [\u2026] da mercadoria para seguir as pegadas do valor que nela se esconde. Temos, agora que retornar a essa forma de manifesta\u00e7\u00e3o do valor\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 62 [2013, p. 125]). Este desenvolvimento ainda \u00e9 compreens\u00edvel como express\u00e3o daquele m\u00e9todo que Marx caracterizou em sua introdu\u00e7\u00e3o aos <em>Esbo\u00e7os da Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica <\/em>[<em>Grundrisse<\/em>]como o elevar \u201cdo abstrato ao concreto\u201d (<em>MEW 42<\/em>, p. 35 [2011, p. 54])? A \u201creprodu\u00e7\u00e3o do concreto\u201d que deve se representar [<em>darstellen<\/em>] a partir de agora como \u201crica totalidade de m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es\u201d, como \u201cunidade da diversidade\u201d (<em>Ibid<\/em>.), s\u00f3 se torna compreens\u00edvel a partir do seguinte problema: como o valor se torna valor de troca e pre\u00e7o; por que e de qual maneira o valor se suprassumiu [<em>aufheben<\/em>] no valor de troca e no pre\u00e7o como o modo de seu \u201cser-outro\u201d? Parece-me que o modo de exposi\u00e7\u00e3o em <em>O capital <\/em>n\u00e3o realiza de modo algum claramente o motivo condutor do conhecimento da an\u00e1lise marxiana da forma de valor, a saber, o \u201c<em>porqu\u00ea de este conte\u00fado assumir essa forma<\/em>\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 95, grifo nosso [2013, p. 155]). A media\u00e7\u00e3o insuficiente da subst\u00e2ncia e da forma do valor j\u00e1 est\u00e1 expressa no fato de que se pode apontar uma ruptura no desenvolvimento do valor: a transi\u00e7\u00e3o da segunda para a terceira se\u00e7\u00e3o do primeiro cap\u00edtulo n\u00e3o \u00e9 mais razo\u00e1vel como uma transi\u00e7\u00e3o <em>necess\u00e1ria<\/em>. Assim sendo, o que se fixa na mem\u00f3ria do leitor \u00e9 a aparentemente f\u00e1cil de entender ideia central da teoria da subst\u00e2ncia do valor e do duplo car\u00e1ter do trabalho, a qual \u00e9 desdobrada nas duas primeiras se\u00e7\u00f5es. A terceira se\u00e7\u00e3o, por\u00e9m \u2013 a teoria da forma de valor \u2013, \u00e9 entendida normalmente apenas como prova adicional ou como ornamento \u201cdial\u00e9tico\u201d daquilo que j\u00e1 foi deduzido, de qualquer maneira, nas duas primeiras se\u00e7\u00f5es. O fato de o \u201cobjeto universal\u201d enquanto tal, isto \u00e9, o valor enquanto valor, n\u00e3o se deixar expressar, mas apenas \u201caparecer\u201d de uma forma invertida, ou seja, enquanto \u201crela\u00e7\u00e3o\u201d entre dois valores de uso, escapa \u00e0 compreens\u00e3o do leitor. Por\u00e9m, se o desenvolvimento valor de troca \u2013 valor \u2013 forma de valor n\u00e3o \u00e9 mais compreens\u00edvel como \u201cmovimento [dial\u00e9tico] do \u2018ser\u2019 imediato atrav\u00e9s da \u2018ess\u00eancia\u2019 at\u00e9 a \u2018exist\u00eancia\u2019 mediada\u201d, de modo que \u201c a imedia\u00e7\u00e3o \u00e9 suprassumida e \u00e9 posta novamente como exist\u00eancia mediada, <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_5');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_5');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_5\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[5]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_5\" class=\"footnote_tooltip\">Herbert Marcuse (1979), p. 21 <em>et seq<\/em>.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_5').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_5', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> ent\u00e3o a origem daquelas \u201cintepreta\u00e7\u00f5es dial\u00e9ticas\u201d que equivalem a uma caricatura dial\u00e9tica torna-se compreens\u00edvel. A an\u00e1lise marxiana da mercadoria se apresenta ent\u00e3o como \u201csalto\u201d \u2013 imediato \u2013 \u201cdo simples ao complexo, da subst\u00e2ncia \u00e0 forma de manifesta\u00e7\u00e3o\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_6');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_6');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_6\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[6]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_6\" class=\"footnote_tooltip\"> Rodolfo Banfi (1967), p. 172.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_6').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_6', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> A ess\u00eancia, ao contr\u00e1rio da forma de manifesta\u00e7\u00e3o, pode ser definida a partir da l\u00f3gica formal como \u201cuniversal, t\u00edpica e central\u201d. A media\u00e7\u00e3o da ess\u00eancia e da forma de manifesta\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser constru\u00edda como um movimento pseudodial\u00e9tico de contradi\u00e7\u00f5es pseudodial\u00e9ticas: \u201cO universal n\u00e3o existe [\u2026] independentemente das formas de manifesta\u00e7\u00e3o particulares. Est\u00e1 contido neles como universal, invariante&#8221;.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_7');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_7');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_7\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[7]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_7\" class=\"footnote_tooltip\">W. Jahn (1968), p. 116 et seq.{\/fn] Mesmo aqueles autores que podem afirmar que \u201cestudaram profundamente e compreenderam toda a L\u00f3gica de Hegel\u201d n\u00e3o fornecem explica\u00e7\u00f5es sobre como os&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_7');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_7').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_7', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> <em>O car\u00e1ter fetichista da mercadoria e seu segredo<\/em>. Este subt\u00edtulo caracteriza notoriamente a quarta se\u00e7\u00e3o do primeiro cap\u00edtulo. \u00c9 necess\u00e1rio falar de uma articula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sistem\u00e1tica das primeiras partes e que, por isso, dificulta a compreens\u00e3o da teoria do car\u00e1ter fetichista, j\u00e1 que o \u201csegredo\u201d se torna vis\u00edvel pela primeira vez n\u00e3o na quarta, mas j\u00e1 na terceira se\u00e7\u00e3o e deve ser decifrado na teoria das tr\u00eas peculiaridades da forma equivalente. O fato de o conte\u00fado da quarta se\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser compreens\u00edvel a partir da terceira se\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 evidente na articula\u00e7\u00e3o do ap\u00eandice da primeira edi\u00e7\u00e3o de 1867, a qual Marx prefaciou com o t\u00edtulo de \u201cForma de valor\u201d. Este ap\u00eandice \u2013 concebido apenas como uma vers\u00e3o popularizada da an\u00e1lise da forma de valor \u2013 cont\u00e9m a an\u00e1lise do fetichismo, naturalmente n\u00e3o como teoria independente, mas sim como \u201cquarta peculiaridade\u201d da forma-equivalente. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa classifica\u00e7\u00e3o revela que a teoria do car\u00e1ter fetichista \u2013 ampliada e concebida como quarta se\u00e7\u00e3o na segunda edi\u00e7\u00e3o de <em>O capital<\/em> \u2013 deve ser entendida apenas segundo seu conte\u00fado como uma parte independente da terceira se\u00e7\u00e3o. A elimina\u00e7\u00e3o ou a apresenta\u00e7\u00e3o sem coment\u00e1rios da terceira se\u00e7\u00e3o, que constitui a \u201cobscuridade do primeiro cap\u00edtulo de <em>O capital<\/em> sobre o valor&#8221;,<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_8');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_8');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_8\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[8]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_8\" class=\"footnote_tooltip\">F. Petry (1984), p. 16. O car\u00e1ter fragment\u00e1rio da teoria do fetichismo da mercadoria \u00e9 reconhecido por Sartre: \u201ca teoria do fetichismo concebida por Marx em suas linhas essenciais nunca \u00e9&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_8');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_8').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_8', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> se expressa, sobretudo, na seguinte m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o: <\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Muitos autores ignoram a alega\u00e7\u00e3o da teoria do valor-trabalho de derivar o dinheiro enquanto dinheiro e, portanto, de inaugurar uma teoria espec\u00edfica do dinheiro. N\u00e3o \u00e9 mais surpreendente que estes int\u00e9rpretes apresentem a teoria do valor e eliminem ou corrijam a teoria do dinheiro e, por isso, sejam praticamente incapazes de tornar plaus\u00edvel a diferen\u00e7a entre a teoria do valor-trabalho cl\u00e1ssica e a marxista. Eles n\u00e3o entendem que os conceitos fundamentais da teoria do valor somente s\u00e3o compreens\u00edveis, ent\u00e3o, quando eles, por sua vez, possibilitam a compreens\u00e3o dos conceitos fundamentais da teoria do dinheiro.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_9');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_9');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_9\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[9]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_9\" class=\"footnote_tooltip\">A interdepend\u00eancia entre a teoria do valor e a do dinheiro \u00e9 discutida mais claramente por Wygodski: \u201cMarx concebe a compreens\u00e3o da categoria \u201cdinheiro\u201d como crit\u00e9rio para saber se a&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_9');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_9').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_9', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> O car\u00e1ter hist\u00f3rico da an\u00e1lise da forma de valor consiste precisamente no fato \u201cde que ela analisa imediatamente na forma mais simples, a da mercadoria, o car\u00e1ter <em>especificamente <\/em>social e de modo algum <em>absoluto<\/em> da produ\u00e7\u00e3o burguesa\u201d (<em>MEW 29<\/em>, p. 463).<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise insuficiente da forma de valor por Ricardo teve, al\u00e9m da cr\u00edtica subjetivista de Bailey e da doutrina do dinheiro-trabalho dos socialistas ut\u00f3picos, a consequ\u00eancia adicional de a \u201cforma [\u2026] \u2013 a determina\u00e7\u00e3o especial do trabalho como criador de valor de troca\u201d n\u00e3o ser investigada. Ricardo \u201cn\u00e3o percebe a interdepend\u00eancia entre a determina\u00e7\u00e3o do valor de troca da mercadoria pelo tempo de trabalho e a necessidade das mercadorias de progredirem rumo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do dinheiro\u201d (<em>MEW 26.2<\/em>, p. 161 [1983, p. 597]). \u201cEsse entendimento equivocado do dinheiro, por\u00e9m, se baseia no fato de Ricardo ter em vista apenas a <em>determina\u00e7\u00e3o quantitativa <\/em>do valor de troca\u201d (<em>MEW 26.2<\/em>, p. 504 [1983, p. 939]). A equivocada teoria do dinheiro de Ricardo \u00e9 a teoria quantitativa, a qual \u00e9 visada pela cr\u00edtica da an\u00e1lise da forma do valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a percep\u00e7\u00e3o arduamente alcan\u00e7ada de que a <em>cr\u00edtica <\/em>marxiana<em> das categorias econ\u00f4micas <\/em>transcenda o \u00e2mbito da disciplina da economia, deve se entender a an\u00e1lise da forma do valor \u2013 orientada a categorias filos\u00f3ficas \u2013 em sua fun\u00e7\u00e3o de superar as antinomias da <em>disciplina econ\u00f4mica<\/em>. Numa varia\u00e7\u00e3o da quarta <em>Tese sobre Feuerbach<\/em>, \u00e9 poss\u00edvel caracterizar a cr\u00edtica de Marx a Ricardo da seguinte maneira: Ricardo parte do fato do autoestranhamento econ\u00f4mico, da duplica\u00e7\u00e3o do produto numa coisa de valor, imaginada, e numa coisa real. Sua teoria consiste em dissolver o valor em trabalho. Ele esquece que ainda falta fazer o principal. A saber, o fato de o produto se contrastar consigo mesmo e se fixar como um reino aut\u00f4nomo de categorias econ\u00f4micas, al\u00e9m da consci\u00eancia, s\u00f3 pode ser explicado justamente a partir do autoconflito e da autocontradi\u00e7\u00e3o do trabalho social. Isto deve ser entendido primeiro em sua contradi\u00e7\u00e3o e, ent\u00e3o, ser revolucionado praticamente pela elimina\u00e7\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o. Assim, por exemplo, depois de se descobrir o trabalho como o segredo do valor, ele deve primeiro ser criticado teoricamente e revolucionado praticamente. Metodologicamente, estamos abordando aqui a j\u00e1 mencionada problem\u00e1tica do ascender do abstrato ao concreto, do valor \u00e0 forma de manifesta\u00e7\u00e3o do valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Dedicamo-nos a partir de agora \u00e0 quest\u00e3o de como a rela\u00e7\u00e3o quantitativa entre mercadoria e dinheiro \u00e9 estruturada, aquilo que constitui, ent\u00e3o, o \u201cconte\u00fado formal da express\u00e3o relativa do valor\u201d. Eu pressuponho o padr\u00e3o-ouro, ent\u00e3o 20 varas de linho = x gramas de ouro ou 20 varas de linho valem x gramas de ouro. Essa equa\u00e7\u00e3o sugere que linho e ouro n\u00e3o s\u00f3 representam valores de igual grandeza, mas tamb\u00e9m est\u00e3o interligados um ao outro de um modo particular: o linho \u00e9 posto como de \u201cigual grandeza\u201d <em>e<\/em> \u201cessencialmente igual\u201d. Em vez de se expressar em ouro, o valor do linho pode ser expresso no valor de uso de qualquer outro produto, como, por exemplo, no casaco. \u201c<em>Seu ser-valor <\/em>[\u2026] <em>aparece<\/em>, <em>se expressa <\/em>numa <em>rela\u00e7\u00e3o <\/em>na qual <em>outro<\/em> tipo de mercadoria, o casaco, \u00e9 <em>igualado a ele<\/em> ou <em>\u00e9 v\u00e1lido <\/em>como <em>essencialmente igual<\/em>\u201d (<em>MEGA II.5<\/em>, p. 629; grifos nossos [2021, p. 161]);. Como valor de uso, o linho n\u00e3o \u00e9 substitu\u00edvel pelo ouro. Linho \u00e9 linho e n\u00e3o ouro. Os produtos s\u00e3o \u201cvalores relativos\u201d, ent\u00e3o, apenas quando os termos relacionados j\u00e1 foram postos como valores, como \u201cvalores absolutos\u201d, \u201cessencialmente iguais\u201d ao ouro. Como valor, o linho \u00e9 igual ao ouro \u201ccomo um ovo ao outro\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 67 [2013, p. 129]). \u201cComo valor, <em>\u00e9 <\/em>dinheiro\u201d (<em>MEW 42<\/em>, p. 76; grifos do autor [2011, p. 91]): como valor, o linho <em>\u00e9 <\/em>consequentemente ouro. \u201cToda a m\u00e1gica e assombra\u00e7\u00e3o que enevoam os produtos do trabalho na base da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 90 [2013, p. 151]) se manifesta na rela\u00e7\u00e3o paradoxal na qual a mercadoria \u00e9 ela mesma e ao mesmo tempo seu outro: dinheiro. Ela \u00e9, portanto, identidade da identidade e n\u00e3o-identidade. A mercadoria <em>\u00e9 <\/em>essencialmente igual ao dinheiro e, apesar disso, ao mesmo tempo diferente dele. Esta \u201cunidade na diferen\u00e7a\u201d \u00e9 designada de \u201cduplica\u00e7\u00e3o\u201d na terminologia hegeliana. Esse conceito dial\u00e9tico \u00e9 empregado por Marx para caracterizar a estrutura da equa\u00e7\u00e3o mercadoria-dinheiro: a troca da mercadoria \u201cproduz <em>uma duplica\u00e7\u00e3o da mercadoria em mercadoria e dinheiro<\/em>, uma oposi\u00e7\u00e3o externa na qual se representa sua oposi\u00e7\u00e3o imanente entre valor de uso e valor\u201d (2013, p. 119; grifos do autor [2013, p. 179]).<\/p>\n\n\n\n<p><em>A equa\u00e7\u00e3o mercadoria-dinheiro \u00e9 a supress\u00e3o econ\u00f4mica do Princ\u00edpio da Identidade<\/em>. \u00c9 necess\u00e1rio lembrar sempre da diferen\u00e7a estrutural entre a \u201cmedi\u00e7\u00e3o\u201d do valor e a medi\u00e7\u00e3o de uma propriedade natural. Assim, um litro de \u00e1gua \u00e9 chamado de um quilograma de igual massa. Uma quantidade de \u00e1gua \u00e9 definida como uma unidade de medida de peso. Por\u00e9m, isso n\u00e3o quer dizer de modo algum que o peso de uma coisa \u201caparece\u201d na dimens\u00e3o espacial da \u00e1gua e se \u201crealiza\u201d. Nem \u00e9 a \u00e1gua enquanto \u00e1gua \u00e0 forma de manifesta\u00e7\u00e3o do peso. A coisa enquanto \u201cobjetifica\u00e7\u00e3o\u201d do peso n\u00e3o est\u00e1 em uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica com a \u00e1gua real, de modo que a coisa enquanto peso \u00e9 id\u00eantica \u00e0 agua na apar\u00eancia como fen\u00f4meno que preenche o espa\u00e7o e ao mesmo tempo como qualitativamente determinado diferente desta. A coisa n\u00e3o se \u201cparte\u201d, n\u00e3o se \u201cduplica\u201d como \u201csuporte\u201d de peso e valor \u2013 ela n\u00e3o \u00e9 ao mesmo tempo ela mesma e sua outra. Por\u00e9m, \u00e9 justamente dessa maneira que se obt\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o entre mercadoria e dinheiro. O valor de uma mercadoria pode ser distinguido de seu valor de uso apenas pelo fato de ele expressar seu conte\u00fado em outro valor de uso; assim, o fato de \u201ca mercadoria em sua exist\u00eancia imediata [<em>Dasein<\/em>] como valor de uso n\u00e3o ser valor, n\u00e3o ser a forma de valor adequada, = ao fato de ela s\u00f3 o ser enquanto outra coisa ou enquanto igualada a outra coisa\u201d (<em>MEW 42<\/em>, p. 686 [2011, p. 670]). A mercadoria torna-se uma \u201coutra coisa\u201d e permanece, contudo, ela mesma em seu ser-outro. Na express\u00e3o \u201c20 bra\u00e7as de linho valem 1 casaco\u201d, o valor \u00e9 uma coisa atrav\u00e9s da qual outra se expressa. Esta express\u00e3o de valor gera uma \u201cinvers\u00e3o\u201d estranha: o casaco \u201cem carne e osso\u201d, o casaco enquanto valor de uso, vale imediatamente como valor:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>No dinheiro, o valor da coisa \u00e9 separado de sua subst\u00e2ncia. [\u2026] Por\u00e9m, por um lado, o valor de troca continua, naturalmente, ao mesmo tempo uma qualidade inerente da mercadoria, ao passo que ele existe ao mesmo tempo fora dela. [\u2026] No dinheiro, o valor de troca se contrap\u00f5e a ela [a mercadoria] como algo distinto [\u2026] Todas as propriedades da mercadoria enquanto valor de troca aparecem como um objeto diferente dela. [\u2026] O valor de troca [\u2026] conquistou uma exist\u00eancia aut\u00f4noma numa mercadoria espec\u00edfica, num material particular, independente dele. (<em>MEW 42<\/em>, p. 84-85, p. 119, p. 80, p. 119 [2011, p. 98-99, p. 135, p. 94, p. 135])<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A misteriosa equa\u00e7\u00e3o de linho e casaco muda a determina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do casaco. Ao mesmo tempo em que o linho<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cse <em>iguala <\/em>a ele <em>enquanto valor<\/em>, ao passo que <em>se diferencia <\/em>ao mesmo tempo enquanto <em>objeto de uso<\/em>, o casaco se torna a <em>forma de manifesta\u00e7\u00e3o <\/em>do <em>valor<\/em> do linho em contraste ao corpo do linho [\u2026]. Uma vez que o valor \u00e9 de ess\u00eancia igual \u00e0 do casaco, a forma-natural casaco torna-se a forma de manifesta\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio valor [do linho]\u201d (<em>MEGA II.5<\/em>, p. 30 [2021, p. 130]).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O dinheiro como dinheiro \u00e9 definido por Marx como uma unidade estruturada contraditoriamente: um particular aparece imediatamente como seu pr\u00f3prio oposto, como universal.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ao inv\u00e9s de desmoronar, aqui as determina\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias da mercadoria se refletem uma na outra. [\u2026] \u00c9 como se ao lado e al\u00e9m dos le\u00f5es, tigres, lebres e todos os outros animais reais [\u2026] tamb\u00e9m existisse <em>o animal<\/em>, a encarna\u00e7\u00e3o individual de todo o reino animal. Tal indiv\u00edduo, que compreende em si todas as esp\u00e9cies da mesma coisa \u00e9 um <em>universal<\/em>, como <em>animal<\/em>, <em>Deus<\/em>, etc. (<em>MEGA II.5<\/em>, p. 32-37 [2021, p.132-139])<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Surge a quest\u00e3o de se a ess\u00eancia do valor tamb\u00e9m se torna palp\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s descrevemos o \u201cmovimento\u201d de algo que possui a propriedade peculiar de se \u201ctransformar\u201d, de se \u201cduplicar\u201d, de se \u201cexpressar\u201d, de \u201csempre se manter de tempos em tempos no outro extremo\u201d, de \u201cse desfazer de sua forma natural\u201d e de se \u201crealizar\u201d. Este algo \u2013 esse sens\u00edvel impercept\u00edvel \u2013 \u00e9 \u201cmedido\u201d, \u201ctransferido\u201d, etc. O \u201csuporte\u201d deste feito \u00e9 uma \u201ccoisa do pensamento\u201d, uma \u201cobjetividade abstrata sem outra qualidade e conte\u00fado\u201d. A falta de reflex\u00e3o de numerosos representantes da teoria do valor-trabalho que operam inconscientemente com estes conceitos e que nunca reconhecem seu estatuto l\u00f3gico como problem\u00e1tico torna compreens\u00edvel a tend\u00eancia da cr\u00edtica sem\u00e2ntica de acusar a argumenta\u00e7\u00e3o dos economistas marxistas como puro fetichismo verbal. Problematizar seus pr\u00f3prios conceitos parece-me ser uma tarefa urgente da economia marxista. Isso vale sobretudo para os conceitos fundamentais da teoria do valor: \u201cvalor absoluto\u201d e \u201cmercadoria\u201d. J\u00e1 mencionamos que o valor n\u00e3o \u00e9 conhecido como algo \u201cimanente\u201d \u00e0 consci\u00eancia; ele se coloca como contr\u00e1rio \u00e0 consci\u00eancia como um estranho. \u00c9 exatamente esta problem\u00e1tica, que motivou Simmel a determinar o valor como categoria metaf\u00edsica: \u201ccomo tal, ele est\u00e1 [\u2026] al\u00e9m do dualismo do sujeito e do objeto\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_10');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_10');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_10\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[10]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_10\" class=\"footnote_tooltip\"> georg Simmel (1989), p. 38<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_10').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_10', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> O valor \u00e9 de fato algo pensado, mas n\u00e3o um \u201cconceito\u201d no sentido da l\u00f3gica formal: pode se destacar t\u00e3o pouco uma diferen\u00e7a espec\u00edfica quanto um correlato material. Ele n\u00e3o \u00e9 um conceito gen\u00e9rico, mas \u201calgo conceitual completamente diferente do escopo l\u00f3gico, a unidade de caracter\u00edsticas de qualquer elemento individual&#8221;. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_11');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_11');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_11\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[11]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_11\" class=\"footnote_tooltip\"> Adorno (1993), p. 95.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_11').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_11', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> A refer\u00eancia ao conceito tradicional de Deus demonstra que Marx concebe o \u201c<em>universal<\/em>\u201d como uma <em>unidade<\/em> que cont\u00e9m <em>em si<\/em> a totalidade de todas as determina\u00e7\u00f5es em sua <em>diferen\u00e7a<\/em>. Agora, esta determina\u00e7\u00e3o que qualifica imediatamente apenas a ess\u00eancia do dinheiro tamb\u00e9m \u00e9 v\u00e1lida para o \u201cobjeto universal\u201d valor? O valor aparece apenas em \u201cunidade\u201d com o valor de uso. Essa \u201cunidade\u201d \u00e9 chamada de \u201cmercadoria\u201d \u2013 uma \u201ccoisa sens\u00edvel-suprassens\u00edvel\u201d. Coisa, no sentido da filosofia tradicional ou \u00e9 uma coisa material ou um \u201cobjeto transcendental\u201d. A mercadoria como algo ao qual o sens\u00edvel e o suprassens\u00edvel, o valor de uso e o valor pertencem como propriedades n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Essas propriedades n\u00e3o s\u00e3o abarcadas por um terceiro, que uniria, como uma garra, as camadas em si puras numa unidade. Pode se descrever, provisoriamente, a mercadoria da seguinte maneira. Uma \u201crela\u00e7\u00e3o\u201d entre valores de uso est\u00e1 dada. Como valores de uso, as mercadorias, por\u00e9m, s\u00e3o \u201cexist\u00eancias indiferentes mutuamente e, na verdade, n\u00e3o relacionadas\u201d (<em>MEW 13<\/em>, p. 30 [2008, p. 71]). Por\u00e9m, o imediato \u00e9 sempre tamb\u00e9m algo mediado. A rela\u00e7\u00e3o de um valor de uso consigo mesmo como para com outro aparece como uma rela\u00e7\u00e3o imediata entre dois valores de uso que s\u00e3o id\u00eanticos a si mesmos. Esquece-se que na equa\u00e7\u00e3o de dois valores de uso um valor de uso \u00e9 posto como diferente de si mesmo: \u201ceu estabele\u00e7o uma rela\u00e7\u00e3o na qual toda mercadoria = uma terceira; isto \u00e9, diferente de si mesma\u201d (<em>MEW 42<\/em>, p. 78 [2011, p. 92]). O fato de que a mercadoria enquanto valor de uso n\u00e3o \u00e9 valor pode significar apenas \u201cque ela s\u00f3 \u00e9 isto enquanto algo materialmente diferente ou enquanto igualada \u00e0 outra coisa\u201d(<em>MEW 42<\/em>, p. 686 [2011, p. 670]). &nbsp;Como \u201calgo diferente de si mesma\u201d, a coisa permanece id\u00eantica a si mesma na diferen\u00e7a que possui inerentemente em si mesma. Ela \u201cse diferencia [\u2026] <em>de si mesma<\/em> enquanto valor de uso\u201d (<em>MEGA II.5<\/em>, p. 29, grifos nossos &nbsp;[2021, p. 129]) e obt\u00e9m identidade concreta. A \u201cunidade\u201d de valor e valor de uso, a unidade na autodiferencia\u00e7\u00e3o, se apresenta como duplica\u00e7\u00e3o da mercadoria em mercadoria e dinheiro. \u201cA oposi\u00e7\u00e3o interna contida &nbsp;na mercadoria [\u2026] tamb\u00e9m \u00e9 representada atrav\u00e9s de uma oposi\u00e7\u00e3o externa\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 75 [2013, p. 138]). Ao mesmo tempo ocorre uma \u201c<em>invers\u00e3o<\/em>\u201d: o valor da mercadoria que primeiro transforma o ouro em dinheiro aparece na mercadoria ainda como quantidade ideal de ouro, ou seja, como valor de troca ou pre\u00e7o. \u201cO movimento mediador desaparece em seu pr\u00f3prio resultado e n\u00e3o deixa nenhum vest\u00edgio para tr\u00e1s\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 107 [2013, p. 167]). Ao contr\u00e1rio da teoria cl\u00e1ssica do valor-trabalho, para Marx o valor n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o fundamento da determina\u00e7\u00e3o da grandeza do valor, mas sim, em seu \u201cmovimento mediador\u201d, o constituinte que primeiro constitui a rela\u00e7\u00e3o enquanto rela\u00e7\u00e3o. Assim, o valor n\u00e3o \u00e9 para Marx uma subst\u00e2ncia im\u00f3vel numa rigidez indistingu\u00edvel, mas algo que se desdobra em diferencia\u00e7\u00f5es: sujeito.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Contudo, a totalidade da circula\u00e7\u00e3o, considerada em si mesma, consiste no fato de que o valor de troca, o valor de troca como sujeito, se p\u00f5e uma vez como mercadoria, outra vez como dinheiro, e \u00e9 justamente o movimento de se p\u00f4r nesta dupla determina\u00e7\u00e3o e de se manter em cada uma delas como seu oposto, na mercadoria como dinheiro e no dinheiro como mercadoria. (<em>MEW 42<\/em>, p. 190 [2011, p. 206])<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente, ent\u00e3o, que a duplica\u00e7\u00e3o da mercadoria em mercadoria e dinheiro \u00e9 decifrada primeiro quando se pode demonstrar que esta rela\u00e7\u00e3o antagonista entre coisas se expressa numa rela\u00e7\u00e3o entre seres humanos, a qual \u00e9 estruturada antagonistamente da mesma maneira. Inversamente, estas \u201crela\u00e7\u00f5es sociais entre pessoas\u201d devem ser determinadas de maneira tal que a \u201crela\u00e7\u00e3o\u201d antagonista \u201cdas coisas\u201d se torna compreens\u00edvel a partir de sua estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>A coisa \u201csens\u00edvel-suprassens\u00edvel\u201d designa uma realidade <em>sui generis<\/em>, que n\u00e3o pode ser reduzida nem aos aspectos tecnol\u00f3gicos e fisiol\u00f3gicos do processo de trabalho nem ao conte\u00fado da consci\u00eancia e da inconsci\u00eancia humana. Para Marx, a objetividade abstrata do valor \u00e9 pura e simplesmente uma objetividade social. Assim, o fato de esta dimens\u00e3o da realidade ser igualmente subjetiva e objetiva se distingue de todas as rela\u00e7\u00f5es sociais que s\u00e3o constitu\u00eddas somente pela a\u00e7\u00e3o consciente.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise da forma de valor \u00e9 importante para a teoria marxiana da sociedade em tr\u00eas aspectos: ela \u00e9 o ponto de jun\u00e7\u00e3o da sociologia e da teoria econ\u00f4mica; ela inaugura a cr\u00edtica marxiana da ideologia e uma teoria espec\u00edfica do dinheiro que fundamenta a primazia da esfera da produ\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esfera da circula\u00e7\u00e3o e, portanto, das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201csuperestrutura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>As diferentes formas do dinheiro podem corresponder melhor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o social em diferentes n\u00edveis, em que uma elimina males para os quais a outra n\u00e3o est\u00e1 madura; por\u00e9m, nenhuma dela, na medida em que permanecem formas do dinheiro [\u2026], pode eliminar a contradi\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 rela\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, sen\u00e3o apenar represent\u00e1-la numa ou noutra forma. [\u2026] Uma alavanca pode superar melhor a oposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria inativa melhor que a outra. No entanto, todas se baseiam no fato de que a oposi\u00e7\u00e3o permanece. (<em>MEW 42<\/em>, p. 58-59 [2011, p. 75])<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para Marx, a \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d que se op\u00f5e a uma organiza\u00e7\u00e3o racional do processo de reprodu\u00e7\u00e3o material \u00e9 a objetividade abstrata do valor. Uma forma espec\u00edfica da reprodu\u00e7\u00e3o material \u2013 o trabalho social de produtores privados \u2013 \u00e9 o motivo pelo qual no materialismo hist\u00f3rico o processo de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 determinado como \u201cbase\u201d, ao passo que as rela\u00e7\u00f5es conscientes s\u00e3o determinadas apenas como \u201csuperestrutura\u201d \u2013 \u201calavancas\u201d que se baseiam no fato \u201cde que a oposi\u00e7\u00e3o permanece\u201d. Na medida em que os indiv\u00edduos<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>[\u2026] nem s\u00e3o subsumidos sob uma comunidade natural nem, de outro lado, a subsomem sob si mesmos como membros conscientes da comunidade, ela deve existir perante eles como sujeitos independentes como uma coisa igualmente independente, externa, acidental. \u00c9 precisamente esta a condi\u00e7\u00e3o para que eles, como pessoas privadas independentes, estejam simultaneamente em uma interconex\u00e3o social. (<em>MEGA II.2<\/em>, p. 54)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Dinheiro, para Marx, n\u00e3o \u00e9 um \u201csimples signo\u201d, mas \u00e9 ao mesmo tempo apar\u00eancia e realidade: a interconex\u00e3o social objetivada de indiv\u00edduos isolados. \u201cEle pr\u00f3prio \u00e9 a <em>comunidade <\/em>e n\u00e3o pode admitir nada acima dele\u201d (<em>MEW 42<\/em>, p. 149 [2011, p. 166]). Para a teoria nominalista do dinheiro, contudo, \u201couro e prata\u201d s\u00e3o \u201ccoisas sem valor, mas obt\u00eam dentro do processo de circula\u00e7\u00e3o uma grandeza de valor fict\u00edcia como <em>representantes da mercadoria<\/em>. Ele \u00e9 transformado pelo processo n\u00e3o em dinheiro, mas sim em valor\u201d (<em>MEW 13<\/em>, p. 139 [2008, p. 207-208]). O meio de circula\u00e7\u00e3o \u00e9 entendido exclusivamente como \u201cv\u00e9u monet\u00e1rio\u201d do fluxo de mercadorias, ent\u00e3o a circula\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria \u00e9 de todo apenas um movimento secund\u00e1rio. Esses te\u00f3ricos ignoram, segundo Marx, a ess\u00eancia da invers\u00e3o e, portanto, a g\u00eanese conceitual do dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O dinheiro \u00e9 originalmente o representante de todos os valores; na pr\u00e1tica as coisas se invertem e todos os produtos reais [\u2026] tornam-se os representantes do dinheiro. [\u2026] Enquanto pre\u00e7o, todas as mercadorias s\u00e3o de diferentes formas representantes do dinheiro. (<em>MEW 42<\/em>, p. 84, p. 122 [2011, p. 98, p. 138])<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Falta investigar se pode se comprovar uma interdepend\u00eancia entre a teoria nominalista do dinheiro e a teoria social pluralista.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltamo-nos ent\u00e3o, finalmente, para uma s\u00e9rie de problemas que, embora tenham sido reconhecidos pelos autores positivistas, n\u00e3o foram resolvidos, mas que podem ser entendidos a partir da an\u00e1lise marxiana da forma de valor e demonstrar sua atualidade. A respeito da economia n\u00e3o-marxista, Jahn constata adequadamente:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Para ela, o capital \u00e9 ora dinheiro, ora mercadoria: de um lado, meios de produ\u00e7\u00e3o, de outro, uma soma de valor. Permanece congelado na forma de manifesta\u00e7\u00e3o isolada e n\u00e3o est\u00e1 em nenhuma interconex\u00e3o com outros. [\u2026] O que \u00e9 processado no circuito do capital n\u00e3o \u00e9 dinheiro, nem mercadoria, nem meios de produ\u00e7\u00e3o nem \u2018trabalho\u2019, mas sim o valor, aquilo que aparece alternadamente na forma-dinheiro, na forma-mercadoria e na forma produtiva. Apenas o valor \u00e9 capaz desta metamorfose.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_12');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_12');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_12\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[12]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_12\" class=\"footnote_tooltip\">Jahn (1968), p. 332. Jahn, no entanto, erra em n\u00e3o apreciar suficientemente os argumentos de Erich Preisers, que define o capital apenas como capital-dinheiro. Jahn n\u00e3o est\u00e1 nem um pouco&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_12');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_12').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_12', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O capital \u00e9, por um lado, dinheiro, por outro, mercadoria. Aparente num terceiro. \u00c9 justamente isso que irrita. Ele n\u00e3o \u00e9 um nem a outra, e tanto um como a outra. \u00c9 isso que se chama de \u201csobreposi\u00e7\u00e3o\u201d. Para pensar sobre essa sobreposi\u00e7\u00e3o, se v\u00ea obrigado a pensar o que n\u00e3o se pode pensar com base na teoria do valor subjetivo: o \u201cvalor absoluto\u201d. Algo que uma vez se representa na figura do ouro \u2013 sem, contudo, ser id\u00eantico a este ouro enquanto ouro \u2013 e na outra como mercadoria ou at\u00e9 mesmo como for\u00e7a de trabalho. Este dilema parece ainda n\u00e3o se colocar na troca simples de mercadorias: a mercadoria aparece como coisa e se diferencia enquanto tal da outra coisa, o ouro. Aqui ainda se cr\u00ea que \u00e9 poss\u00edvel eliminar a an\u00e1lise do \u201cnexo interno\u201d e do \u201cmovimento interno\u201d. Quanto ao capital, por outro lado, se \u00e9 obrigado a construir uma \u201csoma de valor abstrata\u201d, a qual n\u00e3o pode ser id\u00eantica ao ouro enquanto ouro, pois ela tamb\u00e9m deve se \u201cencarnar\u201d em outros bens de capital. \u201cTodo o capital se encontra numa <em>constante mudan\u00e7a de figura <\/em>[<em>Gestaltwechsel<\/em>]\u201d, escreve Zwiedineck-S\u00fcdenhorst. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_13');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_13');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_13\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[13]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_13\" class=\"footnote_tooltip\">O. v. Zwiedineck-S\u00fcdenhorst (1932), p. 102.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_13').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_13', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Deve-se estranhar, contudo, quando os representantes da economia subjetiva falam de \u201cmudan\u00e7a de figura\u201d, adotam a f\u00f3rmula marxiana da rota\u00e7\u00e3o do capital D<sub>1<\/sub> \u2013 V \u2013 D<sub>2<\/sub> e n\u00e3o conseguem, por\u00e9m, indicar esse sujeito que possui a propriedade de executar estas \u201cmudan\u00e7as de figura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p> N\u00e3o se pode eliminar o conte\u00fado problem\u00e1tico da forma de valor ignorando-se a solu\u00e7\u00e3o e a apresenta\u00e7\u00e3o marxianas. Demonstra-se, a saber, o fato de os cr\u00edticos da teoria do valor-trabalho constatarem ocasionalmente, num insight autocr\u00edtico, a insolubilidade justamente dos problemas que constituem o objeto da an\u00e1lise da forma de valor que eles ignoram. A ignor\u00e2ncia desse nexo entre a teoria objetiva do valor, rec\u00e9m-criticada e rejeitada como \u201cdogma metaf\u00edsico\u201d e os problemas quantitativos do valor apresentados nos par\u00e1grafos seguintes s\u00e3o expressos exemplarmente no ensaio <em>Doktrinen der Wirtschaftswissenschaft<\/em> [Doutrinas da Ci\u00eancia Econ\u00f4mica] de Joan Robinson. A autora n\u00e3o compreende que com seu questionamento a respeito da <em>qualidade <\/em>das <em>quantidades econ\u00f4micas<\/em> e da ess\u00eancia dos conceitos econ\u00f4micos fundamentais, ela descreve exatamente essa problem\u00e1tica complexa ao redor da qual orbita o pensamento marxiano:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Sempre \u00e9 costumeiro construir modelos nos quais as quantidades de \u201ccapital\u201d aparecem sem que se fa\u00e7a a menor indica\u00e7\u00e3o de qual deve ser esta quantidade. Assim como se contorna habitualmente o problema de dar um conte\u00fado pr\u00e1tico ao conceito de utilidade desenhando um diagrama, tamb\u00e9m se foge do problema de dar um sentido \u00e0 quantidade de \u201ccapital\u201d por meio de sua tradu\u00e7\u00e3o em \u00e1lgebra. C \u00e9 o capital, \u0394C \u00e9 o investimento. Mas o que \u00e9 C? O que isso significa? Capital, naturalmente. Deve significar algo; n\u00f3s queremos prosseguir com a an\u00e1lise e n\u00e3o nos cansar com sofistas pedantes que desejam saber o que significa.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_14');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_14');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_14\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[14]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_14\" class=\"footnote_tooltip\">Robison (1972), p.85 <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_14').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_14', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Joan Robinson revela a situa\u00e7\u00e3o paradoxal do economista moderno que desenvolve, por um lado, m\u00e9todos matem\u00e1ticos complicados para calcular o movimento dos pre\u00e7os e do dinheiro e, por outro, esqueceu como refletir sobre qual poderia ser o objeto de seus c\u00e1lculos. No entanto, se se permanece no modo de pensar de Joan Robinson, a sua pergunta sobre a economia moderna \u2013 \u201c<em>Quantidade de qu\u00ea?<\/em>\u201d \u2013 s\u00f3 pode ser caracterizada como \u201cmetaf\u00edsica\u201d a partir de sua posi\u00e7\u00e3o; pois \u00e9 precisamente esta problem\u00e1tica da quest\u00e3o da g\u00eanese da \u201cpropriedade sobrenatural\u201d valor \u2013 ou o que d\u00e1 no mesmo \u2013 da quest\u00e3o da \u201csubst\u00e2ncia do valor\u201d que \u00e9 objeto das reflex\u00f5es de Marx. O estilo positivista de eliminar os problemas qualitativos \u2013 \u201cdinheiro e taxa de juros, assim como bens e poder de compra, se revelam como conceitos inconceb\u00edveis se n\u00f3s realmente buscamos apreend\u00ea-los&#8221; <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_15');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_15');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_15\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[15]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_15\" class=\"footnote_tooltip\">Robinson (1972), p. 109. A teoria nominalista do dinheiro teria de lidar com o estranho fen\u00f4meno \u201cde que os nomes dados a determinadas partes pes\u00e1veis al\u00edquotas do ouro (metal nobre), da libra&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_15');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_15').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_15', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> &#8211; corresponde \u00e0quele formalismo not\u00f3rio que Joan Robinson comenta da seguinte maneira:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Os representantes modernos da economia neocl\u00e1ssica se refugiam em manipula\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas cada vez mais complicadas e se incomodam cada vez mais com questionamentos sobre o conte\u00fado de suas presumidas manipula\u00e7\u00f5es. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_16');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_16');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_16\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[16]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_16\" class=\"footnote_tooltip\">Robinson (1972), p. 156.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_16').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_16', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se a apresenta\u00e7\u00e3o determinante da teoria monet\u00e1ria moderna se limita nisso a definir o dinheiro como \u201cmeio de troca geral\u201d, ent\u00e3o ainda permanece aberta a quest\u00e3o do que constitui toda a diferen\u00e7a espec\u00edfica entre um meio de troca particular e esse meio universal da troca, mercadoria e dinheiro. Apenas quando se compreendeu a rela\u00e7\u00e3o de ambos como unidade na diferen\u00e7a \u00e9 que desaparece tamb\u00e9m o \u201cfantasma\u201d que for\u00e7a o pensamento econ\u00f4mico a fazer do dinheiro um \u201cconceito inapreens\u00edvel\u201d. O fato de que a rela\u00e7\u00e3o entre mercadoria e dinheiro s\u00f3 \u00e9 apreens\u00edvel como rela\u00e7\u00e3o social, mas n\u00e3o como rela\u00e7\u00e3o entre coisas, \u00e9 uma vis\u00e3o em si mesma trivial e tamb\u00e9m \u00e9 exprimida por representantes da economia subjetivista. Proveniente da constata\u00e7\u00e3o de que o valor subjetivo s\u00f3 tem como conte\u00fado uma rela\u00e7\u00e3o <em>ps\u00edquica <\/em>entre o sujeito e um objeto, Amonn constata adequadamente: \u201cUma rela\u00e7\u00e3o de natureza objetiva diferente em sua ess\u00eancia \u00e9 da\u00ed levada \u00e0 express\u00e3o no conceito do \u2018valor de troca objetivo\u2019. Esta \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o <em>social<\/em>&#8220;.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_17');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_17');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_17\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[17]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_17\" class=\"footnote_tooltip\"> Ammon (1944), p. 134.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_17').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_17', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Sup\u00f5e-se que esta reflex\u00e3o transforma a an\u00e1lise econ\u00f4mica numa an\u00e1lise sociol\u00f3gica. Rela\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o, para Ammon, \u201cfatos da consci\u00eancia\u201d e \u201crela\u00e7\u00f5es de vontade\u201d, como Estado, fam\u00edlia, amizade, etc. \u201cCapital, dinheiro e empresa s\u00e3o exatamente estes fatos sociais.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_18');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_18');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2388_1_18\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[18]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_18\" class=\"footnote_tooltip\">Ammon (1911), p. 409 et seq. Tentativas mais recentes de elaborar uma \u201cteoria social do dinheiro\u201d (Gerloff) ou de constituir a \u201ceconomia nacional como sociologia\u201d (Albert) n\u00e3o fogem da&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2388_1('footnote_plugin_reference_2388_1_18');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2388_1_18').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2388_1_18', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> O capital \u00e9 v\u00e1lido para ele como \u201cpoder social impessoal [\u2026] concentrado e abstrato\u201d, o empres\u00e1rio \u201ccomo portador do poder de disposi\u00e7\u00e3o individual abstrato e concentrado\u201d. \u00c9 evidente que este conceito n\u00e3o satisfaz seu pedido de que se dissolva sociologicamente as categorias econ\u00f4micas. \u201cO poder de disposi\u00e7\u00e3o abstrato\u201d \u00e9 apenas outro nome para aquela realidade econ\u00f4mica que deve ser explicada como rela\u00e7\u00e3o social: <em>o poder de compra<\/em>. A transcri\u00e7\u00e3o tautol\u00f3gica de categorias induz Ammon a compreender o capital como amizade e a fam\u00edlia puramente como \u201cfatos da consci\u00eancia\u201d. No entanto, estas defini\u00e7\u00f5es seriam negadas por ele quando ele constata que o poder de disposi\u00e7\u00e3o abstrato est\u00e1 \u201cvinculado a bens reais que, no entanto, s\u00e3o essencialmente diferentes dele\u201d. A \u201cvincula\u00e7\u00e3o\u201d de um bem material diferencia, por\u00e9m, qualitativamente o poder de disposi\u00e7\u00e3o abstrato de outras rela\u00e7\u00f5es sociais como a amizade ou a fam\u00edlia. De certo modo, o que \u00e9 vinculado a um bem real e que \u00e9 ainda assim diferente dele coloca naturalmente um problema que foge \u00e0 compreens\u00e3o da teoria positivista da a\u00e7\u00e3o: a forma materialista da s\u00edntese.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma teoria sociol\u00f3gica que busca deduzir as rela\u00e7\u00f5es sociais de um <em>consciente<\/em> \u201crelacionar-se com o outro\u201d entre diversos indiv\u00edduos e coloca \u201creflexividade\u201d e \u201cintencionalidade\u201d como caracter\u00edsticas constitutivas das a\u00e7\u00f5es sociais deve fracassar, pois as categorias econ\u00f4micas n\u00e3o podem ser reduzidas ao conte\u00fado da consci\u00eancia e da inconsci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Sua [dos produtores] \u201cmind\u201d [mente], sua consci\u00eancia, pode n\u00e3o saber absolutamente nada, pois pode n\u00e3o existir, sobre como in fact [de fato] \u00e9 determinado o valor de suas mercadorias ou de seus produtos. Elas s\u00e3o postas em rela\u00e7\u00f5es que determinam sua mind [mente] sem que tenham necessidade de sab\u00ea-lo. Todos podem precisar do dinheiro enquanto dinheiro sem saber o que o dinheiro \u00e9. As categorias econ\u00f4micas se espelham de maneira muito deformada na consci\u00eancia. (<em>MEW 26.3<\/em>, p. 163)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/em> Thiago Papageorgiou<br><em>Revis\u00e3o:<\/em> Talles Lopes<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<style>.wp-block-kadence-column.kb-section-dir-horizontal > .kt-inside-inner-col > #kt-info-box_f95c74-21{max-width:1043px;}.wp-block-kadence-column.kb-section-dir-horizontal > .kt-inside-inner-col > #kt-info-box_f95c74-21 .kt-blocks-info-box-link-wrap{max-width:unset;}#kt-info-box_f95c74-21 .kt-blocks-info-box-link-wrap{border-color:#d70141;border-radius:6px;border-top-width:3px;border-right-width:3px;border-bottom-width:3px;border-left-width:3px;background:#d70141;max-width:1043px;padding-top:25px;padding-right:25px;padding-bottom:25px;padding-left:25px;margin-top:50px;}#kt-info-box_f95c74-21 .kt-blocks-info-box-link-wrap:hover{border-color:#d70141;background:#d70141;}#kt-info-box_f95c74-21.wp-block-kadence-infobox{max-width:100%;}#kt-info-box_f95c74-21 .kadence-info-box-image-inner-intrisic-container{max-width:171px;}#kt-info-box_f95c74-21 .kadence-info-box-image-inner-intrisic-container .kadence-info-box-image-intrisic{padding-bottom:80.6378%;width:439px;height:0px;max-width:100%;}#kt-info-box_f95c74-21 .kadence-info-box-icon-container .kt-info-svg-icon, #kt-info-box_f95c74-21 .kt-info-svg-icon-flip, #kt-info-box_f95c74-21 .kt-blocks-info-box-number{font-size:50px;}#kt-info-box_f95c74-21 .kt-blocks-info-box-media{color:#444444;background:#ffffff;border-color:#eeeeee;border-top-width:5px;border-right-width:5px;border-bottom-width:5px;border-left-width:5px;padding-top:0px;padding-right:0px;padding-bottom:0px;padding-left:0px;}#kt-info-box_f95c74-21 .kt-blocks-info-box-media-container{margin-top:-75px;margin-right:0px;margin-bottom:20px;margin-left:0px;}#kt-info-box_f95c74-21 .kt-blocks-info-box-link-wrap:hover .kt-blocks-info-box-media{color:#444444;background:#ffffff;border-color:#eeeeee;}#kt-info-box_f95c74-21 .kt-infobox-textcontent h2.kt-blocks-info-box-title{color:#f7e6d4;padding-top:0px;padding-right:0px;padding-bottom:0px;padding-left:0px;margin-top:5px;margin-right:0px;margin-bottom:10px;margin-left:0px;}#kt-info-box_f95c74-21 .kt-blocks-info-box-link-wrap:hover h2.kt-blocks-info-box-title{color:#f7e6d4;}#kt-info-box_f95c74-21 .kt-infobox-textcontent .kt-blocks-info-box-text{color:#f4dcc3;}#kt-info-box_f95c74-21 .kt-blocks-info-box-link-wrap:hover .kt-blocks-info-box-text{color:#f4dcc3;}#kt-info-box_f95c74-21 .kt-blocks-info-box-learnmore{background:transparent;border-width:0px 0px 0px 0px;padding-top:4px;padding-right:8px;padding-bottom:4px;padding-left:8px;margin-top:10px;margin-right:0px;margin-bottom:10px;margin-left:0px;}<\/style>\n<div id=\"kt-info-box_f95c74-21\" class=\"wp-block-kadence-infobox\"><a class=\"kt-blocks-info-box-link-wrap info-box-link kt-blocks-info-box-media-align-top kt-info-halign-left\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><div class=\"kt-blocks-info-box-media-container\"><div class=\"kt-blocks-info-box-media kt-info-media-animate-none\"><div class=\"kadence-info-box-image-inner-intrisic-container\"><div class=\"kadence-info-box-image-intrisic kt-info-animate-none\"><div class=\"kadence-info-box-image-inner-intrisic\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/WhatsApp-Image-2022-07-07-at-15.55.26-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"439\" height=\"354\" class=\"kt-info-box-image wp-image-2389\" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/WhatsApp-Image-2022-07-07-at-15.55.26-1.jpeg 439w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/WhatsApp-Image-2022-07-07-at-15.55.26-1-300x242.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"kt-infobox-textcontent\"><h2 class=\"kt-blocks-info-box-title\">Hans- Georg Backhaus<\/h2><p class=\"kt-blocks-info-box-text\">Hans Georg- Backhaus \u00e9 um fil\u00f3sofo marxista alem\u00e3o, sendo considerado um dos mais importantes te\u00f3ricos da teoria do valor de Marx. <\/p><\/div><\/a><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obras de Marx<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alem\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>MEW 13<\/em>. Berlin, Dietz Verlag Berlin, 1961.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>MEW 23<\/em>. Berlin, Dietz Verlag Berlin, 1962.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>MEW 26.2<\/em>. Berlin, Dietz Verlag Berlin, 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>MEW 26.3<\/em>. Berlin, Dietz Verlag Berlin, 1968.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>MEW 42<\/em>. Berlin, Dietz Verlag Berlin, 1983.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>MEGA II.2<\/em>. Dietz Verlag Berlin, 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>MEGA II.5<\/em>. Dietz Verlag Berlin, 1983.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Portugu\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>MARX, Karl. <em>A forma mercadoria. Escritos sobre a teoria do valor<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Gabriel Landi Fazzio e Carolina Klingenberg. S\u00e3o Paulo, Lavra Palavra, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Florestan Fernandes. S\u00e3o Paulo, Express\u00e3o Popular, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>O capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica, livro 1: o processo de produ\u00e7\u00e3o do capital<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Rubens Enderle. S\u00e3o Paulo, Boitempo, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>Grundrisse. Manuscritos econ\u00f4micos de 1857-1858. Esbo\u00e7os da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o: Mario Duayer e N\u00e9lio Schneider (colabora\u00e7\u00e3o de Alice Helga Werner e Rudiger Hoffman). S\u00e3o Paulo, Boitempo; Rio de Janeiro, UFRJ, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>Teorias da Mais-Valia: Hist\u00f3ria Cr\u00edtica do Pensamento Econ\u00f4mico, Volume II<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Reginaldo Sant\u2019Anna. S\u00e3o Paulo, DIFEL, 1983.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>Teorias da Mais-Valia: Hist\u00f3ria Cr\u00edtica do Pensamento Econ\u00f4mico, Volume III<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Reginaldo Sant\u2019Anna. S\u00e3o Paulo, DIFEL, 1985.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ADORNO, Theodor. Soziologie und empirische Forschung. <em>In- <\/em>ADORNO, Theodor et. al. <em>Der Positivismusstreit in der deutschen Soziologie<\/em>. M\u00fcnchen, 1993, p. 81-101.<\/p>\n\n\n\n<p>ALBERT, H. <em>Marktsoziologie und Entscheidungslogik. \u00d6konomische Probleme in soziologischer Perspektive<\/em>. Neuwied, 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>AMMON, A. <em>Volkswirtschaftliche Grundbegriffe und Grundprobleme. Einf\u00fchrung&nbsp; in das volkswirtschaftliche Denken<\/em>. Berna, 1944.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>Objekt und Grundbegriffe der theoretischen National\u00f6konomie<\/em>. Vienna, 1911.<\/p>\n\n\n\n<p>BANFI, Rodolfo. Probleme und Scheinprobleme bei Marx und im Marxismus<em> in<\/em>&#8211; MOHL, Ernst Theodor. <em>Folgen einer Theorie. Essays \u00fcber \u201eDas Kapital\u201c von Karl Marx<\/em>. Suhrkamp, Frankfurt am Main, 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>ELSTER, K. <em>Die Seele des Geldes<\/em>. <em>Grundlagen und Ziele einer allgemeinen Geldtheorie<\/em>. Jena, 1923.<\/p>\n\n\n\n<p>JAHN, W. <em>Die Marxsche Wert- und Mehrwert Lehre im Zerrspiegel b\u00fcrgerliche \u00d6konomen<\/em>. Berlin (DDR), 1968.<\/p>\n\n\n\n<p>KNAPP, G. F. <em>Staatlich Theorie des Geldes<\/em>. M\u00fcnchen \u2013 Leipzig, 1918.<\/p>\n\n\n\n<p>KORSCH, Karl. <em>Karl Marx. Marxistische Theorie und Klassenbewegung<\/em>. Reinbek, 1981.<\/p>\n\n\n\n<p>LENIN, V. I. Zur Kritik der Hegelschen Wissenschaft der Logik <em>in- <\/em>LENIN, V. I. <em>Werke, Bund 38<\/em>. Berlim, Dietz Verlag Berlin, 1976, p. 77-229<\/p>\n\n\n\n<p>LENDLE, O. &amp; SCHILAR, H. Ware-Geld-Beziehung im Sozialismus<em> in- Wirtschaftswissenschaft<\/em>, IX. Berlim, 1961.<\/p>\n\n\n\n<p>MARCUSE, Herbert. <em>Vernunft und Revolution. Hegel und die Entstehung der Gesellschaftstheorie<\/em>. Darmstadt, 1979.<\/p>\n\n\n\n<p>__________________. Zum Begriff des Wesens. <em>in-<\/em> <em>Zeitschrift f\u00fcr Sozialforschung<\/em> 5. 1936, p. 1-37.<\/p>\n\n\n\n<p>PETRY, F. <em>Der Soziale Gehalt der Marxschen Werttheorie<\/em>. Bonn,&nbsp; 1984.<\/p>\n\n\n\n<p>ROBINSON, Joan. <em>Doktrinen der Wirtschaftswissenschaft. Eine Auseinandersetzung mit ihrem Grundgedanken und Ideologien<\/em>. M\u00fcnchen, Beck, 1972.<\/p>\n\n\n\n<p>SARTRE, Jean-Paul. <em>Marxismus und Existentialismus. Versuch einer Methodik<\/em>. Reinbeck, 1964.<\/p>\n\n\n\n<p>SCHUMPETER, Joseph Alois. <em>Kapitalismus, Sozialismus und Demokratie<\/em>. UTB Francke, T\u00fcbingen, 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>SIMMEL, Georg. <em>Philosophie des Geldes<\/em>. Frankfurt\/M, 1989. (Gesamtausgabe, Bd. 6)<\/p>\n\n\n\n<p>WYGODSKI, W. S. <em>Die Geschichte einer gro\u00dfen Entdeckung \u00dcber die Entstehung des Werkes \u201eDas Kapital\u201c von Karl Marx<\/em>. Berlin (DDR), 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>ZWIEDINECK-S\u00dcDENHORST, O. v. <em>Allgemeine Volkswirtschaftslehre<\/em>, Berlin, 1932.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong> <\/strong><\/p>\n<div class=\"speaker-mute footnotes_reference_container\"> <div class=\"footnote_container_prepare\"><p><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_label pointer\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_2388_1();\">&#x202F;<\/span><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_collapse_button\" style=\"display: none;\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_2388_1();\">[<a id=\"footnote_reference_container_collapse_button_2388_1\">+<\/a>]<\/span><\/p><\/div> <div id=\"footnote_references_container_2388_1\" style=\"\"><table class=\"footnotes_table footnote-reference-container\"><caption class=\"accessibility\">References<\/caption> <tbody> \r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_1\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_1');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>1<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Tradu\u00e7\u00e3o do ensaio \u201eZur Dialektik der Wertform\u201c, <em>in<\/em> : Backhaus, Hans-Georg. <em>Dialektik der Wertform<\/em>. Freiburg, \u00c7a Ira, 1997, p. 41-64. As cita\u00e7\u00f5es de Marx foram traduzidas diretamente do alem\u00e3o, por\u00e9m, para que o leitor possa conferi-las em seu devido contexto, inclu\u00ed entre colchetes a refer\u00eancia \u00e0s edi\u00e7\u00f5es das mesmas obras em portugu\u00eas (quando dispon\u00edveis). [N. T.] <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_2\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_2');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>2<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Schumpeter (1993), p. 44, 46 <em>et seq<\/em>. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_3\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_3');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>3<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Cf. as contribui\u00e7\u00f5es para a discuss\u00e3o de O. Ledle e H. Schilar (1961) sobre a problem\u00e1ticfa da<em> Ware-Geld-Beziehung im Sozialismus<\/em> [Rela\u00e7\u00e3o mercadoria-dinheiro no socialismo]. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_4\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_4');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>4<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Lenin (1976), p. 170 <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_5\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_5');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>5<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Herbert Marcuse (1979), p. 21 <em>et seq<\/em>.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_6\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_6');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>6<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Rodolfo Banfi (1967), p. 172.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_7\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_7');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>7<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> W. Jahn (1968), p. 116 <em>et seq<\/em>.{\/fn] Mesmo aqueles autores que podem afirmar que \u201cestudaram profundamente e compreenderam toda a <em>L\u00f3gica<\/em> de Hegel\u201d n\u00e3o fornecem explica\u00e7\u00f5es sobre como os conceitos fundamentais da teoria do valor s\u00e3o dialeticamente estruturados. O m\u00e9todo dial\u00e9tico n\u00e3o pode se limitar apenas a conduzir a forma de manifesta\u00e7\u00e3o de volta \u00e0 ess\u00eancia: deve mostrar, a partir disso, precisamente por que a ess\u00eancia assume esta ou aquela forma de manifesta\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s de se concentrar em interpretar trechos obscuros e inexplic\u00e1veis, a apresenta\u00e7\u00e3o desses \u201cfil\u00f3sofos\u201d marxistas permanece no n\u00edvel de uma simples refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a ruptura entre as duas primeiras se\u00e7\u00f5es e a terceira se\u00e7\u00e3o n\u00e3o torna apenas a estrutura metodol\u00f3gica da teoria do valor problem\u00e1tica, mas dificulta, sobretudo, a compreens\u00e3o do que Marx elabora com um subt\u00edtulo um tanto misterioso: [fn]Karl Korsch (1981), p. 96.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_8\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_8');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>8<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">F. Petry (1984), p. 16. O car\u00e1ter fragment\u00e1rio da teoria do fetichismo da mercadoria \u00e9 reconhecido por Sartre: \u201ca teoria do fetichismo concebida por Marx em suas linhas essenciais nunca \u00e9 desenvolvida completamente\u201d (1964, p. 64). Quando Sartre constata \u201ca total falta de compreens\u00e3o no que diz respeito a outras ideias marxistas\u201d (p. 34) \u2013 \u201celes literalmente n\u00e3o entendem uma palavra daquilo que leem\u201d (<em>Ibid<\/em>., nota de rodap\u00e9) \u2013; essa acusa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se aplica a numerosos economistas marxistas no que diz respeito a sua total falta de compreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos textos de Marx. Sua pr\u00f3pria cegueira quanto ao problema \u00e9 um exemplo perfeito para esse pensamento coisificado com o qual reprovam a economia subjetiva. Quando falam de \u201cdial\u00e9tica\u201d e \u201ccoisifica\u00e7\u00e3o\u201d, j\u00e1 pensam que j\u00e1 est\u00e3o dispensados do esfor\u00e7o de \u201cpensar em algo sob o valor\u201d (<em>MEW 26.3<\/em>, p. 143 [1985, p. 1199]). Conceitos como \u201csubst\u00e2ncia\u201d do valor, \u201crealiza\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cmetamorfose\u201d, \u201cforma de manifesta\u00e7\u00e3o\u201d s\u00e3o apresentadas com a mesma inconsci\u00eancia categorial da qual Marx acusou os representantes da economia positivista.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_9\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_9');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>9<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">A interdepend\u00eancia entre a teoria do valor e a do dinheiro \u00e9 discutida mais claramente por Wygodski: \u201cMarx concebe a compreens\u00e3o da categoria \u201cdinheiro\u201d como crit\u00e9rio para saber se a ess\u00eancia da mercadoria foi realmente entendida\u201d (1967, p. 54).{\/fn] A teoria do valor foi interpretada adequadamente quando a mercadoria foi apreendida de modo tal que ela se p\u00f4s enquanto dinheiro num processo \u201cimanente de ir al\u00e9m de si mesma\u201d. Esta articula\u00e7\u00e3o interna da mercadoria e do dinheiro descarta aceitar a teoria marxiana do valor e rejeitar ao mesmo tempo a teoria do dinheiro estabelecida com ela. A \u201crudeza e a aus\u00eancia de conceito de relacionar arbitrariamente\u201d a esfera da produ\u00e7\u00e3o e a esfera da circula\u00e7\u00e3o \u201cuma \u00e0 outra\u201d \u2013 \u201ca unidade complementar org\u00e2nica\u201d \u2013, de uni-las numa simples rela\u00e7\u00e3o de reflex\u00e3o, t\u00edpica da intepreta\u00e7\u00e3o da escola austromarxista, \u00e9 demonstra\u00e7\u00e3o da incapacidade de compreender a teoria do valor <em>como an\u00e1lise da forma de valor<\/em>.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>  2.  A rela\u00e7\u00e3o entre a teoria do valor de marca marxista e o fen\u00f4meno da coisifica\u00e7\u00e3o permanece obscura. No entanto, Marx sublinha expressamente na quarta se\u00e7\u00e3o: \u201cA tardia descoberta cient\u00edfica de que os produtos dos trabalhos, na medida em que s\u00e3o valor, s\u00e3o meramente express\u00f5es materiais do trabalho humano despendido em sua produ\u00e7\u00e3o inaugura uma \u00e9poca na hist\u00f3ria do desenvolvimento da humanidade, por\u00e9m n\u00e3o afasta de modo algum a apar\u00eancia objetiva do car\u00e1ter social do trabalho. A determina\u00e7\u00e3o da grandeza do valor atrav\u00e9s do tempo de trabalho [\u2026] \u00e9 um segredo ocultado sob os movimentos aparentes dos valores relativos das mercadorias. [\u2026] Sua descoberta elimina a apar\u00eancia de determina\u00e7\u00e3o puramente acidental das grandezas dos produtos do trabalho, mas n\u00e3o elimina de modo algum sua forma coisificada\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 88-89 [2013, p. 149-150]). Esta afirma\u00e7\u00e3o clara, por\u00e9m, n\u00e3o impede in\u00fameros autores de declarar precisamente esse \u201csegredo ocultado sob os movimentos aparentes dos valores relativos das mercadorias\u201d como o objeto de investiga\u00e7\u00e3o da teoria marxiana do fetichismo da mercadoria. Segundo esta interpreta\u00e7\u00e3o, o que constitui o \u201ccar\u00e1ter m\u00edstico\u201d da mercadoria \u00e9 o \u201csegredo\u201d da <em>grandeza <\/em>do valor, n\u00e3o o \u201csegredo\u201d desta \u201capar\u00eancia objetiva\u201d ou da \u201cforma coisificada\u201d. Mas ent\u00e3o j\u00e1 se havia enxergado a g\u00eanese da coisifica\u00e7\u00e3o com as descobertas da teoria cl\u00e1ssica do valor-trabalho. Novamente se demonstra que uma apresenta\u00e7\u00e3o isolada da teoria do valor n\u00e3o permite mais distinguir a diferen\u00e7a essencial entre a an\u00e1lise de Marx e a an\u00e1lise cl\u00e1ssica.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode se caracterizar assim a apresenta\u00e7\u00e3o do fetichismo da mercadoria que n\u00e3o percebe a ess\u00eancia: os autores se referem a alguns trechos do cap\u00edtulo de <em>O capital <\/em>sobre o fetichismo e os interpretam conceitualmente, na maioria das vezes terminologicamente, \u00e0 ess\u00eancia da <em>Ideologia Alem\u00e3<\/em> \u2013 um manuscrito no qual Marx e Engels negligenciam a import\u00e2ncia da teoria do valor-trabalho. A respectiva cita\u00e7\u00e3o diz: aos produtores, \u201cas rela\u00e7\u00f5es <em>&nbsp;<\/em>sociais entre seus trabalhos privados <em>aparecem <\/em>como s\u00e3o, ou seja, n\u00e3o como rela\u00e7\u00f5es imediatamente sociais entre seus pr\u00f3prios trabalhos, mas, pelo contr\u00e1rio, como rela\u00e7\u00f5es coisificadas entre pessoas e <em>rela\u00e7\u00f5es sociais entre coisas<\/em>\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 87, grifo nosso [2013, p. 148]). L\u00ea-se nesta cita\u00e7\u00e3o que as rela\u00e7\u00f5es sociais \u201cse autonomizaram\u201d em rela\u00e7\u00e3o aos seres humanos, uma afirma\u00e7\u00e3o que constitui o tema dos primeiros textos [de Marx] e que se tornou o lugar-comum da cr\u00edtica cultural conservadora sob o chav\u00e3o \u201caliena\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cdespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d. O que importa para a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 a mera descri\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, mas sim a an\u00e1lise de sua g\u00eanese.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma interpreta\u00e7\u00e3o genu\u00edna do car\u00e1ter fetichista tem de dividir e investigar, ent\u00e3o, este texto da seguinte maneira:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li>Como \u00e9 estruturada, para Marx, \u201ca rela\u00e7\u00e3o social entre coisas\u201d?<\/li><li>Por que e at\u00e9 que ponto pode se conceituar a \u201crela\u00e7\u00e3o entre coisas\u201d apenas como \u201cuma mera forma de manifesta\u00e7\u00e3o, externa \u00e0 pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o, sob a qual se ocultam as rela\u00e7\u00f5es humanas?\u201d Disto, seguem-se mais perguntas. <br><strong>a.<\/strong> As \u201crela\u00e7\u00f5es humanas\u201d s\u00e3o definidas como \u201crela\u00e7\u00f5es sociais de trabalhos privados\u201d ou definidas tamb\u00e9m como \u201crela\u00e7\u00f5es sociais dos produtores com o trabalho total\u201d. O que significam os conceitos \u201crela\u00e7\u00e3o\u201d e \u201ctrabalho total\u201d?<br><strong>b. <\/strong>O que caracteriza o fundamento, por que as \u201crela\u00e7\u00f5es sociais\u201d <em>necessariamente \u201c<\/em>aparecem\u201d como um outro para a consci\u00eancia?<br><strong>c.<\/strong> O que constitui a realidade desta apar\u00eancia: de que maneira \u00e9 esta apar\u00eancia mesma ainda um momento da realidade? <br><strong>d.<\/strong> Como se deve entender a g\u00eanese da objetividade abstrata do valor; de que modo o sujeito se \u201cobjetiva\u201d a si mesmo como objeto? Estas circunst\u00e2ncias misteriosas podem ser descritas como segue: o valor de um produto enquanto pensamento \u00e9 diferente de si mesmo como produto. Por outro lado, contudo, o valor s\u00f3 \u00e9 valor de um produto e aparece como tal como \u201cforma ideal\u201d de algo material. Enquanto pensamento, o valor \u00e9 \u201cimanente\u201d \u00e0 consci\u00eancia. Desta maneira, contudo, seu ser [do valor] n\u00e3o \u00e9 conhecido; ele se coloca contr\u00e1rio \u00e0 consci\u00eancia como algo estranho. A realidade do produto do trabalho j\u00e1 est\u00e1 pressuposta. Problem\u00e1tico aqui \u00e9 apenas o fato de os produtos do trabalho assumirem uma \u201cfigura fant\u00e1stica diferente de sua realidade\u201d e n\u00e3o a constitui\u00e7\u00e3o do <em>ens quas ens<\/em> [ser enquanto ser].<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Aqui lidaremos apenas com a primeira quest\u00e3o: como Marx descreve essa estrutura que ele caracteriza como \u201crela\u00e7\u00e3o social entre coisas\u201d? Primeiro, \u00e9 preciso lembrar-se que os valores de uso sempre j\u00e1 est\u00e3o postos na forma-pre\u00e7o. Neste sentido, a express\u00e3o de que a equa\u00e7\u00e3o de dois valores de uso produz uma rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 equivocada: casaco e linho n\u00e3o <em>s\u00e3o <\/em>igualados, mas j\u00e1 <em>est\u00e3o <\/em>igualados. A equa\u00e7\u00e3o \u00e9 feita porque eles s\u00e3o igualados a um terceiro, o ouro, e eles s\u00e3o iguais um ao outro por esse caminho tortuoso. A <em>rela\u00e7\u00e3o de valor<\/em> \u00e9 invariavelmente <em>express\u00e3o de valor<\/em>. Contudo, esta iguala\u00e7\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o, apenas segundo os termos do conte\u00fado de valor, mas uma desiguala\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 forma: um produto se torna mercadoria, o outro, dinheiro. A rela\u00e7\u00e3o entre as coisas, a \u201crela\u00e7\u00e3o de valor\u201d, \u00e9 como \u201cexpress\u00e3o de valor\u201d a rela\u00e7\u00e3o entre mercadoria e dinheiro. Como pre\u00e7o, os produtos s\u00e3o \u201capenas quantidades diferentes <em>do mesmo<\/em> objeto\u201d (<em>MEW 13<\/em>, p. 33 [2008, p. 75]), \u201capenas quantidades de ouro de diferentes grandezas\u201d (<em>MEW 13<\/em>, p. 54 [2008, p. 100]). Na medida em que as mercadorias j\u00e1 s\u00e3o \u201crepresentadas como pre\u00e7os em dinheiro [\u2026], eu posso compar\u00e1-las; elas j\u00e1 est\u00e3o de fato comparadas. No entanto, para representar os valores como pre\u00e7os, o valor das mercadorias deve ter representado a si mesmo anteriormente como dinheiro\u201d (<em>MEW 26.3<\/em>, p. 161 [1985, p. 1215]).<\/p>\n\n\n\n<p>Este problema implica na resposta para a pergunta: \u201cComo eu posso representar em geral uma mercadoria em outra ou representar mercadorias como equivalentes?\u201d O conte\u00fado da an\u00e1lise marxiana da forma de valor \u00e9 a g\u00eanese do pre\u00e7o enquanto pre\u00e7o. Ao contr\u00e1rio da teoria cl\u00e1ssica do valor-trabalho, agora se reconhece a \u201ctransi\u00e7\u00e3o\u201d do valor ao valor de troca ou pre\u00e7o como problema:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Uma das defici\u00eancias fundamentais da economia pol\u00edtica cl\u00e1ssica est\u00e1 no fato de ela nunca ter conseguido descobrir a partir da an\u00e1lise da mercadoria e especialmente do valor das mercadorias a forma do valor que o converte justamente em valor de troca. (MEW 23, p. 95, nota de rodap\u00e9 32 [2013, p. 155, nota de rodap\u00e9 32])<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Continuava oculto para os ricardianos que sua afirma\u00e7\u00e3o de que o trabalho determinava o valor da mercadoria permanece externo ao pr\u00f3prio conceito de valor: o fator determinante e o objeto determinante dessa declara\u00e7\u00e3o permanecem diferentes e n\u00e3o est\u00e3o em uma \u201cinterdepend\u00eancia interna\u201d. O trabalho ainda se relaciona, ent\u00e3o, com o valor como algo estranho a ele, ao passo que a grandeza do valor \u00e9 determinada como fun\u00e7\u00e3o da quantidade de trabalho despendido. Ent\u00e3o, a premissa fundamental da economia cl\u00e1ssica \u00e9 meramente uma garantia \u2013 um \u201cdogma metaf\u00edsico\u201d. Samuel Bailey, um precursor da teoria subjetivista do valor, atingiu um ponto dolorido da escola cl\u00e1ssica com sua cr\u00edtica: \u201cSe os ricardianos respondem Bailey de maneira grosseira, mas n\u00e3o convincente, fazem-no apenas porque n\u00e3o encontram no pr\u00f3prio Ricardo nenhuma explica\u00e7\u00e3o sobre a interdepend\u00eancia interna entre valor e a <em>forma do valor<\/em> ou o <em>valor de troca<\/em>\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 98, nota de rodap\u00e9 36, grifos nossos, [2013, p. 158, nota de rodap\u00e9 36]). O \u201cvalor absoluto\u201d da escola de Ricardo poderia, com base nisto, ser criticado por Bailey como uma \u201cpropriedade da mercadoria\u201d, \u201cintr\u00ednseca a ela\u201d (Citado em <em>MEW 26.3<\/em>, p. 137-138[1985, p. 1194-1195]) e, assim, como uma \u201cinven\u00e7\u00e3o escol\u00e1stica\u201d. Bailey coloca a quest\u00e3o: \u201c\u2018Possuir um valor\u2019, \u2018transferir uma parte do valor, a soma ou a totalidade do valor, etc. [\u2026] eu n\u00e3o sei o que tudo isso quer dizer\u201d (citado em <em>MEW 26.3<\/em>, p. 129 [1985, 1187]). Ele antecipa a cr\u00edtica do subjetivismo moderno quando ele repreende Ricardo: \u201cUma coisa pode ser t\u00e3o pouco valiosa por si mesma sem refer\u00eancia \u00e0 outra coisa\u201d (Citado em <em>MEW 26.3<\/em>, p. 140 [1985, p. 1197]). \u201cO valor de uma mercadoria tem que ser seu valor em alguma coisa. [\u2026] \u00c9 imposs\u00edvel determinar ou expressar <em>o valor<\/em> de uma mercadoria salvo atrav\u00e9s <em>de uma quantidade de alguma outra mercadoria<\/em>\u201d (Citado em <em>MEW 26.3<\/em>, p. 144 [1985, p. 1200]). Para Bailey, valor e valor de troca s\u00e3o id\u00eanticos e definidos como uma rela\u00e7\u00e3o puramente quantitativa de valores de usos. De fato, o valor \u00e9 expresso apenas como \u201cvalor relativo\u201d, como uma rela\u00e7\u00e3o entre coisas. Por\u00e9m, \u201ca mercadoria n\u00e3o defronta simplesmente o dinheiro; mas seu valor de troca aparece como seu ideal como dinheiro, como pre\u00e7o ele \u00e9 dinheiro ideal\u201d (MEGA II.2, p. 69). A rela\u00e7\u00e3o entre mercadoria e dinheiro tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 apenas estruturada de um modo quantitativo, mas misterioso: como mercadorias, os produtos s\u00e3o \u201cquantidades ideais de ouro\u201d; o ouro, por\u00e9m, \u00e9 a realidade de \u201cseu pr\u00f3prio pre\u00e7o\u201d (MEGA II.2, p. 69). A tentativa de Bailey de reduzir o valor a uma rela\u00e7\u00e3o puramente quantitativa escamoteia, ent\u00e3o, a problem\u00e1tica da equa\u00e7\u00e3o mercadoria-dinheiro. \u201cPorque ele a encontra expressa na <em>express\u00e3o monet\u00e1ria<\/em>, ele n\u00e3o precisa compreender como essa express\u00e3o se torna poss\u00edvel [\u2026] e <em>o que <\/em>ela de fato expressa\u201d (<em>MEW 26.3<\/em>, p. 155 [1985, p. 1209]) \u2013 Marx critica a posi\u00e7\u00e3o subjetivista de tal modo que seu sentido fundamental para a cr\u00edtica do positivismo moderno, especialmente do positivismo da an\u00e1lise lingu\u00edstica, foi compreendido inadequadamente: \u201cIsso nos mostra o tipo de cr\u00edtica que gosta de afastar as dificuldades que se encontram nas determina\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias das coisas mesmas como produtos de reflex\u00e3o ou conflitos de defini\u00e7\u00f5es\u201d (<em>MEW 26.3<\/em>, p. 129 [1985, p. 1187]). \u201cO fato de o paradoxo da realidade se expressar em paradoxos lingu\u00edsticos que contradizem o senso comum, aquilo que os vulgares querem dizer e sobre o que acreditam estar falando, \u00e9 \u00f3bvio. A contradi\u00e7\u00e3o que resulta do fato de que [\u2026] o trabalho privado se representa como social geral reside na coisa, n\u00e3o na express\u00e3o lingu\u00edstica da coisa\u201d (<em>MEW 26.3<\/em>, p. 134 [1985, p. 1192]). Por\u00e9m, tamb\u00e9m se deve entender, a partir de sua minuciosa discuss\u00e3o com Bailey, que Marx leva a s\u00e9rio o \u201cn\u00facleo racional\u201d da cr\u00edtica sem\u00e2ntica. O \u201cvalor absoluto\u201d que expressa apenas sua \u201cpr\u00f3pria quota e quantidade\u201d \u00e9 de fato um paradoxo lingu\u00edstico ou uma \u201cmistifica\u00e7\u00e3o\u201d, mas um \u201cparadoxo da <em>realidade<\/em>\u201d ou uma \u201cmistifica\u00e7\u00e3o <em>real<\/em>\u201d (<em>MEW 13<\/em>, p. 35; grifos nossos). Como uma \u201crela\u00e7\u00e3o entre pessoas\u201d, ela s\u00f3 se torna decifr\u00e1vel pela primeira vez quando a media\u00e7\u00e3o entre valor \u201cabsoluto\u201d e \u201crelativo\u201d \u00e9 demonstrada.<\/p>\n\n\n\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de Marx de que os ricardianos se interessam exclusivamente pelo determinante da grandeza do valor \u2013 \u201ca forma enquanto tal\u201d lhes \u00e9 \u201c<em>indiferente<\/em> precisamente porque \u00e9 natural\u201d (<em>MEW 42<\/em>, p. 249 [2011, p. 261]); as categorias econ\u00f4micas \u201cs\u00e3o v\u00e1lidas para sua consci\u00eancia burguesa como [\u2026] uma necessidade natural \u00f3bvia\u201d (<em>MEW 23<\/em>, p. 95-96 [2013, p. 156]) \u2013 vale tamb\u00e9m para a economia atual. A elimina\u00e7\u00e3o da problem\u00e1tica da forma, segundo Marx, deve reconduzir ao fato de que a economia da escola se at\u00e9m \u00e0s determina\u00e7\u00f5es da l\u00f3gica formal: \u201cN\u00e3o \u00e9 muito surpreendente o fato de os economistas, inteiramente sob impacto dos interesses materiais, terem negligenciado o conte\u00fado formal da express\u00e3o relativa do valor, quando, antes de <em>Hegel<\/em>, os profissionais da l\u00f3gica negligenciaram o conte\u00fado formal dos paradigmas do julgamento e do desfecho (<em>MEGA II.5<\/em>, p. 32, nota de rodap\u00e9 20 [2021, p. 133, nota de rodap\u00e9 28]).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se deve separar a an\u00e1lise da estrutura l\u00f3gica da forma de valor da an\u00e1lise de seu conte\u00fado hist\u00f3rico-social. A teoria cl\u00e1ssica do valor-trabalho, por\u00e9m, n\u00e3o levanta a quest\u00e3o de acordo com a natureza hist\u00f3rico-social daquele trabalho que se apresenta como \u201cconstituinte de valor\u201d. N\u00e3o se reflete sobre a implanta\u00e7\u00e3o do trabalho em uma forma que lhe \u00e9 estranha: \u201cCom Franklin, o tempo de trabalho se apresenta prontamente e de uma maneira unilateralmente economicista como medida dos valores. A transforma\u00e7\u00e3o dos produtos reais em valores de troca \u00e9 evidente\u201d (<em>MEW 13<\/em>, p. 42 [2008, p. 85]). A \u201cunilateralidade economicista\u201d repreendida por Marx consiste no fato de que a economia opera como um ramo separado da divis\u00e3o cient\u00edfica do trabalho no plano dos objetos econ\u00f4micos j\u00e1 constitu\u00eddos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A economia pol\u00edtica analisou [\u2026], ainda que incompletamente, o valor e a grandeza do valor e descobriu nestas formas o conte\u00fado nelas oculto. Ela nunca levantou a quest\u00e3o, contudo, por que este conte\u00fado assumir essa forma, por que o trabalho se representar, ent\u00e3o, <em>no valor<\/em> dos produtos do trabalho. (<em>MEW 23<\/em>, p. 94-95; grifos nossos [2013, p. 154-155]) <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os ricardianos de esquerda, que desenvolveram uma teoria do \u201csal\u00e1rio justo\u201d, perguntam ent\u00e3o: \u201cSe o tempo de trabalho \u00e9 imanente \u00e0 medida do valor, por que tomamos outra medida externa? Se o trabalho determina o valor da mercadoria, o c\u00e1lculo deve ser visto apenas como um \u201cdesvio\u201d e ser descartado em sua fun\u00e7\u00e3o de ocultar a explora\u00e7\u00e3o. Os produtos devem ser calculados imediatamente em unidades de tempo de trabalho e o dinheiro deve ser substitu\u00eddo por certificados de trabalho. Eles n\u00e3o levantam a quest\u00e3o de por que na produ\u00e7\u00e3o de mercadorias o trabalho se expressa como valor de troca de um produto, como \u201cuma propriedade objetiva possu\u00edda por eles\u201d (<em>MEW 19<\/em>, p. 20). Marx enxerga o fundamento oculto para a exist\u00eancia do c\u00e1lculo do valor numa contradi\u00e7\u00e3o t\u00edpica da ess\u00eancia da esfera da produ\u00e7\u00e3o: na contradi\u00e7\u00e3o entre o trabalho privado e o trabalho social, eminentemente importante para sua teoria social. O fato de na produ\u00e7\u00e3o de mercadorias o trabalho social ser realizado apenas como trabalho <em>social<\/em> de produtores <em>privados<\/em> \u2013 esta contradi\u00e7\u00e3o fundamental se exprime na contradi\u00e7\u00e3o derivada de que a troca de atividades e produtos deve ser mediada por um produto particular e ao mesmo tempo universal. Com todo o rigor de sua cr\u00edtica aos socialistas ut\u00f3picos, Marx tamb\u00e9m considera que a demanda pela aboli\u00e7\u00e3o do c\u00e1lculo do valor era fact\u00edvel \u2013 naturalmente, apenas se a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, isto \u00e9, a produ\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos independentes para o mercado, fosse eliminada. Esta exig\u00eancia \u00e9 uma consequ\u00eancia imprescind\u00edvel, um elemento fundamental substancial e n\u00e3o s\u00f3 acidental da teoria do valor de Marx. O sentido verdadeiro da \u201ccr\u00edtica das categorias econ\u00f4micas\u201d consiste, portanto, de indicar as condi\u00e7\u00f5es sociais que tornam a exist\u00eancia da forma de valor necess\u00e1ria. \u201cA an\u00e1lise da forma dominante do trabalho \u00e9 simultaneamente an\u00e1lise dos pr\u00e9-requisitos de sua aboli\u00e7\u00e3o. [\u2026] [As] categorias [marxianas] s\u00e3o negativas e ao mesmo tempo positivas: elas detalham um estado negativo \u00e0 luz de sua aboli\u00e7\u00e3o positiva&#8221;. [fn] Marcuse (1979), p. 260. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_10\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_10');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>10<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> georg Simmel (1989), p. 38<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_11\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_11');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>11<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Adorno (1993), p. 95.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_12\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_12');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>12<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Jahn (1968), p. 332. Jahn, no entanto, erra em n\u00e3o apreciar suficientemente os argumentos de Erich Preisers, que define o capital apenas como capital-dinheiro. Jahn n\u00e3o est\u00e1 nem um pouco preocupado em eliminar o conceito de \u201cmetamorfose\u201d: \u201cMe parece ser pouco adequado caracterizar como metamorfose do capital esta simples situa\u00e7\u00e3o ou obscurec\u00ea-la por meio de outra imagem. O dinheiro n\u00e3o pode se transformar em mercadoria, a vida econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 um espet\u00e1culo de magia\u201d (<em>Bildung und Verteilung des Volkseinkommens<\/em> [Produ\u00e7\u00e3o e Distribui\u00e7\u00e3o da Riqueza Nacional], p. 106). A afirma\u00e7\u00e3o de que o paradoxo lingu\u00edstico expressa um paradoxo da realidade permanece apenas uma mera promessa enquanto a teoria marxista n\u00e3o puder demonstrar como as rela\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o constitu\u00eddas de modo que se representa necessariamente como metamorfose da mercadoria e do dinheiro. No entanto, \u00e9 duvidoso se a economia dominante \u00e9 capaz de manter a elimina\u00e7\u00e3o do conceito de capital produtivo ou real em todas as subdisciplinas. Schneider concorda com a posi\u00e7\u00e3o de Preiser de que \u00e9 poss\u00edvel descrever exatamente os processos econ\u00f4micos relevantes sem empregar o conceito do capital. Em sua apresenta\u00e7\u00e3o da teoria do crescimento, os conceitos \u201ccapital-produtor\u201d e \u201creserva de capital\u201d, at\u00e9 ent\u00e3o negados, surgem como a f\u00eanix das surge das cinzas.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_13\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_13');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>13<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">O. v. Zwiedineck-S\u00fcdenhorst (1932), p. 102.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_14\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_14');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>14<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Robison (1972), p.85 <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_15\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_15');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>15<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Robinson (1972), p. 109. A teoria nominalista do dinheiro teria de lidar com o estranho fen\u00f4meno \u201cde que os nomes dados a determinadas partes pes\u00e1veis al\u00edquotas do ouro (metal nobre), da libra esterlina, do xelim, do pence, etc. atrav\u00e9s de algum processo inexplic\u00e1vel se comportam autonomamente diante da subst\u00e2ncia da qual elas s\u00e3o o nome\u201d (<em>MEW 42<\/em>, p. 690 [2011, p. 674]). Diferentemente dos fundadores da teoria n\u00e3o metalista do dinheiro, a quem esse \u201cprocesso inexplic\u00e1vel\u201d ainda irritava, os manuais modernos sobre a teoria do dinheiro n\u00e3o consideram esses problemas nem sequer dignos de nota. Knapp constata afinal: \u201cDificilmente se poderia dar uma defini\u00e7\u00e3o real do meio de pagamento\u201d (Knapp, 1918, p. 6). Segundo seu aluno Elster, ele acreditava \u201cque deveria considerar o conceito do meio de pagamento, cuja defini\u00e7\u00e3o ele n\u00e3o poderia estabelecer com sucesso, como um daqueles conceitos finais e originais que n\u00e3o s\u00e3o mais defin\u00edveis de outra maneira\u201d (Elster, 1923, p. 4 <em>et seq<\/em>.). O pr\u00f3prio Elster fala sobre <em>o <\/em>problema da ci\u00eancia \u201cem cuja solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o consigo acreditar. [\u2026] As rela\u00e7\u00f5es mentais internas dos seres humanos com o objeto da ci\u00eancia \u2013 o benef\u00edcio, como o prazer, o qual o economista busca [\u2026], os fatos ps\u00edquicos n\u00e3o s\u00e3o capazes de nunca e em momento algum alcan\u00e7ar express\u00e3o num\u00e9rica. Elas pertencem a dois mundo completamente diferentes: o valor e o n\u00famero, isto \u00e9, o pre\u00e7o\u201d. Os representantes da teoria subjetiva do valor est\u00e3o aqui \u201cdiante de um daqueles problemas que n\u00e3o s\u00e3o mais compreens\u00edveis pela consci\u00eancia humana\u201d (Knapp, 1918, p. 52 <em>et seq<\/em>.).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_16\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_16');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>16<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Robinson (1972), p. 156.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_17\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_17');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>17<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Ammon (1944), p. 134.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2388_1_18\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2388_1('footnote_plugin_tooltip_2388_1_18');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>18<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Ammon (1911), p. 409 <em>et seq<\/em>. Tentativas mais recentes de elaborar uma \u201cteoria social do dinheiro\u201d (Gerloff) ou de constituir a \u201ceconomia nacional como sociologia\u201d (Albert) n\u00e3o fogem da posi\u00e7\u00e3o de Ammon. Segundo Albert, \u201ca interpreta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica da problem\u00e1tica do pre\u00e7o [\u2026]\u201d conduz \u201cda teoria do valor \u00e0 an\u00e1lise do poder. [\u2026] O fen\u00f4meno do poder transforma-se com isso no problema central de uma economia nacional, a qual \u00e9 entendida como parte essencial integrante da sociologia\u201d (Albert, p. 49b). <\/td><\/tr>\r\n\r\n <\/tbody> <\/table> <\/div><\/div><script type=\"text\/javascript\"> function footnote_expand_reference_container_2388_1() { jQuery('#footnote_references_container_2388_1').show(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_2388_1').text('\u2212'); } function footnote_collapse_reference_container_2388_1() { jQuery('#footnote_references_container_2388_1').hide(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_2388_1').text('+'); } function footnote_expand_collapse_reference_container_2388_1() { if (jQuery('#footnote_references_container_2388_1').is(':hidden')) { footnote_expand_reference_container_2388_1(); } else { footnote_collapse_reference_container_2388_1(); } } function footnote_moveToReference_2388_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_2388_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } } function footnote_moveToAnchor_2388_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_2388_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } }<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vers\u00e3o PDF [1]Tradu\u00e7\u00e3o do ensaio \u201eZur Dialektik der Wertform\u201c, in : Backhaus, Hans-Georg. 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