{"id":2202,"date":"2021-12-28T19:07:57","date_gmt":"2021-12-28T19:07:57","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=2202"},"modified":"2022-02-11T20:20:01","modified_gmt":"2022-02-11T20:20:01","slug":"comunizacao-e-teoria-da-forma-valor-endnotes-n-2-abril-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2021\/12\/28\/comunizacao-e-teoria-da-forma-valor-endnotes-n-2-abril-2010\/","title":{"rendered":"Comuniza\u00e7\u00e3o e teoria da forma-valor \u2014 Endnotes n. 2 (Abril, 2010)"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"has-theme-palette-8-color has-text-color has-background wp-block-heading\" id=\"versao-pdf\" style=\"background-color:#72565e\"><strong>Vers\u00e3o PDF <\/strong><\/h6>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file aligncenter\"><a id=\"wp-block-file--media-1d9d8774-e323-4369-a427-6f3dc94a30e0\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Comunizacao-e-teoria-da-forma-valor-Endnotes-n.2-Revista-Zero-a-Esquerda.pdf\">Comunizacao-e-teoria-da-forma-valor-Endnotes-n.2-Revista-Zero-a-Esquerda<\/a><a href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Comunizacao-e-teoria-da-forma-valor-Endnotes-n.2-Revista-Zero-a-Esquerda.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-1d9d8774-e323-4369-a427-6f3dc94a30e0\">Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<p><em>Endnotes<\/em> n. 2 (Abril, 2010)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong> <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_1');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_1');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_1\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[1]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_1\" class=\"footnote_tooltip\"> Agradecemos aos camaradas alem\u00e3es por seus coment\u00e1rios \u00fateis na reda\u00e7\u00e3o deste artigo, particularmente a DD e Felix da <em>Kosmoprolet<\/em>. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_1').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_1', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A forma de valor do produto do trabalho \u00e9 a forma mais abstrata mas tamb\u00e9m mais geral do modo burgu\u00eas de produ\u00e7\u00e3o, que assim se caracteriza como um tipo particular de produ\u00e7\u00e3o social e, ao mesmo tempo, um tipo hist\u00f3rico. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_2');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_2');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_2\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[2]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_2\" class=\"footnote_tooltip\">MARX, Karl. <em>O Capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. Livro I. O processo de produ\u00e7\u00e3o do capital<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013, p. 127 (nota de rodap\u00e9 32).<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_2').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_2', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em <em>Endnotes <\/em>n. 1, descrevemos a emerg\u00eancia da teoria da comuniza\u00e7\u00e3o, na Fran\u00e7a, nos anos que se seguiram a Maio de 68. Este texto, e os outros na presente edi\u00e7\u00e3o, opera no interior desta perspectiva da comuniza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m se baseia fortemente nos desenvolvimentos te\u00f3ricos no campo da teoria marxiana da forma-valor e, em particular, na tend\u00eancia da \u201cdial\u00e9tica sistem\u00e1tica\u201d, surgida nos \u00faltimos anos. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_3');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_3');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_3\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[3]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_3\" class=\"footnote_tooltip\">Uma lista de maneira alguma exaustiva de autores incluiria Chris Arthur, Werner Bonefeld, Hans-Georg Backhaus, Riccardo Bellofiore, Michael Eldred, Michael Heinrich, Hans-J\u00fcrgen Krahl, Patrick&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_3');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_3').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_3', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Era n\u00edtido para Marx que aquilo que distinguia sua abordagem, e o que a tornava uma cr\u00edtica e n\u00e3o uma continua\u00e7\u00e3o da economia pol\u00edtica, era sua an\u00e1lise da forma do valor. Em sua c\u00e9lebre exposi\u00e7\u00e3o \u201cO car\u00e1ter fetichista da mercadoria e seu segredo\u201d, ele escreve:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u00c9 verdade que a economia pol\u00edtica analisou, mesmo que incompletamente, o valor e a grandeza de valor e revelou o conte\u00fado que se esconde nessas formas. Mas ela jamais sequer colocou a seguinte quest\u00e3o: por que esse conte\u00fado assume aquela forma, e por que, portanto, o trabalho se representa no valor e a medida do trabalho, por meio de sua dura\u00e7\u00e3o temporal, na grandeza de valor do produto do trabalho? Tais formas, em cuja testa est\u00e1 escrito que elas pertencem a uma forma\u00e7\u00e3o social em que o processo de produ\u00e7\u00e3o domina os homens, e n\u00e3o os homens o processo de produ\u00e7\u00e3o, s\u00e3o consideradas por sua consci\u00eancia burguesa como uma necessidade natural t\u00e3o evidente quanto o pr\u00f3prio trabalho produtivo. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_4');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_4');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_4\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[4]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_4\" class=\"footnote_tooltip\"> Ibid., p. 127-128. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_4').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_4', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar destas declara\u00e7\u00f5es de Marx, a conex\u00e3o entre a forma-valor e o fetichismo \u2013 a invers\u00e3o pela qual os seres humanos s\u00e3o dominados pelos resultados de sua pr\u00f3pria atividade \u2013 n\u00e3o desempenhou um papel importante na interpreta\u00e7\u00e3o de <em>O Capital<\/em> at\u00e9 os anos 60. Ao contr\u00e1rio, as abordagens da \u201ceconomia de Marx\u201d enfatizaram a argumenta\u00e7\u00e3o aparentemente simples das duas primeiras se\u00e7\u00f5es do primeiro cap\u00edtulo de <em>O Capital<\/em>, em que o trabalho \u00e9 identificado como estando por tr\u00e1s do valor das mercadorias. As duas se\u00e7\u00f5es posteriores deste cap\u00edtulo \u2013 sobre forma-valor e fetichismo \u2013 foram geralmente consideradas como uma maneira mais ou menos complicada de descrever o mercado, e rapidamente ignoradas. Assim, n\u00e3o foi explorada a maneira cuidadosa com que Marx diferenciou sua compreens\u00e3o e a da economia pol\u00edtica cl\u00e1ssica de Ricardo. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_5');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_5');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_5\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[5]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_5\" class=\"footnote_tooltip\">Ao mesmo tempo, o pr\u00f3prio Marx parecia reconhecer que havia um problema em sua an\u00e1lise da forma-valor, o que o levou a elaborar ao menos quatro vers\u00f5es do argumento. H\u00e1 diferen\u00e7as not\u00e1veis&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_5');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_5').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_5', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando os marxistas insistiram na \u201cteoria do valor-trabalho\u201d, eles o fizeram nos termos da quest\u00e3o quantitativa da subst\u00e2ncia e grandeza do valor, em vez da quest\u00e3o qualitativa da <em>forma<\/em> do valor. Contra a revolu\u00e7\u00e3o neocl\u00e1ssica na economia burguesa, que repudiava a teoria do valor-trabalho, os marxistas tendiam a afirmar a posi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de que o trabalho \u00e9 a subst\u00e2ncia do valor e de que o valor \u00e9 o trabalho representado no produto. Assim como os economistas pol\u00edticos cl\u00e1ssicos, os marxistas n\u00e3o abordaram a peculiaridade do processo social de redu\u00e7\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1rio para tais grandezas quantitativas serem comparadas. Ou seja, eles tamb\u00e9m n\u00e3o questionaram por que o trabalho aparece na forma-valor de seu produto, e que tipo de trabalho aparece assim. No entanto, como Marx indica, \u00e9 somente pela compreens\u00e3o da complexidade da forma-valor que se pode compreender as formas posteriores do dinheiro e do capital, ou como a atividade humana assume a forma da acumula\u00e7\u00e3o de capital.<\/p>\n\n\n\n<p>        Para Marx, a forma-valor \u00e9 uma express\u00e3o do duplo car\u00e1ter do trabalho no capitalismo \u2013 seu car\u00e1ter como trabalho concreto que aparece no valor de uso da mercadoria, e seu car\u00e1ter como trabalho abstrato que aparece na forma-valor. Embora o trabalho abstrato seja historicamente espec\u00edfico ao capitalismo, a incapacidade de distinguir adequadamente estes dois aspectos do trabalho significa que a forma-valor \u00e9 tomada como uma express\u00e3o do trabalho humano simples e natural como tal. Trabalho como conte\u00fado ou subst\u00e2ncia do valor foi visto como trabalho fisiol\u00f3gico \u2013 algo independente de sua forma social. Aqui, subst\u00e2ncia \u00e9 considerada como algo que reside naturalmente no objeto, embora, para Marx, o trabalho abstrato e o valor sejam mais peculiares do que isso. O valor \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o ou processo que se desdobra e se mant\u00e9m atrav\u00e9s de diferentes formas \u2013 num momento, dinheiro, no seguinte, as mercadorias que comp\u00f5em o processo de trabalho (inclusive a mercadoria for\u00e7a de trabalho), em seguida, a mercadoria-produto, e novamente dinheiro \u2013, mantendo sempre uma rela\u00e7\u00e3o de sua forma-dinheiro com sua forma-mercadoria e vice-versa. Para Marx, ent\u00e3o, o valor n\u00e3o \u00e9 a incorpora\u00e7\u00e3o do trabalho na mercadoria, tampouco uma subst\u00e2ncia im\u00f3vel. \u00c9, antes, uma rela\u00e7\u00e3o ou processo que domina aqueles que a sustentam: uma subst\u00e2ncia que \u00e9, ao mesmo tempo, sujeito. No entanto, na tradi\u00e7\u00e3o marxista ortodoxa, n\u00e3o foi reconhecido que o \u201ctrabalho abstrato\u201d era uma formata\u00e7\u00e3o social e historicamente espec\u00edfica de uma parte da atividade humana, implicando a convers\u00e3o dos seres humanos em um recurso para o aumento desmedido dessa atividade e de seu resultado como um fim em si mesmo. A compreens\u00e3o do valor como mera forma imposta \u2013 pela propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o \u2013 a um conte\u00fado b\u00e1sico n\u00e3o problem\u00e1tico foi acompanhada de uma vis\u00e3o do socialismo como uma vers\u00e3o conduzida pelo Estado da, em ess\u00eancia, mesma divis\u00e3o industrial do trabalho que \u00e9 organizada pelo mercado no capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma grande exce\u00e7\u00e3o ao abandono marxista tradicional da forma-valor e do fetichismo foi o economista russo Isaak Rubin. Em seu trabalho pioneiro nos anos 20, ele reconheceu que \u201c[a] teoria do fetichismo \u00e9, <em>per se<\/em>, a base de todo o sistema econ\u00f4mico de Marx e, em particular, de sua teoria do valor\u201d<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_6');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_6');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_6\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[6]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_6\" class=\"footnote_tooltip\"> RUBIN, Isaak. <em>Essays on Marx\u2019s Theory of Value<\/em>. Detroit: Black &amp; Red, 1972, p. 5. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_6').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_6', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>, e que o trabalho abstrato como conte\u00fado do valor n\u00e3o \u00e9 \u201calgo que a forma adere de fora. Ao contr\u00e1rio, atrav\u00e9s de seu desenvolvimento, o pr\u00f3prio conte\u00fado d\u00e1 origem \u00e0 forma que j\u00e1 estava latente no conte\u00fado\u201d <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_7');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_7');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_7\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[7]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_7\" class=\"footnote_tooltip\">Ibid., p. 117. Riccardo Bellofiore aponta que Rosa Luxemburgo foi outra exce\u00e7\u00e3o entre os marxistas tradicionais, ao prestar muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma-valor. Cf. BELLOFIORE, Riccardo. Rosa Luxemburg&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_7');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_7').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_7', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>. Mas a obra de Rubin, reprimida na R\u00fassia, permaneceu mais ou menos desconhecida. A ortodoxia \u2013 a \u201ceconomia pol\u00edtica marxista\u201d \u2013 n\u00e3o contestou o fato de que os cr\u00edticos burgueses viam Marx essencialmente como um seguidor de Ricardo. Em vez disso, ele foi defendido <em>exatamente nesta base<\/em> por ter corretamente organizado a identifica\u00e7\u00e3o ricardiana do trabalho como o conte\u00fado do valor e do tempo de trabalho como sua grandeza \u2013 acrescentando t\u00e3o-somente uma teoria da explora\u00e7\u00e3o mais ou menos ricardiana de esquerda. Nesta vis\u00e3o, o trabalho \u00e9 algo que existe de forma quase natural no produto e a explora\u00e7\u00e3o \u00e9 entendida como uma quest\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o desse produto \u2013 por isso, a \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d para o capitalismo \u00e9 que os trabalhadores, atrav\u00e9s do Estado ou de outros meios, alterem essa distribui\u00e7\u00e3o a seu favor. Se a explora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de dedu\u00e7\u00e3o de uma parte do produto social por uma classe dominante parasit\u00e1ria, ent\u00e3o o socialismo n\u00e3o tem que alterar substancialmente a forma da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias; mas pode simplesmente tomar conta dela, eliminar a classe parasit\u00e1ria e distribuir o produto de forma equitativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um contexto comum<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A oclus\u00e3o da forma e do fetichismo na leitura de <em>O Capital<\/em> s\u00f3 come\u00e7ou a ser seriamente contestada a partir de meados dos anos 60 \u2013 em parte atrav\u00e9s de uma redescoberta de Rubin \u2013 em uma s\u00e9rie de abordagens que foram rotuladas de \u201cteoria da forma-valor\u201d. Os debates sobre as sutilezas da forma-valor, sobre quest\u00f5es de m\u00e9todo, sobre a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de Marx com Hegel, e assim por diante, surgiram, ent\u00e3o, no mesmo momento da teoria da comuniza\u00e7\u00e3o. Tanto a teoria da forma-valor quanto a comuniza\u00e7\u00e3o expressam a insatisfa\u00e7\u00e3o com as interpreta\u00e7\u00f5es vigentes de Marx e, portanto, uma rejei\u00e7\u00e3o do marxismo \u201cortodoxo\u201d ou \u201ctradicional\u201d <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_8');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_8');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_8\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[8]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_8\" class=\"footnote_tooltip\">Ortodoxia passou a significar marxismo dogm\u00e1tico. Luk\u00e1cs fez uma interessante tentativa de resgatar o sentido de ortodoxia ao afirmar que se referia exclusivamente ao m\u00e9todo. Talvez por essa&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_8');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_8').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_8', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>. Para n\u00f3s, h\u00e1 uma semelhan\u00e7a impl\u00edcita entre a teoria da forma-valor e a teoria da comuniza\u00e7\u00e3o, de tal forma que cada uma pode produtivamente contribuir com a outra. Examinaremos aqui os paralelos hist\u00f3ricos e os pontos de converg\u00eancia entre estas duas tend\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De meados dos anos 60 ao final dos anos 70, o capitalismo mundial caracterizou-se por intensas lutas de classe e movimentos sociais radicais: das revoltas urbanas nos EUA \u00e0s greves insurrecionais na Pol\u00f4nia, dos movimentos estudantis e da \u201crevolta da juventude\u201d \u00e0 derrubada, pela movimenta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, de governos eleitos e n\u00e3o eleitos. As rela\u00e7\u00f5es de trabalho vigentes foram questionadas, assim como a fam\u00edlia, g\u00eanero e sexualidade, sa\u00fade mental e a rela\u00e7\u00e3o dos seres humanos com a natureza, em uma contesta\u00e7\u00e3o geral em toda a sociedade. Entrela\u00e7ado com essas lutas, o <em>boom<\/em> do p\u00f3s-guerra terminou em uma crise da acumula\u00e7\u00e3o capitalista com alta infla\u00e7\u00e3o e aumento do desemprego. A supera\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do capitalismo e sua pseudo-alternativa nos pa\u00edses orientais parecia estar na agenda de muitas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O surgimento tanto do marxismo cr\u00edtico da teoria da forma-valor quanto da teoria da comuniza\u00e7\u00e3o baseou-se nessas lutas e nas esperan\u00e7as revolucion\u00e1rias que elas engendraram. Assim como estas duas tend\u00eancias foram geradas no mesmo momento, elas diminu\u00edram simultaneamente com a onda de lutas que as tinha produzido. A crise de acumula\u00e7\u00e3o dos anos 70, em vez de levar a uma intensifica\u00e7\u00e3o das lutas e a seu desenvolvimento em uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, na verdade deu origem a uma reestrutura\u00e7\u00e3o capitalista radical, na qual os movimentos e suas expectativas revolucion\u00e1rias foram amplamente derrotados. Esta reestrutura\u00e7\u00e3o conduziu a um relativo eclipse destas discuss\u00f5es. Assim como a discuss\u00e3o sobre a comuniza\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a surgiu no in\u00edcio dos anos 70, desapareceu entre os anos 80 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, ressurgindo novamente recentemente, o interesse contempor\u00e2neo pela \u201cdial\u00e9tica sistem\u00e1tica\u201d \u00e9, em muitos aspectos, um retorno aos debates sobre a forma-valor dos anos 70, ap\u00f3s um per\u00edodo em que a discuss\u00e3o permaneceu relativamente discreta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Comuniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>N\u00e3o \u00e9 a <em>unidade<\/em> do ser humano vivo e ativo com as condi\u00e7\u00f5es naturais, inorg\u00e2nicas, do seu metabolismo com a natureza e, em consequ\u00eancia, a sua apropria\u00e7\u00e3o da natureza que precisa de explica\u00e7\u00e3o ou \u00e9 resultado de um processo hist\u00f3rico, mas a <em>separa\u00e7\u00e3o<\/em> entre essas condi\u00e7\u00f5es inorg\u00e2nicas da exist\u00eancia humana e essa exist\u00eancia ativa, uma separa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 est\u00e1 posta por completo na rela\u00e7\u00e3o entre trabalho assalariado e capital. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_9');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_9');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_9\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[9]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_9\" class=\"footnote_tooltip\"> MARX, Karl. <em>Grundrisse. Manuscritos econ\u00f4micos de 1857-1858. Esbo\u00e7os da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011, p. 648.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_9').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_9', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A teoria da comuniza\u00e7\u00e3o surgiu como uma cr\u00edtica de v\u00e1rias concep\u00e7\u00f5es de revolu\u00e7\u00e3o herdadas do marxismo do movimento oper\u00e1rio da Segunda e Terceira Internacionais, bem como de suas tend\u00eancias e oposi\u00e7\u00f5es dissidentes. As experi\u00eancias revolucion\u00e1rias fracassadas na primeira metade do s\u00e9culo XX pareciam estabelecer como quest\u00e3o essencial definir se os trabalhadores podem ou devem exercer seu poder atrav\u00e9s do partido e do Estado (Leninismo, a Esquerda Comunista Italiana) ou atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o no local de produ\u00e7\u00e3o (anarcossindicalismo, a Esquerda Comunista Holandesa-Alem\u00e3). Por um lado, alguns afirmariam que foi a aus\u00eancia do partido \u2013 ou do tipo certo de partido \u2013 que levou \u00e0 perda das oportunidades revolucion\u00e1rias na Alemanha, It\u00e1lia ou Espanha, enquanto, por outro lado, outros poderiam dizer que foi exatamente o partido, e a concep\u00e7\u00e3o \u201cestatista\u201d, \u201cpol\u00edtica\u201d, de revolu\u00e7\u00e3o, que fracassou na R\u00fassia, desempenhando um papel negativo em outros lugares.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aqueles que desenvolveram a teoria da comuniza\u00e7\u00e3o rejeitavam esta defini\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o em termos de <em>formas<\/em> de organiza\u00e7\u00e3o e, em vez disso, visavam compreender a revolu\u00e7\u00e3o em termos de seu <em>conte\u00fado<\/em>. A comuniza\u00e7\u00e3o implicava uma recusa da perspectiva da revolu\u00e7\u00e3o como um evento em que os trabalhadores tomam o poder seguido de um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o: em vez disso, a revolu\u00e7\u00e3o devia ser vista como um movimento caracterizado por medidas comunistas imediatas (como a distribui\u00e7\u00e3o livre de bens), tanto por seu pr\u00f3prio m\u00e9rito, quanto como uma forma de destruir a base material da contrarrevolu\u00e7\u00e3o. Se, ap\u00f3s uma revolu\u00e7\u00e3o, a burguesia \u00e9 expropriada, mas os trabalhadores continuam sendo trabalhadores, produzindo em empreendimentos separados, dependendo de sua rela\u00e7\u00e3o com esse local de trabalho para sua subsist\u00eancia e realizando trocas com outros empreendimentos, ent\u00e3o pouco importa se essa troca \u00e9 auto-organizada pelos trabalhadores ou realizada conforme uma dire\u00e7\u00e3o central dada por um \u201cEstado prolet\u00e1rio\u201d: o conte\u00fado capitalista permanece, e mais cedo ou mais tarde o papel ou fun\u00e7\u00e3o distinta do capitalista se reafirmar\u00e1. Em contraste, a revolu\u00e7\u00e3o como movimento de comuniza\u00e7\u00e3o destruiria \u2013 ao cessar de constitui-las e reproduzi-las \u2013 todas as categorias capitalistas: troca, dinheiro, mercadorias, a exist\u00eancia de empreendimentos separados, o Estado e \u2013 mais fundamentalmente \u2013 o trabalho assalariado e a pr\u00f3pria classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a teoria da comuniza\u00e7\u00e3o surgiu, em parte, do reconhecimento de que a oposi\u00e7\u00e3o ao modelo de Estado-partido leninista a partir de um conjunto diferente de formas organizacionais \u2013 conselhos democr\u00e1ticos, antiautorit\u00e1rios \u2013 n\u00e3o tinha chegado \u00e0 raiz da quest\u00e3o. Em parte, esse novo tipo de pensamento sobre a revolu\u00e7\u00e3o surgiu das caracter\u00edsticas e formas da luta de classes que vieram \u00e0 tona neste per\u00edodo \u2013 como sabotagem, absentismo e outras formas de recusa do trabalho \u2013 e dos movimentos sociais exteriores ao local de trabalho, todos os quais podiam ser vistos como rejeitando a afirma\u00e7\u00e3o do trabalho e da identidade dos trabalhadores como a base da revolu\u00e7\u00e3o. Um grande impulso ao desenvolvimento da no\u00e7\u00e3o de comuniza\u00e7\u00e3o foi a obra da <em>Internacional Situacionista (IS)<\/em>, a qual, com sua perspectiva de uma revolu\u00e7\u00e3o total enraizada na transforma\u00e7\u00e3o da vida cotidiana, pressentiu e teorizou as novas necessidades sendo expressas nas lutas, e assim foi mais tarde reconhecida como a melhor antecipa\u00e7\u00e3o e express\u00e3o do esp\u00edrito dos eventos de 1968 na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, se o conceito de comuniza\u00e7\u00e3o era, em certo sentido, um produto das lutas e desenvolvimentos da \u00e9poca, a capacidade do ambiente franc\u00eas de lhe dar express\u00e3o foi insepar\u00e1vel de um retorno a Marx e, em particular, da descoberta e difus\u00e3o do \u201cMarx desconhecido\u201d de textos como <em>Grundrisse<\/em> e <em>Resultados do Processo Imediato de Produ\u00e7\u00e3o<\/em> (a seguir, <em>Resultados<\/em>). Antes destes textos se tornarem dispon\u00edveis no final dos anos 60, a <em>IS<\/em> e outros cr\u00edticos do marxismo ortodoxo tendiam a recorrer ao jovem Marx, como aquele dos <em>Manuscritos Econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/em> de 1844. Mesmo no caso da <em>IS<\/em> e da Escola de Frankfurt, na qual tamb\u00e9m houve a utiliza\u00e7\u00e3o de uma teoria do fetichismo e da reifica\u00e7\u00e3o extra\u00edda de <em>O Capital<\/em>, esta foi mediada atrav\u00e9s de Luk\u00e1cs, e n\u00e3o um produto de uma apropria\u00e7\u00e3o detalhada dos tr\u00eas volumes de <em>O Capital<\/em>. Assim, tendia-se a deixar a cr\u00edtica madura da economia pol\u00edtica nas m\u00e3os do marxismo tradicional. Como j\u00e1 indicamos, a relev\u00e2ncia da descri\u00e7\u00e3o de Marx de sua pr\u00f3pria obra como uma <em>cr\u00edtica<\/em> da economia pol\u00edtica e a import\u00e2ncia da forma-valor e do fetichismo foram esmagadoramente perdidas dentro desta interpreta\u00e7\u00e3o positivista. Os novos textos dispon\u00edveis, como <em>Grundrisse<\/em>, minaram as leituras tradicionais e permitiram o reconhecimento da radicalidade da cr\u00edtica madura.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Atrav\u00e9s de sua rela\u00e7\u00e3o marginal com o marxismo ortodoxo, aqueles que se identificavam com as cr\u00edticas da esquerda comunista ao bolchevismo e ao que havia acontecido na R\u00fassia encontravam-se em boa posi\u00e7\u00e3o para ler os novos textos de Marx dispon\u00edveis. Muito importante, no contexto franc\u00eas, foi Jacques Camatte e a revista <em>Invariance<\/em>, que apareceu pela primeira vez em 1968. Al\u00e9m de expressar uma abertura da tradi\u00e7\u00e3o herdada da esquerda italiana \u201cbordigista\u201d [refer\u00eancia a Amadeo Bordiga] tanto \u00e0 experi\u00eancia da esquerda holandesa-alem\u00e3 como \u00e0s lutas que ocorriam na \u00e9poca, <em>Invariance<\/em> foi um ambiente para uma leitura renovada de Marx. O colaborador ocasional de Camatte \u2013 Roger Dangeville \u2013 traduziu <em>Grundrisse<\/em> e <em>Resultados<\/em> para o franc\u00eas \u2013 interrompendo a interpreta\u00e7\u00e3o anti-hegeliana e althusseriana de Marx dominante na Fran\u00e7a. Na <em>Invariance<\/em>, Camatte publicou importantes coment\u00e1rios sobre estes textos.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_10');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_10');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_10\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[10]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_10\" class=\"footnote_tooltip\">CAMATTE, Jacques. Capital and Community: the Results of the Immediate Process of Production and the Economic Works of Marx. Londres: Unpopular Books, 1988. Publicado originalmente em Invariance, n.&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_10');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_10').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_10', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O texto de Camatte desempenhou um papel nas discuss\u00f5es da Fran\u00e7a p\u00f3s-68 similar \u00e0quele desempenhado, no mesmo per\u00edodo, por <em>G\u00eanese e estrutura de O Capital de Karl Marx<\/em>, de Rosdolsky, nos debates que se seguiram na Alemanha.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_11');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_11');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_11\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[11]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_11\" class=\"footnote_tooltip\"> ROSDOLSKY, Roman. <em>G\u00eanese e estrutura de O Capital de Karl Marx<\/em>. Rio de Janeiro: Contraponto, 2007. O original alem\u00e3o foi publicado em 1968. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_11').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_11', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Ambos se apoiam substancialmente em cita\u00e7\u00f5es para introduzir e explorar o significado de textos de Marx que eram em grande parte desconhecidos na \u00e9poca. Rosdolsky fornece um amplo estudo dos <em>Grundrisse<\/em>, enquanto a abordagem menos sistem\u00e1tica de Camatte recorre a outros manuscritos de Marx, particularmente aos <em>Resultados<\/em>. Embora Camatte reconhe\u00e7a os m\u00e9ritos do livro de Rosdolsky, <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_12');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_12');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_12\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[12]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_12\" class=\"footnote_tooltip\"> N\u00e3o obstante, Camatte critica Rosdolsky por \u201cn\u00e3o chegar ao ponto de afirmar o que acreditamos ser fundamental: o capital \u00e9 valor em processo, que se torna sujeito\u201d. Ibid., p. 163.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_12').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_12', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> uma diferen\u00e7a \u00e9 que, enquanto Rosdolsky acaba reduzindo os <em>Grundrisse<\/em> a um mero trabalho preparat\u00f3rio de <em>O Capital<\/em>, Camatte est\u00e1 mais sintonizado com o modo com que eles, e os outros manuscritos de <em>O Capital<\/em>, apontam para al\u00e9m do entendimento que os marxistas tinham derivado da obra de maturidade. Camatte percebeu que as diferentes maneiras pelas quais Marx introduziu e desenvolveu a categoria do valor nas diversas vers\u00f5es da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica t\u00eam um significado maior do que um aprimoramento progressivo da exposi\u00e7\u00e3o. Algumas das abordagens anteriores evidenciam aspectos como a autonomiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do valor, a defini\u00e7\u00e3o de capital como valor em processo e a import\u00e2ncia da categoria da subsun\u00e7\u00e3o, de maneiras que n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o claras nas vers\u00f5es publicadas. A leitura de Camatte dos novos textos dispon\u00edveis reconhece que as implica\u00e7\u00f5es da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica de Marx eram muito mais radicais do que a interpreta\u00e7\u00e3o marxista positivista de <em>O Capital<\/em> havia sido. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_13');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_13');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_13\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[13]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_13\" class=\"footnote_tooltip\">Esta \u00e9 uma leitura dos Grundrisse que posteriormente se identifica com a de Negri. De fato, argumenta-se que a obra inicial deste \u00faltimo deve algo a Camatte. De forma impressionante, quaisquer que&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_13');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_13').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_13', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 uma ruptura fascinante com as suposi\u00e7\u00f5es marxistas tradicionais na obra de Camatte, uma ruptura que \u00e9 acentuada pelo contraste entre seus coment\u00e1rios originais de meados dos anos sessenta e as notas que ele acrescentou no in\u00edcio dos anos setenta. Nesse sentido, enquanto os coment\u00e1rios anteriores se agarram \u00e0 teoria marxista cl\u00e1ssica da transi\u00e7\u00e3o, nas notas posteriores vemos as suposi\u00e7\u00f5es desta teoria serem superadas. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_14');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_14');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_14\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[14]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_14\" class=\"footnote_tooltip\">Comentando sua ideia anterior sobre uma \u201cdomina\u00e7\u00e3o formal do comunismo\u201d, Camatte escreve: \u201ca periodiza\u00e7\u00e3o perde sua validade atualmente; tamb\u00e9m a rapidez da realiza\u00e7\u00e3o do comunismo ser\u00e1&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_14');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_14').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_14', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Por isso, Camatte conclui suas observa\u00e7\u00f5es de 1972 com um chamado \u00e0 comuniza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A quase totalidade dos homens que se levantam contra a totalidade da sociedade capitalista, a luta simultaneamente contra o capital e o trabalho, dois aspectos da mesma realidade: isto \u00e9, o proletariado deve lutar contra sua pr\u00f3pria domina\u00e7\u00e3o para poder se destruir como classe e destruir o capital e as classes. Uma vez assegurada a vit\u00f3ria mundial, a classe universal que realmente se constitui (forma\u00e7\u00e3o do partido, segundo Marx) durante um enorme processo que precede a revolu\u00e7\u00e3o na luta contra o capital, e que se transforma psicologicamente e transformou a sociedade, desaparecer\u00e1, porque se torna humanidade. N\u00e3o h\u00e1 grupos fora dela. O comunismo ent\u00e3o se desenvolve livremente. O socialismo inferior n\u00e3o existe mais, e a fase da ditadura do proletariado se reduz \u00e0 luta para destruir a sociedade capitalista, o poder do capital. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_15');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_15');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_15\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[15]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_15\" class=\"footnote_tooltip\"> Ibid., p. 165. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_15').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_15', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para a maioria subsequente dos te\u00f3ricos da comuniza\u00e7\u00e3o, os escritos de Marx anteriormente indispon\u00edveis tornaram-se textos b\u00e1sicos. A tradu\u00e7\u00e3o dos <em>Grundrisse<\/em> e seu agora famoso \u201cFragmento sobre as M\u00e1quinas\u201d informaram diretamente o argumento protot\u00edpico de Gilles Dauv\u00e9 a favor da comuniza\u00e7\u00e3o. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_16');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_16');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_16\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[16]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_16\" class=\"footnote_tooltip\">\u201cSur L\u2019Ultragauche\u201d (1969), publicado pela primeira vez em ingl\u00eas como \u201cLeninism and the Ultraleft\u201d. Cf. DAUV\u00c9, Gilles; MARTIN, Fra\u00e7ois. Eclipse and Re-Emergence of the Communist&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_16');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_16').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_16', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Neste fragmento, Marx descreve como o capital, em seu impulso para aumentar o tempo de mais-trabalho, reduz o tempo de trabalho necess\u00e1rio ao m\u00ednimo atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o massiva de ci\u00eancia e conhecimento \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. Isso cria a possibilidade da apropria\u00e7\u00e3o geral desse sistema alienado de conhecimento, permitindo a reapropria\u00e7\u00e3o desse tempo de mais-trabalho como tempo dispon\u00edvel. O comunismo \u00e9, assim, compreendido n\u00e3o em termos de uma nova distribui\u00e7\u00e3o do mesmo tipo de riqueza baseada no tempo de trabalho, mas como fundamentado em uma nova forma de riqueza medida em tempo dispon\u00edvel. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_17');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_17');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_17\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[17]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_17\" class=\"footnote_tooltip\">\u201cPois a verdadeira riqueza \u00e9 a for\u00e7a produtiva desenvolvida de todos os indiv\u00edduos. Nesse caso, o tempo de trabalho n\u00e3o \u00e9 mais de forma alguma a medida da riqueza, mas o tempo dispon\u00edvel\u201d.&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_17');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_17').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_17', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> O comunismo \u00e9, sobretudo, uma nova rela\u00e7\u00e3o com o tempo, ou mesmo um tipo diferente de tempo. Para Dauv\u00e9, por meio deste enfoque no tempo, Marx infere um corte radical entre capitalismo e comunismo, que \u201cexclui a hip\u00f3tese de qualquer caminho <em>gradual<\/em> para o comunismo atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o progressiva da lei do valor\u201d e, assim, comprova que a alternativa conselhista e democr\u00e1tica ao leninismo \u00e9 inadequada. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_18');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_18');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_18\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[18]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_18\" class=\"footnote_tooltip\"> DAUV\u00c9, Gilles; MARTIN, Fra\u00e7ois. <em>Eclipse and Re-Emergence of the Communist Movement<\/em>. Detroit: Black and Red, 1974, p. 61. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_18').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_18', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os manuscritos anteriores tamb\u00e9m apontavam para um conceito mais radical de revolu\u00e7\u00e3o em um n\u00edvel ontol\u00f3gico mais fundamental. Os manuscritos revelam que, para Marx, a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica p\u00f5e em quest\u00e3o a divis\u00e3o entre subjetividade e objetividade, a presun\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ser um indiv\u00edduo e do que \u00e9, e n\u00e3o \u00e9, nosso pr\u00f3prio ser. Para Marx, estas quest\u00f5es ontol\u00f3gicas s\u00e3o essencialmente <em>sociais<\/em>. Ele considerava que os economistas pol\u00edticos tinham mais ou menos conseguido esclarecer as categorias que apreendiam as formas sociais de vida sob o capitalismo. No entanto, enquanto a burguesia tendia a apresent\u00e1-las como necessidades a-hist\u00f3ricas, Marx as reconheceu como formas historicamente espec\u00edficas da rela\u00e7\u00e3o entre os seres humanos e entre os seres humanos e a natureza. O fato de a atividade humana ser mediada pelas rela\u00e7\u00f5es sociais entre as coisas confere um car\u00e1ter atomizado e sem objetividade \u00e0 subjetividade humana. A experi\u00eancia individual no capitalismo \u00e9 de pura subjetividade, com toda a objetividade existindo contra ela na forma de capital:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>A separa\u00e7\u00e3o da propriedade do trabalho<\/em> aparece como lei necess\u00e1ria dessa troca entre capital e trabalho. O trabalho, posto como o n\u00e3o capital enquanto tal, \u00e9: 1) <em>trabalho n\u00e3o objetivado, concebido negativamente<\/em> [&#8230;] trabalho separado de todos os meios e objetos de trabalho, separado de toda sua objetividade. O trabalho vivo existindo como <em>abstra\u00e7\u00e3o<\/em> desses momentos de sua real efetividade (igualmente n\u00e3o valor): esse completo desnudamento do trabalho, exist\u00eancia puramente subjetiva, desprovida de toda objetividade. O trabalho como a <em>pobreza absoluta<\/em>: a pobreza n\u00e3o como falta, mas como completa exclus\u00e3o da riqueza objetiva [&#8230;] 2) <em>Trabalho n\u00e3o objetivado<\/em>, n\u00e3o <em>valor<\/em>, concebido <em>positivamente<\/em>, ou negatividade referida a si mesma [&#8230;] O trabalho n\u00e3o como objeto, mas como atividade; n\u00e3o como <em>valor<\/em> ele mesmo, mas como a <em>fonte viva<\/em> do valor. A riqueza universal, perante o capital, no qual ela existe de forma objetiva como realidade, como <em>possibilidade universal<\/em> do capital, possibilidade que se afirma enquanto tal na a\u00e7\u00e3o. Portanto, de nenhuma maneira se contradiz a proposi\u00e7\u00e3o de que o trabalho \u00e9, por um lado, a <em>pobreza absoluta como objeto<\/em> e, por outro, a <em>possibilidade universal<\/em> da riqueza como sujeito e como atividade, ou, melhor dizendo, essas proposi\u00e7\u00f5es inteiramente contradit\u00f3rias condicionam-se mutuamente e resultam da ess\u00eancia do trabalho, pois \u00e9 <em>pressuposto<\/em> pelo capital como ant\u00edtese, como exist\u00eancia antit\u00e9tica do capital e, de outro lado, por sua vez, pressup\u00f5e o capital.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_19');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_19');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_19\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[19]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_19\" class=\"footnote_tooltip\"> MARX, Karl. <em>Grundrisse. Manuscritos econ\u00f4micos de 1857-1858. Esbo\u00e7os da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011, p. 364-365. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_19').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_19', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tais considera\u00e7\u00f5es ontol\u00f3gicas desempenham um papel importante na obra da <em>Th\u00e9orie Communiste<\/em> (TC), um grupo que surgiu em meados dos anos setenta a partir das discuss\u00f5es p\u00f3s-68 do campo ligado \u00e0 comuniza\u00e7\u00e3o. Para a <em>TC<\/em>, a revolu\u00e7\u00e3o comunista compreendida como comuniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o estabelece uma \u201crep\u00fablica do trabalho\u201d ou qualquer outra nova forma de gest\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Em vez disso, trata-se da supera\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o social alienada de produ\u00e7\u00e3o que constitui a separa\u00e7\u00e3o entre subjetividade e objetividade vivenciada no capitalismo. Ao superar a separa\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos de si mesmos e dos meios de produ\u00e7\u00e3o, a comuniza\u00e7\u00e3o supera a separa\u00e7\u00e3o entre subjetividade humana e \u201ctrabalho objetivado\u201d,<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_20');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_20');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_20\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[20]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_20\" class=\"footnote_tooltip\"> E da natureza, que \u00e9 para o capital \u2013 assim como os seres humanos \u2013 puramente um recurso para a expans\u00e3o da riqueza abstrata. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_20').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_20', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> isto \u00e9, a divis\u00e3o sujeito\/objeto que forma a base da realidade social sob o capitalismo. A <em>TC<\/em> considera isto como uma supera\u00e7\u00e3o de cada dimens\u00e3o que Marx descreve nos <em>Grundrisse<\/em>: o trabalho deixa de existir como uma atividade separada; a produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se distingue e domina a reprodu\u00e7\u00e3o; as necessidades j\u00e1 n\u00e3o se separam das capacidades; e os indiv\u00edduos j\u00e1 n\u00e3o lidam com sua sociabilidade atrav\u00e9s da media\u00e7\u00e3o da troca de seus produtos ou na forma do Estado \u2013 tornam-se <em>diretamente<\/em> sociais. A revolu\u00e7\u00e3o como comuniza\u00e7\u00e3o dissolve tanto a forma social das coisas, ou seja, sua exist\u00eancia como suportes de \u201ctrabalho objetivado\u201d, de valor (tornam-se coisas novamente), como a forma-sujeito atomizada, vazia e separada do indiv\u00edduo. Desse modo, para a <em>TC<\/em>, assim como para Marx nos <em>Grundrisse, <\/em><span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_21');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_21');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_21\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[21]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_21\" class=\"footnote_tooltip\">No entanto, a afirma\u00e7\u00e3o da <em>TC<\/em> n\u00e3o \u00e9 que a comuniza\u00e7\u00e3o fosse o conceito de revolu\u00e7\u00e3o de Marx \u2013 cf. a discuss\u00e3o sobre o \u201cprogramatismo\u201d adiante. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_21').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_21', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> o momento antes \u201cobjetivo\u201d da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o domina mais o subjetivo, mas se torna \u201co corpo social org\u00e2nico, em que os indiv\u00edduos se reproduzem como singulares, mas como singulares sociais\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_22');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_22');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_22\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[22]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_22\" class=\"footnote_tooltip\"> Ibid., p. 1151. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_22').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_22', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os debates alem\u00e3es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A nova apropria\u00e7\u00e3o de Marx, da qual surgiu a perspectiva da comuniza\u00e7\u00e3o, fez parte de um processo muito mais amplo de reapropria\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de leituras radicais de Marx. Ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o H\u00fangara de 1956, o comunismo oficial n\u00e3o detinha mais uma hegemonia sobre a dissid\u00eancia e a interpreta\u00e7\u00e3o de Marx nos pa\u00edses ocidentais. Embora Marx tivesse dito para \u201cduvidar de tudo\u201d, o marxismo ortodoxo ou tradicional tendia a se apresentar como uma vis\u00e3o unificada do mundo com respostas para todas as quest\u00f5es. Tinha uma filosofia abrangente (\u201cMaterialismo Dial\u00e9tico\u201d), uma vis\u00e3o mecanicista da hist\u00f3ria (\u201cMaterialismo Hist\u00f3rico\u201d) e sua pr\u00f3pria economia (\u201cEconomia Pol\u00edtica Marxista\u201d). <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_23');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_23');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_23\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[23]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_23\" class=\"footnote_tooltip\">Para uma interpreta\u00e7\u00e3o do \u201cmarxismo tradicional\u201d como \u201cvis\u00e3o de mundo\u201d, cf. HEINRICH, Michael. \u201cOs invasores de Marx: sobre os usos da teoria marxista e as dificuldades de uma leitura&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_23');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_23').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_23', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Estes pilares da vers\u00e3o oficial do marxismo foram postos em quest\u00e3o por um retorno ao esp\u00edrito cr\u00edtico de Marx, da mesma forma que uma gera\u00e7\u00e3o anterior do marxismo cr\u00edtico floresceu na esteira imediata da revolu\u00e7\u00e3o russa. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_24');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_24');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_24\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[24]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_24\" class=\"footnote_tooltip\">As obras desse per\u00edodo que se destacam: Hist\u00f3ria e Consci\u00eancia de Classe [1923], de Luk\u00e1cs, Marxismo e Filosofia [1923], de Korsch, Ensaios sobre a Teoria do Valor de Marx [1923], de Rubin, e&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_24');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_24').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_24', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A revitaliza\u00e7\u00e3o da teoria marxiana neste per\u00edodo \u2013 como nos anos vinte \u2013 envolveu uma ruptura com a vis\u00e3o do marxismo como um sistema positivo de conhecimento, e uma renovada identifica\u00e7\u00e3o de sua dimens\u00e3o cr\u00edtica \u2013 um movimento que p\u00f4s novamente em quest\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o de Marx com Hegel. Em meados dos anos sessenta, a rejei\u00e7\u00e3o das interpreta\u00e7\u00f5es vigentes de Marx come\u00e7ou a se estender a <em>O<\/em> <em>Capital<\/em> \u2013 sua obra central. Novas leituras se basearam em manuscritos anteriores da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica, e estavam interessadas n\u00e3o apenas nos resultados a que Marx chegou, mas tamb\u00e9m no m\u00e9todo que ele utilizara para alcan\u00e7\u00e1-los. Na Fran\u00e7a, <em>O Capital<\/em> foi relido \u00e0 moda estruturalista, na It\u00e1lia, Tronti e o <em>Operaismo<\/em> o retomaram \u201cdo ponto de vista da classe trabalhadora\u201d, e, na Alemanha, surgiu a <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em> (Nova Leitura de Marx).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A l\u00edngua alem\u00e3 conferiu \u00e0 <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre <\/em>uma evidente vantagem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es sobre Marx nos outros pa\u00edses. Os novos textos do \u201cMarx desconhecido\u201d geralmente se tornavam dispon\u00edveis e conhecidos em alem\u00e3o antes de qualquer outro idioma, e n\u00e3o houve, naturalmente, problemas de tradu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o grande recurso cultural que Marx havia utilizado na cr\u00edtica da economia pol\u00edtica \u2013 o idealismo cl\u00e1ssico alem\u00e3o \u2013 n\u00e3o estava sujeito aos mesmos problemas de recep\u00e7\u00e3o do pensamento hegeliano como em outros pa\u00edses. Assim, enquanto na It\u00e1lia e na Fran\u00e7a as novas leituras de Marx tendiam a ter um forte vi\u00e9s anti-Hegel como rea\u00e7\u00e3o contra as formas anteriores do Hegelianismo e do \u201cMarxismo Hegeliano\u201d, as discuss\u00f5es alem\u00e3s conseguiram desenvolver uma imagem mais nuan\u00e7ada e informada da conex\u00e3o Hegel-Marx. De forma crucial, eles viram que, ao descrever a estrutura l\u00f3gica da totalidade real das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas, Marx, em <em>O Capital<\/em>, estava em d\u00edvida, n\u00e3o tanto com a concep\u00e7\u00e3o de Hegel sobre uma dial\u00e9tica hist\u00f3rica, mas com a dial\u00e9tica sistem\u00e1tica da <em>L\u00f3gica<\/em>. O novo marxismo cr\u00edtico, \u00e0s vezes chamado de <em>Kapitallogik<\/em>, tinha menos em comum com o marxismo cr\u00edtico anterior de Luk\u00e1cs e Korsch do que com o de Rubin e Pachukanis. A <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em> n\u00e3o era uma escola homog\u00eanea, mas uma abordagem cr\u00edtica que envolvia s\u00e9rias disputas e desacordos que, no entanto, compartilhavam uma dire\u00e7\u00e3o comum.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O contexto pol\u00edtico para os debates alem\u00e3es foi a ascens\u00e3o de um movimento estudantil radical. O movimento tinha dois polos \u2013 um tradicionalista, \u00e0s vezes com liga\u00e7\u00f5es com o governo da Alemanha Oriental, com uma orienta\u00e7\u00e3o \u201cmarxista ortodoxa\u201d para o movimento dos trabalhadores, e um polo \u201cantiautorit\u00e1rio\u201d mais forte, influenciado pela teoria cr\u00edtica da Escola de Frankfurt, particularmente sua dimens\u00e3o psicanal\u00edtica, que oferecia uma explica\u00e7\u00e3o para o porqu\u00ea de os trabalhadores parecerem desinteressados na revolu\u00e7\u00e3o. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_25');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_25');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_25\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[25]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_25\" class=\"footnote_tooltip\">Isto inclu\u00eda um interesse em Freud e Reich, combinado com os ataques implac\u00e1veis de Adorno contra o revisionismo na psican\u00e1lise contempor\u00e2nea; em Eros e Civiliza\u00e7\u00e3o e em O Homem Unidimensional,&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_25');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_25').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_25', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Devido em grande parte \u00e0 influ\u00eancia da Escola de Frankfurt, o movimento estudantil alem\u00e3o ganhou rapidamente uma reputa\u00e7\u00e3o pela sofistica\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de seus debates. As percep\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m a instabilidade e ambival\u00eancia, do polo \u201cantiautorit\u00e1rio\u201d foram expressas na trajet\u00f3ria de seu carism\u00e1tico l\u00edder Rudi Dutschke. Em 1966, influenciado fortemente por Korsch, ele contextualizou historicamente a \u201cteoria das duas etapas\u201d da revolu\u00e7\u00e3o comunista de Marx como anacr\u00f4nica e \u201caltamente question\u00e1vel para n\u00f3s\u201d, pois ela \u201cadia a verdadeira emancipa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora para o futuro e considera a tomada do Estado burgu\u00eas pelo proletariado como sendo de import\u00e2ncia primordial para a revolu\u00e7\u00e3o social\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_26');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_26');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_26\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[26]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_26\" class=\"footnote_tooltip\">DUTSCHKE, Rudi. \u201cZur Literatur des revolution\u00e4ren Sozialismus von K. Marx bis in die Gegenwart\u201d,&nbsp;<em><strong>SDS-korrespondenz<\/strong><\/em>, Sondernummer 1966.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_26').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_26', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>  No entanto, ele tamb\u00e9m cunhou o slogan \u201clonga marcha pelas institui\u00e7\u00f5es\u201d, que se tornou a <em>raison d\u2019\u00eatre<\/em> do Partido Verde alem\u00e3o (ao qual ele, como aquele outro antiautorit\u00e1rio carism\u00e1tico Daniel Cohn-Bendit, aderiu). Atualmente, \u00e9 o partido <em>Die Linke<\/em> (o partido de esquerda na Alemanha), completamente estatista e reformista, que se identifica mais fortemente com seu legado. Uma figura mais importante teoricamente foi Hans-J\u00fcrgen Krahl, que tamb\u00e9m desempenhou um papel de lideran\u00e7a na SDS [\u201cEstudantes por uma Sociedade Democr\u00e1tica\u201d], especialmente depois que Dutschke foi baleado. Krahl era aluno de Adorno, tendo levado muitos dos conceitos-chave da Teoria Cr\u00edtica para o movimento, mas tamb\u00e9m era um ativista \u2013 Adorno infamemente chamou a pol\u00edcia contra ele e seus colegas quando ocuparam um dos pr\u00e9dios do Instituto [de Pesquisa Social] \u2013 e manteve uma perspectiva orientada em dire\u00e7\u00e3o ao proletariado e \u00e0 luta de classes. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_27');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_27');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_27\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[27]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_27\" class=\"footnote_tooltip\">Krahl faleceu em uma acidente de carro em 1970. A cole\u00e7\u00e3o de seus escritos e palestras publicada postumamente &#8211; Konstitution und Klassenkampf &#8211; n\u00e3o foi traduzida para o ingl\u00eas [nem&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_27');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_27').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_27', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Embora a Escola de Frankfurt, em seu giro para quest\u00f5es de psican\u00e1lise, cultura e filosofia, tenha amplamente deixado o estudo da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica de Marx para os marxistas ortodoxos, foi Krahl e outros estudantes de Adorno \u2013 Hans-Georg Backhaus, Helmult Reichelt \u2013 que iniciaram a <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, enquanto o que abriu o campo da comuniza\u00e7\u00e3o \u00e0 radicalidade dos novos textos de Marx foi um pano de fundo no comunismo de conselhos e em outras cr\u00edticas da esquerda comunista ao bolchevismo, na Alemanha \u2013 onde tais tend\u00eancias haviam sido eliminadas no per\u00edodo nazista <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_28');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_28');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_28\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[28]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_28\" class=\"footnote_tooltip\">Uma exce\u00e7\u00e3o significativa foi Willy Huhn, que influenciou alguns membros da SDS de Berlim. Membro da Rote K\u00e4mpfer, um reagrupamento de integrantes do KAPD [Partido Comunista Oper\u00e1rio da Alemanha]&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_28');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_28').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_28', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> \u2013, um papel de certo modo equivalente foi desempenhado por Adorno e pela Escola de Frankfurt. Tanto o comunismo de conselhos como a Escola de Frankfurt tinham se desenvolvido como uma reflex\u00e3o sobre o fracasso da Revolu\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 de 1918-1919. Embora a rela\u00e7\u00e3o do comunismo de conselhos com a Revolu\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 seja mais direta, Sohn-Rethel, falando sobre a Escola de Frankfurt e os pensadores ligados a Luk\u00e1cs e Bloch, capta a rela\u00e7\u00e3o mais complexa deles com esse per\u00edodo atrav\u00e9s de uma formula\u00e7\u00e3o paradoxal:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>[O] novo desenvolvimento de pensamento que estas pessoas representam evoluiu como a superestrutura te\u00f3rica e ideol\u00f3gica da revolu\u00e7\u00e3o que nunca aconteceu. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_29');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_29');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_29\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[29]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_29\" class=\"footnote_tooltip\">Ele acrescenta: \u201cA condi\u00e7\u00e3o paradoxal deste movimento ideol\u00f3gico pode ajudar a explicar sua preocupa\u00e7\u00e3o quase exclusiva com quest\u00f5es superestruturais e a not\u00f3ria falta de preocupa\u00e7\u00e3o com a&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_29');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_29').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_29', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora afastada de qualquer espa\u00e7o da classe trabalhadora, a Escola de Frankfurt tentou manter vivo um marxismo cr\u00edtico e emancipat\u00f3rio contra seu desenvolvimento como uma ideologia apolog\u00e9tica da acumula\u00e7\u00e3o estatal na R\u00fassia. A afinidade com o comunismo de conselhos est\u00e1 mais claramente exposta em textos anteriores, como <em>Estado Autorit\u00e1rio<\/em> de Horkheimer, que os estudantes antiautorit\u00e1rios publicaram com reprova\u00e7\u00e3o do Horkheimer posteriormente conservador. N\u00e3o obstante, uma cr\u00edtica radical da sociedade capitalista permanece no centro dos textos menos obviamente pol\u00edticos de Adorno dos anos cinquenta e sessenta \u2013 na verdade, talvez at\u00e9 precisamente por terem evitado a l\u00f3gica do efeito pol\u00edtico imediato. Enquanto a \u201cultraesquerda\u201d havia tentado manter viva a promessa emancipat\u00f3ria da teoria marxista contra o desdobramento real dos movimentos dos trabalhadores, enfatizando a autonomia da classe trabalhadora em face da representa\u00e7\u00e3o e das institui\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, a Escola de Frankfurt havia, paradoxalmente, perseguido a mesma tarefa afastando-se da luta de classes imediata e das \u201cquest\u00f5es econ\u00f4micas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto significou que a reapropria\u00e7\u00e3o radical de Marx na Alemanha dos anos 60 tomou necessariamente a forma tanto de uma continua\u00e7\u00e3o como de uma ruptura do legado da Escola de Frankfurt. A interface entre uma sensibilidade informada pela Escola de Frankfurt e um giro ao estudo detalhado da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica, evitado por ela, \u00e9 expressa em uma anedota sobre Backhaus. Segundo Reichelt, as origens do programa da <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em> remetem a um momento em 1963, quando Backhaus, que estava numa resid\u00eancia estudantil em Frankfurt, acidentalmente se deparou com o que era, naquele momento, uma primeira edi\u00e7\u00e3o muito rara de <em>O Capital.<\/em> <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_30');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_30');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_30\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[30]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_30\" class=\"footnote_tooltip\">A primeira edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de O Capital tinha diferen\u00e7as consider\u00e1veis \u2013 especialmente na estrutura e no desenvolvimento do primeiro cap\u00edtulo, sobre mercadoria e valor \u2013 no que se refere \u00e0&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_30');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_30').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_30', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Ele observou que as diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda edi\u00e7\u00e3o tornaram-se imediatamente evidentes, mas que isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque ele tinha participado das palestras de Adorno sobre a teoria dial\u00e9tica da sociedade, pois:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>[S]e Adorno n\u00e3o tivesse apresentado repetidamente a ideia de um \u201cconceito na pr\u00f3pria realidade\u201d, de um verdadeiro universal que pode ser tra\u00e7ado desde a abstra\u00e7\u00e3o da troca, sem suas perguntas sobre a constitui\u00e7\u00e3o das categorias e sua rela\u00e7\u00e3o interna na economia pol\u00edtica, e sem sua concep\u00e7\u00e3o de uma estrutura objetiva que se tornara aut\u00f4noma, este texto teria permanecido silencioso &#8211; assim como tem sido ao longo dos (ent\u00e3o!) j\u00e1 cem anos de discuss\u00e3o sobre a teoria do valor de Marx. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_31');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_31');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_31\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[31]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_31\" class=\"footnote_tooltip\"> REICHELT, Helmut. <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre: Zur Kritik sozialwissenschaftlicher Logik<\/em>. Hamburgo: VSA-Verlag, 2008, p. 11. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_31').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_31', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os debates em torno da nova leitura de <em>O Capital<\/em> come\u00e7aram realmente depois de 1968. As quest\u00f5es que eles trouxeram \u00e0 tona, que geralmente foram abordadas apenas posteriormente, e muitas vezes de modo menos profundo, em discuss\u00f5es em outros idiomas, abordavam: o car\u00e1ter do m\u00e9todo de Marx e a validade da compreens\u00e3o de Engels sobre ele; a rela\u00e7\u00e3o entre o desenvolvimento dial\u00e9tico das categorias em <em>O Capital<\/em> e a dial\u00e9tica hegeliana; o significado dos aspectos inacabados dos planos de Marx para sua cr\u00edtica; a import\u00e2ncia do termo \u201ccr\u00edtica\u201d e a diferen\u00e7a entre a teoria do valor de Marx e a da economia pol\u00edtica cl\u00e1ssica; e a natureza da abstra\u00e7\u00e3o no conceito marxiano de trabalho abstrato e na cr\u00edtica da economia pol\u00edtica em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar de seu car\u00e1ter frequentemente filol\u00f3gico e abstrato, os debates em torno da nova leitura de <em>O Capital<\/em> foram vistos como tendo uma import\u00e2ncia pol\u00edtica na tens\u00e3o entre o polo antiautorit\u00e1rio e o polo tradicionalista do movimento estudantil, com este \u00faltimo sustentando que a estrutura do marxismo ortodoxo s\u00f3 precisava ser modernizada e ajustada. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_32');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_32');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_32\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[32]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_32\" class=\"footnote_tooltip\">Enquanto o polo marxista tradicional da SDS tinha sido, at\u00e9 1968, essencialmente reformista, defendendo uma transi\u00e7\u00e3o legal para o socialismo, o que veio \u00e0 tona depois de 1968 foi o stalinismo&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_32');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_32').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_32', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> A <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em> desafiou este projeto de uma ortodoxia renovada, defendendo nada menos do que uma reconstru\u00e7\u00e3o fundamental da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_33');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_33');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_33\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[33]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_33\" class=\"footnote_tooltip\">Cf. HEINRICH, Michael. \u201cReconstruction or Deconstruction? Methodological Controversies about Value and Capital, and New Insights from the Critical Edition\u201d. In: BELLOFIORE, Riccardo; FINESCHI,&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_33');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_33').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_33', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na \u00e9poca, a vis\u00e3o dominante sobre o m\u00e9todo em exerc\u00edcio no<em> Capital<\/em> era alguma variante do m\u00e9todo l\u00f3gico-hist\u00f3rico proposto por Engels em textos como sua resenha, de 1859, da <em>Contribui\u00e7\u00e3o para uma Cr\u00edtica de Economia Pol\u00edtica<\/em> de Marx, e seu Pref\u00e1cio e Suplemento ao Volume III de <em>O Capital<\/em>. Nesta vis\u00e3o, o desdobramento das categorias de <em>O Capital<\/em> segue de perto seu desenvolvimento hist\u00f3rico real, de tal forma que os primeiros cap\u00edtulos de <em>O Capital<\/em> s\u00e3o compreendidos como a descri\u00e7\u00e3o de um per\u00edodo pr\u00e9-capitalista de \u201cprodu\u00e7\u00e3o simples de mercadorias\u201d, quando a \u201clei do valor\u201d operava de forma pura. Nas discuss\u00f5es alem\u00e3s, e depois internacionalmente, a autoridade de Engels \u2013 assim como a do marxismo tradicional que dependia dele \u2013 foi desafiada de forma abrangente. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_34');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_34');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_34\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[34]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_34\" class=\"footnote_tooltip\"> Cf. \u201cThe Moving Contradiction\u201d, <em>Endnotes <\/em>n. 2. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_34').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_34', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> A <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em> argumentava que nem a interpreta\u00e7\u00e3o de Engels, nem nenhuma das modifica\u00e7\u00f5es propostas, <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_35');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_35');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_35\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[35]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_35\" class=\"footnote_tooltip\">Grossman, por exemplo, forneceu a ideia de uma aproxima\u00e7\u00e3o sucessiva na qual O Capital apresenta uma s\u00e9rie de modelos anal\u00edticos que se tornam mais complexos \u00e0 medida que se acrescentam outros&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_35');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_35').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_35', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> fez justi\u00e7a ao movimento por tr\u00e1s da ordem e do desenvolvimento das categorias de <em>O<\/em> <em>Capital<\/em>. Em vez de um avan\u00e7o de um est\u00e1gio inicial n\u00e3o capitalista, ou de um modelo hipot\u00e9tico simplificado, de produ\u00e7\u00e3o simples de mercadorias, para um est\u00e1gio posterior, ou modelo mais complexo, de produ\u00e7\u00e3o capitalista de mercadorias, o movimento em <em>O Capital<\/em> deveria ser compreendido como uma exposi\u00e7\u00e3o da totalidade capitalista desde o in\u00edcio, passando do abstrato ao concreto. Em <em>Sobre a Estrutura L\u00f3gica do Conceito de Capital em Karl Marx<\/em>, Helmut Reichelt desenvolveu uma concep\u00e7\u00e3o que, de uma forma ou de outra, \u00e9 agora b\u00e1sica para os te\u00f3ricos da dial\u00e9tica sistem\u00e1tica: que a \u201cl\u00f3gica do conceito de capital\u201d como um processo autodeterminado corresponde ao ir-al\u00e9m-de-si-mesmo do Conceito na <em>L\u00f3gica<\/em> de Hegel. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_36');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_36');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_36\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[36]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_36\" class=\"footnote_tooltip\">REICHELT, Helmut. Sobre a Estrutura L\u00f3gica do Conceito de Capital em Karl Marx. Campinas: Editora Unicamp, 2013. O qu\u00e3o pr\u00f3xima \u00e9 esta correspond\u00eancia \u00e9 um tema que suscita muito debate. Cf. os&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_36');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_36').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_36', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> De acordo com esta vis\u00e3o, o mundo do capital pode ser visto como objetivamente idealista: por exemplo, a mercadoria \u00e9 uma \u201ccoisa sens\u00edvel-suprassens\u00edvel\u201d. A dial\u00e9tica da forma-valor demonstra como, a partir da forma mais simples da mercadoria, os aspectos materiais e concretos do processo da vida social s\u00e3o dominados pelas formas sociais abstratas e ideais do valor. Para Marx, como afirma Reichelt:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O capital \u00e9, assim, concebido como uma constante mudan\u00e7a de formas, na qual o valor de uso \u00e9 constantemente integrado e expelido. Neste processo, o valor de uso tamb\u00e9m assume a forma de um objeto em eterna desapari\u00e7\u00e3o. Mas este desaparecimento constantemente renovado do objeto \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para a perpetua\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio valor \u2013 \u00e9 atrav\u00e9s da sempre reproduzida mudan\u00e7a de formas que a unidade imediata entre valor e valor de uso \u00e9 retida. O que se constitui, portanto, \u00e9 um mundo invertido no qual a sensibilidade no sentido mais amplo \u2013 como valor de uso, trabalho, troca com a natureza \u2013 \u00e9 rebaixada a um meio de autoperpetua\u00e7\u00e3o de um processo abstrato subjacente a todo o mundo objetivo em constante mudan\u00e7a. [&#8230;] Todo o mundo sens\u00edvel dos seres humanos que se reproduzem atrav\u00e9s da satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades e do trabalho \u00e9, passo a passo, sugado por este processo, no qual todas as atividades s\u00e3o \u201cem si mesmas invertidas\u201d. Todas elas s\u00e3o, em sua apar\u00eancia prec\u00e1ria, imediatamente seu pr\u00f3prio oposto; a persist\u00eancia do geral. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_37');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_37');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_37\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[37]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_37\" class=\"footnote_tooltip\">REICHELT, Helmult. \u201cSocial Reality as Appearance: Some Notes on Marx\u2019s Conception of Reality\u201d. In: BONEFELD, Werner; PSYCHOPEDIS, Kosmas (ed.). Human Dignity. Social Autonomy and the Critique&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_37');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_37').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_37', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta \u00e9 a invers\u00e3o ontol\u00f3gica, a posse da vida material pelo Esp\u00edrito do capital. \u00c9 o que Camatte apreendeu em seu reconhecimento da import\u00e2ncia da compreens\u00e3o do capital como valor em processo e como subsun\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o h\u00e1, na sociedade capitalista, valor de uso a n\u00e3o ser na forma de valor, se valor e capital constituem uma forma totalizante e poderosa de socializa\u00e7\u00e3o que molda todos os aspectos da vida, sua supera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de mera substitui\u00e7\u00e3o dos mecanismos de mercado atrav\u00e9s de uma gest\u00e3o estatal ou da autogest\u00e3o, pelos trabalhadores, destas formas, mas exige uma transforma\u00e7\u00e3o radical de cada esfera da vida. Ao contr\u00e1rio, a concep\u00e7\u00e3o marxista tradicional derivada de Engels \u2013 segundo a qual a lei do valor preexistiu ao capitalismo \u2013 separou a teoria do mercado e do valor daquela do mais-valor e da explora\u00e7\u00e3o e, assim, abriu a possibilidade de ideias como uma lei do valor socialista, uma forma de dinheiro socialista, \u201csocialismo de mercado\u201d e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Marx incompleto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Parte da natureza dogm\u00e1tica do marxismo ortodoxo consistia em considerar as obras de Marx como um sistema completo, ao qual deviam ser acrescentadas somente an\u00e1lises hist\u00f3ricas de est\u00e1gios posteriores do capitalismo, como o imperialismo. A descoberta dos manuscritos e dos planos para a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica mostrou que <em>O Capital<\/em> estava incompleto, n\u00e3o apenas porque os Volumes II e III, bem como <em>Teorias da Mais-Valia<\/em>, foram deixados inacabados por Marx e editados posteriormente por Engels e Kautsky, respectivamente <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_38');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_38');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_38\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[38]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_38\" class=\"footnote_tooltip\">Quando Moscou republicou Teorias da Mais-Valia, foram questionadas as decis\u00f5es editoriais de Kaustky, algo inconceb\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s consider\u00e1veis altera\u00e7\u00f5es realizadas por Engels no Volume&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_38');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_38').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_38', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>, mas tamb\u00e9m porque constitu\u00eda apenas o primeiro de um plano de seis livros, ao lado de outros sobre propriedade fundi\u00e1ria, trabalho assalariado, Estado, com\u00e9rcio exterior e \u201cO Mercado Mundial e as Crises\u201d.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_39');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_39');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_39\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[39]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_39\" class=\"footnote_tooltip\">Rosdolsky argumenta que o segundo e o terceiro livros [sobre propriedade fundi\u00e1ria e trabalho assalariado] est\u00e3o incorporados em um plano reelaborado para O Capital; por\u00e9m, mesmo que se concorde&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_39');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_39').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_39', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> O reconhecimento de que o que existe do projeto de Marx \u00e9 apenas um fragmento foi de tremenda import\u00e2ncia, pois implicava ver a teoria marxiana como um projeto radicalmente em aberto e a necessidade de desenvolver \u00e1reas de investiga\u00e7\u00e3o que mal foram tratadas pelo pr\u00f3prio Marx. O chamado debate sobre a deriva\u00e7\u00e3o do Estado e o debate sobre o mercado mundial foram tentativas de desenvolver algumas dessas \u00e1reas que o pr\u00f3prio Marx n\u00e3o havia abordado sistematicamente em <em>O Capital.<\/em> <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_40');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_40');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_40\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[40]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_40\" class=\"footnote_tooltip\">Sobre o debate da deriva\u00e7\u00e3o do estado, cf. HOLLOWAY, John; PICCIOTTO, Sol (ed.). State and Capital: A Marxist Debate. Austin: University of Texas Press, 1978. HELD, Karl; HILL, Audrey. The&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_40');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_40').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_40', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base no trabalho pioneiro de Pachukanis, os participantes do debate sobre a deriva\u00e7\u00e3o do Estado compreenderam a separa\u00e7\u00e3o entre \u201co econ\u00f4mico\u201d e \u201co pol\u00edtico\u201d como algo espec\u00edfico da domina\u00e7\u00e3o capitalista. A implica\u00e7\u00e3o foi que \u2013 longe de estabelecer uma economia socialista e um Estado prolet\u00e1rio, como no marxismo tradicional \u2013 a revolu\u00e7\u00e3o deveria ser entendida como a destrui\u00e7\u00e3o tanto da \u201ceconomia\u201d quanto do \u201cEstado\u201d. Apesar da apar\u00eancia abstrata \u2013 e \u00e0s vezes escol\u00e1stica \u2013 desses debates, come\u00e7amos a ver como o retorno cr\u00edtico a Marx, com base nas lutas do final dos anos sessenta na Alemanha, teve implica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas \u2013 e particularmente radicais \u2013 para como concebemos a supera\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto \u00e9 igualmente verdadeiro para a categoria marxiana central do trabalho abstrato como conceitualizada nos debates alem\u00e3es em torno do valor. Enquanto na ci\u00eancia social burguesa, e nas formas dominantes do marxismo, a abstra\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato mental, Marx sustentou que uma forma diferente de abstra\u00e7\u00e3o estava presente no capitalismo: a \u201cabstra\u00e7\u00e3o real\u201d ou \u201cpr\u00e1tica\u201d que as pessoas realizam na troca mesmo sem saberem. Como a anedota de Reichelt sobre Backhaus indica, foi a ideia de Adorno sobre uma objetividade da vida social capitalista que inspirou a abordagem da <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em> \u00e0 cr\u00edtica da economia pol\u00edtica de Marx. Esta ideia de Adorno, e sua no\u00e7\u00e3o de \u201cpensamento da identidade\u201d, haviam sido inspiradas por ideias que Sohn-Rethel lhe havia comunicado nos anos trinta. A discuss\u00e3o alem\u00e3, assim, avan\u00e7ou com a publica\u00e7\u00e3o, em 1970, destas ideias no livro <em>Trabalho Manual e Trabalho Intelectual<\/em> de Sohn-Rethel.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_41');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_41');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_41\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[41]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_41\" class=\"footnote_tooltip\"> SOHN-RETHEL, Alfred. <em>Geistige und k\u00f6rperliche Arbeit. Zur Theorie gesellschaftlicher Synthesis<\/em>. Verlim: Suhrkamp Verlag, 1970. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_41').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_41', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Nesta obra, Sohn-Rethel identifica a abstra\u00e7\u00e3o do valor de uso realizada no processo de troca como a raiz, n\u00e3o apenas do estranho tipo de s\u00edntese social nas sociedades produtoras de mercadorias, mas da pr\u00f3pria exist\u00eancia do racioc\u00ednio conceitual abstrato e da experi\u00eancia do intelecto independente. A tese de Sohn-Rethel \u00e9 a de que o \u201csujeito transcendental\u201d, como teorizado explicitamente por Kant, nada mais \u00e9 do que uma express\u00e3o te\u00f3rica e ao mesmo tempo cega da unidade ou similaridade das coisas constitu\u00eddas atrav\u00e9s da troca. Tais ideias, juntamente com as de Pachukanis sobre como o \u201csujeito de direito\u201d e a mercadoria s\u00e3o coproduzidos historicamente, impulsionaram um per\u00edodo de exame cr\u00edtico no qual todos os aspectos da vida, incluindo nosso pr\u00f3prio senso de subjetividade e consci\u00eancia interiores, foram compreendidos como determinados pelas formas do capital e do valor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para Marx, o exemplo mais marcante de \u201cabstra\u00e7\u00e3o real\u201d \u00e9 a forma-dinheiro do valor, e talvez a contribui\u00e7\u00e3o mais abrangente dos debates alem\u00e3es seja o desenvolvimento de uma \u201cteoria monet\u00e1ria do valor\u201d, segundo as linhas j\u00e1 tra\u00e7adas por Rubin. Numa passagem importante da primeira edi\u00e7\u00e3o de <em>O Capital<\/em>, Marx descreve o dinheiro como uma abstra\u00e7\u00e3o que assume perversamente uma exist\u00eancia no mundo real, independentemente de suas particularidades \u2013 \u201c\u00c9 como se, paralelo aos le\u00f5es, tigres, coelhos e todos os outros animais reais, [&#8230;] tamb\u00e9m existisse <em>o animal<\/em>, a corporifica\u00e7\u00e3o individual de todo o reino animal\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_42');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_42');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_42\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[42]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_42\" class=\"footnote_tooltip\"> MARX, Karl. <em>A forma mercadoria: escritos sobre a teoria do valor<\/em>. S\u00e3o Paulo: Lavrapalavra, 2021, p. 139. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_42').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_42', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Os produtos do trabalho privado devem ser trocados com esta representa\u00e7\u00e3o concreta do trabalho abstrato para que sua validade social seja reconhecida na realidade. Assim, existe no mundo uma abstra\u00e7\u00e3o \u2013 diferente de um produto do pensamento \u2013 como um objeto com uma objetividade social ao qual todos devem se curvar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O marxismo tradicional negligenciou esta discuss\u00e3o e, em geral, seguiu Ricardo e a economia burguesa ao ver o dinheiro como meramente uma ferramenta t\u00e9cnica \u00fatil para facilitar a troca dos valores pr\u00e9-existentes das mercadorias. Em contraste, os debates alem\u00e3es captaram o estranho tipo de objetividade do valor \u2013 que n\u00e3o \u00e9 inerente a nenhuma mercadoria em particular, mas existe apenas na rela\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia entre uma mercadoria e a totalidade das outras mercadorias \u2013, algo que s\u00f3 pode se realizar atrav\u00e9s do dinheiro. Este papel do dinheiro em uma sociedade produtora de mercadorias impulsa a experi\u00eancia do pr\u00f3prio trabalho vivo. Na medida em que o trabalho \u00e9 simplesmente uma atividade realizada por dinheiro, o tipo de trabalho a ser realizado \u00e9 indiferente e uma quest\u00e3o de acaso. Rompeu-se o v\u00ednculo org\u00e2nico que existia em sociedades anteriores entre determinados indiv\u00edduos e formas espec\u00edficas de trabalho. Desenvolveu-se um sujeito capaz de mover-se indiferentemente entre distintas formas de trabalho:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Logo, [&#8230;] a abstra\u00e7\u00e3o da categoria \u201ctrabalho\u201d, \u201ctrabalho em geral\u201d, trabalho puro e simples, o ponto de partida da Economia moderna, dev\u00e9m verdadeira na pr\u00e1tica. Por conseguinte, a abstra\u00e7\u00e3o mais simples, que a Economia moderna coloca no primeiro plano e que exprime uma rela\u00e7\u00e3o muito antiga e v\u00e1lida para todas as formas de sociedade, tal abstra\u00e7\u00e3o s\u00f3 aparece verdadeira na pr\u00e1tica como categoria da sociedade mais moderna. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_43');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_43');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_43\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[43]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_43\" class=\"footnote_tooltip\"> MARX, Karl. <em>Grundrisse. Manuscritos econ\u00f4micos de 1857-1858. Esbo\u00e7os da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011, p. 83. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_43').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_43', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O trabalho abstrato como abstra\u00e7\u00e3o <em>pr\u00e1tica<\/em> \u00e9 uma forma fundamentalmente capitalista de trabalho \u2013 um produto da redu\u00e7\u00e3o de todas as atividades \u00e0 atividade abstrata geradora de dinheiro. Na vis\u00e3o tradicional, a supera\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista n\u00e3o precisa envolver a aboli\u00e7\u00e3o do trabalho abstrato: o trabalho abstrato, de acordo com esta vis\u00e3o, \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o <em>gen\u00e9rica<\/em>, uma verdade transhist\u00f3rica geral subjacente \u00e0 apar\u00eancia das formas de mercado no interior do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Esta verdade brilharia no socialismo, com a elimina\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o parasit\u00e1ria do capitalista e a substitui\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o an\u00e1rquica mercadol\u00f3gica do trabalho social pelo planejamento (estatal). De uma perspectiva cr\u00edtica, o marxismo tradicional transformou as formas e leis capitalistas em leis gerais da hist\u00f3ria: nas \u00e1reas relativamente atrasadas como a R\u00fassia, onde o marxismo se tornou a ideologia do desenvolvimento industrial conduzido pelo Estado, <em>O Capital<\/em> se tornou um \u201cmanual de instru\u00e7\u00f5es\u201d. Diferentemente, para os te\u00f3ricos da forma-valor, a teoria do valor de Marx, na forma de uma teoria monet\u00e1ria do valor, \u201cn\u00e3o \u00e9 uma teoria sobre a distribui\u00e7\u00e3o de riqueza social, mas sim uma teoria da constitui\u00e7\u00e3o da totalidade social sob as condi\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o capitalista de mercadorias\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_44');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_44');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_44\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[44]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_44\" class=\"footnote_tooltip\"> HEINRICH, Michael. \u201cOs invasores de Marx: sobre os usos da teoria marxista e as dificuldades de uma leitura contempor\u00e2nea\u201d, <strong>Cr\u00edtica Marxista<\/strong>, n. 38, p. 39, 2014. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_44').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_44', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> A quest\u00e3o foi assim deslocada da distribui\u00e7\u00e3o para uma supera\u00e7\u00e3o da forma do trabalho, da riqueza e do pr\u00f3prio modo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em diferentes pa\u00edses, \u00e0s vezes com conhecimento das discuss\u00f5es alem\u00e3s, mas tamb\u00e9m independentemente delas, motivados por textos como <em>Grundrisse<\/em> e <em>Ensaios<\/em> de Rubin, foram formuladas perguntas semelhantes e encontradas respostas semelhantes. Por exemplo, a import\u00e2ncia da forma-valor foi compreendida pelo ent\u00e3o seguidor de Althusser, Jacques Ranci\u00e8re. Althusser havia identificado corretamente que Marx realizou uma ruptura completa com o campo te\u00f3rico de Ricardo e da economia pol\u00edtica cl\u00e1ssica, mas n\u00e3o foi capaz de identificar a an\u00e1lise da forma-valor como a chave desta ruptura, porque a rejeitava por consider\u00e1-la \u201chegelianismo\u201d. Ranci\u00e8re, por outro lado, afirmou que \u201c[O] que distingue radicalmente Marx da economia cl\u00e1ssica \u00e9 a an\u00e1lise da forma valor da mercadoria (ou forma mercadoria do produto do trabalho)\u201d.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_45');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_45');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_45\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[45]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_45\" class=\"footnote_tooltip\">RANCIER\u00c8, Jacques. \u201cO Conceito de Cr\u00edtica e a Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica dos Manuscritos de 1844 a O Capital\u201d. In: ALTHUSSER, Louis; RACI\u00c9RE, Jacques; MACHEREY, Pierre (org.). Ler O&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_45');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_45').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_45', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Esta compreens\u00e3o tamb\u00e9m foi alcan\u00e7ada por outro anti-hegeliano \u2013 Colletti <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_46');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_46');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_46\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[46]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_46\" class=\"footnote_tooltip\">COLLETTI, Lucio. <em>Il marxismo e Hegel: Materialismo dialettico e irrazionalismo<\/em>. Bari: Laterza, 1976.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_46').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_46', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> \u2013 e impulsada por um debate italiano sobre o valor iniciado por ele e Napoleoni,<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_47');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_47');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_47\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[47]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_47\" class=\"footnote_tooltip\">Cf. BELLOFIORE, Riccardo. \u201cThe Value of Labour Value: the Italian Debate on Marx: 1968-1976\u201d. <strong>Rivista Di Politica Economica<\/strong>, n. IV-V, abril\/maio, 1999.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_47').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_47', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> que chegou a conclus\u00f5es pr\u00f3ximas \u00e0s dos te\u00f3ricos da forma-valor. Nas discuss\u00f5es angl\u00f3fonas, em que quase nada dos debates alem\u00e3es havia sido traduzido at\u00e9 o final dos anos setenta, Rubin assumiu uma import\u00e2ncia primordial.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_48');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_48');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_48\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[48]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_48\" class=\"footnote_tooltip\">No entanto, surpreendentemente, a import\u00e2ncia de Rubin foi subestimada nos debates alem\u00e3es. Ensaios s\u00f3 foram traduzidos para o alem\u00e3o (do ingl\u00eas) em 1973, excluindo-se o primeiro cap\u00edtulo sobre&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_48');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_48').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_48', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Na <em>Confer\u00eancia dos Economistas Socialistas<\/em>, um f\u00f3rum central para estas discuss\u00f5es, um importante debate ocorreu entre uma teoria do valor como trabalho social abstrato [<em>abstract social labour theory of value<\/em>], inspirada em Rubin, e uma teoria substancialista do valor-trabalho mais tradicional. Aqueles do primeiro campo se direcionaram para uma teoria monet\u00e1ria do valor, como nos debates alem\u00e3es, mas houve muito menos discuss\u00e3o e reconhecimento da relev\u00e2ncia da <em>L\u00f3gica<\/em> de Hegel para a compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica entre as categorias de <em>O Capital<\/em><a href=\"#_ftn50\">.<\/a> <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_49');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_49');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_49\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[49]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_49\" class=\"footnote_tooltip\">Uma not\u00e1vel exce\u00e7\u00e3o foi o ensaio pioneiro de Jairus Banaji: \u201cFrom the Commodity to Capital: Hegel&#8217;s Dialectic in Marx&#8217;s Capital\u201d. In: ELSON, Diane (ed.). Value: The Representation&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_49');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_49').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_49', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>Na aus\u00eancia de uma tradu\u00e7\u00e3o de Reichelt e Backhaus, os poucos angl\u00f3fonos que seguiram os alem\u00e3es no desejo de reconstruir <em>O Capital<\/em> <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_50');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_50');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_50\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[50]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_50\" class=\"footnote_tooltip\"> Por exemplo: ELDRED, Michael. <em>Critique of Competitive Freedom and the Bourgeois-Democratic State: Outline of a Form-Analytic Extension of Marx\u2019s Uncompleted System<\/em>. Copenhague: Kurasje, 1984.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_50').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_50', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> \u2013 a escola <em>Konstanz-Sydney<\/em>, identificada como uma \u201cEscola da forma-valor\u201d \u2013 foram vistos, pela maioria dos outros participantes, como excessivamente extremistas. \u00c9 uma caracter\u00edstica da dial\u00e9tica sistem\u00e1tica, surgida recentemente, que tais sugest\u00f5es sobre a necessidade de uma reconstru\u00e7\u00e3o mais radical estejam agora no centro da discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A (anti)pol\u00edtica da teoria do valor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O sentido cr\u00edtico da teoria da forma-valor consiste no fato de que ela p\u00f5e em quest\u00e3o qualquer concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica baseada na afirma\u00e7\u00e3o do proletariado como produtor de valor. Ela reconhece a obra de Marx como uma cr\u00edtica essencialmente <em>negativa<\/em> da sociedade capitalista. Ao reconstruir a dial\u00e9tica marxiana da forma-valor, ela demonstra como o processo da vida social \u00e9 submetido \u2013 ou \u201cformalmente determinado\u201d \u2013 \u00e0 forma-valor. O que caracteriza tal \u201cdetermina\u00e7\u00e3o pela forma\u201d \u00e9 uma prioridade perversa da forma sobre seu conte\u00fado. O trabalho n\u00e3o meramente preexiste \u00e0 sua objetiva\u00e7\u00e3o na mercadoria capitalista como um fundamento positivo a ser libertado no socialismo ou no comunismo atrav\u00e9s da altera\u00e7\u00e3o de sua express\u00e3o formal. Em um sentido fundamental, o valor \u2013 como media\u00e7\u00e3o social prim\u00e1ria \u2013 preexiste e, portanto, tem prioridade sobre o trabalho. Como sustenta Chris Arthur:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>No n\u00edvel mais profundo, o fracasso da tradi\u00e7\u00e3o que utiliza o modelo da \u201cprodu\u00e7\u00e3o simples de mercadorias\u201d decorre do fato de que ela se concentra no indiv\u00edduo humano como o originador das rela\u00e7\u00f5es de valor, em vez de ver as atividades humanas como objetivamente inscritas dentro da forma-valor (&#8230;) Na verdade, por\u00e9m, a lei do valor \u00e9 imposta \u00e0s pessoas atrav\u00e9s da efetividade de um sistema centrado no capital, capital que subordina a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias como objetivo da valoriza\u00e7\u00e3o e \u00e9 o verdadeiro sujeito (identificado como tal por Marx) que nos confronta.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_51');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_51');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_51\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[51]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_51\" class=\"footnote_tooltip\"> ARTHUR, Chris. \u201cEngels, Logic and History\u201d. <em>In<\/em>: BELLOFIORE, Riccardo (ed.). <strong>Marxian Economics, a Reappraisal: Essays on Volume III of Capital. Vol. 1<\/strong>. Londres: Palgrave MacMillan, 1998, p. 14.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_51').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_51', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora pare\u00e7a verdade e politicamente eficaz <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_52');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_52');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_52\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[52]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_52\" class=\"footnote_tooltip\">Mike Rooke, por exemplo, critica Chris Arthur e a abordagem da dial\u00e9tica sistem\u00e1tica por \u201creificar a dial\u00e9tica\u201d e abandonar seu significado como uma \u201cdial\u00e9tica do trabalho\u201d. Cf. ROOKE,&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_52');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_52').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_52', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> dizer que produzimos capital pelo nosso trabalho, na verdade \u00e9 mais correto afirmar (em um mundo que realmente \u00e9 invertido) que n\u00f3s, como sujeitos do trabalho, somos produzidos pelo capital. O tempo de trabalho socialmente necess\u00e1rio \u00e9 a medida do valor <em>t\u00e3o-somente porque a forma-valor p\u00f5e o trabalho como seu conte\u00fado<\/em>. Em uma sociedade n\u00e3o mais dominada por formas sociais alienadas \u2013 n\u00e3o mais orientada em torno da auto-expans\u00e3o da riqueza abstrata \u2013, a coer\u00e7\u00e3o para o trabalho, que caracteriza o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, desaparecer\u00e1.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_53');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_53');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_53\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[53]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_53\" class=\"footnote_tooltip\">Fora da sociedade de classes, o \u201ctrabalho\u201d &#8211; a necessidade humana de interc\u00e2mbio com a natureza (\u201co corpo inorg\u00e2nico do homem&#8230; com o qual ele deve permanecer em cont\u00ednuo&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_53');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_53').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_53', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Junto com o valor, o trabalho abstrato desaparece como categoria. A reprodu\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos e de suas necessidades torna-se um fim em si mesma. Sem as categorias valor, trabalho abstrato e sal\u00e1rio, o \u201ctrabalho\u201d deixaria de ter sua fun\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica determinada pela media\u00e7\u00e3o social prim\u00e1ria: o valor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 por isso que a teoria da forma-valor conduz, nos termos da no\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o que dela decorre, \u00e0 mesma dire\u00e7\u00e3o que a comuniza\u00e7\u00e3o. A supera\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas n\u00e3o pode envolver uma simples \u201cliberta\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d; ao contr\u00e1rio, a \u00fanica \u201csa\u00edda\u201d \u00e9 a supress\u00e3o do pr\u00f3prio valor \u2013 da forma-valor que p\u00f5e o trabalho abstrato como a medida da riqueza. A comuniza\u00e7\u00e3o \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o da forma-mercadoria e o estabelecimento simult\u00e2neo de rela\u00e7\u00f5es sociais imediatas entre os indiv\u00edduos. O valor, entendido como uma forma total de media\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o pode ser eliminado em partes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o importa que poucos te\u00f3ricos da forma-valor chegaram a conclus\u00f5es pol\u00edticas t\u00e3o radicais a partir de seus trabalhos: tais conclus\u00f5es pol\u00edticas radicais (ou antipol\u00edticas) s\u00e3o, para n\u00f3s, as implica\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas da an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um retorno a Marx?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A descoberta, pela teoria da forma-valor, do \u201cn\u00facleo oculto\u201d da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica de Marx parece sugerir que, j\u00e1 em 1867, Marx tinha compreendido o valor como uma forma totalizante de media\u00e7\u00e3o social que tinha que ser superada como um todo. Assim, o marxismo, com sua hist\u00f3ria de afirma\u00e7\u00e3o do trabalho e identifica\u00e7\u00e3o com a \u201cacumula\u00e7\u00e3o socialista\u201d dirigida pelo Estado, poderia ser visto como uma hist\u00f3ria da m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o de Marx. De alguma forma, a leitura correta, que aponta para uma nega\u00e7\u00e3o radical do valor, n\u00e3o foi percebida. No entanto, se a teoria da forma-valor de Marx implicava a comuniza\u00e7\u00e3o no sentido moderno, ent\u00e3o trata-se de uma implica\u00e7\u00e3o que ele pr\u00f3prio n\u00e3o percebeu!<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, a atitude de Marx em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 import\u00e2ncia de sua teoria do valor era ambivalente. Por um lado, Marx insistiu em sua import\u00e2ncia \u201ccient\u00edfica\u201d, por\u00e9m, em resposta \u00e0s dificuldades que seus leitores tinham em compreender suas sutilezas, ele parecia disposto a fazer concess\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a ela para o benef\u00edcio da recep\u00e7\u00e3o do resto de sua obra.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_54');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_54');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_54\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[54]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_54\" class=\"footnote_tooltip\">Para um debate sobre isso (a partir de Backhaus), cf. ELDRED, Michael. Critique of Competitive Freedom and the Bourgeois-Democratic State: Outline of a Form-Analytic Extension of Marx\u2019s Uncompleted&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_54');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_54').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_54', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Al\u00e9m de estar disposto a popularizar sua obra e \u201cocultar seu m\u00e9todo\u201d, ele permitiu que Engels (que, como vimos, foi uma das pessoas que teve dificuldades com este aspecto da obra de seu amigo) escrevesse v\u00e1rias resenhas que minimizavam o tratamento do valor e do dinheiro para n\u00e3o \u201cdiminuir o tema principal\u201d. Parece que Marx tinha a posi\u00e7\u00e3o de que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>[A] teoria do valor \u00e9 o pr\u00e9-requisito l\u00f3gico de sua teoria da produ\u00e7\u00e3o capitalista, mas n\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel para entender o que esta \u00faltima teoria significa e, especialmente, o que \u00e9 a cr\u00edtica da produ\u00e7\u00e3o capitalista. A discuss\u00e3o marxista dos \u00faltimos anos adotou esta aparente atitude marxiana (cf. tamb\u00e9m o conselho de Marx \u00e0 Sra. Kugelmann<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_55');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_55');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_55\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[55]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_55\" class=\"footnote_tooltip\">Marx aconselhou que a esposa de seu amigo, por conta da dificuldade, pulasse a primeira se\u00e7\u00e3o de O Capital (sobre valor e dinheiro) \u2013 Eldred refere-se, aqui, ao fato de que muitos leitores de&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_55');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_55').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_55', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>) em todos os aspectos, ao levantar o problema de saber se a teoria marxiana do valor \u00e9 necess\u00e1ria para a teoria marxiana da explora\u00e7\u00e3o de classe.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_56');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_56');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_56\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[56]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_56\" class=\"footnote_tooltip\">Ibid., p. 49-50.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_56').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_56', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Marx parecia aceitar que uma leitura mais ou menos ricardiana de esquerda de sua obra seria adequada \u00e0s necessidades do movimento oper\u00e1rio. Seus escritos pol\u00edticos presumiam que uma poderosa classe trabalhadora, unida em torno de uma identidade prolet\u00e1ria cada vez mais homog\u00eanea, iria, atrav\u00e9s de seus sindicatos e partidos, facilmente estender suas lutas cotidianas a uma derrubada revolucion\u00e1ria da sociedade capitalista. Contra a social-democracia lassaliana de sua \u00e9poca, Marx escreveu a mordaz <em>Cr\u00edtica do Programa de Gotha<\/em>, na qual ele atacou fortemente seus pressupostos pol\u00edtico-econ\u00f4micos incoerentes e trabalhistas. Entretanto, ele n\u00e3o sentiu a necessidade de public\u00e1-la. Ademais, as ideias que ele apresentou at\u00e9 mesmo na <em>Cr\u00edtica<\/em> (posteriormente publicada por Engels) n\u00e3o s\u00e3o, de forma alguma, livres de problemas. Elas incluem uma teoria da transi\u00e7\u00e3o na qual o direito burgu\u00eas ainda prevaleceria na distribui\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do uso de certificados de trabalho, e uma descri\u00e7\u00e3o da \u201cprimeira etapa do socialismo\u201d muito mais pr\u00f3xima do capitalismo do que da, mais atraente, segunda etapa, sem sugerir nenhum mecanismo para explicar como uma poderia se transformar na outra.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_57');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_57');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_57\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[57]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_57\" class=\"footnote_tooltip\">Cf. BERKI, R. N. <em>Insight and Vision: The Problem of Communism in Marx\u2019s Thought<\/em>. J.M. Dent, 1984, cap\u00edtulo 5.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_57').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_57', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seria errado sugerir que a discuss\u00e3o alem\u00e3 ignorou a disjun\u00e7\u00e3o entre a postura radical que muitos deles estavam derivando ou desenvolvendo a partir da cr\u00edtica de Marx e a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Marx. No final dos anos setenta, uma forma importante pela qual essa quest\u00e3o come\u00e7ou a ser compreendida foi nos termos de uma diferen\u00e7a entre um \u201cMarx esot\u00e9rico\u201d, com uma cr\u00edtica radical do valor como uma forma de media\u00e7\u00e3o social totalizante, e um \u201cMarx exot\u00e9rico\u201d, com uma orienta\u00e7\u00e3o e apoio aos objetivos do movimento oper\u00e1rio de seu tempo.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_58');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_58');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_58\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[58]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_58\" class=\"footnote_tooltip\">Embora possa muito bem derivar de Backhaus, segundo van der Linden, a distin\u00e7\u00e3o foi cunhada por Stefan Breuer em \u201cKrise der Revolutionstheorie\u201d (1977). Cf. VAN DER LINDEN, Marcel. \u201cThe&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_58');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_58').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_58', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>Considerou-se o Marx exot\u00e9rico como fundamentado em uma leitura errada do potencial radical do proletariado do s\u00e9culo XIX. Uma forte tend\u00eancia no contexto alem\u00e3o passou a ser a de descartar o \u201cMarx exot\u00e9rico\u201d em favor do \u201cMarx esot\u00e9rico\u201d. A ideia marxiana do capital como um sujeito autom\u00e1tico inconsciente foi utilizada para deslocar a ideia, que ele tamb\u00e9m parece ter tido, do proletariado como o sujeito da hist\u00f3ria. A luta de classes n\u00e3o \u00e9 negada nesta vis\u00e3o, mas compreendida como \u201cimanente ao sistema\u201d \u2013 movendo-se dentro das categorias \u2013, de modo que a aboli\u00e7\u00e3o das categorias \u00e9 buscada em outro lugar. Nesta vis\u00e3o, Marx estava simplesmente errado em se identificar com o movimento oper\u00e1rio, o qual, retrospectivamente, mostrou-nos ser um movimento pela emancipa\u00e7\u00e3o dentro da sociedade capitalista, e n\u00e3o o movimento para abolir essa sociedade. Esta tend\u00eancia \u00e9 exemplificada pelos grupos da \u201ccr\u00edtica de valor\u201d, <em>Krisis<\/em> e <em>Exit!<\/em>. Embora n\u00e3o utilize a distin\u00e7\u00e3o esot\u00e9rico\/exot\u00e9rico, Moishe Postone, que desenvolveu suas ideias em Frankfurt no in\u00edcio dos anos setenta, argumenta essencialmente a favor do mesmo tipo de posi\u00e7\u00e3o. Em <em>Tempo, Trabalho e Domina\u00e7\u00e3o Social<\/em> [1993], ele v\u00ea Marx como oferecendo uma \u201ccr\u00edtica do trabalho no capitalismo\u201d (o Marx esot\u00e9rico) em vez de \u2013 como no marxismo tradicional \u2013 uma \u201ccr\u00edtica a partir do ponto de vista do trabalho\u201d (o Marx exot\u00e9rico). \u00c9 interessante que, para al\u00e9m deste afastamento da classe, Postone \u00e9 mais expl\u00edcito do que a maioria dos acad\u00eamicos marxistas da forma-valor, ao tirar conclus\u00f5es de sua teoria que, em termos pol\u00edticos, o colocam na \u201cultraesquerda\u201d ou mesmo ressoam com a tese da comuniza\u00e7\u00e3o.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_59');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_59');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_59\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[59]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_59\" class=\"footnote_tooltip\">Assim como Dauv\u00e9, Postone utiliza o \u201cFragmento sobre as M\u00e1quinas\u201d para minar as concep\u00e7\u00f5es marxistas tradicionais do socialismo; ele v\u00ea o marxismo tradicional como um marxismo ricardiano que&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_59');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_59').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_59', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De maneira alguma todos aqueles influenciados pela <em>Nova Leitura Marx<\/em>, e certamente nem todos aqueles dentro da \u00e1rea mais ampla de um marxismo orientado para a cr\u00edtica da forma-valor, afastam-se da luta de classes. Nas discuss\u00f5es angl\u00f3fonas, a ado\u00e7\u00e3o de uma \u201cteoria monet\u00e1ria do valor\u201d ou de uma \u201cteoria do valor como trabalho social abstrato\u201d [<em>\u201cabstract social labour\u201d theory of value<\/em>] n\u00e3o envolveu, em geral, a mesma rejei\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise de classe, mas tamb\u00e9m n\u00e3o envolveu a mesma cr\u00edtica, surgida na Alemanha, \u00e0s tradicionais suposi\u00e7\u00f5es da esquerda. Werner Bonefeld, por\u00e9m, que fez mais do que qualquer um para introduzir as concep\u00e7\u00f5es cr\u00edticas derivadas das discuss\u00f5es alem\u00e3s no marxismo angl\u00f3fono, possui firmemente uma perspectiva pr\u00f3-luta de classes <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_60');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_60');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_60\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[60]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_60\" class=\"footnote_tooltip\"> Cf., por exemplo, BONEFELD, Werner. \u201cOn Postone\u2019s Courageous but Unsuccessful Attempt to Banish the Class Antagonism\u201d. <strong>Historical Materialism<\/strong>, n. 12.3, 2004.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_60').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_60', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>. No entanto, a maioria das abordagens da <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em> compreende que uma de suas principais caracter\u00edsticas \u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o da atribui\u00e7\u00e3o marxiana de uma miss\u00e3o hist\u00f3rica ao proletariado, e um sens\u00edvel ceticismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 luta de classes tem sido predominante na esquerda alem\u00e3. Mas, se nesse tipo de vis\u00e3o, o proletariado \u00e9 rejeitado como um agente da revolu\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o naturalmente a quest\u00e3o se torna \u2013 de onde vir\u00e1 a aboli\u00e7\u00e3o da sociedade de classes? A resposta, de certo modo insatisfat\u00f3ria, prevalecente de v\u00e1rias maneiras nas discuss\u00f5es alem\u00e3s, parece ser a de que se trata de elaborar a cr\u00edtica correta \u2013 ou seja, de ver a revolu\u00e7\u00e3o como uma quest\u00e3o de aquisi\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia correta. Ao focar na consci\u00eancia e cr\u00edtica corretas, parece que, ironicamente \u2013 por conta de todo questionamento do marxismo tradicional \u2013, conserva-se uma certa problem\u00e1tica leninista que separa educador e educado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destacamos a maneira pela qual a <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em> representou um desenvolvimento e aprimoramento da Escola de Frankfurt. A teoria dial\u00e9tica da sociedade de Adorno \u2013 nos termos de sua autorreprodu\u00e7\u00e3o sist\u00eamica por tr\u00e1s das costas dos indiv\u00edduos, da invers\u00e3o de sujeito-objeto e da exist\u00eancia da abstra\u00e7\u00e3o real \u2013 derivou-se da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica de Marx. Entretanto, Adorno n\u00e3o realizou um estudo detalhado de <em>O Capital<\/em> e de seus manuscritos, apoiando-se, em grande parte, na pesquisa de outras pessoas.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_61');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_61');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_61\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[61]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_61\" class=\"footnote_tooltip\">Assim como \u00e0s obras de Luk\u00e1cs e Sohn-Rethel, Adorno devia a Alfred Schmidt todas as cita\u00e7\u00f5es dos Grundrisse que ele utiliza em Dial\u00e9tica Negativa. Cf. ELDRED, Michael; ROTH, Mike.&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_61');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_61').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_61', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> A <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em> demonstrou a precis\u00e3o do entendimento de Adorno sobre a sociedade capitalista, n\u00e3o na \u00e1rea geral da filosofia e teoria social, mas no terreno escolhido pelo marxismo tradicional, a interpreta\u00e7\u00e3o de <em>O Capital<\/em>. No entanto, Adorno e Horkheimer pareceram incapazes de seguir os desenvolvimentos te\u00f3ricos que estavam sendo feitos por seus alunos. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_62');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_62');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_62\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[62]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_62\" class=\"footnote_tooltip\"> Cf. REICHELT, Helmut. \u201cFrom the Frankfurt School to Value-Form Analysis\u201d. <strong>Thesis Eleven<\/strong>, n. 4, p. 166, 1982.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_62').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_62', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>. Ap\u00f3s suas mortes, o legado da Escola de Frankfurt sofreu uma completa degenera\u00e7\u00e3o para uma teoria burguesa sob Habermas, enquanto a <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em> impulsionou uma florescente teoria marxiana cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o obstante, existe uma maneira de ver as conquistas da <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em> como inferiores \u00e0s de Adorno. A categoria da classe desempenha pouco papel nos escritos de Backhaus e Reichelt, e eles tratam a quest\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o como externa a seu campo de especializa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, de modo que \u00e9, ironicamente, Adorno, mesmo com sua ideia de integra\u00e7\u00e3o do proletariado, quem tem mais a dizer sobre estes assuntos. O antagonismo, como conceito, figura de forma proeminente em seus escritos e \u00e9 entendido em um sentido muito ortodoxo de antagonismo de classe. Em ensaios como <em>Sociedade<\/em> (1965), <em>Considera\u00e7\u00f5es sobre os conflitos sociais de hoje<\/em> (1968) e <em>Capitalismo tardio ou Sociedade Industrial?<\/em> (1968), Adorno revela uma preocupa\u00e7\u00e3o \u201cortodoxa\u201d (no bom sentido) com a realidade do antagonismo de classe e da explora\u00e7\u00e3o. Em <em>Considera\u00e7\u00f5es<\/em>, escrito com Ursula Jaerisch, ele ataca a no\u00e7\u00e3o de conflito social como um achatamento \u201cpositivista\u201d do conceito marxiano de luta de classes, embora objetivamente possibilitado pelo desenvolvimento da sociedade de classes (integra\u00e7\u00e3o). Segundo Adorno, embora n\u00e3o esteja sendo conduzido conscientemente, o antagonismo de classe ainda est\u00e1 no centro da sociedade contempor\u00e2nea. Isto \u00e9 evidenciado nas notas de uma palestra de Adorno que Backhaus reconhece como inspiradora da <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em>. Adorno enfatiza nela, repetidamente, que a \u201crela\u00e7\u00e3o de troca \u00e9 pr\u00e9-formada (<em>pr\u00e4formiert<\/em>) pela rela\u00e7\u00e3o de classe\u201d; a \u00fanica raz\u00e3o pela qual o trabalhador aceita determinadas rela\u00e7\u00f5es \u00e9 por ele n\u00e3o ter \u201cnada al\u00e9m de sua for\u00e7a de trabalho\u201d para vender. Diferentemente dos pr\u00f3prios escritos de Backhaus, o foco de Adorno est\u00e1 bastante voltado para o fato de que, embora o processo de troca n\u00e3o seja mera ilus\u00e3o, \u201c\u00e9 no conceito de mais-valor que se encontra o semblante (<em>Schein<\/em>) do processo de troca\u201d. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_63');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_63');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_63\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[63]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_63\" class=\"footnote_tooltip\">As notas de Backhaus sobre a palestra de Adorno, de 1962, est\u00e3o inclu\u00eddas como um ap\u00eandice de <em>Dialetik der Wertform<\/em> (1997).<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_63').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_63', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>. Assim, embora Backhaus e Reichelt tenham se aprofundado muito mais nos escritos de Marx, em certo sentido, Adorno era menos \u201cacad\u00eamico\u201d, mais \u201cpol\u00edtico\u201d e mais pr\u00f3ximo da preocupa\u00e7\u00e3o de Marx com a explora\u00e7\u00e3o e o antagonismo de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tamb\u00e9m neste aspecto, Krahl era totalmente diferente de seus herdeiros. Como o t\u00edtulo completo de seus escritos<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_64');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_64');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_64\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[64]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_64\" class=\"footnote_tooltip\"><em>Constitui\u00e7\u00e3o e Luta de Classes: sobre a dial\u00e9tica hist\u00f3rica entre revolu\u00e7\u00e3o burguesa e emancipa\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria<\/em>.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_64').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_64', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> publicados postumamente indica, Krahl tinha o m\u00e9rito de n\u00e3o s\u00f3 estar interessado na media\u00e7\u00e3o entre as categorias valor e luta de classes, mas tamb\u00e9m de ter uma perspectiva eminentemente hist\u00f3rica, ausente em grande parte das obras essencialmente filol\u00f3gicas de Reichelt e Backhaus. Depois de Krahl, uma preocupa\u00e7\u00e3o com a reconstru\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica desloca toda a preocupa\u00e7\u00e3o com a hist\u00f3ria na <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre<\/em>. O movimento de Backhaus, de Reichelt e da gera\u00e7\u00e3o seguinte de te\u00f3ricos do valor, como Heinrich, foi o de expulsar da obra de Marx tudo o que cheira a uma filosofia \u201cn\u00e3o cient\u00edfica\u201d da hist\u00f3ria ou a uma teoria da revolu\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 buscar algum tipo de aplica\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica da teoria, mas reconhecer que os problemas, aos quais Adorno e Krahl deram respostas distintas, n\u00e3o desapareceram. O sistema deve ser apreendido historicamente e a hist\u00f3ria, sistematicamente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao contr\u00e1rio de qualquer tipo de retorno simplista \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de Adorno (ou, ali\u00e1s, aos escritos n\u00e3o traduzidos de Krahl), a quest\u00e3o \u00e9 compreender a atitude pessimista de Adorno em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s possibilidades da luta de classes de sua \u00e9poca como uma tentativa de enfrentar honestamente as contradi\u00e7\u00f5es e impasses de seu per\u00edodo, em vez de como uma mera falha de sua parte. Da mesma forma, o recuo das quest\u00f5es de Krahl, o ceticismo nas discuss\u00f5es alem\u00e3s sobre o \u201cmarxismo da luta de classes\u201d e a tentativa de fundamentar, de alguma outra forma, uma teoria revolucion\u00e1ria, n\u00e3o s\u00e3o meras aberra\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas. Se estas quest\u00f5es n\u00e3o parecem ter chegado a uma alternativa convincente, pelo menos identificaram um problema real. N\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio, pelo registro hist\u00f3rico, que o movimento oper\u00e1rio aponta na dire\u00e7\u00e3o do comunismo entendido como o fim do valor, da classe, do Estado, etc. \u2013 de fato, bem pelo contr\u00e1rio. O argumento de que a luta de classes \u00e9 imanente ao sistema capta o car\u00e1ter \u201caprisionado\u201d das lutas no interior do capital. A ideia dos Marx esot\u00e9rico e exot\u00e9rico \u2013 o desejo de dissociar a cr\u00edtica marxiana da luta de classes \u2013 surge, por mais her\u00e9tica que seja, para oferecer uma solu\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel ao problema do fracasso da classe trabalhadora em realizar sua \u201ctarefa hist\u00f3rica\u201d: pela ideia de que o movimento oper\u00e1rio, em si mesmo, <em>nunca<\/em> foi realmente revolucion\u00e1rio e de que a perspectiva realmente revolucion\u00e1ria estava exclusivamente na vis\u00e3o \u201cesot\u00e9rica\u201d de Marx. Contudo, \u00e9 claro, tal desacoplamento nos deixa sem nenhum cen\u00e1rio alternativo plaus\u00edvel para a realiza\u00e7\u00e3o desta vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 evidente que, no final das contas, a teoria do valor e a an\u00e1lise de classe n\u00e3o podem ser separadas. As categorias valor e classe est\u00e3o mutuamente implicadas. Ao entender o capital como operando em termos de uma \u201cdial\u00e9tica sistem\u00e1tica\u201d,<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_65');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_65');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_65\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[65]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_65\" class=\"footnote_tooltip\"> Cf. \u201cThe Moving Contradiction\u201d, <em>Endnotes <\/em>n. 2. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_65').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_65', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> pode-se ver que a rela\u00e7\u00e3o delas \u00e9 interna, porque tanto \u201c[&#8230;] o p\u00f4r do trabalho social na forma de oposi\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho assalariado [&#8230;] \u00e9 o \u00faltimo desenvolvimento da rela\u00e7\u00e3o de valor e da produ\u00e7\u00e3o baseada no valor\u201d<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_66');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_66');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_66\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[66]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_66\" class=\"footnote_tooltip\"> MARX, Karl. <em>Grundrisse. Manuscritos econ\u00f4micos de 1857-1858. Esbo\u00e7os da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011, p. 27. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_66').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_66', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> quanto as rela\u00e7\u00f5es de valor s\u00e3o um produto da separa\u00e7\u00e3o entre trabalho vivo e trabalho objetivado, isto \u00e9, de classe. No entanto, embora seja in\u00fatil, em \u00faltima an\u00e1lise, buscar a aboli\u00e7\u00e3o do valor em qualquer outro lugar que n\u00e3o seja na classe que \u00e9 for\u00e7ada a produzi-lo, e que cada vez mais se torna redundante por conta dele, as d\u00favidas sobre o potencial revolucion\u00e1rio da classe trabalhadora que s\u00e3o apontadas por muitos cr\u00edticos do valor t\u00eam que ser enfrentadas. Parece-nos que <em>Th\u00e9orie Communiste<\/em> faz isto.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No centro da teoria da <em>TC<\/em> est\u00e1 o reconhecimento da implica\u00e7\u00e3o rec\u00edproca ou do envolvimento m\u00fatuo entre proletariado e capital. A quest\u00e3o fundamental que decorre disto \u00e9 a de como a luta de uma classe, que \u00e9 uma das classes da sociedade capitalista, pode abolir essa sociedade. Parte da import\u00e2ncia da contribui\u00e7\u00e3o da <em>TC<\/em> \u00e9 a de ter resistido a responder essa quest\u00e3o atribuindo uma ess\u00eancia humana revolucion\u00e1ria ao proletariado, sob sua natureza meramente de classe e capitalista, ao mesmo tempo em que n\u00e3o perde a centralidade da contradi\u00e7\u00e3o de classe. Sua resposta \u00e9, antes, entender a rela\u00e7\u00e3o de classe como se desenvolvendo historicamente atrav\u00e9s de ciclos de luta, embora sempre envolvendo uma implica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. Crucialmente, para a <em>TC<\/em>, \u201ccomuniza\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o \u00e9 o que o comunismo e a revolu\u00e7\u00e3o \u201csempre foram ou como sempre deveriam ter sido\u201d.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_67');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_67');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_67\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[67]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_67\" class=\"footnote_tooltip\"><em>Th\u00e9orie Communiste<\/em>. \u201cMuch Ado About Nothing\u201d. <em>Endnotes<\/em> n. 1.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_67').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_67', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script> Ao contr\u00e1rio, o conceito de comuniza\u00e7\u00e3o emerge historicamente com o fim de um ciclo de lutas, a partir do qual o comunismo e a revolu\u00e7\u00e3o apareceram como algo a mais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para a <em>TC<\/em>, o movimento oper\u00e1rio cl\u00e1ssico, de Marx at\u00e9 a Segunda e Terceira Internacionais, fazia parte de um ciclo de lutas que eles chamam de programatismo.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_68');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_68');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_68\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[68]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_68\" class=\"footnote_tooltip\">Este \u00e9 o principal conceito em disputa no debate entre Dauv\u00e9 e <em>TC<\/em> em <em>Endnotes<\/em> n. 1.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_68').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_68', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>Neste per\u00edodo, as lutas dos trabalhadores, e a perspectiva de supera\u00e7\u00e3o do capitalismo que emergiu delas, basearam-se numa autonomia e positividade que os trabalhadores puderam manter no interior da rela\u00e7\u00e3o capital-trabalho. A revolu\u00e7\u00e3o deste per\u00edodo poderia ser descrita como a tentativa imposs\u00edvel de abolir uma rela\u00e7\u00e3o afirmando um de seus polos. As trag\u00e9dias da social-democracia e do stalinismo, e a experi\u00eancia do anarquismo na Espanha, foram o produto das contradi\u00e7\u00f5es do objetivo e dos m\u00e9todos estabelecidos pelo movimento em seu per\u00edodo elevado, que por sua vez foram produto da configura\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de classe daquela \u00e9poca \u2013 ou seja, da forma como o capital e a classe se confrontaram. Fran\u00e7ois Danel sintetiza a situa\u00e7\u00e3o na seguinte passagem:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Como o desenvolvimento da rela\u00e7\u00e3o capitalista \u2013 ou seja, da luta de suas classes \u2013 n\u00e3o trouxe imediatamente a aboli\u00e7\u00e3o, mas a generaliza\u00e7\u00e3o do trabalho assalariado, o proletariado abstraiu o objetivo final do movimento e fez a revolu\u00e7\u00e3o \u2013 sua tomada do poder \u2013 depender do amadurecimento das condi\u00e7\u00f5es tanto objetivas (o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas) quanto subjetivas (sua vontade e sua consci\u00eancia de classe). Assim, ele colocou o comunismo como um programa e sua plena realiza\u00e7\u00e3o como o termo final de uma <em>transi\u00e7\u00e3o<\/em> imposs\u00edvel: a retomada prolet\u00e1ria e o dom\u00ednio do movimento do valor, o trabalho assalariado supostamente \u201cfenecendo\u201d a partir do momento em que se substituiu o dinheiro pelo certificado de trabalho. [&#8230;] O que o movimento oper\u00e1rio, assim, p\u00f4s em quest\u00e3o n\u00e3o foi o capital como modo de produ\u00e7\u00e3o, mas t\u00e3o-somente a gest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o pela burguesia. Ou era uma quest\u00e3o de os trabalhadores tomarem o aparelho produtivo desta classe parasit\u00e1ria e de destruir seu Estado para reconstruir outro, liderado pelo partido como portador da consci\u00eancia, ou ent\u00e3o de minar o poder do Estado burgu\u00eas, organizando eles mesmo a produ\u00e7\u00e3o de baixo para cima, atrav\u00e9s dos sindicatos ou dos conselhos. Mas nunca houve uma quest\u00e3o ou uma tentativa de abolir a lei do valor \u2013 a coer\u00e7\u00e3o para a acumula\u00e7\u00e3o, e, portanto, \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o que se materializa ao mesmo tempo nas m\u00e1quinas, no capital constante como capital em si, e na exist\u00eancia necess\u00e1ria, em face da classe trabalhadora, de uma classe exploradora, burguesa ou burocrata, como o agente coletivo desta reprodu\u00e7\u00e3o. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_69');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_69');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_69\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[69]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_69\" class=\"footnote_tooltip\">DANEL, Fran\u00e7ois. <em>Rupture dans la th\u00e9orie de la revolution: Textes 1965-1975<\/em>. Paris: Senonevero, 2003. <\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_69').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_69', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fracasso determinado desta revolu\u00e7\u00e3o program\u00e1tica legou um capitalismo p\u00f3s-guerra, no qual o movimento oper\u00e1rio tinha um certo poder dentro da sociedade capitalista, mas n\u00e3o carregava mais seu aspecto anterior de afirma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria aut\u00f4noma. Foi esta situa\u00e7\u00e3o que o desenvolvimento de uma teoria revolucion\u00e1ria teve que enfrentar. As lutas que ent\u00e3o deram origem a uma nova produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica nos anos 60 e 70 n\u00e3o foram \u2013 quaisquer que fossem as esperan\u00e7as de grupos como a <em>IS<\/em> \u2013 al\u00e9m do programatismo. Ao contr\u00e1rio, assumiram um car\u00e1ter contradit\u00f3rio: utopia contracultural e \u201cresist\u00eancia ao trabalho\u201d, quest\u00f5es da vida cotidiana, coincidindo com a \u2013 e de muitas maneiras dependendo da \u2013 for\u00e7a de um movimento mais program\u00e1tico. Foi nesta contradi\u00e7\u00e3o e nestas lutas que a teoria da comuniza\u00e7\u00e3o e o novo marxismo cr\u00edtico puderam surgir. A resolu\u00e7\u00e3o dessas lutas em favor do capital marcou o fim desse ciclo numa reestrutura\u00e7\u00e3o na qual seriam suprimidas as possibilidades de autonomia e afirma\u00e7\u00e3o positiva da classe no interior do capitalismo. Para a <em>TC<\/em>, \u00e9 exatamente esta derrota que cria uma nova configura\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de classe na qual a exist\u00eancia da classe n\u00e3o \u00e9 mais vivenciada como uma positividade a afirmar, mas como uma restri\u00e7\u00e3o externa sob a forma do capital. E \u00e9 esta configura\u00e7\u00e3o que requer tanto uma nova compreens\u00e3o do comunismo quanto uma nova leitura de Marx.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 poss\u00edvel interpretar este \u201cretorno a Marx\u201d em termos de altos e baixos da teoria comunista, paralelo \u00e0queles altos e baixos das ondas revolucion\u00e1rias: 1917, 1968, etc. No entanto, assim como a perspectiva da comuniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o surgiu mesmo nas tend\u00eancias her\u00e9ticas e marginais do per\u00edodo revolucion\u00e1rio anterior, tamb\u00e9m os marxismos cr\u00edticos anteriores n\u00e3o foram t\u00e3o longe quanto os que surgiram a partir dos anos sessenta. Luk\u00e1cs, Rubin e Pachukanis desenvolveram suas concep\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o com um movimento oper\u00e1rio ascendente, expressando uma certa configura\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o capital-trabalho. A obra dos primeiros marxistas cr\u00edticos, assim como a de Marx \u2013 o primeiro te\u00f3rico da forma-valor \u2013, tinha contradi\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00f5es que a gera\u00e7\u00e3o posterior, escrevendo enquanto o programatismo chegava ao fim, foi capaz de ir al\u00e9m<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_70');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_70');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_2202_1_70\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[70]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_70\" class=\"footnote_tooltip\">Por exemplo, apesar da forma como Rubin prefigura ou inspira diretamente a teoria da forma-valor muito mais tarde, algumas de suas categorias, como a categoria trans-hist\u00f3rica do \u201ctrabalho&nbsp;&#x2026; <span class=\"footnote_tooltip_continue\"  onclick=\"footnote_moveToReference_2202_1('footnote_plugin_reference_2202_1_70');\">Continue reading<\/span><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_2202_1_70').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_2202_1_70', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script>. No per\u00edodo anterior, embora o projeto prolet\u00e1rio afirmativo do programatismo fosse necessariamente um fracasso n\u00e3o apenas da nossa perspectiva da comuniza\u00e7\u00e3o, mas at\u00e9 mesmo \u2013 e isto \u00e9 importante \u2013 em termos dos objetivos que se propunha, ele forneceu, contudo, \u201cespa\u00e7o para se movimentar\u201d \u00e0 contradi\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho. No final dos anos sessenta, esse espa\u00e7o estava se esgotando. Para os te\u00f3ricos da \u201csegunda onda revolucion\u00e1ria\u201d do s\u00e9culo XX, uma quest\u00e3o que estava claramente em jogo era a da rejei\u00e7\u00e3o da ideia e da pr\u00e1tica do socialismo consistindo nos trabalhadores recebendo o verdadeiro valor de seu trabalho em uma economia planejada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A leitura cr\u00edtica de Marx capta a radicalidade do que envolve a nega\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do valor: estamos falando tanto da supera\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos quanto de algo \u201cl\u00e1 fora\u201d. A contribui\u00e7\u00e3o da <em>TC<\/em> \u00e9 compreender como e por que a configura\u00e7\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho em um per\u00edodo anterior n\u00e3o representava uma tal supera\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca de Marx, e durante o movimento hist\u00f3rico dos trabalhadores, a rela\u00e7\u00e3o entre capital e proletariado estabeleceu a revolu\u00e7\u00e3o em termos da afirma\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o, do trabalho, do valor e da classe. A obra da <em>TC<\/em> sugere que a \u201csa\u00edda\u201d radical impl\u00edcita na teoria da forma-valor pode ter sido determinada pela evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o capital-trabalho, em vez de ser o produto de uma consci\u00eancia a-historicamente correta, de um ponto de vista cient\u00edfico flutuante ou de uma perspectiva da cr\u00edtica. A perspectiva hist\u00f3rica sobre a rela\u00e7\u00e3o de classe complementa a teoria da forma-valor. E a an\u00e1lise sofisticada das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas na dial\u00e9tica sistem\u00e1tica e na teoria da forma-valor pode informar a perspectiva da comuniza\u00e7\u00e3o, oferecendo uma elabora\u00e7\u00e3o do que <em>\u00e9<\/em> exatamente essa rela\u00e7\u00e3o de classe, e como as rela\u00e7\u00f5es sociais particulares da sociedade capitalista s\u00e3o determinadas pela forma propriamente dita. A dial\u00e9tica sistem\u00e1tica e a teoria da forma-valor podem nos ajudar a compreender o car\u00e1ter da rela\u00e7\u00e3o de classe capitalista, ou seja, o que exatamente pode ter uma hist\u00f3ria na qual a revolu\u00e7\u00e3o se apresentou anteriormente sob a forma do programatismo, e cujo horizonte adequado de supera\u00e7\u00e3o \u00e9 agora a comuniza\u00e7\u00e3o. O comunismo necessita da aboli\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o multifacetada que evoluiu ao longo do tempo, mas aboli-la significa simplesmente que deixemos de constituir valor e que ele deixe de nos constituir. A radicalidade de nosso pr\u00f3prio per\u00edodo \u00e9 que esta \u00e9 agora a \u00fanica maneira que podemos conceb\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Abril, 2010<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Tradu\u00e7\u00e3o: Talles Lopes<br>Original: <a href=\"https:\/\/endnotes.org.uk\/issues\/2\/en\/endnotes-communisation-and-value-form-theory\">https:\/\/endnotes.org.uk\/issues\/2\/en\/endnotes-communisation-and-value-form-theory<\/a>.   <br>Arte: Julio Pomar- Maio 68 (CRS-SS); I968.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n<div class=\"speaker-mute footnotes_reference_container\"> <div class=\"footnote_container_prepare\"><p><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_label pointer\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_2202_1();\">&#x202F;<\/span><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_collapse_button\" style=\"display: none;\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_2202_1();\">[<a id=\"footnote_reference_container_collapse_button_2202_1\">+<\/a>]<\/span><\/p><\/div> <div id=\"footnote_references_container_2202_1\" style=\"\"><table class=\"footnotes_table footnote-reference-container\"><caption class=\"accessibility\">References<\/caption> <tbody> \r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_1\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_1');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>1<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Agradecemos aos camaradas alem\u00e3es por seus coment\u00e1rios \u00fateis na reda\u00e7\u00e3o deste artigo, particularmente a DD e Felix da <em>Kosmoprolet<\/em>. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_2\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_2');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>2<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">MARX, Karl. <em>O Capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. Livro I. O processo de produ\u00e7\u00e3o do capital<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013, p. 127 (nota de rodap\u00e9 32).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_3\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_3');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>3<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Uma lista de maneira alguma exaustiva de autores incluiria Chris Arthur, Werner Bonefeld, Hans-Georg Backhaus, Riccardo Bellofiore, Michael Eldred, Michael Heinrich, Hans-J\u00fcrgen Krahl, Patrick Murray, Moishe Postone, Helmut Reichelt, Geert Reuten, Ali Shamsavari, Felton Shortall, Tony Smith, Michael Williams. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_4\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_4');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>4<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Ibid., p. 127-128. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_5\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_5');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>5<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Ao mesmo tempo, o pr\u00f3prio Marx parecia reconhecer que havia um problema em sua an\u00e1lise da forma-valor, o que o levou a elaborar ao menos quatro vers\u00f5es do argumento. H\u00e1 diferen\u00e7as not\u00e1veis entre o desenvolvimento do valor nos <em>Grundrisse<\/em> [1857-1858], no <em>Urtext <\/em>[1858], na <em>Contribui\u00e7\u00e3o<\/em> [1859], na primeira edi\u00e7\u00e3o de <em>O Capital<\/em> e seu ap\u00eandice [1867], e na segunda edi\u00e7\u00e3o de <em>O Capital <\/em>[1873]; as \u00faltimas vers\u00f5es n\u00e3o podem, de maneira alguma, serem consideradas como aprimoramentos em todos os sentidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s anteriores. De fato, as exposi\u00e7\u00f5es posteriores, de certa maneira mais popularizadas \u2013 desenvolvidas por Marx em resposta \u00e0 dificuldade que at\u00e9 aqueles que lhe eram mais pr\u00f3ximos tiveram em compreend\u00ea-lo \u2013, perderam algumas sutilezas dial\u00e9ticas, prestando-se mais \u00e0 leitura ricardiana de esquerda da argumenta\u00e7\u00e3o de Marx que dominaria o movimento oper\u00e1rio. Cf. BACKHAUS, Hans-Georg. \u201cOn the Dialectics of the Value-Form\u201d. <strong>Thesis Eleven<\/strong>, vol. 1, n. 1, p. 94-98, fev.\/1980; REICHELT, Helmut. \u201cQue m\u00e9todo Marx ocultou?\u201d. <strong>Cr\u00edtica Marxista<\/strong>, n. 33, p. 67-82, 2011. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_6\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_6');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>6<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> RUBIN, Isaak. <em>Essays on Marx\u2019s Theory of Value<\/em>. Detroit: Black &amp; Red, 1972, p. 5. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_7\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_7');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>7<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Ibid., p. 117. Riccardo Bellofiore aponta que Rosa Luxemburgo foi outra exce\u00e7\u00e3o entre os marxistas tradicionais, ao prestar muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma-valor. Cf. BELLOFIORE, Riccardo. <em>Rosa Luxemburg and the Critique of Political Economy<\/em>. Londres e Nova York: Routledge, 2009 <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_8\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_8');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>8<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Ortodoxia passou a significar marxismo dogm\u00e1tico. Luk\u00e1cs fez uma interessante tentativa de resgatar o sentido de ortodoxia ao afirmar que se referia exclusivamente ao m\u00e9todo. Talvez por essa ambiguidade do que \u201cortodoxia\u201d pode significar, os termos marxismo \u201ccomo vis\u00e3o de mundo\u201d e \u201cmarxismo tradicional\u201d t\u00eam sido utilizados por marxistas cr\u00edticos para se referir \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es vigentes de Marx que eles desejam superar. Aqui usaremos marxismo ortodoxo e tradicional de forma intercambi\u00e1vel.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_9\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_9');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>9<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> MARX, Karl. <em>Grundrisse. Manuscritos econ\u00f4micos de 1857-1858. Esbo\u00e7os da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011, p. 648.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_10\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_10');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>10<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> CAMATTE, Jacques. <em>Capital and Community: the Results of the Immediate Process of Production and the Economic Works of Marx<\/em>. Londres: Unpopular Books, 1988. Publicado originalmente em <strong>Invariance<\/strong>, n. 2, 1968. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_11\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_11');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>11<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> ROSDOLSKY, Roman. <em>G\u00eanese e estrutura de O Capital de Karl Marx<\/em>. Rio de Janeiro: Contraponto, 2007. O original alem\u00e3o foi publicado em 1968. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_12\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_12');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>12<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> N\u00e3o obstante, Camatte critica Rosdolsky por \u201cn\u00e3o chegar ao ponto de afirmar o que acreditamos ser fundamental: o capital \u00e9 valor em processo, que se torna sujeito\u201d. Ibid., p. 163.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_13\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_13');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>13<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Esta \u00e9 uma leitura dos <em>Grundrisse<\/em> que posteriormente se identifica com a de Negri. De fato, argumenta-se que a obra inicial deste \u00faltimo deve algo a Camatte. De forma impressionante, quaisquer que sejam as ambival\u00eancias da pol\u00edtica autonomista, o cap\u00edtulo \u201cComunismo e Transi\u00e7\u00e3o\u201d em <em>Marx al\u00e9m de Marx<\/em> (1978), de Negri, essencialmente argumenta a favor da comuniza\u00e7\u00e3o. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_14\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_14');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>14<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Comentando sua ideia anterior sobre uma \u201cdomina\u00e7\u00e3o formal do comunismo\u201d, Camatte escreve: \u201ca periodiza\u00e7\u00e3o perde sua validade atualmente; tamb\u00e9m a rapidez da realiza\u00e7\u00e3o do comunismo ser\u00e1 maior do que se pensava anteriormente. Finalmente, devemos especificar que o comunismo n\u00e3o \u00e9 nem um modo de produ\u00e7\u00e3o, nem uma sociedade&#8230;\u201d. Ibid., p. 148. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_15\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_15');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>15<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Ibid., p. 165. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_16\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_16');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>16<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> \u201cSur L\u2019Ultragauche\u201d (1969), publicado pela primeira vez em ingl\u00eas como \u201cLeninism and the Ultraleft\u201d. Cf. DAUV\u00c9, Gilles; MARTIN, Fra\u00e7ois. <em>Eclipse and Re-Emergence of the Communist Movement<\/em>. Detroit: Black and Red, 1974. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_17\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_17');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>17<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">\u201cPois a verdadeira riqueza \u00e9 a for\u00e7a produtiva desenvolvida de todos os indiv\u00edduos. Nesse caso, o tempo de trabalho n\u00e3o \u00e9 mais de forma alguma a medida da riqueza, mas o tempo dispon\u00edvel\u201d. MARX, Karl. <em>Grundrisse. Manuscritos econ\u00f4micos de 1857-1858. Esbo\u00e7os da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011, p. 946. \u00c9 interessante como Moishe Postone, que explicitou as implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas radicais de uma abordagem sobre a \u201cforma-valor\u201d, tornou estas passagens basilares para sua reinterpreta\u00e7\u00e3o de Marx. Cf. POSTONE, Moishe. <em>Tempo, Trabalho e Domina\u00e7\u00e3o Social<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2014.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_18\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_18');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>18<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> DAUV\u00c9, Gilles; MARTIN, Fra\u00e7ois. <em>Eclipse and Re-Emergence of the Communist Movement<\/em>. Detroit: Black and Red, 1974, p. 61. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_19\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_19');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>19<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> MARX, Karl. <em>Grundrisse. Manuscritos econ\u00f4micos de 1857-1858. Esbo\u00e7os da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011, p. 364-365. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_20\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_20');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>20<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> E da natureza, que \u00e9 para o capital \u2013 assim como os seres humanos \u2013 puramente um recurso para a expans\u00e3o da riqueza abstrata. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_21\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_21');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>21<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">No entanto, a afirma\u00e7\u00e3o da <em>TC<\/em> n\u00e3o \u00e9 que a comuniza\u00e7\u00e3o fosse o conceito de revolu\u00e7\u00e3o de Marx \u2013 cf. a discuss\u00e3o sobre o \u201cprogramatismo\u201d adiante. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_22\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_22');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>22<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Ibid., p. 1151. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_23\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_23');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>23<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Para uma interpreta\u00e7\u00e3o do \u201cmarxismo tradicional\u201d como \u201cvis\u00e3o de mundo\u201d, cf. HEINRICH, Michael. \u201cOs invasores de Marx: sobre os usos da teoria marxista e as dificuldades de uma leitura contempor\u00e2nea\u201d, <strong>Cr\u00edtica Marxista<\/strong>, n. 38, p. 29-39, 2014. Este modo de caracterizar o \u201cmarxismo tradicional\u201d parece ter se originado com o marxista humanista Iring Fetscher, com quem Reichelt e Postone estudaram. Cf. FETSCHER, Iring. <em>Karl Marx e os Marxismos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 1970. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_24\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_24');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>24<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> As obras desse per\u00edodo que se destacam: <em>Hist\u00f3ria e Consci\u00eancia de Classe<\/em> [1923], de Luk\u00e1cs, <em>Marxismo e Filosofia<\/em> [1923], de Korsch, <em>Ensaios sobre a Teoria do Valor de Marx<\/em> [1923], de Rubin, e <em>Teoria geral do direito e Marxismo<\/em> [1924], de Pachukanis. Uma das caracter\u00edsticas do novo per\u00edodo foi uma redescoberta de muitos textos deste per\u00edodo anterior, e um aprofundamento de sua problem\u00e1tica. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_25\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_25');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>25<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Isto inclu\u00eda um interesse em Freud e Reich, combinado com os ataques implac\u00e1veis de Adorno contra o revisionismo na psican\u00e1lise contempor\u00e2nea; em <em>Eros e Civiliza\u00e7\u00e3o<\/em> e em <em>O Homem Unidimensional<\/em>, de Marcuse; e na an\u00e1lise da \u201cpersonalidade autorit\u00e1ria\u201d pela Escola de Frankfurt. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_26\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_26');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>26<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">DUTSCHKE, Rudi. \u201cZur Literatur des revolution\u00e4ren Sozialismus von K. Marx bis in die Gegenwart\u201d,&nbsp;<em><strong>SDS-korrespondenz<\/strong><\/em>, Sondernummer 1966.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_27\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_27');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>27<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Krahl faleceu em uma acidente de carro em 1970. A cole\u00e7\u00e3o de seus escritos e palestras publicada postumamente &#8211; <em>Konstitution und Klassenkampf<\/em> &#8211; n\u00e3o foi traduzida para o ingl\u00eas [nem para o portugu\u00eas].<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_28\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_28');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>28<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Uma exce\u00e7\u00e3o significativa foi Willy Huhn, que influenciou alguns membros da SDS de Berlim. Membro da <em>Rote K\u00e4mpfer<\/em>, um reagrupamento de integrantes do KAPD [Partido Comunista Oper\u00e1rio da Alemanha] surgido no final da d\u00e9cada de 1920, Huhn foi brevemente preso pelos nazistas em 1933\/34, voltando-se posteriormente ao trabalho te\u00f3rico, incluindo uma importante cr\u00edtica \u00e0 social-democracia: <em>Der Etatismus der Sozialdemokratie: Zur Vorgeschichte des Nazifaschismus<\/em>. No entanto, foi somente ap\u00f3s o auge do movimento que os comunistas conselhistas foram devidamente redescobertos e publicados.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_29\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_29');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>29<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Ele acrescenta: \u201cA condi\u00e7\u00e3o paradoxal deste movimento ideol\u00f3gico pode ajudar a explicar sua preocupa\u00e7\u00e3o quase exclusiva com quest\u00f5es superestruturais e a not\u00f3ria falta de preocupa\u00e7\u00e3o com a base material e econ\u00f4mica que deveria ter-lhes sido subjacente\u201d. SOHN-RETHEL, Alfred. <em>Intellectual and Manual Labour<\/em>. Nova Jersey: Humanities Press, 1978, p. 12. Cf. a primeira frase da <em>Dial\u00e9tica Negativa<\/em> de Adorno: \u201cA filosofia, que um dia pareceu ultrapassada, mant\u00e9m-se viva porque se perdeu o instante de sua realiza\u00e7\u00e3o\u201d. ADORNO, Theodor W. <em>Dial\u00e9tica Negativa<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_30\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_30');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>30<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> A primeira edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de <em>O Capital<\/em> tinha diferen\u00e7as consider\u00e1veis \u2013 especialmente na estrutura e no desenvolvimento do primeiro cap\u00edtulo, sobre mercadoria e valor \u2013 no que se refere \u00e0 segunda edi\u00e7\u00e3o, que foi a base das pouco alteradas edi\u00e7\u00f5es subsequentes [terceira e quarta edi\u00e7\u00f5es, realizadas por Engels] e tradu\u00e7\u00f5es em outros idiomas.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_31\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_31');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>31<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> REICHELT, Helmut. <em>Neue Marx-Lekt\u00fcre: Zur Kritik sozialwissenschaftlicher Logik<\/em>. Hamburgo: VSA-Verlag, 2008, p. 11. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_32\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_32');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>32<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Enquanto o polo marxista tradicional da SDS tinha sido, at\u00e9 1968, essencialmente reformista, defendendo uma transi\u00e7\u00e3o legal para o socialismo, o que veio \u00e0 tona depois de 1968 foi o stalinismo mao\u00edsta anti-revisionista. Este foi o per\u00edodo em que muitos antes \u201cantiautorit\u00e1rios\u201d abandonaram sua cr\u00edtica ao marxismo de partido e se engajaram na forma\u00e7\u00e3o dos \u201cK-Groups\u201d (\u201cK\u201d de Kommunista). <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_33\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_33');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>33<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Cf. HEINRICH, Michael. \u201cReconstruction or Deconstruction? Methodological Controversies about Value and Capital, and New Insights from the Critical Edition\u201d. <em>In<\/em>: BELLOFIORE, Riccardo; FINESCHI, Roberto (ed.).&nbsp;<em><strong>Re-Reading Marx: New Perspectives after the Critical Edition<\/strong>. Londres: <\/em>Palgrave MacMillan, 2009, p. 71-98. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_34\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_34');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>34<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Cf. \u201cThe Moving Contradiction\u201d, <em>Endnotes <\/em>n. 2. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_35\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_35');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>35<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Grossman, por exemplo, forneceu a ideia de uma aproxima\u00e7\u00e3o sucessiva na qual <em>O Capital<\/em> apresenta uma s\u00e9rie de modelos anal\u00edticos que se tornam mais complexos \u00e0 medida que se acrescentam outros aspectos da realidade. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_36\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_36');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>36<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">REICHELT, Helmut. <em>Sobre a Estrutura L\u00f3gica do Conceito de Capital em Karl Marx<\/em>. Campinas: Editora Unicamp, 2013. O qu\u00e3o pr\u00f3xima \u00e9 esta correspond\u00eancia \u00e9 um tema que suscita muito debate. Cf. os debates entre Chris Arthur, Tony Smith e Robert Finelli em <em>Historical Materialism<\/em> (edi\u00e7\u00f5es n. 11.1, n. 15.2 e n. 17.1). Na Alemanha, Michael Heinrich e Dieter Wolff criticariam de formas bem diferentes a ideia de uma \u201chomologia\u201d entre capital e Esp\u00edrito.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_37\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_37');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>37<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">REICHELT, Helmult. \u201cSocial Reality as Appearance: Some Notes on Marx\u2019s Conception of Reality\u201d. <em>In<\/em>: BONEFELD, Werner; PSYCHOPEDIS, Kosmas (ed.). <strong>Human Dignity. Social Autonomy and the Critique of Capitalism<\/strong>. Londres e Nova York: Routledge, 2005, p. 46-47.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_38\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_38');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>38<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Quando Moscou republicou <em>Teorias da Mais-Valia<\/em>, foram questionadas as decis\u00f5es editoriais de Kaustky, algo inconceb\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s consider\u00e1veis altera\u00e7\u00f5es realizadas por Engels no Volume III. A publica\u00e7\u00e3o dos manuscritos originais (em alem\u00e3o) revela que o trabalho de Engels envolveu uma grande reescrita, al\u00e9m de decis\u00f5es editoriais question\u00e1veis, mas tal questionamento do <em>corpus<\/em> central do marxismo era um an\u00e1tema para o marxismo tradicional. Cf. HEINRICH, Michael. \u201cA edi\u00e7\u00e3o de Engels do Livro 3 de <em>O Capital<\/em> e o manuscrito original de Marx\u201d. <strong>Cr\u00edtica Marxista<\/strong>, n. 43, p. 29-43, 2016.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_39\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_39');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>39<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Rosdolsky argumenta que o segundo e o terceiro livros [sobre propriedade fundi\u00e1ria e trabalho assalariado] est\u00e3o incorporados em um plano reelaborado para <em>O Capital<\/em>; por\u00e9m, mesmo que se concorde com ele e n\u00e3o com os contra-argumentos de Michael A. Lebowitz e Felton C. Shortall, os tr\u00eas livros restantes [sobre Estado, com\u00e9rcio exterior e mercado mundial] s\u00e3o claramente projetos inacabados.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_40\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_40');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>40<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Sobre o debate da deriva\u00e7\u00e3o do estado, cf. HOLLOWAY, John; PICCIOTTO, Sol (ed.). <em>State and Capital: A Marxist Debate<\/em>. Austin: University of Texas Press, 1978. HELD, Karl; HILL, Audrey. <em>The Democratic State: Critique of Bourgeois Sovereignty<\/em>. Munique: Gegenstandpunkt Verlag, 1993. Pouco acerca do debate sobre o mercado mundial foi traduzido. Cf. NACHTWEY, Oliver; BRINK, Tobias. \u201cLost in Transition: the German World-Market Debate in the 1970s\u201d, <strong>Historical Materialism<\/strong>, n. 16.1, p. 37-70, 2008. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_41\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_41');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>41<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> SOHN-RETHEL, Alfred. <em>Geistige und k\u00f6rperliche Arbeit. Zur Theorie gesellschaftlicher Synthesis<\/em>. Verlim: Suhrkamp Verlag, 1970. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_42\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_42');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>42<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> MARX, Karl. <em>A forma mercadoria: escritos sobre a teoria do valor<\/em>. S\u00e3o Paulo: Lavrapalavra, 2021, p. 139. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_43\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_43');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>43<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> MARX, Karl. <em>Grundrisse. Manuscritos econ\u00f4micos de 1857-1858. Esbo\u00e7os da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011, p. 83. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_44\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_44');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>44<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> HEINRICH, Michael. \u201cOs invasores de Marx: sobre os usos da teoria marxista e as dificuldades de uma leitura contempor\u00e2nea\u201d, <strong>Cr\u00edtica Marxista<\/strong>, n. 38, p. 39, 2014. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_45\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_45');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>45<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">RANCIER\u00c8, Jacques. \u201cO Conceito de Cr\u00edtica e a Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica dos <em>Manuscritos de 1844<\/em> a <em>O Capital<\/em>\u201d. <em>In<\/em>: ALTHUSSER, Louis; RACI\u00c9RE, Jacques; MACHEREY, Pierre (org.). <strong>Ler O Capital<\/strong>. Vol. 1. Rio de Janeiro: Zahar, 1979, p. 113.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_46\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_46');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>46<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">COLLETTI, Lucio. <em>Il marxismo e Hegel: Materialismo dialettico e irrazionalismo<\/em>. Bari: Laterza, 1976.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_47\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_47');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>47<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Cf. BELLOFIORE, Riccardo. \u201cThe Value of Labour Value: the Italian Debate on Marx: 1968-1976\u201d. <strong>Rivista Di Politica Economica<\/strong>, n. IV-V, abril\/maio, 1999.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_48\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_48');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>48<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> No entanto, surpreendentemente, a import\u00e2ncia de Rubin foi subestimada nos debates alem\u00e3es. <em>Ensaios<\/em> s\u00f3 foram traduzidos para o alem\u00e3o (do ingl\u00eas) em 1973, excluindo-se o primeiro cap\u00edtulo sobre fetichismo.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_49\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_49');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>49<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Uma not\u00e1vel exce\u00e7\u00e3o foi o ensaio pioneiro de Jairus Banaji: \u201cFrom the Commodity to Capital: Hegel&#8217;s Dialectic in Marx&#8217;s Capital\u201d. <em>In<\/em>: ELSON, Diane (ed.). <strong>Value: The Representation of Labour in Capitalism<\/strong>. Londres: CSE Books, 1979.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_50\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_50');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>50<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Por exemplo: ELDRED, Michael. <em>Critique of Competitive Freedom and the Bourgeois-Democratic State: Outline of a Form-Analytic Extension of Marx\u2019s Uncompleted System<\/em>. Copenhague: Kurasje, 1984.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_51\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_51');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>51<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> ARTHUR, Chris. \u201cEngels, Logic and History\u201d. <em>In<\/em>: BELLOFIORE, Riccardo (ed.). <strong>Marxian Economics, a Reappraisal: Essays on Volume III of Capital. Vol. 1<\/strong>. Londres: Palgrave MacMillan, 1998, p. 14.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_52\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_52');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>52<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Mike Rooke, por exemplo, critica Chris Arthur e a abordagem da dial\u00e9tica sistem\u00e1tica por \u201creificar a dial\u00e9tica\u201d e abandonar seu significado como uma \u201cdial\u00e9tica do trabalho\u201d. Cf. ROOKE, Mike. \u201cMarxism, Value and the Dialectic of Labour\u201d, <strong>Critique<\/strong>, vol. 37, n. 2, p. 201-216, maio\/2009.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_53\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_53');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>53<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Fora da sociedade de classes, o \u201ctrabalho\u201d &#8211; a necessidade humana de interc\u00e2mbio com a natureza (\u201co corpo inorg\u00e2nico do homem&#8230; com o qual ele deve permanecer em cont\u00ednuo interc\u00e2mbio se n\u00e3o quiser morrer\u201d [EPM]) n\u00e3o \u00e9 uma coer\u00e7\u00e3o externa, mas uma express\u00e3o da sua pr\u00f3pria natureza. A determina\u00e7\u00e3o por si mesma, no sentido, por exemplo, de ter que fazer coisas para comer, n\u00e3o \u00e9 uma coer\u00e7\u00e3o. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_54\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_54');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>54<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Para um debate sobre isso (a partir de Backhaus), cf. ELDRED, Michael. <em>Critique of Competitive Freedom and the Bourgeois-Democratic State: Outline of a Form-Analytic Extension of Marx\u2019s Uncompleted System<\/em>. Copenhague: Kurasje, 1984, p. 45-51.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_55\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_55');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>55<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Marx aconselhou que a esposa de seu amigo, por conta da dificuldade, pulasse a primeira se\u00e7\u00e3o de <em>O Capital<\/em> (sobre valor e dinheiro) \u2013 Eldred refere-se, aqui, ao fato de que muitos leitores de Marx, tais como aqueles convencidos por Sraffa e Althusser, acreditam que esta \u00e9 a maneira correta de estudar Marx.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_56\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_56');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>56<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Ibid., p. 49-50.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_57\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_57');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>57<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Cf. BERKI, R. N. <em>Insight and Vision: The Problem of Communism in Marx\u2019s Thought<\/em>. J.M. Dent, 1984, cap\u00edtulo 5.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_58\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_58');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>58<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Embora possa muito bem derivar de Backhaus, segundo van der Linden, a distin\u00e7\u00e3o foi cunhada por Stefan Breuer em \u201cKrise der Revolutionstheorie\u201d (1977). Cf. VAN DER LINDEN, Marcel. \u201cThe Historical Limits of Workers\u2019 Protest: Moishe Postone, Krisis and the \u2018Commodity Logic\u2019\u201d. <strong>Review of Social History<\/strong>, vol. 42, n. 3, p. 447-458, dez.\/1997.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_59\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_59');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>59<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Assim como Dauv\u00e9, Postone utiliza o \u201cFragmento sobre as M\u00e1quinas\u201d para minar as concep\u00e7\u00f5es marxistas tradicionais do socialismo; ele v\u00ea o marxismo tradicional como um marxismo ricardiano que buscava a autorrealiza\u00e7\u00e3o do proletariado, em vez de &#8211; como em Marx &#8211; sua auto-aboli\u00e7\u00e3o; ele entende a URSS como tendo sido capitalista e, como a <em>TC<\/em>, enfatiza a constitui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tanto da objetividade quanto da subjetividade. Entretanto, quando se trata de posi\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas no presente, ele se orienta a favor de reformas, afirmando significativamente que sua an\u00e1lise \u201cn\u00e3o significa que [ele] seja um ultra\u201d. Cf. POSTONE, Moishe. \u201cLabor and the Logic of Abstraction: an interview\u201d. [Entrevista concedida a] Timothy Brennan. <strong>South Atlantic Quartely<\/strong>, vol. 108, n. 2, p. 319, 2009.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_60\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_60');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>60<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Cf., por exemplo, BONEFELD, Werner. \u201cOn Postone\u2019s Courageous but Unsuccessful Attempt to Banish the Class Antagonism\u201d. <strong>Historical Materialism<\/strong>, n. 12.3, 2004.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_61\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_61');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>61<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Assim como \u00e0s obras de Luk\u00e1cs e Sohn-Rethel, Adorno devia a Alfred Schmidt todas as cita\u00e7\u00f5es dos <em>Grundrisse<\/em> que ele utiliza em <em>Dial\u00e9tica Negativa<\/em>. Cf. ELDRED, Michael; ROTH, Mike. \u201cTranslators\u2019 Introduction to \u2018<em>On the Dialectics of the Value-Form<\/em>\u2019\u201d. <strong>Thesis Eleven<\/strong>, n. 1, p. 96, 1980.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_62\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_62');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>62<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Cf. REICHELT, Helmut. \u201cFrom the Frankfurt School to Value-Form Analysis\u201d. <strong>Thesis Eleven<\/strong>, n. 4, p. 166, 1982.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_63\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_63');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>63<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">As notas de Backhaus sobre a palestra de Adorno, de 1962, est\u00e3o inclu\u00eddas como um ap\u00eandice de <em>Dialetik der Wertform<\/em> (1997).<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_64\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_64');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>64<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"><em>Constitui\u00e7\u00e3o e Luta de Classes: sobre a dial\u00e9tica hist\u00f3rica entre revolu\u00e7\u00e3o burguesa e emancipa\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria<\/em>.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_65\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_65');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>65<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Cf. \u201cThe Moving Contradiction\u201d, <em>Endnotes <\/em>n. 2. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_66\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_66');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>66<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> MARX, Karl. <em>Grundrisse. Manuscritos econ\u00f4micos de 1857-1858. Esbo\u00e7os da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011, p. 27. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_67\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_67');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>67<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"><em>Th\u00e9orie Communiste<\/em>. \u201cMuch Ado About Nothing\u201d. <em>Endnotes<\/em> n. 1.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_68\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_68');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>68<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Este \u00e9 o principal conceito em disputa no debate entre Dauv\u00e9 e <em>TC<\/em> em <em>Endnotes<\/em> n. 1.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_69\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_69');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>69<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">DANEL, Fran\u00e7ois. <em>Rupture dans la th\u00e9orie de la revolution: Textes 1965-1975<\/em>. Paris: Senonevero, 2003. <\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" id=\"footnote_plugin_reference_2202_1_70\" class=\"footnote_plugin_index pointer\" onclick=\"footnote_moveToAnchor_2202_1('footnote_plugin_tooltip_2202_1_70');\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_plugin_link\" ><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>70<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\"> Por exemplo, apesar da forma como Rubin prefigura ou inspira diretamente a teoria da forma-valor muito mais tarde, algumas de suas categorias, como a categoria trans-hist\u00f3rica do \u201ctrabalho fisiologicamente igual\u201d e a categoria do \u201ctrabalho socialmente equiparado\u201d como a base do socialismo, podem ser vistas como uma express\u00e3o da maneira como a revolu\u00e7\u00e3o foi estabelecida na \u00e9poca e da situa\u00e7\u00e3o do Estado planejador em que ele se encontrava. Se a maioria dos te\u00f3ricos da forma-valor atuais n\u00e3o repudia explicitamente uma concep\u00e7\u00e3o program\u00e1tica de revolu\u00e7\u00e3o, h\u00e1, no entanto, um afastamento muito maior da afirma\u00e7\u00e3o do trabalho do que no marxismo cr\u00edtico anterior. As implica\u00e7\u00f5es \u201crevolucion\u00e1rias\u201d da teoria da forma-valor s\u00f3 s\u00e3o explicitadas quando o desenvolvimento da luta de classes &#8211; ou seja, do capitalismo &#8211; as permite.<\/td><\/tr>\r\n\r\n <\/tbody> <\/table> <\/div><\/div><script type=\"text\/javascript\"> function footnote_expand_reference_container_2202_1() { jQuery('#footnote_references_container_2202_1').show(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_2202_1').text('\u2212'); } function footnote_collapse_reference_container_2202_1() { jQuery('#footnote_references_container_2202_1').hide(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_2202_1').text('+'); } function footnote_expand_collapse_reference_container_2202_1() { if (jQuery('#footnote_references_container_2202_1').is(':hidden')) { footnote_expand_reference_container_2202_1(); } else { footnote_collapse_reference_container_2202_1(); } } function footnote_moveToReference_2202_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_2202_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } } function footnote_moveToAnchor_2202_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_2202_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } }<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vers\u00e3o PDF Endnotes n. 2 (Abril, 2010) Introdu\u00e7\u00e3o [1] Agradecemos aos camaradas alem\u00e3es por seus coment\u00e1rios \u00fateis na reda\u00e7\u00e3o deste artigo, particularmente a DD e Felix da Kosmoprolet. 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