{"id":1400,"date":"2021-04-27T16:59:09","date_gmt":"2021-04-27T16:59:09","guid":{"rendered":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/?p=1400"},"modified":"2021-05-05T23:02:32","modified_gmt":"2021-05-05T23:02:32","slug":"escolhas-jamais-serao-faceis-felipe-taufer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2021\/04\/27\/escolhas-jamais-serao-faceis-felipe-taufer\/","title":{"rendered":"Escolhas jamais ser\u00e3o f\u00e1ceis \u2014 Felipe Taufer"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-coblocks-social has-colors\" style=\" \"><ul><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2021\/04\/27\/escolhas-jamais-serao-faceis-felipe-taufer\/&#038;title=Escolhas%20jamais%20ser\u00e3o%20f\u00e1ceis%20\u2014%20Felipe%20Taufer\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--facebook     has-padding\" title=\"Compartilhar no Facebook\" style=\"border-radius: 0px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Compartilhar no Facebook<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"http:\/\/twitter.com\/share?text=Escolhas%20jamais%20ser\u00e3o%20f\u00e1ceis%20\u2014%20Felipe%20Taufer&#038;url=https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2021\/04\/27\/escolhas-jamais-serao-faceis-felipe-taufer\/\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--twitter     has-padding\" title=\"Compartilhar no Twitter\" style=\"border-radius: 0px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Compartilhar no Twitter<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/shareArticle?mini=true&#038;url=https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2021\/04\/27\/escolhas-jamais-serao-faceis-felipe-taufer\/&#038;title=Escolhas%20jamais%20ser\u00e3o%20f\u00e1ceis%20\u2014%20Felipe%20Taufer\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--linkedin     has-padding\" title=\"Compartilhar no LinkedIn\" style=\"border-radius: 0px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Compartilhar no LinkedIn<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"mailto:?subject=Escolhas%20jamais%20ser\u00e3o%20f\u00e1ceis%20\u2014%20Felipe%20Taufer&#038;body=Escolhas%20jamais%20ser\u00e3o%20f\u00e1ceis%20\u2014%20Felipe%20Taufer&mdash;https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2021\/04\/27\/escolhas-jamais-serao-faceis-felipe-taufer\/\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--email     has-padding\" title=\"Compartilhar por e-mail\" style=\"border-radius: 0px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Compartilhar por e-mail<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/plus.google.com\/share?url=https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2021\/04\/27\/escolhas-jamais-serao-faceis-felipe-taufer\/\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--google     has-padding\" title=\"Compartilhar no Google\" style=\"border-radius: 0px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Compartilhar no Google<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.reddit.com\/submit?url=https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2021\/04\/27\/escolhas-jamais-serao-faceis-felipe-taufer\/\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--reddit     has-padding\" title=\"Compartilhar no Reddit\" style=\"border-radius: 0px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Compartilhar no Reddit<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><\/ul><\/div>\n\n\n<p><strong>1.<\/strong> No dia 08 de outubro de 2018, \u00e0s 03 horas da manh\u00e3, o jornal <em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em> publicava o editorial, que foi ao ar logo ap\u00f3s a apura\u00e7\u00e3o do resultado do primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018, com a seguinte manchete: \u201cUma escolha muito dif\u00edcil\u201d. O editorial levantava o mote de que n\u00e3o seria nada f\u00e1cil para o eleitor tomar uma decis\u00e3o entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (at\u00e9 ent\u00e3o PSL). Todo o centro de argumenta\u00e7\u00e3o desse editorial girava em torno do \u201ciminente desastre fiscal\u201d em que supostamente o Brasil viria a se afundar. N\u00e3o \u00e9 preciso aqui esclarecer a posi\u00e7\u00e3o normativa de cunho neoliberal no que diz respeito \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica do pa\u00eds que subjaz o editorial em quest\u00e3o. Afinal, o <em>Estad\u00e3o<\/em>, como qualquer jornal em um pa\u00eds onde a liberdade de imprensa \u00e9 garantida, sempre fez quest\u00e3o de deixar suas posi\u00e7\u00f5es claras em rela\u00e7\u00e3o ao que pensa ter a ver com o caminho a ser seguido na administra\u00e7\u00e3o brasileira do dinheiro dos cofres p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que aqui quero pontuar \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o que as for\u00e7as pol\u00edticas de esquerda \u2013 de modo geral \u2013 adotaram diante da posi\u00e7\u00e3o editorial do <em>Estad\u00e3o<\/em>. N\u00e3o tardou para que o assunto virasse um <em>meme<\/em> difundido nos meios militantes de esquerda nas redes sociais &#8211; especialmente no Twitter -, e se tornasse objeto de cr\u00edtica e ironia constante na opini\u00e3o p\u00fablica brasileira. O motivo das cr\u00edticas ir\u00f4nicas, muitas vezes levadas a cabo sob a forma do deboche, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de compreender. Como poderia um jornal hesitar em defender qualquer candidato que se opusesse a candidatura impr\u00f3pria e violenta de algu\u00e9m como Jair Bolsonaro? Como poderia um jornal compromissado com as liberdades civis, ainda que de um ponto de vista declaradamente conservador, suscitar qualquer esp\u00e9cie de d\u00favida sobre quem deveria contar com seu apoio diante da candidatura daquele que exaltava um dos maiores torturadores da ditadura militar brasileira? Desse ponto de vista, \u00e9 claro que a posi\u00e7\u00e3o do jornal foi descabida e longe de qualquer possibilidade de fundamenta\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel que lhe pudesse fornecer qualquer esp\u00e9cie de motivo para duvidar de sua op\u00e7\u00e3o eleitoral. A continua\u00e7\u00e3o cada vez mais desastrosa da pol\u00edtica econ\u00f4mica que se seguiu a partir do ano de 2019 \u2013 al\u00e9m das constantes defesas da ditadura e da tortura, bem como amea\u00e7as abertas \u00e0 esquerda por parte de Bolsonaro \u2013, n\u00e3o cansava de demonstrar que n\u00e3o havia qualquer motivo plaus\u00edvel para o jornal ter publicado uma nota daquele tipo. N\u00e3o tardou para que os efeitos desastrosos do genoc\u00eddio cometido por Bolsonaro durante seu projeto negacionista de gest\u00e3o da pandemia a partir de 2020 munissem os cr\u00edticos de esquerda cada vez mais com boas raz\u00f5es para ironizar a manchete.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, diferentemente da intelig\u00eancia de esquerda que descobria a fonte da ironia em sua pr\u00f3pria cr\u00edtica, existe uma express\u00e3o fiel \u00e0 ironia <strong><em>da<\/em><\/strong> realidade social brasileira no pr\u00f3prio t\u00edtulo do editorial. No entanto, o pr\u00f3prio editorial n\u00e3o captou essa ironia. Tudo se passando como se houvesse uma partilha fundamental do erro de ambas as partes: n\u00e3o sabiam \u2013 tanto o jornal como os seus cr\u00edticos \u2013 identificar a ironia real que se manifestava por todos os lados, menos ainda em seus discursos. De uma parte, o editorial n\u00e3o viu ironia alguma em sua express\u00e3o. De outra, as esquerdas (e, majoritariamente, a petista) n\u00e3o souberam captar a fonte da ironia. Antes de passar ao coment\u00e1rio de ambos os erros, me permitirei um coment\u00e1rio certamente heterodoxo que tem a ver com a cr\u00edtica hegeliana do romantismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.<\/strong> Em um ensaio sobre a filosofia rom\u00e2ntica da vida, o jovem Luk\u00e1cs defendeu contraintuitivamente a tese segundo a qual Novalis teria sido \u201co \u00fanico poeta verdadeiro da escola rom\u00e2ntica\u201d.<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> Afinal, teria sido somente ele quem, em sua caracteriza\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana na figura do g\u00eanio, tentaria sem rodeios oferecer uma resposta \u00e0 quest\u00e3o \u201ccomo se pode e se deve viver hoje?\u201d.<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> Pode-se mesmo dizer que, para Luk\u00e1cs, esta seria a quest\u00e3o rom\u00e2ntica por excel\u00eancia. A despeito do objetivo principal de seu ensaio, Luk\u00e1cs encontrou uma forma <em>sui generis<\/em> de expressar o ambiente cultural que possibilitou a emerg\u00eancia dessa quest\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que Luk\u00e1cs encontra espa\u00e7o para tratar de Novalis de forma particular somente nas duas \u00faltimas se\u00e7\u00f5es de seu ensaio.<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a> Seja como for, \u00e9 um aspecto geral sobre a emerg\u00eancia do romantismo que aqui me interessa. O que tentarei sugerir \u00e9 que h\u00e1 um tra\u00e7o subjetivista \u2013 uma certa heran\u00e7a do romantismo \u2013 nas formas contempor\u00e2neas atrav\u00e9s da qual as \u201cfor\u00e7as de esquerda\u201d tentam tomar consci\u00eancia da realidade social contempor\u00e2nea. O subjetivismo dessas \u201cformas de consci\u00eancia\u201d bloqueia a capacidade destas de conhecer a novidade de certas rela\u00e7\u00f5es que emergiram. Meu ponto \u00e9 o de que isso se manifesta em uma esp\u00e9cie de \u201cironia subjetiva\u201d desenfreada. A t\u00edtulo de ilustra\u00e7\u00e3o, Luk\u00e1cs, a certa altura de sua descri\u00e7\u00e3o do ambiente que possibilitou a emerg\u00eancia do romantismo, diz o seguinte sobre as tentativas dos rom\u00e2nticos em encontrarem uma resposta pr\u00e1tica e ordin\u00e1ria \u2013 notavelmente inadequada \u2013 \u00e0 quest\u00e3o de seu tempo:<\/p>\n\n\n\n<p>O pre\u00e7o que os rom\u00e2nticos tiveram de pagar pela sua arte de viver foi um abandono aparentemente consciente da vida; entretanto esse abandono s\u00f3 era consciente na superf\u00edcie, no plano psicol\u00f3gico: sua natureza mais profunda e suas rela\u00e7\u00f5es mais profundas permaneceram desconhecidas pelos pr\u00f3prios rom\u00e2nticos e, por isso, sem reden\u00e7\u00e3o e for\u00e7a redentora. A realidade efetiva da vida desapareceu diante de seus olhos e foi substitu\u00edda por outra, po\u00e9tica e puramente an\u00edmica.<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, a pr\u00f3pria vida pr\u00e1tica compartilhada de modo geral pelo movimento rom\u00e2ntico expressava um abandono da vida. Suas \u201cformas de consci\u00eancia\u201d chegavam apenas \u00e0 \u201csuperf\u00edcie\u201d. Parece que Luk\u00e1cs se colocou uma pergunta do seguinte tipo \u201cSer\u00e1 que este movimento n\u00e3o adotava um comportamento radicalmente subjetivo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria mentira de seu cosmo sonhado?\u201d. Sua resposta foi mais ou menos a seguinte: \u201c\u00c9 por isso mesmo que os rom\u00e2nticos acreditam que o mundo por eles representado \u00e9 o mundo real. J\u00e1 que as exterioriza\u00e7\u00f5es subjetivas eram tudo, certamente n\u00e3o haveria espa\u00e7o de reflexividade em sua pr\u00f3pria arte\u201d. Disso tudo se seguindo que jamais poderiam conhecer as \u201crela\u00e7\u00f5es mais profundas\u201d do \u201cpre\u00e7o que tiveram de pagar\u201d por conta de seu comportamento radicalmente subjetivo. Um pouco como a cr\u00edtica de Hegel ao romantismo em suas <em>Li\u00e7\u00f5es de Est\u00e9tica<\/em>, o jovem Luk\u00e1cs apontava no \u201cpre\u00e7o a pagar\u201d justamente um desvio subjetivista de nega\u00e7\u00e3o \u201caparentemente consciente\u201d da realidade. Como se sabe, a cr\u00edtica de Hegel ao humor subjetivista dos rom\u00e2nticos deve-se \u00e0 impot\u00eancia destes em expressar a \u201cironia real\u201d da vida contempor\u00e2nea. Restava-lhe apenas um tipo espec\u00edfico de sarcasmo; uma \u201cironia subjetiva\u201d de rea\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade. Como comenta Zizek, \u201csua ironia completamente destruidora \u00e9 na verdade demasiadamente impotente: realmente ela n\u00e3o fornece amea\u00e7a a nada, apenas fornece ao sujeito ir\u00f4nico a ilus\u00e3o de liberdade e superioridade interior\u201d.<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a> Trata-se, nesse sentido, do que aqui chamarei de \u201cironia subjetiva\u201d. \u00c9 isso, por exemplo, que Hegel tem em vista na seguinte passagem:<\/p>\n\n\n\n<p>No humor, o artista n\u00e3o tenta dar uma forma art\u00edstica e acabada a um conte\u00fado objetivo que j\u00e1 foi constitu\u00eddo em suas caracter\u00edsticas principais, uma vez que as propriedades que lhe s\u00e3o inerentes, mas introduz a si mesmo, por assim dizer, no objeto de arte e aplica o princ\u00edpio de sua atividade para decomp\u00f4-los e demarc\u00e1-los com base em conceitos subjetivos, lapsos de pensamentos, formas de interpreta\u00e7\u00e3o surpreendentes, assim destruindo tudo o que tende a se objetivar e a assumir uma forma concreta e est\u00e1vel. Dessa maneira, a um s\u00f3 tempo, abole-se toda autonomia do conte\u00fado objetivo e coer\u00eancia est\u00e1vel da forma que surge da pr\u00f3pria coisa; a representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica n\u00e3o passa de um jogo com os objetos, uma deforma\u00e7\u00e3o e uma invers\u00e3o de sentido da mat\u00e9ria art\u00edstica por meio de um ir e vir do sujeito e do entrela\u00e7amento de suas ideias e atitudes por meio das quais expressa o abandono que faz do objeto e de si mesmo.<a href=\"#_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Hegel exprime aqui, com maior profundidade do que Luk\u00e1cs, o abandono da \u201crealidade efetiva da vida\u201d que o artista rom\u00e2ntico apresenta por meio da ironia inerente a suas piadas, chistes e outras representa\u00e7\u00f5es humor\u00edsticas subjetivas. N\u00e3o h\u00e1 nenhum mist\u00e9rio aqui, pois o significado de \u201cironia\u201d \u00e9 o mesmo do Caldas Aulete: \u201cuma figura de linguagem geralmente usada para fazer gra\u00e7a ou mostrar irrita\u00e7\u00e3o, em que se declara o contr\u00e1rio do que se pensa\u201d.<a href=\"#_ftn7\">[7]<\/a> Como diz Hegel, \u201cuma invers\u00e3o de sentido da mat\u00e9ria art\u00edstica\u201d que ocorre somente na subjetividade do artista. O humor rom\u00e2ntico faz gra\u00e7a com a \u201cmat\u00e9ria art\u00edstica\u201d declarando o contr\u00e1rio do que pensa. Isso porque a natureza do humor subjetivo \u00e9 uma atitude de ressignifica\u00e7\u00e3o do representado por meio de conceitos que n\u00e3o s\u00e3o extra\u00eddos do conte\u00fado em quest\u00e3o. Como quando n\u00e3o concordamos com o fato de um jornal dizer que havia uma escolha e essa escolha era muito dif\u00edcil e, para mostrar que n\u00e3o concordamos com isso, repetimos: \u201cuma escolha muito dif\u00edcil <em>mesmo<\/em>\u201d. Nesse caso, a gra\u00e7a \u00e9 imputada na \u201cinvers\u00e3o do sentido\u201d pelo leitor do jornal e n\u00e3o pelo pr\u00f3prio jornal. O mesmo se passa no caso do romantismo, onde a forma da representa\u00e7\u00e3o \u00e9 inteiramente imputada pela pr\u00f3pria subjetividade do artista. \u00c9 dizer, sua ironia \u00e9 um modo de interpreta\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 pr\u00f3prio e, como diz Hegel, sua representa\u00e7\u00e3o expressa tra\u00e7os anal\u00edticos de uma decomposi\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o da ironia que s\u00f3 ele (a intersubjetividade da qual ele compartilha com os outros rom\u00e2nticos) percebeu: de conceitos subjetivos. Por essa raz\u00e3o, n\u00e3o passam de lapsos de pensamentos que violentamente imp\u00f5em a forma da piada e do chiste ao representado, anulando, por conseguinte, a autonomia do objeto art\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>De outra parte, foi Luk\u00e1cs quem p\u00f4de melhor perceber que essa \u201cironia subjetiva\u201d n\u00e3o s\u00f3 violenta a autonomia da \u201crealidade efetiva da vida\u201d, mas oculta a pr\u00f3pria raz\u00e3o de sua viol\u00eancia. Por\u00e9m, essa pr\u00f3pria viol\u00eancia \u00e9 ela mesma subjetiva, pois a \u201crealidade efetiva da vida\u201d \u00e9 abolida na cabe\u00e7a do rom\u00e2ntico ou do leitor de jornal que faz gra\u00e7a com a invers\u00e3o de sentido de um mesmo enunciado (e. g., \u201cUma escolha muito dif\u00edcil\u201d). \u00c9 por essa raz\u00e3o que os pr\u00f3prios conceitos totalmente subjetivos de demarca\u00e7\u00e3o e decomposi\u00e7\u00e3o presentes na piada fazem com que a raz\u00e3o da anula\u00e7\u00e3o da \u201crealidade efetiva da vida\u201d permane\u00e7a desconhecida. Como se ela fosse um \u201coutro\u201d incapaz de ser percebido pela demarca\u00e7\u00e3o e decomposi\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica. At\u00e9 porque decomposi\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o s\u00e3o sempre processos de identifica\u00e7\u00e3o e, por essa simples raz\u00e3o, anulam a diferen\u00e7a. \u00c9 dizer, trata-se de um defeito constitutivo da arte rom\u00e2ntica em querer representar algo. O segredo da \u201cironia subjetiva\u201d, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 tanto o de que ela faz gra\u00e7a atrav\u00e9s da \u201cinvers\u00e3o de sentido da mat\u00e9ria art\u00edstica\u201d ou, caso preferirmos, pela declara\u00e7\u00e3o do \u201ccontr\u00e1rio do que se pensa\u201d, mas sim que s\u00f3 pode encontrar gra\u00e7a nessa \u201cinvers\u00e3o de sentido\u201d ignorando a exist\u00eancia daquilo que n\u00e3o foi capaz de decompor e demarcar. Ou melhor: daquilo que <em>n\u00e3o se deixa conhecer<\/em> por processos de decomposi\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o. At\u00e9 porque a \u201cironia subjetiva\u201d destr\u00f3i e anula \u201ctudo o que tende a se objetivar e a assumir uma forma concreta e est\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o seria desnecess\u00e1rio dizer que Luk\u00e1cs e Hegel n\u00e3o se voltam contra a ironia em sua inteireza. Eles est\u00e3o a criticar apenas a forma da ironia que se manifesta em um humor subjetivo que n\u00e3o corresponde \u00e0 \u201crealidade efetiva\u201d, mas \u00e0 \u201crealidade ilus\u00f3ria\u201d do artista. Diagn\u00f3stico da piada e do chiste que est\u00e1 ancorado em uma esp\u00e9cie de descri\u00e7\u00e3o geral do ambiente que permitiu o surgimento da quest\u00e3o rom\u00e2ntica.<a href=\"#_ftn8\">[8]<\/a> H\u00e1 diversas passagens na obra de Hegel, por exemplo, na qual se comenta da estrutura ir\u00f4nica, se quisermos empregar outra vez a express\u00e3o de Luk\u00e1cs, da pr\u00f3pria \u201crealidade efetiva da vida\u201d. No entanto, trata-se de uma ironia objetiva na qual n\u00e3o \u00e9 o artista quem inverte o sentido do representado; mas uma \u201cironia real\u201d \u2013 como procurarei chamar \u2013 cuja express\u00e3o \u00e9 a invers\u00e3o de sentido da pr\u00f3pria realidade atrav\u00e9s de seu modo de apresenta\u00e7\u00e3o. Como se houvesse uma \u201crealidade efetiva da vida\u201d que s\u00f3 pudesse aparecer aos olhos do artista como uma \u201cdeforma\u00e7\u00e3o e invers\u00e3o\u201d de seu sentido verdadeiro. Dessa forma, para Hegel, talvez a arte mais aut\u00eantica fosse aquela que <em>expressasse<\/em> a \u201cironia real\u201d da vida, a qual todos levamos e n\u00e3o, do contr\u00e1rio, como fizeram os rom\u00e2nticos, ironizasse aquilo que aparece como c\u00f4mico em suas pr\u00f3prias interpreta\u00e7\u00f5es representativas. O que implica dizer que o processo de fazer gra\u00e7a do \u201crom\u00e2ntico\u201d representa a gra\u00e7a que viu somente no resultado de <em>sua<\/em> demarca\u00e7\u00e3o e <em>sua<\/em> decomposi\u00e7\u00e3o. Afinal, a \u201cironia subjetiva\u201d s\u00f3 pode ironizar um representado.<\/p>\n\n\n\n<p>Se adotarmos uma concep\u00e7\u00e3o expressiva e n\u00e3o representativa, n\u00e3o haveria por que fazer qualquer piada com o <em>representado<\/em>. Em seu lugar, estaria o <em>expressado<\/em> e, nesse sentido, quando a arte <em>expressa<\/em> uma \u201cironia real\u201d, ela pode se sensibilizar com esta e n\u00e3o a ironizar. Isto \u00e9, a \u201cironia real\u201d n\u00e3o \u00e9 uma atividade como a \u201cironia subjetiva\u201d, mas um movimento de \u201cinvers\u00e3o do sentido\u201d pela pr\u00f3pria forma atrav\u00e9s da qual a \u201crealidade efetiva da vida\u201d se apresenta diante de n\u00f3s. Se quisermos, esse outro artista n\u00e3o diria \u201cclaro, uma escolha muito dif\u00edcil <em>mesmo<\/em>\u201d ao ler uma manchete de jornal com o t\u00edtulo \u201cUma escolha muito dif\u00edcil\u201d. Ao contr\u00e1rio, se perguntaria: \u201cpor que essa escolha<em> se apresenta<\/em> como se fosse uma escolha dif\u00edcil?\u201d. Pois para conseguir <em>expressar<\/em> efetivamente a ironia presente na \u201crealidade efetiva da vida\u201d, exige-se do artista que este conecte-se sensivelmente com o que est\u00e1 al\u00e9m do limite da raz\u00e3o representativa. Essa conex\u00e3o sens\u00edvel n\u00e3o opera por processos de demarca\u00e7\u00e3o e decomposi\u00e7\u00e3o imputados por parte do sujeito \u00e0 \u201cmat\u00e9ria art\u00edstica\u201d. Isto \u00e9, a busca pela \u201cironia real\u201d \u00e9 uma tentativa de compreens\u00e3o daquilo \u201cque tende a se objetivar e a assumir uma forma concreta e est\u00e1vel\u201d. Compreender o que est\u00e1 tentando \u201cassumir uma forma concreta\u201d exige uma postura do seguinte tipo diante de uma manchete de jornal: \u201co que est\u00e1 se manifestando e se objetivando para que essa escolha seja uma escolha dif\u00edcil?\u201d. \u00c9 poss\u00edvel que a \u201cironia real\u201d seja esse processo que fa\u00e7a com que algo <em>apare\u00e7a como<\/em> dif\u00edcil. Muito embora esse processo de apresenta\u00e7\u00e3o seja um processo de \u201cinvers\u00e3o do sentido\u201d e de manifesta\u00e7\u00e3o do \u201ccontr\u00e1rio do que se \u00e9\u201d, n\u00e3o se trata de uma simples \u201cilus\u00e3o\u201d. Bem entendida a diferen\u00e7a, quem se ilude \u00e9 o artista da \u201cironia subjetiva\u201d, pois ignora a \u201crealidade efetiva da vida\u201d. No \u00faltimo caso, o pr\u00f3prio termo \u201cironia real\u201d denota que a \u201cinvers\u00e3o de sentido\u201d <em>efetivamente ocorre<\/em>, isto \u00e9, a realidade <em>n\u00e3o poderia se apresentar <\/em>de uma forma que n\u00e3o contrariasse a si mesma. Nesse sentido, o modo de manifesta\u00e7\u00e3o da \u201cinvers\u00e3o\u201d <em>faz parte<\/em> da pr\u00f3pria realidade. Da\u00ed que n\u00e3o se pergunta o que a \u201cmat\u00e9ria art\u00edstica\u201d esconde ou se ela est\u00e1 nos enganando, mas sim o porqu\u00ea dela se apresentar como tal.<\/p>\n\n\n\n<p>Penso que essa considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 descabida. Afinal, n\u00e3o faltaram an\u00e1lises no S\u00e9culo XX acerca da natureza c\u00ednica da pr\u00f3pria realidade. No limite, a pr\u00f3pria teoria da ind\u00fastria cultural dos frankfurtianos n\u00e3o passou de uma conceitualiza\u00e7\u00e3o da \u201cironia real\u201d onde os pr\u00f3prios objetos art\u00edsticos adquirem um significado totalmente distinto de sua naturalidade. O que tornaria, por seu turno, a \u201copini\u00e3o p\u00fablica\u201d dessensibilizada a certos tipos de express\u00e3o que estariam, ent\u00e3o, bloqueados \u00e0 perspectiva daquele que ri das pr\u00f3prias representa\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, a fim de demonstrar essa \u201cironia real\u201d da \u201crealidade efetiva da vida\u201d gostaria de me remeter ao fetichismo da mercadoria de Marx como exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se mesmo dizer que a an\u00e1lise do fetichismo da mercadoria \u2013 a quarta determina\u00e7\u00e3o constitutiva da forma do valor no primeiro cap\u00edtulo de <em>O Capital<\/em> \u2013 \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o a respeito de uma invers\u00e3o do sentido de nossas pr\u00e1ticas sociais. J\u00e1 nos <em>Manuscritos de 1844<\/em>, Marx chamou esse processo de \u201caliena\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cestranhamento\u201d. Com isso, tinha em vista o \u201csistema do dinheiro\u201d enquanto a express\u00e3o invertida da for\u00e7a de trabalho humana. Somente por isso, ali\u00e1s, pudera concluir contra os economistas pol\u00edticos que a propriedade privada n\u00e3o \u00e9 um fato natural e a-hist\u00f3rico. A propriedade privada apareceria agora, na descri\u00e7\u00e3o da \u201cironia real\u201d por parte de Marx, como uma invers\u00e3o historicamente espec\u00edfica das pr\u00f3prias coisas. Ou seja, meu trabalho n\u00e3o aparece como meu trabalho, mas como renda, lucro e juros. E essa apari\u00e7\u00e3o \u00e9 real: pois renda, lucro e juros <em>realmente existem<\/em> como se fossem express\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Em suma, como parte do \u201csistema do dinheiro\u201d. Na <em>Ideologia Alem\u00e3<\/em> referiu-se a isso como \u201cestranhamento\u201d. Por exemplo: quando mostra que as atuais formas de apropria\u00e7\u00e3o privada da natureza tomam a \u201cterra\u201d n\u00e3o como \u201csolo\u201d, mas como \u201crenda\u201d. At\u00e9 que, enfim, do ponto de vista da consolida\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de sua cr\u00edtica da economia pol\u00edtica, Marx p\u00f4de localizar a g\u00eanese dessa \u201cironia real\u201d, que inverte a natureza das pr\u00f3prias coisas em dinheiro, no pr\u00f3prio fato de que o dinheiro \u00e9 um \u201cequivalente universal\u201d e atua como express\u00e3o equivalente de todo o trabalho humano. Ou seja, dinheiro seria a fun\u00e7\u00e3o formal de qualquer valor de uso que possa ocupar um espa\u00e7o de valida\u00e7\u00e3o social garantido, dotado de uma validade temporal consider\u00e1vel e que exista de uma forma minimamente abrangente capaz de expressar a grandeza de valor das mercadorias, por exemplo, o ouro. \u00c9 atrav\u00e9s dessa fun\u00e7\u00e3o que conseguir\u00edamos trocar mercadorias por dinheiro. N\u00e3o fosse a \u201cironia real\u201d, n\u00e3o seria poss\u00edvel comprar e vender. Uma vez que em toda troca de mercadoria por dinheiro ocorre uma \u201cabstra\u00e7\u00e3o real\u201d do conte\u00fado qualitativo dos trabalhos que produzem a mercadoria trocada, poder\u00edamos dizer que esse processo de apresenta\u00e7\u00e3o do \u201ctrabalho\u201d como \u201cdinheiro\u201d atrav\u00e9s da \u201cabstra\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 um movimento ir\u00f4nico da \u201crealidade efetiva da vida\u201d e, s\u00f3 porque \u00e9 assim, tal movimento \u00e9 uma pressuposi\u00e7\u00e3o fundamental de todo ato de troca.<\/p>\n\n\n\n<p>A ironia das descri\u00e7\u00f5es de Marx jamais foi uma mera atitude subjetiva e representativa diante da \u201cfun\u00e7\u00e3o equivalente\u201d do dinheiro. N\u00e3o \u00e0 toa que \u00e9 o dinheiro quem se apresenta como quem representa o valor das mercadorias. Como um sujeito que ignora a diferen\u00e7a sens\u00edvel dos valores de uso e apenas demarca e decomp\u00f5e o tempo socialmente necess\u00e1rio para produzir as mercadorias. As descri\u00e7\u00f5es ir\u00f4nicas de Marx sempre foram uma tentativa de <em>expressar<\/em> a revolta sens\u00edvel dos valores de uso contra o dinheiro. Basta lembrar que a abstra\u00e7\u00e3o real dos trabalhos na troca \u00e9 sempre uma pretens\u00e3o representativa do dinheiro e nunca a anula\u00e7\u00e3o completa dos valores de uso. Como se o dinheiro tivesse uma atitude subjetiva diante das coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, n\u00e3o seria uma \u201cironia real\u201d o fato de que a troca de mercadorias por dinheiro faz com que o conte\u00fado qualitativo dos trabalhos distintos de cada produtor deixe de ter qualquer import\u00e2ncia? N\u00e3o seria uma \u201cironia real\u201d o fato de que a produ\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias utilidades \u00e0 vida humana n\u00e3o tem qualquer fun\u00e7\u00e3o de utilidade a n\u00e3o ser a troca? A esse processo no qual todas as mercadorias produzidas na sociedade expressam seu valor em um \u00fanico equivalente universal, a saber, o dinheiro, Marx chamou fetichismo. De certa forma, o fetichismo \u00e9 um processo no qual o tipo de exist\u00eancia das pr\u00f3prias coisas \u00e9 invertido: elas <em>existem<\/em> como dinheiro. Essa talvez seja a \u201cironia real\u201d de que a terra n\u00e3o sirva para plantar e nem para ser cuidada, mas para plantar somente algo que se ajuste rapidamente \u00e0 forma do dinheiro e possa ser monetizado em sua explora\u00e7\u00e3o. Se Marx descreveu isso com sucesso, podemos dizer que isso se deve \u00e0 sua enorme sensibilidade em tentar expressar uma hist\u00f3ria que, ao final de <em>O Capital<\/em>, ele diz ser de sangue e fogo. Em suma, a <em>express\u00e3o<\/em> de uma dor n\u00e3o diretamente reconhecida. Sintom\u00e1tico notar a \u201cironia subjetiva\u201d dos que se dedicam a vida a criticar a \u201csociedade do consumo\u201d e se valem de Marx para dar o nome de \u201cfetichismo\u201d ao desejo pela persegui\u00e7\u00e3o de valores de usos passando ao largo de toda \u201cironia real\u201d. Se a esquerda contempor\u00e2nea pode descrever a sociedade atual como uma sociedade do consumo, n\u00e3o haveria mist\u00e9rio em dizer que isso se deve \u00e0 sua atitude representativa. Uma atitude carente de qualquer sensibilidade a dor expressa pelos valores de uso em sua batalha contra o dinheiro. Em s\u00edntese, uma \u201cironia subjetiva\u201d ou, se quisermos, uma piada com representa\u00e7\u00f5es que em seu processo de provocar risos ocultam a express\u00e3o de uma dor <em>real<\/em>. Coisa que, ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o distante da \u201cironia subjetiva\u201d que tentarei identificar logo \u00e0 frente. Mas chega de Marx. O ponto aqui \u00e9 apenas mostrar como uma perspectiva meramente subjetiva, \u00e0 moda dos rom\u00e2nticos e do puro chiste, jamais poderia <em>expressar <\/em>esse processo de \u201cironia real\u201d (quase sempre acompanhado de uma dor), j\u00e1 que projeta uma representa\u00e7\u00e3o constitu\u00edda somente por conceitos subjetivos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. <\/strong>Mas o que toda essa parafern\u00e1lia conceitual produzida na Alemanha do S\u00e9culo XIX tem a ver com aquele editorial do <em>Estad\u00e3o<\/em>? Tanto a sua manchete, quanto a recep\u00e7\u00e3o ir\u00f4nica no emaranhado de <em>memes<\/em>, piadas e chistes por parte da \u201cesquerda\u201d guardam muitas semelhan\u00e7as estruturais com a ironia subjetiva dos rom\u00e2nticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, \u00e9 t\u00e3o curioso que o <em>Estad\u00e3o<\/em> tenha rotulado a controv\u00e9rsia sobre o \u201ciminente desastre fiscal\u201d brasileiro de \u201cuma escolha muito dif\u00edcil\u201d. Pois tanto \u00e0 posi\u00e7\u00e3o neoliberal claramente expressa do jornal, quanto ao p\u00fablico que faz escolhas e toma decis\u00f5es financeiras com base em suas especula\u00e7\u00f5es subjetivistas, a escolha n\u00e3o era nada dif\u00edcil. A verdade \u00e9 que sequer tinham de escolher; exemplo da facilidade de classes que possuem um m\u00ednimo de vida livre: n\u00e3o <em>precisar <\/em>escolher. Afinal, nenhum dos candidatos apresentou em 2018 um programa de governo que ignorasse propostas de ajuste fiscal. Sem d\u00favida, para capitalistas, propriet\u00e1rios fundi\u00e1rios e investidores de toda sorte (\u00e9 claro, jamais os indiv\u00edduos por tr\u00e1s desses papeis sociais \u2013 afinal, os primeiros tamb\u00e9m cumprem a pena que a senten\u00e7a de Sartre lhes imputou), a elei\u00e7\u00e3o de 2018 sequer representou escolha alguma. Era muito f\u00e1cil. Curioso seria entender, ent\u00e3o, o que todo esse clima de polariza\u00e7\u00e3o dentro dos pr\u00f3prios representantes do dinheiro expressa. Por\u00e9m, talvez essa seja uma tarefa poss\u00edvel somente <em>post festum<\/em>. O fato \u00e9 que objetivamente n\u00e3o haveria nenhuma dificuldade para o voto: qualquer um serviria aos prop\u00f3sitos de pol\u00edticas que tentassem evitar o \u201ciminente desastre fiscal\u201d. Dessa perspectiva, a manchete soa mesmo como uma piada de mau gosto. Contudo, n\u00e3o penso que se deva encarar a manchete como uma atitude c\u00ednica de quem j\u00e1 havia feito uma op\u00e7\u00e3o eleitoral e levantaria a d\u00favida da escolha apenas dissimuladamente. Como procurarei mostrar adiante, talvez o m\u00e9rito dessa manchete \u2013 e n\u00e3o tanto o conte\u00fado sobre o mito do \u201ciminente desastre fiscal\u201d \u2013 tenha sido o de expressar como nenhuma outra o drama da \u201cironia real\u201d da escolha pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>De outra parte, as \u201cfor\u00e7as de esquerda\u201d que n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 \u00e9poca fizeram piadas e <em>memes<\/em> de todo tipo com a manchete, mais do que imputarem a todo tempo uma esp\u00e9cie de \u201cinteresse burgu\u00eas obscuro\u201d ao jornal \u2013 como a vulgata da segunda internacional acostumou as esquerdas \u2013, restaram convictas de que a candidatura de Haddad apresentaria grandes diferen\u00e7as. Diferen\u00e7as essas que qualquer um compromissado com as \u201cliberdades democr\u00e1ticas\u201d (seja l\u00e1 o que for a refer\u00eancia desse substantivo composto t\u00e3o indeterminado) e com um \u201cprograma de desenvolvimento econ\u00f4mico razo\u00e1vel\u201d (mais uma imita\u00e7\u00e3o do que o discurso corrente faz saltar \u00e0 vista, sem nenhum compromisso de referente claro) deveria enxergar e reconhecer. N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que seus <em>memes<\/em> geralmente s\u00e3o enunciados que repetem e invertem o t\u00edtulo do editorial do <em>Estad\u00e3o<\/em>: \u201cClaro, era uma escolha muito dif\u00edcil\u201d ou \u201cUma escolha muito dif\u00edcil <em>mesmo<\/em>\u201d.&nbsp; Conv\u00e9m notar que o enunciado ir\u00f4nico dos esquerdistas geralmente vem acompanhado de alguma manchete do pr\u00f3prio <em>Estad\u00e3o<\/em> onde pode-se ler alguma esp\u00e9cie de cr\u00edtica atual ao governo Bolsonaro. Por conseguinte, a esse militantismo de falsa resist\u00eancia, a quest\u00e3o n\u00e3o deveria demandar dificuldade alguma: afinal, era uma escolha <em>muito f\u00e1cil<\/em>. Estando implicado a isso, muitas vezes, que o pr\u00f3prio jornal n\u00e3o teria de criticar tanto o governo, caso tivesse feito a escolha \u201cf\u00e1cil\u201d.<a href=\"#_ftn9\">[9]<\/a> N\u00e3o seria dif\u00edcil perceber, ent\u00e3o, a gra\u00e7a em ironizar o jornal. Mas, como vimos, o segredo de processos de \u201cironia subjetiva\u201d \u00e9 que a gra\u00e7a produzida \u00e9 resultado de uma destrui\u00e7\u00e3o e anula\u00e7\u00e3o daquilo que a demarca\u00e7\u00e3o e a decomposi\u00e7\u00e3o humor\u00edsticas n\u00e3o conseguiram compreender. Nesse caso, a \u201cironia subjetiva\u201d \u00e9 fundamentalmente um erro ou uma ilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O erro aqui foi muito mais b\u00e1sico: <em>escolhas nunca s\u00e3o f\u00e1ceis<\/em>.<a href=\"#_ftn10\">[10]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O que espanta \u00e9 que n\u00e3o s\u00f3 aqui, mas em outras tantas vezes, a \u201cironia subjetiva\u201d da piada com o jornal <em>expressa<\/em> o fato de que as \u201cfor\u00e7as de esquerda\u201d n\u00e3o se sentem nem desconfort\u00e1veis em assumir que o projeto que apoiavam era mesmo neoliberal (isso mesmo: n\u00e3o s\u00f3 uma pol\u00edtica econ\u00f4mica reduzida em termos fiscais, mas uma defesa de uma forma de vida extremamente parecida com aquela do lado \u201cde l\u00e1\u201d). A postura generalizada das \u201cfor\u00e7as de esquerdas\u201d, como podemos ver, foi uma tentativa de demarcar e decompor com seus pr\u00f3prios v\u00edcios conceituais a gra\u00e7a do representado. Com efeito, tudo que tais for\u00e7as puderam ver na manchete foi uma manchete. Ningu\u00e9m se perguntou: \u201cmas porque essa escolha pol\u00edtica <em>se apresentou<\/em> como uma escolha muito dif\u00edcil?\u201d. Resultado comum, como rec\u00e9m vimos, aos artistas que adotam uma atitude subjetiva de representa\u00e7\u00e3o. Por meio de desconstru\u00e7\u00f5es de discursos segundo os quais o Partido dos Trabalhadores seria uma for\u00e7a socialista radical \u2013 como a suposta oposi\u00e7\u00e3o bolsonarista costuma lhe apresentar \u2013, essa esp\u00e9cie de opini\u00e3o p\u00fablica d\u00f3cil n\u00e3o consegue se espantar com a \u201crealidade efetiva da vida\u201d \u2013 porque se perdeu em seus pr\u00f3prios \u201cconceitos subjetivos\u201d \u2013 que se escancara diante de seus pr\u00f3prios olhos: a \u201calternativa\u201d de pol\u00edtica econ\u00f4mica neoliberal de um partido que se intitula \u201cdos trabalhadores\u201d \u00e9 defendida com unhas e dentes at\u00e9 mesmo pelos marxistas-leninistas (ainda existem!) mais fi\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p>O que estou querendo sugerir \u00e9 que existe uma \u201crealidade efetiva da vida\u201d que as \u201cfor\u00e7as de esquerda\u201d n\u00e3o est\u00e3o conseguindo <em>expressar<\/em>. Por qu\u00ea? Porque adotam uma postura representativa diante da realidade. O que implica assumir que sua \u201cironia subjetiva\u201d \u00e9 um humor de estilo conspirat\u00f3rio em rela\u00e7\u00e3o ao jornal. N\u00e3o conseguem, portanto, ver na manchete uma express\u00e3o fragmentada da realidade e apenas lhe imputam marcas de conceitos subjetivos pr\u00e9-formados. Essa postura n\u00e3o lhes sensibiliza com o \u201coutro\u201d contido no editorial \u2013 ainda que fragmentariamente \u2013 que as demarca\u00e7\u00f5es e decomposi\u00e7\u00f5es de seu <em>meme<\/em> ignoram. Sua representa\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode identificar a gra\u00e7a na manchete e, por conseguinte, justificar o riso, porque abstraiu de toda diferen\u00e7a que a manchete <em>expressou<\/em> \u2013 ainda que sem o saber. De maneira similar, o dinheiro pretende apenas representar o valor das mercadorias, mas tamb\u00e9m <em>expressa <\/em>\u2013 sem conhecimento disso \u2013 a dor sens\u00edvel dos valores de uso das mercadorias.&nbsp; \u00c0 vista disso, quero indicar que a pr\u00f3pria \u201cironia subjetiva\u201d \u00e9 parte da \u201cironia real\u201d que levou a escolha pol\u00edtica se apresentar como se fosse uma escolha dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 aqui que podemos nos aproximar da \u201cironia real\u201d <em>expressada<\/em> no drama de nossa situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Mas n\u00e3o devemos entender mal. N\u00e3o se trata de puxar a corda e bater na t\u00e3o repetida tecla de que a \u201cesquerda deixou de ser esquerda\u201d e coisas do g\u00eanero; antes se trata de um apelo para que seja abandonada essa metaf\u00edsica pressuposta pela atitude subjetiva da representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica da piada. Muitas vezes se esquece que quando Hegel criticou a \u201cironia subjetiva\u201d da piada rom\u00e2ntica, ele estava mais preocupado com a vida ordin\u00e1ria do que talvez possa parecer. N\u00e3o se trata de uma mera oposi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica \u00e0 est\u00e9tica do romantismo. O romantismo n\u00e3o \u00e9 uma forma est\u00e9tica que paira no ar. Os grupos sociais de nossas sociedades possuem atitudes e caracter\u00edsticas que podem expressar uma est\u00e9tica rom\u00e2ntica. Piadas, chistes e <em>memes<\/em> desse tipo n\u00e3o s\u00e3o atitudes metafisicamente ing\u00eanuas: elas expressam uma interpreta\u00e7\u00e3o do mundo. Al\u00e9m disso, s\u00e3o informadas conceitualmente por processos de identifica\u00e7\u00e3o: a demarca\u00e7\u00e3o e a decomposi\u00e7\u00e3o. A pergunta, portanto, \u00e9: o que as \u201cfor\u00e7as de esquerda\u201d t\u00eam <em>expressado<\/em> com essas piadas? Certamente est\u00e3o muito longe de criticar a ironia da \u201crealidade efetiva da vida\u201d. Ironizar a manchete do editorial do <em>Estad\u00e3o<\/em> \u00e9 uma de tantas outras formas de glorificar a \u201crealidade efetiva da vida\u201d: trata-se da express\u00e3o de um profundo subjetivismo que j\u00e1 perdeu qualquer contato com a realidade. At\u00e9 porque essa piada n\u00e3o \u00e9 uma piada individual, mas a ironia que expressa a voz meramente passiva de um sujeito coletivo. Mas n\u00e3o seriam essas \u201crepresenta\u00e7\u00f5es que n\u00e3o representam nada de real\u201d, para usar um jarg\u00e3o de Marx, a morada do perigo? Esse, talvez, seja o resultado de se entregar inteiramente a restri\u00e7\u00e3o subjetiva dos conceitos que demarcam nossas representa\u00e7\u00f5es: acreditar que escolhas f\u00e1ceis sejam poss\u00edveis. Talvez seja apenas uma outra maneira melanc\u00f3lica de achar gra\u00e7a na pr\u00f3pria derrota. Afinal, enquanto o mercado eleitoral garantir cerca de 35% do eleitorado, quem \u00e9 que vai se importar com a interpreta\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o atual das rela\u00e7\u00f5es sociais que expressam a ironia real de nossa \u201crealidade efetiva da vida\u201d brasileira?<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que a despeito de tais \u201crepresenta\u00e7\u00f5es n\u00e3o representarem nada de real\u201d, elas possuem um impacto fort\u00edssimo na vida de milh\u00f5es de pessoas. Pessoas que vivem uma eterna e infind\u00e1vel espera por uma alternativa. Mais do que isso: por uma alternativa <em>real<\/em> e n\u00e3o por uma alternativa meramente eleitoral. Mas, diferentemente da melancolia da piada, sabem que uma alternativa <em>real<\/em> ainda n\u00e3o existe. Sabem que construir uma alternativa real a \u201ctudo isso que est\u00e1 a\u00ed\u201d requer <em>escolhas muito dif\u00edceis<\/em>. Escolhas que conduzam a uma pr\u00e1tica social com capacidade de transformar significativamente a \u201crealidade efetiva da vida\u201d. Escolhas que <em>expressem<\/em> (e n\u00e3o representem) o seu desejo de uma forma de vida livre. Ora, o que os processos de demarca\u00e7\u00e3o e decomposi\u00e7\u00e3o ou, se preferirmos, o que a base do riso das \u201cfor\u00e7as de esquerda\u201d tem <em>expressado<\/em>, \u00e9 uma total falta de sensibilidade com a dor de quem tem de fazer essas escolhas. Uma dor que a manchete do <em>Estad\u00e3o <\/em>inconscientementen\u00e3o conseguiu ocultar. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a \u201cironia subjetiva\u201d do riso petista n\u00e3o possui mais nada para oferecer a n\u00e3o ser sua melanc\u00f3lica nostalgia de um suposto \u201cpassado glorioso\u201d. A atitude contemplativa da piada n\u00e3o \u00e9 o seu \u00fanico problema. Devemos lembrar que risos melanc\u00f3licos sempre s\u00e3o a <em>express\u00e3o<\/em> mais adequada de quem j\u00e1 n\u00e3o consegue perceber, mesmo em situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o escandalosas, o diferente e o dissonante. O riso \u00e9 uma esp\u00e9cie confort\u00e1vel de comportamento tautol\u00f3gico; o orgulho daquele que encontra coer\u00eancia na ilus\u00f3ria impress\u00e3o de que pode ser id\u00eantico a si mesmo. A coer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma forma de fechar os olhos para a \u201cdiferen\u00e7a\u201d que tenta se fazer presente na manchete. Ela \u00e9 uma maneira de justificar pr\u00e1ticas hegem\u00f4nicas de anula\u00e7\u00e3o do \u201coutro\u201d. Pois enquanto o reconhecimento dessa dor n\u00e3o estiver no horizonte das \u201cfor\u00e7as de esquerda\u201d, a sua perspectiva representacional s\u00f3 poder\u00e1 identificar um \u00fanico caminho a ser trilhado: o voto. Quando mais n\u00e3o seja para efeitos de precis\u00e3o: um voto espec\u00edfico e viciado de 35% do eleitorado \u2013 incapaz de <em>expressar<\/em> a insatisfa\u00e7\u00e3o generalizada de novos sujeitos pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro passo na aproxima\u00e7\u00e3o das \u201crela\u00e7\u00f5es sociais\u201d da \u201crealidade efetiva da vida\u201d brasileira talvez seja levar mais a s\u00e9rio excelentes pesquisas como as de Rosana Pinheiro-Machado e L\u00facia Scalco e coloc\u00e1-las no eixo de aten\u00e7\u00e3o de qualquer constru\u00e7\u00e3o de alternativa que queira entender a ironia de nossa realidade.<a href=\"#_ftn11\">[11]<\/a> At\u00e9 porque nossas \u201cfor\u00e7as de esquerda\u201d continuar\u00e3o n\u00e3o compreendendo muitas das particularidades brasileiras das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas enquanto n\u00e3o prestarem aten\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201csubjetividade pol\u00edtica de indiv\u00edduos de baixa renda\u201d. Talvez esse seja um bom come\u00e7o para entender por que, para a \u201csubjetividade pol\u00edtica de indiv\u00edduos de baixa renda\u201d, 2018 foi (e ainda continua a ser) uma escolha <em>muito dif\u00edcil<\/em>. Essa \u00e9 a dram\u00e1tica \u201cironia real\u201d que a raz\u00e3o representativa da piada n\u00e3o conseguiu enxergar na manchete do <em>Estad\u00e3o<\/em>. O que se passa com as \u201cfor\u00e7as de esquerda\u201d \u00e9 o mesmo que passou com a velha que visitou o m\u00e9dico: perdeu <strong><em>o uso dos olhos<\/em><\/strong>.<a href=\"#_ftn12\">[12]<\/a> S\u00f3 lhe sobrou a raz\u00e3o. Mas a pr\u00f3pria raz\u00e3o n\u00e3o lhe permitiu <strong><em>enxergar <\/em><\/strong>que o sujeito da escolha n\u00e3o era o <em>Estad\u00e3o<\/em>! Somente uma \u201cironia real\u201d pode trazer \u00e0 mem\u00f3ria da \u201cironia subjetiva\u201d que a cont\u00ednua precariza\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o permite a essa subjetividade pol\u00edtica qualquer resqu\u00edcio de romantismo. Ela n\u00e3o tem tempo para rir de manchetes de jornais; precisa a todo tempo remediar sua dor com trabalho e mais trabalho, j\u00e1 que a <em>express\u00e3o<\/em> sens\u00edvel desse sofrimento ainda n\u00e3o encontrou vaz\u00e3o. Para aquele que sofre, escolhas jamais ser\u00e3o f\u00e1ceis. Pois sabe muito bem que a piada \u00e9 a mais conservadora de todas as artes e a postura altamente contemplativa do riso n\u00e3o lhe pode ajudar a conquistar coisa alguma. N\u00e3o lhe ajuda, a bem da verdade, a tomar escolha alguma. Sua sensibilidade possui um diagn\u00f3stico muito mais realista da situa\u00e7\u00e3o do que a mera cordialidade oferecida pelas \u201cironias subjetivas\u201d que agora calam pacientes em sua esperan\u00e7a cega para 2022. Se escolhas fossem f\u00e1ceis, Theodor Adorno jamais teria dito que a liberdade s\u00f3 seria uma \u201crealidade efetiva da vida\u201d l\u00e1 onde j\u00e1 n\u00e3o estar\u00edamos mais condenados a ter que escolher. Por\u00e9m, quem se acostumou a tratar a pol\u00edtica como se esta fosse uma quest\u00e3o de racionalidade pr\u00e1tica, sempre ter\u00e1 como \u00f4nus a falta de sensibilidade \u00e0 <em>especificidade hist\u00f3rica<\/em> da condi\u00e7\u00e3o social que nos condena a escolher entre mais ou menos Estado, entre mais ou menos mercado.<a href=\"#_ftn13\">[13]<\/a> Mas isso j\u00e1 nos levaria a uma outra quest\u00e3o, da qual os rom\u00e2nticos gostariam ainda menos, e que aqui n\u00e3o poderei abordar: existem <em>escolhas<\/em> pol\u00edticas? E, se elas existem, elas <em>expressam<\/em> conflitos e lutas sociais ou <em>representam<\/em> uma \u201cvontade geral\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4.<\/strong> Talvez seja o caso de tentar ilustrar a distin\u00e7\u00e3o entre essas duas formas de pensar escolhas pol\u00edticas com uma passagem do <em>Manifesto Comunista<\/em>. Trata-se de um trecho do texto no qual Marx e Engels criticam uma certa concep\u00e7\u00e3o de esquerda que insiste em pensar que escolhas pol\u00edticas dizem respeito \u00e0 representa\u00e7\u00e3o da vontade do povo. Com isso, quero sugerir que interpretar escolhas pol\u00edticas ou como <em>express\u00e3o<\/em> ou como <em>representa\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e9 um resultado de uma situa\u00e7\u00e3o <em>historicamente espec\u00edfica<\/em> na qual certas formas de vida s\u00e3o t\u00e3o antag\u00f4nicas que sua reconcilia\u00e7\u00e3o talvez seja imposs\u00edvel. A est\u00e9tica de nossos comportamentos ordin\u00e1rios \u00e9 uma evid\u00eancia de quanto nossa interpreta\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9 moldada por essa distin\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] as reivindica\u00e7\u00f5es da primeira revolu\u00e7\u00e3o francesa s\u00f3 eram, para as filosofias alem\u00e3s do s\u00e9culo XVIII, as reivindica\u00e7\u00f5es da \u2018raz\u00e3o pr\u00e1tica\u2019 em geral e a manifesta\u00e7\u00e3o da vontade dos burgueses revolucion\u00e1rios da Fran\u00e7a n\u00e3o expressava, a seus olhos, sen\u00e3o as leis da vontade pura, da vontade tal como deve ser, da vontade verdadeiramente humana. [&#8230;] Os literatos alem\u00e3es agiram em sentido inverso a respeito da literatura francesa profana. Por exemplo, sob a cr\u00edtica francesa das fun\u00e7\u00f5es do dinheiro, escreveram \u2018aliena\u00e7\u00e3o da ess\u00eancia humana\u2019, sob a cr\u00edtica francesa do Estado burgu\u00eas, escreveram \u2018supera\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio da universalidade abstrata\u2019, e assim por diante [&#8230;]. E, como na m\u00e3o dos alem\u00e3es essa literatura <strong><em>tinha deixado de ser a express\u00e3o<\/em><\/strong> da luta de uma classe contra a outra, eles se felicitaram por terem se elevado acima da \u2018estreiteza francesa\u2019 e defendido n\u00e3o verdadeiras necessidades, mas a \u2018necessidade da verdade\u2019 [&#8230;]<a href=\"#_ftn14\">[14]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No caso brasileiro, alguns literatos preferiram substituir a \u2018necessidade da verdade\u2019 pela seguinte frase presente na capa de um livro: \u201cA verdade vencer\u00e1\u201d. Ao acordar pela manh\u00e3 e ler uma manchete de jornal, podemos escolher rir e nos felicitar por arrogantemente nos elevar acima da \u2018estreiteza da subjetividade pol\u00edtica de baixa renda\u2019 com piadas ou tentar compreender a <em>express\u00e3o<\/em> \u2013 nem t\u00e3o clara no primeiro contato imediato com a estampa do editorial \u2013 da \u201cironia real\u201d que se volta contra nossa sensibilidade. Mas esse processo sens\u00edvel de compreens\u00e3o exige um esfor\u00e7o cont\u00ednuo de afastamento de atitudes subjetivas de representa\u00e7\u00e3o. Esse esfor\u00e7o se chama historiciza\u00e7\u00e3o. Falar sobre isso, entretanto, exigir\u00e1 outras prosas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-coblocks-social has-colors\" style=\" \"><ul><li>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2021\/04\/27\/escolhas-jamais-serao-faceis-felipe-taufer\/&#038;title=Escolhas%20jamais%20ser\u00e3o%20f\u00e1ceis%20\u2014%20Felipe%20Taufer\" class=\"wp-block-button__link wp-block-coblocks-social__button wp-block-coblocks-social__button--facebook     has-padding\" title=\"Compartilhar no Facebook\" style=\"border-radius: 0px;\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__icon\" style=\"\"><\/span>\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"wp-block-coblocks-social__text\" style=\"\">Compartilhar no Facebook<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/li><li>\n\t\t\t\t\t<a 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class=\"kt-blocks-info-box-media-container\"><div class=\"kt-blocks-info-box-media kt-info-media-animate-none\"><div class=\"kadence-info-box-image-inner-intrisic-container\" style=\"max-width:159px\"><div class=\"kadence-info-box-image-intrisic kt-info-animate-none\" style=\"padding-bottom:99.82142857142857%;height:0;width:560px;max-width:100%\"><div class=\"kadence-info-box-image-inner-intrisic\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felipe-Taufer.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"559\" class=\"kt-info-box-image wp-image-1464 \" srcset=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felipe-Taufer.jpg 560w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felipe-Taufer-300x300.jpg 300w, https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felipe-Taufer-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"kt-infobox-textcontent\"><h2 class=\"kt-blocks-info-box-title\">Felipe Taufer<\/h2><p class=\"kt-blocks-info-box-text\">\u00c9 doutorando em Filosofia Pol\u00edtica no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia da Universidade de Caxias do Sul.<\/p><\/div><\/a><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> LUK\u00c1CS, 2011, p. 96.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> LUK\u00c1CS, 2011, p. 87.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> \u201cAt\u00e9 aqui Novalis foi mencionado apenas esporadicamente, e, no entanto, estivemos falando dele o tempo todo\u201d. LUK\u00c1CS, 2011, p. 93.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> LUK\u00c1CS, 2011, p. 92.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> ZIZEK, 2018, p. 80.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> HEGEL, 1979, p. 356-357.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.aulete.com.br\/ironia\">https:\/\/www.aulete.com.br\/ironia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> Vale lembrar que era justamente por encarar a vida de forma n\u00e3o po\u00e9tica e livre de toda coloniza\u00e7\u00e3o do representado por piadas inteiramente subjetivas que Novalis p\u00f4de, na acep\u00e7\u00e3o de Luk\u00e1cs, ser o \u00fanico rom\u00e2ntico aut\u00eantico. Na tese contraintuitiva do h\u00fangaro, o ponto era justamente porque havia abandonado o ultrasubjetivismo do esp\u00edrito de sua \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> Como num truque de m\u00e1gica, as \u201cfor\u00e7as de esquerda\u201d teriam descoberto a verdade da posi\u00e7\u00e3o neoliberal: era muito f\u00e1cil. Contudo, a unilateralidade de sua piada n\u00e3o lhes permitiu at\u00e9 hoje a ter clareza acerca do <em>index<\/em> da facilidade da escolha. Quer dizer, ora o index da piada \u00e9 tido como um \u201ctanto faz\u201d, ora est\u00e1 na op\u00e7\u00e3o por Haddad. O fato \u00e9: o diagn\u00f3stico de que certas escolhas podem ser f\u00e1ceis est\u00e1 em extrema conson\u00e2ncia com os realmente preocupados com o \u201cajuste fiscal\u201d. A esquerda n\u00e3o via problema em <em>querer<\/em> o ajuste fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> Ali\u00e1s, essa \u00e9 a maior li\u00e7\u00e3o de Antoine Roquentin.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\">[11]<\/a> Por exemplo, SCALCO, Lucia Mury; PINHEIRO-MACHADO, Rosana. Da esperan\u00e7a ao \u00f3dio: juventude, pol\u00edtica e pobreza do lulismo ao bolsonarismo. IHU Ideias, out-2018. Acesso em: <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/583354-da-esperanca-ao-odio-juventude-politica-e-pobreza-do-lulismo-ao-bolsonarismo\">http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/583354-da-esperanca-ao-odio-juventude-politica-e-pobreza-do-lulismo-ao-bolsonarismo<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\">[12]<\/a> Ver a f\u00e1bula da velha e do m\u00e9dico. &nbsp;<a href=\"https:\/\/fablesofaesop.com\/the-old-woman-and-the-physician.html\">https:\/\/fablesofaesop.com\/the-old-woman-and-the-physician.html<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\">[13]<\/a> O <em>dictum<\/em> correto seria: a humanidade est\u00e1 condenada \u00e0 liberdade \u2013 na modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\">[14]<\/a> MARX; ENGELS, 2018, p. 44-45.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ESOPO. <em>The Old Woman and the Physician<\/em>. Acesso em: <a href=\"https:\/\/fablesofaesop.com\/the-old-woman-and-the-physician.html\">https:\/\/fablesofaesop.com\/the-old-woman-and-the-physician.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. <em>Esth\u00e9tique<\/em>. v. 2. Trad. S. Jank\u00e9l\u00e9vitch. Paris: Flammarion, 1979.<\/p>\n\n\n\n<p>LUK\u00c1CS, Georg. <em>A alma e as formas<\/em>. Trad. Rainer Patriota. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. In: MARX, Karl; ENGELS, Friedrich; LENIN, Vladimir. Manifesto Comunista, Teses de Abril. Trad. \u00c1lvaro Pina e Ivana Jinkings. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2018, pp. 21-52.<\/p>\n\n\n\n<p>SCALCO, Lucia Mury; PINHEIRO-MACHADO, Rosana. Da esperan\u00e7a ao \u00f3dio: juventude, pol\u00edtica e pobreza do lulismo ao bolsonarismo. IHU Ideias, out-2018. Acesso em: <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/583354-da-esperanca-ao-odio-juventude-politica-e-pobreza-do-lulismo-ao-bolsonarismo\">http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/583354-da-esperanca-ao-odio-juventude-politica-e-pobreza-do-lulismo-ao-bolsonarismo<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>ZIZEK, Slavoj. <em>Like a Thief in Broad Daylight<\/em>: Power in The Era of Post-Humanity. London: Penguin, 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. No dia 08 de outubro de 2018, \u00e0s 03 horas da manh\u00e3, o jornal O Estado de S\u00e3o Paulo publicava o editorial, que foi ao ar logo ap\u00f3s a apura\u00e7\u00e3o do resultado do primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018, com a seguinte manchete: \u201cUma escolha muito dif\u00edcil\u201d. 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De maneira similar, o dinheiro pretende apenas representar o valor das mercadorias, mas tamb\u00e9m expressa \u2013 sem conhecimento disso \u2013 a dor sens\u00edvel dos valores de uso das mercadorias. \u00c0 vista disso, quero indicar que a pr\u00f3pria \u201cironia subjetiva\u201d \u00e9 parte da \u201cironia real\u201d que levou a escolha pol\u00edtica se apresentar como se fosse uma escolha dif\u00edcil.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/zeroaesquerda.com.br\/index.php\/2021\/04\/27\/escolhas-jamais-serao-faceis-felipe-taufer\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Escolhas jamais ser\u00e3o f\u00e1ceis \u2014 Felipe Taufer - Zero \u00e0 Esquerda\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O que estou querendo sugerir \u00e9 que existe uma \u201crealidade efetiva da vida\u201d que as \u201cfor\u00e7as de esquerda\u201d n\u00e3o est\u00e3o conseguindo expressar. 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